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terça-feira, fevereiro 02, 2016

Solano Portela

Tempo perdido: Cuidado para não estragar sua vida


Imagine um banco que credita na sua conta R$86.400 à meia-noite, logo na virada de um dia para outro. Você tem todo esse dinheiro para gastar, mas no fim do dia a conta é zerada. O saldo não passa para o dia seguinte. O que você faria? Deixaria o dinheiro no banco, ou iria à boca do caixa e retiraria até o último centavo assim que o banco abrisse? Acontece que esse banco existe, todos os habitantes do planeta têm essa conta, mas o crédito é feito a cada dia em segundos. Você tem diariamente exatamente 86.400 segundos para usar a cada 24 horas e o saldo não é transferido para o dia seguinte. Ricos, pobres, americanos, brasileiros, europeus, árabes, eslavos, asiáticos – todas as pessoas de todas as nacionalidades e de todas as classes sociais têm exatamente a mesma quantidade de tempo, dia após dia para as atividades da vida. E não é uma conta especial – a conta não admite ir além do saldo. O único investimento válido é aquele que é produtivo para a sua vida, de alguma forma. Você tem que aplicar esses segundos em algo que valha alguma coisa, que faça diferença em sua vida. E você também, nessa conta, não pode tomar emprestado de outra pessoa.

Tempo, o grande equalizador. Assim é o tempo: o único ativo que é igual para todos na face da terra. Algumas pessoas têm mais beleza do que outras; outros têm talento acima da média; alguns têm mais oportunidade ou condição social melhor do que outros – mas o tempo nos nivela a todos. Ninguém tem mais tempo por dia do que a pessoa ao seu lado. Por isso ele deve ser utilizado com sabedoria e é exatamente ele que pode significar a nossa ascensão, ou o nosso declínio nas nossas jornadas, quer seja na vida estudantil, quer seja em nossas carreiras, ou até em nossos relacionamentos. É dentro do tempo que recebemos que definimos também os nossos destinos últimos, na vida – a nossa eternidade. Uma das expressões mais comuns é: “não tenho tempo”, mas a realidade é que todos nós temos tempo, o mesmo tempo. Por que uns conseguem utilizá-lo adequadamente e outros não?

O tempo não pode ser desperdiçado, não deve ser perdido. E isso é uma realidade na vida de todos. Você mesmo, com certeza, já utilizou outra expressão: “Perdi o meu tempo” – quando avaliou alguma experiência na qual julgou que o investimento do seu tempo, de sua vida, não contribuiu em nada, não valeu a pena. Percebe como essa situação revela uma equação incontestável? Tempo = Vida. 

Benjamin Franklin escreveu: “Tempo perdido, nunca é achado”. Ou seja, o sentimento é sempre de frustração, de nostalgia, de perda, mesmo. Por mais que você se esforce para recuperar “horas perdidas”, não conseguirá, pois terá de aplicar mais horas para realizar o que deixou de fazer, enquanto “perdia o seu tempo” com algo que “não valeu a pena”. Perda, nessa questão do tempo, é perda irreparável, para a vida toda, o  tempo não é reciclável e simplesmente some de sua vida.

Normalmente não damos muito valor ao tempo, ou aos seus marcadores: segundos, minutos, horas, dias, meses, anos. Vamos levando a vida sem pensar nessa questão, até como se fôssemos viver para sempre. Mas cada intervalo de tempo tem um valor inestimável. Reflita:
·        Para aferir o valor de um ano – pergunte a um colega seu que foi reprovado – ou pode ser até que essa sensação faça parte de sua vida. Tudo que aconteceu durante todo um ano que passou, terá que ser repetido, para que a vida estudantil continue, mas o tempo aplicado não será recuperado.
·        Para aferir o valor de um mês – pergunte a uma mãe de um bebê que nasceu prematuramente. Quanta diferença nos cuidados e apreensões faria mais um mês de gestação, tanto para a mãe como para a criança.
·        Para aferir o valor de uma semana – fale com o editor de uma revista semanal. Note como ele valoriza cada fração de tempo daquela semana, pois o ciclo se fecha e se repete com uma enormidade de trabalho a ser realizado dentro de tão pouco tempo.
·        Para aferir o valor de um dia – fale com uma diarista que depende do salário daquele dia para colocar comida na boca dos filhos. Se ela perde aquele dia, não recebe o seu pagamento.
·        Para aferir o valor de uma hora – pense como ela passa rápido quando você está com a sua namorada, ou como ela demora a chegar, quando você a está esperando em um encontro marcado.
·        Para aferir o valor de um minuto – pergunte a alguém que perdeu um voo porque chegou “apenas” um minuto após a porta de embarque ter fechado.
·        Para aferir o valor de um segundo – pergunte a algum atleta que deixou de ganhar o primeiro lugar por que o oponente chegou “apenas” um segundo na frente dele, ou até com uma fração decimal, centesimal, ou milésima de um segundo. 

A preciosidade do tempo. A realidade é que o tempo é tão precioso que uma vida que dura quatro minutos pode ter um impacto fenomenal em inúmeras pessoas. Isso aconteceu com o bebê Isaac Joseph Schmall, que nasceu em 10 de novembro de 2008. Seus pais sabiam que a gravidez era problemática. O bebê Isaac tinha uma doença rara chamada Trissomia 18, ou Síndrome de Edwards. Isso quer dizer que em cada célula do seu corpo ele tinha uma cópia extra do 18º cromossomo. Três cromossomos, em vez dos dois existentes em uma concepção e desenvolvimento normal. Bebês com essa deficiência geralmente não sobrevivem o período de gestação, alguns falecem após o parto.

Isaac morreu 4 minutos após o nascimento. Seus pais o tiveram em seus braços nesse curto período de tempo. John Schmall, o pai, descreveu o impacto da notícia, as agruras do acompanhamento da gravidez, e, principalmente, a emoção de tê-lo nos braços por aquele pequeno espaço de tempo em um texto que tem rodado a Internet: “Quatro minutos que mudaram a minha vida para sempre”! John descreveu como esses quatro minutos mudaram a sua perspectiva de vida dali em diante. Mais recentemente, em 2013, sua esposa indicou o efeito causado nela por aqueles minutos e por aquela pequena vida, com um longo texto, publicado no blog do esposo. Nele ela escreveu:
Isaac viveu por quatro minutos, mas o impacto que ele causou nesse espaço de tempo é palpável.  Deus me deu 35 anos de vida. Isso faz com que eu queira extrair o máximo desses anos. Desperto todos os dias agora e agradeço a Deus por me dar mais um dia de vida, no qual posso desfrutar de minha família, do meu trabalho, da minha igreja, de minha cidade e, principalmente, do meu relacionamento com Ele.

O relato dos pais de Isaac tem tocado vidas ao longo dos anos e canalizado recursos e esforços para a Fundação Trissomia 18, que estuda a enfermidade. O valor que eles conseguiram enxergar nesses 4 minutos de vida é um testemunho à preciosidade do tempo.

Tempo perdido, oportunidades perdidas. Ao longo da vida encontramos muitas oportunidades e portas que se abrem. Elas podem ser ganhas com tempo aplicado adequadamente, ou perdidas, com tempo desperdiçado em coisas inúteis. Essa é uma realidade especialmente na vida de estudantes universitários. Quantas oportunidades existem! Muito a aprender nos cursos da carreira escolhida; amigos novos, vários com interesses comuns aos seus; eventos culturais; feiras e eventos, de recrutamento, estágios; “empresas júnior” e incubadoras, nas quais eles já podem começar os primeiros passos na profissão; locais de descanso e de estudo, alguns bem aprazíveis, no meio da metrópole de concreto. Mas na realidade, as oportunidades existem também para desperdiçarmos tempo, e elas parecem brotar do solo a todo instante.

Se tivéssemos sempre os pés bem firmados em princípios e valores eternos e conseguíssemos compreender bem que o que fazemos no presente afeta o nosso futuro, saberíamos que podemos também criar oportunidades, com nossa atitude (não é só esperar que elas surjam à nossa frente). Mas, especialmente, que nunca deveríamos perder tempo. Cada minuto conta, cada hora é valiosa, mas parece que somos especialistas em desperdiçá-las. E nesse processo podemos ser tão intensos que corremos o risco de estragar a vida inteira. Veja a seguir algumas situações em forma de depoimentos que refletem situações nas quais perdemos tempo – Você se vê em alguma dessas situações?

·        Vivo conectado o tempo todo, surfando na Internet, em mídias sociais. Na realidade, não consigo parar dois minutos sem pegar meu smartphone, e quando percebo, já passei 20 minutos trocando mensagens bobas.
·        Tenho umas amizades que não são lá muito boas e como elas sugam meu tempo! Não consigo dizer não e indicar que tenho coisas realmente importantes para fazer, e passo horas só batendo papo, que não tem nada a ver com o que eu deveria estar envolvido.
·        Não consigo dormir cedo. Acho que estou até “ganhando tempo”, não dormindo, mas na realidade fico inventando coisas para ver ou fazer e estou mesmo é roubando tempo do descanso. No dia seguinte, perco tempo com a sonolência constante e fico meio “desligado” por um bom tempo, quando deveria estar com o corpo descansado e a mente aguçada, para absorver conhecimento – afinal, estou na escola!
·        Sei que tenho deveres, tarefas, trabalhos de escola, mas fico empurrando tudo para frente (adiando), achando que “vou conseguir dar um jeito” e terminar tudo a tempo. Perco tempo com coisas sem foco nos meus trabalhos e fico agoniado, pois sei que o professor não vai adiar o prazo.
·        Não consigo me organizar ou sistematizar minha rotina e dar prioridade às coisas que tenho de fazer. Porque sou desorganizado, levo mais tempo achando as coisas, os lugares, as pessoas, perco compromissos. No fim do dia acho que não fiz nada de útil. Vivo fazendo só o que é urgente, mas no final,  tudo vira urgente!
·        Adoro festas, companhia barulhenta, os barzinhos da redondeza. Às vezes mato a primeira aula – afinal todos chegam atrasados, não é? Ou saio antes do final, mas vou, junto com a “turma” para o bar. Bebo demais. Lá em casa nem sabem que estou usando algumas drogas. No dia seguinte estou um lixo – nem consegui dormir, “vidrado”. Nem sei o que fiz, ou que deixei que fizessem comigo enquanto eu estava chapado. Estou moído e nem sei quem me bateu. Não consigo me concentrar em nada. Até quando estou na classe estou perdendo o que está sendo dito. O que vou fazer na prova final?
·        Sou vidrado em videogames. Só penso nisso; todo o meu tempo livre, acho uma maneira de jogar. Não vou bem na classe, não encontro tempo para estudar.

Cada uma dessas situações significa perda de tempo, e assim você vai desperdiçando a vida, mesmo se se enquadra minimamente em alguma delas. Você pode ir até se enganando, achando que está aproveitando o tempo, aproveitando a vida, em coisas que não constroem, mas antes que você se aperceba, pode esbarrar na expressão inevitável e imutável: “Game Over”! A brincadeira um dia termina e a conta do pedágio pode ser alta demais e impagável.

Algumas filosofias, como o existencialismo, ensinam que o que importa é o aqui e o agora. Mas será? Esse pensamento sempre esteve presente na história da humanidade, e muitos, realmente, acham que a postura de vida deve ser: “comamos e bebamos, porque amanhã morreremos!”. Quem pensa assim realmente compreende que a vida é curta. No entanto, acha que “aproveitar a vida” não é sorvê-la cuidadosamente, com as prioridades bem aguçadas, prosseguindo avante com um propósito bem definido, mas é exatamente o contrário. “Viver intensamente” para algumas pessoas significa desperdiçar a vida com as coisas que, aparentemente, satisfazem as sensações e trazem prazer – sem quaisquer referências éticas, mas que nos levam a gastá-la com o aqui e agora. É a atitude que nos levará, no futuro, a lamentar o “tempo perdido”, as oportunidades jogadas fora, o desperdício da própria vida.

Quando falamos de “não perder tempo”, não queremos dizer que todo lazer é perda de tempo. Deus nos fez criaturas que precisam do descanso e do lazer. Não devemos ser escravos do relógio, mas ele é o grande aliado para que tracemos a proporção correta entre os diversos aspectos de nossa vida. Precisamos de tempo para o cuidado pessoal, para a família, para os relacionamentos, para os estudos, para adoração; enfim, tudo na proporção e prioridade corretas. Devemos, também, ter a consciência de que, nas diferentes fases da vida, alguns aspectos devem receber a prioridade. Por exemplo, estudantes têm que priorizar os estudos, pois ele é fundamental para as fases seguintes da vida. A questão é que não podemos transformar a diversão na prioridade de nossas vidas e muito menos nos deixarmos levar pela dissolução social e moral.

O conselho de um grande acadêmico, sobre o tempo. O grande filósofo, erudito e pregador Jonathan Edwards – fundador da Universidade de Yale –, escreveu sobre o tempo,[1] em dezembro de 1734. Seus pensamentos seguem, a seguir, resumidos. Ele coloca quatro razões por que o tempo é precioso:
1.     Porque é neste tempo que ajustamos nossa vida para a eternidade, com o Criador.
2.     Porque ele é curto. É uma comodidade escassa. Quando comparado não somente à eternidade, mas à própria história da humanidade, nossa vida é apenas uma pequena marca nela. (o que é a vossa vida?)
3.     Porque é impossível termos certeza de sua continuidade. Podemos perder a nossa vida repentinamente, por mais jovens que sejamos.
4.     Porque depois que ele passa não pode ser recuperado. Muitas coisas que temos, se perdidas, podem ser recuperadas, mas não o tempo perdido.

Por isso ele conclama aos seus leitores que reflitam sobre tempo que passou. Em como ele foi desperdiçado e que coisas poderiam ter sido realizadas. O que você fez com todos os anos e dias que você recebeu de Deus? Ele termina indicando que, em geral, não prestamos muita atenção à preciosidade do tempo. Não damos muito valor a isso. Edwards continua dizendo que essa valorização só vem tardiamente e pergunta: quanto poderíamos aproveitar se tivéssemos essa percepção aguçada o tempo todo? Ele indica várias formas de como perdemos tempo e desperdiçamos a vida:
1.     Muitos desperdiçam o tempo fazendo nada, acometidos de uma preguiça renitente.
2.     Outros desperdiçam o seu tempo em bebedeiras, em bares, abusando de seus corpos em atividades que lamentarão consideravelmente anos após, se sobreviverem aos próprios desmandos a que se submetem, angariando para si pobreza, em todos os sentidos...
3.     Alguns desperdiçam o tempo fazendo o que é mau, o que é reprovável, o que prejudica o próximo. Passam o tempo sugados pela dissolução moral, maquinando corrução, fraude; afundando-se na ilusão de que poderão levar vantagem em tudo.
4.     Por último, um grande número desperdiça o tempo e a vida tentando “ganhar o mundo”, progredir na carreira, avançar na vida, angariar mais e mais bens e coisas materiais, mas esquecidos das questões eternas e da nossa própria eternidade. Negligenciando as coisas de Deus, a nossa vida espiritual, a nossa necessidade de Salvação do pecado que nos rodeia e que está em nós, e que só é encontrada em Cristo Jesus.

Finalmente, Edwards nos relembra que todos nós teremos de prestar contas a Deus pelo tempo que recebemos dele. O que fizemos com ele? E, assim, conclama a que nos esforcemos para fazer cada segundo, minuto ou hora de nossas vidas, contar positivamente. Em vez de nos desencorajarmos pelo tempo perdido, ou ficarmos deprimidos por nossos desperdícios, aprendamos com os erros do passado, para darmos o rumo certo aos nossos passos futuros.

As palavras de Edwards não parecem ter sido escritas há 280 anos, não é mesmo? Na época dele não havia computador, nem baladas, nem raves, nem mídia social. O álcool já fazia os seus estragos, mas era a maior droga disponível (hoje temos drogas muito mais destrutivas do cérebro e da saúde em geral). No entanto, ele sabia bem o que era “perder tempo” e desperdiçar a vida. A natureza humana continua a mesma. Os alertas continuam válidos. Vamos parar de perder tempo e vamos cuidar bem da nossa vida, conscientes de nossos deveres para com Deus e para com os nossos semelhantes?

Resgatando o tempo. As pessoas falam muito sobre “falta de tempo”, “perder tempo”, “gastar tempo”, “passar o tempo”; mas você já ouviu falar de se resgatar o tempo? A primeira coisa a fazer é identificar quem ou o que está sequestrando o seu tempo e já colocamos uma boa relação de possibilidades. Você pode começar fazendo a sua própria relação – aquelas coisas que estão roubando o tempo de sua vida.

A expressão resgatar o tempo foi utilizada por uma pessoa que estava inocentemente presa, apenas pelas coisas que proclamava, e que sabia muito bem o valor do tempo e o quanto custava perdê-lo. Refiro-me ao apóstolo Paulo. Em uma das cartas que escreveu enquanto estava na prisão, ele disse: “[...] vede prudentemente como andais, não como néscios, mas como sábios, remindo o tempo, porquanto os dias são maus”. (Efésios 5.15-16).

A palavra “remir” significa exatamente “resgatar”; o sentido é o de “comprar de volta o que antes nos pertencia”. É a mesma ideia de alguém, uma pessoa, que é sequestrada: a família fica desesperada. A pessoa preciosa e querida foi roubada e agora estão pedindo dinheiro por ela! Assim é com o tempo! Ele é nosso, mas estamos rodeados de salteadores que o roubam de nós. Sequestro implica em refém. Vimos que tempo é vida. Se alguém ou algo sequestra o seu tempo, tem você como refém. Preste atenção à sua vida. Veja quais são os “ladrões” do seu tempo; o preço do resgate é a sua conscientização da importância do tempo, a coragem para tomar decisões importantes, a adoção de uma perspectiva de vida fundamentada na verdade, a percepção de que a vida não pode ser desperdiçada. Paulo considerava essa questão de entesourarmos o nosso tempo algo tão importante, que repetiu a mesma expressão em outra carta que escreveu da prisão aos Colossenses.

Veja que o texto de Paulo começa com um apelo a andar prudentemente. Prudência é uma condição fundamental para não desperdiçarmos a nossa vida. Perder tempo é, portanto, uma grande imprudência. A palavra também pode ser traduzida como diligentemente ou precisamente. Essas duas últimas palavras têm tudo a ver com tempo, não é mesmo? Diligentemente = fazer as coisas com concentração e de forma rápida; precisamente = fazer com precisão cronométrica, ou na medida certa. O apelo é para andarmos como sábios e não como tolos (“néscios”). Quantas pessoas não estão nesse momento perdendo tempo, desperdiçando a vida, achando que estão “abafando”, que estão aproveitando a juventude? Mas estão apenas demonstrando irresponsabilidade, falta de inteligência e que são, na realidade, bobos.

A ideia é a de que o tempo naturalmente vai se esvaindo. Você tem que tomar as rédeas de sua vida; se a ela for vivida ao sabor das circunstâncias, o desperdício será o curso natural. O texto termina expressando uma realidade: “os dias são maus”. A maldade, a violência; a fragmentação dos costumes, da ordem, da responsabilidade para com o nosso próprio corpo e para com a vida dos outros estão em toda parte.

Você tem consciência disso? Cuidado para não estragar sua vida! Os dias são realmente maus! O sábio Salomão já alertava 1000 anos antes de Cristo, para que nos lembrássemos do nosso Criador nos dias da nossa mocidade (Eclesiastes 12.1). O alerta continua válido. Jesus Cristo é aquele que traz a mensagem do Criador. Por intermédio dele é que nos achegamos a Deus. Alicerçado nele, utilize bem o seu tempo, caminhe com segurança e com a certeza de que ele pode abençoar os seus passos e orientá-lo a uma vida proveitosa e plena, para você e para aqueles com quem você conviver.

F. Solano Portela Neto é autor de diversos livros, educador, tradutor e conferencista, já ocupou a Diretoria de Planejamento e Finanças do Mackenzie (IPM) e atualmente é o Diretor Educacional da Instituição.

(Texto completo do livreto lançado em 01.02.2016, pela Chancelaria do Mackenzie, como parte de uma série, de vários autores, para jovens universitários, como parte do cerimonial para recepção de novos alunos) 

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terça-feira, julho 03, 2012

Solano Portela

Modelo para quem e para quê, cara muito pálida?


O ultra competente repórter e âncora da rede de televisão CNN, Anderson Cooper, “saiu do armário” e declarou publicamente que é gay. Personalidade televisiva de alta exposição, que apresenta as notícias e o cenário político e social norte americano, Cooper ficou também conhecido por suas reportagens internacionais e presença em áreas de desastres, conflito e risco, como no Haití, logo após o grande terremoto; no Egito, no meio da pseudo (mas violenta) revolução, da chamada “primavera árabe” (que tem substituído ditadores sanguinários, por xiitas radicais – seis, por meia-dúzia); e, ultimamente na fronteira da Turquia com a Síria.

Nascido em berço de ouro (é filho da socialite-atriz Glória Vanderbilt com o ator Wyatt Cooper), Anderson chama a atenção não somente por sua competência, desembaraço e fluência verbal, mas também por seus cabelos platinados e pelos suspiros e comentários advindos do público feminino. Essa não é bem a sua praia e a sua homossexualidade, que se comentava a boca pequena nos círculos gays, agora foi confirmada pelo próprio Cooper. O Washington Post e vários outros órgãos de comunicação divulgaram, hoje (03.07.2012) uma troca de e-mails entre o Anderson Cooper e o articulista Andrew Sullivan, que preparava uma matéria para o seu blog em The Daily Beast e para o periódico EntertainmentWeekly, sobre “A Nova Arte de Sair [do armário] em Hollywood”.

Desde que a notícia correu o mundo, as reações e comentários não param de surgir. Apenas algumas horas depois a Ellen DeGeneres (intensa defensora do lesbianismo) e Neil Patrick Harris (ator, que divulgou sua homossexualidade em 2006), entre outras personalidades do mundo do entretenimento, expressaram “orgulho”, aprovação e elogios a Cooper, em suas redes sociais. A alegria da comunidade Gay é evidente. De acordo com o articulista do Washington Post (Jonathan Capehart), “Cooper estava preocupado que o silêncio sobre sua orientação sexual desse a impressão de que ele esta ‘envergonhado ou até receoso’, e isso o impeliu a quebrar o silêncio sobre sua vida pessoal”.

O artigo do Washington Post é perturbador em vários sentidos. Primeiro, vemos como comportamentos que, antigamente, eram considerados imorais e promíscuos, agora se tornam motivo de adulações, elogios e entusiasmados gritinhos de apoio. Eu sei que muitos disputarão a classificação da homossexualidade como imoralidade, principalmente no meio de uma sociedade que está cada vez mais sem padrões ou referências de moralidade. No entanto, não existe outra forma correta de encarar essa postura e comportamento, mas como desvio da sexualidade original e fundamental à estrutura da Criação de Deus – e assim Ele a trata nas Escrituras Sagradas.

Mas o segundo aspecto do artigo, mais perturbador ainda, é o foco explícito aos jovens e crianças. O autor diz que Cooper sempre se esquivou de responder a perguntas pessoais, mas ele nunca escondeu a sua “sexualidade”. A sua família, seus amigos, seus superiores e seus colegas – todos sabiam de sua inclinação e prática. Nisso, ele continua, Cooper era autêntico e isso é o que importava. Mas agora, ressalta o articulista, ele está sendo autêntico para o seu público e para todos aqueles garotos gays que agora possuem mais outro modelo proeminente de postura, que se desvela! Pasmem! Serão esses os novos modelos a serem seguidos por nossa juventude? Refletindo o pensamento de uma amiga minha, sobre essa “revelação” do Cooper, a situação está tão bizarra que, a cada exposição pública da sexualidade equivocada temos mais um integrante no panteão de heróis do século 21. Aqueles que acham que não devemos vigiar e estar alertas aos sinais cruzados que são continuadamente martelados às novas gerações, devem revisar suas conclusões. A cada dia, nossa sociedade se torna mais amoral, mais complacente com o erro, mais intolerante com aqueles que desejam preservar os traços de propriedade, recato e padrões que caracterizam a família. Não precisamos de heróis nem de modelos como esses, muito menos para os nossos filhos.

Solano Portela
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domingo, março 14, 2010

Solano Portela

Palavrão – "só pra garantir esse refrão"?

Eu não tenho nada pra dizer

Eu não tenho mais o que fazer

Só pra garantir esse refrão

Eu vou enfiar um palavrão! ...


Com essa quadrinha, composta nos idos de 1997, a banda Ultraje a Rigor consolidava seu sucesso, junto com várias outras canções, que, renitentemente teimavam em se apegar à nossa memória (“vamos invadir sua praia”; “eu me amo, não posso mais viver sem mim”; “a gente somos inúteis”, etc.).


Nas apresentações ao vivo da música “Nada a Declarar” na qual a quadrinha está inserida, como refrão, logo após “eu vou enfiar um palavrão”, Roger, líder do grupo, “enfiava”, mesmo. O palavrão, na realidade uma palavrinha curta, chula, monossilábica, era proferido em uníssono e repetido em êxtase pela galera!


Bem, a Banda estava fazendo jus ao nome, ultrajando. A idéia era chocar, movimentar, agitar – sem nenhuma consideração quanto à propriedade ou impropriedade do termo; ou quanto à necessidade de recato; ou ainda, quanto ao caráter didático que esse linguajar “sublime” significaria para as jovens mentes e até criancinhas que cantarolavam e decoravam o refrão. O negócio, afinal, era tão somente faturar, o resto que vá às favas.


Mas o que choca, mesmo, não é o Ultraje a Rigor. É a facilidade com que palavrões, expressões grosseiras e chulas – quando não blasfemas – encontram guarida na boca de fiéis que, supostamente, procuram seguir os preceitos das Escrituras.


Não me refiro àqueles que, por treinamento intenso prévio (“exercitados”: 2 Pe 2.14) – na maioria das vezes antes de suas conversões, têm problemas e lutas nessa área, e se esforçam para abandonar velhos hábitos. Em minha vida tenho testemunhado a luta de vários cristãos para controlar a língua e as palavras. Muitos foram exercitados por anos de impiedade, ou ficaram submersos em empresas, escolas ou repartições onde o palavrão é a norma. Esses procuram de todas as maneiras mudar a linguagem – isso é visível a outros, para não entristecerem o Espírito Santo com a mesma boca que abençoam (Tiago 3.9-10).


O inusitado ocorre quando vemos alguns líderes cristãos, nos últimos tempos, seguindo mais o Ultraje a Rigor (“...eu não tenho nada pra dizer; também não tenho mais o que fazer...”) do que a Bíblia. Passaram a defender a instituição do Palavrão, junto com seus seguidores.


Um texto de um desses “pastores” foi-me enviado recentemente (apesar dele estar postado e circulando desde 25.09.2009). Ele foi escrito por conhecido líder, que hoje se ocupa bastante em disseminar vitupérios contra os que o “abandonaram”, em função de seu pecado, e a destilar amarguras, atribuindo hipocrisia genérica ao mundo cristão (não se preocupem, não vou dar o link, pois a sua peça, defendendo o linguajar chulo e grosseiro não merece divulgação adicional).


O texto responde a um consulente e seguidor fiel, que chama atenção para um vídeo de outro “líder cristão” que faz palestra em uma igreja. O palestrante é médico e o pretexto é a saúde e higiene dos ouvintes. Com esse objetivo, ele utiliza palavras grosseiras e, repetidamente, o famoso monossílabo, constrangendo e chocando alguns da platéia, enquanto a outra parte se delicia e gargalha (também não vou dar o link). O consulente, então, infere que não haveria motivo para aquele vídeo escandalizar nenhum crente. Compara, então, os que se escandalizam com os que engolem um camelo, mas se engasgam com um mosquito.


Provavelmente, o camelo, aqui, refere-se à violência ou mal tratos, enquanto que o mosquito seria o palavrão. A bandeira falaciosa de muitos, principalmente no campo secular, têm sido defender impropriedades, palavrões e até pornografia, dizendo que a pornografia verdadeira é a violência para com crianças, ou de pessoa contra pessoa. Ora, um não justifica nem anula o outro. Por que ambos não podem ser errados?


Pois bem, o pastor responde com uma ode ao palavrão. Indicando que quase morreu de rir, com o vídeo, não somente grafa o monossílabo várias vezes em seu texto, como acusa os que não o utilizam de hipócritas.


O ensino básico desse pensamento é que as barreiras de recato e moralidade são arcaicas, superadas. Que o exercício de uma suposta graça amorfa promove a verdadeira autenticidade e sinceridade; e o tráfego livre entre o impróprio e proibido, e o correto e socialmente defensável. Afinal, vivemos em uma matriz de convenções humanas. Para estes, a aproximação com Deus não cria a obrigação para com regras, mas a liberação dessas. Pelo que inferimos desses ensinos, não existem absolutos. Nos aproximamos de Deus e, no fluir dessa graça subjetiva, de uma maneira mística e indescritível, nada contradiz nossa forma e postura de vida. A única máxima, possivelmente, seria o “amor”, mas esse, fugindo ao sentido bíblico de procurar o interesse da pessoa amada, de “cumprimento dos mandamentos” (João14.15,21), passa a ser um termo vazio de significado, que abriga tudo sobre seu guarda-chuva, num reavivamento da Teologia Situacionista moribunda de Joseph Fletcher, tão popular na década de 60, do século passado.


Nesse universo imaginário, até o pecado é redefinido e a tolerância irrestrita é propagada. Ser contra palavrões, ou contra o palavrão-palavrinha, repetido ad nauseam no texto, é coisa de careta; de cristão retrógrado; de pessoas que ainda não atingiram esse patamar de pseudo-santidade estéril (pois não produz pureza), característica dessa nova ordem de iluminados.


Mas será que esse é o ensino da Palavra de Deus? Será que o derribar desses marcos regulatórios é a verdadeira missão e postura do cristão? Essa luz negra que projetam sobre minha vida procede mesmo da “lâmpada para os meus pés... e luz para os meus caminhos” (Sl 119.105)? Por certo que não. A Bíblia nos instrui que o recato ou pudor é virtude a ser cultivada. Especificamente ela alerta contra a falta de pudor (“impudiscícia”), que teima em se imiscuir na igreja, em Efésios 5.3: “Mas a impudicícia e toda sorte de impurezas ou cobiça nem sequer se nomeiem entre vós, como convém a santos”.


É verdade que vivemos em uma era onde se fala cada vez menos nisso. As crianças se acostumam em um mundo onde a propriedade e modéstia no vestir e no proceder estão conspicuamente ausentes. Não é de espantar que a sexualidade precoce desponte como uma das grandes distorções e desvios do nosso século. Nossos ouvidos também vão se acostumando e a consciência se cauterizando com tantas impropriedades proferidas nos filmes, na televisão, nas rádios, nas músicas e no dia-a-dia da sociedade. No entanto, ver “líderes cristãos” rotulando o constrangimento perante a imoralidade de hipocrisia, leva-nos à vanguarda do absurdo. Para os tais o alvo é ser “liberado” das amarras incômodas, e comecemos essa jornada rumo à dissolução social e à devassidão moral, bem moderninhos e conectados, pelo linguajar. Por que exercer seletividade moral na palavra falada ou escrita?


Se não houvesse nenhuma outra razão, teríamos o exemplo dos escritores da própria Bíblia. Palavrões e linguagem chula sempre existiram na história da humanidade. Estão enraizados na natureza humana pecaminosa. Sempre houve uma forma apropriada e uma forma vulgar de se referir a tudo, especialmente a partes do corpo. Ora, por que então a Bíblia, que trata dos mais variados assuntos, utiliza palavras e expressões recatadas e apropriadas e não chulas, para se referir a elas? Certamente a comunicação adequada, preocupação do Autor da Bíblia, que a fez ser grafada na linguagem comumente falada, através das eras, não necessitava do emprego de linguagem imprópria. Falar com recato não impede a comunicação. Ou será que a utilização de palavrões, no seio do cristianismo, é nova forma de comunicação eficaz e grande descoberta; veículo de graça contemporânea, encontrado por essa nova casta de iluminados?


Mas a Bíblia vai além e fala especificamente da linguagem que deve caracterizar o servo de Deus:

  1. Em Tito 2.8, somos admoestados a ter “linguagem sadia e irrepreensível para que o adversário seja envergonhado não tendo indignidade nenhuma que dizer a nosso respeito
  2. Efésios 4.29 diz categoricamente: “Não saia de vossa boca nenhuma palavra torpe e sim, unicamente, a que for boa para edificação...”
  3. Colossenses 3.8 mostra que o linguajar chulo é característica dos descrentes: “Agora, porém, despojai-vos, igualmente, de tudo isso: ira, indignação, maldade, maledicência, linguagem obscena do vosso falar”
  4. Tiago 1.26 parece falar aos que querem misturar religiosidade com linguajar impróprio: “Se alguém supõe ser religioso deixando de refrear a sua língua, antes enganando o próprio coração, a sua religião é vã”.
  5. Efésios 5.4 também, claramente, mostra como deve ser a comunicação do cristão. Gracejos e gozações grosseiras (chocarrices), palavras torpes e vãs não devem ter lugar em nosso falar: “...nem conversação torpe, nem palavras vãs, ou chocarrices, coisas essas inconvenientes...”.

Parece que o Roger, do Ultraje ao Rigor estava certo: na falta do que dizer; na falta do que fazer; defenda-se o palavrão. Mas o cristão tem o que falar e o que fazer. Não venham me enganar e dizer que tudo isso que a Bíblia condena deve estar presente na boca do cristão.

Solano Portela

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Sobre este assunto, sem representar endosso completo à totalidade do site, leia também: “Crente Boca Suja” em: http://www.sandrobaggio.com/2009/09/23/crente-boca-suja/

e

“O Falar Cristão”, em:

http://nasprofundezasdasimplicidade.blogspot.com/2009/06/o-falar-cristao.html

e, o excelente,

"Reflexão Óbvia Sobre os Palavrões", da Norma Braga. Sobre este post, de 2007, a autora diz o seguinte: "Hoje em dia o óbvio é novidade para muita gente, mesmo na igreja, que está entrando na onda do 'falar palavrão é legal' e, com isso, participam da atmosfera destrutiva que tem sustentado reviravoltas morais na sociedade".

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