segunda-feira, outubro 06, 2008

Augustus Nicodemus Lopes

Integrando Cristianismo e Educação

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Existe um grande número de instituições de ensino no Brasil que são cristãs, isto é, que procuram se orientar pelos princípios da fé cristã em sua atividade. A grande dificuldade que essas escolas encontram é a preparação dos professores, que são a peça chave nesse processo de educação cristã.

É com muita alegria, portanto, que divulgo aqui no nosso blog o curso “Fundamentos Cristãos da Educação”, uma pós graduação lato sensu oferecido pela Escola Superior de Teologia da Universidade Presbiteriana Mackenzie a partir de 2009. Até onde sei, é a primeira pós nessa área oferecida por uma Universidade de ponta.

O curso tem outros públicos-alvo em mente, além dos professores de escolas cristãs, que são os profissionais que atuam em organizações não governamentais, sejam estes professores, gestores educacionais ou capelães.

O curso terá três semestres de duração. As aulas serão oferecidas no Centro Histórico (foto) da Universidade Presbiteriana Mackenzie, as segundas e terças-feiras, das 18h30 às 21h30.

Os professores são cristãos evangélicos comprometidos com suas comunidades de fé, e altamente experientes na docência em nível superior:

- Prof. Dr. Alderi Souza de Matos


- Prof. Dr. Alysson Massote de Carvalho
- Prof. Dr. Carlos R. Caldas Filho
- Prof. Dr. Cleverson de Almeida
- Prof. Dr. Davi Charles Gomes
- Prof. Dr. Edson Pereira Lopes
- Prof. Dr. Fernando Capovilla
- Prof. Ms. Francisco Solano Portela Neto
- Prof. Dr. Hermisten Maia Pereira da Costa
- Profa. Dra. Inez Augusto Borges
- Prof. Ms. José Normando
- Prof. Dr. Marcel Mendes
- Prof. Dr. Marcos Eberlin
- Prof. Dr. Mauro F. Meister
- Prof. Dr. Ricardo Bitum
- Prof. Dr. Valdeci dos Santos
- Prof. Ms. Wilson do Amaral Filho
- Prof. Ms. Wilson Santana Silva

Serão oferecidas as seguintes disciplinas:

1) Metodologia e Técnicas da Pesquisa
2) Raízes Históricas da Educação Cristã (inclui História das Instituições Cristãs de Ensino)
3) Fundamentos Teológicos e Filosóficos da Educação
4) Introdução ao Pensamento Evangélico Reformado
5) Abordagens cristãs às áreas do conhecimento nas Ciências Exatas e Biológicas
6) Abordagens cristãs às áreas do conhecimento nas Ciências Humanas
7) Cosmovisão Cristã e a Teoria das Esferas
8) A Elaboração do Projeto Pedagógico e dos Currículos
9) Análise das Teorias Contemporâneas de Educação (inclui Análise da Base, Implicações e Influência do Construtivismo)
10) O ato de aprender e o conceito filosófico de “conhecimento”
11) Em busca de uma Pedagogia Cristã
12) Lidando com a diversidade em uma instituição de ensino confessional

Esse curso é uma resposta ao desafio trazido pela tendência no mundo acadêmico de entender o processo educacional e o ensino à parte dos pressupostos e convicções religiosos dos seus participantes. Não existe currículo neutro; ele sempre estará ligado à determinada compreensão do mundo, a uma filosofia educacional que tem a sua própria cosmovisão. Portanto, não se pode mais ignorar o papel das pré-convicções na pedagogia, na composição curricular, na escolha da bibliografia, do perfil dos docentes e nos objetivos a serem alcançados com a atividade educacional. O programa almeja integrar os pressupostos cristãos à atividade docente em todos os seus aspectos.

As inscrições estão abertas online, no site do Mackenzie: http://www.mackenzie.br/formacao_docente0.html

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quarta-feira, outubro 01, 2008

Augustus Nicodemus Lopes

Por Que Seminaristas Costumam Perder a Fé Durante os Estudos Teológicos

Por     77 comentários:


Não quero dizer que acontece com todos. Mas, acontece com muitos. Conheço vários casos, inclusive próximos a mim, de jovens cristãos fervorosos, dedicados, crentes, compromissados com Deus, que gostavam de orar e ler a Biblia, que evangelizavam em tempo e fora de tempo, e que depois de entrar no seminário ou faculdade de teologia, esfriaram na fé, se tornaram confusos, críticos, incertos e até cínicos. Como Tomé, não conseguem crer (espero que ao final venham a crer, como graciosamente aconteceu com Tomé).

E isso pode acontecer até mesmo em seminários cujos professores são conservadores, que acreditam na Bíblia de capa a capa. Esse quase foi o meu caso. Após minha conversão em 1977, depois de uma vida desregrada e dissoluta, dediquei-me à pregação do Evangelho e a plantar igrejas. Larguei meu curso de Desenho Industrial na Universidade Federal de Pernambuco e fui trabalhar como obreiro no litoral de Olinda, pregando a uma comunidade de pescadores, depois no interior de Pernambuco entre plantadores de cana e finalmente entre viciados em droga em Recife. Todos me aconselhavam a fazer o curso de seminário e a me tornar pastor. Eu resistia, pois tinha receio de que quatro anos em um seminário iriam esfriar o meu ânimo, meu zelo, minha paixão pelas almas perdidas. Eu conhecia vários seminaristas e não tinha a menor intenção de me tornar como eles. Finalmente cedi. Entrei no seminário aos 24 anos de idade, provavelmente como um dos mais relutantes candidatos ao ministério que passara por aquelas portas. Tive professores muito abençoados que me ensinaram teologia, Bíblia, história, aconselhamento. Eram todos, sem exceção, homens de Deus, comprometidos com a infalibilidade das Escrituras e com a teologia reformada. Tenho tenho que confessar, porém, que nesse período, esfriei bastante. Perdi em parte aquele zelo evangelístico, a prática de dedicar várias horas diárias para ler a Bíblia e orar. O contato com a história da Igreja, a história das doutrinas, as controvérsias, afora a carga tremenda de leituras e trabalhos a serem feitos, tudo isso teve impacto na minha vida devocional. Pela graça de Deus, durante esse período me mantive ligado ao trabalho evangelístico, à pregação. Mantive-me em comunhão com outros colegas que também amavam o Senhor e juntos orávamos, discutíamos, compartilhávamos nossas angústias, alegrias, dificuldades e planos futuros. Saí do seminário arranhado.

Infelizmente esse não é o caso de muitos. Se o Mauro Meister quisesse, ele poderia dar testemunho aqui de como quase perdeu a fé em Deus e na Palavra quando entrou no seminário da denominação à qual ele pertencia antes de ser presbiteriano. Ele teve que tomar uma decisão: ficar e perder a fé, ou sair. Preferiu sair -- pelo que todos nós somos gratos! -- e fazer outro seminário. Além desses dois casos que eu mencionei, conheço vários outros de seminaristas, estudantes de teologia, que perderam a fé, o zelo, o fervor, a confiança, e que saíram do seminário totalmente diferentes daqueles jovens entusiasmados, evangelistas, que um dia entraram na sala de aula ansiosos por aprender mais de Deus e da sua Palavra.

Existem algumas razões pelas quais essa história tem se tornado cada vez mais comum. Coloco aqui as que considero mais relevantes, sempre lembrando que muitos seminários e escolas de teologia levam muito a sério a questão da ortodoxia bíblica e do cultivo da vida espiritual de seus alunos. Não é a eles a que me refiro aqui.

1) Acho que tudo começa quando as denominações mandam para os seminários e faculdades de teologia jovens que não têm absolutamente a menor condição de serem pastores, professores, obreiros e pregadores. Muitos são enviados sem qualquer preparo intelectual, espiritual e emocional. Alguns mal fizeram 17 anos e foram enviados simplesmente porque eram líderes destacados dos adolescentes de sua igreja, eram líderes do grupo de louvor ou filhos de pessoas influentes da igreja. Não é sem razão que Paulo orienta que o líder não pode ser neófito, isto é, novo na fé (1Tim 3.6). Eles não têm a menor estrutura intelectual, bíblica e emocional para interagir criticamente com os livros dos liberais e com os professores liberais que vão encontrar aos montes em algumas das instituições para onde serão mandados. Não estarão inoculados preventivamente contra o veneno que professores liberais costumam destilar em sala de aula. E nem têm ainda maturidade para estudar teologia como se fosse uma disciplina qualquer, até mesmo quando ensinada por professores conservadores que mal oram em sala de aula.

2) Acho também que a culpa é das denominações que mantêm professores liberais ou conservadores frios espiritualmente nas cátedras de suas escolas de teologia. O que um professor que não acredita em Deus, nem que a Bíblia é a Palavra de Deus, não ora, tem para ensinar a jovens que estão na sala de aula para aprender mais de Deus e de sua Palavra? Há seminários e escolas de teologia que mantêm no corpo docente professores que nem vão mais à uma igreja local, que usam o título de pastor apenas para ocupar uma vaga na cátedra dos seminários. Nunca levaram ninguém a Cristo e nem estão interessados nisso. Não têm vida de oração, de piedade. Que exemplo eles poderão dar aos jovens que sentam nas salas de aula com a mente aberta, ansiosos e desejosos de ter modelos, exemplos de líderes para começar seus próprios ministérios?

3) Alguns desses professores têm como alvo pessoal destruir a fé de todos os seus estudantes antes mesmo que terminem o primeiro ano de estudos. Começam desconstruindo o conceito de que a Bíblia é a infalível e inspirada Palavra de Deus. Com grandes demonstrações de sapiência e erudição, eles mostram os erros da Bíblia e o engano da Igreja Cristã, influenciada pela filosofia grega, em elaborar doutrinas como a Trindade, a Divindade de Cristo, a Expiação. Mesmo sem usar linguagem direta -- alguns usam, todavia -- lançam dúvidas sobre a ressurreição literal de Cristo de entre os mortos. A pá de cal na sepultura da fé desses meninos é a vida desses professores. Além de não terem vida devocional alguma, alguns deles ensinam os seus pobres alunos a beber, fumar e freqüentar baladas e outros locais. Eles até lideram o grupo Noé (que se encheu de vinho) e o grupo Isaías ("e a casa se encheu de fumo") nos seminários!!

4) Bom, acredito que uma fé que pode ser destruída deve ser destruída mesmo, pois não era autêntica e nem sólida. Quanto mais cedo ela for destruída e substituída por uma fé robusta, enraizada na Palavra de Deus, melhor. Acontece que os professores liberais e os professores conservadores mortos só sabem destruir; eles não têm a menor idéia de como ajudar jovens candidatos ao ministério pastoral a cultivar uma mente educada, uma fé robusta e uma vida de devoção e consagração a Deus: os primeiros, porque lhes falta fé; os segundos, devoção. Ao fim de quatro anos de estudo com professores assim, vários desses jovens saem para serem pastores, mas intimamente -- alguns, abertamente -- estão cheios de dúvidas quanto à Bíblia, quanto a Deus e quanto às principais doutrinas da fé cristã. Estão confusos teologicamente, incertos doutrinariamente e cínicos devocionalmente. Quando entraram nos estudos teológicos, eram jovens que tinham como a missão principal de sua vida pregar o Evangelho, glorificar a Deus e ganhar o mundo para Cristo. Agora, após quatro anos debaixo de professores liberais ou conservadores mortos, seu único alvo é conseguir campo para ganhar o pão de cada dia e sustentar-se e à família. Esse tipo de motivação destrói igrejas em curto espaço de tempo.

5) Não podemos deixar de lembrar que ao final, se trata de uma guerra espiritual feroz, em que Satanás tenta de todos os modos corromper a singeleza e sinceridade da fé em Cristo, atacando a mente e o coração dos futuros pastores (2Cor 11:3). Usando professores sem fé e professores sem vida espiritual, ele procura minar as convicções, a certeza, o fervor e a dedicação dos jovens que se preparam para o ministério. Aqui é pertinente o lema de Calvino, orare et labutare. Pela oração, os seminaristas poderão escapar da tendência dos estudos teológicos de transformar nossa fé em um esquema doutrinário seco. E pela labuta nos estudos poderão se livrar das mentiras dos professores liberais, neo-ortodoxos, libertinos e marxistas.

Eu daria as seguintes sugestões a quem pensa em fazer teologia e depois seguir a carreira pastoral.

  • Verifique suas motivações. O que lhe leva a desejar o pastorado? Muitos querem ser pastores porque não conseguem ser mais nada na vida. Não conseguem passar no vestibular para outras carreiras e nem conseguem emprego. Vêem o pastorado como um caminho fácil para ter um emprego.
  • Procure saber qual a opinião de seus pais, de seus pastores, e de seus amigos mais chegados, que terão coragem de lhe dizer a verdade.
  • Seja honesto consigo mesmo e responda: você já levou alguém a Cristo? Você tem liderança? Você tem facilidade de comunicação em público e em particular?
  • Você tem uma vida devocional firme, constante, sólida, em que lê a Bíblia e ora, buscando a face de Deus, com zelo e fervor? Cultiva uma vida santa e reta diante de Deus, odeia o pecado e almeja ser mais e mais santo em seu caminhar?

Um colega de seminário me lembrou recentemente que uma das coisas que o impediram de perder a fé e o fervor durante o tempo de estudos foi que ele tenazmente se aproximou dos professores conservadores que eram espirituais, dedicados, fervorosos, que valorizavam a vida com Deus e a santidade. A comunhão com esses homens de Deus foi um refrigério para ele, e funcionou como uma âncora nos momentos de tentação e crise.

Lamento pelos jovens que perdem sua fé ou seu amor a Deus durante os anos de estudos teológicos. Lamento mais ainda pelas igrejas onde eles vão trabalhar e onde plantarão as mesmas sementes de incredulidade e frieza que foram semeadas em sua mentes abertas e despreparadas por professores que não tinham fé ou não tinham zelo.

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quarta-feira, setembro 24, 2008

Augustus Nicodemus Lopes

Carta ao Apóstolo Juvenal

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[Não se preocupem, o apóstolo Juvenal não existe. Também nunca tive amigo que virou apóstolo. O apóstolo Juvenal é uma personagem fictícia, embora baseada em personagens da vida real.]


Meu caro Juvenal,

Espero que você se lembre de mim, o Augustus Nicodemus, seu colega de turma do seminário presbiteriano (talvez você se lembre pelo apelido "Brutus" que eu odiava...!). Faz uns 20 anos que não temos contato. Só recentemente consegui seu e-mail, com o Mário, nosso amigo comum.

Desculpe não lhe tratar como "apóstolo". Você sabe, desde os tempos do seminário, que minha opinião é que os apóstolos constituíram um grupo único e exclusivo na história da Igreja e que hoje não existem mais. Qual não foi a minha surpresa quando me deparei com seu programa de televisão e com você se apresentando como "apóstolo" Juvenal! Eu não sabia que você tinha deixado o pastorado em nossa denominação, montado uma comunidade e adquirido esse título de "apóstolo", o qual, como já disse, não consigo reconhecer como legítimo.

Você sabe que para nós, cristãos históricos reformados, os apóstolos de Jesus Cristo tiveram um papel crucial e extremamente relevante na fundação da Igreja cristã. É um cargo, um ofício, tão sério e fundamental, que ver pessoas usando esse título nos dias de hoje causa um grande desconforto, uma profunda perplexidade e tristeza inominável. Não consigo imaginar uma banalização maior do que essa. Não que você seja uma pessoa indigna, pífia, pérfida ou mesquinha -- não se trata disso. Eu sentiria a mesma coisa se o próprio Calvino resolvesse usar esse título para si.

Não sei o que se passou por sua cabeça para que você, que conhece a Bíblia e a história da Igreja, resolvesse virar um "apóstolo" e montar sua própria comunidade. Pelo seu programa de televisão, ficou patente para mim que você adotou os cacoetes, o linguajar e as idéias que são próprias dos outros "apóstolos" que já estão por ai há mais tempo que você. Valendo-me da nossa amizade dos tempos de seminário, resolvi escrever-lhe e tirar as dúvidas, perguntar diretamente a você, para não ficar imaginando coisas.

1) Quem foi que lhe conferiu esse status, Juvenal? Refiro-me ao título de "apóstolo". Nas igrejas históricas ninguém toma para si o cargo, a função e o título de diácono, presbítero, pastor. São títulos concedidos por essas igrejas a pessoas que elas reconhecem como vocacionadas e aptas para a função. Não sei quem lhe conferiu esse título de "apóstolo". Ouvi falar que existe um conselho de apóstolos no Brasil, ligado a outros conselhos similares no exterior, que é quem ordena e investe os apóstolos no Brasil. Mas, pergunto, quem ordenou, investiu e autorizou os membros desse conselho de apóstolos? Em algum momento, chegaremos ao ponto em que alguém se autonomeou apóstolo, já que esse título e ofício deixaram de existir na Igreja Cristã desde o século I. Os apóstolos de Cristo não deixaram sucessores que por sua vez fizessem outros sucessores, numa corrente ininterrupta até os dias de hoje. Só quem reivindica isso é o Papa e nós não aceitamos essa reivindicação -- aliás, esse foi um dos motivos da Reforma protestante ter acontecido. Por isso, considero a utilização do título "apóstolo" hoje como uma usurpação, uma apropriação indevida dentro da Igreja de uma função histórica que não mais existe.

2) Fala sério, Juvenal, você acha mesmo que é um apóstolo? Quando você usa esse título para si, você está se igualando aos Doze Apóstolos e a Paulo, ou simplesmente usa o termo no sentido de "enviado, missionário", que é o sentido básico da palavra no grego? Se for nesse último sentido, fico menos consternado. Há outras pessoas na Bíblia que são referidas como apóstolos, além dos Doze e Paulo, como Tiago, irmão do Senhor (Gálatas 1:19; mas veja 1Coríntios 9:5 onde Paulo distingue entre apóstolos e os irmãos do Senhor) e Barnabé (Atos 14.14). O sentido aqui é quase sempre de enviado de igrejas locais, missionário, para usar o termo mais popular. Todavia, esse uso é secundário e desconhecido pelas igrejas modernas. Quando se fala em "apóstolo", as pessoas imediatamente associam o termo a Pedro, Tiago, João, Paulo, etc. Usar o título "apóstolo" hoje é igualar-se a eles ou, no mínimo, causar confusão na mente das pessoas. Você acredita mesmo que é um apóstolo como Paulo, Pedro, João, Mateus, André, Felipe, etc.?

3) Se você acredita, então minha próxima pergunta é essa: você viu Jesus ressurreto? Ele lhe apareceu e lhe comissionou como apóstolo? Pois foi assim que ele fez com os Doze e com Paulo. Todos eles foram chamados diretamente por Jesus e o viram depois da ressurreição. Se você disser que Jesus lhe apareceu e lhe comissionou, pergunto ainda como fica a declaração de Paulo em 1Coríntios 15:8, "e, afinal, depois de todos, [Cristo] foi visto também por mim, como por um nascido fora de tempo"? Ele está defendendo que Jesus apareceu a várias pessoas, depois da ressurreição, e "afinal, depois de todos" apareceu a ele. Literalmente, no grego, Paulo está dizendo que "por último de todos" (eschaton de pantwn) Cristo apareceu a ele. Ou seja, Paulo entendia que a aparição do Cristo ressurreto a ele era a última de uma seqüência. É assim que os cristãos históricos sempre entenderam. Se a condição para ser apóstolo era ter visto Jesus ressurreto, conforme Pedro declarou (Atos 1:22; veja também 1Coríntios 9:1), então Paulo foi o último apóstolo. Desculpe, não creio que Cristo lhe apareceu no corpo da ressurreição. Se você disser que sim, prefiro acreditar em Paulo, de que ele foi o último.

4) Você acha, sinceramente, que usar esse título de alguma forma vai ajudar a Igreja? Em que sentido? Veja só, grandes líderes da Igreja, através de sua história, pessoas que deram contribuições duradouras na área de teologia, missões, social, nunca buscaram esse título. Nem mesmo aqueles grandes homens de Deus que viveram na época imediatamente após os apóstolos e que foram discípulos deles, como Papias e Policarpo. Outros, como Agostinho, Calvino, Lutero, Wesley, Spurgeon, e os grandes missionários como Carey, jamais arrogaram para si essa designação. Se alguém teria esse direito, depois dos apóstolos, seriam eles, e não pessoas como você e outros que se apropriaram desse título, e cuja contribuição para a Igreja cristã é mínima comparada com a contribuição deles.

5) Outra pergunta. Pelo que entendi, você é o fundador e presidente dessa igreja "Igreja Apostólica Global da Misericórdia de Deus". Como você concilia isso com o fato de que os apóstolos de Cristo não se tornaram donos, presidentes, chefes e proprietários das igrejas locais que eles fundaram? Eles eram apóstolos da Igreja de Cristo, da igreja universal, e não de igrejas locais. A autoridade deles era reconhecida por todos os cristãos de todos os lugares. Aonde eles chegavam eram recebidos como emissários de Cristo, com autoridade designada por ele. A prova disso é que os escritos deles, como os Evangelhos e as cartas, foram recebidos por todas as igrejas como Palavra de Deus e autoritativas em matéria de fé e prática, foram organizadas e colecionadas naquilo que hoje conhecemos como o cânon do Novo Testamento. Pergunto, então: quem reconhece sua autoridade como apóstolo? As igrejas cristãs do Brasil ou somente sua igreja local? Seus escritos, seus sermões -- eles são recebidos como Palavra infalível e autoritativa da parte de Deus em todas as igrejas cristãs ou somente na sua igreja local?

6) Juvenal, pelo que me recordo de você, você sempre foi uma pessoa com dificuldades de relacionamento com as autoridades. Lembra daquela suspensão que você pegou no seminário por desacato ao diretor e ao capelão? Para não mencionar as brigas constantes que você tinha em sala de aula com os professores, não por causa dos conteúdos, mas porque você insistia em questionar, às vezes até zombeteiramente, a autoridade deles em sala de aula. Lembrando-me desse traço da sua personalidade e do seu caráter, até que posso entender o motivo pelo qual você resolveu abandonar o sistema conciliar da nossa denominação e fundar uma outra, onde você é o chefe supremo. Imagino que você não presta contas a ninguém da sua conduta, do que ensina e de como usa os recursos financeiros que arrecada. Afinal de contas, acima dos apóstolos só Jesus Cristo, e pelo que sei, ele não emite nada-consta nessas áreas...

7) Uma última pergunta e depois vou lhe deixar em paz. Você faz os mesmos milagres que os apóstolos fizeram? Não me refiro a curas em massa de pessoas que não têm CPF nem endereço e que foram curadas de males internos como enxaqueca, espinhela caída, pressão alta, etc. Refiro-me à curas daquele tipo efetuadas pelos apóstolos de Cristo, de aleijados, surdos, cegos, paralíticos, cujas deformidades, endereço e identidade eram conhecidos das comunidades. Refiro-me às ressurreições de mortos, como a ressurreição de Dorcas feita por Pedro. Você faz esse tipo de sinais? Os apóstolos não fracassaram nunca quando diziam "em nome de Jesus, levanta-te e anda". O índice de sucesso deles era de 100%. E as curas eram instantâneas e completas. Quem era cego voltava a ver completamente, e não em parte. Aleijados voltavam a andar e a pular. Você faz isso, Juvenal? Você se incomodaria em me deixar participar de uma daquelas reuniões de cura que você anuncia em seu programa, para que eu entrevistasse as pessoas que dizem ter sido curadas? Não me leve a mal, mas é que tem muita charlatanice nesse meio, muita gente que é paga para dar testemunho falso de cura, muitos que pensam que foram curados quando no máximo foram sugestionados nesse sentido. Curas reais e autênticas serão assim comprovadas por laudo médico, exames, etc. Não é que eu não creia em milagres hoje. Eu creio, sim, que Deus cura hoje em resposta às orações. Inclusive, eu mesmo já fui curado em resposta às orações. O que eu não creio é que existam hoje pessoas com o dom apostólico de curar simplesmente pelo comando verbal, e de realizar curas imediatas e completas de aleijados, cegos, surdos, paralíticos, doentes mentais, cancerosos, aidéticos, etc. Esse dom fazia parte do equipamento apostólico e servia como "credenciais do apostolado", conforme Paulo declarou aos coríntios (2Coríntios 12:12). Se você não é capaz de fazer os sinais que os apóstolos faziam, não creio que tenha o direito de se chamar de apóstolo.

Bom, não sei se você vai me responder. Fique à vontade. Eu precisava lhe perguntar essas coisas, para não ficar imaginando no coração que você é um mercenário, uma daquelas pessoas que está disposta a tudo para ganhar poder, espaço e dinheiro, mesmo que seja às custas da credulidade do povo brasileiro e em nome de Deus.

Um abraço,

Augustus
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terça-feira, setembro 16, 2008

Augustus Nicodemus Lopes

Está Jesus Também entre os Profetas?

Por     33 comentários:
Tive o privilégio semana passada de ser um dos debatedores do Dr. Richard Horsley (foto), famoso estudioso do Novo Testamento, em palestra que ele proferiu no Mackenzie sobre Jesus e o underground da Galiléia. O outro debatedor foi Dr. Carlos Caldas, professor do Mackenzie, que trouxe importantes contribuições ao evento.

De maneira geral, podemos enquadrar Horsley na linha social da Terceira Busca do Jesus Histórico, juntamente com Martin Hengel, Geza Vermes, Marcus Borg, E.P. Sanders e Gerd Theissen. Horsley desenvolve seu trabalho principalmente a partir dos estudos sociológicos do mundo daquela época. Sua releitura dos Evangelhos a partir de referenciais sociais e de modelos de luta de classes entre oprimidos e opressores se assemelha em muito à hermenêutica da teologia da libertação. Essa visão é claramente perceptível nos muitos livros que ele tem publicado.


Em sua palestra, Horsley argumentou que a situação social da Galiléia e da Judéia era de opressão e violência institucionalizada praticada pelo império romano contra os camponeses e moradores das vilas através de líderes comunitários e da hierarquia do templo. É nesse ambiente de tensão que surge Jesus. Ele escolheu ser um revolucionário social, tomando o partido dos pobres e oprimidos e se colocando contra as elites poderosas, compostas das hierarquias do templo de Jerusalém que estavam a serviço do poder imperial de Roma. Ele organizou uma revolução social de baixo para cima, de base, a partir dos camponeses, moradores das comunidades e vilas espalhadas pela Galiléia, reorganizando a vida rural, comunitária, das vilas na Galiléia, pregando a renovação da vida comunitária com base em seus ensinamentos éticos.


A ação revolucionária de Jesus foi possível por causa daquilo que Horsley denominou em sua palestra de underground, um movimento subterrâneo subversivo, que formava uma rede de comunicação entre as vilas e comunidades, e que era alimentada pelas esperanças messiânicas de Israel. Assim, Jesus, para Horsley, é um profeta da mudança social, a exemplo dos profetas Elias e Jeremias (daí, o título dessa postagem). Um exemplo que Horsley dá da ação de Jesus, como profeta, para enfrentar as elites poderosas é a entrada triunfal em Jerusalém.


Na minha resposta a Horsley, destaquei, em primeiro lugar as muitas contribuições positivas do seu trabalho, entre elas sua insistência nas questões sociais como pano de fundo para entendermos a Galiléia nos tempos de Jesus. Seus estudos, sem dúvida, nos ajudam a entender melhor o ambiente sócio-político daquela época.


Em seguida, fiz algumas observações à apresentação dele e às suas teses em geral. As primeiras observações tiveram a ver com as fontes que Horsley usa para reconstruir a situação da Galiléia, os movimentos proféticos populares, as revoltas dos camponeses, a vida e mensagem de Jesus e o movimento iniciado por ele. De acordo com ele, as fontes escritas foram produzidas pelas elites cultas e letradas e refletem somente as instituições e a ideologia do dominador. Todavia, ele não hesitou em usar Guerras Judaicas, uma das principais obras de Flávio Josefo, um destacado membro da elite judaico-romana, ex-fariseu, como fonte confiável para reconstruir o clima sócio-político da Galiléia.


Ainda nessa linha, mencionei que Horsley tem a tendência de rejeitar o quadro que os Evangelhos canônicos pintam de Jesus. É, portanto, estranho que ele usa Josefo com segurança para reconstruir as revoltas e os movimentos proféticos da Palestina e tem restrições quanto ao uso dos quatro Evangelhos e no quadro de Jesus que eles nos fornecem. É por esse motivo que ao comparar Jesus com Teudas, o Samaritano, o Egípcio e outros líderes populares mencionados por Josefo, Horsley relega a segundo plano as diferenças fundamentais entre eles e Jesus, conforme os Evangelhos e as cartas dos primeiros discípulos de Jesus nos informam, a começar do fato que Jesus se considerava Deus.


A releitura que Horsley fez da entrada triunfal de Jesus em Jerusalém pressupõe que o relato dos Evangelhos não retrata a realidade, embora contenha elementos historicamente plausíveis. Para ele, a entrada triunfal de Jesus em Jerusalém foi teatro intencional, com propósitos políticos, disfarçado de peregrinação religiosa. Jesus teria escolhido a festa da Páscoa de propósito, para deflagrar a sua revolução social. A profecia que Jesus pronuncia sobre o templo é entendida como um castigo pela exploração do povo – mesmo que os Evangelhos insistam que era parte do castigo porque os judeus não o reconheceram como o Filho de Deus, conforme várias parábolas nos ensinam.


Ainda nesse contexto, observei que muitas afirmações e conclusões de Horsley não podem ser substanciadas a partir dos textos cristãos mais antigos. Por exemplo, se a mensagem de Jesus e suas ações eram dirigidas para o confronto com as classes dominantes e eram revestidas primariamente de um caráter social e libertário, por que não encontramos nas fontes histórias de Jesus confrontando os dominadores das vilas e comunidades ou as elites poderosas de cidades da Galiléia, como Séforis ou Tiberíades?


As segundas observações que fiz tinham a ver com a abordagem sociológica do ilustre palestrante. Fiquei com a nítida impressão de que ele tem a tendência de diminuir e menosprezar o componente teológico dos ensinamentos dos grupos existentes na Galiléia, como fariseus, zelotes, saduceus, e reduzi-los apenas a grupos que tinham interesses sociais. Se entendermos que todo o conflito de Jesus com os lideres da sua época era de natureza exclusivamente social, em que sentido ele foi diferente de Teudas, Judas, o Egípcio, o Samaritano e outros líderes revolucionários sociais cujos movimentos foram de curta duração? E se o movimento iniciado por Jesus foi um movimento social fracassado, que terminou com sua execução, sem que as reformas sociais esperadas viessem, como explicar a continuidade, crescimento e fortalecimento do movimento por ele iniciado até os dias de hoje?


Outro ponto: embora existisse uma enorme brecha entre ricos e pobres na Galiléia, agravada pelos fazendeiros ricos e opressores, não é claro se podemos falar de “tensões sociais” dentro da Galiléia na época de Jesus, como hoje temos. Embora Jesus tenha dito muita coisa na área social (família, dinheiro, pobreza, riqueza, poder, etc.) elas foram ditas num contexto onde a luta de classes era desconhecida.


Levantei também o fato de que as abordagens sociológicas à vida, obra e mensagem de Jesus e os inícios da igreja cristã costumam deixar sem explicação o surgimento das tradições teológicas/escatológicas presentes na pregação da Igreja primitiva em curto espaço de tempo. Não há a menor dúvida que Jesus levou em consideração, em seus ensinamentos, a pobreza, a opressão e a violência de sua época. Todavia, os Evangelhos e as cartas de Paulo, algumas escritas antes dos Evangelhos, nos retratam um Jesus que via como sua missão principal não uma reforma social, mas uma de natureza espiritual, que buscava em primeiro lugar a reconciliação do homem pecador com Deus e o estabelecimento de uma nova comunidade, a sua igreja. O Reino pregado por Jesus era uma idéia primariamente religiosa-escatológica, com conotações sociais.


Obviamente, Horsley teve a oportunidade de responder às minhas críticas. Sua principal argumentação foi que sua palestra visava apenas mostrar o lado humano e social de Jesus, e que ele não teve chance de mostrar também o lado transcendente e espiritual do Jesus histórico, que ele diz acreditar. Num esforço visível para mostrar que era evangelical conservador, o nobre erudito afirmou que era crítico dos liberais – e de fato é mesmo – e que chega próximo de uma postura inerrantista da Bíblia – a confirmar.


Num certo sentido, podemos dizer, sem qualquer demérito para a obra brilhante e instrutiva de Dr. Horsley, que de novidade ela nos apresenta apenas uma reconstrução social interessante da Galiléia camponesa e dos movimentos que possivelmente a infestaram no período antes, durante e depois de Jesus. Pois, a idéia de Jesus como revolucionário social, com uma mensagem e ação de confronto das classes dominantes, já nos é bem conhecida, desde os tempos áureos – agora passados – da teologia da libertação em nosso país, com sua análise marxista da Bíblia.
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sábado, setembro 13, 2008

Augustus Nicodemus Lopes

Reprimir o Desejo Sexual faz Mal?

Por     33 comentários:
Recebi diversos comentários (alguns impublicáveis) ao post Carta a Um Jovem Evangélico que Faz Sexo com a Namorada argumentando que a abstinência sexual defendida por mim e outros que comentaram a matéria provoca nos jovens evangélicos traumas e neuroses. Ou seja, passar a adolescência e a mocidade sem ter relações sexuais faz com que os evangélicos fiquem traumatizados, perturbados mental e espiritualmente, reprimidos e recalcados.

Esse raciocínio tem sua origem mais recente nas idéias do famoso Sigmund Freud. Para ele, o sexo era o fator dominante na etiologia das neuroses e o desejo sexual era a motivação quase que exclusiva para o comportamento das pessoas. No início, Freud falava que o ser humano, até biologicamente (todos os seres vivos, no final), viveria sua existência na tensão entre dois princípios, ou instintos, primordiais: o princípio do prazer (instintivo e ligado ao id, às vezes relacionado como a libido) e o princípio da realidade (a limitação do prazer para tornar a vida possível, princípio ligado mais ao amadurecimento e, às vezes, ao superego). Mais tarde (na publicação de Além do Princípio do Prazer, 1920), ele passou a falar em outros dois princípios mais amplos, o princípio de vida e o princípio de morte, os quais ele denominou eros e tanatos, como os dois princípios que geram a tensão que move o ego. De qualquer modo, tanto o princípio do prazer quanto eros (princípio de vida) eram, para Freud, princípios instintivos, ligados à preservação da vida e da espécie, e sempre conectados ao apetite sexual (ver Os Instintos e Suas Vicissitudes, 1915).

Nem as crianças estariam livres desse apetite sexual instintivo – elas desejavam sexualmente seus pais. Freud apelou aqui para o complexo de Édipo, em que o filho deseja sexualmente a mãe e o complexo de Eletra, a inveja que a menina tem do pênis do menino. Naturalmente, quando esses desejos sexuais eram interrompidos, resistidos, negados, o resultado eram as neuroses, os traumas. As obras mais conhecidas onde ele sustenta seus argumentos são Sobre as Teorias Sexuais das Crianças (1908) e Uma criança é espancada - uma contribuição ao estudo da origem das perversões sexuais (1919), onde ele defende o surgimento das neuroses como resultado da repressão do desejo sexual.

Em que pese a importância de Freud, seu modelo e suas idéias têm sido largamente criticados e rejeitados por muitos estudiosos competentes. Todavia, algumas de suas idéias – como essa de que a repressão sexual é a causa de todas as neuroses e distúrbios – acabou se popularizando e é repetida por muitos que nunca realmente se preocuparam em examinar o assunto mais de perto.

Vou dizer por que considero esse argumento apenas como mais uma desculpa de libertinos que procuram se justificar diante de Deus, da igreja e de si mesmos pelo fato de terem relações sexuais antes e fora do casamento. Ou pelo menos, por defenderem essa idéia.

1. Esse argumento parte do princípio que os evangélicos conservadores são contra o sexo. Já desisti de tentar mostrar aos libertinos que essa idéia é uma representação falsa da visão cristã conservadora sobre o assunto. Nós não somos contra o sexo em si. Somos contra o sexo fora do casamento, pois entendemos que as relações sexuais devem ser desfrutadas somente por pessoas legitimamente casadas (ah, sim, cremos no casamento também). Foi o próprio Deus que nos criou sexuados. E ele criou o sexo não somente para a procriação, mas como meio de comunhão, comunicação e prazer entre marido e mulher. Há muitas passagens na Bíblia que se referem às relações sexuais entre marido e mulher como sendo fonte de prazer e alegria. O livro de Cantares trata abertamente desse ponto. Em Provérbios encontramos passagens como essa:

Seja bendito o teu manancial, e alegra-te com a mulher da tua mocidade, corça de amores e gazela graciosa. Saciem-te os seus seios em todo o tempo; e embriaga-te sempre com as suas carícias (Pv 5.18-19).

Não, não acredito que o sexo é somente para a procriação. Não, não sou contra planejamento familiar e o uso de meios preventivos da gravidez, desde que não sejam abortivos. Sim, o sexo é uma bênção, desde que usado dentro dos limites colocados pelo Criador.

2. Esse argumento, no fundo, acaba colocando a culpa em Deus, na Bíblia e na Igreja de serem uma fábrica de neuróticos reprimidos. Sim, pois a Bíblia ensina claramente a abstinência, a pureza sexual e a virgindade para os que não são casados, conforme argumentei no post Carta a Um Jovem Evangélico que Faz Sexo com a Namorada. Se a abstinência sexual antes do casamento traz transtornos mentais e emocionais, deveríamos considerar esses ensinamentos da Bíblia como radicais, antiquados e inadequados. E, portanto, como meras idéias humanas de pessoas que viveram numa época pré-Freud – e como tais, devem ser rejeitadas e descartadas como palavra de homem e não Palavra de Deus. Ao fim, a contenção dos libertinos é mesmo contra a Bíblia e contra Deus.

3. Bom, para esse argumento ser verdadeiro, teríamos de verificá-lo estatisticamente, na prática. Pesquisa alguma vai mostrar que existe uma relação direta de causa e efeito entre abstinência antes do casamento e distúrbios mentais, neuroses e coisas afins. Da mesma forma que pesquisa alguma vai mostrar que os jovens que praticam sexo livre antes do casamento são equilibrados, sensatos, sábios e inteligentes. Pode ser que até se prove o contrário. Os tarados, estupradores e maníacos sexuais não serão encontrados no grupo dos virgens e abstinentes.Talvez fosse interessante mencionar nesse contexto o estudo conduzido na Universidade de Minessota por Ann Meir. De acordo com as pesquisas, o sexo estava associado a auto-estima baixa e depressão em garotas que iniciaram as relações sexuais (idade média de início 15-17 anos) sem relacionamento afetivo ou romântico.

4. A coisa toda é muito ridícula. Funciona mais ou menos assim. Os libertinos tendem a considerar todo distúrbio que encontram como resultado de repressão dos desejos sexuais. Mas eles fazem isso não porque têm estatísticas, experiências ou históricos que provam tal teoria – mas porque Freud explica. Em vez de considerarem que esses distúrbios podem ter outras causas, seguem sem questionar a tese de Freud que tudo é sexo, desde o menininho de um ano chupando dedo até o complexo de Édipo.

O próprio Freud, na fase mais amadurecida de sua carreira, se questiona na obra Além do Princípio do Prazer (1920):

A essência de nossa investigação até agora foi o traçado de uma distinção nítida entre os “instintos do ego” e os instintos sexuais, e a visão de que os primeiros exercem pressão no sentido da morte e os últimos no sentido de um prolongamento da vida. Contudo, essa conclusão está fadada a ser insatisfatória sob muitos aspectos, mesmo para nós.

5. Embora a decisão de preservar-se para o casamento vá provocar lutas e conflitos internos no coração e mente dos jovens evangélicos, esses conflitos nada mais são que a luta normal que todo cristão verdadeiro enfrenta para viver uma vida reta e santa diante de Deus, mortificando o pecado e se revestindo diariamente de Cristo (Romanos 3; Colossenses 3; Efésios 4—5). Fugir das paixões da mocidade foi o mandamento de Paulo ao jovem Timóteo (2Timóteo 2:22). Essa luta contra a nossa natureza carnal não provoca traumas, neuroses, recalques e distúrbios. Ao contrário, nos ensina paciência, perseverança, a amar a pureza, a apreciar as virtudes e o que significa tomar diariamente a cruz, como Jesus nos mandou (Lucas 9:23). Os que não querem tomar o caminho da cruz, entram pela porta larga e vivem para satisfazer seus desejos e instintos.

Por esses motivos acima e por outros que poderiam ser acrescentados considero esse argumento – de que a abstenção das relações sexuais antes do casamento provoca complexos, neuroses, recalques – como nada mais que uma desculpa para aqueles que querem viver na fornicação. Não existe realmente substância e fundamento para essa idéia, a não ser o desejo de justificar-se ou desculpar-se diante de uma consciência culpada, da opinião contrária de outros ou dos ensinamentos da Escritura.

Os interessados em estudar mais esse assunto poderão aproveitar bastante o livro recém-lançado Sexo Não é problema – Lascívia, Sim – de Joshua Harris, pela Editora Cultura Cristã.

[Agradeço aos colegas e amigos Dr. Davi Gomes (apologeta) e Dr. Pérsio Gomes de Deus (psiquiatra) que leram e corrigiram o manuscrito desse post. Além, é óbvio, de Mauro e Solano.]
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quinta-feira, setembro 04, 2008

Solano Portela

O Canto do Poeta

Acabo de chegar do lançamento do CD do Stênio Marcius (Auditório Ruy Barbosa – Mackenzie, 03.09.2008), compositor de muitos talentos e cantor de rara amplitude de voz. Conheço o Stênio há vários anos. Primeiro, durante uns três anos, em Manaus. Bem mais novo do que eu, ele foi meu pastor e cuidava com grande carinho tanto do seu rebanho como dos cânticos e hinos cantados na Igreja, muitos de sua autoria. As suas músicas contam e cantam grandes histórias, quer da Bíblia, quer do cotidiano – à luz dos princípios e ensinamentos das Escrituras.

Depois, trilhamos caminhos diferentes e em regiões distantes. Voltamos a nos encontrar algumas vezes em São Paulo. Nos últimos anos acompanhei sua produção de CDs com músicas evangélicas: “O Tapeceiro”, “Estima” e, o recém lançado: “Canções à Meia Noite”. Letras profundas, acordes complexos, teologia destilada em poesia, fontes de reflexão e apreciação pela mão de Deus em nossas vidas: pesando, em correção; agindo, em redenção; resgatando, em salvação; motivando-nos, em adoração.

De várias maneiras – Stênio está pastoreando a muitos pela canção. Talento refinado pela longanimidade e benevolência do Mestre, devolvido ao Autor da Vida em músicas que honram o Nome de Deus.

Se você ainda não conhece o trabalho do Stênio, sugiro que não retarde essa experiência. Mergulhe e nade em largas braçadas em suas poéticas letras (muitas disponíveis
em seu blog - ou em outros sites) e prove o sabor de sua música (algumas disponíveis no site do Bomilcar). Acima de tudo, adquira os seus CD’s – não se arrependerá!
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sexta-feira, agosto 01, 2008

Augustus Nicodemus Lopes

O Que Estão Fazendo com a Igreja

Por     46 comentários:
Entrevista com Augustus Nicodemus para a revista Seu Mundo, da Editora Mundo Cristão sobre o livro O que estão fazendo com a igreja, de sua autoria, que será lançada em agosto pela Mundo Cristão. O livro é uma coletânea de posts publicados por Augustus aqui no blog O Tempora, O Mores.


MC - O que estão fazendo com a igreja é um compêndio de diversos textos escritos ao longo dos últimos anos. Assim sendo, como foi o processo de escolher aqueles que comporiam o livro?

AN - Escolhi usando alguns critérios. Primeiro, a relevância para a situação da igreja evangélica no Brasil. Segundo, pela abrangência. Eu queria um livro com textos que tocassem nos principais segmentos da igreja brasileira. E por fim, escolhi aqueles que provocaram um número maior de respostas e participação no site da Internet onde foram publicados

MC - Qual foi o objetivo principal por detrás da publicação de uma obra potencialmente tão controversa?

AN - Exatamente provocar a reflexão por parte dos evangélicos brasileiros sobre o estado atual da igreja, que considero alarmante. Ao mesmo tempo, identificar as causas por detrás dessa situação e defender que a manutenção da fé histórica da igreja de Cristo teria evitado que chegássemos a esse ponto.

MC - O livro trata bastante da delimitação de crescentes falhas nas igrejas brasileiras. Quais seriam as principais destas falhas?

AN - A ressurreição do liberalismo teológico nas instituições teológicas de ensino, a adoção de práticas místicas e supersticiosas no culto a Deus, o aparecimento de uma liderança auto-intitulada que usurpa poderes apostólicos e o abandono crescente do conceito de verdade absoluta em troca da aceitação do conceito de que a verdade sempre é relativa. No outro lado do espectro, encontramos a incapacidade dos conservadores e das igrejas históricas de fazerem suas igrejas crescer no ritmo compatível com o tamanho do Brasil.

MC - Podemos sintetizar essas carências a uma causa maior?

AN - No fundo, quase tudo isso é causado pelo abandono das antigas doutrinas e crenças do Cristianismo histórico, a começar pelo conceito da autoridade das Escrituras e sua suficiência e exclusividade em matérias de fé e prática. Na hora que os evangélicos passaram a adotar também como fonte de autoridade as experiências pessoais, revelações, visões, e a chamada ciência bíblica, perderam o referencial das Escrituras e abriram as portas da igreja brasileira para a entrada, sem crítica e sem análise, de toda sorte de ensinamentos e práticas, bem como para oportunistas que vêem o pastorado e a igreja como negócio e meio de vida.

MC - O que estão fazendo com a igreja trata bastante da esmorecida credibilidade da igreja brasileira, algo que seria um sinal da sua iminente ruína. A ação de certas partes da igreja realmente pode afetá-la assim tão profundamente, como um todo?

AN - Não creio que a igreja de Cristo esteja próxima da ruína. As palavras de Jesus em Mateus 16 nos garantem a sua continuidade. O que acredito que está em profunda crise é a igreja evangélica brasileira. Aquilo que os meios de comunicação e a mídia em geral identificam como sendo os “evangélicos” e que representam, de longe, a maior parte dos protestantes no Brasil, está ficando cada vez mais distante do cristianismo bíblico.

MC - O livro procura não só delinear, como também agrupar as doutrinas de liberais, neo-ortodoxos, libertinos e neo-pentecostais, em uma “esquerda teológica”. Qual é a idéia por trás deste agrupamento?

AN - Esses grupos, embora distintos, defendem algumas coisas em comum na área da sexualidade humana e da ética, como a homossexualidade e o aborto – que são também pontos da agenda da esquerda política no Brasil. Também se caracterizam pela defesa da relativização dos conceitos, inclusive teológicos. Todavia, como eu mesmo disse na introdução ao livro, não estou certo se “esquerda teológica” é um bom nome para caracterizar esses grupos.

MC - Muitos diriam que as novas tendências do pensamento teológico estão reforçando a igreja, expandindo-a de uma maneira nunca antes vista. O que estão fazendo com a igreja discorda. Por quê?

AN - Porque não se pode pensar em reforço da igreja quando instituições de ensino teológico, teólogos e pastores adotam a mesma teologia e os mesmos métodos liberais de interpretação da Bíblia que fecharam as igrejas da Europa. Se fecharam as igrejas da Europa, o que os faz pensar que não farão o mesmo aqui? Além disso, passando para o campo neo-pentecostal (já que liberais nunca fizeram a igreja crescer mesmo), lembro que expansão não é necessariamente sinal de saúde e vitalidade espiritual. Existe crescimento e inchaço. O primeiro é fruto da pregação, ensino e divulgação das verdades bíblicas. É aquele crescimento encontrado no livro de Atos, onde é freqüentemente igualado ao crescimento da Palavra (Atos 6:7; 12:24; 19:20). É o aumento da igreja mediante a conversão genuína de pessoas que acolheram a Jesus Cristo como único Senhor e Salvador, tendo reconhecido seu próprio estado de perdição e culpa. Já o inchaço, é um acréscimo de pessoas que vieram às igrejas por outros motivos, como receber uma bênção material, serem curadas, ter um emprego, resolver um problema amoroso, acabar com o azar na vida delas, serem libertas, etc. Multidões assim lotam as igrejas evangélicas todos os dias. Todavia, quase nunca são confrontadas com seu estado de pecado e rebelião contra Deus, quase nunca ouvem falar da necessidade de arrependimento e mudança de vida para terem a vida eterna, e raramente ouvem que a salvação e o perdão de pecados é pela graça, mediante a fé, sem as obras da lei e sem quaisquer outros sacrifícios. O que se tem hoje é uma religião das obras, dos sacrifícios, onde a graça é esquecida.

MC - Afinal, o que está acontecendo com a igreja?

Esse é o ponto do meu livro: estão em operação dentro da igreja de hoje forças poderosas que a encaminham para uma descaracterização radical como igreja evangélica. Em muitos casos ela está revertendo a uma situação semelhante ao misticismo medieval e do catolicismo romano, do qual a igreja evangélica já se achava liberta. Algo muito parecido com o que Paulo Romeiro e outros vêm alertando há décadas. Meu livro se junta a essas vozes numa tentativa de contribuir para uma reflexão nossa sobre o assunto.
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quarta-feira, julho 30, 2008

Augustus Nicodemus Lopes

Abertas as Inscrições para o Congresso de Filosofia e Cristianismo

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O Mackenzie já abriu as inscrições para o IV Congresso Internacional de Ética e Cidadania, cujo tema é Filosofia e Cristianismo. É mais um Congresso realizado na Universidade que enfoca questões atuais que interessam os estudantes e professores de uma instituição de ensino superior confessional, como é o caso do Mackenzie.

O Congresso acontecerá nos dias 21 a 23 de outubro desse ano, no auditório Ruy Barbosa, no campus do Mackenzie em São Paulo.

O principal palestrante, Dr. Merold Westphal, é um dos membros da tríade de filósofos cristãos contemporâneos que têm conquistado o respeito dos estudiosos pelo rigor e abrangência de seu pensamento. Juntamente com Alvin Plantinga e Nicholas Wolterstorf, ele tem contribuído para aquilo que tem sido chamada de “nova epistemologia reformada,” ou seja, uma abordagem moderna do pensamento cristão às questões básicas e fundamentais da filosofia.

Dr. Westphal falará sobre os seguintes temas:
  • A Oração e o Eu Pós-Moderno
  • Como é Deus?
  • Usos Religiosos do Ateísmo Moderno
  • Fé e Conhecimento
Além de Dr. Westphal, o Congresso conta com a contribuição valiosa de pensadores e teólogos brasileiros, que participarão ativamente nos debates e discussões.

Esse Congresso, como os demais realizados anteriormente, tem como objetivo reafirmar a identidade confessional do Mackenzie. A visão cristã de mundo, também na filosofia, tem o seu lugar na reflexão epistemológica. Uma perspectiva completa e integral deve levar em conta a contribuição histórica do cristianismo para a compreensão das questões básicas com as quais os filósofos sempre se debateram.

As palestras serão transmitidas ao vivo pela Internet no site do evento.

As inscrições podem ser feitas pela Internet.
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quarta-feira, julho 23, 2008

Augustus Nicodemus Lopes

Carta a Um Jovem Evangélico que Faz Sexo com a Namorada

Por     91 comentários:

[Os nomes foram trocados para proteger as pessoas. Embora algumas circunstâncias mencionadas na carta sejam totalmente fictícias, o caso é mais real do que se pensa...]


Meu caro Ricardo,


Ontem estive pregando em sua igreja e tive a oportunidade de rever João, nosso amigo comum. Não lhe encontrei. João me disse que você e a Raquel, sua namorada, tinham saído com a turma da mocidade para um acampamento no fim de semana e que só regressariam nessa segunda bem cedo.


Saí com o João para comer pizza após o culto e falamos sobre você. João abriu o coração. Ele está muito preocupado com você, desde que você disse a ele que tem ido com Raquel para motéis da cidade e às vezes até mesmo depois do culto de jovens no sábado à noite. Ele falou que já teve várias conversas com você mas que você tem argumentado defendendo o sexo antes do casamento como se fosse normal e que pretende casar com Raquel quando terminarem a faculdade.


Ele pediu minha ajuda, para que eu falasse com você, e me autorizou a mencionar nossa conversa na pizzaria. Relutei, pois acho que é o pastor de sua igreja que deve tratar desse assunto. Você e a Raquel, afinal, são membros comungantes dessa igreja e estão debaixo da orientação espiritual dela. Mas, João me disse que o pastor faz de conta que não sabe que essas coisas estão acontecendo na mocidade da igreja. Como sou amigo da sua família fazem muitos anos, desde que vocês freqüentaram minha igreja em São Paulo, resolvi, então, escrever para você sobre esse assunto, tendo como base os argumentos que você usou diante de João para justificar sua ida a motéis com a Raquel.


Se entendi direito, você argumenta que não há nada na Bíblia que proiba sexo antes do casamento. É verdade que não há uma passagem bíblica que diga "não farás sexo antes do casamento;" mas existem dezenas de outras que expressam essa verdade com outras palavras e de outras maneiras. Podemos começar com aquelas que pressupõem o casamento como sendo o procedimento padrão, legal e estabelecido por Deus para pessoas que desejam viver juntas (veja Mateus 9:15; 24:38; Lucas 12:36; 14:8; João 2:1-2; 1Coríntios 7:9,28,39), aquelas que abençoam o casamento (Hebreus 13:4) e aquelas que se referem ao divórcio - que é o término oficial do casamento - como algo que Deus aborrece (veja Malaquias 3:16; Mateus 5:31-32).


Podemos incluir ainda aquelas passagens contra os que proíbem o casamento (1Timóteo 4:3) e as outras que condenam o adultério, a fornicação e a prostituição (veja Mateus 5:28,32; 15:19; João 8:3; 1Coríntios 7:2; 6:9; Gálatas 5:19; Efésios 5:3-5; Colossenses 3:5; 1Tessalonicenses 4:3-5; 1Timóteo 1:10; Hebreus 13:4; Apocalipse 21:8; 22:15). Qual é o referencial que nos possibilita caracterizar esses comportamentos como desvios, impureza e pecado? O casamento, naturalmente. Adultério, prostituição e fornicação, embora tendo nuances diferentes, têm em comum o fato de que são relações sexuais praticadas fora do casamento. Se o casamento, que implica num compromisso formal e legal entre um homem e uma mulher, não fosse a situação normal onde o sexo pode ser desfrutado de maneira legítima, como se poderia caracterizar como desvio o adultério, a fornicação ou a prostituição? A Bíblia considera essas coisas como pecado e coloca os que praticam a impureza sexual e a imoralidade debaixo da condenação de Deus - a menos que se arrependam, é claro, e mudem de vida.


Você argumenta também que o casamento é uma conveniência humana e que muda de cultura para cultura. Bom, é certo que o casamento tem um caráter social, cultural e pessoal. Todavia, do ponto de vista bíblico, não se pode esquecer que foi Deus quem criou o homem e a mulher, que os juntou no jardim, e disse que seriam uma só carne, dando-lhes a responsabilidade de constituir família e dominar o mundo. O casamento é uma instituição divina a ser realizada pelas sociedades humanas. Embora as culturas sejam distintas, e os rituais e procedimentos dos casamentos sejam distintos, do ponto de vista bíblico o casamento implica em reconhecimento legal daquela união por quem de direito, trazendo implicações para a criação e tutela dos filhos, sustento da casa e também responsabilidades e conseqüências em caso de separação e repúdio. Quando duas pessoas resolvem ir morar juntas como se fossem casadas, essa decisão não faz delas pessoas casadas diante de Deus - mas (desculpe a franqueza), pessoas que estão vivendo em imoralidade sexual.


É verdade que a legislação de muitos países tem cada vez mais reconhecido as chamadas uniões estáveis. É uma triste constatação que o casamento está cada vez mais sendo desvalorizado na sociedade moderna ocidental. Todavia, esses movimentos no mundo e na cultura não são a bússola pela qual a Igreja determina seu norte - e sim a Palavra de Deus. Em muitas culturas a legislação tem sancionado coisas que estão em contradição com os valores bíblicos, como aborto, eutanásia, uniões homossexuais, uso de drogas, etc. A Igreja deve ter uma postura crítica da cultura, tendo como referencial a Palavra de Deus.


O João me disse ainda que você considera que o mais importante é o amor e a fidelidade, e que argumentou que tem muita gente casada mas infeliz e infiel para com o cônjuge. Ricardo, é um jogo perigoso tentar justificar um erro com outro. Gente casada que é infiel não serve de desculpas para quem quer viver com outra pessoa sem se casar com ela. Além do mais, como pode existir o conceito de fidelidade numa união que não tem caráter oficial nem legal, e que não teve juramentos solenes feitos diante de Deus e das autoridades constituídas? Mesmo que você e sua namorada façam uma "cerimônia" particular onde só vocês dois estão presentes e onde se casem a si mesmos diante de Deus - qual a validade disso? As promessas de fidelidade trocadas por pessoas não casadas têm tanto valor quanto um contrato de gaveta. Lembre inclusive que não é a Igreja que casa, e sim o Estado. Naqueles casamentos religiosos com efeito civil, o pastor ou padre está agindo com procuração do juiz.


Não posso deixar de mencionar aqui que na Bíblia o casamento é constantemente referido como uma aliança (veja Ezequiel 16:59-63). Deus é testemunha dessa aliança feita no casamento, a qual também é chamada de "aliança de nossos pais", uma referência ao caráter público da mesma (não deixe de ler Malaquias 2:10-16).


Não fiquei nem um pouco surpreso com seu outro argumento para fazer sexo com sua namorada, que foi "é importante conhecer bem a pessoa antes do casamento". Já ouvi esse argumento dezenas de vezes. E sempre o considerei uma burrice - mais uma vez, desculpe a franqueza. Em que sentido ter relações sexuais com sua namorada vai lhe dar um conhecimento dela que servirá para determinar se o casamento vai dar certo ou não? Embora o sexo seja uma parte muito importante do casamento, o que faz um casamento funcionar são os relacionamentos pessoais, a tolerância, a compreensão, a renúncia, o amor, a entrega, o compartilhar... você pode descobrir antes do casamento que sua namorada é muito boa de cama, mas não é o desempenho sexual de vocês que vai manter ou salvar seu casamento. Esse argumento parte de um equívoco fundamental com relação à natureza do casamento e no fim nada mais é que uma desculpa tola para comerem a sobremesa antes do almoço.


Agora, o pior argumento que ouvi do João foi que você disse "a graça de Deus tolera esse comportamento." Acho esse o pior argumento porque ele revela uma coisa séria em seu pensamento, que é tomar a graça de Deus como desculpa para um comportamento imoral. Esse sempre foi o argumento dos libertinos ao longo da história da igreja. O escritor bíblico Judas, irmão de Tiago, enfrentou os libertinos de sua época chamando-os de "homens ímpios, que transformam em libertinagem a graça de nosso Deus e negam o nosso único Soberano e Senhor, Jesus Cristo" (Judas 4). Esse é o caminho de Balaão "o qual ensinava a Balaque a armar ciladas diante dos filhos de Israel para comerem coisas sacrificadas aos ídolos e praticarem a prostituição" (Apocalipse 2:14). É a doutrina da prostituta-profetisa Jezabel, que seduzia os cristão "a praticarem a prostituição e a comerem coisas sacrificadas aos ídolos" (Apocalipse 2:20) e a conhecer "as coisas profundas de Satanás" (Apocalipse 2:24).


Como seu amigo e pastor, permita-me exortá-lo a cair fora dessa maneira libertina de pensar, Ricardo, antes que sua consciência seja cauterizada pelo engano do pecado (Hebreus 3:13). Ainda há tempo para arrependimento e mudança de atitude. A abstinência sexual é o caminho de Deus para os solteiros, e esse estilo de vida é perfeitamente possível pelo poder do Espírito, ainda que aos olhos de outros seja a coisa mais careta e retrógrada que exista. Se você realmente pensa em casar com a Raquel e constituírem família, o melhor caminho é pararem agora de ter relações e aguardarem o dia do casamento. Vocês devem confessar a Deus o seu pecado e um ao outro, e seguir o caminho da abstinência, com a graça de Deus.

Estou à sua disposição para conversarmos pessoalmente. Traga a Raquel também. Estou orando por vocês.

Um grande abraço,Pr. Augustus

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sexta-feira, julho 04, 2008

Solano Portela

Ainda o estudo da Teologia

Em um post anterior (O Estudo da Teologia e as Escrituras) tratei desse assunto, apresentando o estudo da teologia como sendo uma tarefa que deveria envolver e interessar todo o Povo de Deus, não devendo ficar restrito apenas àqueles que são pastores, ou que estão se encaminhando para isso.

Nos últimos dias, dei uma entrevista ao Instituto JETRO, que já está postada e que circulará na newsletter daquela organização, competentemente dirigida pelo Rodolfo Montosa (IPI), que procura ampliar a aplicação da cosmovisão cristã a todas as áreas da vida, especialmente nas áreas de administração e gestão de pessoas e negócios.

O texto abaixo é o que foi submetido às perguntas apresentadas, na entrevista que foi publicada com o título: A Formação Teológica da Liderança Leiga.

JETRO: Sabemos que as igrejas têm investido em centros de treinamento próprios. Este tipo de iniciativa concorre com as faculdades teológicas?
Resposta – O treinamento teológico sempre foi de interesse primário das igrejas e denominações. São elas que devem primar para que as convicções teológicas sobre as quais estão firmadas sejam perpetuadas de geração a geração. As Faculdades Teológicas surgiram sequencialmente aos seminários denominacionais,e hoje em dia existem várias interdenominacionais ou com conexão remota com qualquer igreja específica. Não são as igrejas que surgem agora com “centros de treinamento”, mas é o inverso – as Faculdades Teológicas substituíram os “centros”, ou seminários que eram das igrejas ou denominações. Que há um objetivo comum em ambos, não há dúvida, mas não devemos falar em “concorrência”. Esse “investimento” nada mais é do que um retorno saudável às origens do treinamento teológico, que prioriza a proficiência bíblica e a devoção, em vez do mero fornecimento de um “diploma reconhecido pelo MEC”, que, infelizmente, tem sido o alvo e objetivo principal não somente das “Faculdades”, como também de muitos que a ela acorrem.

JETRO: Existe uma percepção geral de que os cursos de teologia estão se esvaziando. Os centros acima seriam os responsáveis por isso? Estariam eles mais preparados para o público leigo?
Resposta – Os cursos de teologia estão se esvaziando porque a igreja está deixando de ser pro-ativa no que diz respeito à identificação das vocações ministeriais. Nas últimas décadas enfatizamos demasiadamente o subjetivismo nessa área – a pessoa é que define se ela é “chamada” ou não. O “Senhor” fala diretamente a cada um, e não por intermédio da igreja e do conselho dos mais experientes. Na Bíblia vemos alguns chamados excepcionais, mas acredito que o que caracteriza a normalidade para a Igreja de Cristo, é o Corpo, pela atuação dos mais experientes e qualificados – conformes diretrizes de 1 Tm 3 e Tt 1 – observando os membros a forma de dedicação à palavra e os dons específicos que lhes foram concedidos pela soberana ação do Espírito Santo, e separando esses para o sagrado ministério da Palavra. Lógico que ninguém é forçado, pois é o mesmo Espírito que evidenciará tais qualificações aos circunstantes. Meu ponto é que as igrejas têm ficado meramente passivas, esperando que os vocacionados se encaminhem ao estudo teológico e ao treinamento pastoral. Identifiquem; encorajem; providenciem os meios; supervisionem; façam-nos colocar em prática o treinamento recebido – isso preencherá os cursos de teologia. Por outro lado, muitos cursos têm demonstrado uma propensão à autofagia e estão se destruindo de dentro para fora pelo academicismo, por uma espiritualidade vazia e pelo liberalismo teológico – que despreza a integridade da Palavra de Deus. Isso não contribui para sua perenidade.

JETRO: Qual deve ser a formação teológica da liderança leiga da igreja na sua opinião?
Resposta
– A maior possível. O estudo da teologia não é só para uma casta privilegiada. Alguns aspectos mais técnicos, relacionados com as línguas originais, podem ser secundários, para a liderança leiga, mas certamente o estudo bem ministrado da história da igreja, da apologética, da exegese, da teologia própria, e até da homilética, contribuirá para o alinhamento do rumo da igreja com os objetivos da Palavra de Deus. Vejo com muito otimismo o ressurgimento de um interesse de vários líderes leigos em serem treinados. Na minha denominação (IPB) muitos presbitérios ou igrejas locais têm organizado tais treinamentos, em cursos de um ano. Normalmente têm boa procura e freqüência. Temos que abandonar a idéia de pensar que tudo é tarefa e obrigação dos pastores, mas temos que ser bem treinados para liberá-los ao pastoreio do rebanho e apoiá-los em suas responsabilidades.

JETRO: Cremos que nunca houve um tempo de tantas seitas e heresias. De que forma a formação teológica ajudaria a liderança em lidar com isso?
Resposta
– Temos que ter a convicção de que conhecimento teológico se deriva da Palavra de Deus. Temos que voltar à doutrina de suficiência e inerrância das Escrituras. Essa é uma escolha de Deus e não nossa. Ele não decidiu nos legar a Bíblia para que fosse uma peça de museu, anacrônica, sem relevância aos nossos dias; ou para que extraíssemos nossas convicções teológicas do último “guru” evangélico de plantão – daquele que reinterpreta a graça como licenciosidade, ou do que diminui a sobrania de Deus para que caiba em nossas falíveis mentes, ou do que torna Deus servo de nossos desejos. A formação teológica adequada procurará discernir o que Deus fala, em Sua Palavra, e avidamente buscará aplicar essas verdades aos nossos dias, com uma humildade que vem acondicionada na coragem necessária de ser diferente dos tempos, mas fiéis à Bíblia.

JETRO: Muitos líderes das igrejas são profissionais já formados e experientes em suas áreas de origem. Não seria difícil uma pessoa com este perfil voltar para o banco da escola?
Resposta
– Profissionais já formados e experientes, se são competentes, sabem que o que existe para aprender é sempre muito mais do que o que já sabemos. Se há apreço e amor pela Igreja de Cristo, pela qual ele verteu o seu próprio sangue; se há convencimento de que precisamos saber mais sobre os seus ensinamentos; haverá submissão a uma rotina de aprendizado, a um “retorno aos bancos”. Meu conselho é que tais cursos para a liderança leiga seja ministrado em meio expediente de sábados alternados e, talvez, uma noite em semanas alternadas. Pode ser que leve um tempo maior para o treinamento necessário, mas não é realista compatibilizar várias outras atividades, principalmente no caos de trânsito e deslocamento das grandes metrópoles, com um treinamento que apresente demandas de freqüência diária, ou muito amiúde.

JETRO: O que uma faculdade de teologia pode oferecer para um líder leigo que não pode ser substituído por algum outro tipo de capacitação?
Resposta – O ensino teológico em nível superior é normalmente ministrado por pessoas que levaram anos se preparando, estudando em detalhes as diretrizes da Palavra de Deus. Muitos cursos de capacitação, devido ao seu caráter voluntário e pouco sistemático, sofrem com inconstância na docência, ou na seriedade com que os participantes encaram as lições recebidas. Há menos leitura de obras relacionadas com a Igreja; há diluição ou ausência nos testes de aferição do aproveitamento; há menos tempo colocado na ministração das diversas áreas. No entanto, nem sempre é realista achar que um líder leigo conseguirá separar o tempo necessário a um treinamento teológico em nível superior.

JETRO: E a respeito dos pastores? Em sua opinião, qual a maior necessidade de conhecimento da atual liderança pastoral evangélica?
Resposta – É uma necessidade tripla. Os pastores precisam estudar mais teologia sistemática e bíblica – as doutrinas derivadas do ensinamento da Palavra de Deus. Muitos estão se esmerando no estudo da psicologia, ou da manipulação de massas – mas o Povo de Deus anseia por aqueles que tenham um sólido alicerce teológico e não fiquem ao sabor dos “ventos de doutrina”, tão velozes e destruidores nos nossos dias. A segunda necessidade é a de se aprofundarem e provarem a sua vocação na prática pastoral. Numa era onde as mega-igrejas são glorificadas, chamado pastoral tem sido confundido com competência empresarial. Observamos distanciamento, em vez de aproximação do rebanho. A terceira área é encontrada na prática da pregação. Temos observado que o papel da pregação vem sendo a cada dia mais negligenciado. O “louvor” em vez de ser entrelaçado aos vários elementos do culto, vem se transformando em um show de virtuosismo de poucos, ou de uma catarse coletiva de emotividade, sendo sempre sacrificada a pregação da Palavra – quando a Bíblia nos ensina que ela é o veículo de crescimento em entendimento e meio de conversão de pecadores. Nessa área, o grande passo que as Faculdades Teológicas e instituições congêneres de ensino superior teológico deveriam dar, é retornar ao ensino da pregação expositiva – onde textos completos são expostos, explicados e aplicados à situação dos fiéis. É o grande antídoto à multidão de pensamentos aleatórios, personalistas e anti-bíblicos que permeiam os nossos púlpitos.

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Solano Portela
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sexta-feira, junho 27, 2008

Augustus Nicodemus Lopes

Já, Já Estamos de Volta

Por     7 comentários:

Amigos,


Solano está de férias, Mauro e eu estamos até o pescoço de trabalho. Por isso o Tempora Mores (para alegria de uns, devo dizer) anda meio paradão, mas aguardem, já, já voltamos!!


Abraços,

Augustus
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segunda-feira, junho 09, 2008

Solano Portela

Um fim de semana na Capitol Hill Baptist Church

Um post de Franklin Ferreira

Apesar de ser apenas um jovem de 37 anos, Franklin é um velho amigo desta troika. Historiador e teólogo competente, é um dos excelentes cérebros do pensamento reformado com que Deus tem agraciado nosso sofrido Brasil nos últimos anos e um dos esteios da igreja contemporânea. Sua docência e seus escritos já têm servido a muitos e seu último trabalho (A Teologia Sistemática) foi apresentado e recomendado em nosso Blog. Temos feito, também, referências a escritos seus em outros posts (e aqui). Atualmente o Franklin colabora com a Editora Fiel, em São José dos Campos e é o editor das obras de João Calvino em português e auxilia nos bastidores para a realização da excelente conferência que a FIEL realiza, anualmente, em Águas de Lindóia, a cada outubro, há mais de 20 anos, e que tem contribuição essencial ao reavivamento da fé reformada e da sã doutrina, que temos visto em nossa terra, nos últimos anos. Em ocasiões raras temos postado, no "Tempora", textos de outros autores. O relato a seguir é um resumo de uma viagem memorável feito pelo Franklin aos Estados Unidos, há algumas semanas.

Solano Portela
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No período de 15 a 19 de maio de 2008 a editora Fiel, onde trabalho, enviou-me aos Estados Unidos para participar de um Weekender promovido pelo "Ministério 9Marcas" na Capitol Hill Baptist Church (CHBC). Trata-se da igreja pastoreada por Mark Dever, autor de vários livros e, entre eles, Nove marcas de uma igreja saudável - já disponível em português. Outros livros dele, são: What Is A Healthy Church?; Deliberadamente igreja (em co-autoria com Paul Alexander); A Display of God's Glory; By Whose Authority?; e The Gospel and Personal Evangelism.

O Weekender é uma imersão na vida da CHBC. Assistimos às reuniões dos presbíteros, às classes para os novos membros e fomos apresentados à estrutura da igreja: a escola dominical, a filosofia de ministério e pregação, mentoria de futuros pastores, o programa de missões estrangeiras etc. Também participamos do encontro com os jovens já formados em teologia e que servem na CHBC (sendo preparados para o pastorado), do culto de estudo bíblico na quarta-feira à noite, do culto de pregação da Palavra no domingo pela manhã e do culto de oração, no domingo à noite. Ao final desse último culto, assistimos à assembléia administrativa da igreja.

Em todo o tempo, as nove marcas que caracterizam uma igreja saudável são não apenas enfatizadas, mas ilustradas na prática da CHBC: a ênfase na pregação expositiva e na teologia bíblica, a prioridade do evangelho e a compreensão bíblica da conversão, o entendimento bíblico sobre a evangelização, as implicações de ser parte de uma igreja local, a disciplina bíblica na igreja, o discipulado e o crescimento e a primazia do presbiterato.

Uma característica marcante dos últimos quinze anos da história da igreja no Brasil é a impressionante proliferação de manuais de crescimento de igreja. O que se tem é, em alguma medida, uma aplicação da velha heresia pelagiana à doutrina da igreja: age-se na confiança de que certo método de crescimento, uma vez posto em prática, pode levar a igreja a crescer. Ainda que se mencione de passagem a necessidade do Espírito, esse, aparentemente, não desempenha papel central na renovação da igreja. Isso não apenas é a capitular a uma heresia mortal, mas se render à presunção de que devoção e igreja podem crescer ou ganhar forma por meio de processos mecânicos de aplicação supostamente genérica.

Desnecessário dizer que, no processo de aplicação desses modelos, não raro as igrejas deixam de ser igreja e os pastores deixam de ser pastores. Difícil resistir à conclusão de que, enquanto os pastores começam a se portar como “burocratas eclesiásticos” – para citar a perceptiva frase de Peter Berger –, os membros são vistos apenas como peças de uma engrenagem, parte de uma máquina maior. Em vez de ser vistos como pessoas, com nome, história e dilemas, reunindo-se para adorar e ser cuidados, passam a ser considerados apenas indivíduos úteis para o crescimento da igreja.

Também se deve destacar que a história recente da igreja evangélica no Brasil parece ensinar que a relevância cultural, social e política dos cristãos são inversas ao tamanho de algumas grandes igrejas presentes nesse país. Igrejas marcadas por santidade ou pregação da pura Palavra de Deus – para lembrarmos algumas das antigas marcas da igreja – dão lugar a simples ajuntamentos, sem a relevância esperada, como já ocorreu em outros tempos e lugares.

Qual a diferença entre o modelo apresentado pela CHBC e os métodos de crescimento de igreja presentes no Brasil? A diferença é que a ênfase da CHBC está na direção oposta de quase todos esses manuais, na medida em que, em nenhum momento, Mark Dever e os demais presbíteros sequer insinuam que o que está acontecendo na CHBC deva ser imitado por outras igrejas. A partir da compreensão de que as nove marcas que distinguem uma igreja saudável são bíblicas, o que se percebe na CHBC é o tratamento pessoal e particular de Deus com uma comunidade peculiar e particular. E o que fica é o estímulo para que apliquemos as nove marcas que caracterizam uma igreja local saudável à situação particular e peculiar em que ministramos. Isso exige não apenas conhecer bem o que a Bíblia ensina sobre o que é ser uma igreja saudável, mas implica conhecer com a mesma seriedade – e conhecer bem – a igreja pela qual somos responsáveis e a localidade onde essa igreja está inserida. O que se enfatiza na igreja contemporânea é a necessidade, não de descobrir mais um novo método, mas redescobrir as marcas bíblicas que caracterizam uma igreja saudável, com o fim de promover crescimento para a glória de Deus.

Já que livros como Nove marcas de uma igreja saudável não oferecem algo parecido com um manual ou um modelo de aplicação geral, não espere encontrar nos materiais desse ministério uma resposta à pergunta que já se tornou um clichê: como posso praticar isso em minha igreja? É isso que os manuais e modelos de crescimento de igreja pretendem responder, como se houvesse um modelo aplicável a todas as igrejas, em todo lugar – mais uma capitulação à pressuposição da modernidade de que tudo funciona mecanicamente. O que você tem nos livros e textos desse ministério é uma exposição histórica, bíblica e prática das marcas que caracterizam uma igreja genuinamente saudável.

O que vi na CHBC nesses dias reforça minha convicção, nascida em 1996, quando ouvi as pregações de Mark Dever aqui no Brasil, na Conferência para Pastores e Líderes da Fiel. Ao enfatizar as marcas bíblicas de uma igreja saudável, temos um corretivo bíblico para a cultura de “defesa da fortaleza” tão presente em várias igrejas conservadoras e calvinistas – tanto nos EUA como no Brasil. Os que estão à frente dessas comunidades muitas vezes são críticos (e com boa dose de razão) dos vários modelos atuais de crescimento eclesiástico. Só que, além de não oferecerem uma alternativa radicalmente bíblica para a edificação e crescimento da igreja, algumas vezes parecem se conformar em pertencerem a igrejas pequenas – sem relevância missionária, social, política e cultural, que sempre foram marcas das igrejas reformadas. O Ministério 9Marcas oferece não apenas uma correção para esse triste estado, como também proporciona um modelo radicalmente bíblico para a revitalização de nossas congregações e crescimento por meio do discipulado, evangelização e missões.

O texto completo sobre como foi o Weekender, os cultos na CHBC e as visitas que fiz às Universidades de Princeton e Yale pode ser baixado "clicando" aqui.


Franklin Ferreira
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quinta-feira, junho 05, 2008

Augustus Nicodemus Lopes

Vídeos do Simpósio "Darwinismo Hoje" Online

Por     6 comentários:

Em abril desse ano foi realizado o "I Simpósio Internacional Darwinismo Hoje" no Mackenzie. O evento reuniu representantes do Darwinismo, Criacionismo e Design Inteligente.

Assista aos vídeos do Congresso Darwinismo Hoje, com três possibilidades:

  • Formato Flash (qualidade superior)
  • Formato WMV
  • Baixe os arquivos FLV

Acesse agora (LINK ATUALIZADO!):

http://www.mackenzie.com.br/11549.html



Bom proveito!
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segunda-feira, maio 12, 2008

Augustus Nicodemus Lopes

Francis Schaeffer Hoje

Por     20 comentários:

[Essa foi, na íntegra, a entrevista que concedi à revista Cristianismo Hoje para matéria sobre o legado de Francis Schaeffer, especialmente diante das críticas feitas a ele pelo próprio filho, Franky. A revista não publicou a entrevista na íntegra, mas reproduziu fielmente o teor da mesma.]


CH - Na sua opinião, qual é o legado deixado por Scheaffer para a Igreja Evangélica do século 21?


Schaeffer foi um homem que viveu à frente de seu tempo. Sua análise crítica da cultura e da sociedade da sua época continua relevante e atual. Schaeffer percebeu como poucos os efeitos a longo prazo, no Cristianismo e na sociedade global, da pós-modernidade, a qual começava a se manifestar em seus dias. Os temas aos quais Schaeffer se dedicou e sobre os quais escreveu são os mesmos temas que estamos discutindo hoje, como ecologia, ética na tecnologia, a globalização, o pluralismo e o relativismo. O legado de Schaeffer são suas obras sobre esses temas escritas a partir da cosmovisão cristã reformada. Partindo do referencial bíblico, Schaeffer submeteu a um severo escrutínio os argumentos, conceitos e idéias da pós-modernidade. Todos hoje que buscam uma análise social e cultural crítica consistente, justa e inteligente, do ponto de vista evangélico, encontram nas obras de Schaeffer um apoio inestimável. É claro que muitos o consideram fundamentalista por sua aderência à autoridade e infalibilidade das Escrituras. Mas é exatamente por isso, por partir do referencial bíblico, que sua obra permanece relevante para hoje..

CH - É justo atribuir-se a este legado o comportamento da chamada direita evangélica americana?


Acho que não, embora muitas das idéias de Schaeffer coincidiam com as idéias de vários da chamada direita evangélica. Schaeffer era um pensador independente e capaz de oferecer críticas inclusive à chamada direita evangélica americana. No livro How should we then live (1976) ele critica inclusive o movimento reformado. A tentativa de enfraquecer o legado de Schaeffer associando-o à direita evangélica é feito obviamente pela esquerda evangélica, que por sua vez, está sujeita a críticas severas do ponto de vista do Cristianismo histórico, como por exemplo, a defesa do aborto, do homossexualismo do ecumenismo de todas as religiões. Hoje, com a politização, ideologização e enviezamento das posturas, é praticamente impossível deixar de associar figuras públicas, como Schaeffer, a um partido, um grupo ou movimento. Mas o mesmo pode ser feito com relação aos críticos de Schaeffer, que geralmente podem ser identificados com a esquerda evangélica.


CH - O que ficou, de bom e ruim, da obra de Francis Schaeffer?


De ruim, eu não saberia dizer, pois sempre me beneficiei do seu legado. Sua abordagem pressuposicionalista das posturas teológicas e filosóficas me ajudou bastante, desde a minha época de estudante de seminário até hoje. Como já mencionei acima, Schaeffer continua como referencial de análise social e cultural crítica a partir de pressupostos cristãos reformados. Recentemente, virou moda criticar Schaeffer, inclusive pelo seu próprio filho, o que é lamentável. Para alguns, ele é "muito cartesiano", "fundamentalista"; uma pessoa superada e que empolga apenas os noviços e incautos. Muitos dos críticos brasileiros de Schaeffer são pessoas que se tornaram deslumbradas com o liberalismo e que voltaram as costas à sã teologia, procedente das Escrituras. O fato de Schaeffer utilizar referenciais reformados para interpretar a história e estruturar a sua teologia incomoda a muitos. Assim, escrevem textos chamando Schaeffer de "mente predeterminada" e uma pessoa que dava "importância à Igreja". Tudo isso é anti-evangelicalismo contemporâneo, que prefere um evangelho fluido, indescritível, debaixo de uma graça espúria que não é a graça divina encontrada na Bíblia, mas antes um cobertor gigantesco para deixar a todos felizes e acomodados em seus pecados, enquanto se abraçam uns aos outros.
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segunda-feira, maio 05, 2008

Augustus Nicodemus Lopes

Filosofia e Cristianismo no Mackenzie

Por     11 comentários:



Nos dias 21 a 23 de outubro o Mackenzie estará promovendo o IV Congresso Internacional de Ética e Cidadania, desta feita versando sobre o tema "Filosofia e Cristianismo". O convidado internacional é Dr. Merold Westhpal, mestre e doutor em Filosofia pela Universidade de Yale (veja www.fordham.edu/philosophy/faculty/westphal.htm). Ele falará sobre os seguintes temas:


  • Os Usos Religiosos do Ateísmo

  • Como é Deus?

  • Fé e Conhecimento

  • Oração e o Eu Pós-Moderno

Haverá uma mesa redonda da qual participarão, além de Dr. Westphal, o Dr. José Carlos Estêvao, mestre e doutor em Filosofia pela USP e Dr. Davi Charles Gomes, doutor em teologia contemporânea pelo Westminster Theological Seminary.


O evento será transmitido ao vivo pela Internet a partir do site do Mackenzie.


As inscrições estarão abertas a partir de Julho. Serão aceitos trabalhos de estudantes e professores para mesas de comunicações.


Uma boa oportunidade para reflexão sobre a interação entre filosofia e fé cristã, à luz de questões atuais e polêmicas, como ateísmo, oração, pós-modernidade e epistemologia.

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