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segunda-feira, junho 29, 2015

Solano Portela

O que é matrimônio e divórcio?

Mateus 19.3-6: "Vieram a ele alguns fariseus e o experimentavam, perguntando: É lícito ao marido repudiar a sua mulher por qualquer motivo? Então, respondeu ele: Não tendes lido que o Criador, desde o princípio, os fez homem e mulher e que disse: Por esta causa deixará o homem pai e mãe e se unirá a sua mulher, tornando-se os dois uma só carne? De modo que já não são mais dois, porém uma só carne. Portanto, o que Deus ajuntou não o separe o homem".
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Os Fariseus experimentavam a Jesus. É interessante que o ponto para esse teste era sobre o seu conceito quanto ao matrimônio. Nessa era, em que a instituição do casamento é tão contestada, ou por vezes desprezada, e até mal definida, qual é o nosso conceito do Casamento? É o conceito bíblico, o conceito divino dessa união? E o que dizer do divórcio? É aceitável, pela Bíblia?

Na época dos fariseus, havia duas escolas: a de Shammai – que acatava o divórcio por causa do adultério e a de Hillel – que dizia que o divórcio era permissível por qualquer motivo. Essa questão era sempre alvo de debate acirrado entre as duas correntes. Jesus não apela a nenhum desses dois, mas refere-se a Moisés – aos escritos inspirados da Palavra de Deus (“não tendes lido”?).

Jesus não se preocupa em responder primária e especificamente a pergunta deles, sobre a questão de quebra do casamento; da quebra dos votos matrimoniais; da ruptura desse pacto solene feito na presença de Deus, tendo como testemunha o seu povo. Antes que entendamos as diretrizes bíblicas sobre o divórcio é necessário que entendamos o que é o matrimônio, e é isso que Jesus quer explicar. Casamentos cristãos são celebrados dessa maneira até aos nossos dias: o povo de Deus testemunha o comprometimento solene que os noivos fazem um ao outro, na presença de Deus, em paralelo ao cumprimento de todas as prerrogativas e registros legais, que devem ser feitos em cartórios e onde a lei assim o definir.

É por isso que em vez de responder a pergunta dos Fariseus, Jesus faz uma exposição do que é o casamento. E isso interessa muito ao povo de Deus, principalmente no cenário contemporâneo em que vivemos. Notem que Jesus explica quatro coisas, sobre o matrimônio:

1. É uma relação singular de gênero. “Não tendes lido que o Criador, desde o princípio, os fez homem e mulher”? Percebam a atualidade da Bíblia! Jesus parece estar falando aos nossos dias! Procedemos de um Criador. Esse criador, sabiamente, nos fez diferentes, complementando um ao outro. Ele criou dois sexos. Isso não é uma opção quantitativa (mais de dois sexos) ou qualitativa (um sexo, com as qualidades do outro) – não existem três ou quatro sexos. Confrontamos as barreiras das impossibilidades biológicas, porque o Criador assim o quis: dois sexos – homem e mulher. Essa é a estrutura da criação. Por mais que os homens tentem pervertê-la, ou transformá-la; por mais que tentem se enganar, prescrevendo felicidade e adequação a outros esquemas de gênero – a humanidade retratará sempre essa estrutura de gênero – homens e mulheres. O que passa disso é distorção e desvio. Outras configurações não podem ser legitimamente chamadas de “casamento”, pois o casamento é entre um homem e uma mulher. É isso que temos nos casamentos cristãos: testemunhamos um casal adequado aos padrões divinos, comprometendo-se um com o outro. Pela misericórdia de Deus, em nosso país a Constituição ainda tem essa definição de casamento, mas existem muitos esforços para que isso seja mudado – como seguidores da Palavra, temos que ter uma visão precisa de qual é o ensino Bíblico, aqui reforçado por Jesus.

2. É uma relação singular social. “Por esta causa deixará o homem pai e mãe e se unirá a sua mulher”. Cada família é uma relação singular, única. E ela gera outras famílias. Esse princípio era sempre importante para ser frisado naquela sociedade patriarcal. Por mais ascensão hierárquica que tivesse o patriarca, o esposo e esposa constituíam uma unidade autônoma, com vida própria, com limites próprios, com diretrizes próprias, com interesses próprios. Contando com o respeito mútuo externo, mas sem interferências externas indevidas. Notem os termos utilizados: Deixar, e depois, unir: a palavra grega utilizada para “unir” é “kollaô”. É de onde vem a nossa palavra cola. É cola divina, mais forte do que superbond! Esse é o plano de Deus desde o início. Jesus não ensina nada de novo, mas leva os pensamentos daqueles que o ouvem, como os nossos devem ser levados, agora, ao projeto original de Deus. Quantos problemas podem ser evitados nos casamentos, se esse modelo for seguido. Se não houver confusão e interferência das famílias de onde procedem os noivos para com a NOVA família que eles agora formam. Esse relacionamento social singular traz grandes privilégios e promove mais responsabilidade, aos cônjuges, na construção de um lar, que é só deles.

3. É uma relação singular sexual. “De modo que já não são mais dois, mais uma só carne”. Jesus também apresenta esse aspecto, que é típico do matrimônio. O plano de Deus, desde a criação, reconhece a propriedade da sexualidade e a abriga, com toda legitimidade, sempre na esfera do casamento. O casal que procura seguir as diretrizes de Deus, nessa área, compreenderá esse simbolismo de harmonia, complementação, prazer e alegria, e ensinará aos seus filhos os limites, o respeito e a santidade que é o sexo no casamento. Esse singular relacionamento mostra a dependência mútua, e o interesse com uma só mente, que deverá nortear a vida do casal, por toda a vida. Em uma era de dissolução moral, como esse aspecto é importante! Temos que reforçar em nossas famílias e nas nossas igrejas que o sexo é uma bênção, que Deus preparou para o casamento. Todas as demais opiniões a esse respeito, procuram legitimar desculpas para não cumprir o padrão de pureza que Deus deseja, não somente aos jovens cristãos, mas a todos aqueles que integram o Seu Povo.

4. É uma relação singular espiritual. “Portanto, o que Deus ajuntou não o separe o homem”. Deus é o agente supremo por trás de tudo o que ocorre em um casamento. O matrimônio procede de Deus e enquadra-se em sua perfeição quando essa centralização divina é percebida, prezada e perseguida. O casamento é mais do que uma convenção humana; é mais do que um mero contrato social – é um pacto solene de duas pessoas firmado com Deus e firmado um para com o outro, sobre algo que foi criado por Deus, com o testemunho de todos aqueles que presenciam a cerimônia. Jesus, aqui, não se refere mais aos indivíduos que celebram o casamento. Ele diz “o que Deus ajuntou” (não “aqueles”) – a referência é, portanto, ao matrimônio.

Vejam o paralelo! Na relação social: deixar, unir. Aqui, na relação espiritual: ajuntou, não o separe. A palavra “ajuntar” (sunesukein; suzeugnumi) é a mesma utilizada para designar uma canga – aquela peça que prende uma JUNTA de bois para puxar uma carroça! Isso significa que temos, no matrimônio, indivíduos – duas pessoas, mas caminhando juntas, na mesma direção.
É exatamente por que o matrimônio não foi algo gerado pelo homem, que ele não está sujeito a modismos, a modificações segundo os tempos, e muito menos a quebras e dissoluções geradas pelos próprios homens. O divórcio, as separações, não são normas, por mais comum que se apresentem, mas anomalias – que trazem tristeza e dor a muitos.

Mas o que fazer perante a realidade do DIVÓRCIO? O que ensina a Bíblia?
No nosso texto, em Mateus 19, Jesus trata do divórcio levando a concentração dos pensamentos ao matrimônio. Se a instituição do matrimônio fosse bem entendida e seguida, não teríamos de lidar com divórcio, especialmente à luz de textos como Hebreus 13,4: “Digno de honra entre todos seja o matrimônio, bem como o leito sem mácula; porque Deus julgará os impuros e adúlteros”. O divórcio é a dissolução do matrimônio e hoje, em nosso país e no mundo, ele ocorre pelas mais variadas razões e, às vezes, até sem razão, por mera concordância dos cônjuges (“consensual”; nos Estados Unidos isso é chamado de “no fault divorce”).

A Igreja Presbiteriana do Brasil já se pronunciou em diversas ocasiões sobre a questão do divórcio. Um dos pronunciamentos mais extensos é a Resolução do Supremo Concílio em 1986 (SC-86-026 - Doc. XCIX), na qual faz referência às decisões anteriores e às diversas mudanças na legislação brasileira; apresenta o resumo apresentado em Nossa Confissão de Fé (Cap 24); reforça a indissolubilidade do matrimônio encontrada nos ensinamentos de Jesus (Mt 19.7-9; Mc 10.2,12.); e indica que “somente o adultério e a deserção irremediável são causas Bíblicas reconhecidas pela Igreja como justificativas para o divórcio”.

Nossa Confissão de Fé (de Westminster – CFW), que é uma compilação sistemática de ensinos bíblicos, tem todo um capítulo (XXIV – 24) tratando “Do Matrimônio e do Divórcio”. Ela expressa claramente, na seção 6 deste capitulo, o que a Bíblia ensina: “Posto que a corrupção do homem seja tal que o incline a procurar argumentos a fim de indevidamente separar aqueles que Deus uniu em matrimônio, contudo só é causa suficiente para dissolver os laços do matrimônio o adultério ou uma deserção tão obstinada que não possa ser remediada nem pela Igreja nem pelo magistrado civil; para a dissolução do matrimônio é necessário haver um processo público e regular. não se devendo deixar ao arbítrio e discreção das partes o decidirem seu próprio caso”. Além de outros pontos, esse texto demonstra o erro do chamado “divórcio consensual”, alternativa infelizmente encontrada dentro de igrejas contemporâneas.

Mas a Bíblia (e a CFW) também ensina que o divórcio nem sempre é errado. Ele é permitido especificamente naqueles dois casos previstos na Escritura: o adultério e a deserção obstinada.

Dois textos bíblicos são pertinentes a essa compreensão:
·        Mateus 5.32 (e 19.9): “Eu, porém, vos digo: qualquer que repudiar sua mulher, exceto em caso de relações sexuais ilícitas, a expõe a tornar-se adúltera; e aquele que casar com a repudiada comete adultério”.
·        1 Coríntios 7.15: “Mas, se o descrente quiser apartar-se, que se aparte; em tais casos, não fica sujeito à servidão nem o irmão, nem a irmã; Deus vos tem chamado à paz”.

Mas é claro que o divórcio não é algo natural. Desde o Antigo Testamento, onde temos casos de divórcio, lemos também que “O SENHOR, Deus de Israel, diz que odeia o repúdio” (Malaquias 2.16). E tanto no nosso texto inicial, em Mateus, como no registro de Marcos 10.9, a máxima de Jesus subsiste: “Portanto, o que Deus ajuntou não separe o homem”.

Conclusão
É verdade que existem muitos desvios desses padrões, sobre matrimônio e divórcio. Desvios que ficam aquém do ideal bíblico em nossa sociedade. Como cristãos somos também realistas. Vemos isso. Admitimos que esses desvios ocorrem ao nosso redor. E é verdade, também, que a nossa fé é uma fé de esperança. Deus nos apanha onde estamos, perdoa pecadores, conserta o nosso caminhar, repara vidas e até recupera relacionamentos e matrimônios quebrados.

No entanto, devemos objetivar os padrões traçados pela Palavra de Deus. Assim, quando estivermos presentes, participando ou testemunhando um casamento nas bases da Palavra de Deus, temos muita razão para prestar a Ele muitas ações de graça. Dar graças porque jovens estão trilhando o caminho traçado por Deus como norma. Orar a ele para que preserve a união deles, em todos esses aspectos que nos foram ensinados por Jesus. Interceder para que Deus conceda a eles muita felicidade, por estarem obedecendo aquilo que agrada a Deus, em suas vidas. Suplicar que sejamos preservados, como Povo de Deus, para que os matrimônios sejam bíblicos e o divórcio não venha a ser uma realidade, na vida dos recém-casados, dos cristãos e da igreja de Cristo.
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sexta-feira, outubro 10, 2014

Solano Portela

Casamento Gay e a Revolução Sexual dos Judeus

A Folha de São Paulo de 06.10.2014 informa, em grande manchete, que a “Suprema Corte dos EUA abre caminha para casamento Gay em Cinco Estados”. No texto da notícia, a notícia de que apelos advindos de Virginia, Okhlahoma, Utah, Wiscosin e Indiana, para que suas leis fossem mantidas, contra decisões de tribunais federais, foram rejeitados pela corte maior daquele país. Estas decisões vinham respaldando a união entre pessoas do mesmo sexo, mesmo contra as leis estaduais, que proibiam “casamentos” gays, atendendo a apelos de indivíduos e organizações. Os tribunais federais vinham julgando contra as legislações estaduais, considerando estas inconstitucionais.  Outros seis estados, que atualmente proíbem essas uniões, caminham para julgamentos na mesma direção. Serão obrigados pela Corte Suprema, a aceitarem o “casamento” gay, fazendo com que o total de estados norte-americanos, nos quais a união entre pessoas do mesmo sexo é permitida, chegue a 30, dentre os 50 daquele país.

O Blog Break Point, de hoje, traz um texto já de alguns anos, do Charles Colson, no qual ele aponta o conceito revolucionário do judaísmo e do cristianismo sobre o ethos sexual das civilizações. Indicando que “aqueles que esquecem a história estão fadados a repetirem os seus erros”, o Blog relembra faz referência aos comentários do Colson, do qual transcrevemos algumas partes essenciais. Diz ele:

Com frequência ouvimos que permitir que dois homens ou duas mulheres se casem não prejudica ninguém e nem afetam pessoas que são heterossexuais. A verdade é que sabemos o que acontece com uma sociedade promove a licenciosidade sexual e desvaloriza a instituição do casamento. Temos apenas que examinar a história.
Alguns anos atrás, antes que houvesse todo esse falatório sobre o “casamento gay”, um comentarista que possuí um programa no rádio e é também um teólogo do judaísmo, Dennis Prager (1948 - ), escreveu um artigo fascinante chamado – prepare-se para o título: “A Revolução Sexual do Judaismo: Por que o Judaísmo Rejeitou a Homossexualidade”.
Antes que os judeus estivessem situados no antigo Oriente Próximo o mundo pagão já apresentava uma dissociação social libertina, na qual imperava a livre sexualidade, em todos os sentidos, degradando mulheres e crianças, colocando a própria religião a serviço da lascívia masculina. Todos os aspectos da vida tinham conotação sexual. Os deuses pagãos se envolviam em atividades sexuais sem fronteiras, e o povo seguia no mesmo trilho. A homossexualidade tinha praticamente aceitação plena no mundo antigo.
Mas o ponto chave não era gênero, mas poder. Dennis Prager cita a filósofa Martha Nussbaum, que escreveu: “A distinção principal na moralidade sexual da antiguidade era... entre os papéis passivos e ativos”. Considerando que meninos e mulheres estavam no lado recebedor da atividade sexual, eles eram “muito frequentemente tratados e trocados como simples objetos do desejo masculino”.
Não é de espantar, portanto, que as mulheres fossem colocadas à margem das coisas que contam; eram importantes para a procriação e para cuidar da casa, mas não importantes para serem consideradas como parceiras reais niveladas ao homem. Os homens possuíam outras opções sexuais, com meninos ou com outros homens.
É por isso que a proclamação do judaísmo, de que Deus criou o sexo somente para ser praticado entre um homem e uma mulher, no casamento, era um conceito tão revolucionário – e igualmente desprezado tanto pelos pagãos antigos, como, posso acrescentar, pelos de hoje em dia. É o livro de Gênesis que diz: “Por isso, deixa o homem pai e mãe e se une à sua mulher, tornando-se os dois uma só carne. Ora, um e outro, o homem e sua mulher, estavam nus e não se envergonhavam”.
Prager escreve: “Essa revolução aprisionou o ‘gênio’ sexual de volta à garrafa matrimonial. Assegurou que não mais o sexo dominaria a sociedade; exaltou o amor e a sexualidade entre macho e fêmea (criando, consequentemente, a singular possibilidade de amor e envolvimento erótico dentro dos limites do casamento); e disparou a árdua tarefa de elevação do status da mulher”. Não é de espantar, aponta Prager, que “o melhoramento da condição da mulher ocorreu somente dentro dos limites da civilização ocidental”, a qual, historicamente, foi a “menos tolerante à ocorrência da homossexualidade”.
É claro que devemos notar que foi o Apóstolo Paulo que levou à frente essa revolução sexual judaica através do mundo antigo. A [autora e erudita] Sarah Ruden escreveu em seu livro recente: Apóstolo Paulo [Paul Among the People, traduzido e publicado em português pela Benvirá [ISBN: 9788582400050]: “A homossexualidade predadora era comum em Roma e na Grécia; as mulheres e crianças eram consideradas apenas como propriedades”. Por meio de Paulo, entretanto, o cristianismo legou à civilização ocidental [a propriedade] do envolvimento do sexo dentro dos limites do casamento, entre um homem e uma mulher. Ficou patente o desvio dos limites que é o abuso sexual de meninos e escravos.

Ora, o ponto é simplesmente este: Deus institui o casamento para o bem da humanidade (restringindo e canalizando [apropriadamente] a sua sexualidade), para proteção e dignidade da mulher e para que a sociedade possa florescer – Charles Colson.
Consideramos muito pertinente esse lembrete da história, pois caminhamos a passos largos para a colocação da família e das expressões legítimas da sexualidade humana, na ilegalidade e à margem da sociedade, se Deus não for misericordioso com nossa pátria e se os cristãos não acordarem do torpor atual, para os direcionamentos firmes e seguros da Palavra de Deus.

Solano Portela
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quinta-feira, janeiro 15, 2009

Solano Portela

Um cachorro atrapalhado que desperta valores cristãos – Marley e Eu

Marley e Eu (Marley and Me) é filme recente lançado simultaneamente em vários países na virada do ano 2008-2009. Deverá estar disponível em DVD em junho de 2009. O filme traz os conhecidos rostos de Owen Wilson e Jennifer Aniston e uma história que prende o interesse do começo ao fim. É baseado em fatos reais, originalmente narrados por John Grogan, personagem no filme e na vida real, em seu primeiro livro (2005) do mesmo nome do filme, que rapidamente virou best-seller nos Estados Unidos. Ele apresenta o relato de dois jornalistas, recém-casados e recém-chegados à Flórida. Eles constroem suas vidas profissionais e como casal, enfrentando positivamente as incertezas e lutas da jornada, com muito amor e fidelidade, enquanto vivenciam o crescimento da família com a chegada dos filhos.

Não é filme evangélico, mas nessa era, em que os valores cristãos são sistematicamente desrespeitados ou apresentados como ultrapassados e anacrônicos, o filme vem como uma lufada de ar fresco em um mundo saturado pelo ar estagnado da morte intelectual e moral. O elo de ligação da história é o cachorro do casal: Marley; no entanto, a narrativa transcende os episódios decididamente engraçados e bem humorados vividos pelo enorme animal. Com sua postura atrapalhada e incorrigível, Marley tanto traz alegria, como muita confusão e problemas ao jovem casal. Os filhos vão chegando e com eles maior complexidade à vida de cada um, mas o desenrolar da história vai se ancorando em princípios que realmente resultam em casamentos estáveis e na felicidade dos cônjuges. Não quero dar os detalhes da história, nem revelar o que acontece, mas destaco os seguintes pontos positivos, que podem tanto servir de exemplo para jovens, como também para reuniões de casais, que fariam bem vendo e discutindo os temas, conforme eles vão transparecendo no filme:

1. Há felicidade real no casamento – Grogan não tem uma vida profissional bem resolvida. Semelhantemente a uma enorme maioria das pessoas, o que realmente ele gosta de fazer, não é o que faz. As oportunidades são paralelas, mas não exatas às projeções feitas por ele mesmo, ou por sua esposa. Ele tem que aprender a viver com os caminhos misteriosos que Deus descortina à nossa vida. No entanto, no casamento os dois se apóiam mutuamente. Discutem as questões, procuram agradar um ao outro. Demonstram amor real. Por vezes sacrificam-se um pelo outro, em um reflexo do verdadeiro amor registrado em 1 Coríntios 13.5: o amor “não procura os seus interesses, não se exaspera, não se ressente do mal”. Grogan tem um amigo, desde a universidade, colega de profissão; o Sebastian. Contrastando com a estabilidade matrimonial de Grogan seu amigo é o que se chama comumente de “solteiro inveterado”. Aquela categoria que, aparentemente, goza de liberdade e está sempre pulando de um relacionamento a outro. Se tivermos a percepção aguçada, entretanto, veremos que essa suposta felicidade cobra o pedágio da solidão, da impropriedade e da sonegação de todos os benefícios trazidos com a responsabilidade bíblica do casamento. Basta observar o avançar dos anos e o aprofundamento do relacionamento do casal, contrastando com o insucesso do Sebastian na manutenção de um relacionamento real, intencionado por Deus, quando fez “dois em uma só carne”.

2. O tratamento dos animais é revelador do caráter das pessoas – Provérbios 12.10 diz: “O justo atenta para a vida dos seus animais, mas o coração dos perversos é cruel”. O filme apresenta o cuidado e carinho com o Marley, animal de estimação escolhido pelos dois. O cachorro serve como professor involuntário de paciência, determinação, devoção, reconhecimento e abnegação, para o casal e, depois, aos filhos. Ou talvez um animal de estimação desperte essas características das pessoas, formadas à imagem e semelhança de Deus, que se encontram obscurecidas pelo pecado. Mas temos de reconhecer que mesmo os descrentes são possibilitados pela Graça Comum de Deus a terem esses sentimentos e de demonstrarem traços de caráter que emulam os ideais bíblicos comportamentais. Se é assim com os que não temem a Deus, quanto mais nós, cristãos, deveríamos demonstrar esse exemplo de caráter, em nossas vidas, conhecedores que somos “das coisas do Espírito”. Realmente, é inegável que a Palavra indica que o tratamento dos animais revela a índole das pessoas. Jacó, na ocasião de sua morte, ao avaliar os seus filhos (Gn 49.5 e 6), fala contra Simeão e Levi que, em “sua vontade perversa” mutilaram touros com suas espadas. Jacó os caracteriza como violentos e furiosos.

3. A fidelidade é demandada, no casamento – esse é o projeto divino (Mateus 19.3-11). O casal do filme enfrenta fases serenas e fases difíceis. Tempos de bonança e ocasiões de tempestades. No entanto há um vínculo de fidelidade que faz com que o mero pensamento de quebra dos laços matrimoniais seja algo rejeitado de imediato, quando sugerido, pelo amigo “solteirão”. Do lado da esposa, a reflexão séria afasta qualquer intenção de abandono do lar.

4. Os filhos são uma bênção, no lar – Esse é um princípio encontrado em diversos trechos das Escrituras, como no Salmo 127.3: “Herança do Senhor são os filhos”. O casal do filme inicialmente protela ter filhos, mas logo fica evidente que algo está faltando na família. Cada filho chega com suas dificuldades, e dando muito trabalho; mas a bênção de cada um vai ficando evidente no desenrolar da história. Os comentários e conselhos que o casal recebe, revela, também, como os filhos representam, realmente, uma dádiva ao casamento, mesmo por aqueles que menosprezam o valor de sua própria prole.

Não quero dar a impressão que o filme, sobre um animal de estimação, é um manual conjugal. É simplesmente uma ocasião de diversão, com muito humor, muitas risadas, muita alegria; mas igualmente com muita seriedade e sempre sobre um pano de fundo de um casamento estável, valorizado e feliz. Muitos terapeutas têm escrito sobre a validade dos animais de estimação, até porque desviam a atenção das crianças delas próprias e possibilitam que se concentrem também no bem estar de uma criatura que passa a depender delas (e da família) para o seu cuidado e bem estar. O filme mostra esse ponto, também.

A história é contada com muita competência, sem cenas melosas ou piegas demais; com bastante ação e movimentação. O fato do filme estar baseado em uma história real, para mim, despertou maior interesse. Verifiquei, também, como é importante o registro da história da família, como fez Grogan, ainda que motivado por razões profissionais (era jornalista, e crônicas eram a sua função), mas tais registros foram servindo de referenciais à família e, principalmente, aos filhos. Hoje em dia, damos pouca importância aos registros da nossa história, mas esses servem muito ao proveito dos nossos próprios familiares, e isso fica evidente, no filme. Recomendo que o assistam. Não é necessariamente um filme para crianças. Mesmo sem cenas de sexo, há momentos da intimidade do casal que são mais adequados a adolescentes maduros ou para os adultos. Ah, ia esquecendo! Prepare o lenço, pois a dose de emoção, especialmente para quem já teve algum animal de estimação, que pode ter diversas memórias despertadas, é bastante intenso e profundo. Em paralelo às risadas, as lágrimas, com certeza, vão aflorar em diversos momentos. Na realidade, uma espectadora (notem o gênero), uma fila à frente, chegou a soluçar audivelmente, quem sabe, lembrando algum animalzinho de estimação em sua vida!
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