quarta-feira, janeiro 03, 2007

A Religião dos Liberais-Esquerdistas

Em 1923 J. Gresham Machen publicou Cristianismo e Liberalismo, em que mostrou claramente que o liberalismo era uma religião, e uma bem diferente do Cristianismo. Apesar da denúncia, a religião dos liberais cresceu e permeou todas as áreas do mundo ocidental moderno cristão, particularmente a política. Uma obra recente que delineia a religião do liberalismo e sua influência é Godless -- The Church of Liberalism [Sem Deus -- A Igreja do Liberalismo] de Ann Coulter. Comprei o livro (ainda não traduzido) e aproveitei minhas férias aqui em Recife para lê-lo (foto). Já estou chegando ao fim e também a algumas considerações sobre o seu conteúdo.

Ann Coulter é uma cristã que freqüenta com alguma regularidade a Redeemer Church, do Tim Keller, pastor presbiteriano conhecido nosso nos Estados Unidos. Republicana, conservadora, Coulter é advogada, jornalista, colunista de diversos periódicos americanos e escritora de sucesso, com vários livros na lista de best-sellers do The New York Times, inclusive esse último. Ann Coulter é uma crítica mordaz, ferrenha e destemida dos democratas-liberais esquerdistas americanos, aos quais se refere abertamente como retardados, traidores, covardes e inimigos de Deus, do Cristianismo e da América.

Godless é voltado para o público americano e expõe a falácia e incoerência dos principais pontos defendidos pelos liberais democratas americanos, naquilo que Coulter chama de "a Igreja do liberalismo". Podemos ter alguma dificuldade no entendimento de suas teses porque para a maioria dos brasileiros todos os americanos são apoiadores do Bush, direitistas e retardados. Apesar da linguagem ácida e debochada (eu provavelmente não liberaria comentários dela aqui no blog...) Coulter é extremamente bem informada e usa essas informações com muita inteligência – apesar de ser loura e usar uma mini-saia – e com uma ironia fina que arranca risadas freqüentes dos leitores (que concordam com ela, é claro). Tudo isso é empregado de maneira eficaz para detonar a religião do liberalismo político e expor seus defensores. Entre as risadas que dei lendo o livro na rede à beira-mar, aprendi que existe uma extraordinária semelhança entre a religião dos democratas-liberais esquerdistas de lá e aquela dos esquerdistas daqui. Menciono algumas, lembrando que aqueles que ela chama de liberais no contexto americano equivale mais ou menos aos esquerdistas do Brasil. Também não preciso dizer que apesar de generalizar, estou consciente de que há várias exceções.

1. Os liberais-esquerdistas são contra a punição de malfeitores como estupradores, assassinos, assaltantes a mão-armada e terroristas. Por não acreditarem no estado de queda e depravação moral e espiritual em que os homens vivem, defendem a possibilidade de reabilitação dos piores criminosos mediante a melhoria da auto-estima deles, programas de reabilitação administrados pelo Estado e psicólogos profissionais. São contra prisão perpétua, pena de morte, e a construção de mais prisões e detenções. São a favor de indultos, diminuição de pena e de devolver à sociedade bandidos perigosos para que se reintegrem e se tornem bons cidadãos. Esse seria um dos mandamentos da religião do liberalismo: “não punirás o malfeitor”.

2. Os mártires da religião liberal-esquerdista são geralmente esse pessoal. Nos Estados Unidos, assassinos seriais como Ted Bundy ganham fã-clube e seguidores, além de defensores entre homens e mulheres públicos. Recentemente, o estuprador e assassino Willie Horton ganhou notoriedade e milhares de defensores por que seus crimes foram considerados como armação de brancos preconceituosos – Horton é afro-descendente. Na mídia mundial liberal, Saddam Hussein já começa a tomar os contornos de herói e mártir.

3. O ponto de honra da religião liberal-esquerdista é o aborto, equivalente a um sacramento. Liberais-esquerdistas fazem o seu principal cavalo de batalha do direito da mulher abortar em qualquer período da gestação. Coulter diz que a razão é que os liberais odeiam os seres humanos e querem destruir o maior número possível de fetos. Nessa mesma linha, defendem o casamento gay porque gays não se reproduzem.

4. Os templos da Igreja liberal-esquerdista são as escolas públicas e os sacerdotes são os professores. Os liberais conseguiram transformar a rede pública de ensino em templos onde sua religião secularista-humanista-evolucionista é ensinada, onde o Cristianismo é proibido, onde nossos filhos aprendem desde cedo que a sexualidade precoce é natural, que ser gay é OK, que é legal usar camisinha e o “liberou-geral”, tudo isto à custa dos impostos pagos inclusive por aqueles que não mandam filhos para as escolas públicas e nem aceitam essas premissas ou a religião dos liberais. Aqui no Brasil, isso se estende à esfera governamental, com seus anúncios permissivos pagos com nossos impostos, bem como às universidades públicas.

5. Os liberais-esquerdistas são inimigos da ciência que considera as realidades de Deus, e se pudessem, queimariam todos os livros verdadeiramente científicos, como no passado houve queima de Bíblias. A religião liberal só aprecia a ciência quando ela aparenta contradizer o Cristianismo histórico. Toda vez que a ciência contradiz algum dogma da sua religião, os liberais estão prontos a reagir, protestar, desautorizar e renegar o valor das pesquisas e conclusões. Fizeram isso quando pesquisas científicas feitas por cientistas de Harvard, Cambridge e outros, mostraram que o QI das pessoas é genético (isso desbanca o dogma da igualdade de todas as raças por causa da evolução), que os homens são mais aptos para ciência e engenharia do que as mulheres (isso ataca o dogma da igualdade plena homens e mulheres), que o vírus da AIDS discrimina mesmo, atacando gays em 90% dos casos comprovados de AIDS (isso ameaça o dogma que ser gay é normal e natural e até desejável), que o aquecimento global não é tão sério como os ambientalistas – geralmente liberais-esquerdistas – propagam (isso ataca o dogma de que a vida humana tem menos valor que o meio-ambiente), que células-tronco de adultos são eficazes e têm já produzido efeito na cura de doenças graves, muito mais que o uso de células tronco de embriões (isso ataca o sacramento liberal de exterminar com o maior número possível de fetos), e por ai vai.

6. A premissa fundamental da religião liberal é a teoria da evolução. Apesar de 150 anos terem decorrido desde a publicação de Origem das Espécies os liberais continuam sem evidências fósseis da seleção natural e da evolução de uma espécie em outra mais adaptada. Quanto mais mergulhamos no conhecimento profundo do mundo e suas maravilhas, menos e menos plausível o evolucionismo se torna, a ponto de cientistas ateus, que rejeitam a evolução, procurarem outras alternativas para a origem da vida (que tal incluir Deus entre as opções?). Apesar de tudo, evolucionismo é dogma intocável e não passível de discussão nos templos liberais do ensino público. A única religião e a única fé que os liberais realmente desejam excluir das escolas e universidades é o Cristianismo. A religião que continua a defender pela fé o evolucionismo é mantida, nutrida e ensinada aos nossos filhos, usando nossos impostos.

Posso não concordar com o estilo mordaz de Coulter e nem com algumas colocações bem mais radicais do que estou pronto a endossar, mas estou impressionado com a percepção clara que ela tem daquilo que está realmente em jogo. A Igreja do liberalismo-esquerdista está no Brasil também, com seus templos, sacerdotes, dogmas e sacramentos. Em contraste com os Estados Unidos, cristãos históricos no Brasil ainda não são bem articulados, organizados e têm pouco acesso à mídia. Todavia, temos esperança de que, considerando as inconsistências internas do liberalismo, o crescente interesse pelo Cristianismo histórico e os esforços pequenos porém constantes de indivíduos em mostrar o outro lado, dias melhores poderão chegar.

82 comentários:

Norma disse...

Olá, Augustus! Eu tinha de ser a primeira a comentar este post... :-)

Ainda não li Godless, mas comheço Coulter e endosso entusiasticamente sua análise. E acrescento que, também aqui no Brasil, apesar do número reduzidíssimo de conservadores na grande mídia - Olavo de Carvalho, Diogo Mainardi e Reinaldo Azevedo, praticamente - , os blogs têm obtido, assim como há alguns anos nos EUA, uma força extraordinária contra o monopólio da esquerda. Isto tem sido feito, se não com a mesma mordacidade de Coulter (a cultura "cordial" brasileira não permite muito esse jeito seco dos americanos), com a mesma sagacidade para a compreensão do fenômeno do encampamento esquerdista na mídia e na educação, bem como da associação entre marxismo e anticristianismo. Sou muito otimista quanto a um equilíbrio maior, político e cultural, por causa da força da blogosfera!

Há um livro revisado por mim que sairá em breve pela Thomas Nelson, de Hugh Hewitt (outro conservador), que conta como os blogs começaram a equilibrar as coisas nos EUA, revelando a precariedade e o partidarismo da mídia americana - sobretudo as porcarias que nos chegam, como CNN e New York Times. Juntos, eu, vocês do Tempora, Gus Nagel, Edson (o Eliott) e tantos outros cristãos blogueiros competentes podemos fazer muito, com a graça de Deus, para temperar esse cenário desolador e tirar pelo menos alguns do escuro grotão das idéias de esquerda.

E se tomar pedradas por causa desse post, tô aqui para ajudar a receber alguns cascalhinhos! ;-)

Abração!

Eliot D. Chambers disse...

Augustus, fala sério!

Você tirou escolheu justamente essa foto, com camiseta vermelha e sua indefectível barba para ilustrar justamente o post-resenha do “Godless – The Church of Liberalism” da Ann Coulter! Vestido de “cumpanhêro”! Há há! Que senso de humor!!! Bem que a Norma fala que “os meninos da Mack” são muito engraçados!

Mas vamos ao post.

Pois é, irmão, da intervenção estatal na economia aos "argumentos" abortistas, não consigo identificar uma, uma tese sequer defendida pela esquerda que esteja minimamente harmonizada com a Bíblia. Ann Coulter está corretíssima em associar esquerdismo com anti-cristianismo. Mesmo a tal “distribuição de renda” defendida por socialistas e social-democratas, visando (dizem eles) suprir as carências dos mais pobres não encontra o menor respaldo bíblico e não passa de “terceirização do altruísmo”. Mesmo assim a influência que o esquerdismo tem sobre a igreja brasileira é assustador. Coisa da hegemonia gramsciana. E da preguiça mental e subserviência intelectual dos nossos líderes eclesiásticos e formadores de opinião do ambiente evangélico, que os faz viver flertando com heresias e posicionamentos flagrantemente anti-bíblicos.

Pode-se espernear à vontade, mas ainda não vi melhor "programa social" capaz de tirar pobres da pobreza que o chamado capitalismo. Mas me refiro ao capitalismo verdadeiro, o de livre mercado, não esse mercadinho atravancado e dependente de verba governamental que existe no Brasil.

Que tal fazer um debate na Mack sobre o assunto? De um lado, poderia estar o Solano, (que está afiadíssimo, como bem mostrou nesse ótimo artigo sobre Saddam, pena de morte e o RJ) e de outro, alguém do MEP... O que acha? Eu gostaria muito de saber de que forma essas pessoas conseguem associar esquerdismo com fé cristã. Misterium tremendum... O que sei é que eles são ótimos em perder debates. Quando o assunto é economia, então... o debate fica mais fácil ainda.

Enfim, dos vermelhos, só mesmo a cor da camiseta e a barba, he he he. O resto (eu arrisco 99%) não presta!

Abração do “kamarada” Eliot.

Eliot D. Chambers disse...
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Cleber Leite disse...

Prof Augustus

Boa a percepção da Ann Coulter. Hoje pela manhã vi no jornal, que os democratas(liberais) dos Estados Unidos já estão arregaçãndo as mangas para impor sua agenda nefasta, por exemplo, pretendem financiar com recursos públicos a pesquisa com células-tronco retiradas de embriões, que havia sido vetada pelo governo atual. quem ler o livro A AMEAÇA PAGÃ de Peter Jones, sabe como a agenda "liberal" foi imposta na epoca do Clinton.

No Brasil algo parecido tem acontecido, pois para demonstrar uma suposta neutralidade, o atual governo, através de um de seus senadores, querem implantar, por exemplo, um chamado "Estatuto da Igualdade Racial", o qual na realidade legaliza o racismo no Brasil. aqui no Piaui, tambem somos governados pelo mesmo partido do Presidente da República, que por exemplo tem implementado as chamadas "politicas afirmativas" como uma recente lei que diz ser de proteção aos homossexuais, mas que na realidade cria uma casta de privilegiados com empregos, poder de denunciar supostos preconceitos de uma forma subjetiva e por aí vai. Concordo com a Ann, que o pior de tudo é que o dinheiro dos nossos impostos, que deveria financiar do Estado Protetor, está sendo desviado para sustentar o òcio de intelectuais, bem como, campanhas contra "tudo o que é Deus" será o Anticristo(ah! ah!).

Abraços

Cleber Leite

Joao d'Eça disse...

Prezado Rev. Nicodemos.

Preciso de uma explicação: Que significa a ilustração desse artigo? Porque uma rede verde? Será alguma alusão ao Green Peace dos liberais esquerdistas? Porque a camisa vermelha? Será alguma identificação com o vermelho de Hugo Chaves (Liberal-Esquerdista)?
[risos].

O partido do presidente do nosso país tem disfarçado as suas verdadeiras intenções, pois existem projetos liberais-ateistas-evolucionistas na pauta do segundo governo. Eles pretendem liberar geral. Há um projeto sobre o aborto, para que seja possível as mulheres que desejarem, poderem abortar até nos nove meses. Ontem (04/01/07) foi sancionada pela sr. Lula, uma nova Lei que trata de divórcio de um modo puramente contratual, sem falar na publicação de livros didáticos para as escolas públicas, onde a teoria da Evolução é ensinada como se fora verdade.

Necessário se faz que nós levantemos a nossa voz e denunciemos toda esse rede anti-cristianismo e usemos os recursos disponíveis para mostrar a verdadeira face de políticos, de sociólogos e de antropólogos comprometidos com esse sistema anti-Deus, que defendem posturas contrárias as que são ensinadas pelas Sagradas Escrituras. Não podemos ficar calados. Devemos levatar essa bandeira onde for possível, e, conclamar o povo evangélico a boicotar TVs, revistas, programas de rádio e até igrejas que estão à serviço desse sistema.

Rev. João d'Eça

Danilo disse...

Olá Rev. Augustus. Mais uma vez, um post sensato e muito interessante. Confesso que até algum tempo atrás, se alguém me perguntasse seu eu era de esquerda ou direita, com certeza a primeira opção sera a resposta. Contudo, após a leitura dos últimos textos, bem como dos comentários e de uma análise fática daquilo que ocorre na mídia e principalmente nas escolas, verifica-se que a visão direitista é a que se coaduna com as verdades que pregamos, sendo que, as idéias de esquerda, não só divergem dessas verdades, mas também as atacam impiedosamente.
Ok, virei de direita! mas agora vem um problema, e gostaria da opinião dos irmãos a este respeito: Será que de fato existe essa direita conservadora que temos como ideal, dentro do cenário atual da política brasileira? Porque muitos daqueles que hoje são colocados na Direita, são de fato originariamente partidos esquerdistas, como o PSDB. E mesmo dentro de partidos que se colocam de fato na direita, encontramos muitas vezes representantes que não tem a coragem (ou de fato são a favor...) de se manifestar contra o aborto, casamento homossexual, teoria evolucionista, entre outros temas. Parece que muitos se abstêm de se manifestar com o medo de perder votos. Se possível, gostaria que os irmãos citassem, caso conheçam, políticos e/ou partidos que de fato se colocam ao nosso lado, em defesa dos valores cristãos, uma vez que estou tendo um pouco de dificuldades.

Mais uma vez, parabenizo os irmãos pelos textos postados, dando graças a Deus por Ele permitir a existência de lugares onde a fé cristã, bem como sua aplicação na prática pode ser discutida, que é o caso do blog de vocês.

Abraços!

Danilo

Angeli disse...

Olá Rev. Augustus. Gostei muito do post, e me interessei pelo livro. Vou procurá-lo para ser a minha leitura de praia no próximo feriadão...
Acho que um esclarecimento importante precisa ser feito: nos EUA a palavra liberal, quando se refere a liberalismo político/econômico, tem um sentido diferente do usado no Brasil. Economistas como Hayek, Mises e Friedman escreveram textos incentivando os verdadeiros liberais (seguidores do liberalismo clássico, da não intervenção estatal) a lutarem pela volta do termo a seu sentido e "donos" originais, tirando-o da mão dos esquerdistas.
Não sei se fui claro, mas acho importante escrever isso para evitar confusões de quem lê o post tendo em mente o liberalismo como conhecido no Brasil.
Abraços,
Eduardo Angeli

Anônimo disse...

Pois é, a loura americana faz sucesso e vende pra chuchu, principalmente para os conservadores do Sul dos EUA, bem alí no cinturão da Bíblia onde existe mais ''cinturão'' do que Bíblia. Ann Coulter já ganhou uma boneca temática que tem a cara da BÁrbie, e basta apertar sua barriguinha e a boneca fala 14 frases, entre elas uma das suas mais brilhante: ''Por que não declarar guerra ao Iraque só por causa do petóleo ?''.
Como eu sou nordestino se ela morasse por aquí poderíamos chamá-la de ''pistoleira gringa ''. A língua de Ann é afiada pois ela prega a invasão dos países muçulmanos pelos EUA e a necessidade urgente de obrgá-los a converterem-se ao cristianismo. Em sua cruzada santa diz ''Devemos invadir seus países, matar seus líderes e converte-los ''E ela continua '' a meu ver deveríamos jogar uma bomba nuclear sobre a Coréia do Norte,BUUUUUUUMMMMMMMM. Eles são uma grande ameaça , com isso seria um aviso ao resto do mundo''.
Ann também assusta os seus ouvintes assíduos , pois ela fuma e bebe e ao usar sempre sua mini-saia preta tem sempre o cuidado de cobrir suas pernas com um longo casaco de peles.
Será que devemos levá-la a sério? Será que ela fala por convicção ou apenas está interessada em alguns milhões de dolares?

Nagel disse...

Demorou um pouco, mas eu consegui visualizar a associação mais ou menos inevitável entre esquerdismo e liberalismo teológico. Ainda há um e outro teólogo que tenta se dizer socialista e ortodoxo, mas vá entender que tipo de mentalidade consegue isso.

Sério, vocês sabiam que tem até uns comentários esquerdistas meus no Tempora e no Flor de Obsessão?! Dá atá vergonha, hehe.

Agora é esperar os chiliques esquerdopatas.

Abraços.

Anônimo disse...

Olá Nicodemus, tudo bem..

Eu acho que em ambos os lados existem pontos interessantes a serem destacados. Novamente venho ressaltar que é muito complicado o rótulo entre "esquerda" e "direita" principalmente no que tange a política ou economia.
Acredito que existem pontos da chamada esquerda que sejam interessantes. Obviamente que legalização de aborto, homossexualismo vão de encontro veementemente a vontade de Deus. Mas acredito que um país com leis fortes e com "enforcement" crível pode promover reabilitação ao presidiário, uma maior preocupação desenvolvimentista e social (isso não implica revolução socialista ou algo do gênero). Ora a noção que temos do evangelho é a reabilitação humana e a rendenção, mesmo com nossa natureza pecaminosa.
Sempre quando vejo esse debate "conservadores" x "liberais" seja econômico, teológico e político, remeto ao evangelho. Jesus ao mesmo tempo em que se irava, era misericordioso. Vide o ladrão da cruz, a mulher adultera, em que os fariseus queriam puni-la, mas Jesus agiu de misericórdia, sem ser ameno com seu pecado.
Pois todos pecaram, sendo assim todos nós deveríamos ser punidos, não só os ladrões ou criminosos. Mas agora já não há mais condenação, pela misericórida de Cristo.
Isso não significa que as leis devam ser mais brandas, deva haver indultos, e um ser perigoso deva estar fora das grades.
Talvez medidas como pena de morte não sejam as mais adequadas. Existem muitos presos que foram reabilitados e transformados.
Acredito que ensinar a evolução pura e simplesmente não deva ser o norte nas escolas assim como o ensinamento secular em geral. Uma sociedade deve dar opção de escolha ao indivíduo qual ensino é mais adequado e mais, o ideal seria o ensino dos dois, uma vez que o cristão deve estar consciente do desenvolvimento de áreas cientificas em geral.

Nicodemus, vou fazer uma pergunta que possa parecer infantil e anti-intelectual e "crentenes": Será que Jesus seria Liberal-Esquerdista ou Conservador de Direita? Qual seria a reação das duas correntes com relação a mulher adúltera?

Abraços
JP

Anônimo disse...
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Anônimo disse...

Ao Eliot D. Chambers

Existem vários conceitos vamos dizer assim ao "esquerdismo" que fogem totalmente a bíblia, a não ser que você interprete a luz da teologia da libertação ou de uma ótica socialista, ai sim você achará. E isso é comum a pastores adeptos da teologia da libertação. Agora deve-se tomar um pouco de cuidado no que se refere a questão de distribuição de renda ou intervencionismo estatal na economia, veja bem "economia"!!
Acredito que não esteja no escopo central da bíblia discutir distribuição de renda ou intervencionismo estatal, nos moldes atuais (típico liberal x intervencionista) voce pode tomar alguns exemplos da história de Israel e igreja primitiva. Mas não há diretrizes claras e diretas sobre isso.
Então fazer uma afirmação como sua sua pode ser um tanto complicada e alvo de controversa.
Eu poderia alegar que a comunhão entre os cristão da igreja primitiva seja uma forma de distribuição de renda.
É necessário compreender que intervencionismo estatal ou melhor distribuição de renda não implica necessariamente esquerdismo ou socialismo.
As vezes penso: porque associar tudo o que é social ao petismo ou socialismo?
Países como Japão e EUA após a Revolução Keynesiana tiveram um amplo intervencionismo estatal na economia. Esses países são socialistas? Como Keynes disse a economia capitalista é intrinsicamente instável portanto é necessário se fazer políticas de demanda para que o mercado funcione bem. Os EUA vivem fazendo isso...


Vale salientar que na época da reforma o intervencionismo do governo de genebra era forte. Se voce ler a história do pensamento econômico de Calvino você verá que artesão que estocava mercadoria para ganhar na alta do preço era chamado e punido. Não se admitia inflação e te garanto não havia Banco Central naquela época para se utilizar a taxa de juros como instrumento de política monetária srsrsrs.

Abraços
JP

Osvaldo Pimentel Filho disse...

Gostaria primeiramente de desejar a todos um Feliz 2007 e ao Rev. Dr. Augustus boas férias em seu merecido descanso na gloriosa Cidade Maurícia.
Eu fico um pouco preocupado quando vejo artigos como esse, brilhantemente escrito pelo Rev. Augustus; anteriormente o Presb. Solano nos havia brindado, no apagar das luzes de 2006, com outro excelente, no qual esgrime com maestria suas idéias, que estão sintonizadas e na mesma linha.
A preocupação decorre daquilo que, a meu ver, parece ser uma crescente identificação entre o que entendemos como posições políticas, econômicas e sociais consistentes com a visão de mundo calvinista (visão adaptada e transferida para a realidade do séc. 21, é claro) e o posicionamento defendido por pessoas identificadas com o pensamento de "direita", nas mesmas esferas acima.
Não que eu seja de "esquerda", ao contrário - politicamente estaria rotulado como "ultra-conservador" - e não que a minha opinião conte ou valha alguma coisa, no entanto não podemos nos esquecer que o "pensamento conservador" é, estritamente do ponto de vista religioso, independente de qualquer confissão, ou muitíssimo pior - muitas vezes liderado pela Igreja de Roma ou por seus membros, líderes e simpatizantes, como no caso da Europa - nesse caso o receio é estarmos a "reboque" da Igreja papista, já que os pontos de vista (contra o aborto, casamento gay - exceção notável da pena de morte) são muito próximos (em um post anterior eu havia colocado que Schaeffer define a Igreja de Roma não como aliada mas como co-beligerante, posição no mínimo incômoda... não gostaria de estar ao lado deles em nenhuma circunstância ou situação) e sermos "empurrados" para a órbita desse Sol-Dragão...
Já que a Norma Chaves citou o Reinaldo Azevedo, brilhante jornalista conservador e católico fanático, fica a sugestão de termos algum dos srs. como pensador protestante histórico também na mídia secular...


abraços

Osvaldo Pimentel Filho
IPVM - São Paulo

Osvaldo Pimentel Filho disse...

Prezados

percebi agora que mencionei no meu post "NORMA CHAVES" quando o correto é Norma Braga. Foi absolutamente sem intenção e peço antecipadamente desculpas pelo ocorrido.

Osvaldo Pimentel Filho
IPVM - São Paulo

Norma disse...

Anônimo, acredito que essas frases da Coulter são uma irônica provocação - talvez inacessível à maioria dos brasileiros embebidos da cultura cordial - para espicaçar os esquerdistas americanos por eles sempre justificarem as posições dos Bin Laden e Saddam da vida. É preciso perceber de uma vez por todas que terrorista não é bonzinho e que eles declararam guerra santa ao Ocidente há muito tempo! É pena que o brasileiro esteja cego para notícias como: as várias Fatwa que têm sido decretadas e aplicadas em solo ocidental (procure no Google: "Theo Van Gogh", cineasta); o processo de islamização maciça da Europa (na França já se contam mais mesquitas que igrejas); os assassinatos de mulheres de famílias islâmicas pelos próprios parentes em território holandês e com o silêncio cúmplice e medroso das autoridades... É como se eles lentamente estivessem conseguindo se impor, com sua força bruta, machismo e autoritarismo, em meio a uma cultura democrática, intrinsecamente mais frágil pela liberdade que proporciona. Mas o relativismo esquerdista que tomou conta das universidades em todo o mundo ocidental acabou tornando-a não só mais frágil ainda, mas incapaz de se defender, já que desvaloriza todas as conquistas ocidentais. Se você entra nessa de multiculturalismo ("todas as culturas são igualmente boas"), os terroristas dão pulos de alegria, porque crêem que o mundo é deles, o resto é escória e merece morrer. Com eles, não tem essa de multiculturalismo não! Você corre para o abraço e eles retribuem com a faquinha ritual, a não ser se você se converter a Allah. Até os muçulmanos "light", como o Cat Stevens (esqueci o nome de convertido dele), parecem apoiar todas as Fatwas. A violência está no seio dessa religião e até hoje eu não tive provas do contrário.

Diante disso, como uma irônica revanche, a "cruzada santa" cristã a que Coulter se refere é uma forma de dizer que a conversão desse povo radical ao cristianismo talvez seja a salvação da cultura ocidental democrática em muitos países da Europa, quiçá em outros continentes...

Comigo o multiculturalismo não cola mesmo. Culturas ou religiões que matam sem freios, mutilam mulheres sexualmente e as espancam com facilidade, odeiam outras culturas e promovem a violência têm mesmo é que ser extintas (não pela força, de preferência, mas se elas vierem fazer guerra, não tem jeito...). Se for para substituí-las pelo cristianismo, aí é o ideal de todo aquele que se diz cristão. Enquanto Maomé queria sangue, Jesus sempre respeitou a todos, e a conversão cristã jamais se faz pela força. Afinal, o amor está no centro da fé cristã. Por isso, historicamente, foi o cristianismo que nos transformou de bárbaros em civilizados - e agora esse povo esquerdista quer bradar aos quatro ventos que a cultura judaico-cristã é "repressora", "elitista", "machista". É muita burrice, é cuspir para cima e achar que vai-se sair limpinho.

Mas você só entende o sarcasmo de Coulter se realmente estiver a par não só desse panorama todo, mas da mordacidade tipicamente americana para lidar com esse tipo de coisa. Os "liberals" podem ficar com raiva ao ouvir Coulter, mas não se ofendem não. O jogo é duro dos dois lados.

Quer outro exemplo de mordacidade (hilariante, por sinal)? Leia Mike Adams no Townhall.com. Eu adoro, e mesmo eu me choco algumas vezes - quando ele satiriza os travestis, por exemplo, fico meio com pena deles - , mas compreendo que isso é da cultura americana e que não vale a pena julgá-los por isso.

Norma disse...

Osvaldo, quase engasguei de rir com o Norma Chaves...
Ainda bem que é "Chaves", de Chaves & Chapolin. Se fosse "Chávez", de Hugo Chávez, aí é que dava briga! :-D

Wilson Bento disse...

O ponto é que precisamos parar com esse negócio de democracia.

Esse povo islamico ama a democracia para que possam livremente nos aprisionar.

O nosso amigo anonimo provavelmente nao tem a menor ideia do que é ser atacado por terroristas islamicos e ve-los comemorar a morte de pessoas que lhes proporcionam a liberdade que eles odeiam compartilhar conosco.

A tônica de muitos blogs aqui nos USA tem sido o grande mal que a democracia tem feito as populações ocidentais, deixando de protege-las.

Esse mal atigiu o Brasil e agora pela segunda vez, será que ninguém percebe que não podemos viver democraticamente?

Precisamos urgente de mudanças...mas elas não acontecerão sem que saiamos da zona de conforto em que vivemos.

A semente só pode brotar se morrer, digamos que a democracia foi uma semente, está na hora de morrer para proporcionar u'a maneira melhor de se governar os povos.

Osvaldo Pimentel Filho disse...

Bem a propósito, segue um link para um artigo de Tobias Jones no "The Guardian" de hoje...vale a pena lê-lo..

http://www.guardian.co.uk/commentisfree/story/0,,1984003,00.html

Tobias Jones estudou no Jesus College, em Oxford, dito ser o primeiro "protestant college" da Europa...

Osvaldo Pimentel Filho
IPVM - SP

Anônimo disse...

Olá Eliot D. Chambers

Novamente venho reafirmar, é bastante controversos rotular "esquerda" e "direita" em todos os contextos, épocas e culturas diferentes.
Na época de Calvino, antes das Riquezas das Nações de Smith, essa noção não existia, nem mesmo o marxismo existia.
Se você ler a HPE de Calvino verá que é amplamente associada aos conceitos teológicos e bíblicos. Quando eu fiz a questão se Calvino era esquerdista, era justamente para reafirmar isso. Se nós não tomarmos cuidado, chamaremos Calvino de Petista daqui um pouco...srsrsrs ou Republicado, ao gosto do freguês ...(brincadeira!).

Quanto a questão econômica, em grande parte esta associada ao tipo de ideologia, mas novamente deve-se ter um pouco de cautela. Um líder socialista com certeza irá implantar políticas econômicas próprias de sua ideologia.
Agora dizer que intervencionismo econômico esta fortemente ligado somente ao marxismo, socialismo ou "esquerdismo" como você coloca, vejo isso como um equívoco na HPE.
Adam Smith nunca pregou um estado alheio e que só cuide dos direitos de propriedade e segurança, assim como David Ricardo, Mill e por fim Keynes.
Esse último sabia dos problemas inerentes de uma economia capitalista de mercado.
Para Keynes o estado deveria fazer políticas de demandas anti-cíclias, como política fiscal. Não foi isso que os EUA fizeram pós 1929?
Fora que numa economia de mercado existem problemas informacionais, custo de transação e rigidez nominal. Hoje os principais países mundiais, como os EUA, não cuidam somente dos direitos de propriedade ou segurança, atuam na economia, com barreiras, tarifas, impostos, subsídios e os EUA é um país esquerdista? Quer seja Republicano, quer seja Democrata, isso é mudado na margem.
Imagine um Estado que não fizesse previdência social ou algum tipo de assistência social (sei que isso gera muita discussão) ou distribuição de renda. No Chile, que fez uma ampla reforma liberal na previdência na era Pinochet, já esta revendo algumas medidas, pois percebeu que grande parte da população esta alheia ao sistema.
Existem pobres na sociedade, e fazer política social não necessariamente é chavismo, petismo, stalinismo, leninismo, ou “cubanismo”....
Ora, para que servem as agências regulatórias? Simplesmente quando você tem um monopólio natural com custo fixo muito elevado, o preço de mercado é maior que o custo marginal. Ora a agência vai regular esse preço, tentar jogá-lo ao custo médio.
Fora que após a 2º. Guerra o intervencionismo econômico não ocorreu somente na URSS, mas nos países capitalistas. Era normal haver câmbio fixo, havia o padrão ouro, os gastos governamentais eram exorbitantes, se tolerava mais inflação e isso era dito como ortodoxia.
Em nosso mundo tupiniquim a ditadura militar (vista como reacionária e de direita) foi uma das ditaduras mais desenvolvimentistas da AL, vide PAEG(1964), Milagre(1967) e II PND(1976). Quer coisa mais heterodoxa do que esses planos? Fico me perguntando uma ditadura que caçava comunista fazia políticas econômicas heterodoxas....
Novamente, rotular o intervencionismo estatal de esquerdismo pode ser um equívoco. As vezes queremos defender uma posição política, e jogar tudo o que nós não concordamos num termo ou grupo e generalizar e isso pode ser perigoso.
Nem mesmo os pessoal da nova economia institucional nos EUA que são conservadores e pró-mercado não vêem o estado apenas como definidor de direito de propriedade ou cuidar da segurança, mesmo considerando esses dois últimos importantes...

Abraços
JP

Anônimo disse...

''Forma de dizer '' Sarcasmo ''- Voce acha isso mesmo ? - Eu percebo o ÓDIO FUNDAMENTALISTA vivo e pulsante na Bárbie Talibã.
Norma, Quando voce diz que ''a conversão desse povo radical é a salvação da cultura ocidental, voce também como ela generaliza tudo ,ou seja ''Todo muçulmano é terrorista e violento, e os muçulmanos ''light'' como voce diz são raríssimas excessões. Conheço alguns países da América Latina e nunca encontrei nenhum terrorista por aqui.
Ann defende o linchamento público de ''delinquentes ''como pedagogia. Forma de dizer né? Sarcasmo da cultura americana ? Tá, então, tá . Depois eu conto a história do sociólogo Gilberto freire aquí de Pernambuco que abandonou o protestantismo depois de conhecer ''irmãos americanos piedosos'' que queimavam pretos sujos na Univesidade de Baylor. Más era só uma forma de dizer viu ?

Norma disse...

Embora eu não acredite, pode até ser que Ann Coulter resvale, um momento ou outro, para essa cultura de "ódio fundamentalista" de que você fala. Mas o FATO é que na sociedade americana, se esse ódio existe, é algo isolado e não mais - sobretudo o racismo - não mais apoiado socialmente. Hoje, um político que mostre saudade sobre essa época racista perde inevitavelmente todo apoio popular (procure "Trent Lott" no Google). Enquanto com relação ao fundamentalismo islâmico a coisa é bem diferente: não estou falando de muçulmanos de sociedades ocidentais que se convertem, mas do radicalismo presente em sociedades inteiras, que ainda conservam costumes tribais e se valem pela força. Ali é converta-se ou morra, e isso na melhor das hipóteses, já que eles também têm ambições bem terrenas. Ali as crianças crescem sob o signo do ódio - ódio mesmo! - a outrs culturas. Você tinha que ter visto um desenho ensinando às crianças a explodir infiéis. Está na internet (não tenho o link agora, mas deve ser fácil de achar).

Não me entenda mal: não sou preconceituosa, acho a língua árabe lindíssima e não ignoro o fenômeno dos países orientais que acolhem com mais facilidade a democracia. Mas tenho bem claro diante de mim o fato de que, se esses países são mais abertos, é porque receberam a influência ocidental. Sem essa influência, eles seriam tão machistas, tão inimigos das culturas diferentes e tão carregados de ódio ao mundo ocidental quanto os outros.

Todo o seu discurso pode ser resumido em: "Você está generalizando, os muçulmanos não são todos radicais, assim como os americanos não são todos democratas e amantes da liberdade." Certamente que não. Mas estamos falando de cultura, não de indivíduos. Essa história de Gilberto Freyre que você citou certamente é antiga, a cultura americana mudou e hoje não há mais racismo como havia antigamente - não na mesma escala. Assim, se deixarmos de falar nas exceções, é bem óbvio que a cultura americana está mais próxima de nós com relação a democracia, liberdades, igualdade racial e sexual etc. Não há como comparar uma cultura que passou pela revolução feminina e pelas lutas contra o racismo, como a americana, e outra que parece viver quase exatamente como há séculos, que não passou por nada disso.

Se você ainda questiona isso, é por causa do multiculturalismo, espécie de preconceito às avessas que não deixa as pessoas verem o óbvio. Como um rapaz com quem conversei sobre isso: ele mostrou "fumaças" de multiculturalismo, então eu lhe perguntei de quem ele preferiria ser refém, dos soldados americanos ou dos talibãs. Ele continuou teimando que tanto fazia, porque seu preconceito às avessas jamais lhe permitiria considerar, nem sequer por um minuto, que uma cultura seria mais dada a crueldades que outra.

Enquanto ficamos aqui discutindo, algumas mulheres maltratadas - mulheres palestinas, mulheres iranianas... - com o apoio dessas sociedades antigas conseguem fugir e dar o seu testemunho, dizendo, por exemplo, o quanto encontraram o conforto e o acolhimento de que precisaram no seio das sociedades ocidentais. Leia alguns desses testemunhos. Pode arejar sua mente. O de Brigitte Gabriel, por exemplo, que criou o www.americancongressfortruth.com. Ou o de Ayaan Hirsi Ali, que tem de andar com guarda-costas na Holanda por causa de um filme em que denuncia o abuso das mulheres nessas sociedades. Há muitos outros.

Estou revisando um livro aqui mesmo, a ser publicado pela Record, sobre uma mulher palestina cujo estupro foi a vingança consentida que ela teve de suportar porque seu irmão andou pelas ruas com uma mulher de outra tribo. Imagine, a família dela teve que oferecê-la para ser estuprada por um homem da família "insultada". É o abuso apoiado socialmente, de que nenhuma mulher daquela cultura pode escapar, a não ser se dolorosamente TROCAR de cultura. É disso que estou falando, enquanto você fica resmungando sobre as palavrinhas comparativamente inofensivas da Sra. Coulter.

Aliás, ainda não entendi por que você continua anônimo. É meio chato debater com alguém não identificado.

Norma disse...

Ah, faltou dizer: você não conhece nenhum terrorista na América Latina? Então, o que me diz das FARC? Se aquilo não é terrorismo, não sei o que é. Ainda tem o MIR no Chile, e outras de que provavelmente ainda não ouvimos falar. Até no Brasil estamos vivendo sob uma cultura de terrorismo, criada e reforçada em meio ao crime, quando incendeiam ônibus com pessoas dentro. E o interessante é que nove entre dez desses terroristas à la ocidental se inspiram no mesmo esquerdismo que justifica o terrorismo. (Concedo: a décima "vai na onda".) Procure saber as leituras preferidas do Marcola.

E isso é um emblema de tudo o que lemos no post do Augustus: o esquerdismo como um vírus de inúmeras mutações, todas elas mortíferas. E, se hoje o esquerdismo se alia tão abertamente ao terrorismo, é porque sua face de violência jamais pôde ser totalmente ocultada, a não ser para aqueles que não querem ver.

Anônimo disse...

Amigos,

Desculpem a demora em interagir. Estou no interior de Pernambuco, numa cidade chamada Sertânia, conhecida como centro criador de bodes. No almoço, detonamos um bodinho guisado, por falar nisso. Vim para umas palestras e rever amigos. Deixei a rede lá em Olinda...

Obrigado a todos que postaram comentários, especialmente à Norma, que regressa à blogosfera com todo gás.

Em reação a alguns comentários, explico que a escolha da cor da rede e da camiseta não foram intencionais – era simplesmente a foto que eu tinha! Aliás, esse negócio das minhas fotos tá começando a pegar. Solano colocou a foto de Saddam Hussein no último post igualzinha à minha foto no blog. E no penúltimo post, empurrou uma foto minha dentro de uma guirlanda de Natal na parede de Calvino. Enough is enough.

Bom, alguém expressou preocupação de que estaríamos alinhando convicções reformadas com a direita política. Da minha parte, não necessariamente. Todavia, não dá para deixar de ver que a esquerda liberal americana, e numa certa medida a esquerda brasileira, defende pontos como aqueles levantados e criticados pela Ann Coulter, que são explicitamente contrários ao Cristianismo histórico. Como eu disse, não endosso algumas das declarações e posições radicais da Coulter, mas não posso deixar de ver que ela tem razão nas críticas feitas.

Um comentarista anônimo ou anônima, não sei, pergunta se devemos levar Coulter a sério já que ela faz declarações radicais, fuma, bebe, usa mini-saia, cobre-se com peles, tem uma boneca com a cara e voz dela, ganha muito dinheiro e tem “ódio fundamentalista”. Bom, eu costumo levar as pessoas a sério pela força da argumentação delas, pela veracidade das informações, pela capacidade de analisar essas informações e fazer sentido, pela coragem de assumirem o que pensam, especialmente se estiverem alinhadas com os valores do Cristianismo histórico. Apesar de todos os pecados capitais mencionados acima, Coulter tem tudo isso. Em troca, anônimo(a) só consegue colocar apelido nela (Anônimo, Barbie não tem acento, tá?) e achar ruim que ela está ganhando muito dinheiro. Bom, Fidel fuma, Lula bebe, os sangue-sugas e vampiros ganharam muito dinheiro... tudo de esquerda. Só falta achar uma liberal de esquerda que seja loura, inteligente e com condições de usar uma mini-saia (acho que aquela deputada petista da dança da pizza não se qualifica). Anônimo, deixa a mulher trabalhar...!

Um abraço.

Eliot D. Chambers disse...

Olá JP,

A Bíblia trata mais de economia do que imagina você. Que tal lê-la? Neste mesmo blog você pode ler artigos do Solano tratando do assunto. Há farta bibliografia a respeito. Quando a Palavra de Deus fala do Estado, em nenhum momento afirma que é seu papel intervir na economia. Senão me falha a memória, o único momento em que se fala que o Estado intervirá na cultura e na economia é justamente no governo do Anticristo, no cap. 13 do Apocalipse.


Em nenhum momento afirmo que um país que sofre ou sofreu com intervenção estatal na economia deixa necessariamente de ser capitalista. E não houve nenhuma "revolução keynesiana".Isso é clichê da ideologia social-democrata.
Talvez o crack na bolsa em 29 pode ser algo considerado próximo à isso, afinal, foi um efeito direto do crescimento da intervenção estatal na economia.


A repartição dos bens entre os cristão da igreja primitiva, como narra o livro de Atos, é descritiva, não normativa. O mesmo se aplica ao caso da nação de Israel no Velho Testamento.
Jesus viveu num período do império que o capitalismo era quase tão desenvolvido quanto na Inglaterra da Revolução Industrial. Você o vê em algum momento criticando o “imperialismo” ou se revoltando contra o sistema econômico vigente? Não. Nem o apóstolo Paulo. Aliás, como bem citou um jornalista dias atrás, Paulo, 20 séculos antes de Milton Friedman, mostrou que sabia que “não existe almoço grátis”, quando disse: “aquele que não quer trabalhar, que também não coma”.


Você realmente acha que quem diz uma coisa dessa apoiaria os tais "programas sociais" perpetrados pelos defensores do welfare-state?


Você diz:


“É necessário compreender que intervencionismo estatal ou melhor distribuição de renda não implica necessariamente esquerdismo ou socialismo.”


Intervencionistmo estatal não implica necessariamente esquerdismo ou socialismo. Mas depende do que e de que forma é feito. “Distribuição de renda”, “Robin Hood estatal” ou seja lá o nome que derem para essa farsa, sim. Farsa que já foi desmascarada na teoria (leia Socialism, de von Mises) ou na prática (ê Brasil!, ê Suécia!, ê URSS!), sim, é esquerdismo.


“As vezes penso: porque associar tudo o que é social ao petismo ou socialismo?”


Talvez o único a estar fazendo isso aqui é você.


Quanto ao governo de Genebra, se era essa de fato a situação, ok, tínhamos ali uma tirania econômica aos moldes esquerdistas. Mas haviam guerras? Havia instabilidade institucional? Havia insegurança? Se você descrever melhor os porquês da situação econômica em Genebra naquele período podemos determinar com melhor precisão em que corrente do pensamento político se encaixam as posições de Calvino no que tange à economia.

Até.

Maurício (IP das Graças - Recife/PE) disse...

Ótimo post, Pr. Augustus.

É uma pena que a maioria dos cristãos no Brasil ainda não acordou para o fato de que essa "guerra cultural" (valores bíblicos x valores anti-bíblicos) não se restringe à dimensão espiritual, mas também apresenta uma faceta político-ideológica.

Eu, particularmente, tenho poucas esperanças que o livro da Ann Coulter venha a ser traduzido e lançado no Brasil, haja vista o patrulhamento esquerdista a que o nosso país está sujeito hoje.

De qualquer forma, gostaria de realçar um aspecto peculiar a esse debate: a confusão dos termos utilizados. O senhor foi cuidadoso quanto a isso e chamou a atenção para o problema quando lembrou que "aqueles que ela (Ann Coulter) chama de liberais no contexto americano equivale mais ou menos aos esquerdistas do Brasil".

Bem, primeiramente cabe destacar que na Ciência Política (e Teoria Geral do Estado), o termo "liberal" apresenta, obviamente, um significado diferente daquele usado na Teologia. Além disso, pessoas teologicamente conservadoras tendem a se alinhar exatamente com o liberalismo político-econômico-social.

Esse liberalismo a que me refiro, em sua forma clássica, surgiu na Inglaterra do Século XVII (Revoluções de 1640 e de 1688), e contou, para a sua implantação, com a participação decisiva dos puritanos. O liberalismo político-social visava primariamente à limitação do Estado Absolutista Inglês, e o fez por intermédio da divisão do exercício do Poder entre o Rei e o Parlamento. Isso marcou a ascensão e consolidação do Parlamento Inglês. Esse princípio (repartição do exercício do Poder) foi concebido pelo filósofo John Locke (só mais tarde aperfeiçoado, na França, por Montesquieu), personagem este que, se não me engano, é retratado, inclusive, no filme "Cromwell". O liberalismo também foi responsável pela chamada "primeira geração de direitos", os direitos do indivíduo (proteção contra o Estado), os quais estabeleceram uma esfera na qual não poderia haver intervenção estatal (liberdade de locomoção, liberdade de opinião, liberdade de reunião, liberdade religiosa, etc.). Pode-se ainda dizer que liberalismo político-social abriu o caminho para o liberalismo econômico (livre mercado).

Outras duas revoluções liberais foram a Revolução Francesa (durante a qual sugiram os termos "esquerda" e "direita") e a Revolução Americana (Independência do EUA).

A chamada "esquerda" surgiu exatamente a partir da reflexão crítica ao liberalismo político-econômico-social, identificado com a "direita". Por influência da “esquerda” surgiu a chamada “segunda geração de direitos”, os direitos sociais, que requerem, não que o Estado se abstenha, mas que atue, prestando serviços públicos como, por exemplo, educação pública, saúde pública, etc.

Assim nascia o chamado Estado social. Com o advento do comunismo na antiga URSS, os direitos de “primeira geração” foram suprimidos, em prol, supostamente, da garantia dos direitos de “segunda geração”. Isso aconteceu não apenas na ex-URSS, mas em alguns outros países de capitalismo pouco desenvolvido (China, por exemplo). Já nos países europeus de capitalismo mais desenvolvido, optou-se por uma combinação de direitos de primeira e segunda gerações, nascendo a social-democracia. Interessante notar que nem mesmo os Estados Unidos de hoje são um país puramente liberal (no sentido político-econômico-social), pois, há intervenção estatal, por exemplo, no caso do seguro-desemprego.

Bem, passados alguns séculos e chegando aos nossos dias, poderíamos dizer que, nos EUA hoje, aqueles que abraçam uma agenda político-econômico-social que preconiza uma atuação estatal mais restrita (ou mais focada em apenas algumas áreas), e, portanto, LIBERAL nesse aspecto, tendem a ter uma agenda ética e moral CONSERVADORA. Entre “liberal” (política, social e economicamente) e “conservador” (ética e moralmente), optou-se por chamá-los de CONSERVADORES. A maioria deles encontra-se alinhada com o Partido Republicano.

Por outro lado, aqueles que defendem uma atuação estatal mais ampla em todos os setores da vida político-econômico-social, e, portanto, “ANTI-LIBERAL” ou “ESQUERDISTA” nesse aspecto, tendem a apresentar uma agenda ética e moral LIBERAL (oposta a conservadora). Optou-se por chamá-los de “esquerdistas” ou “liberais”. A maioria deles está alinhada com o Partido Democrata. Daí a confusão dos termos.

Vale a pena ainda ressaltar que, no Brasil, o liberalismo político-econômico-social tem pouquíssima tradição. Alguns até fazem piada desse fato, afirmando que o último que tentou ser um liberal no nosso país foi o Barão de Mauá ... e nem assim conseguiu. O Brasil, na verdade, tem um enorme ranço não só anti-protestante, mas também anti-liberal.

Assim, em conclusão, poderíamos dizer que os valores do liberalismo político-econômico-social apresentam uma afinidade histórica com os valores defendidos pelos protestantes conservadores, pois o liberalismo sempre esteve muito ligado aos puritanos e à história americana. Agora, não acredito que isso nos leve a necessariamente, em todas as ocasiões, "fechar" com o ideário liberal. Será que não seria uma idéia interessante se os autores do blog, bem como outros comentaristas capacitados para a tarefa (não me incluo entre estes) pudessem, partindo das definições empregadas na Ciência Política para termos como “liberalismo”, “direita”, “esquerda”, etc., bem como utilizando a dialética “Indivíduo X Estado”, pudessem analisar o que pensavam Calvino e os puritanos sobre a matéria? Acho que, na verdade, o JP já deu o ponta-pé inicial quando afirmou que “vale salientar que na época da reforma o intervencionismo do governo de genebra era forte. Se voce ler a história do pensamento econômico de Calvino você verá que artesão que estocava mercadoria para ganhar na alta do preço era chamado e punido. Não se admitia inflação e te garanto não havia Banco Central naquela época para se utilizar a taxa de juros como instrumento de política monetária srsrsrs.”

Por último, quero acrescentar que essa análise seria referente apenas ao aspecto político-econômico-social. Isto porque, quanto à agenda ética e moral, não tenho dúvidas: a esquerda é que apresenta um ideário claramente anti-bíblico.

Vou me despedindo por aqui...

Grande abraço Pr. Augustus e demais irmãos blogueiros.

Maurício (IP das Graças – Recife/PE)

P.S. Pr. Augustus, estive com Urbano Neto esta semana em Porto de Galinhas e ele me falou das incursões que vocês fariam pelo sertão. Com certeza, não poderia ter faltado também uma “incursão gastronômica” (bode guisado)...hehe

Anônimo disse...

Mauricio,

Seu comentário foi uma verdadeira aula, como o debate JP-Chambers tem sido – tenho aprendido muito com vocês, pois minha formação nunca contemplou estudos sérios e profundos na área da teoria política. Nossa, uma vida inteira não é suficiente para a gente ao menos se familiarizar com todas as áreas do conhecimento. Realmente, precisamos uns dos outros.

As distinções quando ao uso do termo “liberal” foram extremamente preciosas e vai nos ajudar a não fazer confusão e identificações equivocadas.

Quanto à sugestão de aprofundarmos aqui no blog alguns itens dessa postagem, fica anotado, mas só depois de estudos mais sérios nessa área da teoria política.

Nossa peregrinação pelo agreste pernambucano nos trouxe até Triunfo, onde pregarei hoje a noite, se Deus permitir. Ah, sim, no almoço tinha um bodim guisado, uma delícia...

Abraços!

Monergismo.com/Felipe Sabino disse...

Rev. Augustus,

Parabéns pelo post e por citar o grande Machen.
Aliás, PENSO que o livro dele ainda é pouco conhecido
no Brasil, apesar de ter sido publicado já há um bom
tempo pela Editora Os Puritanos. Deveria haver uma
maior divulgação dessa importante obra em nosso meio.

Um abraço,
Felipe Sabino

Norma disse...

Querido Augustus,

Preciso renovar o seu conselho e reservar a maior parte do gás para o trabalho da tese. Mas essa blogosfera é irresistível mesmo!

Pena que Anônimo sumiu, logo agora, que a discussão estava ficando "quente". :-)

Quanto à buchada de bode, puxa, eu sou louca para experimentar uma, desde que comecei a ouvir os cantadores baianos Elomar e Xangai. Elomar, então, mora em Vitória da Conquista, sertãozão da Bahia, e tem uma fazenda de criação de bodes. Tenho um amor natural pela cultura nordestina mais "raiz", embora nunca tenha estado pr'essas bandas. Meu avô era de Alagoas, será que isso explica? Mas nunca o conheci.

No mais, aproveite bem essas férias!

Abração!

Norma disse...

Se os donos do blog me permitem, ainda uma coisinha que tem me incomodado um pouco: acho que, em minhas respostas a Anônimo, ficou parecendo que generalizei demais quando falei em islamismo e países orientais. Espero que quem tiver a paciência de ler tudo tenha compreendido que falo dos países que vivem em uma cultura tribal de fundamentalismo islâmico, onde são largamente aceitas práticas como tomar o território pela força física e não é contestado o papel espiritual e terreno negativo legado à mulher (e conseqüentes surras, mutilações e assassinatos, sempre com respaldo social). Há especialistas que consideram que o islamismo é todo assim, enquanto outros fazem distinção entre muçulmanos radicais e muçulmanos mais abertos a diálogo. Como não estudei o suficiente para descobrir se é de um jeito ou de outro, fica aqui a ressalva, além do fato óbvio de que, ao defender nossa cultura ocidental judaico-cristã, não estou de modo algum cega a seus problemas.

Anônimo disse...

Olá Eliot D. Chambers

Pô Eliot, afirmar que eu não leio a bíblia porque eu alego que sua preocupação central não é estabelecer diretrizes econômicas é se utilizar de uma argumentação que acho inapropriado na discussão. Cara to discutindo numa boa e sei que esse assunto é controverso.
Posso não ter formação teológica como o Solano, Mauro ou Nicodemus, e acredito que nenhum deles se utilizaria desse teor. Mas ao menos conheço as escrituras a ponto de discutir esse assunto. No AT, é possível encontrar passagens a respeito de “diretrizes econômicas” ao povo de Israel, principalmente em sua formação, mas, no NT não consigo observar regras de condutas econômicas, intervenhas ou não intervenhas. Porque eu vejo que Paulo ou Jesus não estavam querendo formular uma teoria do estado. Você pode se utilizar de passagens como a de Paulo “aquele que não quer trabalhar, que também não coma” e associar ao “there is no free lunch” do Friedman, mas reafirmo é bastante complicado. Fico pensando o que será que o autor quis dizer a respeito disso? Será que Paulo quis formular um tratado sobre teoria do estado ou diretrizes econômicas?
Não sou daqueles que gosta de pintar Jesus como um revolucionário de esquerda, longe disso, mas afirmar que Jesus viveu em um período em que o contexto econômico era semelhante ao nosso, acho bastante complicado, mas respeito sua opinião. O grande cerne do desenvolvimento capitalista esta na produtividade e inovação (Shumpeter e Solow). Para Solow, o crescimento da relação Y/L se encontra na taxa de crescimento da produtividade que é exógena. Em síntese muito grosseira a base do capitalismo esta nos fatores de produção K (Capital) e L (Trabalho), sendo que você tem o salário que remunera o trabalhador igualando à sua produtividade marginal, assim como existe a remuneração do capital. Não existe excedente numa economia de mercado em que não há monopólio, mas livre concorrência. Os fatores simplesmente são remunerados conforme sua produtividade. Esse quadro econômico é pintado pelos livros de micro neoclássica, ou seja, a ala “direita” da economia. No império Romano o fator de produção econômico se concentrava no trabalho escravo e não na mão de obra assalariada, e não haviam firmas semelhantes a atuais com divisão do trabalho, mas corporações familiares, com baixa produtividade. Capitalismo não significa apenas comércio e intercâmbio de mercadorias. Adam Smith vai combater o mercantilismo justamente nesse aspecto, e vai dizer que a base da riqueza de uma nação se encontra principalmente na produtividade e divisão do trabalho. Adam Smith justamente vai contra essa visão, riqueza não é só comércio. Mas trabalho em movimento. Os EUA entenderam isso e hoje é uma potência mundial.
Será que Paulo apoiaria os programas de Bem Estar Social? Acho muito complexa essa questão, uma vez que não vejo diretrizes claras de Paulo sobre teoria do estado ou econômica. Não acho apropriado afimar que Paulo seria contra o Estado de bem Estar social com base no texto “aquele que não quer trabalhar, que também não coma”, respeito sua extrapolação do texto assim como a do Reinaldo Azevedo na Veja a uma questão política atual, mas acho que é forçar demais o texto.
Após a crise de 1929 a discussão econômica deu uma guinada, principalmente academicamente, muitos economistas vistos como keynesianos heterodoxos hoje, publicaram em revistas de expressão como Econometrica e American Economic Review, antes todos estavam no centro da discussão econômica. Para você ter uma idéia do impacto da teoria keynesiana, até hoje existe discussão sobre a questão da rigidez nominal, entre neo-keynesianos e novos clássicos.
Além do que eu falei com relação a políticas econômicas. Não se estudava macroeconomia, depois de Keynes começou a se estudar. Metodologicamente, dentro dos chamados pós-keynesianos x monetaristas e neo-keynesianos x novos clássicos se deram os maiores debates das idéias econômicas.
Novamente, dizer que uma Revolução Keynesiana é um clichê acho que é muito complicado na HPE.

A bíblia é a palavra de Deus e inspirada divinamente, mas acho que dizer que a Bíblia nos oferece um padrão claro de diretrizes econômicas e que a atuação ECONOMICA do bem estar social é anti-bíblico, acho que é extrapolar demais os conceitos bíblicos.

E venho concordar com a maioria dos blogueiros que a IDEOLOGIA E CRENÇAS do esquerdismo são anti-bíblicas, mas ai envolve o campo filosófico e ideológico e não econômico.

Economia é a compreensão do desenvolvimento da riqueza de uma nação ou a análise do trade-off dos recursos escassos no mundo.


Abraços
JP

Anônimo disse...

Hi,

This is my first time visiting you blog. I just thought I'd say hello.

Lori

João Emiliano disse...

Prezado Reverendo Augustus,

Parabéns pelo post. Gostaria apenas dentro de minhas limitações interferir no debate Chambers x JP para dizer ao senhor JP que a visão do Eliot e eu o conheço bem é da onipresença iluminadora da Palavra de Deus em todas as áreas humanas e no conhecimento que aliás como sabemos nós cristãos está conspurcado pelo pecado original.

Você JP coloca argumentos econômicos eruditos que para muitos aqui no debate incluindo eu soa hermético e obscuro o que com isso acabo concluindo que de vez o senhor queira levantar um muro entre a Palavra de Deus e a Ciência Econômica o que é heresia, pois a Realidade é uma só.

No mais com Deus na vida das pessoas meu caro JP e se elas forem sobretudo protestantes só precisaram do Estado mesmo para questões extremamente básicas.

Abraços, Feliz 2007 e apareça Norminha no msn para conversamos, olha já li o Evangelho segundo meu xará João.;)

Angeli disse...

Eliot, em minha opinião você fez algumas afirmações que são, no mínimo, passíveis de contestação. Esclareço que sou economista, liberal, seguidor da tradição austríaca, a qual você deve conhecer.
Dizer que não houve uma revolução keynesiana soa muito estranho aos ouvidos de um economista minimamente esclarecido sobre a história do pensamento econômico. Quem lê a Teoria Geral de Keynes e os artigos que se seguiram a ela, percebe claramente as novidades que Keynes trouxe em termos de metodologia, de propostas e de conceitos econômicos. Keynes fez isso quase sozinho; claro, houve precursores (Malthus, alguns economistas suecos, etc), mas ele foi o protagonista de toda essa história. E isso foi um verdadeiro furacão a varrer a seara dos economistas.
Em torno de que ou de quem se organizou boa parte dos debates acadêmicos em economia no século XX? Certamente em torno de Keynes e seus livros. “O que Keynes realmente quis dizer?” foi a pergunta que rondou a mente de alguns do melhores economistas do século passado.
E contra quem os liberais lutaram? O título da brilhante coletânea do prêmio Nobel F. A. Hayek, “Contra Keynes and Cambridge”, pode ajudar e responder isso.
Acho arriscado dizer que o pensamento keynesiano já foi superado, está morto. No Brasil, duas das principais escolas de economia, a Unicamp e a UFRJ, são dominadas pelas idéias de Keynes. Há presença importante também na USP. Lá fora a força de Keynes é menor, mas há uma participação razoável de pós-keynesianos nas principais universidades francesas e em outras, como Cambridge.
Outra afirmação sua foi dizer que o capitalismo era o mesmo no tempo de Jesus e hoje. Bem, algumas questões podem ser levantadas aqui: será que o comportamento em busca do lucro era tão evidente a guiar as ações dos indivíduos? Será que a valorização do indivíduo face à comunidade era tão destacada quanto hoje? Será que as firmas focavam tanto na administração financeira de seus balanços quanto hoje? Será que o aprofundamento financeiro das empresas e da economia, com o papel central dos bancos, era o mesmo que vemos atualmente?
A leitura que vc faz de 2 Ts 3:10 (“...se alguém não quer trabalhar, também não coma”) é, no mínimo, estranha. Será que Paulo realmente estava querendo dizer que o Estado não deve fazer políticas sociais ou de renda mínima? É esse o sentido que o autor quis dar? O que o contexto sugere? Não sei, não fiz a exegese do texto, mas as respostas, na minha opinião, claramente são NÃO.

Não quero aqui discutir a validade das políticas sociais, como o programa de renda mínima do governo federal. Mas acho importante saber que o pai da política de renda mínima foi o Nobel de Economia Milton Friedman, que morreu recentemente, expoente do pensamento liberal do século XX. E F. A. Hayek, outro nome fundamental do pensamento liberal (político/econômico, não teológico...) do século passado também disse que o Estado deve ter políticas para garantir a sobrevivência dos cidadãos.

Aliás, o próprio Hayek ajuda a esclarecer outra confusão que, na minha opinião, ainda não foi falada nas discussões aqui (talvez alguém já tenha tocado nisso, me desculpem pela possível repetição e redundância): ser liberal não é o mesmo que ser conservador, mas é ter a convicção de que o mecanismo de mudança e transformação social, econômica e cultural é o mercado, e não o Estado. Sugiro a leitura do texto “Why I am not a conservative” ( http://www.fahayek.org/index.php?option=com_content&task=view&id=46 ).

Por fim, rev. Augustus, peço licença para indicar um texto seu que saiu na Fides Reformata e que achei bastante interessante, uma crítica à hermenêutica da Teologia da Libertação. Como ela foi citada algumas vezes na discussão, acho que vale a pena colocar:
http://www.mackenzie.com.br/teologia/fides/vol03/num02/Augustus.pdf

Abraços a todos,
Eduardo Angeli

Anthony Aquino disse...

Sinceramente, li o post do Nicodemus, e todos os comentários, e só tenho a confessar, que devido ao fato de eu ser apolítico, (não gosto de jeito nenhum de política) eu boiei total, estou como aquelas crianças em rodinhas de adultos, que ficam só observando pra ver se aprendem alguma coisa, tanto é que até me interessei depois de ler a opinião de vocês, mas como sempre, me vieram algumas dúvidas:

- essa discussão me parece bem subjetiva, à luz da Bíblia, não há como chegar num consenso de conceitos? como esquerda e direita? até me lembrei agora dos versículos em I Coríntios 3 (só lembrei mesmo, não quero usar o texto fora do contexto):
4 Porque, dizendo um: Eu sou de Paulo; e outro: Eu de Apolo; não sois apenas homens?
5 Pois, que é Apolo, e que é Paulo, senão ministros pelos quais crestes, e isso conforme o que o Senhor concedeu a cada um?
6 Eu plantei; Apolo regou; mas Deus deu o crescimento.

- Jesus seria conservador ou liberal?
- nota-se no novo testamento a presença de dois grupos político-religiosos: saduceus e fariseus, não sei se devo encaixar os cobradores de impostos o qual Mateus fazia parte como um terceiro grupo, só sei que não vi Jesus apoiando nenhum dos grupos, não seria Jesus apolítico também? e até mesmo Paulo? acho que o versículo "quem quiser comer, que trabalhe" não serve pra defender corrente política nenhuma, um socialista trabalha, um capitalista trabalha, e até no anarquismo alguém teria que fazer alguma coisa (trabalhar) para os outros comerem, afinal, ninguém vai querer morrer de fome (isso pra mim já justifica a impossibilidade da anarquia existir e ser bem-sucedida), ou estou errado? corrijam-me por favor...
- existem livros de ciências políticas seguindo uma cosmovisão cristã para que possam me recomendar? queria criar uma base razoável sobre o assunto, mas ainda acho que mesmo que exista, o autor sempre vai puxar a sardinha pro lado dele, ser imparcial na política é meio difícil, não acham?
- já ia esquecendo: alguém disse que a Bíblia dá aula de ciências econômicas, alguém prove isso por favor, a Bíblia, por ser centralizada na pessoa de Cristo e no poder soberano de Deus através dos tempos, não dá tanto enfoque a isso, acho que o máximo que pode ser envolvido no assunto são as passagens referentes a dízimos e ofertas...

Nota-se o quanto sou leigo na política, massssss, se alguém puder me ajudar, agradeço, estou pronto pra mudar de opinião e aprender com vocês...

Abraço a todos...
:)

Anônimo disse...

Caro João Emiliano

Se o último post que eu coloquei ficou muito obscuro, quero pedir desculpas.
Como estava na discussão sobre economia acabei me empolgando.
João, fico realmente muito abismado com suas colocações.
A ciência economia cada vez mais esta se tornando um mecanismo de entendimento da relação entre variáveis econômicas. Não acredito que o aprofundamento desse conhecimento irá abrir um abismo profundo entre a ciência e Deus. Tirando o marxismo, não acredito que os princípios econômicos discutidos vá ao encontro das sagradas escrituras.
E veja bem, para mim a bíblia é a palavra de Deus, divinamente inspirada e regra de fé e prática.
Agora, por sua vez, eu não vejo a Bíblia um manual de Economia.
Será que um formulador de política monetária iria utilizar a Bíblia para determinar a taxa de juros da economia? Ou mesmo para compreender a trajetória do PIB ou inflação ao longo do tempo?
Da mesma forma que eu entendo a relação entre variáveis econômicas, eu estudo a dinâmica dos corpos celestes do Universo. Não vejo problema algum dentro das escrituras estudar a dinâmica dos corpos celestes, da mesma forma as relações econômicas.
E ainda mais, não acho anti-bíblico tentar formular políticas públicas ou medidas para o desenvolvimento do pais. Tais medidas aumentam o bem estar da população. Seria anti-bíblio fazer uma nação prosperar? Seria anti-bíblico estudar o impacto da educação na sociedade? Seria anti bíblico compreender o grau de desigualdade da renda na sociedade?
Chegar ao ponto de me colocar em um limiar herético, acho extremamente ofensivo e altamente excessivo.

Se os protestantes no Brasil precisam do estado para questões básicas, grande parte deles estaria vivendo em estado de miséria. Será que isso é bíblico?
A desigualdade de renda entre as denominações é enorme e dentro delas também. Muitas pessoas dependem dos serviços do Estado. Conheço protestantes que se não fosse a aposentaria mínima dada pelo Estado, mesmo para quem não contribuiu corretamente ao longo da vida, estaria sem renda alguma. Você sabe o que é trabalhar como empregada doméstica ao longo da vida, sendo que não contribuiu devidamente por falta de informação e necessidade de trabalhar, tinha 9 filhos para criar e chegar na velhice com um salário mínimo....
Vá a qualquer periferia de sua cidade e veja....
Não estou fazendo um discurso hipócrita de socialista de igualdade de renda, mas apenas olhando a realidade de nossa população e tentar descobir modos de amenizar essa condição. Seria isso anti-bíblico? Heresia?


Abraços
JP

Angeli disse...

Chamar um irmão de herege ou defensor do governo do anticristo por defender um nível diferente de superávit primário nas contas públicas é o fim da picada. A Bíblia diz que o Senhor deu sabedoria a Salomão para governar o povo de Israel. E, pelo que a Bíblia dá a entender, sua política econômica não era tão ortodoxa assim...

Além disso, fico imaginando o que alguns pensariam de Galileu, quando diz que o sol não se move, mas está parado, e a terra gira ao redor dele.

A Bíblia não é um livro científico (como o próprio rev. Augustus coloca neste blog: http://tempora-mores.blogspot.com/2006/02/sobre-inerrncia-da-bblia.html). Não estou dizendo que ela contém erros. Considero-me fundamentalista (no sentido teológico original do termo, dos cinco pontos fundamentais - e acredito que o JP também), mas a preocupação dela certamente não é ser um manual de política econômica e nem de astronomia ou física celeste.

Abraços,
Eduardo Angeli

Monergismo.com/Felipe Sabino disse...

Anthony,

Saudações, meu irmão!

Eis alguns versículos sobre economia:

Dívida (Pv. 3:27-28; Rm. 13:8)
Empréstimo(Ex. 22:25; Sl. 37:21; 22:7; Is. 24:2; Dt. 15:6; Sl. 37:26)
Lucro (Dt. 23:19-20; Pv. 22:26-27)
Inflação (Pv. 25:4-5; Is. 1:22-26; Ez. 22:18-22)
Ajudar os necessitados (Lv. 25:35-37; Dt. 15:7-11; 24:14-15)
Herança (Sl. 17:13-15; Pv. 13:22; 19:14; 20:21)
Trabalho (Gn. 2:15; 3:19; Ex. 20:8-11; Pv. 10:5; Ec. 3:13; At. 16:14; Ef. 4:28; 2Ts. 3:10-12)
Salário (Dt. 24:14-15; Jr. 22:13; Lc. 10:7; 1Co. 9:7-12; 1Tm. 5:18)
Economia/Poupança (Pv. 6:6-8; 21:20; 28:20; 1Tm. 6:9)
Fraude (Ef. 4:28; 1Ts. 4:6)
Investimentos (Sl. 112:5)

Fonte: Myths, Lies & Half Truths, de Gary DeMar.

Um abraço,
Felipe Sabino

Alfredo F. de Souza disse...

Vou meter a minha colher neste guisado de bode (eca!) também.

Desde a laicização da política no século XVI com Maquiavel e o governo republicano de Florença, temos a grande discussão sobre a Ética X Política (problema vivenciado e refletido até hoje), com continuidade no século XVII nas reflexões sobre o Estado, poder (aqui devemos entender como: a fonte de), economia e sociedade.

Com relação aos termos “direita”, “esquerda”, “liberalismo” e “intervencionismo”, não podemos esquecer a influência precursora de Thomas Hobbes no século XVII (paralelo à Revolução Puritana na Inglaterra) em sua obra “Leviathan” (Leviatã). Neste aspecto é que insisto na polissemia dos termos mesmo dentro da análise político-econômico por meio da História (escrevi isto em um comentário no excelente artigo do Solano).

É no ambiente de Hobbes que temos a formação do contratualismo como trava ao “jus naturale” responsável pelos males contra o Estado: o “homo homini lupus” e o “bellumomnium contra omnes”. Por um lado, tais propostas ainda não satisfaziam aos liberais por questões óbvias, mas por outro, houve o aproveitamento de algumas idéias hobbesianas em favor deles como: a cristalização do direito natural; a representatividade social baseada no consenso (o poder não deveria ser privilégio manipulado); o próprio contratualismo que fez do Estado um exemplo do caráter mercantil, comercial e livre nas relações sociais. A partir daí é que devemos entender o século seguinte.

O ambiente hoje reflete esta globalização e heterogeneidade das idéias quanto ao que o Estado deve fazer e o que não deve fazer. É por isso que um esquerdista bizarro como Chávez se sente no direito de realizar o que temos visto e ainda afirmar que age em nome do povo e da democrática (uma piada, eu sei!).

É por isso que eu sempre procuro a lucidez da interpretação Reformada das Escrituras, ou seja, Chávez, Morales, Lula, Castro e “otras cositas más” são, em última instância, a mão de Deus neste mundo, pois o poder que usufruem vem dele. Por mais que eu tenha uma postura crítica de direita (e creio que deva ter mesmo), por mais que tente perscrutar as múltiplas teorias, nada escapa à providência divina que a tudo determina e governa, inclusive em entregar as sociedades à imundícia proveniente da cobiça para viverem em desonra. E não esqueçamos: o fio que parte de Maquiavel até o incauto Morales segue a determinação do Senhor quanto à nossa trajetória neste mundo.

Um abraço.

P.S. Augustus, aquele cearense dono do restaurante “Meu Cantinho” (lembra?) mandou um abraço e disse que está com uma nova receita de Buchada de Bode (argh!) e faz questão que você prove quando voltar aqui :)!

Solano Portela disse...

Caro Augustus:

Parabéns pelo controvertido post e, aos blogueiros, pelo alto nível dos comentários que estão sendo postados. Vamos manter o debate em um nivel de respeito. Não posso enxergar heresias, mas diferenças de opiniões. Alguns já chegaram onde outros ainda não, mas algum dia, talvez, chegarão. Outros estão em um ponto no qual talvez ninguém mais chegue...

Tem-se colocado a declaração que a Bíblia não é um tratado de economia (ou de ciência, ou de administração). Acho que ninguém afirmou que é. Existe, obviamente, uma grande latitude de apreensão de procedimentos e conceitos aplicáveis às sociedades (acho que eles não são criados, mas "descobertos" por pessoas assim possibilitadas pela graça comum de Deus). Como as variáveis sociais são incontáveis, é dificílimo o traslado de um conjunto de regras de uma sociedade para outra - daí a inutilidade das ilações anacrônicas (Ex.: "Paulo era de direita"?).

No entanto, tendo dito isto, existem pontos básicos e cruciais que procedem do criador de todos os campos de conhecimento - quer sejam eles econômicos, legais, ou até científicos - que, SE COLOCADOS NAS ESCRITURAS, ou deduzidos dela com um certo grau de precisão, deveriam servir de âncora e ponto de amarração aos nossos conceitos em qualquer área do saber. Além disso, a ética (o que é moralmente certo? ou o que é moralmente errado?) está inexoravelmente presente em qualquer campo do conhecimento, e as considerações éticas só serã resolvidas pelo Summum Bonum da Palavra (não é o que nós achamos, mas é o que Deus diz que é certo e o que é errado).

Se aceito, portanto a Palavra de Deus como normativa (isso é uma premissa que por si só já elimina um grande universo de conceitualistas), não posso considerá-la um livro acidental nas outras áreas do saber, nos quais tocaria apenas de leve e secundariamente. Não posso considerar qualquer área de conhecimento como autônoma, mas tenho que observar a Bíblia como ponto de convergência do verdadeiro saber.

Como exemplo, se furtar é errado (Deus assim considera), estabelece-se o direito de propriedade como uma coisa boa, desejável e ponto de amarração de qualquer sociedade que vá se reger pelo que é certo. Consequentemente, qualquer sistema econômico que venha fazer pouco caso do direito de propriedade, deve ser rejeitado como algo que está na contra-mão das regras inexoráveis que emanam do Deus verdadeiro. Ou seja, não é que a Bíblia seja um tratado de economia, mas onde ela se pronuncia, o que diz e informa é veraz, praticável e expressa o que é melhor para o homem e para a sociedade.

Quando Paulo diz que "o que trabalhar não coma", expressa sim o princípio da responsabilidade pessoal de cuidar de si mesmo. Obviamente que isso não é a totalidade do ensino de Paulo (ou da Bíblia) - incidentalmente, ele também ensina que o que trabalha deve ter como objetivo do seu trabalho não meramente o seu próprio sustento mas o atendimento de necessidades nas vidas de outros. Quando ele ensina que não deve ser inscrita em programa assistencial corporativo (no caso falava da igreja) certos tipos de viúvas, estava ampliando o ensino da responsabilidade pessoal para incluir a responsabilidade pelos familiares (que deveriam tomar conta das necessidades daquelas relacionadas) em total harmonia com o que preicetua o Quinto Mandamento. Qualquer sistema econômico que desvie os integrantes de uma sociedade dessas responsabilidades, deve ser rejeitado nesse aspecto (quer o socialismo assistencial, que joga tais responsabilidades na figura amorfa do governo; quer o capitalismo de alguns paises, que, enfatizando o individualismo exacerbado, faz com que as famílias se livrem dos idosos em casas de repouso, que podem ser tão cruéis quanto luxuosas).

Quando a Bíblia especifica os deveres primordiais do Governo de uma forma bem limitada e específica, é visando o bem estar da sociedade, livrando-a da tirania e dos tentáculos que o estado abrangente traz latente em si.

Eu sei bem que existem algumas áreas (talvez alguns discordem de mim) nas quais a responsabilidade corporativa da sociedade - no sentido de prover oportunidades iguais a todos de desenvolverem as suas desigualdades (é isso mesmo, não errei o termo) leva o estado a investir em algo. Setores nos quais o ROI (retorno sobre o investimento) é demasiadamente longo, e onde não se consegue despertar o interesse da iniciativa privada - como, por exemplo, uma hidrelétrica. Mas, assim que úm empreendimento desses for privatizável - com regras claras, transparentes e honestas - deve sê-lo, pois o estado é péssimo gestor de empreendimentos, não sendo esse o foco ou fuclro de sua atuação.

Já teclei demais, mas depois tem mais.

Abs

Solano

Solano Portela disse...

Caro Augustus:

Eu de novo, agora comentando especificamente sobre Coulter.

De uma certa forma, sou meio refratário às classificações de direita e esquerda, como acho que já mencionei em algum lugar, pois prezo muito a independência de criticar biblicamente qualquer segmento, mas vejo que ela identifica bem as premissas maiores do liberalismo norte-americano (esquerda norte-americana) como dogmas de uma religião que se mostra contrária a vários princípios que emanam da palavra de Deus.

No entanto, acho que ela exagera em muitas coisas, não somente na forma, mas nos alvos. Por exemplo, em sua crítica de C. Everett Koop. Ele foi o Ministro da Saúde do ultra-conservador governo Reagan, o que já dá para estranhar ele ser classificado e retratado como um liberal divulgador da camisinha e do sexo indiscriminado.

Koop era um crente fiel e co-autor, com Schaffer de um livro que condena o aborto e a maioria das práticas insanas, levantadas pelos liberais americanos. A Ann Coulter provavelmente reflete uma frustração dos ultra-conservadores de que o relatório governamental que foi produzido sob sua gestão (em 1988) não emitiu uma condenação moral sobre AIDS e falou dos benefícios preventivos da camisinha.

No entanto, a percepção pública de quem foi Koop e de sua obra transparece em um artigo que saiu no jornal da American Academy of Pedriatics: AAP News Vol. 3 No. 6 June 1987, p. 1. Não dá para recuperar o texto completo, mas o abstract diz:

Koop calls abstinence, education best measures to prevent AIDS

"From a public health point of view, the best defense against AIDS is total abstinence, "according to U.S. Surgeon General C. Everett Koop, M.D., FAAP." And that is certainly the message we should get across to our children.

"But children do grow up, and, as adults, most of them won't remain abstinent," Dr. Koop said at an April meeting on AIDS sponsored by the American Medical Association and cosponsored by the Academy and more than 70 other organizations.
----------------

Provavelmente, um bom artigo – com um certo equilíbrio – sobre a atuação de Koop é encontrado no site:

http://profiles.nlm.nih.gov/QQ/Views/Exhibit/narrative/aids.html

Onde diz que os conservadores esperavam mais dele - possivelmente algum juizo moral sobre a AIDS - mas também que informa a posição pessoal dele, a qual ele nunca deixou de tornar pública:

....

Koop drafted the report himself at a stand-up desk in the basement of his home on the NIH campus, with only a handful of trusted staff members as advisers...

... after little debate and without further revision Koop released the report at a press conference on October 22, 1986. Twenty million copies were eventually distributed to the public by members of Congress, public health organizations, and Parent-Teacher Associations. In plain language the 36-page report discussed the nature of AIDS, its modes of transmission, risk factors for contracting the disease, and ways in which people could protect themselves, including use of condoms... In his remarks Koop emphasized that since education was the best and only strategy of prevention against AIDS, and since AIDS was spread primarily through sex, school children from grade three onward should receive sex education.

Former liberal critics of Koop were pleasantly surprised while his erstwhile conservative supporters were taken aback by the explicit language and the lack of moral censure in his AIDS report, and above all by Koop's promotion of sex education in elementary schools. Yet, as Koop himself saw it, his approach to AIDS was consistent with his long-standing professional commitments as a pediatric surgeon, as well as with his religious faith: "My position on AIDS was dictated by scientific integrity and Christian compassion. . . . My whole career has been dedicated to prolonging lives, especially the lives of people who were weak and powerless, the disenfranchised who needed an advocate: newborns who needed surgery, handicapped children, unborn children, people with AIDS."

In his many speeches on AIDS over the next two years Koop emphasized that the best protection against the disease was provided by sexual abstinence and monogamy (ênfase, minha).

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Por essas corajosas posições públicas, que tomou, é que escrevi sobre ele o seguinte, em um texto meu de 1997:

"Um exemplo relativamente contemporâneo foi o do Ministro da Saúde dos Estados Unidos (lá, curiosamente, chamado de Cirurgião Geral) no governo Reagan: C. Everet Koop. Convertido pelo ministério do Rev. Francis Schaeffer (autor de muitos livros filosófico/cristãos), o dr. Koop, confrontado com a crescente epidemia da AIDS, publicamente proclamava que o melhor remédio para a sociedade era a abstinência dos solteiros e a monogamia dos casados. Contrariava com isto toda a corrente humanista que procura somente o chamado “sexo seguro”, mas refletia, em seus pronunciamentos, as diretrizes bíblicas sobre o assunto. Não tinha medo de chamar pecado de pecado e publicamente lutou contra a prática oficializada do aborto. Com isto a sociedade foi beneficamente influenciada e abençoada e seus programas de prevenção não tiveram o caráter promíscuo de muitos que têm sido patrocinados pelo governo e até por instituições religiosas".

Dou, portanto, um desconto à metralhadora giratória da Ann...

Um abraço,

Solano

Eliot D. Chambers disse...

Olá, Angeli,

Opa, que bom saber que há evangélicos “austríacos”!

Parece que seu posicionamento reflete bem o significado da minha afirmação de que Keynes está superado. A influência ainda é enorme, mudou muita coisa, mas não te convence. Nem a mim. Enfim, os liberais lutaram contra ele e prevaleceram. Keynesianos ganham fácil no quesito barulho, gráficos, etc... Mas na teoria e na ponta do lápis, a história é outra. Até lembrei da frase de Hayek que o Eduardo Giannetti cita no “As partes e o todo”: “Quando eu era jovem, o liberalismo era velho; agora que sou velho, é o liberalismo que voltou a ser jovem”.

Sobre minha afirmação sobre o capitalismo nos tempos de Cristo, faço-a com base no que disse o historiador econômico Peter Termim.

Muito oportuna a distinção entre liberais e conservadores que você faz citando Hayek. E a frase bem evidencia o quão propensos são os liberais para tornar seus postulados numa ideologia na qual é supervalorizado o papel da economia, como no socialismo. E não são poucos que fazem isso.

No tocante à exegese bíblica, penso que o Solano já disse tudo. E esses comentários acima merecem virar artigo!

Já vou escrever mais umas coisinhas sobre Keynes no post do Solano “Saddam, o estado vingador e o Rio de Janeiro”.

Abração!

ps: Ei, povo! Não chamei ninguém de herético!

Anônimo disse...

Olá Solano, excelente post

Mas gostaria de reafirmar algumas coisas quando eu disse a respeito de que a bíblia não é um manual de economia. Não estou querendo torná-la secundária no que tange ao desenvolvimento do conhecimento. Mas existem medidas técnicas que vieram com o avanço da ciência, que a bíblia não trata, pelo fato de ser um livro escrito fora de nosso contexto econômico e social.
Não quero cair no "economes", mas vou dar um exemplo do que quero dizer. Até a segunda metade da década de 80 as principais economias se utilizavam da regra de agregados monetários, ou seja, controlava-se a quantidade de moeda na economia, dado o crescimento do produto. No entanto, nesse período se verificou um grande desenvolvimento do mercado financeiro mundial, e essa regra se tornou ineficaz. Com isso passou-se a utilizar uma regra de taxa de juros implícita, iniciada com Paul Vocker em 1982. E esta veio originar a regra de Taylor (1991), baseada em metas de inflação. A bíblia, neste caso não trata sobre regras de política monetária.
A bíblia sim possui princípios éticos, que estão mais ligados a uma teoria do estado, do que necessariamente a teoria econômica.

De certo um sistema econômico deve manter os direitos de propriedades do seu cidadão, mas creio que uma ação do governo em projetos de grandes investimentos, infra-estrutura, políticas de demanda, políticas sociais, não ferem esses príncipios.
Não é porque um governo age sobre a economia de uma nação que necessariamente vai ferir os príncipios bíblios.

Solano, acho meio complicada essa visão de que gestão de empresa estatal é menos eficiente/produtiva do que uma empresa privada.
Um estudo da FEA-USP mostra que a produtividade pós privatização não foi alterada drasticamente. Por exemplo, pega o caso da antiga TELESP, fornecia serviços de qualidade ao consumidor, muito diferente do que acontece hoje (veja no Procon). O principal problema que havia nas empresas estatais era a restrição orçamentária do governo (investimento).
E nem ao menos a questão da corrupção, que rola solta ainda.
Muitas empresas estatais geraram tecnologia de ponta.
Dentro da discussão de microeconomia, quando você tem monopólio natural, ou seja, custo fixo alto para entrada de novos produtores, a empresa privada exercendo seu poder de monopólio, obtem um lucro maior que o de concorrência perfeita. Para isso é necessário um marco regulatório, que faça com que a tarifa seja no máximo igual ao custo médio de produção. No entanto, muitas vezes, o marco regulatório ou os arranjos institucionais são muito complexos, o que origina um custo de transação muito elevado. Como no caso da telefonia, eletrecidade e saneamento. E existem estudos de economia institucional que modelam o caso em que a empresa pode agir no marco regulatório para favorecimento ilícito.
Em tais situações talvez ter uma empresa estatal seja mais interessante.
Diferente do que ocorre, com outras empresas, como a antiga Vale do Rio Doce, que não chega ser um monopólio natural, uma vez que há concorrência externa.

Reafirmando, não necessariamente ação econômica do estado seja igual a uma ação ideológica do estado na sociedade. Existem razões técnicas para isso.

Abraços
JP

Anônimo disse...

Solano,

Excelentes intervenções. Eu também estranhei quando a Ann Coulter detonou o C. Everett Koop, o qual eu havia aprendido a respeitar através dos escritos com Schaeffer. Parece que o ponto dela é exatamente esse: insatisfação com a ênfase de Koop no ensino da sexualidade nas escolas públicas ainda bem cedo. Considerando que as escolas públicas são santuário e templo da religião liberal, posso entender o receio de Coulter e de ultra-conservadores. Recomendo que você leia o capítulo do livro dela que trata desse assunto, para poder ter uma visão melhor do que aquela que eu passei.

Aos demais comentaristas, obrigado pela excelente discussão, sugestões e contribuições. Isso aqui deveria virar um pequeno livro sobre teoria econômica e política à luz da Bíblia, com vários autores. Quem sabe?

Um abraço.

Patricio disse...

Sr. Augustus

O senhor afirma: “Posso não concordar com o estilo mordaz de Coulter e nem com algumas colocações bem mais radicais do que estou pronto a endossar, mas estou impressionado com a percepção clara que ela tem daquilo que está realmente em jogo”.

O problema do nosso calvinismo é a sua constante alternância entre verdade e contradição. Se realmente existe alguma coisa em jogo no Universo, o nosso pressuposto da Soberania de Deus carece autenticidade. Somos ciosos da tese do conhecimento exaustivo de Deus, mas vivemos em alerta e alardeando o perigo das “decisões humanas”, enfatizando que nós reformados precisamos nos posicionar, como se elas frustrassem os eternos decretos de Deus. Por isso que grande parte dos membros leigos das confissões reformadas preferem ignorar qualquer discussão sobre a Soberania de Deus e outra parte desses acabam presas fáceis do movimento neopentecostal, cuja origem não está, como se pensa, no pentecostalismo, mas no descontentamento originado em setores das igrejas tradicionais, devido a própria incoerência do nosso discurso. Para se convencer disso basta observar a origem confessional de muitos dos fundadores das seitas neopentecostais.

Anônimo disse...

Paz a todos

É um prazer estar neste ambiente de alto nível. Gostaria de salientar aos colegas que um aspecto da religião chamada "liberalismo cristão" é sua cumplicidade (não de todos, é claro) com aqueles que defendem os totalitarismos de esquerda e mulçumanos e a indiferença quanto à situação dos cristãos perseguidos e massacrados.
Gostaria de pedir ao Augusto, Mario e Solano que, se possivel, postassem artigos sobre a situação de nossos irmãos sofredores.

Quanto ao assunto do liberalismo econômico x intervencionismo, embora eu creia no liberalismo, penso que não deve haver espaço para exageros.

Consideremos que embora a Torah não seja norma de ritos para nós gentios, é certamente ensino. E ela nos dá exemplos belíssímos de como resguardar o bem estar do pobre em uma legislação, sem criar um estado pesado e super-interventor. Este mesmo espírito poderia nos guiar na elaboração de leis que protegessem o pobre sem atentar contra um estado geral de liberdade.

Eu já postei no blog da Norma, sob o codinome "Arminiano". Alguns de vocês portanto me conhecem de lá

Renato U. Souza

Anônimo disse...

Srs.

segue abaixo notícia de hoje do Independent, sobre a votação de ontem, na Câmara Dos Lordes, sobre uma lei que torna ilegal a discriminação contra casais do mesmo sexo.
Ainda haverá outras batalhas, mas o importante é ver que algo parece estar mudando lá e podemos ver grupos cristãos, tanto anglicanos como pentecostais, reagindo contra os grupos de pressão gays.
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Lords defeat attempt to overturn gay rights law
By Ben Russell, Political Correspondent
Published: 10 January 2007
Peers voted down attempts to quash groundbreaking new rules giving homosexual people rights against discrimination.

They backed the Northern Ireland Sexual Orientation Regulation by 199 votes to 68 last night, a majority of 131, despite vocal opposition from religious organisations.

But Christian groups declared that legal action against new laws extending gay rights would go ahead, regardless of the vote.

The Christian Institute and a group of Christian denominations in Northern Ireland are challenging the sexual orientation regulations which outlaw discrimination against same-sex couples.

The vote came after an impassioned debate lasting more than two hours. Critics said the regulations would undermine religious freedoms, and leave the faithful at risk of legal action if they quoted biblical teaching on homosexuality or if Christian guesthouse owners refused to allow same-sex couples to share a bedroom.

Hundreds of people staged a torchlit protest outside Parliament against the rules last night as peers debated an attempt to quash the rules, which came into force in Northern Ireland at the start of the year. Regulations covering the rest of the UK are expected to come into force in April.

The regulations have been delayed in the rest of the UK amid claims by religious groups that they will promote gay rights contrary to their beliefs and penalise those who have moral objections to homosexuality. But gay rights activists insist the campaign against the regulations is being orchestrated by "fringe groups", and have warned against any attempt to water down the rules when they are introduced across Britain.

Opening last night's debate, Lord Morrow, the Democratic Unionist peer, said: "Regulations are supposed to be non controversial. These regulations could not be more controversial.

"It cannot be often that a set of regulations can be accused of attacking fundamental religious freedoms, yet that is just what has happened. They require religious organisations to choose between obedience to God and obedience to the state."

Lord Tebbit said: "These regulations would leave perfectly innocent people in fear of legal action from the fanatical wings of the lesbian, homosexual, gay pressure groups. Whatever the intention of those who drafted the regulations, they are bound to create not only a shadow, or umbra of prohibition, but a vastly-wider penumbra of the fear of prosecution."

Lord Eames, the former Archbishop of Armagh, attacked the Government for failing to consult the people of Northern Ireland about the rules.

Lord Mackay of Clashfern said the rules would leave bed and breakfast owners open to legal action if they do not allow same-sex couples to share a room.

The Bishop of Southwell and Nottingham, warned: "They run the risk of facing a significant number of people with a choice between complying with the law and their religious convictions."

But Lord Smith, the former Labour culture secretary, launched an impassioned defence of the protections offered by the rules. He attacked critics of the regulations, telling peers: "What they are arguing for is quite simply the right to discriminate and the right to harass. These arguments are being made in the name of Christianity. I find that very difficult to understand.

"People have the right to believe that homosexuality is somehow wrong. I believe very strongly that people have a right to hold views that may be bigoted or discriminatory, but I do not believe they have the right to put their beliefs into action."
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Osvaldo Pimentel Filho
IPVM - SP

Solano Portela disse...

Caro JP

Comentando seu último post, aqui...

Você admite que a Bíblia está ligada às proposições éticas, mas diz que isso teria MAIS a ver com questões de governo do que de economia. Volto a insistir que é uma premissa falha, achar que uma área qualquer de conhecimento é estanque, ascéptica e autônoma do entrelaçamento que as demais áreas possuem com o autor do conhecimento e com o livro que ele nos escreveu - a Bíblia.

É interessante como fazemos "vacas sagradas" as áreas nas quais nos especializamos e não paramos para pensar que talvez tenhamos sido submetidos a uma lavagem cerebral nas lides universitárias de tal forma que realmente chegamos a nos convencer que esta ou aquela área é objetivamente pura "ciência", destituída de premissas que podem ser contraditas pelas proposições objetivas da Palavra.

Nesse sentido, economistas se eriçam quando um princípio Bíblico, que nada mais faz do que refletir a estrutura inerente as interações humanas - ou qualificá-las e limitá-las à luz da realidade do pecado - é apontado como relevante ou determinante em contraposição à teoria "A" ou "B" de um medalhão de plantão.

Pedagogos fazem o mesmo: "apliquem a Bíblia em outras paragens, afinal, ela foi escrita em outro tempo e época e não teve a maravilhosa oportunidade de vislumbrar os enormes avanços da ciências, as pesquisas piagetianas, as ilações de Jung, e as conclusões de Ferrero; além disso ela incomoda com esse martelar contínuo do conceito de que o pecado è latente na raça humana e isso não se encaixa com nenhuma teoria de conhecimento desenvolvida desde o iluminado século 20". Possivelmente um pedagogo dirá - A Bíblia tem muito a ver com economia, pois ela lida com ganância e outros sentimentos menos nobres da humanidade, mas não com a pedagogia".

E por aí iremos descartando a relevância da Palavra, cada um defendendo o seu pedaço e o que foi apreendido e inculcado nas áreas de nossas especializações.

A Bíblia pode não ter REGRAS de política monetária, mas está eivada de PRINCÍPIOS que se aplicados às regras de política monetária, gerarão justiça e resultarão no bem maior da sociedade. Isso já foi bem demonstrado, por exemplo, por Gary North em um intrigante artigo: "Isaiah's Critique of Inflation" In - The Journal of Christian Reconstruction, Vol VII, 1980, No. 1 (10-30). Eu não compro o pacote completo das idéias de North e de seus seguidores - aliás consumo elas muito seletivamente, mas que o artigo é brilhante ele é - demonstrando os problemas éticos por traz da inflação e como o profeta Isaías clamou contra a diluição do padrão monetário de então (a prata era misturada com estanho - a forma de então de se "emitir" mais moeda para pagar as contas do governo emissor; e a cultura se espalhava pela sociedade, com os comerciantes diluindo o vinho em água, e por aí vai...). Se achamos que esse tipo de estudo não serve de alerta aos princípios que Deus colcou nas relações humanas, e registra em sua Palavra, para nossa instrução, erramos o alvo.

Compartimentalizar a Bíblia apenas a uma esfera "religiosa" de nossa existência, é nos rendermos à uma acomodação intelectual que não deveria estar presente na verdadeira academia cristã. Na realidade, esse é o cacoete dos neo-ortodoxos, e no final eles não resolvem problema nenhum, apenas criam outros.

Teoristas econômicos podem ajudar muito no entendimento de certas regras, mas será mesmo que eles originam sistemas e regras, ou apenas "descobrem"? Para dar um exemplo da matemática, os gregos (ou egípcios - há controvérsia, uma vez que os egípcios já possuiam o valor de 256/81) estabeleceram PI, ou esse resultado da divisão da circunferência pelo raio foi simplesmente "descoberto" e sempre existiu? Obviamente que a resposta é que 3,1416... sempre existiu, mesmo antes de ser "descoberto".

Quando A. Hayek, por exemplo, nos fala de demarquia como sendo a forma de governo desejável (democracia como método administrativo, mas não como um sistema formulador de "certos" e "errados", pois atua dentro de um conjunto de absolutos que não são mutáveis ou negociáveis), é porque ele "inventou" isso, ou ele está apenas refletindo a realidade inexorável da existência de absolutos (sobre os quais a Bíblia fala abundantemente), em um mundo criado por Deus? E outros acadêmicos e cientistas que postulam exatamente o contrário - a inexistência de absolutos (o que a Bíblia enfaticamente nega) prosperarão em suas teorias, empiricamente falando? Podem empolgar com a retórica ou metodologia didática, mas elas não funcionarão, ou melhor, não resultaram no "bem maior" à sociedade. Insistir nelas seria "recalcitrar contra os aguilhões".

Portanto, mantenho que a Bíblia é "lâmpada para os nosso pés e luz para o nosso caminho" de uma forma muito mais ampla do que gostamos de admitir.

Um abraço,

Solano

Anônimo disse...

Prezado Rev. Augustus,

Mais um ótimo texto, e extremamente oportuno num país como o Brasil, onde a "guerra cultural" é assunto do qual a esmagadora maioria da população está totalmente alheia.

Eu só gostaria de ressaltar que, com relação ao esquerdismo (tanto nos EUA quanto no Brasil), é tudo um "pacote" só. Esquerdistas invariavelmente também são: politicamente corretos, progressistas (tanto do ponto de vista moral — isto é, "sensíveis" às reivindicações dos gays, à legalização do aborto etc. — quanto do teológico), antiamericanos e, não raro, anti-semitas (ou pelo menos pró-palestinos). Além disso, costumam ser extremamente autoritários e intolerantes com quem não compra esse "pacote", ou seja, com quem não se submete ao politicamente correto, não é de esquerda, é conservador (moral e teologicamente), é pró-EUA e pró-Israel. Pode parecer maniqueísmo, mas o quadro é esse mesmo. Trata-se de duas visões de mundo praticamente antagônicas. De um lado, os conservadores, isto é, os que reconhecem a importância de se conservar o depósito da civilização judaico-cristã, acumulado ao longo de mais de 2.500 anos (depósito esse que diz respeito aos valores morais, à família, é fé etc.); e do outro lado, os progressistas, ou seja, aqueles que anelam por "um outro mundo possível", um mundo onde os valores tradicionais (sobretudo da moral e da religião) devem ser relativizados e até invertidos, se for o caso. Por isso, não é exagero dizer que há dois "exércitos" no campo de batalha. Nos EUA, esse cenário é bem nítido, mas, no Brasil, a guerra ainda nem começou... Está mais que na hora de pegarmos em armas e partirmos para o front!

Abraços fraternos,

Marcos M. Grillo

P.S.: é claro que há exceções, como um famoso bispo anglicano que se diz progressista (é um dos fundadores do MEP!) e ao mesmo tempo conservador em matéria de teologia e de moral (já é célebre sua luta contra o ativismo gay). Mas casos como esse são aberrações (eu diria que são casos de “esquizofrenia”!), exceções que só confirmam a regra. Chega a ser chato de tão previsível: o sujeito esquerdista é sempre politicamente correto, progressista, antiamericano etc. etc.

P.S.2: sei que ninguém me perguntou nada, mas, ultimamente, tenho preferido usar a palavra “progressismo” em vez de “liberalismo” para me referir ao que comumente chamamos de “liberalismo teológico”. Pois o liberalismo clássico — e os teólogos “presentes” devem me corrigir caso eu esteja enganado — ao menos tentavam “conservar” certos conteúdos da fé cristã, embora reinterpretando-os de forma racionalista. Reconheciam o valor moral do cristianismo (ainda que essa moralidade fosse a única coisa que eles realmente desejassem preservar). Já os “teólogos liberais” de hoje partiram para o escracho total. Como se diz popularmente, chutaram o balde, e não levam mais nada a sério. É um verdadeiro samba do crioulo doido, onde o relativismo é o único dogma aceito. Por isso, penso que chamar essa gente de “liberal” é quase um elogio. O termo “progressistas”, na minha modesta opinião, define-os melhor. Ah, só mais uma observação: o uso do termo "progressismo" se justifica também (ou principalmente) pelo fato de que, para os nossos teologastros, a fé cristã é essencialmente "histórica", ou seja, deve ser sempre reinterpretada levando-se em consideração o contexto histórico e cultural de cada período da história do cristianimo. Dizem isso para justificar releituras da Escritura e da teologia cristã ao gosto das feministas, dos gays, dos socialistas antiamericanos (ou "anti-imperialistas") etc.

Cleber Leite disse...

Prof Augustus

Qual era mesmo o tema deste blog?

O que interessa é que o assunto está bom, economia politica.
Será que existia um programa bolsa-familia na Biblía?
Sim, mas para a preservação da vida dos que não tinham capacidade para o trabalho, ao contrario do programa brasileiro que serve para desistimular o trabalho, vide http://oglobo.globo.com/pais/mat/2006/12/09/286976857.asp.

Toda sociedade tem a seu tempo seus próprios necessitados. No caso do Israel Teocrático quem eram os necessitados? O órfão, a viúva(uma vez que a mulher não trabalhava nos moldes de hoje) e o estrangeiro(que não conseguia colocação por causa da xenofobia, por esta razão, impossibilidade do próprio sustento, Deus instituiu a lei da debulha. Observe que não era o Estado que tinha que arrecadar impostos e distribuir entre os necessitados, mas apenas regulava como cada um devia proceder individualmente. Calvino mais tarde diria que a nossa popupança não deveria servir para esbanjar em luxos, mas para ajuda ao necessitado, mais tarde John Raws, na sua Teria da Justiça, fala dos better-off, ajudando os worst-off.

Recomendo a leitura do livro Biblical Economics, de Sproul Jr. e a leitura do capítulo sobre o trabalho do livro "E se Jesus Não Tivesse Nascido"

Cleber

Anônimo disse...

Olá Solano

Eu acredito não estar sendo muito claro com a relação economia x bíblia, principalmente no meu post anterior.
Não acho que os princípios que norteiam a bíblia, tanto na esfera social, quanto na política, ou mesmo economia, devam ser descartados. De modo a dizer, a bíblia é um mero livro religioso.
Só acho que existe uma grande diferença entre um manual de macroeconomia e a bíblia.
Vou pegar o seu exemplo sobre inflação. A bíblia deixa claro em Isaias que um processo inflacionário gera problemas éticos. E hoje nas ciências econômicas sabe-se que um processo inflacionário é ruim para um país.
Se a bíblia nos trás esse príncipio não devemos descartá-lo.
No entanto, a bíblia não nos diz qual é o nível de inflação ótima. E que em uma economia, dado um crescimento positivo do produto, é necessário emitir moeda, senão você pelo contrário joga o país numa recessão. O Banco Central realiza operações de open market constantemente. Será que ele estaria indo contra os princípios bíblicos.
Não é possível se conceber uma autoridade monetária que almeje uma taxa zero de inflação, porque os resultados podem ser mais devastadores do que uma taxa de inflação positiva.
Podemos por meio da bíblia encontrar o príncipio contra a inflação, e esse poderia ser o norte das ciências econômicas como você propõe.
No entanto, existem questões teóricas que no mínimo são bastante controversas e acredito que a bíblia possa até trazer uma diretriz, mas mesmo assim pode gerar algum debate.
Quando Keynes escreve a teoria Geral ele tem em mente os economistas clássicos, e o contexto era de um capitalismo nunca sentiu um crise tão forte desde a revolução inglesa. Para estes últimos o salário real (salário nominal/nível geral de preços) era determinado pela demanda e oferta de trabalho. Havia equilíbrio no mercado de trabalho, e estava estabelecido o salário dos trabalhadores.
Quando houve a crise de 1929, qual era recomendação dos economistas clássicos, baixar salário real, para que o fator trabalho ficasse mais barato. Para eles havia apenas desemprego voluntário. O trabalhador esta desempregado porque que ele não esta disposto a trabalhar por um salário real menor.
Chega Keynes vocês estão equivocados, não é a oferta de trabalho que determina o salário real, mas sim a demanda agragada, que é a soma do consumo + investimento. Não é o trabalhador que determina o salário real, mas o equilíbrio entre demanda agregada e a demanda por trabalho dado pelas firmas, a tal produtividade marginal do trabalho.
A luz dos princípios bíblicos quem esta certo? Eu realmente tenho muita dificuldade em resover essa questão a luz da bíblia.
Outro ponto ainda muito mais complicado, é o que determina o valor das mercadorias? Na HPE existem duas visões, sendo que a última é a que predominou.
Existe a teoria do valor trabalho, ou seja, o valor da mercadoria é determinada pelo trabalho humano, e a teoria do valor utilidade, que diz que o valor da mercadoria é determinada pela utilidade dada pelo indivíduo ao objeto. A luz da bíblia, qual a teoria esta correta? Novamente, eu teria muita dificuldade em resolvê-la a luz da bíblia.
Outra, o que é verdade a luz da bíblia, supor que o homem é racional, ordena suas preferência, e tem uma função de utilidade, ou supor que o homem tem informação imperfeita, tem dificuldade em ordenar uma cesta muito grande de bens por ordem de preferência?
A luz da bíblia o homem escolhe uma cesta de bens com base nas decisões passadas com aprendizado ou a cada instante de tempo possui uma ação deliberada?

É isso que venho reafirmar, muitas controversas da teoria economica seriam muito dificeis de serem resolvidas a luz da bíblia.


Teoristas econômicos podem ajudar muito no entendimento de certas regras, mas será mesmo que eles originam sistemas e regras, ou apenas "descobrem"?

É uma questão muito difícil de ser resolvida, mas eu ficaria com o "descobrem", pois o economista olha a realidade e tenta modelá-la. O desenvolvimento humano ao longo da história possibilitou a formação de relações econômicas muito complexas.
E entendê-las é o principal feito do economista.

Não quero nunca jogar a bíblia em um segundo patamar.

Abraços
JP

Anônimo disse...

Olá Cleber


Eu também não concordo com o Bolsa Família.
Mesmo que a ação do governo em resdistribuir renda desestimule o trabalho individualmente, ele via demanda pode aumentar o nível trabalho em âmbito agregado.
Não necessariamente programa de renda vai desistimular o trabalho, lembre-se que há o impacto da demanda sobre o nível geral.

Abraços
JP

Norma disse...

Oi, Solano,

Perfeita sua observação. E me deu uma idéia: você falou de North, e eu lembrei que esses dias estávamos "caçando" textos de Rushdoony pela net - eu, Eliot e Gustavo Nagel - quando nos vimos perdidos pela quantidade de referências. É o problema do diletante em teologia: não saber por quem ou por onde começar. Por isso sugiro ao pessoal do Tempora, se houver tempo e disposição, uma série que trate dos principais teólogos de todos os tempos. Nada tão acadêmico, mas posts que possam ser uma espécie de introdução informal para o estudante que pretende abordar um assunto por determinado ponto de vista e não sabe que autor escolher. Creio que essa série seria preciosa para promover vários insights entre o pessoal que vem "pescar" aqui. O que acham?

Por exemplo, que autor mais se dedicou ao assunto da economia sob a luz reformada? E que outro abordou a filosofia política em suas obras de um modo todo especial e pertinente? Que tal um post sobre eles?

Abração!

Angeli disse...

Concordo que esse "bodinho guisado" está muito bom (ainda que não tenha a menor idéia do que seja um bodinho guisado...)! Pena que não estou conseguindo acompanhar toda a discussão... Tenho que defender a dissertação em março, e isso está me sufocando.
Eliot, esse Peter Temim é aquele do MIT, que ficou famoso ao escrever sobre a grande depressão? Bem, não gosto muito dele. Ele escreveu um livro em que foi contra o Friedman na interpretação na Depressão dos anos 30, o que me deixou muito magoado, rs. Pra mim, a explicação do Friedman é bem mais convincente. Mas não dá pra negar que é um nome de peso que te acompanha. Mudando de assunto, não sei se entendi o que vc disse sobre os liberais.
Solano, obrigado pelo que escreveu, achei muito interessante. Vou imprimir e ler melhor depois.
Mas acho que o JP não é passível de algumas críticas que têm sido feitas a ele. Pelo que entendi, a questão que ele defende é que não se pode usar a bíblia como fundamento do modelo que o Banco Central utiliza para determinar a taxa de juros básica. Não o vi dizendo que a Bíblia não deve servir de norteador da equipe econômica do governo. E isso vale para qualquer área do conhecimento.
Obrigado por nos brindarem com textos como esse. Tenho sido muito abençoado por esse blog nos útlimos meses. Deus os tem usado.
Abraços a todos,
Eduardo Angeli

Anônimo disse...

Paz a todos

É evidente que os anti-cristãos montaram um pacote, mas nós devemos destrinchar este pacote, se não o jogo fica muito fácil para eles, é só colocar alguma coisa boa no pacote, esperar que rejeitemos e jogar na nossa cara.

Além disto a força deles reside na manipulação de muita gente que discorda (às vezes bastante) deles. E nem isto nós conseguimos provar para as pessoas. Não são eles que estão ganhando, somos nós que estamos perdendo.

Anthony Aquino disse...

Olá, Norma, agradeço essa ótima idéia, sou a favor...

Abraço...
;)

Angeli disse...

Um instituto cristão que promove as idéias do livre mercado e da não-intervenção estatal é o Acton Institute. Apesar de receber os boletins deles por e-mail, nunca parei para ler os textos direito, só uma passada de olhos. Aparentemente um problema deles é um flerte com o ecumenismo. Mas, se alguém quiser saber mais, entre em http://www.acton.org/
Abraços,
Angeli

Anônimo disse...

Angeli,

"Bodinho guisado" é um caprino em tenra idade cozido com verduras, e outros condimentos típicos do Nordeste :-) Acho que se procurar ai na Suiça, encontra, mas só que em vez de bode, eles deverão ter um carneiro...

Norma, a sugestão de posts sobre teólogos relevantes é um desafio grande demais para mim -- só se Solano encarar -- especialmente diante de tantas publicações sobre o assunto. Além do mais, foi você mesma quem me ensinou que no blog a gente conversa, desopila, briga, discute, se diverte. Teologia eu vou deixar para a sala de aula ou livros. :-)

Um grande abraço,
Augustus

Monergismo.com/Felipe Sabino disse...

Oi, Norma,

Acho que o Rushdoony e o Gary North são os melhores na área de economia, governo e política. Vale ler também os livros do Bahnsen e do Gary DeMar. E, como Solano bem colocou, não precisamos comprar o “pacote” todo, mas também não precisamos e não DEVEMOS rejeitar algo por mero preconceito. Se quisermos rejeitar algo proposto, tem que ser via exegese bíblica sadia.

Penso que o melhor livro a ser adquirido nessa área é o “The Institutes of Biblical Law”, do Rushdoony (Fiquei sabendo hoje, através do próprio, que o Solano gosta muito desse livro). Aproveite a promoção no link abaixo... o terceiro volume está saindo “de grátis”:

http://www.chalcedonstore.com/xcart/product.php?productid=2456&cat=29&page=1

Você pode ler alguns pequenos excertos do livro aqui:

http://ecclesia.org/truth/rj.html


Agora, para quem não pode comprar o livro, existe um site muito bom, do Gary North, no qual ele disponibiliza dezenas de livros e newsletters gratuitamente. O site é http://www.freebooks.com/. O North me autorizou a traduzir todos os livros. :P

Aliás, é possível ler uma versão simplificada do texto citado pelo Solano:

http://s155777461.onlinehome.us/docs/_newsbet.htm

O Gary Norh tem outro site, no qual está disponível os seus comentários ECONÔMICOS de Gênesis, Êxodo, Levítico, Atos, Romanos, etc, etc. Imperdível!

http://www.garynorth.com/public/department57.cfm

Como são muitos livros, posto abaixo os que o Gary DeMar recomenda em um de seus livros para quem quiser iniciar (todos disponíveis gratuitamente):

Gary North, An Introduction to Christian Economics.

Gary North, Honest Money: The Biblical Blueprint for Money and Banking.

Gary North, Inherit the Earth: The Biblical Blueprint for Economics.

David Chilton, Productive Christians in an Age of Guilt-Manipulators: A Biblical Response to Ronald J. Sider.

Ian Hodge, Baptized Inflation: A Critique of "Christian" Kejmesianism.

É bom ler esses livros ao menos para conhecer o OUTRO lado da questão, que a economia, política e o governo não são áreas que Deus deixou nas mãos do “senso comum” do povo, seja lá o que isso significar (comum pra quem?). Como bem diz a CFW, “todo o conselho de Deus concernente a todas as coisas necessárias para a glória dele e para a salvação, fé e vida do homem, OU É EXPRESSAMENTE DECLARADO na Escritura OU PODE SER LÓGICA E CLARAMENTE DEDUZIDO DELA”. Se a Bíblia não deve ser o nosso padrão ao lidar com essas áreas, qual é o outro padrão?

Um abraço,
Felipe Sabino

Norma disse...

Querido Augustus,
Eu ensinei o quê??? Que nada, eu sou uma mulher seriíssima!!! :-D
Agora sério mesmo, a sugestão não era de fazer nem artigos nem tratados no blog, mas comentar "como quem não quer nada", de forma bem pessoal e não sistemática. Para quem não leu os teólogos, seria uma introdução da introdução, digamos, bem informal.
Mas talvez você tenha razão: vocês não vão conseguir tratar a coisa de modo informal, e os comments vão acabar virando sala de aula.
Melhor deixar como está, que assim já está bom demais! :-)
Abração e cuidado, deve ser ruim para a digestão abusar dos bodinhos! :-D

Querido Felipe,
Muito obrigada pelas indicações todas! Você tem toda razão: é no mínimo irresponsabilidade o cristão de uma determinada área deixar de conhecer os autores confessadamente cristãos que lidaram de forma bíblica com o assunto em que ele se especializa. O problema é chegar até esses autores, e por isso precisamos pesquisar bastante, além de tempo e paciência.
Infelizmente, o North e toda a filosofia reformada vão ficar para depois da tese - aguardando igual a pão no forno.
Abração!

JP disse...

Alguns pequenos trechos sobre o pensamento economico e social de Calvino:

DIREITOS DE PROPRIEDADE
Palavras de Calvino: "A utilidade da gestão governamental...não se resume somente quanto a que os homens comam, bebam e sejam sustentados em seu viver...mas que não sejam pertubarda a tranquilidade pública, a que a cada um seja preservado o que é seu, a que mutuamente entre si mantenham intercâmbio sem fraude e prejuízo...

ESPECULAÇÃO
"As preocupações dos pastores, contudo, não são apenas doutrinais. Inquietam-se pelo bem estar do povo, cuja situação material os desassossega em razão do aumento incessante do custo de vida. Calvino já havia demonstrado que o juro do capital era pago em parte pelo povo. E os ministros dessa época se postam do lado da parcela menos favorecida da sociedade, tomando-lhes a defesa, intervindo energicamente a seua favor, a Bíblia em mãos. É assim que, após haverem protestado contra a evolução da taxa de juros e a implantação de um banco, levantan-se ele com veemêmcia, contra a especulação dos cereais a que se entregam certos mercadores, nesse período de escassez."

ATIVIDADE FINANCEIRA
"Destarte, ciosa da prosperidade da cidade, é a Reforma calvinista favorável à atividade financeira, mas, preocupada com a sorte das camadas modestas da população, levanta-se contra toda prática ou atividade que ameaça prejudicar a parcela mais pobre do povo. Busca, sem afrouxamento, salvaguar sempre um justo equilíbrio entre o surto econômico e a justiça social"

POBRES
Palavras de Calvino "Ora, venhamos, entretanto, ao que havemos dito: que não é sem causa que Deus ordena aos dotados de recursos terem a mão aberta para socorrerem os pobres e necessitados que há na terra"

História do Pensamento Econômico e Social de Calvino, André Biéler

Maximiliano Mendes disse...

Li uma boa parte do livro, o que li achei muito bom, o estilo da Coulter é divertido, ela é muito flamer hehe.

O próprio William Dembski a auxiliou na parte de críticas ao evolucionismo.

E pra quem tiver interesse, estou traduzindo (oficialmente autorizado) artigos do Discovery Institute sobre o Design Inteligente, quem tiver interesse, visite:

http://crentinho.wordpress.com

Abraços a todos e fiquem com Deus.

Dr. Dawson disse...

Caro Rev. Augustus,
venho aqui dizer de minha satisfação por tê-lo conhecido neste domingo na primeira IPR e tê-lo ouvido pregar. É bom ouvir a exposição das Escrituras sendo feita de forma tão clara, objetiva e cativante. É uma pena, contudo, que raramente se veja isso nos púlpitos: nem nos "nossos" nem nos "dos outros" (falo assim porque tenho alguma vivência com ambos). Meu desejo é que seu trabalho ainda frutifique por muitos anos. Um forte abraço

Anônimo disse...

Amigos,

Estou de volta a São Paulo, mas ainda de férias. Agradeço as contribuições substanciais de vários leitores, que transformaram esse post numa verdadeira sala de aula sobre economia, política e mais, tudo à luz da Palavra de Deus.

Dawson, obrigado, foi bom estar com você pessoalmente.

Maximiliano, que bom achar mais um que gostou do livro da Coulter. Estou vendo a possibilidade de traduzi-lo, pelo menos na parte que trata do evolucionismo.

Um abraço.

Cicero disse...

Caro Rev Augustus, É sempre muito bom me dirigir ao senhor. Espero que com sua familia esteja bem, de férias creio que sim. Sou pastor da IPB de Caceres MT, sou cunhado do Rev Adailton. Estivemos juntos um dia destes em Cuiaba.
A minha questão, não é minha pra ser honesto, as vezes posto numa comunidade neo-ortodoxa, e claro, contra os posicionamentos dos progressitas, e lá estão dizendo que seu comentario sobre o referido livro é, contra as minorias, contra as mulheres e contra o proprio proximo. Gostaria, por gentileza, do seu pronunciamento sobre, pois como lhe conheço sei que não é verdadeiro o que lá postulam, mas usam isto pra firmarem suas opiniões liberais, atacando o senhor, tendo em vista atacar a todos que pensam da mesma forma. Muito obrigado por vossa preciosa atenção. Em Cristo. Rev. Cicero.

Anônimo disse...

Caro Rev. Cicero,

Obrigado pelo comentário. Estou de volta a São Paulo, embora ainda de férias.

Acerca do que está sendo dito de meu post sobre o livro de Coulter -- que é anti-mulheres, anti-minorias e anti-próximos:

1) Não vejo como citar uma pesquisa científica que mostra diferentes habilidades do homem e da mulher em determinadas áreas do saber implique em ser contra a mulher. Liberais gostam de reagir aos fatos com xingamento, já que não têm argumentos contra os fatos. Se eu fosse contra a mulher, não teria dado destaque positivo ao livro de Ann Coulter.

2) Não sei a que minorias os meus críticos se referem na lista que vc frequenta. Deve ser aos homossexuais, que são mencionados no meu post. Mas, não vejo como mencionar o fato comprovado de que a AIDS continua sendo um virus que predomina na comunidade homossexual (pelo menos nos Estados Unidos) implique em ser contra homossexuais. Na verdade, sou contra a idéia de que o homossexualismo é inato e genético porque não existe qualquer comprovação científica e bíblica para isso.

3) Quanto a ser contra o próximo, confesso que essa me pegou: não tenho a menor idéia a que se referem. Provavelmente é mais xingamento, arma predileta dos neo-ortodoxos e liberais quando se vêem acuados pela realidade.

Um abraço.

Brian Gordon disse...

Rev. Dr. Augustus Nicodemus.

Meu nome é Brian Gordon.
Tive sempre grande respeito pelo senhor e por tudo aquilo que o senhor já disse até ler este blog.

Mas ao perceber a vereda que o senhor e os demais participantes deste blog estão transitando, vou afirmar minha opinião. Se o senhor publicar e considerar minha opinião como diferente, mas respeitosa, escreverei mais sobre o assunto, com maiores pormenores.

Acredito que o problema aqui não é de opinião, não é meramente ideológico. Idéias não matam, homens sim. E alguns têm sido perseguidos e eliminados por causa das suas idéias. Se prevalecerem as idéias desta ilustre ensaista, que parece que têm a sua anuência, Rev. Augustus e Cícero, isto quer dizer que vamos ver emergir:

1) um novo grupo que, à semelhança dos totalitaristas da década de 20, 30 e 40, anunciavam e pesquisavam sobre a prevalência de algumas raças sobre as outras. Lembremos o resultado disto: uma guerra em que 8 milhões de judeus foram mortos, em que o total de mortos foi de 55 milhões de pessoas. O nome dos movimentos? Fascismo, nazismo... Não se supreenda: o que o senhor afirmou noa rtigo é análogo ao que eles defendiam. O dr. Menguele era pesquisador disto tanto quanto são estes que a ensaísta citou e o senhor publicou aqui.

2) Um grupo que estimula a homofobia, em vez de se posicionar respeitosamente diante do diferente. Não é aceitar a homossexualidade, mas respeitar quem a defende. Não acredito nos homossexuais que abrem fogo contra os que são contra eles. E nem contra aqueles que discriminam homossexuais. Os homossexuais têm direito de aceitar as próprias práticas, mas nunca de impô-las aos demais, idem os que se posicionam contra o homossexualismo. Diante da Escritura, não concordo com a prática homossexual, mas não vou por causa disto desejar que os homossexuais morram de AIDS e ou querer ver os bens que os casais homossexuais reúnem juntos sendo entregues a outros que nada tem a ver com eles. É uma questão de justiça, não de concordância... Afirmar que o vírus da AIDS discrimina mesmo é discriminação. Vírus não discriminam ninguém, pessoas sim...

3) Um grupo que quer relegar à mulher um papel inferior ao homem, e isto não mais numa perspectiva cultural, mas numa perspectiva inata. Falei para a minha noiva, que é dez vezes mais inteligente e crente que eu, o que li. Ela perguntou se eu tinha lido isto num site da Igreja Deus é Amor. Quando disse que era uma posição de um doutor presbiteriano formado na América, Holanda e África do Sul, ela perguntou pra mim: por que ele pensa assim? Por acaso eles têm medo que as mulheres sejam mais competentes a ponto de tomar o lugar dele? Respondi:não creio que ele precise disso...

De fato, acredito que o senhor não precisa disto, pois é inteligente. Mas acredito que se tornou intransigente.

Sou da comunidade que o Cícero participa e que foi tratada com as generalizações irônicas do senhor. Saiba que aprendi na Escritura que não devemos dizer palavras torpes e sim unicamente aquelas que forem boas para a edificação, transmitindo graça aos que ouvem. Não sou neo-ortodoxo, nem liberal: muito pelo contrário. Mas procuro me posicionar com justiça, sem sucumbir à tentação de acusar 7.050 pessoas (o número de membros da comunidade) por causa das palavras de um, a quem tenho admiração mas errou, o Rev. Cícero (já disse a ele na comunidade). O que ele passou para o senhor não corresponde à verdade porque não é simples oposição devido às diferenças pessoais, e nem ataques ao Cícero com o objetivo de atingir o senhor. Na realidade o que choca é um artigo que trata dos assuntos de maneira generalizante e às vezes preconceituosa (o que importa se ela é loura e usa mini-saia? Esta brincadeira é de péssimo gosto). Ofende-me a afirmação de pesquisas (que não foram devidamente citadas pelo senhor, diga-se de passagem), ignorando que estas não são maiores que a Escritura, as quais o senhor defende com tanta veemência. As Escrituras ensinam a igualdade diante de Deus (todos somos pecadores e carentes da graça), e o resto é detalhe. Todos devemos viver para a glória de Deus... A Escritura ensina o papel da mulher, mas é muito perigoso afirmar ser ela menos capaz com base numa pesquisa (a qual não pode ser conferida porque não foi devidamente citada). Não entendo ser correto generalizar assim, afirmando que opositores são xingadores, que não tem fundametação. O senhor nem se deu o trabalho de conferir as informações que o Rev. Cícero lhe passou. A Bíblia afirma, e são palavras de Jesus: Não julgueis segundo a aparência, mas segundo a reta justiça".

Vou colocar abaixo o que disse em relação ao seu comentário:

"Comentando os comentários do Rev. Dr. Augustus
"1) Não vejo como citar uma pesquisa científica que mostra diferentes habilidades do homem e da mulher em determinadas áreas do saber implique em ser contra a mulher. Liberais gostam de reagir aos fatos com xingamento, já que não têm argumentos contra os fatos. Se eu fosse contra a mulher, não teria dado destaque positivo ao livro de Ann Coulter."

Não acho que ele é contra a mulher porque citou uma pesquisa. Afirmo que ele age com preconceito porque só citou ESTA pesquisa. Se de fato a ciência vira deus quando convém, e vira o diabo quando convém... e se há apenas uma pesquisa sobre o assunto no mundo. Aí vou dizer: A Palavra de Deus é a palavra do Nicodemus. Porque ele mesmo afirmou que o cientificismo evolucionista é ruim, e as teses de Harvard e Cambridge citadas são boas. Logo, só é válido aquilo que o Nicodemus acha que é válido? As pesquisas viraram dogmas quando assim convém? Quem foram os pesquisadores? Onde ela foi publicada? Quais os métodos? Nada disso foi dito, mas vira verdade se o Dr. Nicodemus fala?

E é fácil dizer que liberais gostam de xingar. Nunca disse um único palavrão aqui, procuro embasar todas as minhas posições e só não faço melhor porque faço tudo isto aqui às pressas, citando tudo de memória a maioria das vezes e digitando muito rapidamente. Mas sou, para ele - segundo suas palavras - apenas um liberal xingador e sem fundamentação...

"2) Não sei a que minorias os meus críticos se referem na lista que vc frequenta. Deve ser aos homossexuais, que são mencionados no meu post. Mas, não vejo como mencionar o fato comprovado de que a AIDS continua sendo um virus que predomina na comunidade homossexual (pelo menos nos Estados Unidos) implique em ser contra homossexuais. Na verdade, sou contra a idéia de que o homossexualismo é inato e genético porque não existe qualquer comprovação científica e bíblica para isso."

Não está na citação em si o problema, mas em atrelar este fato a um possível juízo de Deus... e afirmar que aqueles que estão longe de Deus, os liberais, estão cooperando para a morte de pessoas e estimulando o homossexualismo. Penso que, tendo origem genética ou não, não é salutar ser homossexual. Mas isto é um pensamento meu, é uma opinião que não me impede de ter amigos homossexuais que comem na minha casa, que são pessoas do meu convívio e que reputo serem pessoas de bem. Quando o Dr afirma que estes tais precisam de conversão, concordo. Quando afirma que é preciso tratar a homossexualidade à luz das Escrituras, concordo. Mas quando cita uma pesquisa para demonstram um determinismo na transmissão do vírus, e deixa implícito nisto a velha história de que o pecado está trazendo conseqüências, acho que isto é preconceito e acredito que este tesma requereria um pouco mais de cuidado e respeito...
"3) Quanto a ser contra o próximo, confesso que essa me pegou: não tenho a menor idéia a que se referem. Provavelmente é mais xingamento, arma predileta dos neo-ortodoxos e liberais quando se vêem acuados pela realidade."
Ué!!! Culpa do Cícero, que deveria mandar os posts, e não generalizar...
E no mais, se os liberais são burros que só sabem xingar, e nós (inclusive eu) somos coitados liberais, logo deveríamos nos converter ao projeto deles. Qual é o projeto deles?
CENTRALIZAR A EDUCAÇÃO TEOLÓGICA NAS PRÓPRIAS MÃOS - TOTALITARISMO EDUCACIONAL
CENTRALIZAR O PODER DA IGREJA NAS MÃOS - TOTALITARISMO ADMINISTRATIVO
CENTRALIZAR O PODER ECONÔMICO NAS MÃOS - LEIA-SE MACKENZIE - TOTALITARISMO ECONÔMICO
CENTRALIZAR OS MEIOS DE COMUNICAÇÃO DA IGREJA NAS SUAS MÃOS - LEIA-SE JORNAL BRASIL PRESBITERIANO E MÍDIAS DA IGREJA - TOTALITARISMO DA INFORMAÇÃO
NOMEAR OS ADVERSÁRIOS COM TÍTULOS DESONROSOS E QUE GEREM REJEIÇÃO - LEIA-SE O TERMO "LIBERAL", ATRELANDO ESTA IDÉIA À MORTE DO CRISTIANISMO DA EUROPA - TOTALITARISMO IDEOLÓGICO

É ISTO QUE A GENTE QUER?
SERÁ QUE MEIA DÚZIA DE SORRISOS E CARGOS NOS COMPRARÃO?

Logo, se quiser saber mais, leia os posts... Entre lá na comunidade, o senhor é nosso convidado! Mas espero que não se dirija mais assim, pois acredito que isto é tão ruim quanto agir como muitos agem contra o senhor: pelas costas e sem fundamentação.

Abraços sinceros e esperanças de resposta da sua parte

Anônimo disse...

Brian Gordon,

Agradeço que teve respeito por mim e pelo que escrevo ao menos até ler o blog. Espero que apesar de não me respeitar mais, ao menos mantenha a porta aberta para ler o que respondo aqui.

Como você viu, publiquei seu comentário. Aliás, você deve ter notado que costumamos publicar comentários de pessoas que pensam diferente de nós, atitude que liberais e neo-ortodoxos não costumam manter para com aqueles que consideram fundamentalistas.

Você tem razão quando diz que homens matam e que alguns têm sido perseguidos e eliminados por suas idéias. A lista moderna está repleta de cristãos que têm perdido emprego, sido discriminados e perseguidos com processos na justiça por terem ousado tomar posição ao lado das verdades bíblicas em ambientes hostis. Em universidades públicas e privadas, ambientes de trabalho... ai de quem defender algo que não seja politicamente correto e que seja parte da agenda liberal-humanista-esquerdista.

Sobre a ilustre ensaísta Ann Coulter, é verdade que concordo com várias das suas idéias. Se você leu meu post, verá todavia que não lhe dei anuência total.

Minha resposta ao Cícero foi em cima do que ele afirmou. Se você acha que o Cícero foi desonesto, inexato, parcial, etc., esse é um assunto interno entre vocês. No blog não costumo verificar nem a identidade de quem faz comentários – publicamos dezenas de comentários anônimos. Procuramos responder segundo o critério da bona fide. Todo mundo está falando a verdade até prova em contrário.

Admito que não dei muitas informações sobre as pesquisas, autoridades citadas, até porque é um blog, um diário na internet, que não se pretende trabalho acadêmico. Todavia, citei a fonte onde essas coisas podem ser encontradas, que é o livro de Ann Coulter. Se você se der ao trabalho de ler, encontrará lá as referências bibliográficas das informações citadas.

Sr. Gordon, sua irritação não tem razão de ser. Não afirmei nada no artigo que soa análogo ao que foi defendido pelos defensores da prevalência racial. O que eu escrevi foi:

“Toda vez que a ciência contradiz algum dogma da sua religião, os liberais estão prontos a reagir, protestar, desautorizar e renegar o valor das pesquisas e conclusões. Fizeram isso quando pesquisas científicas feitas por cientistas de Harvard, Cambridge e outros, mostraram que o QI das pessoas é genético (isso desbanca o dogma da igualdade de todas as raças por causa da evolução)”.

Os autores da mais importante dessas pesquisas são Richard J. Herrnstain, professor de Harvard, e Charles Murray, cientista político. A pesquisa foi publicada na forma de livro em 1994, e é o resultado de 8 anos de estudos em cima de dados fornecidos por uma agência federal americana sobre a inteligência dos jovens (NLSY). Poucos anos após a publicação do livro, que afirma entre outras coisas que QI é genético, a Sociedade Americana de Psicologia publicou um relatório sobre o conteúdo do livro admitindo a verdade das suas principais conclusões.

Mas, esse não é meu ponto. Meu ponto no post foi que, a ser verdadeira essa tese, ela é uma evidência a mais contra a teoria da evolução, a religião dos liberais, que condenaram e detonaram o livro. Daí a inferir que eu estou apoiando a supremacia racial e a limpeza étnica vai uma grande distância. No máximo, eu poderia ver como uma comprovação da verdade bíblica que Deus criou as pessoas de maneira diferente, a julgar no mínimo pelas óbvias diferenças que se percebe nas pessoas de diferentes raças e culturas. Isso em nada afeta a minha crença que todos os homens são iguais diante de Deus porque foram criados à sua imagem e semelhança – que se você tivesse realmente lido o que eu escrevo saberia que é o que acredito.

Bom, eu também mencionei:

“... o vírus da AIDS discrimina mesmo, atacando gays em 90% dos casos comprovados de AIDS (isso ameaça o dogma que ser gay é normal e natural e até desejável).”

Está baseada num relatório de 1992 do Ministério da Saúde – Centro de Controle de Doenças dos Estados Unidos, que indica que em mais de 1 milhão de casos de infecção de AIDS, somente 2.391 dos registrados foi transmitido por heterossexuais – e isso inclui transfusão de sangue. O mesmo relatório repetiu números praticamente idênticos em 2004. Pode contestar, se quiser.

Mais uma vez, você me atribuiu mais coisas do que devido e totalmente perdeu de vista o meu ponto. Meu ponto não foi promover a discriminação de gays ou hemofobia, mas mostrar que o argumento de que a AIDS ataca igualmente gays e heterossexuais (e que portanto ser gay é tão normal quanto heterossexual) é falso. Quando eu disse que o vírus da AIDS discrimina, quis dizer que ele predomina entre os homossexuais, como uma leitura em contexto da frase vai mostrar. Também não vejo como você possa inferir que eu deseje que homossexuais morram. Pessoalmente, penso bem parecido com você quanto a discordar da homossexualidade e respeitar os homossexuais.

Finalmente, você responde à minha citação do presidente de Harvard, Larry Summers, que homens e mulheres têm diferentes aptidões inatas em matemática e engenharia com uma citação de sua noiva. Desculpe-me, mas você a expôs ao fazer isso, pois agora terei de dizer que por mais inteligente que ela seja, fico com a opinião do presidente de Harvard.

E por fim, é evidentemente que sua indignação contra mim e a sua argumentação, não traz nada concreto nem substancial que efetivamente contradiga ou responda os argumentos de Coulter. É apenas discordar por discordar. Você discorda porque discorda. Tudo bem. É um direito que não lhe neguei ao publicar seu comentário.

As generalizações irônicas com que você diz que eu tratei a sua comunidade, só pode ser essa aqui:

“Quanto a ser contra o próximo, confesso que essa me pegou: não tenho a menor idéia a que se referem. Provavelmente é mais xingamento, arma predileta dos neo-ortodoxos e liberais quando se vêem acuados pela realidade.”

Isto está muito longe de ser palavras torpes e muito menos um libelo contra mais de 7.000 pessoas. No máximo, contra aquelas que injustamente me acusaram disso. Palavras torpes são aquelas com que liberais e neo-ortodoxos libertinos nos tratam em outras comunidades, no Orkut e em comentários enviados ao nosso blog, por vezes impublicáveis pelo baixo calão dos termos. Cícero me disse que estavam dizendo que eu era contra a mulher, contra as minorias e contra o próximo. Assumindo que essas coisas são verdadeiras, e considerando o que eu escrevi, onde não há nada disso, só resta a conclusão de xingamento mesmo.

Mas, xingamento é o que você escreve em letras maiúsculas ao final do seu comentário, caluniosamente acusando a IPB e o Mackenzie de um monte de coisas que nem chegam perto do que eu mencionei em meu post contra os liberais. O que a IPB e o Mackenzie tem a ver com essa discussão?

Retribuo-lhe as mesmas palavras da Bíblia que você citou: não julgueis segundo as aparências, mas segundo a reta justiça.

Obrigado por seu convite para entrar na sua comunidade, mas não pretendo me alongar nessa discussão por absoluta falta de tempo e de preocupação com o que as pessoas dizem a meu respeito. E da mesma forma que você pediu que eu não “mais me dirigisse assim” lhe faço o mesmo pedido: respeite a IPB e o Mackenzie, que você não conhece.

Um abraço.

Felipe Fanuel disse...

Sr. Nicodemus,
Li sua postagem, mas tenho dificuldade em aceitar rótulos como "liberais", "conservadores", "fundamentalistas", "esquerdistas" e etecetera, porque isso acaba criando categorias de pessoas. Creio que, em se falando de ser humano, há mais heterogeneidade do que homogeneidade de idéias. Pensar de um jeito diferente do outro não nos faz menor ou maior do que ninguém. Eu acredito que todos somos iguais e diferentes ao mesmo tempo. Não podemos nos limitar a classificações reducionistas que nos enquadram em um rótulo ou outro. "Esquerdista" é um termo complicado para ser adotado num país onde um clássico esquerdista diz que quando se torna mais velho, a tendência é de ser mais centrista. Acho que o brasileiro tem um modo de ser muito diferente daquele para o qual a senhora Ann Coulter está falando. Trazer a cosmovisão da religião civil americana para os cristãos do país seria forçar-nos a viver no ostracismo social. A nossa cultura é mais inclusiva, mais aberta e tolerante. Ao ler seu artigo, senti mais um americanismo republicano do que qualquer coisa. Eu penso diferente do senhor, mas respeito que tenha direito de defender suas idéias. Eu creio que há bons cristãos que são a favor de algumas idéias contra as quais a senhora Coulter está se dirigindo. Sou contra trazer a guerra americana entre liberais e fundamentalistas para dentro de um país como o Brasil, onde as pessoas tendem a aceitar as diferenças. Creio ser possível, sim, a convivência de pessoas que, por mais opostas que sejam, convivem juntas e contribuem para a construção de um mundo melhor. Ainda que eu seja diferente do senhor, admiro seu trabalho e desejo-lhe muito sucesso nas suas empreitadas, cujo esforço tem despertado o frágil protestantismo brasileiro — pelo menos o histórico — a refletir mais sobre sua situação alienada no cenário nacional.
Fique na paz!

Anônimo disse...

Sr. Felipe Fanuel,

Obrigado por seu comentário. Tive a curiosidade de ver seu profile e seu blog. Acho que as diferenças que temos se devem a nossas diferentes premissas teológicas, ideológicas e filosóficas. Ou seja, são duas visões de mundo bem diferentes.

De qualquer forma:

1) Tb não gosto muito de rótulos, mas não temos como viver sem eles. O próprio Senhor Jesus e seus apóstolos continuamente se referiram a categorias de pessoas, como por exemplo, "filhos do diabo", "filhos de Deus", "justos", "ímpios", etc. etc. O amigo igualmente falou do "republicanismo americano". É praticamente impossível não usar rótulos, não é mesmo?

2) Discordo que haja mais heterogeneidade do que homogeneidade de idéias. Após ter morado em vários lugares do Brasil, Estados Unidos, África e Holanda, além de ter visitado dezenas de outros países, sou mais otimista do que você quanto à unidade do pensamento dos homens -- sem negar, é óbvio, que exista pluralidade. A imagem de Deus em todos os homens, a graça comum, nossa origem comum... tudo isso contribui para que um brasileiro como eu possa viver, digamos, em Ghana, na África, e ali compreender e ser compreendido.

3) Concordo que "pensar de um jeito diferente do outro não nos faz menor ou maior do que ninguém". Mas também acho que existe o certo e o errado e que pessoas pensam certo e outras pensam errado. Aqui também discordamos quanto aos pressupostos, pois creio que você, a julgar pelo seu blog, é um pouco mais pluralista e relativista, a ponto de achar que não pode se autodefinir.

4) Eu sei que Ann Coulter está falando para o público americano. Eu disse isso no meu blog e fiz qualificações. Como você, que gosta de rock, música clássica e filmes estrangeiros, não tenho problema em aprender com outras culturas.

5) Não pretendo trazer a guerra "americana" entre fundamentalistas e liberais para o Brasil pelo motivo simples de que ela já chegou aqui antes de mim. Talvez com outros protagonistas e outros rótulos...


Obrigado, sinceramente, pelas palavras de apoio e consideração. Receba meu abraço amigo.

Augustus

Norma disse...
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Norma disse...
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Norma disse...

Pr. Brian Gordon... O formato do seu comentário me impressionou muito, ainda mais sabendo que é pastor. É um dos piores que já vi nessa minha longa vida de blogueira. Pelo menos aparentemente, você começou o texto de modo polido, embora – infelizmente, isso é típico - não tenha apresentado argumento algum, só a eterna queixa dos politicamente corretos, baseada na premissa que poderia se enunciar (pateticamente) assim: "Você deveria pensar como nós, sua insignificante exceção da exceção!" É, eu sei que os politicamente corretos gostam de choramingar como as vítimas oprimidas da opinião dominante, mas há tempos quem domina toda a mídia, a educação e a cultura são vocês. Esses choramingos são só camuflagem: totalitarismo da vítima, para usar uma palavrinha muito presente em seu texto. Além dos choramingos usuais, ainda houve os insultos de praxe, claro, pulverizados aqui e ali, que associam o pensamento conservador ao nazismo, ao fascismo, ao machismo, à intolerância - coisa de quem não leu e prefere xingar a se informar. Tudo típico, muito típico. E tudo isso com verniz de boa educação, cáspite.

Agora, o verniz se desfez até o momento em que o tão nobre debatedor perdeu a compostura e irrompeu aos GRITOS - maiúsculas na internet são gritos, aprenda - com acusações que nada têm a ver com Ann Coulter, e tão graves que Augustus poderia até processá-lo. E se lhe digo as coisas tão diretamente aqui neste blog que nem é o meu, é porque sua atitude de polidez fingida realmente me indignou; não a acho digna de um pastor. Perdoe-me, mas espero que a minha sinceridade o estimule a expressar-se mais sinceramente também.

Norma disse...

Só para acrescentar: o machismo e a intolerância que Brian Gordon viu no texto da Ann Coulter e no post do Augustus só existem na cabeça dele. Ann Coulter e os americanos conservadores se levantam de modo veemente NÃO contra as mulheres, mas contra as feministas aguerridas que acham que podem suprimir o macho e substituí-lo (leia Mike Adams) (e não, mulher não é igual ao homem - em algumas coisas, um é melhor que o outro, e graças a Deus); NÃO contra os gays, mas contra o agressivo e criminalizante lobby gay; NÃO contra os negros, mas contra o racismo da affirmative action (leia Thomas Sowell). Não saber isso é ignorar totalmente a cultura americana atual. Esses grupos politicamente corretos parecem defender uma bandeira justa, mas na prática fazem de tudo para piorar a tensão entre homens e mulheres, negros e brancos, heteros e homos, reduzindo tudo à dicotomia marxista opressor X oprimindo e acabando com a possibilidade de diálogo saudável entre os diferentes. Como você, eu também discordo da prática homossexual mas respeito os gays, trato-os muito bem e tenho amizade com alguns deles; só não posso respeitar a posição do lobista gay intolerante que me chama de "homofóbica" por eu ser cristã e crer na Bíblia.

A predominância da leitura politicamente correta impede a interpretação textual adequada. Nesse caso, o esquerdista convicto precisa deixar os preconceitos de lado, informar-se mais sobre o debate americano, ler os conservadores. Nem que seja só para combatê-los melhor, coisa que Cícero e Brian Gordon passou muito longe de fazer em suas palavras.

Norma disse...

Opa, pressa é fogo! Passaram dois errinhos no meu último comment. Então, corrigindo:

- opressor X oprimido
- Cícero e Brian Gordon passaram muito longe de fazer com suas palavras

Zelo de revisora. :-)
Obrigada, Augustus.

Eliot D. Chambers disse...

Augustus, deixe-me comentar o chilique do Brian Gordon.

”CENTRALIZAR A EDUCAÇÃO TEOLÓGICA NAS PRÓPRIAS MÃOS - TOTALITARISMO EDUCACIONAL”

Os liberais-esquerdistas já fizeram isso no mundo inteiro, em todos os ramos da educação, há pelos menos 1 século. Ou vai dizer que as universidades são fábricas de cristãos?

“CENTRALIZAR O PODER DA IGREJA NAS MÃOS - TOTALITARISMO ADMINISTRATIVO”

Não gosta da estrutura da sua denominação? A porta da rua é a serventia da casa. Não são vocês os universalistas?

”CENTRALIZAR O PODER ECONÔMICO NAS MÃOS - LEIA-SE MACKENZIE - TOTALITARISMO ECONÔMICO”

Olha só quem fala de “centralizar poder econômico”! Isso sempre foi e sempre será o sonho de todo esquerdista. E tá infeliz com a Mackenzie? Monte a sua. Ou a livre iniciativa é algo tão abjeto assim para você.

”CENTRALIZAR OS MEIOS DE COMUNICAÇÃO DA IGREJA NAS SUAS MÃOS - LEIA-SE JORNAL BRASIL PRESBITERIANO E MÍDIAS DA IGREJA - TOTALITARISMO DA INFORMAÇÃO”

Não montou teu site ainda porquê?

“NOMEAR OS ADVERSÁRIOS COM TÍTULOS DESONROSOS E QUE GEREM REJEIÇÃO - LEIA-SE O TERMO "LIBERAL", ATRELANDO ESTA IDÉIA À MORTE DO CRISTIANISMO DA EUROPA - TOTALITARISMO IDEOLÓGICO”

”HÁ HÁ HÁ! Teve a cara de pau de associar conservadores e anti-comunistas cristãos com nazistas e fascistas e ainda vem com esse tipo de chilique. Nazistas e fascistas sempre foram estatistas, anti-capitalistas (nacional-SOCIALISMO alemão, lembra?), relativistas e tinham repulsa de tudo aquilo associado a judeus (Auschwitz, lembra?, Herr Gordon) e cristãos (a influência de Nietzsche sobre Hitler não lhe diz nada?).

“Não sou apenas o vencedor do marxismo [...] sou seu realizador.Aprendi muito com o marxismo e não pretendo escondê-lo [...]. O que despertou interesse nos marxistas e me forneceu ensinamentos foram seus métodos. Eu, simplesmente, levei a sério o que essas mentes de pequenos comerciantes e secretárias haviam vislumbrado timidamente.''

Declaração de Hitler a Hermann Rausching, no livro ''A Grande Parada'', de Jean-François Revel. Pág. 101, cap.7.

Portanto, se há gente próxima dos nazistas em termos de ideologia, são os esquerdistas. Não os conservadores.

“É ISTO QUE A GENTE QUER?”

Sim, é tudo isto. E estão sendo, infelizmente, muito bem sucedidos. Ao que me parece, só a Mackenzie não (totalmente) está tomada pela esquerdalha.

“SERÁ QUE MEIA DÚZIA DE SORRISOS E CARGOS NOS COMPRARÃO? “

Vocês se vendem por muito menos. Reelegeram Lula...

Augustus, se de fato esse pessoal quer mostrar o liberalismo teológico e o esquerdismo como correntes relevantes intelectualmente, pelo visto ainda tem muito chão para andar. No caso do Brian, a incoerência e a incapacidade de se comportar decentemente só evidenciam uma coisa: que ele ainda está engatinhando. Nem o termo “totalitarismo” ele sabe o que significa...

Presumo que hajam liberais-esquerdistas melhorzinhos por aí, não?

Abraço, Augustus!

Felipe Fanuel disse...

Sr. Nicodemus,
Agradeço-lhe pela atenção, pelos esclarecimentos e pela recepção no seu blog.

Entendo suas colocações e concordo que "as diferenças que temos se devem a nossas diferentes premissas teológicas, ideológicas e filosóficas."

De qualquer maneira, os moderadores deste blog estão de parabéns por não se fecharem a receber opiniões diferentes.

Forte abraço.

Brian Gordon disse...

Caríssimo Dr. Nicodemus:

Eu só me dignarei a responder mais incisivamente aos comentários sobre a minha pessoa. As idéias emitidas sobre mim, as respeito, concordo com muitas e acredito que meus equívocos, que muitos, podem ser corrigidos. E naquilo que estou certo, ainda que ninguém aqui pontue, está dito e não vou repetir – Deus o sabe. Mandei uma resposta ao senhor, Dr. Nicodemus, mas talvez o senhor não tenha recebido, por isto estou mandando mais uma vez logo após este post.

Afirmar que sou o pior pastor não é uma inverdade. Pelo contrário: eu provavelmente o sou. Mas sou pastor, pela graça de Deus. Não me ocupo de praticamente nada mais exceto o cuidado com as pessoas. A minha preocupação em toda esta discussão é apontar para todos aqui que as idéias aqui presentes – as quais já descrevi e argumentei (ainda que os bajuladores do senhor afirmem que são vazios meus argumentos) – são preocupações de pastor (de um mau pastor, diga-se de passagem). Afinal, acredito que são preocupações que partem de quem não tem a mínima condição intelectual para fazer uma argumentação convincente, mas são argumentos que têm valor na dimensão do cuidado espiritual, das graves implicações que estas afirmações do texto do blog (que atingem homossexuais, mulheres e etnias) terão sem não passarem pela discussão e pelo crivo da contra-argumentação. Balançar a cabeça e dizer apenas sim a tudo é a melhor resposta? Acho que não.

Permita-me, Rev., dirigir-me diretamente à Norma. Não sou o melhor pastor, você acertou, irmã. Não sou digno de desatar a correia de suas sandálias. Talvez para muitos eu seja vazio, acuse levianamente e tenha argumentos frágeis. Mas se há uma verdade em minhas palavras, uma sequer, que esta sirva para todos assumirem outra posição: a de abrir-se para opiniões diferentes.


E no mais, Norma, é melhor ser o pior pastor do que não poder ser pastor(a) por uma questão de gênero, não é?

Abraços a todos – na expectativa de que os senhores continuem a me ajudar a entender como a mente de vocês funciona e a me apontar o caminho de suas reflexões. E desejo que um dia o árbitro em nossos corações seja o amor.

Norma disse...

Retratando-me...

Acho que eu fiquei tão tonta com o texto imenso do Pr. Brian que acabei colocando o Pr. Cicero no bolo. Mas, de fato, Pr. Cicero não escreveu nada semelhante ao outro. (E aquele verbo no singular devia ser uma espécie de ato falho que estava mais para correto que falho...)

De modo que fica aqui meu pedido público de desculpas. :-)

Obrigada, Augustus, mais uma vez - estou com a vaga sensação de ter falado demais no seu espaço... :-D

Augustus Nicodemus disse...

Caro Pr. Brian,

Publiquei seu comentário como seu direito de responder às menções pessoais que lhe foram feitas.

Eu recebi sua tréplica, mas aqui no blog não prolongo as discussões, especialmente com quem não sabe discutir sem gritar e fazer acusações como o sr. fez. Creio que publicar sua réplica foi justo o bastante. Vamos encerrar por aqui.

Um abraço do colega pastor,
Augustus

Norma disse...

Augustus, deixe-me pôr a derradeira pá de cal no assunto:

O problema não é o que se discute, mas como se discute.

Homossexualismo, papel da mulher na igreja, tudo isso pode ser discutido; mas os dois lados precisam de certa contenção para não deixar as indignações saírem na frente derrubando tudo.

O prezado pastor Brian há de verificar, com a cabeça fria, que critiquei sua atitude aqui sem fazer juízos de valor - sobre ser "mau pastor" ou não; quem sou eu, aliás, para julgar!

Mas é dureza pedir uma boa interpretação textual de quem já chega irritado a ponto de confundir apoio e amizade com bajulação.

Abraços, e melhores debates para todos da próxima vez!

Brian Gordon disse...

Pr. Nicodemus e Norma...

Ok! Pá de cal lançada... entre mortos e feridos, todos salvos. E acima de tudo, abraços a todos os irmãos e irmãs.

Obrigado pela publicação da minha humilde opinião, pelas exortações e pelos pedidos/aceitações das desculpas.

Anônimo disse...

Olá Augustus,
aproveito esse espaço para pedir o seu posicionamento sobre dois assuntos, visto que é o único meio de eu contactar você.
Sou pastor da IPI do Brasil e, há poucos dias, a Assembléia Geral da Igreja aprovou a validade do batismo católico (fim da necessidade de rebatismo se o neoconvertido solicitar) e, o que me parece um erro maior, a participação de crianças na Ceia.
Se puder, assim que tiver acesso a todas informações, escreva um post sobre esse tema.
Agradecido,
Abç
EEC
eec.monteiro@hotmail.com