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segunda-feira, outubro 27, 2014

Mauro Meister

Reflexões esparsas pós resultados eleitorais

Não sou profeta, nem filho de profeta, assim, não tomem qualquer palavra abaixo como o certo para o futuro, mas apenas percepções. Pelo tamanho, poucos lerão.
1. Sim, somos uma democracia, ainda que nova e imatura. O pleito eleitoral, com todas as mazelas e jogos sujos, às vezes dos candidatos, muitas vezes dos partidários, aconteceu, mas foi bem sucedido.
2. Houve fraude? Como dizer? Resta aguardar que denúncias sérias, se levantadas, sejam investigadas pelos instrumentos do Estado, que deveriam ser independentes do governo. Sair gritando que houve fraude não resolve nada.
3. Corremos perigos? Sim! Imediatos? Nem tanto, mas, ainda assim, crescentes e rápidos. Minha percepção, por conta da ideologia e ações recentes, é que o partido no governo não preza a democracia. Sua origem de luta contra a ditadura de direita não o coloca na categoria democrática. Seus ideólogos gramicianios tem sido bem sucedidos, a despeito de seus líderes populares terem se embebedado com a glória do poder e suas riquezas. Digite "gramiscismo" no Google e leia, pesquise e tire suas conclusões.
4. Para que o projeto acima de certo, é necessário um aparelhamento do Estado e, ao mesmo tempo, uma aparência de legitimidade democrática associada a conceitos de hegemonia de pensamento. Os mesmos que são acusados de ser "contra o partido" (ex: Globo) são aqueles que promovem as causas dessa consolidação de pensamento: insistência no governo para as supostas minorias (negros, gays, mulheres como oprimidas, os sem terra) causa aborcionistas, desarmamento, etc. (vejam as ênfases no discurso da vitória da presidente). Tudo isso serve como uma quebra dos chamados valores tradicionais (mantidos pelas "elites") e o surgimento de uma nova hegemonia de pensamento (quem foi o representante da juventude?).
5. Passam por este projeto alguns elementos essências, entre eles, a reforma política e a educação (nada no discurso foi gratuito). Sim, o Brasil precisa de uma reforma política, mas se houver força do governo para que aconteça, será nefasta e aparelhará ainda mais o governo. No totalitarismo o governo nunca sai do poder, seja seja em Cuba, seja na Bolívia.
6. A educação brasileira já está totalmente aparelhada, mas os que estão dentro, muitas vezes não percebem. Quanto mais ignorantes (aqueles que ignoram), melhor! Não há real interesse em que exista pensamento autônomo, no sentido do indivíduo que pensa por si mesmo (ainda que este seja o discurso da educação há décadas) mas no indivíduo que aja com a massa, como uma torcida, liderada pelos Conselhos Populares. Enquanto os cristãos deveriam lutar por uma educação heteronormativa (no caso, segundo a norma de Deus) as políticas governamentais tem sido sistematicamente opostas. Nossos filhos vão para a escola e voltam para casa achando que todos os tópicos citados acima são o certo e o verdadeiro, o contrário do que seus pais caretas e suas igrejas ensinam.
7. Entre tais ensinamentos existe a famosa doutrinação contra o famigerado capital, o livre comércio, a iniciativa privada, a privatização e todos os temas pertinentes. É daí que surge o socialista rico que maquina a revolução social de seu studio em Paris, bebendo champanhe. É assim que a presidente diz com cara lavada a uma economista desempregada que faça um curso para se colocar em um mercado com cada vez menos empregos reais (quem já desistiu de procurar emprego ou quem ganha bolsa x ou y não conta nas estatísticas, por isto, anda tão baixa).
8. O que fazer, como cristão que sou? a) devo orar pela paz e pelo governo, não só em tempo de eleições, mas em todo tempo; b) devo estar alerta, não só em tempo de eleições, mas entre elas, quando as coisas de fato acontecem - leia, informe-se, fale, pressione e vote certo nas próximas eleições; c) lute contra as pequenas corrupções para que tenha como perceber e lutar contra as grandes - pequenas corrupções admitidas em nossas vidas nos cegam para a grande corrupção ao nosso redor; d) ore para que a nossa jovem democracia e suas instituições resistam às pressões e leis que serão empurradas goela abaixo nos próximos 4 anos; e) lembre-se, a esperança do cristão está em Cristo e não no estado e no governo, porém, cabe-nos agir sempre em função da verdade e da paz, denunciando a corrupção e os sistemas que a alimentam.

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segunda-feira, setembro 22, 2014

Solano Portela

Uma mulher na liderança do governo?

- Uma palavra aos evangélicos que têm me perguntado se é apropriada a liderança feminina em um cargo governamental.
A Bíblia definitivamente coloca a responsabilidade de liderar nos ombros dos homens, mas ela é bem específica em deixar essa questão explicitada à esfera da família e da igreja. Em minha opinião, há uma diferença entre se considerar, ou eleger, uma mulher para um cargo civil e uma mulher para um cargo eclesiástico.
No lar e na igreja o homem deve liderar e isso não significa que a mulher é inferior a ele. Liderança masculina no lar coloca nos homens a grande responsabilidade de amar a esposa – como Cristo amou a igreja, ou seja, com a maior intensidade possível – de ser o supridor principal das necessidades físicas, a de protegê-la (1 Pedro 3.7 – “... a parte mais frágil...”). No lar, a mulher tem o papel diferente e nobre de auxiliá-lo no na criação dos filhos e na organização da casa e da vida (Provérbios 31). Deve, em harmonia com a Bíblia, acatar essa liderança ao mesmo tempo em que o exercício dela, para os homens, deve seguir as diretrizes divinas. Se ele confunde liderança com pressão, autoritarismo, falta de consideração, ausência de benevolência e amor, está em pecado e precisa se arrepender e aprender na Palavra de Deus qual o seu papel e qual a postura que agrada a Deus (Efésios 5.25).
Na esfera eclesiástica, os homens são comissionados diretamente (1 Timóteo 3 e Tito 1) a exercer a liderança, a supervisão. Essas duas esferas (lar e igreja) são entrelaçadas, quando Paulo ensina que o campo de provas para que homens sejam colocados como autoridades eclesiásticas, é exatamente a postura de liderança que têm no lar (o texto de 1 Timóteo 3.5 diz: “se alguém não sabe governar a própria casa, como cuidará da igreja de Deus?”). As mulheres podem auxiliar na condução da administração da igreja, especialmente se forem esposas de oficiais ordenados, ou em outras capacidades de auxílio e beneficência, mas a ordenação de oficiais (anciãos/presbíteros e diáconos) é comandada a homens. Quaisquer outros argumentos que subvertam essa ordem de liderança, e muitos evangélicos os abraçam, apelam à sociologia, ao “desenvolvimento” do pensar, ou a outras razões; mas se formos à Bíblia é essa diretriz que encontraremos.
A Palavra de Deus não é taxativa, entretanto, quanto a esse papel de liderança na esfera civil (governo e trabalho). Até temos alguns exemplos, como o de Débora (Juízes 4) – que liderou o povo de Israel, inclusive em uma feroz batalha, incidente em que, inclusive, a JAEL (Juízes 4.18-21 e 5.24) teve papel preponderante no livramento do tirano que oprimia o povo de Deus. No entanto, é bom que fique claro que quando as mulheres assumem papel forte na liderança, isso ocorre para a vergonha dos homens. Demonstra uma falta de líderes no meio do povo. Mesmo no caso de Débora, ela aponta a Baraque que o trabalho era dele. Ela registra que ele estava “tirando o corpo fora” e que Deus a utilizaria de forma excepcional (veja Juízes 4.9).
A omissão da liderança masculina, fica demonstrada, em adição, em Isaías 3.12, pois o profeta aponta essa situação até como uma forma de julgamento da parte de Deus e como uma característica da fraqueza de um povo, quando registra: "Os opressores do meu povo são crianças, e mulheres estão à testa do seu governo...".
Mas, como já afirmei, acima, pela falta de uma instrução ou condenação específica, como é o caso do papel da mulher na igreja (1 Tm 3 e Tito 1) - para o qual existe uma definição clara - não creio que seja pecado nem o voto, nem a assunção dessa liderança por uma mulher. Com essas palavras, não estou endossando ninguém como candidata ideal. Expresso, apenas, o meu entendimento bíblico, em uma conjuntura (2014) que temos como concorrentes principais ao posto maior do nosso governo – à presidência da república – duas mulheres e um homem, suscitando dúvidas quanto qual deve ser a postura dos evangélicos que procuram pautar suas convicções e ações pelas diretrizes da Palavra de Deus.
- Solano Portela
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sexta-feira, junho 06, 2014

Solano Portela

Lidando com o Caos – Que tal um pouco de história?

Vivenciamos dias de caos e desordem. Neste início de junho de 2014 temos a greve dos metroviários: a paralisação de um serviço essencial no qual greves são proibidas por lei. Mas a lei! Quem se importa com a lei? Se nem os guardiões dela se importam com as pessoas, com a massa que os elege, uma categoria vai se importar com a lei? Esses "líderes sindicais" vão ponderar que impingirão sofrimento indevido a uma multidão de pessoas prejudicadas, cansadas, mal dormidas, ou extenuadas após o trabalho sem conseguir chegar em casa? E nos mês passado, quando policiais (outro serviço público essencial) cruzaram os braços em diversos estados, deixando o povo que paga os seus salários à mercê do crime, da desordem, do caos? Sem a barreira da lei e daqueles que deveriam fazê-la valer, não existem mais limites. Os saques generalizados de Abreu e Lima, em Pernambuco, estão indelevelmente inscritos na nossa triste história, evidenciando a lamentável situação de desmando e falta de autoridade que impera no país.



Observo perplexo esses acontecimentos, mas vejo que tudo isso é fruto da continuidade de um governo que empolga e se elege, mas que há muito considera secundária a tarefa de fazer o que deve ser feito, controlar o que deve ser controlado, governar o que deve ser governado e administrar o que deve ser administrado. Afinal, hoje se pratica de forma ampla e irrestrita o que o Líder Supremo, sombra onipresente da atual presidência, sempre vociferou em sua fase irada de sindicalista.


Os movimentos grevistas, cujo discurso defensor sempre fala desse suposto intocável direito dos trabalhadores, não estão nem aí com o direito ao trabalho de milhões, ou o de ir e vir garantido na constituição; ou com o direito constitucional (e Bíblico) de propriedade; ou ainda com a preservação do bem público. Esses movimentos estão lançando no espaço a já inexistente ética brasileira.

E as autoridades? Ah, as nossas autoridades – quão pitorescas e fora de foco! Inicialmente afirmam que está tudo normal, ou "em negociação". Fecham os olhos quando ruas são trancadas; chegam atrasadas quando ônibus são queimados. A televisão e seus helicópteros conseguem chegar aos locais de baderna em alguns minutos - mas a restauração da ordem é retardada até que nada mais há para ser destruído. E a punição de culpados? Essa já devemos apagar de nossas expectativas: não há punição e a repressão à violência é vista como um mal social e não como uma restrição benéfica aos cidadãos de bem. 

Negar evidências e e impedir a imposição de limites, parecem ser a postura institucional recomendada, ultimamente. A transferência de culpa, quando ela é remotamente admitida, é a tônica da vez; isso quando não se alega ignorância do que não pode ser ignorado - como fez o prefeito de São Paulo (seguindo o Mestre), nas últimas greves de ônibus que igualmente assolaram esta capital e a vida das pessoas que nela habitam. E depois do caos instalado - ninguém apresenta solução. Caem no vácuo as determinações judiciais, às vezes emanadas de uma corajosa juíza, que ainda encontra forças para protestar contra o desprezo pela lei, na nossa terra.

Nesse meio tempo, as reuniões cordiais se sucedem em Brasília, certamente regadas a bastante cafezinho, sucos e salgadinhos, com líderes de outros promotores do caos institucionalizado, como com o MST (terra, ou teto - à escolha dos incomodados), implorando para que não perturbem festividades que interessam ao governo.

Como lidar com o caos? Os nossos líderes deveriam estudar um pouco a história, verificando o que outros mais lúcidos fizeram em situações semelhantes. Se tivessem ânimo à pesquisa e à leitura, nem precisariam retroagir tão longe assim, para extrair algumas lições.

Em 1981, mais precisamente no início do mês de agosto, os controladores de vôo dos Estados Unidos começaram uma greve gigante no país. O sindicato deles (PATCO) agregava mais de 17 mil associados e desses, 13 mil paralisaram suas atividades exigindo melhores salários, apesar da atividade ter uma remuneração substancialmente acima da média. Interromperam, assim, negociações que já se estendiam por seis meses, nas quais haviam obtido várias vantagens e aumentos. Desde 1955 que greves em atividades essenciais eram proibidas por lei, nos Estados Unidos, no entanto mais de 22 paralisações ilegais haviam ocorrido nos anos recentes em diversas atividades similares. O que fez o presidente Ronald Reagan? Foi tirar férias na Flórida? Jogou a culpa no Ministro da Aeronáutica? Disse que “não sabia” que a situação era tão grave assim? Não! Vejam as lições, em como lidar com o caos, evidentes em algumas das medidas e decisões tomadas:
  • Primeiro, com precaução e planos emergenciais: Durante as negociações – nos seis meses anteriores, a FAA (Federal Aviation Administration) arquitetou um plano de emergência que previa a possibilidade de paralisação: 3000 supervisores, junto com os que não aderiram a greve colocaram a “mão na massa”, passando a controlar o tráfego aéreo; 900 militares da aeronáutica se uniram a eles. Essas pessoas não se furtaram, na emergência, a trabalhar 60 horas por semana – o dobro do que atualmente trabalham os nossos controladores. Para surpresa de todos, principalmente dos grevistas, o plano funcionou tranquilamente. Que contraste com a ignorância das nossas autoridades, que "não sabiam" o estado real desse segmento, quando, em 2006, tivemos greve semelhante.
  • Segundo, com coragem e objetividade: Reagan deu 48 horas para que eles retornassem ao trabalho sob pena de serem sumariamente demitidos. Obviamente não faltaram os profetas da catástrofe que aventavam desastres enormes, que não ocorreram, com a suposta “falta de segurança” presente no plano e nas ações do governo. Que contraste com a condescendência do nosso governo para com os perturbadores da ordem.
  • Terceiro, com ações de porte e eficácia: Grande parte dos grevistas achou que o governo blefava, não voltou ao trabalho e foi para a rua da amargura. Os cursos que preparavam controladores de voo, que formavam 1.500 a cada 21 semanas, aumentaram as classes, a capacidade e encurtaram o período para 17 semanas, passando a formar 5.500 controladores, no período. Dentro de poucas semanas a “fila” de candidatos a essas vagas chegou a 45.000 pessoas. Que contraste com o pronunciamento do nosso Ministro da Defesa, quando, em 2006, informou que contrataria 60 pessoas adicionais. E com os nossos dias, onde o despreparo das autoridades aflora a todos os olhos.
  • Quarto, com a aplicação rápida da lei: Os líderes do movimento foram presos por incitar e promover uma greve ilegal e processados em toda a extensão da lei. O sindicato foi multado em um milhão de dólares por dia de greve. O apoio popular foi todo para o governo, em vez de para os grevistas. Em 1984 o tráfego aéreo havia aumentado 20% e era eficientemente controlado por uma força de trabalho que era 80% daquela existente antes da greve de 1981. Que contraste com a impunidade que reina em nossa terra.
É desnecessário frisar que a forma como Reagan lidou com esse incidente restabeleceu o respeito ao governo, que vinha tratando a quebra da lei e da ordem de forma displicente, em administrações anteriores, e deu o tom aos anos que se seguiriam. Qualquer semelhança com o tratamento que as nossas autoridades vêm dando às greves no Pindorama é inexistente. Estamos realmente falidos na administração das questões públicas que afetam o dia-a-dia de grandes segmentos da população. Enquanto o governo se ocupa de tudo que é trivial, se esquece daquilo que é essencial. Daí a necessidade de estarmos alertas exercitando nossa cidadania na fiscalização de quem está la e na lembrança de caminhos viáveis aos impasses sociais. Podemos estar desanimados e tristes, sim; mas não desfalecidos! E não percamos a esperança de que Deus pode operar um milagre no nosso amado país, às vezes agindo até pelo privilégio do voto.

Solano Portela

Os interessados no incidente relatado acima, ocorrido em 1981, podem obter mais detalhes clicando aqui.
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quarta-feira, outubro 13, 2010

Solano Portela

Chegou o segundo turno – e agora? A Hora da Decisão na campanha presidencial 2010.

A justiça exalta as nações, mas o pecado é o opróbrio dos povos. Provérbios 14.34

Quando se multiplicam os justos, o povo se alegra, quando, porém, domina o perverso, o povo suspira. Provérbios 29.2




Contrariando as projeções das pesquisas e as expectativas da candidata Dilma Rousseff as eleições presidenciais de 2010 foram remetidas ao segundo turno, possivelmente até para surpresa do candidato José Serra, o segundo colocado.

Os analistas divergem quanto às causas principais desse resultado. Inicialmente, falou-se bastante na influência da intensa campanha movida pela Internet, por evangélicos, católicos e até espíritas, apontando as posições, do partido da líder nas pesquisas, em favor do aborto, da defesa ao casamento homossexual e da proibição a identificar o homossexualismo como o pecado que é. Essas e outras posições moralmente condenáveis integram tanto o malfadado projeto lei PLC 122/2006, quanto o execrável Plano Nacional dos Direitos Humanos, em sua terceira versão. Estes, sob o suposto manto de oposição à discriminação (atualmente, convicções religiosas estão sendo automaticamente rotuladas pejorativamente de “preconceito” ou de “discriminação”), procuram impingir formas de vidas condenáveis pela Palavra de Deus a todas as famílias brasileiras. Devemos lembrar, também, que o partido da Sra. Dilma suspendeu os direitos partidários de dois dos seus integrantes por manterem convicções contrárias a essas bandeiras defendidas pelos militantes.

Mais recentemente, a imprensa passou a apontar os casos de corrupção na Casa Civil, protagonizados pela família de Erenice Guerra, como sendo o principal fator responsável pela perda de votos da candidata Dilma, frustrando os planos de que a eleição presidencial fosse decidida no primeiro turno.

Qualquer que tenha sido o fator principal, ou, o que é mais realista, a combinação de fatores, a verdade é que ganhamos uma prorrogação na qual podemos refletir adicionalmente em nossas responsabilidades como cristãos. Aproveitando essas “horas extras”, não deveríamos esquecer que:

1. O SENHOR é que governa as nações (Sl 22.8). O Salmo 24.1-2 diz: “Ao SENHOR pertence a terra e tudo o que nela se contém, o mundo e os que nele habitam. Fundou-a ele sobre os mares e sobre as correntes a estabeleceu”. Esse governo inclui a determinação de quem governa, ou não, conforme lemos em Daniel 2.21: “... é ele quem muda o tempo e as estações, remove reis e estabelece reis; ele dá sabedoria aos sábios e entendimento aos inteligentes”. Isso significa que, contrariamente ao que ensinam alguns teólogos contemporâneos, os quais dizem que Deus não interfere nos afazeres dos homens, e até nem teria poder sobre o futuro, pois este ainda não aconteceu, a Bíblia claramente ensina que a regência soberana de Deus é uma realidade. Ela é exercida sobre os governantes e nações, independentemente do sistema de governo encontrados nelas. Para nós, neste momento, significa que qualquer que seja o resultado da eleição, este está debaixo da soberania divina; nada fugiu ao seu controle. Deus tem os seus propósitos e os cumprirá, com certeza. Nunca há lugar para orgulho excessivo, nem para desespero.

2. Pessoas recebem de Deus a delegação de governar sobre outros. A fé reformada reconhece que o governo é dádiva da graça comum de Deus. Qualquer governo é melhor do que anarquia. No pensamento reformado, o governo é uma conseqüência do pecado, fruto da benevolência de Deus (não faz parte da “lei natural”, como afirmam os católicos-romanos). Ele foi especificamente definido a Noé (Gn 9), como representante da humanidade, colocando a força na mão das autoridades, para punir os malfeitores. Detalhamento adicional, no Novo Testamento, temos em Romanos 13.1-7, onde os governantes são chamados de Ministros de Deus, para punição do mal e reconhecimento dos que praticam o bem. Essa é uma tremenda responsabilidade para quem governa, pois mostra que o poder não é absoluto nem divorciado das obrigações para com os absolutos de Deus. Fala-se muito, hoje em dia, do estado laico, como se não houvesse qualquer obrigação estatal de observar princípios universais de justiça e equidade, que procedem de Deus. Enquanto reconhecemos a separação da igreja e do estado, como esferas autônomas; devemos reconhecer, também, que ambos prestam contas a Deus. É inadmissível e é condenável o estado que promove e patrocina atos imorais e de injustiça, e os governantes devem ser relembrados disto.

3. Temos obrigações para com os governantes. A Bíblia é clara quando aponta o caminhar cristão como o de cidadãos responsáveis e respeitosos das autoridades instituídas. Atos 26.2-3 e 24-25 registram o respeito que Paulo tinha para com as autoridades governamentais, até para com aquelas que procediam injustamente para com ele (veja também 1 Pedro 2.13-15 e 18). E é ele que escreve em sua primeira carta a Timóteo (2.2) que devemos honrá-las e interceder por elas, para que tenhamos uma vida tranqüila (ou seja, para que cumpram a finalidade para a qual existem: garantir o bem-estar e segurança dos cidadãos). Obediência às autoridades é, portanto, esperada dos Cristãos e o limite dessa obediência é estabelecido pela própria Palavra de Deus (Atos 4.19-20 e 5.29). Esse limite é quando o governo procurar legislar CONTRA o que Deus nos comanda em sua palavra; quando ele procurar estabelecer que o que é “mal”, o que é “amargo” e “escuro”, é “bem”, “doce” e “luz” (Is. 5.20-21). Nesses casos, então, “importa obedecer a Deus” e não aos homens. Talvez esse seja um dos grandes testes à igreja nos anos à frente: os cristãos irão afrouxar e diluir os padrões bíblicos, mediante a pressão e a legislação governamental, ou manterão a sua identidade e lealdade à Bíblia?

4. Escolher governantes é um grande privilégio. O povo de Deus subsistiu debaixo dos mais diversos regimes: monarquia, impérios despóticos, regência militar, etc. A obrigação foi sempre de se manter fiel a Deus, e ao testemunho cristão, e respeitoso para com as autoridades, independentemente de como chegaram ao poder. No entanto, indubitavelmente, ter a capacidade de escolher os representantes, como ocorre em uma democracia representativa, é um grande privilégio. Não devemos desprezar essa bênção e essa liberdade recebida de Deus. O voto é também uma maneira de expressar convicções e de defender posições que mais se aproximem das diretrizes divinas. Se a eleição é uma metodologia instituída na Bíblia até para as questões sagradas, na igreja (Atos 6.1-5; 14.23), não há porque disputar a legitimidade dela para escolhas de líderes, na esfera governamental.

Considerando todas essas coisas, não devemos ser ingênuos e achar que a candidata Dilma é do mal, enquanto que o candidato Serra é do bem. Enquanto que as posições partidárias da Sra. Dilma estão bem explicitadas, e elas claramente contradizem o caminhar cristão; além dos seguidos casos de corrupção governamental, aos quais as autoridades têm dado importância mínima; não podemos esquecer que o Sr. Serra tem a infame honra de ser promotor da promiscuidade sexual, sob o suposto manto da prevenção do HIV, com as terríveis campanhas, quando ocupava o ministério da saúde.

De um lado, a Sra. Dilma procura convencer a todos de que suas posições com relação ao aborto mudaram e que ela, agora, é pró-vida. No entanto sua nova argumentação fala do aborto apenas como sendo “violência à mulher” – nenhuma palavra quanto aos direitos da criança, ou quanto à santidade da vida. Além disso, fala constantemente do aborto como sendo uma questão de “saúde pública”, como se fosse comparável a uma estomatite, ou cárie dentária, sem nenhuma implicação moral. Do outro lado, é possível que as recentes posições conservadoras do Sr. Serra, sobre essa questão, sejam mais estratégia eleitoral, do que fruto de convicções éticas profundas(recente pesquisa mostra que 73,5% dos brasileiros são contra o aborto). Afinal, não podemos esperar muito do antigo líder da UNE que vulgarizou o sexo livre, popularizando o “Bráulio”.

Alguém pode dizer: “não há saída – somente anulando o voto”! . Não acredito na promoção do voto nulo, pois ele deveria somente ser fruto de erro de votação e não de uma ação racional. Quem tiver fortes convicções de abstenção, resta a alternativa do voto em branco – esse , sim, é uma expressão de uma decisão consciente. No entanto, deve haver a percepção de que assim se abdica de um privilégio (mais que um direito) de pontuar uma escolha. Essa raramente será uma escolha sem qualificações, ou com a expectativa de um governante e um governo ideal, mas é sempre uma alternativa para barrar um caminho pior à nação (o que o voto em branco ou nulo não conseguirá).

No entanto, sem a ingenuidade de achar que uma eventual eleição do Sr. Serra venha a representar a resolução de todos os problemas e a restauração plena da ética ao governo, vou dar a ele o meu voto. Farei isso apesar de discordar dele em outras questões não morais, mas administrativas, como, por exemplo, sua defesa, idêntica à da oponente, de um estado gigante, paternalista e suas posições contra privatizações, ignorando o benefício dessas no Brasil e no mundo, mas considero ele o menor dos males, na conjuntura atual. Creio também que ele chegou à percepção de que os governantes não podem tripudiar impunes às questões morais universais, impressas por Deus até na consciência dos ímpios (Romanos 2.14-15) e assim trará um melhor governo ao Brasil. Creio, em adição, que as sandices verbais, que hoje são proferidas em aura de impunidade e bajulação, serão melhor controladas. Acredito que, com o Sr. Serra, teremos uma política externa mais coerente e menos aventureira do que a atual, que corteja e engrandece déspotas, assassinos e tiranos. Estarei com a esperança de que o Sr. Serra, se eleito, não apenas lembre a "voz do povo" que o elegeu, sobre essas questões de moral e ética tão importantes ao bem estar da nossa nação, mas que também a respeite, juntamente com seus ministros e equipe. Isto é plausível, pois ele não estará tão amarrado a certas aberrações de uma plataforma oficial de partido quanto está, de certo, a outra candidata.

Em paralelo, espero manter minhas convicções cristãs, independentemente de quem ganhe, suplicando que Deus me ajude a, em intercessão, poder expressar as críticas, quando pertinentes, sempre de maneira respeitosa e fiel à Palavra.
Solano Portela
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segunda-feira, setembro 06, 2010

Solano Portela

As Eleições e os Políticos!

Como estamos na proximidade das eleições de 2010, resolvi "requentar" este post antigo, que ajuda também a responder algumas perguntas que me têm sido feitas por e-mail. No final do texto, apresento comentários que podem auxiliar os cristãos na hora do seu voto consciente - Solano


O Caráter do Político Astuto: Um Estudo sobre a Vida de Absalão

2 Samuel, capítulos 13 a 18

Introdução
A história de Absalão não é uma história bonita. Filho do Rei Davi, ele teve uma existência
marcada por inúmeros pecados. Era uma pessoa atraente, simpática, e famosa, que realmente chamava a atenção. Poucas pessoas no mundo poderiam receber o tipo de descrição que dele é feita em 2 Sm 14.25: “Não havia, porém, em todo o Israel homem tão celebrado por sua beleza como Absalão; da planta do pé ao alto da cabeça, não havia nele defeito algum”. Quando lemos a sua história, registrada nos capítulos 13 a 18 de 2 Samuel, vemos que ele era um daqueles “líderes natos”, com personalidade marcante e carismática. Era impulsivo em algumas ações, mas igualmente maquinador e conspirador para preencher suas ambições de poder. Por trás de um passado que abrigava até um assassinato de seu irmão, ele não hesitou em utilizar e manipular pessoas e voltar-se contra seu próprio pai, para vir a governar Israel. Uma vez no poder, demonstrou mais impiedade, crueldade e imoralidade. No seu devido tempo, foi castigado por Deus, sofrendo uma morte inglória, sendo Davi reconduzido ao poder.

O caráter de Absalão não é diferente de muitos personagens contemporâneos de nossa política. Na realidade, ele reflete bem como a ambição pelo poder, conjugada com outros pecados, transtorna o comportamento de políticos “espertos” e “astutos”, levando-os a uma vida de engano e egoísmo desenfreado, na maioria das vezes com o aproveitamento pessoal do bem público. Nessa época de eleições e mesmo após elas, necessitamos de sabedoria e discernimento, para penetrarmos a couraça de fingimento que é mostrada à sociedade. Necessitamos de uma conscientização de nossas responsabilidades, como cidadãos, para que estejamos cobrando, com o devido respeito, as responsabilidades de nossos governantes, conforme estipuladas nas Escrituras em Romanos 13.

Nosso propósito, neste post, é estudar as ações de Absalão registradas no capítulo 15 de 2 Samuel, versos 1 a 12, identificando algumas peculiaridades de sua pessoa e caráter para que sirva de alerta à nossa percepção do mundo político e da busca pelo poder. Acreditamos que essas características são reflexos da natureza humana submersa em pecado. Devemos aprender, portanto, que devemos resguardar nosso apoio irrestrito, a tais pessoas de intensa ambição. Devemos também agir responsavelmente como cidadãos cristãos, na medida do possível, para que as instituições que tais pessoas pretendem governar sejam também resguardadas.


As Características de Absalão

Vejamos, 10 características do político astuto e matreiro que foi Absalão, conforme o relato que temos no capítulo 15 do Segundo livro de Samuel:

1. Ostentação e demonstração de poder. No verso 1, lemos: “Depois disto, Absalão fez aparelhar para si um carro e cavalos e cinqüenta homens que corressem adiante dele”. No capítulos 13 e 14 lemos como Absalão ficou foragido, após assassinar seu irmão. Aparentemente, Davi tinha grande amor por Absalão e, após três anos dos acontecimentos que culminaram no assassinato e fuga, Davi o recebe de volta. Absalão era famoso. Em 2 Sm 14.25 lemos que ele era “celebrado” por suas qualidades físicas invejáveis e impecáveis. Possivelmente tudo isso havia “subido à cabeça”. Em vez de assumir uma postura de humildade e contrição, em seu retorno, o texto nos diz que ele trafegava em uma carruagem com cavalos. Semelhantemente a tantos políticos contemporâneos ele se deleitava na ostentação e na demonstração de poder. Nesse sentido, formou um extraordinário séquito de “batedores” – cinqüenta homens que corriam “adiante dele”. Certamente tudo isso contribuía para chamar ainda mais atenção, para a sua pessoa, e ia se encaixando nos planos que possuía, para a tomada do poder. Vamos ter cuidado com aqueles que buscam a ostentação e a demonstração do poder que já possuem, pois irão aspirar sempre mais e mais, às custas de nossa liberdade.

2. Comunicação convincente. O verso 2, diz: “Levantando-se Absalão pela manhã, parava à entrada da porta; e a todo homem que tinha alguma demanda para vir ao rei a juízo, o chamava Absalão a si e lhe dizia: De que cidade és tu? Ele respondia: De tal tribo de Israel é teu servo...”. Parece que Absalão não era preguiçoso. Levantava-se cedo e já estava na entrada da cidade, falando com as pessoas. Possivelmente tinha facilidade de comunicação, de “puxar conversa”. Identificava aqueles que tinham necessidades, aqueles que procuravam acertar alguma disputa e logo entrava em conversação com eles. Certamente essa é uma das características que nunca falta aos que aspiram o poder. Devemos olhar além da forma – devemos atentar para o conteúdo e a substância, procurando discernir os motivos do comunicador.

3. Mentira. O verso 3 mostra que Absalão era mentiroso. Era isso que Absalão comunicava àqueles com os quais ele conversava, com os que tinham demandas judiciais a serem resolvidas: “Então, Absalão lhe dizia: Olha, a tua causa é boa e reta, porém não tens quem te ouça da parte do rei”. Descaradamente ele minava a atuação, autoridade e função do rei Davi, seu pai. Com a “cara mais limpa”, como muitos políticos com os quais convivemos, passava uma falsidade como se fosse verdade. Certamente existia quem ouvisse as pessoas, em suas demandas. Certamente, nem toda causa era “boa e reta”, mas Absalão não estava preocupado com isso, nem com a verdade. Ele tinha os seus olhos postos em situação mais remota. Ele queria o poder a qualquer preço. Para isso não importava se ele tinha que atropelar até mesmo o seu pai. Não sejamos crédulos às afirmações inconseqüentes, às generalizações mentirosas de tantos que aspiram o poder.

4. Ambição e engano. O verso 4, confirma a linha de ação adotada por Absalão, na trilha da decepção: “Dizia mais Absalão: Ah! Quem me dera ser juiz na terra, para que viesse a mim todo homem que tivesse demanda ou questão, para que lhe fizesse justiça!” Será que realmente acreditamos que o malévolo Absalão estava mesmo preocupado com o julgamento reto das questões? Será que ele tinha verdadeira “sede e fome de justiça”? A afirmação demonstra, em primeiro lugar que a sua ambição era bem real – ele queria ser “juiz na terra” – posição maior que era ocupada pelo rei seu pai. Quanto à questão de “fazer justiça” – será que realmente podemos acreditar? Certamente com a demonstração de impiedade e injustiça que retratou posteriormente, quando ocupou o poder, mostra que isso era ledo engano aos incautos. Quantas pessoas terão sido iludidas por ele! Quantas o apoiaram porque acharam que ali estava a resposta a todas as suas preces e anseios – “finalmente, alguém para fazer justiça”! Como é fácil sermos iludidos e enganados em nossas necessidades! Não sejamos ingênuos para com promessas que não poderão ser cumpridas.

5. Bajulação. No verso 5, vemos como Absalão era mestre em adular aos que lhe interessavam: “Também, quando alguém se chegava para inclinar-se diante dele, ele estendia a mão, pegava-o e o beijava”. Que político charmoso! Estava prestes a receber um cumprimento, mas ele se antecipava! Com uma modéstia que era realmente falsa, como veríamos depois, ele fazia as honras para com o que chegava. Realmente era uma pessoa que sabia fazer com que os que o visitavam se sentissem importantes. Sempre gostamos de receber um elogio, de sermos bem tratados. Tenhamos a percepção de verificar quando existem interesses ocultos ou motivos noturnos por trás da cortesia aparente.

6. Furto de corações – O despertar de seguidores ferrenhos! O verso 6 fala literalmente dessa característica. Não, Absalão não violava sepulturas, nem estava interessado em transplantes de órgãos. Mas no sentido bem coloquial ele “roubava corações”: “Desta maneira fazia Absalão a todo o Israel que vinha ao rei para juízo e, assim, ele furtava o coração dos homens de Israel”. Com as ações descritas nos versos precedentes, Absalão angariava seguidores apaixonados por seu jeito de ser. Sua bandeira de justiça livre e abundante para todos, capturava o interesse, atenção e lealdade dos cidadãos de Israel. Não importava se havia um rei, legitimamente ungido pelo profeta de Deus. Aqui estava um pretendente ao poder que prometia coisas muito necessárias. Que era formoso de parecer. Que falava bem. O que mais poderiam as pessoas esperar de um governante? Será que alguém se preocupou em averiguar a sinceridade das palavras e das proposições? Será que alguém tentou aferir se as promessas proferidas eram possíveis de ser cumpridas? O alerta é para cada um de nós, também.

7. Falsa religiosidade – Os versos 7 a 9 registram: “Ao cabo de quatro anos, disse Absalão ao rei: Deixa-me ir a Hebrom cumprir o voto que fiz ao SENHOR, Porque, morando em Gesur, na Síria, fez o teu servo um voto, dizendo: Se o SENHOR me fizer tornar a Jerusalém, prestarei culto ao SENHOR”. É incrível como muitos políticos, mesmo desrespeitando os mais elementares princípios éticos, pretendem, em ocasiões oportunas, demonstrar religiosidade e devoção. No transcorrer do texto, vemos que tudo não passava de casuísmo, da parte de Absalão. Ele procurava costurar alianças. Procurava trafegar pela terra realizando os seus contatos, mas a fachada era a sua devoção religiosa. Pelo amor ao poder, antigos ateus declarados, se apresentaram como religiosos devotos. No campo evangélico deve haver uma grande conscientização de que existe uma significativa força eleitoral e política. Na busca pelo voto evangélico, muitos se declaram adoradores do Deus único e verdadeiro. Não nos prendamos às palavras, mas examinemos a vida e as obras de cada um, à luz das idéias que defendem. Vejamos também se as propostas apresentadas se abrigam ou contradizem os princípios da Palavra de Deus.

8. Conspiração – O verso 10, mostra que, finalmente, Absalão partiu para a conspiração aberta: “Enviou Absalão emissários secretos por todas as tribos de Israel, dizendo: Quando ouvirdes o som das trombetas, direis: Absalão é rei em Hebrom”. Insurgiu-se de vez contra o rei que havia sido ungido por Deus, para governar Israel. Não – ele não era um democrata que queria instalar uma república naquela terra. Valia-se de sua personalidade magnética, do seu poder de comunicação e das ações comentadas e registradas nos versos anteriores, para instalar um governo que seria não somente despótico, como opressor e abertamente imoral (2 Sm 16.22). Que Deus nos guarde dos políticos conspiradores, que desrespeitam as leis e autoridades e que são egoístas em sua essência.

9. Utilização de inocentes úteis – Leiamos o verso 11: “De Jerusalém foram com Absalão duzentos homens convidados, porém iam na sua simplicidade, porque nada sabiam daquele negócio”. Certamente essas duzentas pessoas, selecionadas a dedo, eram pessoas importantes e influentes. Certamente transmitiram a impressão que havia um apoio intenso e uniforme às pretensões de Absalão. Vemos que não é de hoje que as pessoas participam de uma causa sem a mínima noção de todas as implicações que se abrigam sob o apoio prestado. Devemos procurar pesquisar e estarmos informados sobre as causas públicas e sobre as questões que afetam a nossa vida e a da nossa nação. Nunca devemos permitir que sejamos utilizados como “inocente úteis” em qualquer causa, como foram aqueles “convidados” de Absalão.

10. Populismo – O verso 12 registra: “Também Absalão mandou vir Aitofel, o gilonita, do conselho de Davi, da sua cidade de Gilo; enquanto ele oferecia os seus sacrifícios, tornou-se poderosa a conspirata, e crescia em número o povo que tomava o partido de Absalão”. Vemos que, saindo do estágio secreto, a campanha ganhou as ruas e ganhou intensa popularidade, ao ponto em que um mensageiro chegou a dizer a David (v. 13) “o coração de todo Israel segue a Absalão”. Um dos ditos populares mais falsos é: “a voz do povo é a voz de Deus”. Não nos enganemos – muitas questões são intensamente populares, mas totalmente contrárias aos princípios da Palavra. Assim é também com as pessoas – a popularidade não é um selo de aprovação quanto ao comportamento ético e justo. Democracia (a regência pela maioria do povo) não é uma forma de se estabelecer o que é certo e o que é errado, mas uma maneira administrativa de se reger o governo sob princípios absolutos que não devem ser manipulados pela maioria, ou por minorias que se insurgem contra esses preceitos de justiça. Como cristãos, devemos ter uma visão muito clara dos princípios eternos de justiça, ética e propriedade revelados por Deus em Sua Palavra.


Conclusão

A história de Absalão que se iniciou no capítulo 13, continua até o capítulo 18. Absalão sempre gravitou próximo ao poder, mas aspirava o poder absoluto. Para isso, fez campanha, conspirou e lutou contra o seu próprio pai. Aparentemente esse político astuto foi bem sucedido. Foi alçado ao poder e lá se consolidou perseguindo e aniquilando os seus inimigos, entre os quais classificou o seu pai Davi, a quem tentou, igualmente, matar. Ocorre que os planos de Deus eram outros. Seu conturbado reinado foi de curta duração. Causou muita tristeza, operou muita injustiça e terminou seus dias enganchado pelos cabelos em uma árvore, enquanto fugia, e foi morto a flechadas.

Parece que vivemos permanentemente em campanha eleitoral, em nossa terra. A política, naturalmente, desperta fortes paixões, interesses e defesas. Muitos políticos, em sua busca pelo poder, passam a demonstrar muitas características demonstradas na vida de Absalão. É natural que alguém que almeja um cargo de liderança qualquer, possua um comprometimento intenso às suas idéias e objetivos. Os partidários, também submergem nesse mesmo espírito de luta. O problema vem quando a paixão, quer pelo líder, quer pelo poder, leva à cegueira moral, como na vida de Absalão. Nesse caso, desaparece a ética e princípios são atropelados. Os partidários, às vezes até sem perceberem, são sugados e manipulados. Em muitas ocasiões verificam que se encontram em uma posição de defender até o que não acreditam.

O cristão tem que se esforçar para ter uma consciência e vida tranqüila e serena perante Deus e perante os homens. Ele tem que se conscientizar que a sua lealdade é primordialmente para com Deus, para com a Sua Palavra objetiva, para com a causa do evangelho. Participação política consciente não significa lealdade inconseqüente. Na maioria das vezes o cristão verificará que se apoia esse ou aquele candidato, assim o faz não porque ele é o ideal e defensável em qualquer situação, mas porque representa o menor dos males, entre as escolhas que lhes são apresentadas. Sobretudo ele não pode se deixar manipular, como no caso dos seguidores de Absalão. Devemos, sempre, com respeito, apontar o desrespeito aos princípios encontrados nas Escrituras, por aqueles sobre os quais Deus colocou a responsabilidade de liderar o governo e as instituições de nosso país, lembrando 1 Tm 2.1-8, intercedendo sempre por eles em oração.
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Solano Portela

Veja também o excelente post do Dr. Mauro Meister (aqui) falando sobre eleições e este outro que escrevi tratando do "messianismo" presente nas eleições norte-americanas e que se faz presente igualmente em nossa terra.

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