A igreja evangélica no Brasil deve refletir
sobre os tempos que vivemos em nosso país. São tempos de perplexidade,
inquietações e oportunidades. Listei abaixo alguns pontos que penso que devem
fazer parte dessa reflexão.
sexta-feira, setembro 06, 2019
HORA DE PENSAR NO PAPEL DA IGREJA
1) Ao que tudo indica, é apenas uma questão
de tempo até os valores da visão cristã de mundo, que mesmo superficialmente
moldaram a cultura brasileira, sejam excluídos da política, economia, arte,
educação e que o paganismo domine essas áreas. Ainda que os evangélicos
representem um terço da população brasileira, caminham para perder a guerra
cultural sobre aborto, ideologia de gênero, pedofilia, poligamia, e outras
questões.
2) As dimensões e a profundidade da
corrupção e desonestidade instaladas em todas as áreas do poder político e
financeiro no Brasil ultrapassam qualquer esperança de mudança que cristãos
fiéis e íntegros possam ter. Uma vez perdida a esperança da instalação dos
valores do Reino de Deus aqui no país, devemos perguntar qual o papel da igreja
cristã numa democracia corroída pela desonestidade, mentira e ganância, e que é
irrecuperável.
3) A igreja evangélica perdeu sua
autoridade para profetizar. A teologia da prosperidade ensinada em igrejas
neopentecostais lança uma sombra de desconfiança sobre a verdadeira intenção de
seus pastores e fundadores e os coloca, diante dos olhos do público, na mesma
vala comum dos políticos gananciosos e corruptos. As alas da igreja evangélica
que se aliaram e militaram incondicionalmente pelas agendas da esquerda ou da
direita perderam todo respeito com a exposição constante dos malfeitos dos que
representam tanto um lado como o outro. As igrejas históricas estão
paralisadas, algumas delas comidas pelo liberalismo teológico que rouba a
pregação do Evangelho de seus púlpitos. A igreja cristã perdeu seu discurso
público. Quem sabe, agora, seja a hora dela recuperar sua verdadeira missão e
pregar o simples e puro Evangelho de Cristo a ricos e pobres.
4) Um grande fatia dos evangélicos no
Brasil estão deixando as denominações históricas e as igrejas pentecostais e
neopentecostais e procurando modos alternativos de ser igreja, onde não tenham
de se submeter à autoridade espiritual e disciplina moral, onde não haja
exigências financeiras e formalidades quanto à membresia. Por um lado, pode
representar uma renovação da igreja em sua busca de mais simplicidade, por
outro, pode representar um afastamento dos requerimentos bíblicos para a
igreja, como acatar liderança espiritual, contribuir financeiramente para a
obra de Deus (ajuda aos necessitados e expansão do Reino) e disciplina dos faltosos.
É diante desse quadro pouco esperançoso que
oportunidades aparecem, para a igreja refletir sobre seu papel, reformar-se,
renovar-se e ser boca de Deus nesse tempo. O Tempora! O Mores!
Postado por Augustus Nicodemus Lopes.
Sobre os autores:
Dr. Augustus Nicodemus (@augustuslopes) é atualmentepastor da Primeira Igreja Presbiteriana de Goiânia, vice-presidente do Supremo Concílio da Igreja Presbiteriana doBrasil e presidente da Junta de Educação Teológica da IPB.
O Prof. Solano Portela prega e ensina na Igreja Presbiteriana de Santo Amaro, onde tem uma classe dominical, que aborda as doutrinas contidas na Confissão de Fé de Westminster.
O Dr. Mauro Meister (@mfmeister) iniciou a plantação daIgreja Presbiteriana da Barra Funda.

10 comentários
comentáriosRev. Augustus, bom dia! Como sempre, ótimo texto!
ResponderSemana passada mesmo estava pensando sobre isso. É repugnante essa "cultura" que estão colocando no Brasil e no mundo. Me perdoe mas tem horas que concordo com as atitudes e as leis dos países Árabes em relação ao aborto, homossexualismo, ideologia de gênero. Por outro lado, creio que isso que está acontecendo, esse mundo tão controversista, são sinais da volta de Jesus.
Acredito que a Igreja Presbiteriana deveria focar mais em refutar e ensinar os jovens sobre esta questão. Eu sou um Jovem Presbiteriano, tesoureiro na UMP da primeira igreja presbiteriana de Araguaina/TO; entendo que os jovens de hoje são leigos e desinteressados, mas que isso vem por parte da doutrinação que recebem nas escolas e faculdades (algo que começa desde de muito cedo na escola). Na minha opinião, acho que a igreja tem esperado demais para ensinar os jovens, principalmente os rapazes - que serão líderes de família, a agirem como homens cristãos e conscientes! Nós criticamos o ateismo, mas a nossa principal luta tem que ser contra o liberalismo, assim como contra o neopuritanismo... E sabe, eu creio que ensinar os jovens sobre política e a bandeira que carregamos (a de Cristo, que é Rei!) despertará não apenas a noção de defesa do cristianismo e dos valores morais, como a necessidade de evangelizar! Digo isso por experiência própria: quanto mais conheço minha identidade como cristão (em todos os âmbitos da vida), mas sinto vontade de evangelizar e anunciar as maravilhas que me foram reveladas em Cristo e hoje tenho prazer em vivê-las (mesmo sendo imerecedor de tal graça).
ResponderEsse conhecimento de minha identidade me traz orgulho, orgulho em levantar a bandeira da nossa igreja, em cantar os hinos, em não ser liberal e saber que não preciso ser neo-puritano para ser o Homem Bíblico que Deus requer de mim! Vejo que isso também aconteceu com outros amigos meus (dois aqui da igreja e 2 que converso diariamente online, pois não moramos perto e temos nos reunidos na internet para nos educarmos diante a Bíblia e já estamos tentando tomar iniciativas de influência social e evangelismo); Os meus dois amigos locais também pretendem iniciar, comigo, algum projeto para influenciar os jovens da faculdade (pois aqui é uma cidade de faculdades), assim como para ajudar a própria igreja a tomar postura.
Então eu digo, cordialmente, sabendo que temos - como presbiterianos - uma boa teologia e uma boa igreja, que posso indicar com confiança para quem compartilho a minha fé, que deveríamos ensinar aos jovens (assim como quero ser ensinado também) mais sobre essa identidade que temos e não deixar que as ideologias anátemas digam a eles quem são!
Então, rev. Nicodemos, na verdade o senhor se engana e se contradiz nesse texto e também acerta em um ponto!!.Quando fala que a igreja perdeu a autoridade e que não prega mais o EVANGELHO está certíssimo, realmente cansei de ouvir pregações sem sentido que só falam da própria vida do pastor, dos livros que leu e o pior piadinhas no púlpito! Louvor vazio, barulhento e cansativo! Agora quanto aos crentes que tem saído da igreja, vocês precisam parar de falar do que acham e realmente BUSCAR A VERDADE! Como o senhor disse no texto estamos sim buscando uma forma de ser igreja, pois nossas almas não tem encontrado abrigo nas igrejas tradicionais, pentecostais e neo pentecostais, não vemos porque frequentar uma igreja que não tem nada a ver com nossa FÉ!! Engana se quanto querermos uma igreja sem as autoridades, muito pelo contrário, sentimos falta dessa autoridade, além de sentir falta da boa pregação do evangelho,muito menos deixar de contribuir pois minha família era dizimista e continua a cuidar de estender a mão a quem precisa pois vemos que a igreja tem falhado tristemente nisso gastando nossos dízimos em ostentosa hospedagem para Supremo concilio que nada trouxe de palpável para a decaída igreja presbiteriana!! NÃO estamos fora por rebeldia estamos fora por não suportar mais o que um coração onde habita o ESPÍRITO SANTO, não combina com o que antes chamávamos carinhosamente de minha igreja!
ResponderBoa tarde, me chamo Carlos Alberto e sempre que posso venho acompanhando os trabalhos do nosso ilustre Augustos Nicodemos, bem sei eu que, o reverendo Nicodemos é um homem que escolhei e colocou neste mundo para nos mostra a simplicidade da palavra de Deus e como a bíblia fica fascio quando o senhor esta a lendo, que Deus o abençoe reverendo hoje e sempre...
ResponderReverendo cirúrgico nas palavras, estou tentando todo dia ter esperanças, mas não consigo enxergar se quer um tiquinho de tempos tranquilos pra igreja verdadeira, é hostilidade o tempo todo, a conta gotas, a fé cristã é atacada sem nenhum pudor. Na verdade ando bem desanimada, vejo que o conservadorismo está nos seus últimos suspiros, parece que secamos gelo o tempo todo. O q vai ser de nós? Que o Altíssimo abrevie nossos dias pq já sinto essa pressão o tempo todo. Deus nos ajude.
ResponderDaniel Dilúvio eu acho que você está no caminho certo,,,
ResponderDeus de abençoe..
Parabéns pelo comentário...
ResponderConcordo assim também.
Deus é bom ainda Ele coloca no mundo pessoas que nem o senhor para através do Espírito nos orientar e nos alertar.
Responderótimo texto, é necessário a todo momento enfatizar o papel da igreja que como diria Spurgeon "Não é prover entretenimento mas pregar a palavra"
ResponderSegue link do meu blog pra caso queiram dar uma olhada
https://mergulhanapalavra.blogspot.com/2019/10/viva-reforma.html
Olá, Paz do Senhor.
ResponderLendo este texto eu me reconheço no quarto tópico, onde os crentes estão deixando as igrejas e indo para outras alternativas, mas eu estou saindo de uma Batista Renovada e indo para a IPB. Desde que comecei a estudar e abraçar a fé reformada eu senti que as doutrinas da minha igreja são incompatíveis com o que estou aprendendo, e no culto ao Senhor eu não consigo deixar de perceber um culto antropocêntrico e cheguei ao meu limite! Não quero ficar em desobediência por não concordar com a doutrina da igreja, por isso estou saindo para fazer parte da estatística do Êxodo de pessoas indo para as igrejas reformadas.