segunda-feira, maio 15, 2006

Insegurança e Comoção Social – quando o governo perde o foco do seu propósito principal

São Paulo tem vivido nos últimos dias, com uma intensidade sem precedentes, uma situação de violência desenfreada claramente orquestrada e armada pelos líderes do famigerado PCC (Primeiro Comando da Capital). O desafio aberto às autoridades, com ataques a postos de policiamento e fóruns criminais; o assassinato de policiais e de civis; os incêndios criminosos a transportes coletivos, agências bancárias e, sabe-se lá, quantos outros recursos comunitários serão atingidos; as rebeliões nos presídios, com reféns e execuções brutais; os pronunciamentos desencontrados de certas autoridades – são clara evidência de que a estrutura remanescente de lei e ordem é extremamente frágil, em nossa sociedade, e facilmente rompida com um mínimo de articulação e esforço por parte dos que já se posicionaram contra a justiça e o direito. Vivemos uma verdadeira batalha campal, com mais vitimas do que muitos locais de guerra declarada.

Nosso desejo seria o de simplesmente expressar indignação e solidariedade para com as famílias das vitimas inocentes nas mãos dos assassinos, que não têm o temor de Deus nem respeito às suas determinações para a humanidade. Mas sentimos que é hora de lançarmos alguns questionamentos adicionais. O que é possível fazer nessa situação? Certamente devemos apoiar as autoridades e repelir a violência de todas as maneiras. No entanto, o retorno à estabilidade social não é obtido pela simples colocação nas ruas de um formidável contingente de policiais ou até de batalhões de soldados. O exemplo do Iraque está aí, explícito, onde o exército supostamente mais poderoso do mundo mostra-se incapaz, com todo o seu efetivo, de controlar ações organizadas, mas disparadas indiscriminadamente, por um bando de desajustados que pouco se importam com vidas humanas ceifadas por suas bombas e ataques. Os paralelos com o nosso Brasil já têm sido sobejamente apontados e não creio que seja a demonstração de força nas ruas que traga a solução real.

Essa situação nos faz não somente temerosos para com a vida do nosso povo, e dos que amamos, mas deve nos levar a uma séria reflexão dos rumos que foram perdidos ao longo dos anos. Estamos cansados da mesma resposta de algibeira, de que essa fragilidade é fruto da desigualdade social – uma solução que insulta os milhões de trabalhadores e famílias honestas, que lutam contra a adversidade econômica, mas preservam a dignidade de comportamento e o respeito pela vida e pelo bem alheio. É claro que, como sociedade, devemos nos empenhar para uma equalização das oportunidades de progresso a todos. Mas isso é bem diferente de uma equalização de bens e recursos que ignora a necessidade de trabalhar a equanimidade das oportunidades. Ou seja, a missão do governo não é igualar a todos, mas igualar as oportunidades para todos.

O problema que atravessamos, portanto, é mais grave, mais profundo, e diz respeito a um desvio do propósito real e primordial do governo e da missão maior dos governantes. Durante décadas a idéia do governo amplo e abrangente, que se intromete em todos os aspectos da sociedade, tem sido defendida e apresentada como a solução de todos os males. Os governantes adoram essa diversificação, pois lhes confere mais poder; o povo, enganado, considera os governos e os governantes “bons” quanto maiores sejam as promessas de intervenção em todas as áreas de nossa vida. As promessas nunca são cumpridas, a esperança é estrangulada, mas a memória curta dos eleitores, e a avidez por soluções milagrosas, vão perpetuando e agravando um governo cada vez maior, mais inchado e mais opressor. Chegamos à seguinte situação:

1. A idéia de um governo limitado, mínimo, é rechaçada, e quanto mais caos e convulsão social ou econômica atravessamos, mais prontos estamos para conceder mais poder aos governantes – depois nos espantamos porque a segurança da sociedade é “apenas” uma das funções do governo (e nunca a prioritária).

2. A idéia de respeito às autoridades vem sendo repetidamente minada na sociedade, a começar pela destruição da família, pela ridicularização dos mais velhos; pelo enaltecimento indevido de uma cultura jovem e permissiva que pode prosseguir sem direcionamento ou disciplina; pelo abrigo de “movimento dos sem isso ou aquilo” que podem desrespeitar as leis ao bel prazer, desde que tenham a mais tênue e remota justificativa social – depois nos espantamos porque não existe mais respeito pela polícia, nem pelo bem individual, nem pelos recursos da coletividade.

Como cristãos, deveríamos estar intensamente interessado em todas essas questões que transcendem o próprio instinto de conservação de nossas pessoas e nossas famílias, mas tocam no legado social que pretendemos deixar para os nossos netos e nos conceitos que Deus nos apresenta em sua Palavra – como missão nossa, como cidadãos; e como estrutura para a regência da sociedade.

O governo, ou o estado – no seu sentido mais amplo – deveria fazer pouco, mas fazê-lo bem e com competência. O livro que Deus escreveu para o homem – A Bíblia – ensina a origem da autoridade, e constatamos que ela procede de Deus (João 19.10-11). Ela também nos faz entender a origem do estado, e constatamos que ele se tornou necessário após a queda do homem em pecado, sendo formalmente instituído após o dilúvio (Gênesis 9); igualmente ela explicita o propósito principal do governoa segurança dos seus governados (Romanos 13).

Outras perguntas importantes também não são deixadas sem respostas pela Bíblia: ela nos apresenta a necessidade de um governo ilimitado, ou apresenta limites a um governo controlado por propósitos fundamentais? Queremos (se desejamos refletir o conceito bíblico) mais governo, ou menos governo (por “menos governo”, não nos referimos a um governo inoperante, deficiente, ineficaz, que não cumpra suas responsabilidades básicas), ou seja: estamos esperando, do estado, ações que pertencem a nós, como indivíduos; ou nas quais até a própria igreja deveria estar envolvida? Estamos projetando um caráter messiânico, e não protetor, ao estado? Em todas essas questões, vamos encontrar a Bíblia dando diretrizes que focalizam a tarefa principal do governo – a repressão aos malfeitores e o reconhecimento dos que praticam o bem (1 Pedro 2.13-14).

A Bíblia especifica, em paralelo, várias obrigações dos governados, sobre isso podemos falar em uma outra ocasião, mas a grande realidade vivida é que nessa perda de foco a sociedade está sendo moída pela violência. Os governantes foram estabelecidos com o propósito de reprimir os que fazem o mal. Deus utiliza governos, governantes e estados imperfeitos para restringir o mal. Deus os usa para impedir o caos generalizado, os assassinatos em massa, os “arrastões”.

É verdade que muitos governos instituídos abusam a autoridade em muitas situações –em muitos lugares do mundo, testemunhamos ataques e opressões pontuais da parte de governantes e isso só revela que a natureza humana, também dos governantes, está caída em pecado. Ainda assim, de uma forma generalizada, Deus restringe a escalada da brutalidade contra a igreja e contra as pessoas. Mesmo a justiça imperfeita e tribunais imperfeitos servem como limites ao fluxo de opressão desenfreada, mesmo que funcionem alimentadas pela sede do poder pessoal e por ganância pessoal.

Os governos, portanto, recebem de Deus o poder de utilizar “a espada”, ou seja, de utilizar a força física contra criminosos. Deus é pela dignidade da vida humana e, por isso, delega ao estado a preservação das vidas dos cidadãos, dando a ele poder sobre a dos criminosos. Cabe aos governos, através de suas cortes, se constituírem nos vingadores legais da sociedade contra o crime. Ninguém tem a aprovação, pela Palavra, em nossa sociedade, de fazer justiça pelas próprias mãos. Na sociedade, a autoridade recebida de Deus é exercida pelo governo civil. Sem dúvida, de acordo com o texto magno de Romanos 13.1-7, os governantes têm a obrigação primordial de zelar pela ordem civil. É simples assim! Todas as demais questões nas quais se envolvem, são supérfluas. Todas elas tiram o foco e a concentração do principal – essa é a grande razão de estarmos envolvidos neste caos – porque durante anos, o governo tem sido voraz e temos alimentado a sua insaciabilidade. Também porque a grande maioria dos supostos “representantes do povo”, não tendo visão de estadistas, terminam representando-se a si mesmos e seguindo seus próprios caminhos – isso quando não promovem desvios de recursos.

Além de estarmos intercedendo pelas autoridades, como nos manda 1 Timóteo 2.1-3, e colocando a responsabilidade nos criminosos – que subtraem a nossa segurança, reflitamos, contudo, na gigantesca máquina burocrática e trituradora que nós construímos. Ela perdeu seu foco ao longo do tempo e seus tentáculos atingem a todas as esferas, mas age pifiamente naquela área que seria a sua finalidade principal: garantir a segurança dos cidadãos.

23 comentários:

João Alves disse...

Prezado Solano,

Muito lúcido e apropriado este seu post. Concordo integralmente. Acho que o espírito de Calvino está de novo entre nós...

Parabéns!

João Alves

Anônimo disse...

Solano, hoje precisei sair por volta das 20hs. e fui tomado por uma tristeza maior que o meu próprio medo, ao ver as ruas de São Paulo totalmente desertas, quando todos haviam obedecido um toque de recolher implícito e não oficial imposto à nossa população pela violência de nossa cidade.
Nunca imaginei que fosse ver isto na minha vida e no meu país. Há umas semanas atrás, li uma comparação de características de governos populistas latino-americanos e a revista citou que alguns deles se aproveitariam inclusive deste clima de terror promovido pelo crime organizado para manter a população sob controle. Tenho receio de que o Brasil um dia se alinhe com este tipo de prática, e acredito que nós, cidadãos comuns não temos muito mais a fazer do que orar
por esta situação e por nossos governantes, para que Deus os ilumine em suas funções e orar também por aquelas famílias cujos entes morreram lutando contra a violência.
Sds.,
Fábio Franco

Author disse...

Hi you got an english version of your blog?

Solano Portela disse...

Caro João:
Grato pelo comentário e por desenterrar Calvino... Precisamos dele.
Abs
Solano

Solano Portela disse...

Caro Fábio:
Realmente, a situação hoje estava triste. Com as aulas suspensas, hoje à noite e amanhã, em grande parte das instituições, o toque de recolher é bem real, ainda que extra-oficial. Infelizmente, algumas autoridades faziam grandes contorcionismos, hoje, para explicar que tudo estava "bem", "sob controle", e delírios semelhantes. Ontem, um outro, explicava como as coisas "andavam bem": "Olhem", dizi ele, "nenhum posto policial foi atacado hoje, o que mostra que a situação está sob controle - estamos armados e nos defendendo. A prova disso é que eles agora estão atacando agências, ônibus e locais desguarnecidos". O pobre infeliz, carente de massa cinzenta, não atina para o fato de que se os ataques se voltam contra os bens e instituições de utilidade pública - bancos, estações do metrô, ônibus, escolas - e não contra a polícia - não porva nada a não ser a real falência do estado (governo) no seu sentido mais pleno. Mostra-se incapaz de defender-se a si mesmo e aos seus cidadãos.

Continuemos em oração.

Solano

Solano Portela disse...

Dear Icyfog:
No, I don't have this blog translated into English, but I have some articles in English in my site: www.solanoportela.net.
Solano

Tiago disse...

Prezado Solano

É uma grata surpresa encontrar, em um site no qual eu vinha lendo principalmente sobre teologia um post trazendo uma visão teológica do governo civil com tamanha coerência com o ideário liberal clássico (antes que a esquerda norte-americana se apropriasse do termo "liberal"). O estado "social" tem servido como desculpa para o crescente autoritarismo nos governos ao redor do mundo, bem como a perseguição dos que carregam consigo o testemunho de Cristo. Tudo em nome de um paraíso na Terra que não vem e certamente não virá por mãos humanas.

Deus o abençoe.

Cordialmente,

Tiago Ramos

Lou disse...

Nicodemos

Agradeço pela atenção. Aguarderei a postagem.

Abraço

daniel_yang disse...

Caro Presb. Solano,

concordo plenamente com sua posição, e gostaria de acrescentar uma reflexão. Será que o que está ocorrendo não é resultado da falência daquilo que chamamos de "Estado Democrático de Direito"?

É interessante escutar alguns "especialistas em segurança pública" tentando justificar a ineficácia dos mecanismos do poder público diante do avanço das facções criminosas. Argumentam que o poder público está sempre em desvantagem porque este deve seguir a "lei" enquanto que o criminoso não tem o menor respeito por ela.

Creio que vivemos numa sociedade que enaltece equivocadamente o "direito". Todos têm direitos. Direito a uma bolsa, a um auxílio, e até mesmo ao direito de desobedecer a lei quando um direito seu não é atendido. Um exemplo claro disso é o movimento criminoso conhecido como MST, financiado com dinheiro público e tutelado pelo atual governo. Vivemos num mundo onde todos democraticamente têm direitos, e que devem ser garantidos pelo poder público.

Acredito que isso é um antagonismo gritante diante da Palavra de Deus. Vejo que o conceito bíblico de lei é bem diferente ao que foi definido anteriormente. Enquanto a lei secular serve para assegurar direitos, a lei de Deus existe para garantir que o homem cumpra suas responsabilidades diante do seu Criador e do próximo.

O caos social que vivemos é fruto de um sistema legal baseado num sistema ético da auto-satisfação. A lei existe para garantir que minhas necessidades e desejos sejam satisfeitos. Ninguém tem responsabilidades, mas todos têm direitos. E toda lei proibitiva ou restritiva é vista como "censura", "ditadura", etc.

Um exemplo para ilustrar isso é o caso da revista Veja. Em nome da afamada liberdade de imprensa todo veículo de comunicação pode e deve investigar. Como aconteceu no caso do candidato Garotinho. Mas, será que a revista Veja tem o direito de estampar na sua capa a foto de um candidato declaradamente evangélico com traços diabólicos? ?A Veja tem esse direito? Quais são as responsabilidades da revista neste episódio?

Desde o início da criação, o Senhor demonstrou que o homem possuía deveres diante dEle. E que todo bem que o homem recebia era fruto da obediência à lei de Deus e da graça divina. Esses deveres foram preservados graciosamente mesmo após a queda no Éden, como um sinal da graça de Deus em manter um relacionamento pactual com sua criação, especialmente o homem. Surge a lei, não para que o homem perdesse a sua liberdade, mas para que vivesse por ela, e assim garantisse todos os seus direitos pactuais garantidos pela graça divina.

A lei existe para garantir que o homem exerça as suas responsabilidades como criatura diante do seu Criador. E quando o Estado se afasta dessa verdade, está longe daquilo que se chama paz social. A lei não é má, é o homem que é pecador. E a lei existe para garantir que o homem viva dentro do pacto divino, refreando sua natureza pecaminosa, e cumprindo seus mandatos.

Não precisamos de um novo código de lei, pois este já existe. Basta restaurarmos o apreço pela lei de Deus como é encontrada nas Escrituras. A lei é boa, pois é um sinal da graça divina e manutenção do pacto. De um Estado que baseie as suas leis no conceito de responsabilidade civil.

Abraços.

PS. Isso é teologia bíblica, pactual e reformada. Gostaria de saber como o liberalismo religioso responde a essas questões...e principalmente como eles apresentam soluções pra isso.

Juan de Paula disse...

Amado Solano,

nos compadecemos todos dessa situação, realmente nosso coração pesa por causa de tamanha incredulidade e falta de temor da parte dos agressores.

Ficamos muito triste também pela fraqueza do estado e governo em resolver essa situação.

De minha parte , acrescento aqui o seguinte:

1) As igrejas em grandes centros urbanos tomados pela violência devem orar por avivamento bíblico, um derramamento do Espírito para gerar nos seres, temor e reconhecimento do pecado e miséria humana.

2) Os pastores devem pregar a Palavra e o evangelho da graça. É básico e foi assim que Deus usou Calvino como citado acima, no 2o período do seu pastorado em Genebra para que tabernas e outros fossem fechados e houvesse uma mudança na cidade.

3) Devemos orar por cristãos como Wilberforce e Kuyper, cristãos sérios que lutem por mudança social e política (embora há quem diga que o sistema está tão corrompido que é quase impossível mudar o quadro). Sobre teologia pactual e política como citado acima, indico o livro de Johannes Althusius, Política pela www.topbooks.com.br , qual autor foi um calvinista holandês do séc XVI e XVII, que com a base bíblica do pacto, a teologia calvinista e teoria do estado, usando também Aristóteles e o católico Juan de Mariana, articula uma teoria do federalismo. Vale a pena ler!

Senão for por ai, vamos virar uma Bogotá daqui a pouco, e estamos caminhando para lá mesmo.

Post oportuno e que Deus nos ajude, sustente e dê forças para continuarmos firmes.

Gde abraço,
Juan

Cleber Leite disse...

Caro Solano

Também concordo com o post. Infelizmente, em matéria de segurança pública, nosso país é manipulado por uma elite pensante arcaica, cujo foco é o agressor e não a vitima. Particularmente, pois sou formado em direito, não sei a que escola penal nossos pensadores são vinculados, pois a opinião deles é contra mundo. vejo que voce é um estudioso das questões relacionadas ao Estado, pelas suas opiniões e pelos seus livros. Eu também, e particularmente ao nível academico, no caso mestrado, tenha me aprofundado na questão do Leviatã brasileiro. Minha pesquisa até agora tem sido aterradora, pois aqui no Estado do Piauí, estamos criando uma geração que abomina o trabalho e que quer viver a custa de programas sociais. vamos orar. Caso tenha alguma colaboração sobre o Estado do Bem-Estar será bem vinda. Grato.

Cleber

Solano Portela disse...

Caro Tiago:

Realmente, perdemos a visão do que é o conceito básico do governo - limitado e controlado, senão torna-se tirano pela abrangência.

Esse é o verdadeiro liberalismo, com o qual concordo (enquanto repudio o liberalismo teológico, o qual, irônicamente, afasta-se das bases - nas Escritura, também), e que difere do "liberalismo" norte-americano.

O caráter "messiânico" do estado cai como uma luva no populismo inconsequente dos nosos políticos, gerando uma dependência clientelísitca crônica nos eleitores. Aparentemente, todos ficam felizes, só que proteção à sociedade e governo eficaz no que faz, que é bom, não temos!

QUantos mais tentáculos (ou têtas) o governo tem, mais possibilidade de corrução e desvios! É um buraco só!

Abs

Solano

Solano Portela disse...

Caro Lou:
Seu comentário para o Augustus terminou postado aqui... mas ele o recebeu e disse que está retornando a postagem dele em mais alguns dias.
Solano

Solano Portela disse...

Caro Daniel:

Você tem toda razão - é a falência do estado democrático de direito, sim. Mas o meu ponto vai além disso, não é só a falência de um sistema, mas uma falta de percepção do caráter limitado e controlado de um governo que, independente do sistema, deveria se ater primordialmente à garantia da segurança dos cidadãos.

Você também tem razão que fala-se hoje tanto no "direito" e pouquíssimo nos deveres. Tenho material e pensamentos sobre essa área, mas o post ficaria longo demais.

Lógico que o liberalismo teológico não tem as respostas. Ele tem a base na bondade inerente à natureza humana (uma falácia), então despreza limites e controles, além de transmitir uma idéia romântica e equivocada da necessidade à repressão e catigo dos malfeitores. Por isso que eles, com frequência se alinham com os criminosos e não com as vítimas.

Um abraço,

Solano

Solano Portela disse...

Caro Juan:

Certamente, o trabalho do Povo de Deus deve ser de intercessão constante e de achar meios de executar controles e reformas sociais, naquilo que é destrutivo à sociedade.

Perturba-me, entretanto, o grande número de cristãos ávidos a dar mais poder ainda aos governantes, em vez de procurar limitá-lo. Precisamos muita percepção e pressão para que o estado volte ao seu desígnio bíblico, apropriado e original - conter o mal e possibilitar oportunidades (galardoar) aos seguidores da justiça e cumpridores da lei.

Um abraço,

Solano

Solano Portela disse...

Caro Cléber:

Com efeito, o "welfare satate" (ou do "bem estar") é o exemplo concreto de comos os americanos cairam na esparela do "big government" - o estado todo poderoso, assistencialista, paternalista, sugador da riqueza da terra para uma suposta divisão que é desperdiçada nos meandros burocráticos, quiçá em corrução.

Nossa experiência é mais cruel, pois já temos sido mastigados pelo leviatã há muitos anos e, como sociedade, nos acostumamos a isso. Na época do império, já clamávamos por isso, na república (dentro ou fora do período militar) continuamos na mesma.

Só que o pavia da bomba está encurtando e já passa da hora de voltarmos às bases - devemos voltar à prancheta e redefinir o escopo do governo.

Na minha pasta de "em progresso" tem algumas idéias e capítulos, sobre esses conceitos primários, tomando forma. Quem sabe não se transformam em um livreto, algum dia.

Um abraço,

Solano

Solano Portela disse...

Perdão - grafei "state" errado, acima, e no comentário não dá para corrigir depois. Quase saíu "satanstate", o que não seria tão errado, assim.
Solano

Anônimo disse...

Meu irmão, vc nos legou um "tratado para os tempos".

Escrevi o seguinte para alguns amigos hoje: precisamos incluir em nossos cultos tempo de oração por avivamento e arrependimento. Esta situação é o juízo de Deus sobre nós. Deus está nos céus!

Minha convicção é que Deus não nos visita porque não clamamos com seriedade, como se TUDO - TUDO mesmo! - dependesse dele. Nossas orações acabam sendo pontuais. Mas se Deus não nos visitar com poder, o que aconteceu em São Paulo, será o que acontecerá no Rio de Janeiro.

Nossa única esperança é Deus, mais ninguém.

Abs,
Franklin

Norma disse...

Eu estava em São Paulo quando a confusão atingiu seu auge, participando de um evento importantíssimo para os dias que correm (e totalmente ignorado pela mídia "oficial"): o Seminário Internacional sobre Democracia Liberal, promovido pela Associação Comercial de SP e pelo site Mídia sem Máscara. Falamos sobre a situação drástica na América Latina e enfatizamos muito esse ponto dos limites do Estado, base da democracia, que é ferida em todos os regimes totalitários de que temos notícia. Sendo mau o coração do homem, as leis servem para limitar abusos e são, por isso, como bem falou Solano, instrumentos de Deus, da graça comum. Mas o esquerdismo busca, ao mesmo tempo por meios lícitos (voto e constituição, no início) e ilícitos (tirania, extorsões, aliados terroristas e narcotraficantes, execuções sumárias, imprensa controlada), legar ao Estado o poder máximo. Isso é patente em todos os regimes nazistas e comunistas, mas a propaganda vermelha impede que o esquerdismo seja visto como é: ideologia totalitária que suprime as liberdades individuais. Todo o papo de acabar com a pobreza é pura balela: basta enxergar como viveu o russo, o alemão oriental, e como vive hoje o cubano, o chinês, o coreano. Estudos e informação não faltam - mas não estão na mídia nem nas escolas, devem ser buscados por fora. Os livros que tem saído no exterior não furam o bloqueio dos editores comprometidos com o esquerdismo, e ficamos isolados no Brasil. Quanto a isso, recomendo enfaticamente a leitura do www.midiasemmascara.com.br a todos que queiram entender o que está ocorrendo: o curso revolucionário na América Latina, os atores em jogo, os financiamentos maciços de entidades milionárias (sobretudo da esquerda americana), o bombardeamento gramscista na educação brasileira (que educa crianças e jovens para crer na utopia e adorar o Estado esquerdista, desprezando o cristianismo), as distorções lingüísticas para emperrar todo raciocínio oposto à ideologia de esquerda. Nada disso é muito novo, e a leitura de Olavo de Carvalho, Paul Johnson, Alain Besançon, Jean-François Revel, François Furet, Eric Voegelin - e muitos outros - pode esclarecer muito do que vem sendo feito na AL, inspirado em métodos usados pela URSS e pela ilha-cárcere de Fidel.

Pergunto-me quando os cristãos vão acordar para o fato de que A) a esquerda é hoje um dos maiores inimigos do cristianismo e das liberdades individuais; B) é preciso fazer algo, urgente. Se a igreja brasileira estivesse atenta, mais informada e fosse mais zelosa pela verdade e pela justiça, conseguiríamos barrar a marcha da revolução neste país. Não quero pensar que é tarde demais, mas lançar mais um grito para que acordemos finalmente. Não queremos um Brasil cubanizado ou uma América Latina socialista-soviética, de cérebros amputados pela ideologia, de subserviência forçada e humilhada, de igrejas perseguidas, de sonhos sufocados, de pobreza generalizada. Leiam! Informem-se! Corram antes que seja tarde!

Bravíssimo, Solano, pelo post!

daniel_yang disse...

Caros Solano e Norma,

seus "posts" acrescentaram em muito a miha visão sobre o mundo onde vivemos e como ter a perspectiva correta sobre tudo o que está ocorrendo.

Como você bem disse Solano, não é apenas a falência de um sistema, mas de uma cosmovisão que procura "engolir" tudo e todos fazendo da máquina do Estado um poder superior e ilimitado.

O comentário feito pela Norma ajudou-me a entender que a esquerda não morreu. Quando imaginamos que a esquerda é apenas o comunismo que vemos em países como a Coréia do Norte estamos enganados. Pelo menos eu estava. E para aqueles que pensavam que ele havia morrido com a antiga URSS, hoje essa cosmovisão perniciosa ressuscita novamente travestida de um populismo de esquerda barato.

Obrigado Pb. Solano pelo post que muito me ajudou. E Norma valeu pelo comentário. Seu comentário me ajudou a enxergar com maior profundidade o mundo em que vivemos. Foi um grande e importante alerta.

Abraços.

Solano Portela disse...

Caro Franklin:
Obrigado, mas "menos", irmão, "menos"...

Você tem razão - nossa confiança na soberania de Deus é pequena e sempre clamamos como se dependesse de nós, ou com total ausência de Fé. Estamos muito distante da atitude de devoção e intercessão real que deveria nos caracterizar.

Um abraço,

Solano

Solano Portela disse...

Cara Norma:

Deus a colocou no olho do furacão em um evento excepcional! Seu comentário é um manifesto, lúcido e preciso.

Obrigado,

Solano

Solano Portela disse...

Caro Daniel:

É. Ela está bem vivinha, mas mais difícil de identificar pois todos parecem ter sucumbido a um mesmo discurso que é tão inconsequente quanto "politicamente correto". Basta observar a mesmice dos conceitos transmitidos por QUASE todos os candidatos. Obviamente, terminamos sempre escolhendo "dos males o menor", mas não temos muitas vozes políticas que exalem serenidade, propriedade, ética e que defendam um estado-servo dos governados; que não encoragem o clientelismo nos eleitores; que realmente se empenhem na proteção da sociedade e que possuam mão de ferro, respaldada em honorabilidade pessoal, contra os malfeitores e bandidos que transbordam por todos os lados (inclusive em nossas casas políticas principais).

Abs

Solano