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quinta-feira, março 22, 2012

Solano Portela

Liberal ou Liberal?

"Liberal", ou "neo-liberal", no sentido econômico, tem um sentido quase inverso ao sentido teológico. O liberal teológico é o que considera a Bíblia apenas um reflexo humano de religiosidade, mas não Palavra inerrante de Deus. Esses liberais teológicos, contrapõem-se aos teologicamente conservadores, que abraçam o teísmo clássico, expresso nas Escrituras, e firmam suas doutrinas e visão de vida na Bíblia, pois ela é aceita como revelação divina de quem são as pessoas, de como é Deus e o que Ele fez e faz na história. Teologicamente, então, o liberal não é conservador. Liberal no sentido econômico é aquele que é conservador na sua compreensão do papel do estado na economia. Ele busca pouca intervenção - deseja se libertar das intervenções, centralizações e tirania do governo e de sua massa burocrática.

Para complicar ainda mais, "liberal" no sentido político-econômico norte-americano, tem um sentido igualmente contrário ao termo, quando utilizado no sentido europeu e entre nós.

Nos Estados Unidos, "liberal", política e economicamente falando, é o que se declara LIVRE de certos princípios básicos que nortearam a fundação daquela nação e se mostra partidário de um governo centralizadamente forte, messiânico e paternalista. O oposto de "liberal", lá, é "conservador". Nesse sentido, há certa equivalência com os termos teológicos - os liberais são de esquerda e os conservadores de direita (se bem que pelos padrões brasileiros, tanto o "liberal" norte-americano, como os "conservadores" de lá, são considerados de direita - como o é tudo que "cheira" a americano).

No nosso contexto político (refletindo o europeu), "liberal" ou "neo-liberal", conforme já especificamos para a esfera econômica, é o que postula a libertação das amarras do governo. É o que é, exatamente, CONTRA o estado centralizador, onipotente e messiânico. É o que defende a livre iniciativa, o direito de propriedade e o que afirma que a coletividade é melhor servida quando os direitos e iniciativas individuais são reforçadas e respeitadas.

Afinal, você é liberal, e em que sentido?
Solano Portela
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quinta-feira, março 04, 2010

Augustus Nicodemus Lopes

Impressões do Congresso de Teologia do Mackenzie

Por     47 comentários:
Acabou ontem a noite o Congresso Internacional de Teologia, realizado no Mackenzie e tendo como principal preletor Dr. Michael Horton, com mais de uma dezena de livros publicados em português. A freqüência às palestras de Dr. Horton e dos demais preletores superou a expectativa dos organizadores do evento. Diversas oficinas foram oferecidas durante as tardes, e as salas reservadas ficaram pequenas para a grande afluência de interessados. Na noite da abertura havia perto de 800 pessoas no auditório Ruy Barbosa. As palestras foram também transmitidas ao vivo pela internet. Juntamente com o fato de que a maioria do público participante era composta de pastores, professores e alunos de teologia, a transmissão ao vivo aumentou bastante o potencial multiplicador do Congresso.

Um stand de livros teológicos selecionados ofereceu obras até com 50% de desconto, de diversas publicadoras, com vendas recorde em eventos anteriores realizados no Mackenzie. Na última noite, tivemos o lançamento do último título do Dr. Horton no Brasil, Cristianismo sem Cristo.

Acho que a causa da grande procura pelo evento foi seu objetivo principal, de identificar, analisar e mostrar os prejuízos do antigo liberalismo teológico e das teologias modernas que ainda seguem em sua esteira no Brasil. As palestras principais do evento mostravam claramente esta tendência. Além daquelas de Dr. Horton mostrando as falácias do liberalismo e da neo-ortodoxia, tivemos outras como "O fim do método histórico-crítico", que tive o prazer de apresentar, e "Teologia e Academia: Os opostos se atraem?" por Dr. Hermisten Costa.

As oficinas também foram nesta direção, explorando as origens, falácias e perigos do liberalismo teológico, antigo e novo.

Uma oficina que chamou a atenção foi a de Franklin Ferreira, onde ele mostrou que o "Cristianismo positivo" professado por Hitler e seu partido nazista era resultado do liberalismo teológico dos séculos 19 e 20. O anti-semitismo, a rejeição do Antigo Testamento, a negação de Jesus como judeu e de Paulo como rabi, e tudo mais, encontra ressonância nas obras de liberais como Schleiermacher, Wellhausen, Harnack. Dr. Franklin usou entre outras fontes a obra recente lançada no Brasil, O santo reich, de Richard Steigmann-Gall, publicada pela Imago, onde essa associação entre o protestantismo liberal e o nazismo é claramente documentada. O prestigiado jornal americano Sunday Times endossou a tese do livro dizendo "… connects Nazism to liberal Protestantism in a convincing way" (... [o livro] conecta o Nazismo ao Protestantismo liberal de maneira convincente").

No geral, vejo o Congresso como parte do movimento crescente no Brasil em busca de uma teologia bíblica, que respeite as Escrituras como a infalível Palavra de Deus, que leve a sério seus ensinamentos como um todo, ao mesmo tempo em que rejeita cada vez mais o liberalismo teológico que, apesar da negação de muitos, continua sendo ensinado e disseminados nos seminários e escolas de teologia do Brasil.
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segunda-feira, dezembro 14, 2009

Augustus Nicodemus Lopes

Saúde!

           O Natal chegou e já me trouxe um problema. Após repassar a lista dos amigos e dos presentes de Natal que pretendo dar a cada um, sobraram quatro conhecidos e uma garrafa de vinho do Porto que eu trouxe de Portugal. Preciso escolher a quem deles vou dar a garrafa e é aqui que o problema começa, pois só poderei dar a garrafa a quem gosta de vinho, celebra o Natal e o faz pelo motivo certo, isto é, a encarnação do Filho de Deus, sua concepção virginal e nascimento – que é o verdadeiro sentido do Natal e a razão da celebração.

          O problema é que um deles é liberal. Celebra o Natal como festa cultural, toma vinho, mas, como seu mestre Rudolf Bultmann, não acredita no milagre da concepção virginal de Jesus Cristo no ventre de Maria. Para Bultmann, o nascimento virginal de Jesus faz parte daquela estrutura mitológica da qual o Evangelho vem revestido, e que foi uma estória inventada pelos cristãos helenistas com base em estórias similares de reis e heróis que eram filhos das divindades com virgens (Die Geschichte der Synoptischen Tradition, 1970, p. 291-292). Este meu conhecido é fã do grande liberal americano, Harry Emerson Fosdick, por sua vez discípulo de Bultmann, que num sermão pregado na Primeira Igreja Presbiteriana de Nova York, 1922, afirmou que existe muita gente cristã honesta que “acha que o nascimento virginal não deve ser aceito como fato histórico, mas como uma das maneiras familiares pelas quais o mundo antigo expressava a superioridade incomum de algumas pessoas”. Ou seja, Jesus Cristo realmente não nasceu de uma virgem e seu nascimento foi igual ao dos demais seres humanos. Não vou dar uma garrafa de vinho, especialmente do Porto, a quem realmente não tem o que celebrar no Natal, a não ser o nascimento de um homem como outro qualquer.

          O outro conhecido, por sua vez, é pentecostal. Ele crê na concepção miraculosa de Jesus Cristo pelo poder do Espírito Santo, celebra o Natal, mas não toma vinho. Para ele, a Bíblia ensina a total abstinência e considera pecado até um crente beber uma taça de vinho em família. Para mim, o que a Bíblia proíbe é a embriaguês e o escândalo, mas respeito a posição dele. Se eu lhe der a garrafa, vai se sentir provocado.

          A coisa se complica ainda mais com o outro conhecido, que é neopuritano. Crê no milagre da concepção de Cristo no ventre de Maria, toma vinho, mas não celebra o Natal. Ele considera o Natal como uma festa apócrifa, de origem pagã e antibíblica; o dia 25 de dezembro era a data da antiga festa pagã da Saturnália e foi transformada pelo Imperador Constantino no Natal. Seria, então, um desperdício dar a ele essa excelente garrafa de vinho do Porto.

          Restou o neo-ortodoxo. No caso, este conhecido é da linha de Karl Barth. Ele diz que acredita na concepção miraculosa de Cristo, como o famoso teólogo suíço, e portanto tem motivos para celebrar o Natal. Todavia, eu confesso que nunca entendi direito o que Barth quis dizer ao afirmar acreditar no nascimento virginal. Para ele, este nascimento virginal indica o caráter sobrenatural de Jesus, é um sinal do julgamento de Deus sobre a raça humana, pois a mesma não pode produzir seu próprio Redentor e também um sinal de que Jesus Cristo é um novo começo (Church Dogmatics, I, 2, 196, 181, 177, 188, 191). Mas, ele desconsidera um conseqüência importante do nascimento virginal, que é a impecabilidade de Cristo. Barth afirmava que Cristo assumiu uma natureza pecaminosa, decaída, corruptível, e que portanto, não era perfeito e sem pecado (Church Dogmatics, I, 2, 154). Por causa disto, e porque li em algum lugar que Barth jamais bebericou vinho em sua vida pois preferia cerveja (veja os comentários a este post), é que também não posso dar o Porto ao conhecido que é bartiano.

          Só me resta tomar o vinho com minha esposa e brindar aos amigos que lêem nosso blog.

          Saúde!

[PS: Eu de fato trouxe de Portugal uma garrafa de vinho do Porto, mas a situação descrita acima é fictícia]
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sábado, novembro 21, 2009

Augustus Nicodemus Lopes

Carta a Bultmann

Por     118 comentários:


Rudolf Bultmann (1884 – 1976) foi um dos maiores estudiosos do Novo Testamento do século passado, e provavelmente o maior representante do liberalismo teológico na área dos estudos bíblicos (embora ele mesmo não se considerasse um liberal). A carta, obviamente, é fictícia, bem como os comentários jocosos que irão aparecer assinados por Bultmann...
Meu caro Bultmann,

Sei que você não pode mais me ouvir. Não quero parecer covarde escrevendo para quem já morreu. Mas, não tive a oportunidade de conhecê-lo enquanto você ainda vivia (tornei-me cristão um ano após a sua morte). Além do mais, você sabe que escrever é dar a cara à tapa, mesmo depois de morto. E o que coloco aqui é baseado nas coisas que você escreveu e que, depois de sua morte, ainda falam.
Começo expressando minha profunda admiração pela sua cultura, seu conhecimento, domínio do grego e do latim e pela lógica de seus posicionamentos. Posso não concordar com você em praticamente tudo que você concluiu, mas seria injusto deixar de reconhecer seu valor e talento como pesquisador, erudito e escritor para os estudos no Novo Testamento e para a hermenêutica.
Reconheço também a sua piedade. Sei que sua religiosidade foi moldada no pietismo alemão, o qual valorizava a piedade individual e defendia uma vida cristã consistente. Pelo que li, você era membro dedicado da Igreja Luterana na Alemanha e um excelente pregador. Li recentemente que você também pregava sermões natalinos e fiquei curioso em saber como você conseguia fazer isto, uma vez que não acreditava realmente que Jesus de Nazaré era o Filho de Deus encarnado.
Sabe, caro doutor, pode ser que sua intenção real, ao dizer que o Novo Testamento está cheio de mitos, lendas e estórias fabricadas pela fé da Igreja, tenha sido libertar o kerygma de uma determinada visão mitológica de mundo. Você aparentemente intencionava alcançar o homem moderno, que tem uma visão de mundo moldada pelo cientificismo, que não acredita mais em milagres, e que já tem uma explicação científica para tudo o que acontece. Você queria desmitologizar o Novo Testamento e apresentar a este homem racionalista um Evangelho que não o ofendesse e que ele pudesse aceitar sem perder a sua respeitabilidade científica. Quero dizer que reconheço que sua intenção era boa e seu alvo, legítimo. Devemos envidar todos os esforços para falar à nossa geração. Vejo neste propósito seu uma intenção missionária, que aprecio e com a qual concordo.
Mas, se você pudesse ver hoje o resultado de sua estratégia, desconfio que ficaria desconsolado em ver que não funcionou como você queria. Seria injusto acusá-lo de esvaziar as igrejas na Europa, Estados Unidos e outros locais. A secularização geral da Europa também contribuiu para isto. Mas o fato é que onde suas idéias mais radicais foram adotadas por professores liberais de teologia e pastores, as igrejas secaram, se esvaziaram e morreram. Pode ter sido coincidência. Mas a verdade é que este homem moderno, por mais científica que seja sua mentalidade, quando ele vai aos domingos para a igreja, quer saber como pode alcançar paz interior, perdão para sua consciência culpada, reconciliação com Deus e ter esperança da vida eterna – coisas que o Jesus histórico com sua mensagem existencialista que você apresentou, depois de despi-lo de sua divindade, não pode oferecer.
Se você pudesse ver alguns de seus seguidores hoje entenderia melhor o que eu quero dizer. Uma parte deles não consegue contribuir em nada para a Igreja, o que era sua intenção inicial, caro Rudolf. Eles acabam virando acadêmicos, dando aulas em escolas de teologia secularizadas ou nos seminários das denominações históricas e tradicionais, onde nem sempre dizem o que pensam (há exceções, é claro). Não ouvi ainda falar de algum que seja um pastor reconhecido, plantador de igrejas, evangelista, que ame missões e que tenha feito sua igreja crescer - embora eu deva reconhecer que conheço alguns fundamentalistas que também são assim, secos e infrutíferos. Mas, a diferença, caro doutor, é que um pastor liberal (é assim que chamamos, certo ou errado, quem adota suas idéias) que não planta igrejas, não evangeliza, não tem interesse em missões, está sendo coerente com aquilo que acredita; enquanto que um pastor conservador que não planta igrejas, não evangeliza nem tem interesse em missões está sendo inconsistente para com o Cristianismo histórico tradicional.
Eu gostaria de poder lhe dizer que suas idéias morreram e que hoje praticamente não tem mais ninguém que seriamente as defenda. Mas, não, não posso dizer isto. Lembra do Karl Barth, que viveu na sua época, e com quem você trocou correspondências por mais de 30 anos? Vocês dois tinham muita coisa em comum, embora também diferenças. Pois é, acho que ele acabou levando a melhor, pois muitos de teus discípulos acabaram virando bartianos ou neo-ortodoxos – é assim que os chamamos – e embora falem a língua dos ortodoxos (daí o nome neo-ortodoxia) ainda conservam em grande parte aquele seu ceticismo radical para com a veracidade e historicidade do Novo Testamento. Estes neo-ortodoxos detestam ser identificados como liberais, mas ao final, não sendo realmente uma nova ortodoxia, o melhor nome para eles deveria ser neo-liberais mesmo.
Por último, não poderia deixar de lhe dizer que a premissa maior de seu programa de desmitologização – aquela de que o homem moderno tem uma mentalidade científica e não acredita mais em milagres – acabou se provando falsa: o homem moderno continua cada vez mais religioso, apesar dos esforços dos ateus evangelistas (não que você tenha sido ateu), como Richard Dawkins, Sam Harris e Christopher Hitchens, e do crescimento da mentalidade secularizada no mundo ocidental.
Termino aqui. Espero sinceramente não ter entendido mal as coisas que você escreveu. Digo isto, pois mostrei o esboço desta carta a um amigo, um jovem, erudito, inteligente e capaz teólogo, seu admirador, e ele me disse que discordava totalmente de mim. Não tivemos tempo de aprofundar nossa conversa e discutir os pontos de discordância. Mas, pelo que tenho lido das tuas obras, acredito que não fui injusto para com tuas idéias.
Sinceramente,
Augustus

Veja aqui resenha minha de uma das obras críticas de Bultmann sobre o Novo Testamento

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domingo, setembro 06, 2009

Augustus Nicodemus Lopes

Gays e Lésbicas praticantes agora podem ser Ministros do Evangelho na Igreja Luterana Americana

Por     52 comentários:

Leiam aqui a notícia sobre a decisão recente da maior Igreja Luterana dos Estados Unidos de confirmar gays e lésbicas praticantes como pastores e bispos luteranos. Antes, eles eram aceitos somente se permanecessem no celibato. A reunião foi presidida pelo bispo Mark Hanson (foto).

Não pretendo neste post entrar na questão da homossexualidade como uma quebra do padrão bíblico para a família, indivíduo e sexualidade. Quem quiser ler sobre isto, faça uma busca aqui no blog da palavra "homossexual" e encontrará diversos posts sobre o assunto. O que eu quero destacar é que a Igreja Luterana dos Estados Unidos, ao decidir pela maioria de seus representantes que gays e lésbicas podem ser ministros do Evangelho, estava simplesmente levando o liberalismo teológico às suas últimas conseqüências lógicas.

Sim, a ELCA (Igreja Evangélica Luterana da América) é outra daquelas igrejas históricas oriundas da Reforma que abandonaram a visão dos Reformadores quanto às Escrituras e sua autoridade e adotou o método crítico de interpretação. Para os que lêem inglês, vejam o que a ELCA pensa sobre a Bíblia. Em resumo, para os que não lêem inglês, a ELCA acredita que:

1) A Bíblia é o mais importante meio de Deus revelar seu ser e sua presença. Não é sua revelação exclusiva, uma vez que a ELCA é ecumênica e acredita que existe salvação em outras religiões.

2) A Bíblia contém a história da interação de Deus com os homens. Nada mais que isto. Ela não é a Palavra de Deus, mas o registro humano daquilo que os judeus e os cristãos acreditavam sobre Deus.

3) Como tal, este registro é falível e contém erros. Nele encontramos o reflexo dos preconceitos da época em que a Bíblia foi escrita. Este registro é por vezes contraditório internamente, pois os escritores da Bíblia registraram idéias diferentes e contraditórias sobre Deus, sua palavra, caminhos e vontade.

4) Quem pode dizer o que é certo ou errado dentro da Bíblia é a Igreja, a comunidade do Cristo. Este é o critério os luteranos americanos para aceitar ou rejeitar partes da Bíblia. Se alguma coisa edifica e leva a Cristo, então é de Deus. Se não, é coisa humana. E se perguntarmos qual o critério para decidirmos, por exemplo, que a homoafetividade edifica e leva à Cristo, a resposta será “aquilo que a Igreja decidir”.

5) Nos gêneros literários da Bíblia temos lendas de heroísmo e "estórias", outro nome para mitos. Entre estes a ELCA certamente coloca o nascimento virginal de Jesus -- assunto que ela declara estar aberto para discussão -- e a ressurreição de Jesus, que para eles não é um fato da história.

Quando uma igreja adota esta visão liberal da Bíblia é só uma questão de tempo até começar a rejeitar o ensino bíblico sobre o homossexualismo. Todas as igrejas ditas cristãs e que hoje aceitam que homossexuais praticantes sejam pastores e bispos são também igrejas que adotaram o método crítico e o liberalismo teológico em primeiro lugar: A Metodista Unida dos Estados Unidos, a Presbiteriana dos Estados Unidos, a Episcopal americana e agora a Luterana, também nos Estados Unidos. Na Europa, o padrão é o mesmo.

É preciso ressalvar que nem todos os pastores e membros destas igrejas concordam com isto. Houve rachas, dissensões, protestos, por parte das minorias discordantes. Todavia, estas minorias não têm força para lutar dentro de denominações que já rejeitaram a idéia de um cânon definido, inspirado, autoritativo e infalível, única regra de fé e prática.

É fácil ver que a ordenação de gays e lésbicas como ministros do Evangelho é fruto do liberalismo teológico. Uma vez que boa parte da sociedade já aceita o homossexualismo como algo natural, normal e até desejável, resolve-se que aquelas partes da Bíblia que caracterizam a homossexualidade como desvio moral e abominação sejam consideradas como mais um reflexo do preconceito cultural da época, a opinião pessoal dos escritores, mas jamais como uma norma, um conceito ou uma verdade de Deus, válida para todas as épocas e culturas. E assim a Igreja passa a julgar a Bíblia e decidir o que vale e o que não vale para hoje, a partir do seu entendimento da sociedade, da cultura e da época.

É claro que há coisas na Bíblia que são reflexo da cultura do Antigo Oriente, onde ela foi escrita, como saudar com beijos, usar véu, a escravidão e a poligamia. Contudo, saudação com ósculo santo e uso do véu não estão na mesma categoria de relações sexuais. A poligamia já é claramente abolida no Novo Testamento, onde também estão plantadas as sementes para a abolição da escravidão. O tema da homossexualidade, contudo, é tratado uniformemente, no Antigo Testamento e no Novo Testamento como uma questão moral e espiritual que tem raízes na natureza corrompida e decaída do ser humano.

O liberalismo teológico está firmemente plantado no coração de várias denominações históricas no Brasil. As sementes estão lá. Cedo ou tarde elas amadurecerão e seu fruto não será diferente do que tem acontecido com as igrejas nos Estados Unidos e Europa, que durante décadas ensinaram o método histórico-crítico em seus seminários. Já ficou claro historicamente quais as conseqüências morais uma vez que se rejeita a autoridade e infalibilidade da Escritura: não existem valores morais que sejam absolutos e intocáveis.

[Vejam aqui o meu comentário quando a PCUSA (Igreja Presbiteriana dos Estados Unidos) passou a aceitar gays e lésbicas como membros comungantes de suas igrejas locais.]

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quarta-feira, outubro 01, 2008

Augustus Nicodemus Lopes

Por Que Seminaristas Costumam Perder a Fé Durante os Estudos Teológicos

Por     77 comentários:


Não quero dizer que acontece com todos. Mas, acontece com muitos. Conheço vários casos, inclusive próximos a mim, de jovens cristãos fervorosos, dedicados, crentes, compromissados com Deus, que gostavam de orar e ler a Biblia, que evangelizavam em tempo e fora de tempo, e que depois de entrar no seminário ou faculdade de teologia, esfriaram na fé, se tornaram confusos, críticos, incertos e até cínicos. Como Tomé, não conseguem crer (espero que ao final venham a crer, como graciosamente aconteceu com Tomé).

E isso pode acontecer até mesmo em seminários cujos professores são conservadores, que acreditam na Bíblia de capa a capa. Esse quase foi o meu caso. Após minha conversão em 1977, depois de uma vida desregrada e dissoluta, dediquei-me à pregação do Evangelho e a plantar igrejas. Larguei meu curso de Desenho Industrial na Universidade Federal de Pernambuco e fui trabalhar como obreiro no litoral de Olinda, pregando a uma comunidade de pescadores, depois no interior de Pernambuco entre plantadores de cana e finalmente entre viciados em droga em Recife. Todos me aconselhavam a fazer o curso de seminário e a me tornar pastor. Eu resistia, pois tinha receio de que quatro anos em um seminário iriam esfriar o meu ânimo, meu zelo, minha paixão pelas almas perdidas. Eu conhecia vários seminaristas e não tinha a menor intenção de me tornar como eles. Finalmente cedi. Entrei no seminário aos 24 anos de idade, provavelmente como um dos mais relutantes candidatos ao ministério que passara por aquelas portas. Tive professores muito abençoados que me ensinaram teologia, Bíblia, história, aconselhamento. Eram todos, sem exceção, homens de Deus, comprometidos com a infalibilidade das Escrituras e com a teologia reformada. Tenho tenho que confessar, porém, que nesse período, esfriei bastante. Perdi em parte aquele zelo evangelístico, a prática de dedicar várias horas diárias para ler a Bíblia e orar. O contato com a história da Igreja, a história das doutrinas, as controvérsias, afora a carga tremenda de leituras e trabalhos a serem feitos, tudo isso teve impacto na minha vida devocional. Pela graça de Deus, durante esse período me mantive ligado ao trabalho evangelístico, à pregação. Mantive-me em comunhão com outros colegas que também amavam o Senhor e juntos orávamos, discutíamos, compartilhávamos nossas angústias, alegrias, dificuldades e planos futuros. Saí do seminário arranhado.

Infelizmente esse não é o caso de muitos. Se o Mauro Meister quisesse, ele poderia dar testemunho aqui de como quase perdeu a fé em Deus e na Palavra quando entrou no seminário da denominação à qual ele pertencia antes de ser presbiteriano. Ele teve que tomar uma decisão: ficar e perder a fé, ou sair. Preferiu sair -- pelo que todos nós somos gratos! -- e fazer outro seminário. Além desses dois casos que eu mencionei, conheço vários outros de seminaristas, estudantes de teologia, que perderam a fé, o zelo, o fervor, a confiança, e que saíram do seminário totalmente diferentes daqueles jovens entusiasmados, evangelistas, que um dia entraram na sala de aula ansiosos por aprender mais de Deus e da sua Palavra.

Existem algumas razões pelas quais essa história tem se tornado cada vez mais comum. Coloco aqui as que considero mais relevantes, sempre lembrando que muitos seminários e escolas de teologia levam muito a sério a questão da ortodoxia bíblica e do cultivo da vida espiritual de seus alunos. Não é a eles a que me refiro aqui.

1) Acho que tudo começa quando as denominações mandam para os seminários e faculdades de teologia jovens que não têm absolutamente a menor condição de serem pastores, professores, obreiros e pregadores. Muitos são enviados sem qualquer preparo intelectual, espiritual e emocional. Alguns mal fizeram 17 anos e foram enviados simplesmente porque eram líderes destacados dos adolescentes de sua igreja, eram líderes do grupo de louvor ou filhos de pessoas influentes da igreja. Não é sem razão que Paulo orienta que o líder não pode ser neófito, isto é, novo na fé (1Tim 3.6). Eles não têm a menor estrutura intelectual, bíblica e emocional para interagir criticamente com os livros dos liberais e com os professores liberais que vão encontrar aos montes em algumas das instituições para onde serão mandados. Não estarão inoculados preventivamente contra o veneno que professores liberais costumam destilar em sala de aula. E nem têm ainda maturidade para estudar teologia como se fosse uma disciplina qualquer, até mesmo quando ensinada por professores conservadores que mal oram em sala de aula.

2) Acho também que a culpa é das denominações que mantêm professores liberais ou conservadores frios espiritualmente nas cátedras de suas escolas de teologia. O que um professor que não acredita em Deus, nem que a Bíblia é a Palavra de Deus, não ora, tem para ensinar a jovens que estão na sala de aula para aprender mais de Deus e de sua Palavra? Há seminários e escolas de teologia que mantêm no corpo docente professores que nem vão mais à uma igreja local, que usam o título de pastor apenas para ocupar uma vaga na cátedra dos seminários. Nunca levaram ninguém a Cristo e nem estão interessados nisso. Não têm vida de oração, de piedade. Que exemplo eles poderão dar aos jovens que sentam nas salas de aula com a mente aberta, ansiosos e desejosos de ter modelos, exemplos de líderes para começar seus próprios ministérios?

3) Alguns desses professores têm como alvo pessoal destruir a fé de todos os seus estudantes antes mesmo que terminem o primeiro ano de estudos. Começam desconstruindo o conceito de que a Bíblia é a infalível e inspirada Palavra de Deus. Com grandes demonstrações de sapiência e erudição, eles mostram os erros da Bíblia e o engano da Igreja Cristã, influenciada pela filosofia grega, em elaborar doutrinas como a Trindade, a Divindade de Cristo, a Expiação. Mesmo sem usar linguagem direta -- alguns usam, todavia -- lançam dúvidas sobre a ressurreição literal de Cristo de entre os mortos. A pá de cal na sepultura da fé desses meninos é a vida desses professores. Além de não terem vida devocional alguma, alguns deles ensinam os seus pobres alunos a beber, fumar e freqüentar baladas e outros locais. Eles até lideram o grupo Noé (que se encheu de vinho) e o grupo Isaías ("e a casa se encheu de fumo") nos seminários!!

4) Bom, acredito que uma fé que pode ser destruída deve ser destruída mesmo, pois não era autêntica e nem sólida. Quanto mais cedo ela for destruída e substituída por uma fé robusta, enraizada na Palavra de Deus, melhor. Acontece que os professores liberais e os professores conservadores mortos só sabem destruir; eles não têm a menor idéia de como ajudar jovens candidatos ao ministério pastoral a cultivar uma mente educada, uma fé robusta e uma vida de devoção e consagração a Deus: os primeiros, porque lhes falta fé; os segundos, devoção. Ao fim de quatro anos de estudo com professores assim, vários desses jovens saem para serem pastores, mas intimamente -- alguns, abertamente -- estão cheios de dúvidas quanto à Bíblia, quanto a Deus e quanto às principais doutrinas da fé cristã. Estão confusos teologicamente, incertos doutrinariamente e cínicos devocionalmente. Quando entraram nos estudos teológicos, eram jovens que tinham como a missão principal de sua vida pregar o Evangelho, glorificar a Deus e ganhar o mundo para Cristo. Agora, após quatro anos debaixo de professores liberais ou conservadores mortos, seu único alvo é conseguir campo para ganhar o pão de cada dia e sustentar-se e à família. Esse tipo de motivação destrói igrejas em curto espaço de tempo.

5) Não podemos deixar de lembrar que ao final, se trata de uma guerra espiritual feroz, em que Satanás tenta de todos os modos corromper a singeleza e sinceridade da fé em Cristo, atacando a mente e o coração dos futuros pastores (2Cor 11:3). Usando professores sem fé e professores sem vida espiritual, ele procura minar as convicções, a certeza, o fervor e a dedicação dos jovens que se preparam para o ministério. Aqui é pertinente o lema de Calvino, orare et labutare. Pela oração, os seminaristas poderão escapar da tendência dos estudos teológicos de transformar nossa fé em um esquema doutrinário seco. E pela labuta nos estudos poderão se livrar das mentiras dos professores liberais, neo-ortodoxos, libertinos e marxistas.

Eu daria as seguintes sugestões a quem pensa em fazer teologia e depois seguir a carreira pastoral.

  • Verifique suas motivações. O que lhe leva a desejar o pastorado? Muitos querem ser pastores porque não conseguem ser mais nada na vida. Não conseguem passar no vestibular para outras carreiras e nem conseguem emprego. Vêem o pastorado como um caminho fácil para ter um emprego.
  • Procure saber qual a opinião de seus pais, de seus pastores, e de seus amigos mais chegados, que terão coragem de lhe dizer a verdade.
  • Seja honesto consigo mesmo e responda: você já levou alguém a Cristo? Você tem liderança? Você tem facilidade de comunicação em público e em particular?
  • Você tem uma vida devocional firme, constante, sólida, em que lê a Bíblia e ora, buscando a face de Deus, com zelo e fervor? Cultiva uma vida santa e reta diante de Deus, odeia o pecado e almeja ser mais e mais santo em seu caminhar?

Um colega de seminário me lembrou recentemente que uma das coisas que o impediram de perder a fé e o fervor durante o tempo de estudos foi que ele tenazmente se aproximou dos professores conservadores que eram espirituais, dedicados, fervorosos, que valorizavam a vida com Deus e a santidade. A comunhão com esses homens de Deus foi um refrigério para ele, e funcionou como uma âncora nos momentos de tentação e crise.

Lamento pelos jovens que perdem sua fé ou seu amor a Deus durante os anos de estudos teológicos. Lamento mais ainda pelas igrejas onde eles vão trabalhar e onde plantarão as mesmas sementes de incredulidade e frieza que foram semeadas em sua mentes abertas e despreparadas por professores que não tinham fé ou não tinham zelo.

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