segunda-feira, março 19, 2018

Augustus Nicodemus Lopes

CRISTIANISMO NA UNIVERSIDADE (20)

CRISTIANISMO NA UNIVERSIDADE (20)


Por Que Universitários se Drogam?
O consumo de álcool e o uso de drogas pelos estudantes é um dos maiores pesadelos das universidades, especialmente daquelas que levam a sério o seu caráter confessional – apesar de que o problema não tem apenas um viés religioso.
As drogas – inclusive o álcool – trazem grandes problemas para todos. Da perspectiva do aluno e da instituição, o primeiro problema que surge é o desempenho acadêmico que cai e os relacionamentos que se deterioram, tanto entre os colegas como com os professores. Por detrás de uma parte do fraco desempenho acadêmico estão o álcool e as drogas. Isto tudo vem acompanhado de brigas, confusões e desentendimentos, dentro e fora de sala.
Este comportamento é seguido, ou fomentado, pelo comércio de bebidas no entorno das universidades, que não só servem para a venda de álcool, mas também para abrigo de traficantes e pontos de venda de drogas. O que poderia ser um problema somente interno torna-se, agora, um problema de segurança externa, pois com as drogas segue-se a criminalidade.
Uma outra consequência, então, é a própria imagem das universidades, que passam a ser mal vistas por conta da venda de bebidas e drogas em seu entorno e pelas festas onde alunos em coma alcoólica são levados de urgência a hospitais da região. Estes arranhões na imagem das universidades acontecem ainda que tais festas e a venda de drogas ocorram fora de seus campi e, portanto, fora de seu controle.
As causas sociológicas que levam jovens universitários ao uso das mais diversas drogas são várias e complexas. Creio que começam com um pressuposto filosófico comum à nossa cultura pós-moderna, que é o hedonismo como resposta ao vazio da alma. Tudo isto está relacionado com os problemas familiares, desejo de aceitação nas “tribos urbanas” e o vazio existencial da nossa juventude. Boa parte destas explicações tende a transformar os estudantes alcoólicos e drogados em vítimas ou em pessoas doentes. Não se pode, todavia, esquecer-se da responsabilidade pessoal de cada um deles pelas escolhas que fizeram. Esquecer isto é cair na tendência de auto vitimização da nossa sociedade.
O assunto é tão complexo que soluções minimalistas e simplistas não ajudarão. Ao que parece, campanhas de prevenção tocam apenas na superfície do problema. A repressão policial nos bares e pontos, ainda que acontecesse, não convenceria os estudantes. É preciso admitir que somente a pregação religiosa da necessidade de arrependimento e conversão a Cristo também não atenderia à complexidade da situação. Existem aspectos estruturais e sociais do assunto que precisam da intervenção de outros braços, além do religioso.
Todavia, uma solução que integrasse estas abordagens poderia ter alguns resultados positivos. É certo que campanhas bem instruídas que procurassem conscientizar os estudantes de que os principais prejudicados com o uso de drogas e álcool são eles mesmos, suas carreiras, seus relacionamentos e suas (futuras) famílias, seriam um passo importante. Ao lado das campanhas, a cooperação das autoridades na repressão ao tráfico no entorno das universidades, responsabilizando estes alunos civilmente, poderia abrir os olhos de vários quanto ao tipo de consequências que suas ações trazem. Poucos estudantes estão conscientes de que se forem fichados na polícia poderão ser impedidos de participar de concursos públicos no futuro. A seguir, a expulsão das universidades de traficantes que se matricularam como alunos, quando devidamente identificados e processados. Junto com estas atividades, o atendimento psicológico aos que desejarem ajuda para se livrar do vício e quem sabe até encaminhamento para instituições de recuperação de drogados e alcoólatras.
E por fim, mas não menos importante, a assistência espiritual aos estudantes e família. Pois, afinal, uma das causas – se não a mais fundamental de todas – para que uma pessoa se alcoolize e se drogue é uma insatisfação interior consigo mesma, um vazio existencial e conflitos internos não resolvidos, um fardo de culpa na consciência e coisas assim, que podem ser atendidas quando se tem um relacionamento significativo e profundo com Deus, na pessoa de Seu Filho Jesus Cristo. Uma transformação interna ocasionada pela Palavra de Deus trará verdadeira libertação das cadeias existenciais, incluindo a escravidão às drogas.

Augustus Nicodemus Lopes

Postado por Augustus Nicodemus Lopes.

Sobre os autores:

Dr. Augustus Nicodemus (@augustuslopes) é atualmentepastor da Primeira Igreja Presbiteriana de Goiânia, vice-presidente do Supremo Concílio da Igreja Presbiteriana doBrasil e presidente da Junta de Educação Teológica da IPB.

O Prof. Solano Portela prega e ensina na Igreja Presbiteriana de Santo Amaro, onde tem uma classe dominical, que aborda as doutrinas contidas na Confissão de Fé de Westminster.

O Dr. Mauro Meister (@mfmeister) iniciou a plantação daIgreja Presbiteriana da Barra Funda.