segunda-feira, fevereiro 20, 2006

Augustus Nicodemus Lopes

À Noite, Todos os Gatos São Pardos...

Confesso que no fundo de meu coração tenho medo de me tornar como alguns nomes do evangelicalismo brasileiro que abandonaram a teologia e adotaram uma “eteroteologia” (eteros = outro; theos = deus), ou como aqueles outros que hoje aconselham para a morte, após terem sido referencial de conduta e piedade no mundo evangélico.

Tenho medo, explico, porque vejo que a mesma coisa pode acontecer comigo. Percebo no fundo de meu coração uma tendência constante para afastar-me de Deus. Sinto que a tentação para a heterodoxia e para a liberação total são perigos reais que me cercam diariamente. Vejo com muita clareza que submeter-me às Escrituras e crer em Deus é um milagre na minha vida.

Vi a apostasia acontecer muito de perto ao longo da minha vida. Um famoso professor de Bíblia do Recife, que foi a pessoa que me encaminhou ao seminário, abandonou a fé cristã depois de trair a mulher e abandoná-la com nove filhos. Eu estava no primeiro ano! Três colegas meus de classe, no seminário, entre os mais brilhantes da turma, hoje nem professam mais o cristianismo. Um jovem promissor que chegou ao Evangelho por minha instrumentalidade, e que posteriormente chegou até a estudar no L’Abri, com Francis Schaeffer, renegou o cristianismo histórico. Uma conhecida minha, desde a infância, que é missionária no estrangeiro, acaba de comunicar aos pais que não é mais cristã, depois de começar a viver com um homem casado. Líderes que conheci e admirei e segui durante os primeiros anos de minha vida, não deixaram as denominações evangélicas, mas já não crêem mais naquilo que me ensinaram.

Há advertências constantes nas Escrituras contra a apostasia. Apostatar significa afastar-se da verdade de Deus revelada nas Escrituras, como resultado de uma mudança de pensamento, e levantar-se em rebelião aberta contra ela. O que leva uma pessoa a fazer tudo isso, a abandonar a fé bíblica, seguir a heterodoxia, renegar os valores morais do cristianismo e pregar a liberação total?

Não pretendo entrar aqui na delicada questão acerca da salvação do apóstata. Talvez noutro post eu tente esclarecer os motivos para acreditar que um apóstata, no sentido real da palavra, nunca foi verdadeiramente salvo. Creio na perseverança final dos santos, dos eleitos.

O que eu gostaria é de inquirir acerca dos motivos que levam uma pessoa a abandonar a fé histórica do Cristianismo, após ter pregado e defendido essa fé por muito tempo. É evidente que não poderei inquirir aqui sobre os desígnios misteriosos de Deus. A minha inquirição é apenas psicológica, espiritual e teológica.

O Novo Testamento nos dá vários motivos pelos quais as pessoas se desviam da fé. Na parábola do semeador, lemos acerca dos que creram por um tempo e depois se desviaram, por causa dos cuidados desse mundo e por causa das perseguições que começaram a experimentar por causa do Evangelho. São aqueles que não acolheram sinceramente a verdade para serem salvos. A eles, o próprio Deus envia a operação do erro e da mentira (2Ts 2.9-11). Há também os que, depois de algum tempo, passaram a dar ouvidos a doutrinas de demônios (1Tm 4.1). Outros, se desviaram da fé para professar uma doutrina que acharam que era mais intelectual (1Tm 6.20-21). Com mais freqüência, há os que foram levados pela cobiça, como Judas, Balaão e Demas, que amou o presente mundo. A demora, a relutância, a indolência e a negligência em romper definitivamente com o pecado e o erro são causas prováveis de apostasia, conforme o autor de Hebreus ensina em toda a sua carta. Ele avisa que a dureza de coração e a incredulidade são capazes de afastar alguém do Deus vivo (Hb 3.12-13).

Em resumo, os motivos externos são vários: amor ao dinheiro, orgulho, problemas morais não resolvidos, vaidade intelectual, falta de coragem para assumir a verdade e desejo de novidades. A raiz de tudo isso, ao meu ver, é a falta de um coração regenerado, um motivo que os autores bíblicos estão sempre prontos a admitir.

O apóstata pode permanecer muitos anos na igreja e no ministério cristão sem jamais revelar a apostasia que já aconteceu em seu coração. Outros, assumem a apostasia e rompem abertamente com a fé cristã histórica, e geralmente adotam outras doutrinas que mesmo aparecendo com cara de novas e revestidas de respeitabilidade intelectual, nada mais são que as velhas heresias teológicas e morais que a Igreja já enfrentou ao longo dos anos. Eu não me espantaria se por detrás dos grandes desvios teológicos da história encontrássemos pecados não resolvidos, orgulho, vaidade intelectual, soberba, dureza de coração e – obviamente – corações não regenerados. É claro que nunca saberemos ao certo. A história não registra essas coisas que sempre são abafadas, escondidas e quase nunca declaradas.

Até onde entendo, só há uma coisa que mantém o cristão na verdade: o temor a Deus, a humildade e um coração quebrantado. Os que verdadeiramente se humilham diante de Deus e tremem de sua Palavra, mesmo que errem em pontos secundários, que caiam eventualmente em pecados, jamais se afastarão definitivamente de Deus e da sua palavra. O verdadeiro crente não pode mais abandonar a Deus. Nem que queira. Nem que em momentos terríveis diga a Deus que nunca mais o servirá. Ele acaba voltando. O apóstata vence essa barreira. Ele consegue passar o limite. Ele consegue pular a cerca. Ele não receia o que poderá acontecer. Pois no fundo ele realmente não acredita.

A apostasia é uma realidade muito mais presente nos meios evangélicos brasileiros do que se deseja perceber. O falso conceito de tolerância, o relativismo, a falta de convicções doutrinárias, o liberalismo teológico travestido de ciência, tudo isso favorece um quadro cinza e enevoado onde os contornos do verdadeiro Cristianismo não são percebidos com clareza. À noite, todos os gatos são pardos.

Augustus Nicodemus Lopes

Postado por Augustus Nicodemus Lopes.

Sobre os autores:

Dr. Augustus Nicodemus (@augustuslopes) é atualmentepastor da Primeira Igreja Presbiteriana de Goiânia, vice-presidente do Supremo Concílio da Igreja Presbiteriana doBrasil e presidente da Junta de Educação Teológica da IPB.

O Prof. Solano Portela prega e ensina na Igreja Presbiteriana de Santo Amaro, onde tem uma classe dominical, que aborda as doutrinas contidas na Confissão de Fé de Westminster.

O Dr. Mauro Meister (@mfmeister) iniciou a plantação daIgreja Presbiteriana da Barra Funda.

32 comentários

comentários
Josaías
AUTOR
20/2/06 02:20 delete

um post meio que perturbador, mas ainda assim relevante, pastor.
não são poucas as vezes em que já discuti com algumas pessoas sobre líderes cristãos que, por algum motivo, passam a pregar algo completamente anti-bíblico. muitos não aceitam bem a idéia de que aquela pessoa que, no passado, disse coisas tão belas sobre o Evangelho, na verdade nunca foram crentes. Eu mesmo tenho minhas dúvidas.

Várias vezes já passou por minha cabeça a sensação de que talvez eles estejam certos. Ou ao menos não estejam tão errados quanto pensamos - vai que o Espírito iluminou o cara pra ver de outra forma. No entanto, o ES não vai iluminar alguém pra negar a Palavra. Esta é nossa certeza e um ponto fundamental da fé cristã.

Mas Justamente porque as amamos que é tão difícil vê-las como inimigas do Evangelho. É muito doloroso ver esses desvios... mas felizmente Jesus nos deixou preparados para isso (Lc 17:1).

abraços.

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20/2/06 07:52 delete

Rev Augustus,

Realmente, crer na Bíblia e em suas doutrinas tão extraordinárias é dom de Deus.

O cristão passas algumas vezes por situações complexas diante de algumas questões da vida e diz ao Senhor: "creio, mas me ajuda na minha falta de fé" -

Nessas horas escuras o que nos consola é que Cristo é nosso intercessor para que a nossa fé não desfaleça.

Este seu medo é motivo para que a Igreja também interceda mais ainda por aqueles aos quais nos pastoreiam.

Que Deus lhe cada vez mais espírito de ousadia, inclusive, para encarar estes perigos e refugiar-se somente em Cristo.

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20/2/06 08:17 delete

Augustus;

Acho que você acabou de tocar em um nervo exposto: a falta de temor a Deus.

Se me permitir, gostaria de subscrever também, pois minha experiência é muito parecida. Tenho visto que geralmente começa assim: Deus é mostrado como um camarada e logo depois como servo. No fundo é uma "desculpa para pecar consistentemente". Como se dissessem: faço isso porque creio naquilo.

É o amar a si próprio sobre todas as coisas. Ao próximo o suficiente para se passar por boa pessoa e a Deus ... ora, que Deus? Só se for "outro-deus".

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20/2/06 10:08 delete

Augustus,

postagem confrontadora!

Ao mesmo tempo em que você afirma claro a perseverança dos eleitos como está na Bíblia , também coloca o homem no lugar dele, condição de miséria e totalmente dependente do Senhor. Essa humildade é fundamental, pois dependemos do Senhor, somente Dele.

Pedro nos diz que o diabo nos ronda como um leão tentando nos tragar e assim somos submetidos diariamente, seduzidos por uma meretriz episteólógica que pretende prostituir a nossa mente, gerando, lógico, uma apostasia integral.

Lembro-me de meu 1o ano de seminário, completamente seduzido pelo método histórico-crítico e quando vi aonde ia chegar só orava pedindo para Deus me manter firme.

A Bíblia diz que no final dos tempos o amor de muitos esfriarão.

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Bento Souto
AUTOR
20/2/06 10:17 delete

Caro Rev Nicodemus,

Talvez você lembre de mim em razão do nosso papo, muito agradável - diga-se de passagem, sobre Pastorado Feminino, naquele vôo de Recife para São Paulo.

Pois bem, achei interessante o seu post e gostaria de adicionar, se possível, duas novas possibilidades para a "apostasia".

A primeira é a apostasia por razões mercantilistas. Existem alguns que sabem o que é certo, mas escolhem o errado para não perder o status quo. Inúmeros são os casos de pastores que entram nesses modismos teológicos e litúrgicos por medo de ver o grupo deles diminuir. Eles são o inverso dos apóstatas enrustidos --que não manifestam sua apostasia por temor também de perder público. Ou seja, ambos preferem viver uma vida de aparências. Entre viver de acordo com suas consciências ou ter o aplauso dos homens, preferem a segunda opção. Shame on them!

A segunda razão é a apostasia que é bem vinda! Sim, Deus ama um certo tipo de apóstata! O cego de nascença de João 9 era um apóstata aos olhos de alguns religiosos da época. Lutero também foi um apóstata para o clero romano. Mas isso não é novidade, pois o nosso próprio Senhor Jesus foi um apóstata para a liderança religiosa dos dias em que Ele viveu entre nós.

Assim, em minha opinião, há que se ter um certo cuidado com as apostasias. Algumas vezes, os apóstatas são os que ficam e não os que saem!

Abração Bento Souto

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Cleber Leite
AUTOR
20/2/06 11:37 delete

Aqui na cidade de Teresina algumas pessoas, e até Presbíteros, têm reclamado do "intelectualismo" do Calvinismo, que nada produzem. Alguns até sugerem que nos espelhemos nas Igrejas que estão "crescendo" enquanto nós permanecemos "parados".Tais pensamentos têm perturbado crentes sinceros, que ficam aflitos se o nosso confessionalismo é de fato a Fé verdadeira. talvez esteja aí um outro motivo de abandono da ´Fé histórica: o medo de as novidades serema verdade.

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Anônimo
AUTOR
20/2/06 12:02 delete

Rev. Augustus muito bom o post e não sei se o Rev lembra de mim estive no final de 2004 na Presbiteriana da Penha em um estudo sobre "Ordenaçao de Mulheres" sou o rapaz da Assembléia de de Deus que o Rev. até brincou por causa da barda e que muitas coisas tinham mudado dentro da Assembléia de Deus, pelo visto mudou muito e pelo que tenho acompanhado de um ano para cá é que os pensamentos deixaram por transparecer, e o mais dificil é que esta teologia que vem se difundindo tem uma aceitação dentro do evangelicalismo brasileiro, devido as circunstancias que as renomadas pessoas que a expoem ter uma boa aceitação nos circulos evangélicos, em especial dentro das Assembléia de Deus, eu pude analizar os seus ensinos já a algum tempo que ele vem defendendo esta teologia.

Permita- me falar mas o meu desejo é que nós todos analizemos o que foi e ainda vai ser exposto, e que nem toda a denominação defende esta posição inclusive eu, por ter ouvido chamado de Deus no pentecostalismo tradicional, tenho lutado para promover as velhas e boas doutrinas da graça de Deus e manter a tradição biblica dos Atributos de Deus dentro da igreja da qual sou membro e sou professor de escola dominical, ainda que com uma certa rejeição por parte de alguns, tenho percebido muitos liberais ao nosso redor e aos poucos conseguem difundir suas idéias, e os seu métodos e levam consigo muitos que estão despercebidos e pouco informados.

Como você bem disse será que por detrás destes desvios teológicos não tem nenhum pecado não resolvido, e como você as vezes eu me sinto o mesmo problema do medo em abandonar o tradicional e me tornar um liberal desenfreado e dono da razão.

Abraços

Franciney.

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20/2/06 16:35 delete

Pastor Nicodemus, devo admitir que eu tenho o mesmo temor de acabar caindo numa dessas ciladas. A tentação de defender um evangelho mais apetitoso aos olhos dos descrentes (mesmo que esses alimentos sejam, na realidade, de plástico).
Meu medo é maior porque eu sou bastante combativo e temo acabar caindo nos mesmos erros que sempre reprovei e expressei meu repúdio(e tem horas que, sinceramente... Se não fossem as Escrituras...).
Se já é ruim cair em uma apostasia que você nunca combateu, imagina o estrago que é o oposto...
Como disse o Pr. Fôlton Nogueira (é ele mesmo, não é?), tudo começa com uma visão cada vez mais deturpada de Deus, que no fim de todo o processo destrói o temor a único Deus verdadeiro e acabamos adorando "outro deus".
Oremos para que, por sua Graça, Deus nos mantenha firmes e íntegros teológicamente, sempre professando as suas verdades eternas.
Parabéns pelo post.

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Nagel
AUTOR
20/2/06 18:19 delete

Pastor, lendo seu texto fiquei a pensar que, de fato, tudo isso é bastante assustador.

Eu confesso que a certeza dos autores bíblicos na soberania e providência de Deus é a única coisa que me motiva a todos os dias subir até o seminário. Basta eu duvidar um pouco que seja dessa soberania pra que meu estado de ânimo fique bastante abalado.

Olhar para a igreja brasileira, para os líderes carismáticos de nossas igrejas, para nossos professores nos seminários; olhar para nós mesmos - por que não? - é uma prova de fé.

Mas é bom entrar aqui e ver esses amigos aqui de cima e perceber que a luta é da Igreja. Somos, provavelmente, de estados e denominações diferentes, mas todos guardam uma fé comum. E isso me alegra bastante.

Deus nos abençoe sempre.

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Alexandre - Juiz de Fora
AUTOR
20/2/06 18:40 delete

Caro Rev. creio eu que o primeiro passo é saber que também estamos sujeitos. E reconhecer a nossa humanidade e desejo pelo pecado, sempre lembrando a nossa total dependência de Jesus. O que fazer? Orar e vigiar...
Um abraço e até Março...

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Filipe Guerra
AUTOR
20/2/06 18:40 delete

Excelente reflexão.

Quando penso que eu, por minha própria natureza, estou propenso a executar aquilo que a minha carne quer e relaxar definitivamente nos cuidados com a Palavra, tenho que tremer e temer! Pois o desejo do meu coração é cumprir o desígnio da perseverança dos santos. Muitas vezes, nessas situações complexas falta força; mas como o meu amigo Charles lembrou, o que me resta é: "creio, mas ajuda-me na minha falta de fé, Senhor!"

Que nós todos possamos nos lembrar que Cristo é o nosso intercessor, quando essa névoa cinzenta dos problemas cabulosos se aproximar... (e não relaxar!)

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20/2/06 18:56 delete

Josaias,

Há um ponto em seu comentário que eu gostaria de explorar. É aquele em que você menciona a possibilidade de que líderes que têm se desviado da fé histórica receberam alguma iluminação do Espírito. Você corretamente afirmou que o Espírito não contradiz a Palavra. E nesse caso, é por ela que vamos julgar essas (não tão) novas teologias.

Ocorre que historicamente todos os fundadores de seitas, dentro e fora do Cristianismo, sempre reivindicaram que foram iluminados por Deus para conhecerem a verdade final, que havia sido oculta da Igreja até então. Foi assim que mórmons, testemunhas de Jeová, seitas apocalípticas, o G-12, o movimento de batalha espiritual, o próprio islamismo, começaram.

O que todos eles têm em comum é a crença de que a verdade evolui, cresce e muda, e que revelações contemporâneas de Deus têm mais autoridade que um Livro.

Um outro fator é a cultura, que acaba sendo considerada como o indicador dos rumos da ética da Igreja, mesmo com prejuízo para os valores espirituais e morais revelados na Bíblia. É com base nas mudanças sociais que muitos defendem uma nova ética, sexo antes do casamento, aborto por qualquer motivo, validade da relação homossexual, e o relativismo pragmático.

A apostasia é resultado de tudo isso.

Um abraço.

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20/2/06 19:11 delete

Bento,

Claro que me lembro do nosso papo no avião. É uma alegria receber seu comentário aqui no nosso blog.

De fato, o mercantilismo é mais uma razão pela qual as pessoas se desviam da verdade. Concordo. Eu já havia mencionado isso no post, embora com outros nomes, como amor ao dinheiro, vaidade, etc.

Agora, sobre sua segunda razão. Quando eu iniciei o post, deixei claro que só se pode falar em apostasia se houver um referencial. Meu post foi escrito com o pressuposto de que a fé cristã histórica consubstanciada nos credos e confissões é esse referencial verdadeiro. Desse ponto de vista, os movimentos marginais são apóstatas, na medida que negam, refazem, torcem ou ignoram as grandes verdades da fé cristã.

É claro que se alguém tiver como referencial outra religião, o judaísmo, o Catolicismo, mencionados por você, é claro que o cego, Jesus e Lutero seriam vistos como apóstatas. Só que o cego, Jesus e Lutero estavam alinhados na confissão do mesmo Deus e das mesmas verdades.

Se Deus ama apóstatas, estou certo que são os que apostataram do erro religioso e abraçaram a verdade bíblica. Pois a apostasia em si é comparada na Bíblia ao adultério.

Concordo que às vezes os apóstatas são os que ficam e não o que saem, mas somente quando os que saem sairam com a vida moral ilibada, com autoridade espiritual confirmada, com a ética clara e que saíram por discordar do erro religioso e da conduta imoral.

Um abraço.

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Anônimo
AUTOR
20/2/06 19:21 delete

Reverendo:Há muito mais do que alguns quilometros a separar o Mackenzie da Conde de Sarzedas...sim, porque se até os anos 80 era a teologia dita liberal o cadinho onde crescia a apostasia, hoje a coisa é bem outra...ou será que banir implicitamente a suficiência da Escritura em troca de visões, ou praticar uma leitura irresponsável
da Palavra não oferece ao mundo secular e cristão um espetáculo de horror que acaba contribuindo para deixarmos de lado o cristianismo como um todo? Nao é pedir muito ao cristão mediano para suportar isso sem , no mínimo, afastar-se do meio evangélico e dai, eventualmente, da própria fé???

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Anônimo
AUTOR
20/2/06 21:42 delete

Caro Rev. Nicodemos.
Assunto intrigante. Mas, permita-me compartilhar a impressão do que vejo no seio de nossa igreja:
pior que a apostasia expressa é aquela latente no seio da igreja, e difícil de ser extirpada. Não seria o clericalismo, a burocratização da igreja, a excessiva valorização da vida conciliar e dos benefícios pessoais (por que não dizer oligárquicos) por ela proporcionada, a transformação dos meios em fins, e secularização expressa pela profissionalização eclesiástica, os insumos para isso?
Precisamos resgatar o temor a Deus, a humildade, a abnegação.... e fazê-la de modo intransigente, respeitando os valores do Reino de Deus. Está difícil....

Saudações cristãs.

RICARDO DE ABREU BARBOSA
I.P. São Bernardo do Campo

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Wilson Bento
AUTOR
21/2/06 04:58 delete

Rev. Augustus
Tenho compreendido que vamos a passos largos para um periodo em que havera o divisor de aguas, onde cada um de nos tera que escolher de que lado esta.
Parece exagero, mas eh uma realidade.
Nao ha mais tempo para andarmos ao redor do problema, temos sim, com voce mesmo fez aqui, que abordar os fatos e nos posicionarmos.
Como mencionei em outro comentario, o pessoal da "eteroteologia", esta bem organizado e correndo Brasil a fora ensinando e falando acerca das suas ideias...admiro sua coragem e espero que mais cristaos "autenticos" venham a abracar a defesa da fe genuina.

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21/2/06 20:42 delete

Cleber,

Nem sempre calvinistas são bons pastores -- ou bons cristãos. Como resultado, faz-se uma generalização infundada e injusta, que o calvinismo é intelectualista, etc.

A única maneira de respondermos a isso é com ministérios abençoados, conjugando boa teologia com boa prática pastoral.

Um abraço.

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21/2/06 20:53 delete

Franciney, há muitos irmãos dentro das igrejas pentecostais que têm sido despertados para as doutrinas da graça. Ao mesmo tempo, como você já detectou, há também liberais infiltrados. É preciso discernimento da parte de Deus.

Davi, seu comentário me lembra o lema de Paulo em 1Cor 9, que subjuga seu corpo para depois de pregar a outros, não venha a ser desqualificado. Sim, é o próprio Rev. Fôlton que fez o comentário de que tudo começa com uma visão cada vez mais deturpada de Deus.

Nagel, é de fato o conforto de pertencermos a um corpo que nos sustenta e conforta diante da terrível ameaça da apostasia.

Aos demais amigos que postaram comentários, obrigado pela visita ao nosso blog!

Um abraço.

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rafael galvão
AUTOR
21/2/06 21:13 delete

Apostasia é um problema nas igrejas evangélicas. Hoje eu estava lendo a minha apostila de literatura e sabe o que eu vi? Que uma das obras mais pornográficas, imorais, "A Carne", foi escrito por Júlio Ribeiro, identificado como pastor protestante. Eu não sei se o autor do texto exagerou, mas lendo um trecho...

Apesar das pessoas acharem que abandonar Deus seja a melhor opção, não é. Ouvindo alguns testemunhos de evangélicos, eu posso dizer que não adianta nada apostatar. A pessoa que apostatou não conheceu a Deus de verdade, pois senão jamais apostataria.

A pessoa que apostata, aposta, e vai perder no final.

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21/2/06 21:20 delete

Ricardo,

Confesso que não entendi a relação entre o Mackenzie e a Conde de Sarzedas.

Mas, concordo que diminuir a suficiência da Escritura em nome de revelações contemporâneas recebidas diretamente de Deus acaba por ser tão daninho quando negar a autoridade da Escritura em nome de novos conhecimentos supostamente científicos.

Eu estou pronto a concordar com você que o "clericalismo, a burocratização da igreja, a excessiva valorização da vida conciliar e dos benefícios pessoais, a transformação dos meios em fins, e secularização expressa pela profissionalização eclesiástica" são perniciosos e prejudiciais para a igreja.

É preciso fazer uma distinção clara aqui, todavia, entre esses vícios que você acertadamente menciona e a necessidade que a igreja tem, enquanto instituição humana, de ter regras, concílios, reuniões, pastores de tempo integral, e outros mecanismo pelos quais ela existe e age no mundo. Às vezes, reagindo contra os exageros da "instituição", podemos correr o risco de pensar que é pecado a igreja visível se organizar como comunidade dentro das sociedades onde está inserida.

Um abraço.

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Ricardo Barbosa
AUTOR
22/2/06 04:32 delete

Caro Rev. Nicodemus, a "relação entre o Mackenzie e a Conde de Sarzedas", não fui eu quem fez. Esse texto é de outra pessoa - anônima. Agradeço sua resposta. Não se pode olvidar a importância da igreja externa, sua organização e vida conciliar. Mas precisamos resgatar o caráter instrumental dessa instituição. Minha crítica é funcional, não estrutural.

Abraços

Ricardo de Abreu Barbosa

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Sueli
AUTOR
22/2/06 15:48 delete

Querido pastor e amigo!
Tenho clamado ao Senhor para que nos livre de nós mesmos, convertendo a cada dia os nossos corações, a fim de que jamais deixemos de reconhecer a SUA SOBERANIA, nem deixemos de crer em sua santa palavra. De fato: "À noite, todos os gatos são pardos". Que ELE nos capacipe a sermos luz no meio de uma geração perversa e corrompida.Louvo-O por servos Dele como o senhor. Que ELE continue a iluminá-lo.
Sueli

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24/2/06 20:36 delete

Sueli,

Obrigado pela visita ao nosso blog.

Somente a graça de Deus impede que os seus sejam enganados pelo próprio coração a ponto de se afastarem da verdade de forma final.

Um abraço.

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Norma
AUTOR
26/2/06 14:17 delete

Amém! É o meu único comentário possível a este post: estou de pé porque Ele me sustentou.
Abraços!

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28/2/06 17:37 delete

"A apostasia é uma realidade muito mais presente nos meios evangélicos brasileiros do que se deseja perceber. O falso conceito de tolerância, o relativismo, a falta de convicções doutrinárias, o liberalismo teológico travestido de ciência, tudo isso favorece um quadro cinza e enevoado onde os contornos do verdadeiro Cristianismo não são percebidos com clareza."

Esses gatos pardos foram, na sabedoria e providencia de Deus, revelados nas Escrituras: Mateus 7:21-23; Lucas 8:18; I Tim. 4:1; II Tim. 3:5, 4:3,4; Judas 4,11-13,18-19 entre tantos outros.

Fiquemos com as palavras de Judas (o irmao do Senhor) na continuacao do ultimo texto citado:

"Vos, porem, amados, edificando-vos na vossa fe santissima, orando no Espirito Santo, guardai-vos no amor de Deus, esperando a misericordia de nosso Senhor Jesus Cristo, para a vida eterna."

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Anônimo
AUTOR
2/3/06 16:12 delete

Rev: Para quem não conhece, a rua Conde de Sarzedas e a maior rua atacadista de "produtos evangélicos" do Brasil.E é o triste retrato de como o crescimento do evangelho se fez sem doutrina, repetindo no meio protestante os mesmos vícios do cristianismo romano pré vaticano II... Do mackenzie ã sarzedas vai mais que uma distancia: vai um fosso que separa os estudos teologicos da pratica, do chão em que vive a igreja evangélica neste país. E esta prática não se afigura como apostasia?Porque há por lá quase, ou até mais daquilo que foi o motor da reforma? Conta-se de Bizancio que, com os turcos ãs portas, a preocupacão maior era não com a invasão, mas com assuntos em si mesmos lícitos, mas inadequados para a situacão... Dizem também que paulistanos pouco conhecem o centro da cidade, que jamais pisaram no viaduto do chá, etc...sugiro que descam a referida rua, meditando no que aprenderam acerca das doutrinas da graca, das notas características da igreja, e, depois, vejam se este"anônimo"não tem motivos para estar "anônimo"...:(
E , para não dizer que não falei das flores...parabéns pelo espaco, Reverendo!!! :)

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2/3/06 21:49 delete

Meu caro ANÔNIMO,

Obrigado por me informar sobre a Conde de Sarzedas. Eu realmente não conhecia. Coloquei na minha agenda seguir seu conselho, isto é, sair um dia para peregrinar nessa Roma protestante e meditar sobre o que pode ser visto ali e sobre o motivo tão grave que o obrigue a permanecer anônimo num país onde existe plena liberdade de expressão.

Obrigado pelas flores.

Um abraço.

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Anônimo
AUTOR
7/3/06 18:52 delete

"Há advertências constantes nas Escrituras contra a apostasia. Apostatar significa afastar-se da verdade de Deus revelada nas Escrituras, como resultado de uma mudança de pensamento, e levantar-se em rebelião aberta contra ela. O que leva uma pessoa a fazer tudo isso, a abandonar a fé bíblica, seguir a heterodoxia, renegar os valores morais do cristianismo e pregar a liberação total?"

Reverendo,

Na tua opinião, os fariseus citados nos Evangelhos se enquadram na categoria "apóstatas", ou, na verdade, nunca chegaram a se aproximar da verdade de Deus?

Minha dúvida se deve ao fato de , lendo as Escrituras, Deus colocar no meu coração a certeza de que os fariseus, tão combatidos por nosso Senhor, os verdadeiros ortodoxos de sua época, observadores rígidos dos valores morais do Judaísmo(pelo menos em tese), contrários a qualquer tipo de liberação, foram os grandes inimigos de Jesus, Revelação perfeita de Deus, alvo de nossa fé, e arquétipos do anti-cristo.

Na tua opinião, reverendo, a ortodoxia farisaica fez com que apostatassem? Ou esta ortodoxia nunca permitiu que eles vissem a Verdade Revelada, mas somente a "verdade" que convinha?

Por favor, peço que me ajude a clarear minha mente, pois se há um nexo de causalidade entre a heterodoxia e a apostasia, por que nosso Senhor sempre combateu a ortodoxia farisaica, e não me pareceu tão preocupado em combater os heterodoxos?

Seria Jesus um heterodoxo? Se o foi, então é a ortodoxia a verdadeira inimiga, já que Jesus é a Verdade. Será que não eram os ortodoxos os verdadeiros inimigos da fé cristã? Ou seria nosso senhor um neo-ortodoxo, a desnudar os erros e hipocrisia da "velha" ortodoxia?


Por favor, me ajude com estes questionamentos que me atormentam!!!

Um abraço e que seu ministério continue sendo abençoado.

Flávio

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8/3/06 11:17 delete

Prezado Flávio,

Os fariseus num certo sentido foram considerados por Jesus como apóstatas, embora o termo não tenha sido usado por ele. Estou pensando em Mateus 23, quando o Senhor os denunciou por hipocrisia e desvio interior, e pela criação de uma religião que não correspondia à revelação bíblica no Antigo Testamento. Digo "em parte" porque a apostasia a que me refiro no post é aquela que segue o caminho até o fim, quando o apóstata realmente abandona a Igreja.

Contudo, a condenação de Jesus não foi por causa da ortodoxia deles -- se entendermos que ortodoxia tem a ver com coerência com a Palavra de Deus. Jesus até recomendou que o ensino deles deveria ser ouvido! Mas a condenação foi por causa da hipocrisia, da religião aparente e pelo acréscimo à Lei de Deus.

A liberação que Jesus veio trazer não foi da Lei de Deus como norma de expressar nossa gratidão a Deus, mas do legalismo -- coisa bem diferente.

O que impediu que os judeus cressem em Jesus está descrito por Paulo em Romanos 10: eles pensaram que a justiça era pela lei e não se sujeitaram à justiça que vem de Deus. Ou seja, não foi ortodoxia ou rigidez, mas legalismo, que é tentar salvar-se por obras.

Existe um "nexo de causalidade entre a heterodoxia e a apostasia", não há dúvida. O Senhor combateu, repito, não a ortodoxia farisaica, mas a perversão dessa ortodoxia que eles haviam cometido. E quem disse que Jesus não combateu a heterodoxia? Os saduceus eram os heterodoxos (negavam ressurreição e não criam em anjos) e receberam severas críticas de Jesus!

Seria Jesus um heterodoxo? Para os fariseus, sim. Mas ele estava na linha da religião revelada por Deus no AT. Será que a ortodoxia é a verdadeira inimiga, já que Jesus é a Verdade? Absolutamente não. Parece que sua dificuldade é com a palavra "ortodoxia". A palavra significa simplesmente o ensino correto. Seria Jesus contra isso? Paulo e os demais apóstolos nunca foram contra a ortodoxia, ao contrário.

Você pergunta se os ortodoxos não são os verdadeiros inimigos da fé cristã. Respondo da mesma forma, depende do que você quer dizer com isso.

E se nosso Senhor Jesus seria um neo-ortodoxo, a desnudar os erros e hipocrisia da "velha" ortodoxia, a resposta é a mesma.

Percebo que a sua dificuldade é com o sentido de ortodoxia. Provavelmente você ouviu neoliberais usá-la no sentido pejorativo.

Não se atormente com essas coisas. Seja um cristão ortodoxo bíblico!

Um abraço!

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10/8/09 11:10 delete

Olá Pastor, Fico feliz ao ler seu post e ver a humildade com que falas e respondes aos comentários. Graças a Deus! Tenho visto alguns estudiosos bíblicos sendo grosseiros com irmãos que discordam de suas opiniões e tenho visto o Sr. tratar os outros com respeito.
Realmente é assustador quando vemos um "homem de Deus" se afastando das verdades bíblicas, tendo pleno conhecimento delas... Devemos vigiar e orar, que o Senhor continue nos sustentando.

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15/4/11 20:55 delete

Pr. Nicodemus, paz!

Que texto corajoso!

Sobre a fala seguinte

"Percebo no fundo de meu coração uma tendência constante para afastar-me de Deus. Sinto que a tentação para a heterodoxia e para a liberação total são perigos reais que me cercam diariamente."

pergunto:

Por detrás desta confissão estão presentes convicções intelectuais pessoais fruto das suas pesquisas?

Entendeu minha pergunta?

Obs.: se achares que estou invadindo demais, pode falar.

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15/4/11 21:06 delete

Irmão,só me atentei para a data da postagem.

De lá para cá, como você continua firme na ortodoxia, suponho que não foram novas convicções intelectuais que surgiram com base nas pesquisas, mas talvez, um assedio do diabo mesmo. Coisa pertencente a ele.

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