sexta-feira, abril 29, 2011

Augustus Nicodemus Lopes

Declaração de Fé da Fraternidade Reformada Mundial no ar...

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A Fraternidade Reformada Mundial, da qual a IPB é membro fundador juntamente com a PCA e a Igreja Presbiteriana do México, aprovou mês passado uma Declaração de Fé após seis anos de estudo e debate. Participaram da sua elaboração teólogos, pastores, professores e estudiosos dos seis continentes, todos comprometidos com as grandes confissões de fé reformadas.

A introdução da Declaração expõe com clareza os motivos para a sua elaboração. Ela será em breve traduzida para o português e mais uma dezenas de outras línguas. Enquanto isto, para os que lêem inglês segue uma prévia:

DECLARAÇÃO DE FÉ DA FRATERNIDADE REFORMADA MUNDIAL
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quarta-feira, abril 20, 2011

Mauro Meister

Páscoa e Liberdade

Túmulo escavado na pedra, primeiro século.
Como não temos ainda uma nova mensagem para a páscoa, segue um 'requente' do ano passado... 
Antes do texto, um breve comentário sobre a foto ao lado. Quem me conhece sabe que não sou místico, ainda que bastante emotivo. Uma das emoções que senti vistando Israel por alguma vezes foi quando visitei o "Jardim da Tumba" pela primeira vez, um local fora dos muros da cidade atual onde se encontra um tumulo legitimamente datado do primeiro século, um túmulo de um homem rico, com um jardim e uma prensa de óleo. Bem próximo está um monte que lembra uma caveira. Quem vai para a visita certamente vai curioso para ver o túmulo, mas a surpresa e emoção me vieram quando me virei para sair, depois de observar por alguns segundos as pedras frias. Na porta, que se encontra aberta para quem entra, vemos a plaquinha: "Ele não está aqui, mas ressuscitou." Obrigado Senhor, pela ressurreição do teu filho, meu Senhor, meu Salvador.

Páscoa e Liberdade
Tanto para o povo hebreu, que viveu durante 430 anos no Egito, quase todo esse tempo em regime de escravidão, quanto para os cristãos, a páscoa tem um significado essencial: libertação. Aproveitando-nos do tempo e da época em que, com grande estardalhaço de coelhos e ovos se comemora a páscoa comercial, que traz alguma esperança de livramento da opressão da crise econômica para muitos envolvidos no mundo dos negócios, convido o leitor a refletir sobre o significado básico deste precioso evento. Continue lendo: http://tempora-mores.blogspot.com/2010/04/pascoa-e-liberdade.html
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segunda-feira, abril 11, 2011

Mauro Meister

Congresso Nacional de Educadores Cristão - ACSI / ANEP


O 9o Congresso Nacional de Educadores Cristãos, voltado para a educação cristã escolar e promovido pela ACSI e ANEP, ocorrerá no mês de Junho, nos dias  23 e 24. Já temos confirmadas mais de 300 inscrições. Você é educador cristão? Trabalha em uma escola cristã? Tem convicção de que a educação dada na sua escola é baseada em uma legítima cosmovisão cristã? Por conta de perguntas como estas que a ACSI e ANEP organizaram o
Buscai em Primeiro Lugar o Reino de Deus

Universidade Presbiteriana Mackenzie  - Auditório Ruy Barbosa
Rua Itambé, 135, Higienópolis, São Paulo - SP

  • Dr. Derek Keenan
  • Vice Presidente da ACSI Global
  • Dra. Sheryl Vasso
  • Professora da Philadelphia Biblical University, EUA
  • Prof. Stuart Salazar
  • Diretor Regional da ACSI América Latina
  • Dr. Mauro Meister
  • Coordenador do CPAJ
  • Prof. Solano Portela
  • Diretor Financeiro do Instituto Presbiteriano Mackenzie
  • Dr. Augustus Nicodemus
  • Chanceler da Universidade Presbiteriana Mackenzi
  • Dr. Marcos Eberlin
  • Professor da UNICAMP
  • Profª Marta Franco Dias
  • Vice Diretora Executiva da ACSI Brasil
  • Profª Dilean Martins
  • Coordenadora Pedagógica da ACSI Brasil
  • Prof. Ricardo Marques
  • Diretor do Colégio Kerigma, Fortaleza
  • Profª Neli Freitas
  • Consultora Pedagógica da ANEP
  • Profª Inez Borges
  • Professora da Universidade Presbiteriana Mackenzie e Conselheira da AECEP
  • Prof. Wilson do Amaral
  • Secretário da ANEP
  • Paulo Debs
  • Autor de livros infantis
Veja alguns dos workshops que estamos preparando para o evento, alem de outros 30, com diversos palestrantes de todo o Brasil:
UMA ESCOLA COM O CORAÇÃO DE DEUS (Dr. Derek Keenan) – Escolas cristãs desejam ser escolas que refletem o coração de Deus aos seus alunos, pais e comunidade. Há alguns espelhos que podemos usar para ver se é realmente o coração de Deus que está sendo refletido em nós. Toda escola com o coração de Deus terá certas características que podem ser identificadas e avaliadas. Onde estivermos em falta, podemos correr atrás de mudanças, e onde Deus tem nos abençoado, podemos ser gratos e encorajados.

LIVRES PARA VOAR – O ESPÍRITO DO ENSINO (Dr. Derek Keenan) – O “espírito” do ensino é viver a vida privilegiada do professor e esta vida é poderosa, animadora, revigorante e capaz de influenciar. Mas devemos ter uma liberdade de espírito para exercer a plenitude do dom. Começando com o Salmo 142.3, essa plenária explorará a compreensão do “espírito do professor” e a manutenção do mesmo nas nossas escolas e salas de aula.

SUPER SEMINÁRIO PARA PROFESSORES
MANTENDO A ALEGRIA DE ENSINAR (Dr. Derek Keenan) – As demandas do ensino podem ter efeito desgastante ao longo do ano escolar. Esse efeito desgastante é também um efeito cumulativo que pode chegar ao ponto de nos roubar a alegria de servir. O dom de ensinar é o que Deus tem dado a certos indivíduos, os quais Ele deseja que sejam Seu reflexo de uma forma muito especial. Esse dom não está sendo devidamente refletido se não está sendo exercido num espírito de alegria. Esse seminário focaliza em como manter (ou renovar) a gloriosa alegria de ensinar.

WORKSHOP PARA DIRETORES, COORDENADORES E LIDERANÇA
CONFRONTANDO OS INIMIGOS DA EXCELÊNCIA NA LIDERANÇA (Dr. Derek Keenan) Há qualidades, características e fatores comuns de liderança que são desenvolvidos e inseridos na excelência.  Todas as organizações precisam de liderança que confronta os inimigos da excelência e procura uma qualidade de “performance” que beneficia a organização, sua missão e seus funcionários.



Assista a um vídeo sobre o trabalho feito com educadores cristãos no ano passado:




Atenção, o 3o Congresso de Educação Cristã da IPB foi adiado.
Nova data a ser confirmada.



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quarta-feira, abril 06, 2011

Augustus Nicodemus Lopes

Aaahh, agora sim - "Deus" não sabe onde a evolução vai dar...

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Eu nunca havia atentado para o fato de que o teísmo aberto oferece o tipo de deus que alguns evolucionistas teístas tanto precisavam para ser coerentes em sua teoria. A idéia me estalou nesta segunda, conversando com o cientistas cristãos do Discovery Institute em Seattle, que acabam de lançar um livro "God and Evolution" que promete ser uma das críticas mais pertinentes e sérias ao evolucionismo teísta.

Explico.

O evolucionismo teísta acredita que Deus existe e que "criou" a vida na terra através daquilo que a teoria evolucionista chama de processo não dirigido ou intencional, em que mutações acidentais e aleatórias levaram gradativamente à seleção natural e à sobrevivência das espécies mais aptas.

O grande problema aqui com esta teoria são as palavras "não dirigido," "aleatório" e "acidental". Este conceito é fundamental na teoria darwinista. Na verdade, é um de seus pilares. O conceito da evolução repousa neste princípio de que as mutações ocorreram de forma randômica, ao acaso. Como, então, integrar o conceito de mudanças aleatórias com a supervisão do Deus cristão, que é onisciente, onipresente e onipotente? Se Deus é onisciente, como poderia ter inventado um processo natural que se desenrolaria de maneira totalmente imprevisível, acidental e randômica, totalmente fora de seu controle ou conhecimento?

A solução é o deus do teísmo aberto. Esta "divindade," de acordo com os teólogos relacionais, desconhece o futuro e não sabe o que vai acontecer no universo nos próximos minutos. Ou seja, ela serve perfeitamente como o deus do evolucionismo teísta.

É isto que está sendo defendido em anos recentes por evolucionistas teistas. De acordo com os tais, "Deus" implantou no DNA o potencial para as mutações mas não tinha - e nem tem - a menor idéia em que tudo isto vai acabar. O processo evolucionário é autônomo e imprevisível a tal ponto que "Deus" desconhece seu produto final - se é que um dia ele haverá de terminar.

Bem, se é assim, os evolucionistas teístas deveriam mudar o nome para evolucionistas "deístas", uma vez que estes tais acreditam numa divindade remota que criou o mundo como um relógio, deu corda e simplesmente afastou-se. O deus do evolucionismo-deísta-aberto não tem a menor idéia onde tudo isto vai parar. Ainda sou mais Deus.
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terça-feira, abril 05, 2011

Augustus Nicodemus Lopes

Um culto em Mars Hill Church

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Aproveitei uma visita ao Discovery Institute em Seatlle e no domingo fui com meu amigo Davi Gomes à famosa igreja do Mark Driscoll, a Mars Hill Church, localizada em Ballard, próximo ao centro de Seattle. Eu poderia ter ido a várias outras igrejas, inclusive presbiterianas, mas quis conhecer em primeira mão a igreja do Driscoll. Afinal, tem havido tanta controvérsia sobre ele entre reformados que não poderia deixar passar a oportunidade de formar, por mim mesmo, uma opinião sobre sua igreja.

Eu sabia que ele não estaria lá neste domingo. Ele estaria pregando em Chicago. Já conheço bastante o Driscoll através dos podcasts de seus sermões e faltava apenas conhecer seu ministério.

Anoto aqui algumas observações sobre o que vi e ouvi. A primeira delas é quanto à igreja em si. Trata-se de uma edificação térrea, sem andares, que não parece de forma nenhuma com uma igreja. A gente só sabe que é lá porque tem uma placa dizendo “Mars Hill Church” e os horários dos cultos (foto). Uma vez dentro, o local de culto também não parece com nada que eu já havia conhecido. Trata-se de um ambiente enorme, para cerca de 2 mil pessoas, com uma iluminação fraca advinda de enormes abajures pendurados no teto sem forro, sem qualquer entrada para a luz do sol. Cinco telas enormes espalhadas pelo salão ficam transmitindo o culto, passando vídeos e divulgando as programações. O palco tem um púlpito simples ao lado de outra tela onde se projeta os textos bíblicos sendo usados. O pano de fundo são obras artísticas representando temas bíblicos, como a crucificação ou a ressurreição.

Há muita tecnologia visível. Três câmeras gravam e transmitem tudo ao vivo para outras localidades. As telas exibem informações de que os membros podem acompanhar a vida da igreja pelo Twitter ou Facebook. Até mesmo a inscrição nos grupos de comunhão pode ser feita através de mensagens de texto pelo celular! Um jogo de luzes acompanha as músicas. O efeito geral é muito bonito, embora eu pessoalmente não goste muito de efeitos produzidos desta forma durante o culto.

Havia Bíblias disponíveis em toda parte. A versão usada é a ESV, preferida hoje pelos reformados em lugar da NVI e da King James. As cópias disponíveis eram personalizadas para uso da Mars Hill.

O ambiente no geral era totalmente informal. As pessoas pareciam estar totalmente à vontade, embora houvesse um respeito evidente a julgar pelo silêncio absoluto que acompanhava cada leitura da Bíblia, oração e mesmo a pregação. Não havia gente se levantando e andando pelo salão durante o culto. Mesmo as crianças ficavam perto de seus pais. É um ambiente acolhedor, confortável, informal, ao mesmo tempo que também é reverente e respeitoso.

Quanto às pessoas que estavam no culto, eu esperava encontrar cabeludos tatuados com brincos no nariz e na orelha desmontando de enormes Harleys barulhentas. Negativo. Entre as pessoas que vi, apenas uma ou duas tatuadas e uma somente com brinco na orelha – uma proporção absolutamente normal mesmo para padrões brasileiros. A maioria era de jovens adultos vestidos de maneira absolutamente normal. Muitas crianças e adolescentes e uns poucos velhos. Eu diria, julgando pelos carros estacionados, que não são pessoas da classe alta, mas americanos de classe média baixa.
Se me recordo corretamente, a seqüência do culto foi esta: abertura com leitura de Hebreus 12 e uma breve oração, dois cânticos (já já falo sobre isto), um testemunho, avisos das atividades da igreja, mais um cântico, pregação (cerca de 45 minutos), oração, celebração da Ceia, testemunhos, recolhimento de ofertas, mais dois cânticos e pronto. Durou tudo cerca de 2 horas. Embora eu pessoalmente prefira um culto mais litúrgico, não me senti um peixe fora d’água. Não gostei da mistura de avisos com o culto, mas tirando isto, de fato o centro do culto foi Cristo e sua obra.

Alguns comentários sobre as diferentes partes do culto. Primeiro, as músicas. O louvor estava a cargo de uma banda que tocou todas as músicas no estilo rock, com a bateria pegando pesado e solos de guitarra. Apesar disto, não houve gente dançando e nem requebrando, apesar das palmas. O Davi me chamou a atenção depois para ao fato de que várias das músicas eram hinos tradicionais tocados neste estilo – eu na verdade só havia reconhecido um! Não me admira, então, que gostei de todas as letras! Eu pessoalmente prefiro outro estilo musical para a adoração e exultação, mas entendo que este estilo musical alcança bem as pessoas aqui no contexto de Seattle, da geração que Mars Hill tem como alvo. A banda era muito boa, tocou em nível profissional, ao contrário das improvisações e do amadorismo que encontramos em muitas de nossas igrejas.

Uma coisa que apreciei foi que o dirigente do louvor não ficava dando bronca na igreja entre as músicas nem tentando fazer a ponte entre uma música e outra citando passagens da Bíblia. Ele entendia perfeitamente que a missão dele era conduzir o louvor e se ateve exatamente a isto. Outra coisa positiva foi que não tentavam ficar fazendo fundo musical durante as orações ou palavras de exortação do pastor.

Segundo, a pregação. Como eu disse, não foi Mark Driscoll quem pregou, mas um pastor da equipe daquela igreja. O que me chamou a atenção, antes de qualquer coisa, foi que ele e um outro pastor que dirigiu a liturgia se vestiam exatamente como Driscoll: calça jeans, camisa por fora das calças e tênis! Até na maneira de falar e gesticular havia a sombra do Driscoll. Quero crer que Mark teve um impacto muito forte na sua equipe e que esta semelhança não é intencional ou proposital.

Bom, o sermão foi em Lucas 17, a cura dos dez leprosos. Foi uma excelente exposição bíblica. As idéias teológicas eram claramente reformadas, como a doutrina da depravação total, a soberana graça de Deus e a salvação pela fé somente, na obra completa e eficaz de Cristo. A linguagem era fácil, respeitosa, limpa, havia muitas ilustrações e o tom era bem evangelístico. Não houve apelo para as pessoas levantarem a mão aceitando Jesus e nem para virem à frente, mas houve um forte apelo para que aqueles que foram tocados pela mensagem procurassem os pastores ao final.

Durante o sermão as pessoas ficaram absolutamente silenciosas, escutando atentamente a pregação. Era evidente que o sermão era o centro do culto e foi a parte que mais demorou. As músicas escolhidas giravam em torno do tema da mensagem, que foi a graça de Deus em tocar pecadores perdidos, como Jesus tocou aqueles leprosos.

Terceiro, os testemunhos. Ao final da mensagem, depois da Ceia, um dos pastores desceu e foi conversar com algumas pessoas, e escolheu três para darem testemunho de como Cristo havia tocado suas vidas, à semelhança dos leprosos. Foram testemunhos sóbrios, curtos e bem focados. Um em especial emocionou a todos, de um pai cuja filha havia morrido na semana anterior. A confiança deste pai em Jesus Cristo e na ressurreição causou uma profunda impressão em muitos.

Quarto, a celebração da Ceia. Este foi talvez o ponto que achei mais fraco. Devido à grande quantidade de pessoas, há vários pontos no salão onde ficam disponíveis uma taça de vinho e outro de suco de uva, ao lado de uma cesta de pão sem fermento. As pessoas que querem participar chegam, molham um pedaço de pão no vinho ou no suco de uva, e retornam para seus lugares. Uns comem na hora, outros esperam mais para o final, ficou meio desorganizado e se perdeu o senso de comunhão. Também faltou uma explicação mais clara sobre o que era a Ceia e o que os elementos representam. Todavia, é preciso ressalvar que eles não encorajam a que todos participem. Foi dito claramente que se alguém tem consciência de pecados cometidos e não resolvidos, que não deveria participar.
A brochura distribuída no balcão de visitantes, à entrada do salão de cultos, informa que eles têm celebração da Ceia em todo culto – algo a que João Calvino teria dado um retumbante “amém”!

A impressão geral é que o culto é voltado para pessoas quebradas, estragadas pelo pecado, necessitando de arrependimento, perdão e encorajamento. É tudo muito focado na graça. É o tipo de igreja em que pessoas arrebentadas por seus próprios erros e pelos erros de outros se sentirão acolhidas, perdoadas e respeitadas. Estou falando de usuários de drogas, prostitutas, gente que foi abusada sexualmente, mulheres espancadas – enfim, o catálogo é enorme. Em Mars Hill esse pessoal é recebido e a ministração é voltada especialmente para eles. A mensagem do Evangelho e o chamado ao arrependimento e reconciliação com Deus são proclamados muito claramente.

Ao final, penso que o modelo de Mars Hill provavelmente não funcionaria no Brasil, a não ser em alguns ambientes específicos. Mas, penso que o princípio por detrás de Mars Hill merece nossa consideração. Ou seja, que nós, reformados no Brasil, precisamos encontrar uma maneira de ser reformados que seja mais eficaz e relevante para nossa própria cultura, sem comprometer princípios bíblicos. Precisamos refletir seriamente sobre o quanto na tradição reformada é inegociável por ser bíblico, e o quanto pode ser alterado e mudado por representar apenas a maneira reformada de ser de nosso pais e avós séculos passados.
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domingo, abril 03, 2011

Augustus Nicodemus Lopes

O irmão crente do ateu Hitchens

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Quase por acaso me caiu nas mãos um livro escrito pelo irmão do famoso ateu Christopher Hitchens. Eu estava numa reunião em São Paulo com um representante de uma conhecida editora, discutindo sobre a publicação de um livro de minha autoria. Ao término da reunião ele me entregou um livro em inglês e disse que ele havia sido cogitado para ser traduzido em português e publicado no Brasil, mas a editora decidiu não fazer por entender que não teria público para ele.

Tratava-se de "The Rage Against God - How atheism led me to faith" ["A Ira contra Deus - Como o Ateísmo me Levou à Fé"], de Peter Hitchens, publicado em 2010 pela Zondervan. Meu amigo me perguntou se eu tinha interesse no assunto. Respondi que sim pois, coincidentemente, eu havia tentado trazer Christopher Hitchens para um debate sobre ateísmo e fé em Deus no Mackenzie ano passado. A tentativa acabou fracassando porque Christopher foi diagnosticado com câncer e cancelou os compromissos internacionais. Ganhei o livro de presente. E aproveitei uma viagem aos Estados Unidos, as horas monótonas de vôo e a espera em aeroportos, para lê-lo.

Embora Richard Dawkins seja o ateu mais famoso do mundo, Christopher Hitchens tem sido considerado por muitos como mais eficiente em promover o ateísmo. Extremamente inteligente, excelente debatedor e movido por uma raiva profunda contra Deus e o Cristianismo, bem como contra as religiões em geral, Christopher tem empreendido uma cruzada ao redor do mundo - impedida agora em parte por sua doença - contra a fé em Deus, que ele considera a raiz de todos o males que já acometeram a raça humana.

Qual não foi minha surpresa ao descobrir que ele tem um irmão, Peter Hitchens, igualmente inteligente e capaz, que seguiu o caminho contrário de seu irmão ateu. Neste livro,  Peter conta  como ele e Christopher perderam a fé em Deus por volta dos 14 anos de idade. Ambos foram criados num lar protestante na Inglaterra. Seus pais eram da Igreja Anglicana e costumavam freqüentar os cultos, embora fossem cristãos nominais.

A secularização brutal da Europa depois das guerras, o avanço do racionalismo e a perda da esperança e da confiança nos valores que um dia marcaram a Inglaterra levaram ambos a se declarar ateus quando ainda na escola. Peter celebrou sua libertação da religião e de Deus queimando uma Bíblia King James no pátio da escola, perante seus amigos.

Tanto Christopher quanto Peter se tornaram jornalistas bem sucedidos. Christopher se tornou cada vez mais raivoso contra a fé em Deus e aos poucos colocou como alvo supremo de sua vida atacá-la e destruí-la de todas as maneiras possíveis. Peter permaneceu ateu, e embora desprezasse profundamente todos que cressem Deus, não tinha a atitude beligerante de seu irmão.

No livro, Peter atribui seu retorno à fé a alguns fatores. Primeiro, sua experiência na Rússia durante cinco anos como correspondente estrangeiro. A frieza, dureza, desconfiança, rudeza e desumanidade da cultura e civilização da Rússia ateísta, bem como o fracasso do socialismo ateu o levou a uma comparação com a civilização cristã da Inglaterra. Segundo, sua experiência no Iraque como correspondente durante a guerra do Golfo. Ali, mais uma vez, ele percebeu a diferença de uma cultura moldada pelos valores cristãos.

O sub-título do livro, "Como o Ateísmo me levou à fé," é uma referência à constatação que Peter fez, em contato com culturas anti-cristãs, do efeito destruidor do ateísmo na vida das pessoas. Num certo sentido, é o contra argumento da bandeira levantada por seu irmão ateu, Christopher, de que a fé em Deus está por detrás dos maiores males ocorridos na humanidade. Aparentemente, Christopher não levou em consideração os males causados pelos regimes socialistas ateístas.

O evento aparentemente decisivo para a conversão de Peter ocorreu uma vez em que ele estava viajando pelo interior da França com sua namorada. Acabaram visitando uma igreja do século XVI onde há uma pintura famosa de Rogier van der Weyden, chamada de "O Último Julgamento". Ao contemplar a parte do quadro em que os ímpios, em horror, caminham para o inferno em chamas, ele foi abalado por um medo incompreensível de que, se realmente houvesse um inferno, ele seria um dos condenados a passar a eternidade em tormentos.

Peter saiu dali abalado e aos poucos começou a perder sua fé humanista num mundo sem Deus. Ele sentiu que precisava de uma fé que trouxesse sentido ao mundo. E assim, sua jornada de volta começou. Mais tarde sua namorada, uma marxista atéia, também se tornou crente em Jesus Cristo. Ambos se tornaram membros da Igreja Anglicana, onde permanecem até hoje.

Fiz algumas contatações da leitura do livro. Primeiro, que ser ateu é uma decisão que uma pessoa toma "pela fé". O ateísmo é uma religião tanto quanto o Cristianismo. Segundo, que Deus é poderoso para mudar corações, transformar vidas, arrebentar bastiões da incredulidade e salvar homens e mulheres para Sua glória, quando humanamente falando não haveria possibilidades. Terceiro, que não devemos perder as esperanças com nossos jovens, quando mostram fascinação pelos argumentos aparentemente científicos apresentados pelos evangelistas do ateísmo como Dawkins e Hitchens. Oremos para que cedo ou tarde eles percebam que ser ateu é uma escolha precedida por um ato de fé, e não a conseqüência lógica da ciência.

Quando Christopher Hitchens foi diagnosticado com câncer, alguém lhe perguntou se isto não o faria rever sua posição. Ele respondeu sarcasticamente, "se você me vir dizer que agora creio em Deus, é porque o câncer já comeu meu cérebro." 

Veremos. O Deus que mudou a vida de seu irmão pode também mudar a vida de Christopher - sem que ele tenha de ter seu cérebro atingido pelo câncer.
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quarta-feira, março 30, 2011

Augustus Nicodemus Lopes

A Fraternidade Mundial Reformada se Reúne nos Estados Unidos

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Esta reunião, na verdade, é do Conselho Diretor da Fraternidade Mundial Reformada, que acontece anualmente em alguma parte do mundo. A reunião do plenário acontece a cada quatro anos. Ano passado o plenário se reuniu na Escócia e fizemos o registro aqui no blog. A próxima plenária está planejada para 2014, talvez na Austrália.

Aqui em Bethesda, estado de Maryland, próximo a Washington D.C., estamos reunidos nas dependências da Fourth Presbyterian Church, uma igreja da PCA (conservadora) com cerca de 3 mil membros. Somos cerca de 35 presentes, representando os seguintes países: Estados Unidos, Inglaterra, Escócia, Irlanda, França, Coréia, China, Indonésia, Índia, África do Sul, Etiópia, Argentina, Porto Rico, Austrália, entre outros.

Os principais pontos da reunião são estes: (1) Aprovar a Declaração de Fé da Fraternidade - estamos ainda em discussão no plenário, mas encaminhados para a finalização. Faz seis anos que a Comissão de Teologia vem trabalhando nessa declaração. Tenho o privilégio de fazer parte desta comissão desde o início, representando a Igreja Presbiteriana do Brasil e meu próprio país. Esta declaração, que não é uma confissão de fé destinada a substituir outras, já está no site da Fraternidade em sua forma provisória.

(2) Discutir e preparar uma consulta sobre Ministérios Reformados entre Muçulmanos - já tivemos apresentações das vitórias e dificuldades dos que estao trabalhando nessa área e estamos caminhando na direção de marcar um grande evento sobre o assunto. O assunto é realmente difícil e sério. No Brasil temos um milhão de muçulmanos.

(3) Educação teológica entre as igrejas afiliadas que estão passando por uma necessidade muito grande de obreiros, material, recursos financeiros. Houve uma apresentação de irmãos da África sobre as necessidades das missões reformadas naquele continente e especialmente a necessidade de educação teológica e preparação de lideranças. Atualmente, há perto de 400 milhões de cristãos na África, com previsão de 1 bilhão para 2050. E muitos reformados entre eles! Mas somente 5% dos pastores africanos têm algum treinamento teológico. A apresentação foi feita por Dr. Mwaya Kitavi.

No geral, o quadro mundial é positivo. Existe o claro reconhecimento de que a maior concentração de reformados no mundo está se movendo para África, Ásia e América Latina, acompanhando movimento similar do Cristianismo.

Tive uma boa conversa com Pierre Berthoud, teólogo e pastor francês reformado, que me encorajou sobre a situação dos cristãos em França, após eu ter lido um artigo que falava da crescente secularização da Europa com previsões de zero ou quase nenhum cristão em mais 50 anos. Lembramo-nos de previsões similares em anos anteriores, que em se previa que a ciência e o iluminismo haveriam de acabar com a fé cristã em pouco tempo - e que falharam redondamente!

Orem pela igreja no mundo. Há muitas perseguições, necessidade de Bíblias e treinamento e as portas estão abertas como nunca para a proclamação do Evangelho. No Brasil somos felizes e não sabemos.
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quinta-feira, março 24, 2011

Mauro Meister

Cristianismo e Política - Videos

Os vídeos do II Congresso Internacional de Religião, Teologia e Igreja, no qual falaram Wayne Grudem, Solano Portela, Augustus Nicodemus e Hernandes Dias Lopes estão disponíveis na internet. Passe pela nossa página de conteúdo de eventos!


Part 1: Basic Principles

Chapter 1: Five Wrong Views about Christians and Government (este capítulo está disponível neste link, no formato PDF)
Chapter 2: A Better Solution: Significant Christian Influence on Government
Chapter 3: Biblical Principles Concerning Government
Chapter 4: A Biblical Worldview
Chapter 5: The Courts and the Question of Ultimate Power in a Nation
Part 2: Specific Issues
Chapter 6: The Protection of Life
Chapter 7: Marriage
Chapter 8: The Family
Chapter 9: Economics
Chapter 10: The Environment
Chapter 11: National Defense
Chapter 12: Foreign policy
Chapter 13: Freedom of Speech
Chapter 14: Freedom of Religion
Chapter 15: Special Groups
Chapter 16: The Problem of Media Bias: When the Watchdogs Fall Asleep
Chapter 17: Application to Democratic and Republican Policies Today
The five views that Grudem argues against in the first chapter are:
  1. Government should compel religion
  2. Government should exclude religion
  3. All government is evil and demonic
  4. Do evangelism, not politics
  5. Do politics, not evangelism
Nas oficinas falaram:
Franklin Ferreira: "Na presença de governadores e de reis": modelos da relação da Igreja com o Estado e o Espectro Político.
Heber Carlos de Campos: A Política, Deus e o Cristão (Executivo do Congresso).
Paulo Rodrigues Romeiro: O pentecostalismo e a política partidária no Brasil.
Fabiano de Almeida Oliveira: A Raiz Religiosa da Esfera Pública.
Heber Carlos de Campos Jr.: Trazendo a fé da esfera privada para o cenário público.
Wilson Santana Silva: Gilberto Freyre - literatura, política e religião.

Quem perdeu, tema agora a oportunidade de assistir as palestras do congresso. Aproveite. 
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segunda-feira, março 21, 2011

Augustus Nicodemus Lopes

Small is Beautiful?

Por     17 comentários:
Como eu já disse em outras postagens, sempre achei curioso, para dizer o mínimo, que liberais estejam aderindo ao movimento de "formação espiritual" ou simplesmente "espiritualidade." Não estou dizendo que todo mundo envolvido neste movimento é liberal. Conheço vários que não são. Mas certamente é intrigante ver liberais fazendo palestras sobre espiritualidade e defendendo suas práticas.

Também já mencionei antes algumas razões pelas quais, na minha opinião, isto ocorre.  Essa semana pensei em mais duas delas, que permitem ao movimento de espiritualidade justificar a existência de igrejas minúsculas, que não crescem e que são voltadas para obras sociais. Ou seja, igrejas típicas dos liberais. Explico.

Primeiro, o movimento de espiritualidade ataca as igrejas grandes por fomentar o ativismo e o envolvimento dos seus membros em múltiplas atividades, sem lhes deixar tempo para meditar, jejuar, ficar em silêncio ou praticar as disciplinas espirituais. Além disto, estas igrejas grandes, conforme a análise dos espiritualistas, acabam estimulando o materialismo e a busca de posições sociais e financeiras melhores, deixando de enfocar a vida espiritual. Partindo do entendimento de que os cristãos deveriam ser mais contemplativos, alguns adeptos do movimento da espiritualidade defendem uma espécie de retiro espiritual -  talvez um pouco semelhante aos monges da idade média - como o modelo ideal de cristianismo para o mundo moderno afogado em materialismo individualista, consumismo e indiferença. Assim, igrejas minúsculas, que não evangelizam, não crescem, e que vão minguando a cada ano, como as igrejas dos liberais, podem justificar esta situação de estagnação. O argumento é este: números não expressam qualidade e melhor do que evangelizar multidões e ganhá-las para Cristo é usar as igrejas como uma espécie de mosteiro evangélico, paraísos de contemplação e meditação, onde os crentes que ainda restam podem praticar os exercícios espirituais e se aperfeiçoar, enquanto esperam a morte chegar.

Segundo, o movimento de espiritualidade critica as grandes igrejas por não darem a devida atenção às questões que consideram realmente essenciais. Os espiritualistas as acusam de prosperidade, prestígio, poder e outras coisas que seriam contrárias à teologia da cruz, do sofrimento, da pobreza e da renúncia. Enquanto ficam pregando avivamento, crescimento, conversão, as grandes igrejas esquecem dos pobres,  abandonados, excluídos, marginalizados que povoam as periferias e os centros das grandes cidades. Aqui, os ícones são os padres e monges maltrapilhos, sem vintém, que andam pelas ruas recolhendo os bêbados, os sem teto, os drogados e as prostitutas para lhes dar pão, sabão e abrigo. Para eles, o Evangelho reside nisto. Não Lutero ou Calvino, mas Francisco de Assis e Madre Tereza. Dessa perspectiva, igrejas liberais minguantes, cujos últimos membros ainda saem pelas ruas à noite dando o sopão aos desvalidos, podem justificar o status quo.

Bem, há vários pontos do raciocínio líbero-espiritual que me parecem corretos. Como, por exemplo, a crítica pertinente feita à mega-igrejas voltadas para prosperidade, poder e prestígio, sem tempo e sem interesse em exercícios espirituais. Aprecio também a preocupação para com os pobres e necessitados.

Todavia, algumas outras coisas precisam de reparo, como a teimosia dos liberais em não reconhecer que muito do esvaziamento violento sofrido nas suas igrejas nas últimas décadas se deve ao... liberalismo! Em vez de atacar a causa real da sangria que vem acontecendo nas denominações onde eles dominaram os seminários, as instituições e assumiram a sua direção, alguns liberais preferiram adotar uma concepção de cristianismo que justifique o declínio cada vez maior de jovens e o envelhecimento de suas igrejas locais, que é se isolar do mundo para jejuar e meditar, e depois sair para distribuir sopa.

Eu estaria realmente totalmente errado se fosse contra os exercícios espirituais como oração, meditação e jejum, ou ainda contra socorrer os pobres em suas necessidades. Eu sou contra, todavia, em se usar estas coisas como uma cortina de fumaça que oculta as verdadeiras causas da diminuição anual no rol de membros de igrejas liberais. Sou contra a idéia de que igrejas grandes não podem ser espirituais, comprometidas com questões sociais ou oferecer condições para a comunhão de seus membros. Sou contra o conceito de que small sempre é beatiful. Sou contra a idéia de que se uma igreja decadente virar uma ONG, ou um mosteiro, ela legitimiza sua situação de declínio.

Não estou defendendo o movimento de crescimento de igrejas e nem o movimento de igrejas emergentes. Muitas destas igrejas se tornaram grandes por oferecer um Evangelho distorcido, que apela para as necessidades menores e secundárias das pessoas e que deixa de tratar das maiores. Para mim, igrejas pequenas podem e têm sido uma bênção. Nem sempre igrejas são pequenas porque estão morrendo. Mas quando igrejas dominadas por liberais continuam a minguar ano após ano, enquanto aquelas que pregam o Evangelho bíblico crescem, temos de procurar a causa da estagnação na teologia destas igrejas.

Em resumo, pode haver casos em que liberais se tornam seguidores da espiritualidade dos monges da Idade Média porque mosteiros sempre foram um escape para os que nunca quiseram ir ao mundo e ganhá-lo para Cristo.
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sexta-feira, março 18, 2011

Mauro Meister

Escritura em Foco

Um dos projetos do Centro Presbiteriano de Pós-Graduação é a produção de um programa de TV chamado Escritura em Foco. No momento, dentro do programa estamos produzindo duas séries, uma chamada Terra de Deus e outra chamada A Mensagem dos Evangelhos. Os programas são gravados em HD e estão sendo transmitidos num canal experimental do Mackenzie, que, por enquanto, só vai ao ar na TV aberta, em São Paulo (60).  Abaixo, um clipe do programa 2, sobre o Tabernáculo e o Templo.

 

E agora, mais um clipe, do Escritura em Foco 1

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segunda-feira, março 14, 2011

Mauro Meister

Congresso Internacional de Teologia - Wayne Grudem

Hoje à noite o Dr. Wayne Grudem vai falar no II Congresso Internacional de Religião, Teologia e Igreja no Mackenzie. O tema de hoje à noite será sobre cinco visões erradas sobre cristianismo e política. Você pode assistir as palestras principais do evento AO VIVO na IPBTV. É uma grande oportunidade para quem não tem como vir.

Tivemos o prazer de almoçar com ele, os escritores deste blog e ainda, Heber Carlos de Campos Jr., Fernando Almeida, Franklin Ferreira e Tiago Santos.

Teremos livrarias das editoras Cultura Cristã, FIEL e Vida Nova.  Veja aqui o programa completo do evento.


Depois de São Paulo o Dr. Grudem, junto com Franklin Ferreira e Jonas Madureira, participará de um evento em João Pessoa, PB, realização de Edicões Vida Nova.


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segunda-feira, fevereiro 28, 2011

Mauro Meister

Treinamento do Logos Bible Software

O Centro Presbiteriano de Pós-Graduação Andrew Jumper tem uma parceria com a Logos Bible Software, uma publicadora de livros teológicos e ferramentas de pesquisa bíblica eletrônicos. O software propriamente dito, é gratuito. O que é comprado são os livros e ferramentas, que podem ser adquiridos individualmente ou em pacotes. 

As vantagens dos livros eletrônicos são imensas pela sua indexação e integração, além dos pacotes de pesquisa por passagem bíblica, guias exegéticos, temáticos e muitos outros. São muitas as possibilidades dentro do software, só vendo para entender! Além disso, o Logos faz a integração com o iPhone, iPad e sistemas Android, além de uma versão online na qual você acessa boa parte da sua biblioteca de qualquer computador, pelo site Biblia, inclusive os textos originais (eu consigo abrir 728 dos meus livros em qualquer computador conectado à rede). As versões da Bíblia da Sociedade Bíblica do Brasil estão disponíveis para a versão Windows e Mac do Logos (Biblioteca Digital da Bíblia).

Nos dias 21 e 22 de março teremos um curso do Logos e eu pensei que entre nossos leitores teríamos alguns interessados.O pacote exigido para este curso é o pacote Scholar's. O instrutor será o professor residente do CPAJ, Tarcízio Carvalho.

Nesta página você pode acessar os dados do curso:
http://www.mackenzie.br/cursologos.html
Nesta página você pode acessar os dados do programa de descontos acadêmicos:
http://www.mackenzie.br/fileadmin/Mantenedora/CPAJ/swf/index.html
Este é o site da Logos: 

Para inscrição no curso, escreva para academicocpaj@mackenzie.br

Se houver um grupo interessado neste curso em uma região, podemos levar o curso até você. Escreva para academicocpaj@mackenzie.br para obter maiores informações.

Disclaimers:
1. Não somos representantes comercias da Logos e não vendemos os produtos da Logos. Caso vá fazer o curso, a compra é feita diretamente com a Logos nos Estados Unidos com cartão internacional.
2. Vou responder perguntas sobre o Logos desde que o leitor tenha tido o mínimo trabalho de buscar nos sites indicados as informações básicas.

Se você não tem qualquer interesse em livros eletrônicos, existe algo que pode mudar sua opinião e recomendo que assista o filme abaixo:




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terça-feira, fevereiro 22, 2011

Augustus Nicodemus Lopes

Quando a Cultura Vira Evangelho


O relacionamento dos cristãos com a cultura na qual estão inseridos sempre representou um grande desafio para eles. Opções como amoldar-se, rejeitar a cultura, idolatrá-la ou tentar redimi-la têm encontrado adeptos em todo lugar e época. Em nosso país, com uma cultura tão rica, variada e envolvente, o desafio parece ainda maior nos dias atuais. Como aqueles que crêem em Jesus Cristo e adotam os valores bíblicos quanto à família, trabalho, lazer, conhecimento e as pessoas em geral podem se relacionar com esta cultura?

Existem muitas definições disponíveis e parecidas de cultura. No geral, define-se como o conjunto de valores, crenças e práticas de uma sociedade em particular, que inclui artes, religião, ética, costumes, maneira de ser, divertir-se, organizar-se, etc.

Os cristãos acrescentam um item a mais a qualquer definição de cultura, que é a sua contaminação. Não existe cultura neutra, isenta, pura e inocente. Ela reflete a situação moral e espiritual das pessoas que a compõem, ou seja, uma mistura de coisas boas decorrentes da imagem de Deus no ser humano e da graça comum, e coisas pecaminosas resultantes da depravação e corrupção do coração humano. Toda cultura, portanto, por mais civilizada que seja, traz valores pecaminosos, crenças equivocadas, práticas iníquas que se refletem na arte, música, literatura, cinema, religiões, costumes e tudo mais que a compõe.

Deste ponto de vista a definição de cultura é bem próxima à definição que a Bíblia dá de "mundo," a saber, aquele sistema de valores, crenças, práticas e a maneira de viver das pessoas sem Deus. Poderíamos dizer que “mundo” compreende os traços da cultura humana que refletem a sua decadência moral e espiritual e seu antagonismo contra Deus.

De acordo com João as paixões carnais, a cobiça e a arrogância do homem marcam o mundo. Como tal, o mundo é frontalmente inimigo de Deus e os cristãos não devem amá-lo:

1João 2:15-16 - "Não ameis o mundo nem as coisas que há no mundo. Se alguém amar o mundo, o amor do Pai não está nele. Porque tudo que há no mundo, a concupiscência da carne, a concupiscência dos olhos e a soberba da vida, não procede do Pai, mas procede do mundo."

Tiago vai na mesma linha:

Tiago 4:4 - "Infiéis, não compreendeis que a amizade do mundo é inimiga de Deus? Aquele, pois, que quiser ser amigo do mundo constitui-se inimigo de Deus".

Escrevendo aos romanos, Paulo os orienta a não se moldarem ao presente século - um conceito escatológico do mundo presente, debaixo da lei e do pecado e caminhando para seu fim:

Romanos 12:2 - "E não vos conformeis com este século, mas transformai-vos pela renovação da vossa mente, para que experimenteis qual seja a boa, agradável e perfeita vontade de Deus".

O próprio Jesus ensinou que o mundo o odeia e odeia aqueles que são seus dicípulos, pois não são do mundo:

João 15:18-19 – “Se o mundo vos odeia, sabei que, primeiro do que a vós outros, me odiou a mim. Se vós fôsseis do mundo, o mundo amaria o que era seu; como, todavia, não sois do mundo,  pelo contrário, dele vos escolhi, por isso, o mundo vos odeia”.

Não é de se estranhar, portanto, que aqueles cristãos que levam a Bíblia a sério sempre tiveram uma atitude, no mínimo, cautelosa em relação à cultura, por perceberem nela traços da corrupção humana - ou seja, do mundo.

Ao mesmo tempo em que a Bíblia define o mundo de maneira negativa, ela admite que existem coisas boas na sociedade em decorrência do homem ainda manter a imagem de Deus – em que pese a Queda – e em decorrência de Deus agir na humanidade em geral de maneira graciosa. Deus concede às pessoas, sendo elas cristãs ou não, capacidade, habilidades, perspicácia, criatividade, talentos naturais para as artes em geral, para a música – enfim, aquilo que chamamos de graça comum. É interessante que os primeiros instrumentos musicais mencionados na Bíblia aparecem no contexto da descendência de Caim (Gênesis 4:21) bem como os primeiros ferreiros (4:22) e fazedores de tendas (4:20). Paulo conhecia e citou vários autores da sua época, que certamente não eram cristãos (Epimênides, Tt 1:12; Menander, 1Cor 15:32; Aratus, Acts 17:28). Jesus participou de festas de casamento (João 2) e Paulo não desencorajou os crentes de Corinto a participar de refeições com seus amigos pagãos, a não ser em alguns casos de consciência (1Co 10:27-28).

Portanto, a grande questão sempre foi aquela do limite – onde eu risco a linha de separação? Até que ponto os cristãos podem desfrutar deste mundo, até onde podem se amoldar à cultura deste mundo e fazer parte dela?

Dá para ver porque ao longo da história a Igreja cristã foi considerada algumas vezes como obscurantista, reacionária, um gueto contra-cultural. Nem sempre os seus inimigos perceberam que os cristãos, boa parte do tempo, estavam reagindo ao mundo, àquilo que existe de pecaminoso na cultura, e não à cultura em si. Quando missionários cristãos lutam contra a prática indígena de matar crianças, eles não estão querendo acabar com a cultura dos índios, mas redimi-la dos traços que o pecado deixou nela. Eles estão lutando contra o mundo. Quando cristãos criticam Darwin, não estão necessariamente deixando de reconhecer sua contribuição para nosso conhecimento dos processos naturais, mas estão se posicionando contra a filosofia naturalista que controlou seu pensamento. Quando torcem o nariz para Jacques Derrida, não estão negando sua correta percepção das ambigüidades na linguagem, mas sua conclusão de que não existe sentido num texto. Gosto de Jorge Amado mas abomino seu gosto pela pornografia,

Por ignorarem ou desprezarem a presença contaminadora do mundo na cultura é que alguns evangélicos identificam a cultura como a expressão mais pura e autêntica da humanidade. Assim, atenuam – e até negam – a diferença entre graça comum e graça salvadora, entre revelação natural e revelação especial. Evangelizar não é mais chamar as pessoas ao arrependimento de seus pecados – refletidos inclusive em suas produções culturais, poéticas, artísticas e musicais – mas em afirmar a cultura dos povos em todos os seus aspectos. O Reino de Deus é identificado com a cultura. Não há espaço para transformação, redenção, mudança e transformação – fazê-lo seria mexer com a identidade cultural dos povos, a sua maneira de ser e existir, algo que com certeza deixaria antropólogos de cabelo em pé.

A contextualização sempre foi um desafio para os missionários e teólogos cristãos. De que maneira apresentar e viver o Evangelho em diferentes culturas? Pessoalmente, acredito que há princípios universais que transcendem as culturas. Eles são verdadeiros em qualquer lugar e em qualquer época. Adultério, por exemplo, é sempre adultério. Pregar o Evangelho numa cultura onde o adultério é visto como normal significa identificá-lo como pecado e lutar contra ele, buscando redimir os adúlteros e adúlteras e restaurar os padrões bíblicos do casamento e da família. Enfim, redimir e transformar a cultura, fazê-la refletir os princípios do Reino de Deus.

Nem sempre isto é fácil e possível de se fazer rapidamente. Missionários às tribos africanas onde a poligamia é vista como normal que o digam. O caminho possível tem sido tolerar a poligamia dos primeiros convertidos, para não causar um problema social grave com a despedida das esposas. Mas a segunda geração já é ensinada o padrão bíblico da monogamia.

É preciso reconhecer que nem sempre os cristãos conseguiram perceber a distinção entre mundo e cultura. Historicamente, grupos cristãos têm sido contra a ciência, a arte, a música e a literatura em geral, sem fazer qualquer distinção. Todavia, estes grupos fundamentalistas não representam a postura cristã para com a cultura e nem refletem o ensino bíblico quanto ao assunto. Os reformados, em particular, caracteristicamente sempre se mostraram sensíveis às artes e viam nelas uma manifestação da graça comum de Deus à humanidade. Apreciavam a pintura, a música, a poesia e a literatura. Entre eles, temos os puritanos. Cabe aqui a descrição que C. S. Lewis fez deles:

Devemos imaginar estes puritanos como o extremo oposto daqueles que se dizem puritanos hoje. Imaginemo-los jovens, intensamente fortes, intelectuais, progressistas, muito atuais. Eles não eram avessos a bebidas com álcool; mesmo à cerveja, mas os bispos eram a sua aversão. Puritanos fumavam (na época não sabiam dos efeitos danosos do fumo), bebiam (com moderação), caçavam, praticavam esportes, usavam roupas coloridas, faziam amor com suas esposas, tudo isto para a glória de Deus, o qual os colocou em posição de liberdade. (...) [Os puritanos eram] jovens, vorazes, intelectuais progressistas, muito elegantes e atualizados ... [e] ... não havia animosidade entre os puritanos e humanistas. Eles eram freqüentemente as mesmas pessoas, e quase sempre o mesmo tipo de pessoa: os jovens no movimento, os impacientes progressistas exigindo uma “limpeza purificadora”.[1]

O grande desafio que Jesus e os apóstolos deixaram para os cristãos foi exatamente este, de estar no mundo, ser enviado ao mundo, mas não ser dele (Jo 17:14-18). Implica em não se conformar com o presente século, mas renovar-se diariamente (Rm 12:1-3), de não ir embora amando o presente século, como Demas (2Tm 4:10). É ser sal e luz.

Para os que deixam de levar em conta a presença da corrupção humana na cultura, os poetas, músicos, artistas e cientistas se tornam em sacerdotes, a produção deles em sacramento e costurar e tecer em evangelização.

NOTA

[1] Citado por Douglas Wilson em “O Puritano Liberado,” Jornal Os Puritanos 5/1 (1997) e por L. Ryken, Santos no Mundo, pp. 19, 177.

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sexta-feira, fevereiro 11, 2011

Augustus Nicodemus Lopes

Liberdade de Expressão - Carta de Princípios 2011 do Mackenzie

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CARTA DE PRINCÍPIOS 2011 
LIBERDADE DE CONSCIÊNCIA E DE EXPRESSÃO

INTRODUÇÃO
Os conceitos de liberdade de consciência e de expressão têm recebido crescente atenção pública em nosso país em anos recentes. Entre as diversas causas, estão o crescimento da pluralidade cultural, da diversidade religiosa e do relativismo como fatores integrantes da sociedade brasileira. De que maneira as pessoas podem ter e expressar suas convicções em um ambiente onde outros indivíduos pensam e se comportam de maneira diversa dessas convicções? Essa questão também faz parte do cotidiano universitário, especialmente em instituições confessionais como o Mackenzie, que primam por princípios éticos ao mesmo tempo em que sustentam a autonomia universitária.

O QUE É LIBERDADE DE CONSCIÊNCIA E DE EXPRESSÃO
Acreditar no que quiser é um direito intrínseco a cada ser humano. A consciência é foro íntimo, inviolável, sobre o qual outros não podem legislar. Faz parte da nossa humanidade termos nossas próprias ideias, convicções e crenças. E é daqui que procede a outra liberdade, a de expressão, que consiste no direito de alguém declarar o que acredita e os motivos pelos quais acredita de determinada forma e não de outra. Nesse direito está implícito o que chamamos de “contraditório”, que é a liberdade de análise e posicionamento contrário às expressões ou manifestações de outras pessoas em qualquer área da vida. A liberdade de consciência diz respeito ao que cremos, interiormente. Já a liberdade de expressão é a manifestação externa dessas crenças.

OS FUNDAMENTOS DA LIBERDADE DE CONSCIÊNCIA E DE EXPRESSÃO
O direito individual de pensar livremente e de expressar tais pensamentos é garantido em todas as democracias do mundo ocidental.

A Constituição
No Brasil, a liberdade de consciência e de expressão do pensamento é garantida pela Constituição em vigor. Sua origem se encontra no caput do Artigo 5º, “todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza”, sendo assegurada a inviolabilidade dessa condição de igualdade. Se todos são iguais, todos podem expressar suas ideias, pensamentos e crenças, desde que os direitos dos outros sejam respeitados.

Ao tratar dos direitos e garantias fundamentais, a Constituição diz no Artigo 5º:

 IV - é livre a manifestação do pensamento, sendo vedado o anonimato;
VI - é inviolável a liberdade de consciência e de crença, sendo assegurado o livre exercício dos cultos religiosos e garantida, na forma da lei, a proteção aos locais de culto e a suas liturgias.

A liberdade de expressão religiosa é decorrente da liberdade de consciência e consiste no direito das pessoas de manifestarem suas crenças ou descrenças. Aqui se incluem adeptos das religiões, do ateísmo e do agnosticismo. Por ter origem na consciência, a liberdade de expressão religiosa inclui concepções morais, éticas e comportamentais, que são desenvolvimentos da crença individual. A separação entre Igreja e Estado no Brasil significa tão somente que nosso país não adota e nem protege uma ou mais religiões. O Estado é “laico”, mas, não sendo antirreligioso, ele garante o direito de seus cidadãos professarem publicamente e praticarem a religião que quiserem, assegurando-lhes que não serão discriminados por isso, conforme o mesmo Artigo 5º:

VIII - ninguém será privado de direitos por motivo de crença religiosa ou de convicção filosófica ou política...

Direitos Humanos
A Declaração Universal dos Direitos Humanos de 1948 também se preocupou em resguardar a liberdade de consciência e de expressão, particularmente a expressão religiosa. O artigo 18 diz: Todo homem tem direito à liberdade de pensamento, consciência e religião; esse direito inclui a liberdade de mudar de religião ou crença e a liberdade de manifestar essa religião ou crença, pelo ensino, pela prática, pelo culto e pela observância, isolada ou coletivamente, em público ou particular. Entendemos que esse amplo reconhecimento das liberdades individuais tem fundamento no fato, nem sempre considerado, de que o ser humano foi criado por Deus.
A imagem de Deus
Do ponto de vista da fé cristã, a liberdade de consciência decorre fundamentalmente do fato de termos sido criados por Deus como seres morais livres. É uma das coisas incluídas na “imagem e semelhança de Deus” com que fomos criados, de acordo com o relato de Gênesis 1.26-27: Então disse Deus: Façamos o homem à nossa imagem, conforme a nossa semelhança. Domine ele sobre os peixes do mar, sobre as aves do céu, sobre os animais grandes de toda a terra e sobre todos os pequenos animais que se movem rente ao chão. Criou Deus o homem à sua imagem, à imagem de Deus o criou; homem e mulher os criou. O homem recebeu, por direito de criação, a capacidade de julgar entre o certo e o errado e escolher entre os dois. Ele podia livremente ponderar, analisar e, então, escolher. O fato de que ele teria de arcar com as consequências de suas escolhas diante do Criador não anulava, todavia, seu direito de fazê-las e defendê-las. É nisto que reside o que chamamos de liberdade de consciência e de expressão. Como um ser criado, o homem responde diretamente ao Criador pelo uso dessas liberdades. Ousamos dizer que uma das influências decisivas para que essas liberdades fossem reconhecidas no mundo ocidental veio da Reforma Protestante do século XVI. Os cristãos enfatizaram a necessidade da separação entre a Igreja e o Estado, destacaram o fato de que cada cristão tem sua consciência cativa somente a Deus e defenderam o sacerdócio universal de todos os cristãos. Um exemplo dos esforços destes cristãos para garantir a liberdade de expressão é o apelo de John Milton ao Parlamento Inglês, em 1644, em defesa da liberdade de imprensa.1

OS LIMITES DA MANIFESTAÇÃO DO PENSAMENTO
Sociedades plurais em países em que há separação entre Igreja e Estado sempre terão de enfrentar o dilema entre a liberdade de manifestação do pensamento e os direitos individuais. Se por um lado as leis brasileiras nos garantem a liberdade de expressão, por outro, elas também preservam a honra e a imagem das pessoas. Não se pode denegrir uma determinada pessoa em nome da liberdade de expressão.

Falar e assumir
Conforme reza a Constituição, uma das condições para que se manifeste livremente o pensamento no Brasil é que a pessoa se identifique e assuma o que disse ou escreveu. O anonimato anula a validade da expressão, ainda que ela contenha méritos, pois sugere que o autor não tem dignidade e nobreza. Também denota que essa manifestação não vem acompanhada da necessária responsabilidade pelo ato praticado.

Contradizer e respeitar
Em sociedades multiculturais e plurais, pensamentos, crenças e convicções que são livremente expressos podem contrariar ou contraditar outros pensamentos, crenças e convicções quanto aos valores morais, crenças religiosas e preferências pessoais. Tais discordâncias, todavia, não podem ser vistas como formas de se denegrir a honra e a imagem dos indivíduos de quem se discorda. Se assim fosse, seria impossível a discussão de ideias e a apresentação do contraditório, especialmente no ambiente da Universidade. De acordo com os princípios da fé cristã, o amor a Deus e ao próximo são os maiores deveres de cada ser humano. Amar ao próximo significa respeitar o nome, os bens, a autoridade, a família, a integridade e a reputação das pessoas, independentemente das convicções religiosas, políticas e pessoais delas. Os cristãos podem discordar das pessoas e ainda assim manifestar apreço e respeito por elas. Quando cristãos deixam de amar as pessoas ao seu redor, estão violando um dos preceitos mais conhecidos de Jesus Cristo, que é amar ao próximo como a si mesmo. Os cristãos, na verdade, devem ir além e amar inclusive os seus inimigos, conforme o próprio Jesus ensinou (Mateus 5.44).

Livre mas não neutra
Em tudo isso, há outro elemento que não pode ser ignorado, o fato de que o ser humano, usando suas liberdades acima descritas, resolveu tornar-se independente de Deus e viver uma vida autônoma. O livro de Gênesis (3.1-24) registra esse momento, que na teologia cristã recebe o nome de "Queda", termo que indica que essa busca de autonomia implicou em uma caída daquele estado original de liberdade de consciência e expressão. Não que o homem tenha perdido essas liberdades – ele ainda as mantém. Só que tanto a sua consciência quanto a sua capacidade de julgar e escolher entre o bem e o mal, tendo abandonado a Deus como referencial, são inclinadas ao mal, ao erro, ao egoísmo. E como decorrência, sua expressão, embora livre, reflete essa tendência ao mal. Uma das manifestações do impacto da Queda na liberdade humana é a tendência de se procurar suprimir a liberdade dos que discordam de nós. Os que professam a fé cristã devem reconhecer que todas as pessoas, inclusive aquelas que não acreditam em Deus e que têm práticas contrárias à ética cristã, têm o direito fundamental de pensar e acreditar no que quiserem e de viver de acordo com suas crenças. Os cristãos entendem também que se manifestar contrariamente ao que pensam e fazem essas pessoas não é incitamento ao ódio, mas o exercício desse mesmo direito fundamental. Aqui citamos o dito de Voltaire, "não concordo com uma só palavra do que dizeis, mas defenderei até a morte vosso direito de dizê-lo."2 Essa frase fala tanto do direito que temos de discordar dos outros quanto do direito que os outros têm de discordar de nós, direitos pelos quais deveríamos estar dispostos a lutar, uma vez que, perdidos, deixam a todos amordaçados.

LIBERDADE, RESPONSABILIDADE E CIDADANIA
Como Universidade confessional, o Mackenzie busca, conforme seu Estatuto, "a adoção de um Código de Ética baseado nos ditames da consciência e do bem, que reflitam os valores morais exarados nas Escrituras Sagradas, voltados para exercício crítico da cidadania" (Artigo 3º). Os termos do artigo citado frisam as bases da visão ética dessa Escola em prol da preservação da dignidade do homem: a iluminação pela Palavra de Deus e a consideração da consciência para o exercício livre de sua manifestação na sociedade. Ao mesmo tempo, o Mackenzie também respeita a consciência de cada um de seus alunos, como diz o Estatuto, "A assistência espiritual à comunidade universitária, respeitada a consciência de cada um, é proporcionada pela Capelania Universitária, em conformidade com a natureza confessional presbiteriana" (Estatuto, Artigo 67). Liberdade de consciência e de expressão são privilégios do ser humano por direito de criação. Jamais podemos abrir mão deles sob risco de diminuirmos nossa humanidade e a imagem de Deus em nós. __________________
1MILTON, John, Areopagitica: Discurso pela Liberdade de Imprensa ao Parlamento. Editora Topbooks, 1999. Rio de Janeiro, RJ.
2Voltaire (François Marie Arouet, 1694-1778), um dos mais famosos filósofos do Iluminismo, ficou conhecido por sua batalha incessante em prol das liberdades civis, especialmente da liberdade religiosa.

Rev. Dr. Augustus Nicodemus Lopes
Chanceler da Universidade Presbiteriana Mackenzie

Agradecemos a todos que colaboraram na confecção desta Carta de Princípios.

OBRAS RECOMENDADAS

ALTHUSIUS, Johannes. Política. Rio de Janeiro: TopBooks, 2003.
ASH, Timothy Garton. Nós, o Povo: a Revolução de 1989 em Varsóvia, Budapeste, Berlim e Praga. São Paulo: Companhia das Letras, 1990.
BARBOSA, Rui. A Imprensa e o Dever da Verdade. São Paulo: Com-Art, 1990.
HAVEL, Václav. Entrevista a Distância. São Paulo: Siciliano, 1991.
KUYPER, Abraham. Calvinismo. São Paulo: Cultura Cristã, 2002.
MILTON, John. Areopagitica: Discurso pela Liberdade de Imprensa ao Parlamento. Rio de Janeiro: Topbooks, 1999.
ORWELL, George. A Revolução dos Bichos. São Paulo: Companhia das Letras, 2006.
POLANY, Michael. A Lógica da Liberdade. Rio de Janeiro: Topbooks, 2003.
SCHAEFFER, Francis. "Um Manifesto Cristão" in: A Igreja no Século 21. São Paulo: Cultura Cristã, 2002, p. 157-239.
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