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domingo, março 14, 2010

Solano Portela

Palavrão – "só pra garantir esse refrão"?

Eu não tenho nada pra dizer

Eu não tenho mais o que fazer

Só pra garantir esse refrão

Eu vou enfiar um palavrão! ...


Com essa quadrinha, composta nos idos de 1997, a banda Ultraje a Rigor consolidava seu sucesso, junto com várias outras canções, que, renitentemente teimavam em se apegar à nossa memória (“vamos invadir sua praia”; “eu me amo, não posso mais viver sem mim”; “a gente somos inúteis”, etc.).


Nas apresentações ao vivo da música “Nada a Declarar” na qual a quadrinha está inserida, como refrão, logo após “eu vou enfiar um palavrão”, Roger, líder do grupo, “enfiava”, mesmo. O palavrão, na realidade uma palavrinha curta, chula, monossilábica, era proferido em uníssono e repetido em êxtase pela galera!


Bem, a Banda estava fazendo jus ao nome, ultrajando. A idéia era chocar, movimentar, agitar – sem nenhuma consideração quanto à propriedade ou impropriedade do termo; ou quanto à necessidade de recato; ou ainda, quanto ao caráter didático que esse linguajar “sublime” significaria para as jovens mentes e até criancinhas que cantarolavam e decoravam o refrão. O negócio, afinal, era tão somente faturar, o resto que vá às favas.


Mas o que choca, mesmo, não é o Ultraje a Rigor. É a facilidade com que palavrões, expressões grosseiras e chulas – quando não blasfemas – encontram guarida na boca de fiéis que, supostamente, procuram seguir os preceitos das Escrituras.


Não me refiro àqueles que, por treinamento intenso prévio (“exercitados”: 2 Pe 2.14) – na maioria das vezes antes de suas conversões, têm problemas e lutas nessa área, e se esforçam para abandonar velhos hábitos. Em minha vida tenho testemunhado a luta de vários cristãos para controlar a língua e as palavras. Muitos foram exercitados por anos de impiedade, ou ficaram submersos em empresas, escolas ou repartições onde o palavrão é a norma. Esses procuram de todas as maneiras mudar a linguagem – isso é visível a outros, para não entristecerem o Espírito Santo com a mesma boca que abençoam (Tiago 3.9-10).


O inusitado ocorre quando vemos alguns líderes cristãos, nos últimos tempos, seguindo mais o Ultraje a Rigor (“...eu não tenho nada pra dizer; também não tenho mais o que fazer...”) do que a Bíblia. Passaram a defender a instituição do Palavrão, junto com seus seguidores.


Um texto de um desses “pastores” foi-me enviado recentemente (apesar dele estar postado e circulando desde 25.09.2009). Ele foi escrito por conhecido líder, que hoje se ocupa bastante em disseminar vitupérios contra os que o “abandonaram”, em função de seu pecado, e a destilar amarguras, atribuindo hipocrisia genérica ao mundo cristão (não se preocupem, não vou dar o link, pois a sua peça, defendendo o linguajar chulo e grosseiro não merece divulgação adicional).


O texto responde a um consulente e seguidor fiel, que chama atenção para um vídeo de outro “líder cristão” que faz palestra em uma igreja. O palestrante é médico e o pretexto é a saúde e higiene dos ouvintes. Com esse objetivo, ele utiliza palavras grosseiras e, repetidamente, o famoso monossílabo, constrangendo e chocando alguns da platéia, enquanto a outra parte se delicia e gargalha (também não vou dar o link). O consulente, então, infere que não haveria motivo para aquele vídeo escandalizar nenhum crente. Compara, então, os que se escandalizam com os que engolem um camelo, mas se engasgam com um mosquito.


Provavelmente, o camelo, aqui, refere-se à violência ou mal tratos, enquanto que o mosquito seria o palavrão. A bandeira falaciosa de muitos, principalmente no campo secular, têm sido defender impropriedades, palavrões e até pornografia, dizendo que a pornografia verdadeira é a violência para com crianças, ou de pessoa contra pessoa. Ora, um não justifica nem anula o outro. Por que ambos não podem ser errados?


Pois bem, o pastor responde com uma ode ao palavrão. Indicando que quase morreu de rir, com o vídeo, não somente grafa o monossílabo várias vezes em seu texto, como acusa os que não o utilizam de hipócritas.


O ensino básico desse pensamento é que as barreiras de recato e moralidade são arcaicas, superadas. Que o exercício de uma suposta graça amorfa promove a verdadeira autenticidade e sinceridade; e o tráfego livre entre o impróprio e proibido, e o correto e socialmente defensável. Afinal, vivemos em uma matriz de convenções humanas. Para estes, a aproximação com Deus não cria a obrigação para com regras, mas a liberação dessas. Pelo que inferimos desses ensinos, não existem absolutos. Nos aproximamos de Deus e, no fluir dessa graça subjetiva, de uma maneira mística e indescritível, nada contradiz nossa forma e postura de vida. A única máxima, possivelmente, seria o “amor”, mas esse, fugindo ao sentido bíblico de procurar o interesse da pessoa amada, de “cumprimento dos mandamentos” (João14.15,21), passa a ser um termo vazio de significado, que abriga tudo sobre seu guarda-chuva, num reavivamento da Teologia Situacionista moribunda de Joseph Fletcher, tão popular na década de 60, do século passado.


Nesse universo imaginário, até o pecado é redefinido e a tolerância irrestrita é propagada. Ser contra palavrões, ou contra o palavrão-palavrinha, repetido ad nauseam no texto, é coisa de careta; de cristão retrógrado; de pessoas que ainda não atingiram esse patamar de pseudo-santidade estéril (pois não produz pureza), característica dessa nova ordem de iluminados.


Mas será que esse é o ensino da Palavra de Deus? Será que o derribar desses marcos regulatórios é a verdadeira missão e postura do cristão? Essa luz negra que projetam sobre minha vida procede mesmo da “lâmpada para os meus pés... e luz para os meus caminhos” (Sl 119.105)? Por certo que não. A Bíblia nos instrui que o recato ou pudor é virtude a ser cultivada. Especificamente ela alerta contra a falta de pudor (“impudiscícia”), que teima em se imiscuir na igreja, em Efésios 5.3: “Mas a impudicícia e toda sorte de impurezas ou cobiça nem sequer se nomeiem entre vós, como convém a santos”.


É verdade que vivemos em uma era onde se fala cada vez menos nisso. As crianças se acostumam em um mundo onde a propriedade e modéstia no vestir e no proceder estão conspicuamente ausentes. Não é de espantar que a sexualidade precoce desponte como uma das grandes distorções e desvios do nosso século. Nossos ouvidos também vão se acostumando e a consciência se cauterizando com tantas impropriedades proferidas nos filmes, na televisão, nas rádios, nas músicas e no dia-a-dia da sociedade. No entanto, ver “líderes cristãos” rotulando o constrangimento perante a imoralidade de hipocrisia, leva-nos à vanguarda do absurdo. Para os tais o alvo é ser “liberado” das amarras incômodas, e comecemos essa jornada rumo à dissolução social e à devassidão moral, bem moderninhos e conectados, pelo linguajar. Por que exercer seletividade moral na palavra falada ou escrita?


Se não houvesse nenhuma outra razão, teríamos o exemplo dos escritores da própria Bíblia. Palavrões e linguagem chula sempre existiram na história da humanidade. Estão enraizados na natureza humana pecaminosa. Sempre houve uma forma apropriada e uma forma vulgar de se referir a tudo, especialmente a partes do corpo. Ora, por que então a Bíblia, que trata dos mais variados assuntos, utiliza palavras e expressões recatadas e apropriadas e não chulas, para se referir a elas? Certamente a comunicação adequada, preocupação do Autor da Bíblia, que a fez ser grafada na linguagem comumente falada, através das eras, não necessitava do emprego de linguagem imprópria. Falar com recato não impede a comunicação. Ou será que a utilização de palavrões, no seio do cristianismo, é nova forma de comunicação eficaz e grande descoberta; veículo de graça contemporânea, encontrado por essa nova casta de iluminados?


Mas a Bíblia vai além e fala especificamente da linguagem que deve caracterizar o servo de Deus:

  1. Em Tito 2.8, somos admoestados a ter “linguagem sadia e irrepreensível para que o adversário seja envergonhado não tendo indignidade nenhuma que dizer a nosso respeito
  2. Efésios 4.29 diz categoricamente: “Não saia de vossa boca nenhuma palavra torpe e sim, unicamente, a que for boa para edificação...”
  3. Colossenses 3.8 mostra que o linguajar chulo é característica dos descrentes: “Agora, porém, despojai-vos, igualmente, de tudo isso: ira, indignação, maldade, maledicência, linguagem obscena do vosso falar”
  4. Tiago 1.26 parece falar aos que querem misturar religiosidade com linguajar impróprio: “Se alguém supõe ser religioso deixando de refrear a sua língua, antes enganando o próprio coração, a sua religião é vã”.
  5. Efésios 5.4 também, claramente, mostra como deve ser a comunicação do cristão. Gracejos e gozações grosseiras (chocarrices), palavras torpes e vãs não devem ter lugar em nosso falar: “...nem conversação torpe, nem palavras vãs, ou chocarrices, coisas essas inconvenientes...”.

Parece que o Roger, do Ultraje ao Rigor estava certo: na falta do que dizer; na falta do que fazer; defenda-se o palavrão. Mas o cristão tem o que falar e o que fazer. Não venham me enganar e dizer que tudo isso que a Bíblia condena deve estar presente na boca do cristão.

Solano Portela

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Sobre este assunto, sem representar endosso completo à totalidade do site, leia também: “Crente Boca Suja” em: http://www.sandrobaggio.com/2009/09/23/crente-boca-suja/

e

“O Falar Cristão”, em:

http://nasprofundezasdasimplicidade.blogspot.com/2009/06/o-falar-cristao.html

e, o excelente,

"Reflexão Óbvia Sobre os Palavrões", da Norma Braga. Sobre este post, de 2007, a autora diz o seguinte: "Hoje em dia o óbvio é novidade para muita gente, mesmo na igreja, que está entrando na onda do 'falar palavrão é legal' e, com isso, participam da atmosfera destrutiva que tem sustentado reviravoltas morais na sociedade".

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quarta-feira, outubro 21, 2009

Solano Portela

Deus odeia o pecado, mas ama ao pecador! É isso mesmo?

Podemos aceitar que existe um sentido genérico do amor de Deus. Ele demonstra e fala de amor ao mundo, à humanidade, à sua criação. Como calvinista, não tenho nenhuma dificuldade em aceitar isso. Temos que entender, porém, que no sentido salvífico (a salvação eterna da perdição e condenação do pecado) o amor de Deus é derramado exclusivamente sobre o seu povo e, individualmente, sobre os que ele eficazmente chama para si. Sobre aqueles que responderão, ao chamado eficaz, abraçando a Cristo como único e suficiente Salvador.

A frase "Deus odeia o pecado, mas ama ao pecador", entretanto, por mais que seja proferida e repetida, é uma forma simplista de expressar uma situação complexa, pois realmente é impossível separar o pecado do pecador, como se o pecado fosse uma entidade com vida independente, que apenas se utiliza do corpo e da mente do praticante.

Tiago (1.12-15) nos ensina que o pecado é gerado dentro das pessoas, partindo da própria concupiscência, externando sua prática em um relacionamento "simbiótico" (de dependência mútua) com o praticante. Sem barreiras e controles, enfim, sem a redenção, leva à morte.

O pecado é algo odioso em suas manifestações. Estas são verificáveis nas pessoas, pecadoras, sem as quais ele é indescritível e amorfo.

Em Romanos 9.11-18 a Bíblia fala do "aborrecimento" (ódio) de Deus contra Esaú, contrastando com o amor derramado sobre Jacó. Mas a Palavra de Deus expressa em outras ocasiões (além desse caso específico, de Esaú e Jacó) o ódio ("aborrecimento") de Deus a pecadores. Isso ocorre, porque ele é tanto JUSTIÇA como AMOR.

Por exemplo, no Salmo 11.5, lemos "O Senhor prova o justo e o ímpio; a sua alma odeia ao que ama a violência". Veja que ele não odeia somente a violência (inexistente, sem o praticante), mas "ao que ama a violência" - uma pessoa, o pecador.

Em Pv. 6.16-18 lemos sobre sete coisas que o senhor abomina (odeia): olhos altivos, língua mentirosa, mãos que derramam sangue inocente, coração que trama projetos iníquos, pés que se apressam a correr para o mal, testemunha falsa que profere mentiras, e o que semeia contenda entre irmãos. Quando lemos essa descrição das "coisas" que o Senhor odeia, vemos que elas não são especificamente "coisas", mas são pessoas que realizam certas ações; a descrição é a de pessoas que Deus abomina. Isso fica bem claro nas duas últimas "coisas" - uma pessoa, ou outra, que é: "testemunha falsa que profere mentiras, e o que semeia contendas entre irmãos".

Não resta dúvida, portanto, que pelo menos nessas instâncias específicas Deus odeia pecadores. Consequentemente, isso deve nos fazer cautelosos de dar uma declaração genérica e abrangente de que ele não odeia pecadores, pois esse ensinamento não pode ser atribuído, dessa maneira, à Bíblia e carece de inúmeras qualificações.

Solano Portela
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terça-feira, novembro 11, 2008

Solano Portela

Eleição – a americana e a de qualquer lugar...

Sob muitos aspectos a eleição de 2008, nos Estados Unidos, foi uma eleição histórica. O país do norte elegeu o seu primeiro presidente afro-americano. É, também, uma eleição que ocorre no meio de uma crise financeira mundial e com aquele país envolvido em duas frentes de batalha, no Afeganistão e no Iraque. Barack Hussein Obama está sendo considerado por seus eleitores norte-americanos como a grande solução a todos os problemas, a esperança de preenchimento de todas expectativas. A Europa o elevou a um patamar sobre-humano. A mídia mundial o idolatra. Nunca o caráter messiânico do governo esteve tão presente na vida de uma nação, como agora. Diogo Mainardi destaca esse aspecto quase religioso da eleição de Obama, comentando sobre a festa da vitória em Chicago: “Muita gente chora. Muita gente reza. Mais do que uma festa, trata-se de uma missa campal. Barack Obama é o sacerdote que pode perdoar os americanos de todos os seus pecados, da escravatura à guerra no Iraque” (VEJA, 2086, 12.11.2008, 102). Mais do que sacerdote – ele é recebido por muitos como um messias.

Não é questão de desmerecer ou desconhecer a carreira desse carismático e inteligente americano, nem suas brilhantes habilidades como comunicador, mas o que está por trás desta eleição? O que se pode esperar de suas ações, quando assumir o poder? O que caracterizou essa eleição e o que se pedia aos eleitores? A campanha norte-americana foi marcada por inúmeras promessas de lado a lado – a grande maioria delas apelando aos sentimentos egoístas de cada eleitor. “O que é que eu vou levar nessa”? ou, “o que é que vão levar de mim”? Nada muito diferente de nossas eleições, por aqui. Nada estranho a quem ouviu a cantilena dos postulantes às diversas prefeituras, prometendo coisas absurdas (como internet grátis para todos), aproveitando-se das necessidades dos cidadãos.
Charles Colson, em texto divulgado no dia anterior ao da eleição, chamou atenção para o fato de que nenhum dos candidatos americanos se empenhou no encaminhamento de suas plataformas a um governo que buscasse promover uma sociedade mais justa e praticante do bem. Se os eleitores tivessem essa motivação, diz ele, e os candidatos essa diretriz, aí sim, seria uma eleição realmente histórica. Mainardi, ainda comentando sobre a eleição americana, diz: “O eleitorado de Barack Obama quer ser amparado por ele, quer ser protegido por ele, quer ser mimado por ele”. Esse parece ser o desejo universal dos eleitores – depender mais e mais do governo e governantes, aos quais são atribuídos super-poderes (veja a pertinente análise do Dr. Alfredo de Souza, aqui).

Na minha avaliação, a questão vai além desse desejo egoísta de ter esses interesse pessoais satisfeitos, apontados por Colson. Nos “descolamos” muito das bases do governo. Ele hoje está sobejamente inchado e assustadoramente intervencionista. A visão egoista está presente, mas atrelada a uma falta de percepção do papel real do estado. Essa atitude e conceito se fazem presentes em todos os que são proponentes do "Grande Governo", quer eles sejam classificados como de “esquerda”, como democratas americanos, como “liberais” (no sentido americano), como socialistas. Estão presentes, também, nos programas e diretrizes de muitos que advogam um papel menor ao governo, classificados como de “direita”, como “neo-liberais” (no conceito europeu-brasileiro), como conservadores, ou como recebedores de outros rótulos semelhantes, pois já se acostumaram, igualmente, a ir comer no prato do governo, quando as coisas apertam, terminando por inchá-lo.

A conscientização de que o mundo está submerso em pecado nos leva à constatação de que uma sociedade “justa e boa”, nesta terra é algo utópico. No entanto, isso não muda o papel do governo. O estado não adquire magicamente um caráter messiânico, por mais que as pessoas assim dependam dele, tanto as que rejeitam o verdadeiro Messias; quanto as que, mesmo O aceitando, se rendem aos encantos estatais e chafurdam na escravidão da grande burocracia. Ao ser alimentado em sua voracidade de poder e de dinheiro, o estado se torna cada vez mais despótico; cada vez mais distanciado de sua finalidade. Essa finalidade é: punir a desordem; promover justiça (Rom. 13.1-7). De uma certa forma, o governo não vem “preservar a ordem”, pois ele compreende uma sociedade permeada de desordeiros, que precisam ser controlados e punidos, para realizar exatamente a “promoção da justiça” – a proteção aos bons.

Colson, acertadamente, chama atenção para um dos escritos de Agostinho (A Cidade de Deus), onde ele ensina que paz é a tranqüilidade produzida pela ordem. A primeira "ordem" dada, portanto, ao governo, é exatamente promover a ordem. Se retirada a ordem, temos o caos: não somente nas ruas, mas também, diz Colson, nos conselhos de administração, nos altos escalões executivos das empresas e, por extensão, nos mercados financeiros.

O nosso problema, e o dos americanos também, é, portanto, um problema de conceito do papel do governo e um problema de ética do povo, e essas questões estão atreladas uma à outra. O que produzirá Obama? Ainda é possível que ele, tendo que lidar com realidades, e não mais com promessas de campanha, faça um governo razoável. No entanto, pelas idéias que tem expresso até agora; por seu partido e por seu programa de governo, certamente irá incrementará o poder do estado e o intervencionismo deste sobre o dia a dia das pessoas. Promessas de redenção não podem fluir de falsos messias, e Obama é bem humano. Essa falsa redenção resultará em perdas de liberdades, sob a isca de estar atendendo desejos imediatos da população. Programas assistencialistas somente perenizarão a dependência e escravidão do todo-poderoso governo.
Estamos vendo isso por aqui, em nosso Brasil. Para quem acha que não temos futuro, somos os americanos de amanhã. Emulamos também os americanos na dissolução do ethos. Nosso governo além de assistencialista, piegas e ingênuo nas relações internacionais (querem melhor exemplo do que as pífias reações à postura agressiva e beligerante da Bolívia, Equador e, agora, do Paraguai – descartando os interesses nacionais?), também está na vanguarda da destruição das barreiras éticas que mantém uma sociedade coesa. Como nos Estados Unidos – já somos campeões na promoção do aborto, e da oficialização do homossexualismo como modo superior de vida e imune às críticas. Obama já declarou que suas primeiras medidas no governo envolverão a revogação da lei que proíbe o subsídio governamental ao aborto e às pesquisas com células tronco de embriões humanos, produzidos nas fábricas de aborto norte-americanas, ou em certas clínicas de fertilização onde embriões são tratados como refugo reciclável. A continuar nessa pisada, mais barreiras éticas serão quebradas, enquanto a população continua extasiada em transe romântico com os carismáticos eleitos.
Se, por um lado, vivo na consciência de que testemunho uma transição histórica importante, não posso me animar muito com as perspectivas – principalmente sob o prisma dos princípios éticos universais encontrados na Bíblia, pois vejo eles serem quebrados por Obama e todos esses outros “salvadores da pátria” – tupiniquins, ou do “primeiro mundo”.
Como seria diferente se tivéssemos estadistas reais, que elevassem os olhos além dos interesses dos seus grupos, ou até de sua própria geração, mas que estivessem dispostos a pagar o preço por um retorno às funções básicas do governo, da qual tanto carecemos e que vai sendo empurrada cada vez para mais longe de nós. Como seria diferente, se tivéssemos eleitores, que se empenhassem em eleger aqueles que, se aproximando dessa visão, se ocupassem não em destruir a sociedade, quebrando seus valores éticos, mas em fortificar a família – célula mãe da formação de um povo.
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