domingo, março 16, 2008

Solano Portela

O Estudo da Teologia e as Escrituras

Estudar teologia não é uma área segregada à academia teológica; não pertence à esfera de intelectuais maçantes que se preocupam em descobrir e firmar termos técnicos incompreensíveis aos demais mortais; não é monopólio daqueles que escrevem livros meramente para adquirir a respeitabilidade e admiração de seus colegas docentes; nem pertence a mosteiros anacrônicos, que procuram se aproximar de Deus distanciando-se do mundo que Ele criou. Mas é tarefa de todas as pessoas – quer elas reconheçam esse dever, quer não. É simplesmente pesquisar no lugar correto sobre a pessoa de Deus através do estudo do que ele é, e do que ele faz.

Ter uma compreensão teológica adequada, extraída da fonte correta, sobre a pessoa e os atos de Deus, é o que nos coloca no rumo do reconhecimento e glorificação da Sua Pessoa. Essa compreensão das coisas que podemos aprender sobre a divindade, tem que ser sedimentada nos corações pelo poder soberano do Espírito Santo e correlacionada com as atividades do dia-a-dia, pelo poder salvador de Cristo Jesus – Criador e centro da Criação. Isso é o que dá sentido à nossa existência e é o que nos aproxima da nossa finalidade original, que foi distorcida e desviada pelo pecado. É a ante-sala da eternidade, aqui na terra.

Existe, portanto, a propriedade do estudo desta área de conhecimento. Deve ser reconhecida, também, a centralidade do estudo da teologia, na gama de conhecimentos disponíveis ao homem. Estudar teologia é algo importante para que compreendamos a vida e o nosso papel nela. Teologia, em seu conceito, é o summum bonum do pensar: nada a excede em importância e relevância e todas as pessoas, quaisquer que sejam as suas carreiras ou profissões, deveriam estar envolvidas nesse estudo. Essa atividade intelectual não é antagônica nem contraditória à verdadeira piedade e devoção a Deus. Muitos, é verdade, advertem contra o estudo da teologia. Vários a contrapõem à piedade cristã; e ainda outros acham que o muito estudar afasta de Deus. Mas a realidade é que esse pensar é fruto do “espírito anti-intelectual dessa geração”, que “tem se infiltrado de tal maneira na igreja, que eles recusam a crer que alguma atividade intelectual possua valor intrínseco”.[1] É preciso, entretanto, nadar contra a corrente e resgatar um estudo lógico, profundo, sistemático sobre o Deus verdadeiro.

Tudo isso começa com uma compreensão da doutrina das Escrituras. Com a verificação e aceitação que elas são Palavra de Deus, a base de tudo que se possa compreender sobre as demais doutrinas. A Confissão de Fé de Westminster tem essa progressão lógica. As doutrinas de Deus, do Homem, de Cristo, e da Salvação são estudadas após as estacas estarem firmadas na Palavra Inspirada. A partir dessa fonte é que elas são apresentadas Para o estudo da teologia é necessário, portanto, o saudável apreço pela Escritura; pelo lugar básico do meio de comunicação de Deus para com as pessoas – a Bíblia – como fonte do conhecimento religioso e como lugar onde encontramos as respostas às questões principais relacionadas com o nosso propósito e nosso destino.

Precisamos fugir do subjetivismo que tem mirrado as mentes cristãs, e voltarmos à revelação proposicional e objetiva da Palavra de Deus. Não podemos nos deslumbrar ou nos enganar com a pretensa super-espiritualidade contemporânea, que pretendendo estar mais próxima de Deus em um enlevo místico-misterioso, no qual dialoga-se com Deus, recebe-se revelações; fala-se muito em amor, em vida, em ministério, em pregação, em poder, em maravilhas, em atividades, em louvor; enquanto que progressiva e paralelamente há demonstração de afastamento e desprezo para com a única fonte de revelação objetiva que Deus nos legou: As Sagradas Escrituras.

As Escrituras não se constituem em uma mera compilação ou registros das formulações e reflexos do pensar teológico humano, ao longo dos tempos. A Bíblia não representa a apreensão subjetiva, e estritamente humana, de comunidades “lucanas”, “petrinas”, “paulinas” – eivadas de erros, mitos e cacoetes próprios, que precisam ser “descontruídos” para se chegar ao cerne de uma mensagem desfigurada e anacrônica. Muitos livros existem que tratam a Bíblia dessa maneira. O liberalismo teológico tem tomado de assalto diversos segmentos da igreja cristã. Tais trabalhos não servem ao proveito real de ninguém, a não ser à suposta intelectualidade dos autores, antigos e contemporâneos, que assim pretendem se colocar como juizes sobre os textos inspirados. A Bíblia é a palavra inspirada de Deus – merecedora de toda confiabilidade; livre de erro; fonte confiável de instrução ao homem sobre Deus e seus atos criativos, de justiça e redentivos, na história.

O estudo da Teologia constitui-se em uma abordagem objetiva, sistemática e lógica dos dados encontrados nas Escrituras e esse tipo de estudo anda por demais ausente do chamado evangelicalismo. Vivemos em meio a um mar de posições amorfas e pseudo-amorosas que inundam o campo editorial cristão e, com muita intensidade, até o reformado. É necessário trabalhar com propriedade os textos, conceitos e doutrinas e laborar em lógica de pensar – algo perdido e raro entre os evangélicos. É necessário que tenhamos mais vozes que defendam clara e apaixonadamente a infalibilidade das Escrituras.

Temos que apreciar esse papel fundamental da Bíblia. Os reformadores, no século XVI, compreenderam isso. A fé reformada procura fazer com que a interpretação das escrituras seja a mais objetiva possível, de tal forma que o elemento subjetivo esteja sempre sujeito à visão mais transparente e proposicional do texto. Nesse sentido, o resgate do Sola Scriptura, na Reforma, e o re-ensinar da doutrina do sacerdócio universal dos crentes – que, além de outras implicações, nos autoriza a ir até a Bíblia e verificar o que Deus nos falou através de seus autores inspirados, foi passo gigantesco no mundo do subjetivismo e do misticismo em que havia mergulhado a igreja medieval.

Os cristãos não podem se render ao ressurgimento contemporâneo dessa situação eclesiástica, dominada por mentes teológicas atrofiadas, vendidas ao misticismo e subjetivismo, presente em tantas formas cúlticas e de louvor de igrejas, ou de “comunidades” cristãs. Não podemos nos esquecer que Paulo, em Romanos 12.1-2, diz que Deus quer de nós o nosso “culto racional”, com a “renovação da nossa mente”, para que “experimentemos...”. Ou seja, a experiência deve estar subjugada ao entendimento. Mesmo que a racionalidade esteja ausente do nosso meio; mesmo que o subjetivismo esteja patente, com a negação das Escrituras como única fonte confiável de conhecimento religioso; mesmo que inúmeras pessoas passem a dar importância ao direcionamento que “sentem”, ao “recebimento” de revelações e profecias; devemos permanecer racional e firmemente alicerçados na Palavra e sempre considerar bem-vindas obras e livros que tenham essa mesma abordagem e compreensão.

Devemos ser estimulados a pensar e a defender a nossa compreensão e convicções – ou a modificá-las, quando sentirmos o peso da argumentação bíblica e assim formos direcionados pelo soberano Espírito Santo de Deus.

Solano Portela
--------------------------
[1] Introdução à Teologia sistemática de Vincent Cheung (São Paulo: Arte Editorial, 2008), p. 5, cujo prefácio escrevi. Aquele prefácio serviu de base, com adaptações, para este ensaio. Apesar de minha discordância com Cheung em alguns escritos seus, este livro (Introdução...) é um livro estimulante e que demonstra apreço pela Palavra de Deus.

Ilustração: Sala de Teologia do Strahovský Klášter de Malá Strana, na cidade de Praga .

Solano Portela

Postado por Solano Portela.

Sobre os autores:

Dr. Augustus Nicodemus (@augustuslopes) é atualmentepastor da Primeira Igreja Presbiteriana de Goiânia, vice-presidente do Supremo Concílio da Igreja Presbiteriana doBrasil e presidente da Junta de Educação Teológica da IPB.

O Prof. Solano Portela prega e ensina na Igreja Presbiteriana de Santo Amaro, onde tem uma classe dominical, que aborda as doutrinas contidas na Confissão de Fé de Westminster.

O Dr. Mauro Meister (@mfmeister) iniciou a plantação daIgreja Presbiteriana da Barra Funda.

20 comentários

comentários
17/3/08 12:06 delete

Amado irmão Solano,

obrigado pela postagem e percepão.

Infelizmente as igrejas acham que o estudo atrapalha a vida com Deus e a acadêmia acha que a vida com Deus atrapalha o estudo.

Na história da igreja assistimos irmãos na fé que conciliavam esse dois elementos combastante harmônia e assim que entendo que devemos viver a nossa fé.

Também acredito que o estudo deve moldar a mente e o coraão para crermos da forma correta (como revelada nas Escrituras- ortodoxia) e desenvolver uma vida de intimidade c/Deus (piedade e devoção).

Deus abençoe o irmão,
Juan

Responder
avatar
Julio
AUTOR
17/3/08 12:50 delete

Caro Solano,
Gostaria de saber um pouco mais a respeito deste autor, Vicent Cheung, que o senhor fez o prefácio da sua obra.
Tenho lido vários artigos do citado autor e algumas posições dele são bem "problemáticas".
Pergunto ao irmão informações sobre o mesmo, porque nada é conhecido deste autor. Em sua página em inglês não existe citações sobre a formação acadêmica, ou Igreja, ou uma única foto deste indivíduo.
Como o senhor fez o prefácio, acredito que deva ter feito tendo o mínimo de informações sobre ele. Caso possa, gostaria de solicitar estas informações com os demais irmãos,
Fraternalmente,
julio Melo

Responder
avatar
Gilberto Sampaio
AUTOR
17/3/08 15:21 delete

Sempre costumo disser que o estudo teologico é um esforço que parece inutil, a nossa mente humana limitada, procurando conhecer sobre o Deus infinito.É uma tarefa fadada a nunca alcançar um final digo que nisso Deus é louvado, pois mesmo nós sabendo que jamais nesta vida o conheceremo plenamente, seguimos sem medir esforços nessa peregrinação, para louvor e gloria do Seu nome. Muitos estudam teologia tão somente para combater, particularmente prefiro estuda-la para conhecer mais do meu Senhor, por amor a Ele que me salvou! o restante é consequencia.

Responder
avatar
Anônimo
AUTOR
17/3/08 19:31 delete

Graça e Paz do Senhor Jesus Cristo.

Caro Presb. Solano Portela

Primeiramente, gostaria de agradecer pelo texto publicado aqui, visto que esta éa nossa realidade hoje.

Concordo plenamente com o irmão Juan de Paula, hoje os Cristãos acham que o estudo teológico significa afastar-se de Deus, algo que causa um esfriamento da vida espiritual ou seja um empecilho que nos distancia do Criador, acredito que essas pessoas não leram Calvino quando o mesmo diz que o Conhecimento do Senhor gera Culto. Vez por outra sou inquerido por irmãos e irmãs que dizem que sou louco de querer ir para o seminário, pois acham que vou perder minha comunhão com Deus pelo fato do labor teológico causar uma espécie de enrigecimento espiritual perdendo assim a percepção do Espirito Santo.

As pessoas não entendem quão a merce estão hoje de linhas heréticas que assaltam as igrejas com toda sorte de corrupção e acabam estragando as vidas das pessoas com uma teologia falsa que leva a uma piedade falsa.

Devemos resgatar nossas origens, olhar um pouco para o passado e ver os grandes temas da reforma que eram pregados e voltar a falar dos mesmos em nossos púlpitos.

Trazer a mente das pessoas a realidade, pois hoje com o romantismo evangelical, criam um Deus completamente diferente daquele que as Escrituras Sagradas retratam (Calvino em Institutas I pag. 61 edição especial diz: O coração fiel não inventa um deus ao seu gosto, mas põe a sua atenção no único Deus verdadeiro, e não lhe atribui o que lhe parece bom, mas se alegra com o que Deus lhe é revelado) , preferem confiar em seus sentimentos do que na revelação especial divina nas Escrituras Sagradas, lamentavelmente trocam o certo pelo errado.

Mas também devemos ver o outro lado da moeda onde homens que estudam tanto e que não têm uma vida conforme a doutrina, digo pessoas que só ficam em uma pseudo-ortodoxia, limitam-se apenas no conhecimento intelectualizado e esquecem da ortopraxia, em uma vida piedosa que este conhecimento do Criador deve gerar nos corações. Creio que ortodoxia e ortopraxia devem andar juntos para que a Teologia que pregamos não seja uma mera filosofia religiosa, e sim um transformador de pessoas.

Definitivamente Sola Scriptura deve ser pregada com enfase em nossos púlpitos, mas que seja ela acompanhada da Sola Gratia, Sola Fide, Solus Christus e Soli Deo Gloria.

Que o protestantismo atual possa sair desta periferia teológica que vive e ir até as nascentes da sabedoria divina e fazer a diferença neste mundo relativizado que vivemos. Mostrar o absoluto das verdades das Escrituras Sagradas. Mostrar que o único caminho é Jesus Cristo e não suas vãs filosofias.

Que Deus nos ajude.

Em Cristo,

André Geske

Responder
avatar
17/3/08 22:42 delete

Caro Juan:
Obrigado pelo comentário. Essa conjunção de erudição e piedade é o grande segredo, mas também a fonte de onde se extrai a erudição teológica, senão dá tudo errado.

Caro Júlio:
Tenho acompanhado os escritos dele pela Internet. Sei pouco sobre sua biografia. Conheço alguns de seus amigos no Brasil que me pediram para prefaciar o livro. Li o livro, achei-o estimulante e interessante, principalmente por prezar a Bíblia como fonte de conhecimento teológico e religioso (como faz a Confissão de Fé de Westminster). Concordei em escrever o prefácio, no qual coloquei um dos meus pontos de discordância com ele (não encontrado no livro, mas em outros escritos). É o que posso adiantar. Não dou aval sem qualificação para tudo que ele escreve, mas ele nos faz pensar, o que já é um rande mérito, nessa época de nanismo intelectual.

Caro Gilberto: Realmente, pode parecer tentativa fútil e frustrante, mas é o próprio Deus comunicador (talvez um dia eu escreva sobre esse aspecto - "Teologia da Comunicação") que se revela a nós e se compraz quando estudamos sobre Ele e sobre Seus feitos. Como você diz, nesta vida não temos conhecimento exaustivo, ele e finito, mas o que nos é dado conhecer é conhecimento verdadeiro. Se negamos isso, caimos no "agnosticismo cristão" do desespero.

Caro André: Obrigado, também, pelo comentário. A grande culpada pelas teologias heréticas é a questão das fontes. Por exemplo: d onde extraímos esses "tratados", ultra detalhados, sobre espíritos territoriais; com as nomenclaturas e classificações desses demônios; formas de afastá-los do campo, para preparar o caminho de Jesus; etc., etc. - certamente não das Escrituras, mas de pontificações pessoais e de muitas supostas "revelações" improváveis. Semelhantemente, de onde a teologia liberal extrai suas diretrizes? De uma premissa falsa, quando coloca a mente humana como se situando acima da revelação, em condições de agir como juiz desta, na aceitação e rejeição do que se enquadra em grade pré-estabelecida. Você bem cita Calvino - o Deus verdadeiro não é aquele criado ao gosto do homem, ainda que muitos deuses sejam assim gerados.

Um abraço a todos,

Solano

Responder
avatar
Jorge
AUTOR
18/3/08 18:22 delete

Prezado Solano,

Em pouco mais de três anos de conversão, tenho ouvido muitos crentes dizerem-se aversos à teologia. O argumento mais usual (e distorcido) é afirmar que a "letra mata", e o espírito vivifica, abrindo espaço para todo tipo de sandice dita "espiritual" que abunda nas igrejas. Talvez, pelo pouco convívio com as Escrituras, a falta de senso crítico, e o estímulo que muitos líderes imprimem à experiência pessoal (acentuado pela ignorância teológica deles próprios), os crentes, de uma forma geral, opõem-se ao zelo que os irmãos de Beréia tinham, preferindo aceitar de "bom grado" tudo o que lhes é proposto sem examinar as Escrituras.
Como o irmão afirmou, o conhecimento de Deus passou a ser subjetivo, e cada um pode tê-lo a seu modo, facilitado pelo completo desconhecimento doutrinário; amoldando-o a qualquer recipiente blasfemo e herético.
Por outro lado, parte disso é culpa dos acadêmicos (muitos deles inconvertidos, e educados em seminários e faculdades nitidamente opositores da Verdade), que tratam o estudo da Bíblia com mais frieza do que um legista dissecando um cadáver. Por isso, prefiro autores que conciliam doutrina com doxologia, ao estilo de Lloyd-Jones, John Owen, Mackintosh, Spurgeon, Jonathan Edwards, Arthur Pink, Piper... Guardadas as devidas proporções, eles tentam repetir o que Paulo fazia divinamente inspirado.
Enquanto isso, os Warrens, Malafaias, Alves, Mclarens e Yansens da vida ganham cada vez mais espaço nas livrarias e nas estantes dos cristãos, porque o que eles fazem é meio que anestesiar a consciência, um inibidor que impede as pessoas de pensarem como cristãos (os quais devem ter a mente de Cristo, transformados pelo Evangelho; e não mantidos em coma pelo humanismo/secularismo/místico com que são "tratados"), tornando-as em zumbis intelectuais.
Portanto, parabenizo-o pelo texto, orando para que Deus levante mais líderes que preguem e reverenciem a Sua santa Palavra.
Abraços.
Jorge Fernandes Silva
dosty@oi.com.br

Responder
avatar
19/3/08 02:16 delete

Caro Jorge:

Obrigado pelo lúcido comentário. A verdadeira teologia estará sempre associada à devoção genuína. Por outro lado, o misticismo inconsequente, não nos leva a Deus em caminhos que diferem do que eles nos revela, em sua Palavra.

Abs

Solano

Responder
avatar
Eduardo
AUTOR
19/3/08 16:33 delete

Caro Solano

Apesar de não ser o assunto do post peço que veja na Wikipédia o tema Puritanismo (http://pt.wikipedia.org/wiki/Puritanismo)
Seria bom que vocês do Tempora colaborassem e editassem o texto: está péssimo.

Um abraço

Eduardo

Responder
avatar
19/3/08 22:02 delete

Caro Júlio Melo:

Ainda sobre sua pergunta, um amigo me enviou partes de uma correspondência mantida com o Cheung, na qual ele fala sobre ele mesmo. Vou "colar" os textos. Pedi permissão ao interlocutor, e o que você vai ler, abaixo, é -

Cheung por Cheung:

Doutrina:
"Estou, essencialmente, de acordo com a Confissão de Fé de Westminster e as Três Formas de Unidade. Em lugares onde eu pareço discordar, as diferenças são principalmente em palavras e expressões, e não em substância".

O que faz:
"Com respeito aos vínculos e responsabilidades, este ministério está lutando para fundar igrejas em várias partes do mundo. Neste momento, estamos tentando estabelecer um pequeno grupo de pessoas bem-treinadas e bem-instruídas, sobre o qual poderemos ser capazes de construir algo maior. Neste momento, todos os aspectos deste ministério estão debaixo do nome: 'Ministério de Reforma Internacional'".

O que pretende fazer:
"À medida que nossa visão vai se tornando realidade, designaremos deveres pastorais principalmente para os pastores treinados por mim e por outras pessoas neste ministério, enquanto eu colocarei a minha concentração sobre a obra, no sentido de ser um dos professores/teólogos residentes, e ocasionalmente realizarei outros deveres pastorais. Embora eu tenha pastoreado adultos de vez em quando, desde quase imediatamente após minha conversão, eu treinarei mais e mais outros para pastorear, de forma que eu possa estudar, escrever e palestrar".

O ministério e aspectos denominacionais:
"Este aspecto do ministério, de construir-igrejas, ainda está nos estágios primários, e visto que somos muito limitados em recursos, isto ainda não tem sido muito feito. Somos abertos e mantemos ampla comunhão com todas as igrejas e crentes que verdadeiramente afirmam a Confissão de Fé de Westminster e/ou as Três Formas de Unidade, bem como com os Batistas Reformados. Temos comunhão também como outros que indicam professar o cristianismo, mas avaliamos isso caso a caso, dependendo das diferenças".

Estrutura eclesiástica:
"Nossa estrutura de autoridade é Presbiteriana. Nós não temos nenhum problema em respeitar ou até mesmo em agir de acordo com todas as decisões que procedem verdadeiramente das Escrituras e até mesmo com algumas meramente práticas, de outros grupos ou denominações reformadas. Entretanto, em função dos nossos distintivos doutrinários e direcionais, nos reservamos, tão somente, o direito de discordar, e de chegar às nossas próprias conclusões na doutrina e na prática. O fato de termos nossa própria organização é somente por causa da consciência e conveniência, e também por causa da minha própria história pessoal e de como este ministério se desenvolveu (incluindo circunstâncias singulares sob as quais as pessoas deste ministério se reuniram), e não por causa de um desprezo pelas igrejas e denominações contemporâneas. A exceção disso é configurada naquelas que apostataram".

Sobre a pluralidade de presbíteros:
"Nosso governo espiritual consiste em uma pluralidade de presbíteros. Contudo, neste momento, legalmente falando, eu possuo considerável poder dentro da organização, mais do que aquele que um presbítero teria neste tipo de organização. Entretanto, é uma organização relativamente nova e esta deve ser apenas uma fase transitória. Estamos tentando educar pessoas, e estas já estão prontas, para que assumam uma maior responsabilidade, antes de transferir a autoridade a outras pessoas dignas de confiança".

Vida Pessoal:
Meus pais nunca foram religiosos, mas até onde eu posso lembrar, eu sabia o seguinte: 1. Há um Deus; 2. O homem é pecador; 3. O homem necessita de um salvador; 4. Deus providenciou um salvador. Eu não me lembro de ninguém ter me dito algo disto, mas eu sabia. Contudo, eu não sabia o nome deste salvador que Deus tinha providenciado. Além disso, estou quase certo de que eu não era convertido naquela época".

Na Escola:
"Então, quando estava no terceiro ano do Fundamental, pedi à minha mãe para comprar uma Bíblia em inglês pra mim. Comecei estudando a Bíblia, indo à igreja, e ouvindo sermões neste tempo por até 12 horas ao dia, todos os dias, até hoje. Contudo, tudo de bom sobre minha teologia, provavelmente não veio deste primeiro "treinamento", visto que a maioria dos sermões que eu ouvia era muito ruim. Mas da minha própria leitura da Bíblia pude construir uma base fundamental de conhecimento bíblico".

Conversão:
Estou quase certo de que eu não fui convertido até os meus 16 anos, penso que foi com a leitura de João 7:37-38: "E no último dia, o grande dia da festa, Jesus pôs-se em pé, e clamou, dizendo: Se alguém tem sede, venha a mim, e beba. Quem crê em mim, como diz a Escritura, rios de água viva correrão do seu ventre". Após minha conversão aos 16, comecei imediatamente a pregar e liderar um grupo de estudo bíblico. Desde o início até agora tenho pregado principalmente a adultos".

Vida Universitária e Teologia:
Fui aluno da Universidade de Boston, mas não estudei teologia ali. Antes, quando cheguei à teologia, eu era o que você pode chamar de "auto-didata" ou "auto-ensinado". Continuei a estudar teologia por mim mesmo por até 12 horas todos os dias. Isto foi possível mesmo durante meus anos escolares, pois eu ouvia palestras de seminários durante as refeições, lia comentários enquanto caminhava entre uma aula e outra, e estudava textos de teologia durante as aulas. Mas isto, não porque eu ignorava meu trabalho escolar, visto que me graduei com honras desde a escola elementar até à universidade. Desde então, o Senhor tem me dado recursos para continuar meus estudos, de forma que tenho, em minha biblioteca pessoal, cerca de mais de 10.000 volumes".

Programa de Rádio:
Foi no começo de meus dias na Universidade de Boston que comecei meu próprio programa de rádio local, chamado "A Voz de Deus" (como na Bíblia=a voz de Deus). Penso que tinha aproximadamente 19 anos naquela época. Era uma rádio de ondas curtas por um tempo, antes de eu mudar o programa para a estação local. Foi também aproximadamente nesta época que publiquei meu primeiro livro. Mais tarde cancelei o programa, pois não o considerei eficaz em termos de custo-benefício".

Palestras:
"Gravei centenas de palestras, das quais mais de 150 foram usadas para ficar disponíveis como downloads gratuitos no meu web site. Mas então, tive que cortar custos para este ministério (hospedar estas muitas gravações era muito caro), e, de qualquer jeito, fiquei insatisfeito com alguns de meus primeiros sermões e palestras. Desde então, tenho percebido as muitas vantagens da escrita, e essa é a razão pela qual escrevi todos os materiais do web site, durante os vários anos passados. Todavia, à medida que novas gravações tornarem-se disponíveis, e quando a situação financeira deste ministério melhorar no futuro, espero fazer um "upload" de alguns dos meus sermões e palestras novamente, para as pessoas baixar".

Teologia Reformada:
"Não comecei sendo reformado, mas me convenci após muito estudo e meditação. Mas durante o curso do meu estudo, percebi que sempre fui um calvinista no coração, desde minha conversão, mas que era um arminiano na confissão. Isto é, eu cria como um calvinista, mas ensinava como um arminiano. Eu penso que isto era devido ao fato de eu ser verdadeiramente convertido (assim, calvinista no coração), mas ensinado erroneamente (assim, arminiano na confissão). Então, quanto tomei tempo para estudar o assunto, não foi difícil fazer a mudança, visto que minha confissão vinha contradizendo o que eu cria em primeiro lugar. Eu tenho vários episódios interessantes sobre o curso da minha vida cristã, alguns relacionados com a fé reformada, alguns não. Mas isto terá que esperar até outra hora".

Idade:
"Acabei de completar 28 anos (2005). A maioria dos materiais que você vê no meu web site foi desenvolvida a partir dos meus 24 anos. Os materiais mais antigos (e, portanto, de qualidade inferior) foram desenvolvidos entre os meus 16 a 21 anos".

Como se vê:
"Até onde eu sei, a maioria daqueles que lêem os meus livros, pensam que eu sou um gênio ou completamente insano. Mas, ficarei muito satisfeito se você continuar me considerando um irmão cristão fiel"!
--------------
Bom, é o que eu posso suprir de informação.

Solano

Responder
avatar
Julio Melo
AUTOR
20/3/08 11:33 delete

Caro Solano,
Tenho muito respeito e admiração pelo seu ministério e o considero um homem conhecedor da Palavra de Deus e piedoso em seu caminhar. Foi por causa disto que resolvi questionar sobre o Vincent Cheng diretamente ao senhor.
Muito interessante estas colocações sobre o referido autor, entretanto me parece este relato mais uma exaltação do mesmo do que informações úteis para que possamos conhecê-lo.
Alguns pontos a destacar:
Porque uma Bíblia em Inglês? Não é ele americano?
Sobre o ministério dele, 'Ministério de Reforma Internacional', não consigo encontrar nada sobre o mesmo.
Auto-didata e nenhuma informação sobre sua formação acadêmica secular em Boston.
Uma nova Igreja? Sobre a autoridade de quem se encontra este irmão?
Começou a pregar assim que foi convertido? Maturidade, conhecimento, etc?
Prezado Solano, faço estas indagações pois é evidente que o irmão tem exercido uma enorme influência sobre algumas pessoas em nosso país, trazendo discussões antigas como se elas fossem novas e causando uma profunda divisão em nosso meio.
Mais do que polêmica, desejo esclarecer dúvidas sobre o referido autor, para que possamos compreender qual é seu objetivo.
Fraternalmente,
Julio Melo

Responder
avatar
20/3/08 11:56 delete

Meu Caro Júlio:

Não vou conseguir esclarecer suas dúvidas, algumas das quais, você concordará, são bem pequenas (Bíblia em inglês? --> presumo que o sobrenome indica que talvez inglês não tenha sido a língua falada no lar; minha esposa é canadense, mas seus pais eram imigrantes holandeses ao Canadá. A língua que ela falou até os seis anos foi o holandês. O inglês veio depois).

Procurei apresentar o que ele diz de si, que me chegou às mãos. Não vou entrar em polêmica, defendendo A PESSOA.

Escrevi o prefácio de um livro que li e gostei, ou seja, examinei os méritos do trabalho. Coloquei meus pontos discordância, igualmente, no prefácio, sobre alguns pontos de outros escritos com os quais tive contato. Quem tiver acesso ao livro, ficará ciente deles.

Acho a verificação e suas pergntas legítimas, mas não me sinto chamdo ou em condições de realizar todas investigações possíveis, ou ter todas as respostas sobre o ministério daquele irmão.

Um abraço fraterno,

Solano

Responder
avatar
Julio Melo
AUTOR
20/3/08 13:14 delete

Caro Solano,
Obrigado por tentar, na medida do possível, dirimir as minhas questões.
Peço desculpa pela insistência no tema. Se em algum momento fui impertinente com o senhor, perdoe-me.
Que Deus possa abençoar ao senhor e sua família e que o seu ministério possa ser ricamente abençoado pelo Senhor.

Fraternalmente,
Julio Melo

Responder
avatar
Norma
AUTOR
20/3/08 13:39 delete

Parabéns pelo post, Solano!

A coisa mais linda, quando submetemos nossa vida a Deus e a Sua Palavra, é que ficamos livres da moderna tirania do subjetivismo, que manda ser e fazer somente aquilo que temos vontade de ser e fazer. Essa liberdade é maravilhosa e nos faz descobrir nossa verdadeira subjetividade somente em Deus. Quem dera os paladinos da "liberdade" moderna pudesse descobrir essa liberdade verdadeira!

Grande abraço!!!

Responder
avatar
Anônimo
AUTOR
20/3/08 16:47 delete

Prezados Senhores, alguém poderia me indicar um bom capetólogo?

Sim, pois, o inimigo está em toda parte e é necessário conhecer melhor sua forma de agir.

Estamos formando muitos teólogos e de tanto se falar sobre os mesmos assuntos (predestinção/livre-arbítrio - TULIP´as - reformado/ s/reforma - tradicionais/ pentecas/ neo-pentecas - cessacionistas/ continuístas - amilenista / pós-tribulacionistas ... etc.. etc...).

E o Capeta? Quem vai dizer como agi o Capeta? Como vão identificar o Capeta se não sabem como ele agi?

Já tá passando da hora de se fazer uma "Capetologia Sistemática" não acham ?

De tanto se estudar "teologia", surgem as heresias !

Agora tá na hora de ver um dos principais focos dos grandes problemas, miremos o CAPETA !!!

João Bosco
Uberlândia - MG
Abraço Portela.

Responder
avatar
21/3/08 01:01 delete

Caro Júlio; Não há por que pedir desculpas. Está tudo bem. Acho que você entendeu que não vou poder ter todas as respostas, cujas perguntas correspondentes continuam legítimas. Um abraço! Solano.

Cara Norma: Grato pela visita. Bela conexão feita entre mergulhar no subjetivismo de Deus ou escravizar-nos ao subjetivismo humano. O primeiro, liberta e nos dá objetividade de vida.

Caro João Bosco - O que mais existe por aí são capetólogos e deles, os capetas estão ganhando... O melhor, mesmo, é estudar a Bíblia, em vez dos livros de capetologia!

Responder
avatar
21/3/08 03:03 delete

Caro Julio Melo,

Tentando responder suas perguntas:

Muito interessante estas colocações sobre o referido autor, entretanto me parece este relato mais uma exaltação do mesmo do que informações úteis para que possamos conhecê-lo.

Não vi nenhum tipo de exaltação no relato. Ele simplesmente respondeu as perguntas que eu e outros irmãos fizemos. Desejávamos uma resposta verdadeira, e não uma "modéstia" desnecessária.

Porque uma Bíblia em Inglês? Não é ele americano?

Não, como o sobrenome indica, ele é chinês. Nasceu em Hong Kong. Ele citou isso por considera algo maravilhoso na providência de Deus, pois quando solicitou tal Bíblia para a sua mãe, ainda morava na China, e nem sonhava que viria a pregar, ensinar e escrever exclusivamente em inglês.

Sobre o ministério dele, 'Ministério de Reforma Internacional', não consigo encontrar nada sobre o mesmo.

Como ele disse, o ministério é novo e pequeno, e se você procurou pelo termo em português, com certeza não achou muita coisa. Acho (e apenas acho) que ele desistiu de continuar esse ministério, pois no site dele não existe mais nenhuma referência ao mesmo, e o endereço da página oficial dele mudou.

Auto-didata e nenhuma informação sobre sua formação acadêmica secular em Boston.

Solano não detém todos os e-mails que troquei com ele. Ele se formou em Economia na Universidade de Boston.

Uma nova Igreja? Sobre a autoridade de quem se encontra este irmão?

Não sei, e não gosto do surgimento contínuo de novas igrejas. Contudo, consideremos que nos Estados Unidos existem inúmeras igrejas que abraçam o homossexualismo, liberalismo, etc.; portanto, nada mais comum do que isso por lá. Mas gostaria de dizer que, infelizmente, não vejo tais questionamentos sobre o surgimento de igrejas como a Assembléia de Deus, que surgiu por causa de divisão doutrinária (e herética, como línguas, profecias, etc.) dentro da igreja.

Começou a pregar assim que foi convertido? Maturidade, conhecimento, etc?

Sim, como Spurgeon. Existem muitas pessoas que não são convertidas e que possuem um conhecimento teológico e bíblico maior do que muitos pastores. No caso do Cheung, ele afirmou que vinha estudando a Bíblia bem antes de se converter.

Por fim, sem querer ser chato, acho irrelevante querermos saber sobre a vida de alguém para avaliar os seus ensinos. É legítimo querermos saber por curiosidade, mas não como ferramenta de análise doutrinária.

Um marido e pai exemplar, que ensina que Cristo não era Deus, mas sim um lunático, continua sendo um herege. Da mesma forma, a doutrina da Trindade não é errônea porque vemos alguns padres pedófilos defendendo a mesma com tanta eloqüência quanto Santo Agostinho.

Um abraço,
Felipe Sabino

Responder
avatar
Oliveira
AUTOR
23/3/08 11:21 delete

De minha parte...

Tenho lido Vicent Cheung a partir do material disponibilizado no site Monergismo.

Tem sido arrasador em desconstruir as "heresias" que vinha acumulando durante a minha vida.

Saber que é um jovem, assim como o administrador do site Monergismo me parece ser... só me alegra.

Sobre suas pessoas não sei nem quero saber, mas a mensagem que pregam é a pura Palavra de Deus com ousadia e sem medo de dizer a verdade que as escrituras revelam.

Que Deus abençoe ambos e seus respectivos ministérios e os livre do maligno até aquele dia quando então, talvez eu faça questão de conhecê-los pessoalmente.

Pois aprendi e tenho aprendido muito com ambos.

Responder
avatar
Célio Lima
AUTOR
2/4/08 09:37 delete

Caro irmão Júlio Melo,

Creio ser você a mesma pessoa que cursa o módulo "Soteriologia Objetiva e Subjetiva" do curso de Especialização em Estudos Teológicos do Centro Presbiteriano de Pós-Graduação Andrew Jumper, onde você também já demonstrou o desejo de conhecer melhor sobre a pessoa de Vincent Cheung, bem como determinadas reservas à sua teologia.

De fato, deve-se ser cauteloso em se aceitar de pronto determinadas afirmações.

Porém, penso que a melhor maneira de você conhecer sobre Cheung é ler as sua obras, pelo menos as que estão disponíveis para nós.

Quanto ao fato de Cheung ser desconhecido e autodidata, penso que isso, por si mesmo, não invalida os seus escritos. Afinal, o tão louvado e conhecido Charles Spurgeon também não teve uma formação teológica formal, mas foi um dos homens mais estudiosos de seu tempo. Basta ler as informações sobre a grandiosidade de sua biblioteca pessoal.

Concordar ou discordar da teologia de Cheung é uma questão muito pessoal, mas não deixe que o preconceito seja o principal elemento da avaliação que você faz de seus escritos. Julgue-os pelo seu próprio valor, ou desvalor, se assim você conceber. Aliás, julgue-os pelo padrão normativo das Escrituras Sagradas.

Apenas com o intuito de ser útil,

Do seu conservo em Cristo,

Célio Lima.

Responder
avatar
6/4/08 01:05 delete

Prezado e Nobre Irmão Solano

excelente!! post, a palavra de Deus sempre será o nosso ORACULO, do saber e da vida devocional, Deus te mantenha na sua graça, grande abrç do Irmão,

Demétrius Neves.

Responder
avatar
Joabe
AUTOR
11/5/08 12:01 delete

Caros Irmãos

No post de Felipe Sabino foi dito o seguinte : “não vejo tais questionamentos sobre o surgimento de igrejas como a Assembléia de Deus, que surgiu por causa de divisão doutrinária (e herética, como línguas, profecias, etc.) dentro da igreja”. Acredito que não há esse questionamento porque a Assembléia de Deus não surgiu por conta de Heresia. Se discordar do ensino “oficial” é ser herege, o que dizer de Martinho Lutero ?

Em Cristo,

Joabe

Responder
avatar