Mostrando postagens com marcador teismo aberto. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador teismo aberto. Mostrar todas as postagens

quarta-feira, janeiro 06, 2010

Mauro Meister

“O Deus que intervém não existe”



          Renato Vargens publicou um post sobre o deus do teísmo aberto: Eu não acredito no Deus do teísmo aberto. É uma crítica à teologia do inglês Tom Honey. Como Vargens, também não acredito nesse deus, mas parece que ele está se tornando popular. Recentemente foi divulgado no Brasil um texto trazendo a expressão que "o Deus que intervem não existe", defendendo um Deus que lamenta, se solidariza, mas não intervem no curso da história. Essa é mais uma investida do teísmo aberto com ares tupiniquins, trazida por pensadores brasileiros que têm recebido fama e acolhida em muitas revistas evangélicas e circuitos de palestras.

          O "Deus que intervém" (tradução do título de um livro de Francis Schaeffer para o português – "The God Who Is There") é o Deus da Bíblia e só posso supor que o deus do teísmo aberto não é o Deus da Bíblia. Fico pensando que esse deus é um outro deus e não o Deus que ao longo da história mostrou-se, ao intervir, o Senhor dela, apesar da visível dor humana que tanto nos marca. O problema do deus do teísmo aberto é a sua incapacidade de intervir.

          Mas, segundo a Escritura, a intervenção de Deus, no que podemos conhecer dela, começa na criação, ainda que tenha nos amado antes da própria fundação do mundo. A partir de então, não parou de intervir, seja falando, agindo, alterando, mudando, fazendo tudo o que condiz com os seus propósitos eternos. Se a Escritura é de fato a Palavra de Deus, sua revelação, então o Deus que intervém existe e foi o Deus de Jó, homem que sofreu profundamente para aprender quem Deus é e que, finalmente, pode ver a Deus. Mesmo tendo sofrido, viu a graça do Deus que intervém restaurando-lhe.

          O Deus da Bíblia é o Deus que é todo amor e justiça, verdade e misericórdia. É o Deus que ama e que é ofendido pelo pecado humano, ao contrário da caricatura criada pelo teísmo aberto, e que pode estar impregnada na mente de muitas pessoas. Aliás, o pecado é a grande ofensa contra Deus e não há como ler a Escritura sem perceber isto. É interessante notar que os teólogos do teísmo aberto tentam usar a Bíblia para provar o improvável por meio dela: 'o deus que intervém não existe.
Aliás, há uma ironia aqui: O livro de Schaeffer que teve o título traduzido como "O Deus que intervém", literalmente chama-se "O Deus que está lá", o que não faria tanto sentido na língua portuguesa. Schaeffer escreveu o livro com este nome exatamente para mostrar que na cultura do final do século XX, influenciada pelos muitos anos do desenvolvimento científico e cultural do ocidente, Deus tornou-se uma construção ideológica e não o Deus da Bíblia. O Deus que intervém e revelou-se em Jesus Cristo foi transformado pelo racionalismo humanista em um deus impotente, facilmente substituído pela capacidade humana.
Na sequência da famosa trilogia de Schaeffer, ele escreveu "He is there and He is not Silent" ("Ele está lá e não está calado"), traduzido no Brasil como "O Deus que se revela", exatamente para mostrar que este Deus todo poderoso, o El-Shaddai, sempre controlou a história e se revela, trazendo esperança ao homem. O livro de Schaeffer trata a respeito deste Deus fazendo uma defesa da epistemologia do cristianismo histórico e bíblico, de "como podemos vir a saber e como podemos saber que sabemos". O deus do teísmo aberto, aparentemente se revela só no sofrimento, é fraco, incapaz de alterar qualquer coisa na história. Quando esse deus vê o sofrimento e a tragédia humana, como os acontecimentos recentes das mortes em Ilha Grande, Angra dos Reis, no Rio de Janeiro, só pode chorar, sem fazer nada. A meu ver, é a Morte da Razão tentar defender um deus como esse (o terceiro livro na trilogia de Schaeffer).

          O Deus da Bíblia é o Deus de Abraão, Isaque e Jacó; o Deus de Moisés, Davi, Isaías e Jeremias; o Deus de milhares que foram levados para o cativeiro, anonimamente, sofrendo e, ao mesmo tempo, consolados pela sua presença e certeza de que os traria de volta, senão eles mesmos, os seus filhos, porque ele disse que os traria; o Deus de Daniel, um cativo 'de elite' que, ao perceber que havia chegado a hora que Deus disse que iria intervir, orou reconhecendo os seus pecados e os de seu povo e rogando que Deus agisse de acordo com sua eterna aliança (Daniel 9). Se o sofrimento do povo de Israel na ida para o cativeiro não foi para cumprir os propósitos de Deus, vamos ter que arrancar a metade dos escritos dos profetas da Bíblia (Isaías, Jeremias, Habacuque, etc.). Mas o Deus que intervém ordena a sua bênção para sempre (Salmo 133), bênção esta iniciada na ordem Edênica (Gênesis 1.28) e alcançada em Cristo, sempre para cumprir o seu eterno propósito.

          O deus do teísmo aberto não passa de uma imagem construída por homens e, como caricatura, é uma péssima obra de arte. Mas, o Deus da Bíblia já enviou a sua imagem perfeita (Hebreus 1.3) para que conhecêssemos o perdão dos pecados, a sua intervenção na história e, finalmente, a redenção de todos os seus eleitos. Assim como fez no passado, continua a intervir hoje, pois ele sempre foi, é, e será o mesmo Deus, queiram os homens ou não.

          O deus do teísmo aberto não é o deus da Bíblia e não é o deus daqueles que de fato creem nela. O eterno propósito desse deus é chorar com os homens. Pobre deus, pobres homens que acreditam nele.
Para saber mais sobre o teísmo aberto, recomendo o livro de John Frame, "Não há outro Deus" (Cultura Cristã) e também o artigo na Fides Reformata, A TEOLOGIA RELACIONAL: SUAS CONEXÕES COM O TEÍSMO ABERTO E IMPLICAÇÕES PARA A IGREJA CONTEMPORÂNEA. (Valdeci Santos)
Leia Mais

sábado, agosto 11, 2007

Augustus Nicodemus Lopes

Mais Duas Obras no Mercado Analisando a Teologia Relacional

Por     17 comentários:


Mais dois livros analisando a Teologia Relacional chegam ao público evangélico brasileiro, somando-se á obra publicada pela Editora Vida, "Teísmo Aberto" de John Piper. A Vida é uma editora pentecostal e o prefácio foi escrito por um pastor metodista.


Os dois novos títulos são "Não Sei Mais em Quem Tenho Crido", uma coletânea de artigos de Sproul, MacArthur e outros, organizada por Douglas Wilson, e "Não Há Outro Deus", por John Frame. Ambos foram publicados pela Editora Cultura Cristã, de linha reformada.




Essas obras chegam em boa hora para o público evangélico que busca orientação segura sobre essa teologia que tem encontrado resistência tanto da parte de evangélicos arminianos e pentecostais, quanto da parte de calvinistas e reformados.


Todas essas obras expõem as idéias formadoras dos conceitos da teologia relacional ou teísmo aberto e confrontam essas idéias com os ensinamentos bíblicos, chegando à conclusão de que se trata de um desvio fundamental do conceito bíblico de Deus.


Os livros podem ser adquiridos por esses links:



Leia Mais

quarta-feira, agosto 08, 2007

Augustus Nicodemus Lopes

Pastores e Igrejas da Betesda Rompem com a Teologia Relacional

Por     61 comentários:



A notícia saiu no Diário do Nordeste no dia 07 de agosto de 2007, um jornal que circula principalmente na região de Fortaleza. Outras fontes dão conta de que juntamente com a família Siqueira, saíram também cerca de 40 pastores com suas igrejas.


Rachas e cismas sempre trazem dor e sofrimento às igrejas locais. Trazem também prejuízo para a imagem do Evangelho diante do povo. Todavia, a nota de esclarecimento deixa claro que os motivos para a saída do grupo foram estritamente teológicos: eles estão rompendo com a teologia relacional, e pelas razões corretas.


Apesar de terem errado o nome de Paulo Brabo (saiu como Paulo Brado), impressiona a percepção, a clareza e a firmeza teológica dos fundadores originais da Assembléia de Deus Betesda, o que nos inspira e anima, numa época de tibieza e indecisão doutrinárias.
Leia Mais

segunda-feira, abril 23, 2007

Augustus Nicodemus Lopes

Meu Caro Ricardo Gondim,

Por     55 comentários:
Alguns amigos me disseram que você tinha feito referência a meu artigo “Teologia Relacional – Um Novo Deus no Mercado” publicado no site Teologia Brasileira. A referência – na verdade, várias críticas – foram feitas em um artigo recente seu, “Teologia Relacional – Que Bicho é Esse”. Fui dar uma olhada, e era verdade mesmo.

Ricardo, acho que você escolheu o artigo errado para criticar em defesa de suas idéias já bem conhecidas do povo evangélico brasileiro. Meu artigo é pequeno e irrelevante diante de obras de maior peso prestes a serem lançadas no mercado brasileiro que analisam e expõem as falácias da teologia que você adotou, quer a chame de teísmo aberto ou relacional. Você deveria ter guardado sua artilharia para “Não sei mais em quem tenho crido,” organizado por Douglas Wilson, e “Não Há Outro Deus” de John Frame (a serem lançadas pela Cultura Cristã). E enquanto esses livros não saem, poderia ter atacado “Soberania Banida” do Wright ou o excelente artigo do Dr. Heber Campos, “O teísmo aberto – um ensaio introdutório” na revista Fides Reformata, ou mesmo o livro “O Teísmo Aberto”, de John Piper (Vida). Quando você refutar os argumentos de obras desse calibre, se conseguir, sua teologia poderá ficará mais fortalecida e quem sabe você volte a ter o reconhecimento que costumava ter entre os evangélicos brasileiros, embora eu imagine que você não se interessa, pois já escreveu que não se importa com o impacto de suas palavras.

Bom, mas o fato é que você, certo ou errado, resolveu escolher-me como representante dos seus críticos, pelo menos nesse artigo seu. No artigo você promete esclarecer a diferença entre teologia relacional, termo criado por você e um amigo, e o teísmo aberto. O artigo fica devendo, pois não faz nenhuma diferença entre as duas coisas. Você pode ter inventado o termo “teologia relacional” (o que eu tenho dúvidas, pois Pinnock usa o termo "relational theology" no mesmo sentido de "open theism" -- veja http://www.ctr4process.org/affiliations/ort/ORTPinnock.pdf), mas o conteúdo continua o mesmo do teísmo aberto. Se sobrou originalidade na cunhagem do termo, ela faltou no preenchimento do conceito. Logo fica claro, quando essa distinção não é feita, que o objetivo do artigo é desacreditar partes do que eu escrevi.

Eu poderia responder seu artigo ponto a ponto, a começar pelo estranho fato de que na tentativa de resgatar o caráter relacional de Deus você acaba tornando-o num Deus distante e ausente. Mas, vou concentrar-me apenas nas partes do seu artigo em que sou mencionado.

1. Você diz que “infelizmente, pela fragilidade de seus argumentos, parece que ele [Nicodemus] nunca leu as obras originais de Clark Pinnock, John Sanders ou Gregory Boyd, apenas o que seus críticos publicaram na internet”. O “argumento” a que você se refere é a declaração que eu fiz em meu artigo:

Os pontos principais [da Teologia Relacional] podem ser resumidos desta forma: 1) O atributo mais importante de Deus é o amor. Todos os demais estão subordinados a este. Isto significa que Deus é sensível e se comove com os dramas de suas criaturas.
Obviamente, não li todas as obras deles (você as leu?), mas li o suficiente para formar a minha opinião. E conheço a posição de outros que você nem menciona, como Richard Rice, outro proponente do Teísmo Aberto. Em seu artigo “Biblical Support for a New Perspective”, publicado num livro de teístas abertos, ele cita um leque eclético de neo-ortodoxos e liberais, tais como Heschel, Barth, Brunner, Kasper e Pannenberg para apoiá-lo na afirmação que o amor “é mais importante que todos os outros atributos de Deus”, até mesmo “mais fundamental… O amor é a essência da realidade divina, a fonte básica da qual se originam todos os atributos de Deus” (o artigo está no livro The Openness of God [A Abertura de Deus], com capítulos de Clark H. Pinnock, John Sanders, William Hasker e David Basinger, de 1994. A citação que estou fazendo é da página 21). Se quiser uma citação de Pinnock, nessa mesma obra, aqui vai:

Podemos entender Deus como sendo um pai que se preocupa, com atributos de amor e receptividade, generosidade e sensibilidade, abertura e vulnerabilidade, uma pessoa (ao invés de um princípio metafísico) que se aventura no mundo, reage ao que lhe sucede, se relaciona conosco e interage dinamicamente com os humanos (num artigo na obra citada acima, página 103).

Pinnock faz essa declaração apresentando o modelo de Deus-amor em contraste com o modelo cristão tradicional (que ele caricaturiza). Acho que você mesmo deixou claro em seu artigo que a Teologia Relacional começa pelo amor de Deus para daí justificar sua ausência, seu auto-esvaziamento, etc. Talvez você possa dar uma lida em tudo isso, para ver que o meu resumo é bastante fiel.

2. Ricardo, você diz “Portanto, Nicodemus fez uma afirmação inconsistente com a revelação judaico-cristã de Deus como Pessoa, nunca defendida pelos escritores do teísmo aberto ou por qualquer outro teólogo que eu já tenha lido.” Eu não fiz afirmação alguma a não ser reproduzir o que defensores do Teísmo Aberto dizem sobre o amor de Deus. Se há inconsistência, é entre os que eles declaram e a revelação judaico-cristã de Deus como Pessoa. Como eu mostrei acima, teólogos do teísmo aberto (que você cita como se fosse a mesma coisa que teologia relacional, contradizendo a afirmação prévia que as duas coisas seriam diferentes) defendem, sim, o amor de Deus como atributo mais importante. A verdade, Ricardo, é que você aparentemente leu poucos teólogos, ou somente os que lhe interessam.

3. Você diz “Não conheço ninguém que, ao tentar descrever uma pessoa, consiga catalogá-la, como dona de um ‘atributo mais importante’, como: honestidade, justiça, bondade ou amor”. Pois é, Ricardo, então deixa eu te apresentar os seguintes teólogos, filósofos e estudiosos que defenderam um ou outro atributo mais importante em Deus:

- Duns Scotus: infinitude
- Gordon Clark: asseidade
- Cornelius Jansenius: veracidade
- Saint-Cyran: onipotência
- Socinianos: vontade
- Hegel: razão
- Jacobi, Lotze, Dorner e outros: personalidade absoluta
- Ritschl: amor

Outros, mesmo não apontando um atributo mais importante como os acima, puseram ênfase em um único atributo de Deus, como Barth sobre “amor na liberdade”, Buder e Brunner na “pessoa”, e Moltmann na “futuridade”. Como você vê, o fato de você não conhecer alguma coisa não quer dizer que não exista. Quando os teólogos relacionais e/ou abertos destacam o amor de Deus acima de sua, por exemplo, onisciência, estão fazendo a mesma coisa que outros teólogos já fizeram antes deles, com outros atributos de Deus.

4. Você faz uma representação totalmente falsa do que eu escrevi quando diz “Sua próxima frase [de Nicodemus] vai negar noções intuitivamente percebidas pela grande maioria dos evangélicos: Deus é afetuoso, sim”. E em seguida, apresenta a prova do crime: “III) “Isto significa que Deus é sensível e se comove com os dramas humanos”. Para que os leitores julguem se eu realmente neguei que Deus se comove com os dramas humanos e que defendo a passividade divina, reproduzo aqui outra vez minha frase no contexto:


Os pontos principais [da Teologia Relacional] podem ser resumidos desta forma: (1) O atributo mais importante de Deus é o amor. Todos os demais estão subordinados a este. Isto significa que Deus é sensível e se comove com os dramas de suas criaturas.

Vou lhe dar crédito porque nesse ponto do meu artigo, em que me limito a reproduzir o pensamento da teologia relacional, não disse se concordo ou discordo que Deus é sensível e se comove com suas criaturas. Na verdade, eu concordo, sim. Não poderia ser diferente, diante da revelação bíblica. O que eu não posso é tomar a sensibilidade, a ternura e o amor de Deus para anular sua onisciência, sua onipotência, sua imutabilidade e sua soberania, todos igualmente revelados na mesma Bíblia. Eu leio o que você escreve, mas aparentemente você não lê o que eu escrevo. Se lesse, saberia que eu jamais negaria o que a Bíblia diz sobre o amor, a sensibilidade e a ternura de Deus. Se você tiver tempo, enquanto luta com suas dúvidas intermináveis, leia um artigo meu aqui no blog Tempora-Mores, intitulado “Mais de Cinco Pontos do Meu Calvinismo”, do qual reproduzo apenas um parágrafo:

Creio que Deus é soberano e bom, mas não tenho respostas lógicas e racionais para a contradição que parece haver entre um Deus soberano e bom que governa totalmente o universo, por um lado, e por outro, e a presença do mal nesse universo. Diante da perversidade e dos horrores desse mundo, alguns dizem que Deus é soberano mas não é bom, pois permite tudo isto. Outros, que ele é bom mas não é soberano, pois não consegue impedir tais coisas. Para mim, a Bíblia diz claramente que Deus não somente é soberano e bom – mas que ele é santo e odeia o mal. Ao mesmo tempo, a Bíblia reconhece a presença do mal do mundo e a realidade da dor e do sofrimento que esse mal traz. Ainda assim, não oferece qualquer explicação sobre como essas duas realidades podem existir ao mesmo tempo. Simplesmente pede que as recebamos, creiamos nelas e que vivamos na certeza de que um dia ele haverá de extinguir completamente o mal e seus efeitos nesse mundo.

No início de seu artigo você disse que errou em expor suas dúvidas diante de teólogos com “convicções fortes,” uma “fé inabalável” e “afirmações irredutíveis”. Não acho que esse foi o seu erro. Todos temos muitas dúvidas e poucas respostas em diversos pontos, conforme você leu acima. E se você leu meu artigo até o fim, terá percebido meu último parágrafo:

Com certeza a visão tradicional de Deus adotada pelo cristianismo histórico por séculos não é capaz de responder exaustivamente a todos os questionamentos sobre o ser e os planos de Deus. Ela própria é a primeira a admitir este ponto. Contudo, é preferível permanecer com perguntas não respondidas a aceitar respostas que contrariem conceitos claros das Escrituras.
Seu erro não foi externar suas dúvidas, mas a natureza dessas dúvidas. Além do mais, será sempre questionável tentar passar às pessoas essas dúvidas como se elas fossem o padrão do cristianismo bíblico. Enquanto que eu e os evangélicos tradicionais – calvinistas e arminianos – sabemos em que temos crido, você atravessa um período em que questiona o conceito cristão de Deus quanto à sua onisciência, onipotência e soberania. Suas dúvidas o levaram muito além do antigo debate entre calvinistas e arminianos, a questionar a concepção cristã histórica de Deus.

Sinceramente,
Augustus
Leia Mais

terça-feira, março 20, 2007

Mauro Meister

Em meio ao caos aéreo a IGREJA EMERGENTE faz seu pouso oficial no Brasil

Acabo de receber em mãos uma amostra, contendo o primeiro capítulo, de A Mensagem Secreta de Jesus: desvendando a verdade que poderia mudar tudo, de Brian McLaren, o guru do movimento que se intitula Igreja Emergente (uma das primeiras publicações da Thomas Nelson Brasil). Para saber mais sobre o movimento, lhe remeto ao meu post Neo-ortodoxia emergente. Naquela ocasião, junho de 2006, pouco ou nada havia escrito em português, e, agora, já temos o primeiro livro do guru.

Para termos uma dimensão mais precisa do tema do livro, veja a apresentação:

Seria possível que a Igreja tenha entendido tudo errado e perdido a essência da mensagem de Jesus? McLaren nos convida para uma reflexão profunda que poderá mudar radicalmente nossas idéias e práticas espirituais.
O capítulo inicial de McLaren faz muitas perguntas honestas, do tipo 'pergunta que não quer calar'. Tudo parece que vai nos levar na direção de uma profunda reflexão bíblica e confrontadora. No entanto, não é o que vai acontecer no livro, não por causa dos temas propostos, mas por causa dos pressupostos adotados...

Por ser claramente um defensor da pós-modernidade e de uma leitura do cristianismo à luz da mesma, McLaren, apesar de propor 'clareza', é contraditório. Já citei anteriormente a forma como o autor pinta seu auto-retrato:

Por que eu sou um cristão missional, evangélico, pós protestante, liberal/conservador, místico/poético, bíblico, carismático/contemplativo, fundamentalista/calvinista, anabatista/anglicano, metodista, católico, verde, incarnacional, depressivo-mas-esperançoso, emergente e não-acabado. (Subtítulo do livro Generous Orthodoxy)

Logo, a reposta à apresentação do livro é: Sim, a igreja entendeu errado e perdeu a mensagem de Jesus. Concordo que, tanto ao longo da história quanto no presente momento, a igreja e as instituições que se chamam cristãs perderam muito da essência do ensino de Cristo, ao ponto de ser necessário avaliar tudo o que se chama 'cristão' com lupa antes de poder aceitar. No entanto, a proposta de McLaren é que o cristianismo verdadeiro só se manifesta quando 'emerge', no conceito pluralista, e, interessantemente, emerge no século XXI. Até então, a igreja não havia corretamente compreendido esta mensagem ou havia falsificado a mesma. Para explicar este fenômeno, McLaren afirma que na história antiga da igreja, logo no segundo século, "...a fé cristã teve uma virada fatal".
Segundo ele, no segundo século, a igreja deixou de ser uma seita judaica de continuidade e passou a ser uma religião gentílica anti-semita. Isto fez com que o cristianismo perdesse seu caminho (p. 211 da versão em inglês - como eu disse, só recebi o primeiro capítulo em português). O segundo erro da igreja teria sido o seu romance (um caso) com a filosofia grega, o que fez com que a mensagem de Jesus se perdesse em meio a uma série de abstrações. Em terceiro lugar, depois do divórcio com o judaismo e do romance com a filosofia, a igreja, então, casou-se, com o império de Constantino. A igreja perdeu a sua condição de ler os ensinos de Jesus como crítica do império (p. 212), afinal, estava casada com ele. Com este casamento, afirma McLaren, a igreja passou a assinar em baixo de todo o tipo de violência contra vários povos... E assim vai, são oito razões, ao todo, explicando a razão da igreja, ao longo de 18 séculos, não ter encontrado a mensagem secreta de Jesus.

A linha de pensamento de McLaren não deixa de ter sua lógica e despertar interesse no leitor. Apesar da aparente humildade, com a frases do tipo 'estamos sobre os ombros de gigantes', McLaren, carimba toda a história da igreja como uma sucessão de erros. Até agora, a Igreja só errou e o Senhor da Igreja, o Deus soberano, nada fez.Fica a clara impressão de que os filósofos emergentes estão bebendo diretamente da mesma fonte que os 'relacionais' ou do teísmo aberto, o pós-modernismo. Uns descobrem uma nova teologia, uma nova mensagem de Jesus ou outro deus...

Não posso negar que várias acusações históricas tem alguns ou vários pontos de verdade. Também não posso negar que as acusações presentes quanto a igreja em suas várias 'manifestações' sejam fundamentadas na realidade. O que não posso concordar é que 'tudo está errado' e que não há nada de bom na igreja histórica. Me parece um cântico que vem sendo entoado nos cultos nos últimos anos, por cristãos, a meu ver, não regenerados:

"Porque tudo o que há dentro de mim
Necessita ser mudado Senhor"
Leia Mais