segunda-feira, outubro 20, 2008

Solano Portela

A Crise para Leigos: Uma visão cristã do turbilhão financeiro de 2008 (1 de 3)

Como não sou profissional de investimentos de risco, incluo-me na categoria do leigo que tenta entender o furacão financeiro que veio, não tão inesperadamente assim, sobre todo o mundo. Sinais de alerta já existiam há vários meses. Os sismólogos econômicos chamaram atenção para o tsunami configurado no colapso do bolsão imobiliário dos Estados Unidos, há mais de um ano; e os trovadores do caos já cantavam odes de desespero, ecoando os prognósticos pessimistas dos financistas, mesmo antes das bolsas despencarem violentamente neste setembro negro e neste outubro vermelho.

Mas a realidade é que ninguém, mas ninguém mesmo, aquilatou o tamanho da crise financeira que tomou de assalto as manchetes e os noticiários dos últimos dias; crise que assaltou, literalmente, o bolso de milhões de investidores e que vai levando de roldão corporações imensas à falência. Ninguém fez qualquer previsão parecida com as conseqüências conjunturais, que poderão atingir pessoas, comuns, que nunca passaram perto de um mercado de ações; aquelas pessoas que quando ouvem alguém dizer, “a bolsa caiu”, olham ao lado procurando ajudar a mulher que a derrubou no chão.

É possível que todos nós sejamos atingidos, de uma maneira ou de outra, e não devemos nos enganar: essa crise de 2008 pode perturbar nossa vida com muito mais intensidade do que estamos imaginando agora. E não sabemos ainda o fim da história. Em 13 de outubro de 2008, após governos europeus se comprometerem a jogar mais de um trilhão de dólares nas instituições financeiras, houve uma ascensão momentânea nas bolsas e um tênue suspiro de otimismo; mas logo nos dias seguintes as quedas catastróficas vieram a se repetir. Tudo isso atesta a instabilidade inerente a todo o sistema. Instabilidade é, realmente, a palavra da vez e o comportamento dos mercados e das instituições parecendo uma “montanha russa”, ou a queda em um poço que não parece ter fundo, não resulta em nenhuma segurança às empresas e às pessoas.

Como entender o que está acontecendo? Será que isso tem algo, mesmo, a ver comigo? Será que eu não posso simplesmente fazer coro com a maioria: xingar os bancos, as financeiras e os banqueiros, ou os Estados Unidos – como culpados por toda essa desorganização, como fruto de sua ganância desvairada? Será que eu devo clamar por mais regulamentação governamental? Devo “vender” mais um pedaço de minha escassa liberdade ao estado, para que ele decida o que é melhor para minha vida? Será que a Bíblia e os ensinamentos divinos têm algo a dizer, ou a esclarecer sobre esta Crise; ou a me auxiliar no entendimento?

ENTENDENDO A CRISE
1. A Bolha Imobiliária: A essas alturas todos sabem que uma das grandes causas da crise foi o bolsão de negócios imobiliários realizados nos Estados Unidos nos últimos anos. Não estamos falando de grandes cadeias de shopping-centers sendo construídos por empreendedores que merecem cadeia, nem de milhares de prédios inteligentes, construídos por burros de alto-luxo. Mas sim de centenas de milhares de casas construídas e vendidas com um mínimo de critério de crédito (muitas vezes, sem critério), para ávidos compradores pulverizados em todo o território norte-americano. Créditos com a garantia do próprio imóvel, que entravam a preços inflados pelo próprio aquecimento do mercado, mas que nada garantem quando ninguém compra mais nada e os preços despencam.

2. O Abuso dos Créditos de Risco: Nesse ritmo, casas foram vendidas a compradores que, aliciados pelas facilidades e com os olhos vidrados no status, se comprometiam com valores significativamente acima da sua capacidade de pagamento. Pior que isso, pessoas que moravam em casas quase pagas, sendo bombardeadas diariamente e caindo na esparrela de refinanciarem seus imóveis, colocaram no bolso “cash” a ser gasto em Hummers, em relógios e roupas de griffe, em itens totalmente supérfluos às necessidades básicas da vida. Passavam, assim, a dever por suas residências quantia bem maior do que o valor real delas.

3. A alavancagem das instituições Financeiras: Os Bancos financiavam em ritmo crescente, comprometendo-se absurdamente acima do seu patrimônio. O Lehman Brothers, famoso banco que quebrou – suas ações despencaram 98% em valor de um dia para o outro, estava com o patrimônio comprometido – alavancado – em 35 para 1 (emprestou 35 dólares, para cada dólar do seu patrimônio). As carteiras de recebíveis desses empréstimos foram sendo vendidas de banco para banco, cada qual com seus ganhos, ágios e deságios – distanciando-se cada vez mais dos devedores originais. A criatividade dos bancos para aliciar e emprestar foi só superada pela irresponsabilidade e ganância dos tomadores de empréstimos – satisfeitos por acharem quem atendesse os seus anseios. Essa enorme carteira de dívidas de quem não pode pagar constituem o que é chamado de créditos “sub-primes”, e esses papéis corriam de mão em mão no mundo das finanças. Papéis pelos quais se pagavam somas substanciais, mas que no mundo real nada mais valiam. Uma pergunta que não quer calar: Por que bancos emprestam, ou negociam com quem não pode pagar? Resposta – porque essas negociações dão a impressão (e provocam registros) de crescimento do negócio! Os executivos de topo recebem polpudos bônus com o incremento dos negócios! Ganância passa a ser a motivação (e não a saúde financeira, ou perenidade da instituição). Quando a inadimplência começa a aumentar (nesses últimos meses, exponencialmente), o falso crescimento fica evidente, há um brusco retorno à realidade, instala-se a crise!

4. O excesso de dólares no mercado: Por mais atacado e combalido, o dólar continua sendo a moeda internacional. Acredito que um dos grandes incentivadores dos negócios arriscados dos bancos, foi a abundância de dólares nessas instituições, provenientes dos poucos, mas importantes, detentores do negócio de petróleo. Em 1973 o barril de petróleo custava de 6 dólares. Em poucos meses, passou a 14 dólares. O que aconteceu? Ficou mais caro de ser extraído? Foi feito um fundo de reserva para pesquisa e desenvolvimento de veículos ecologicamente corretos e mais eficientes? Não – apenas cartelizou-se o mercado com a fundação da OPEP – Organização dos países produtores de petróleo. Daí para frente, passando a dar as cartas, o mundo viu (e pagou) o preço do barril flutuando entre 15 e 25 dólares, atingindo um pico de 38, em 1981, retroagindo um pouco, mas voltando a ascender gradativamente em 2003. Em 2007 o barril estava a 60 dólares. Em 2008 – o mesmo barril, ou seja, com o mesmo conteúdo (e com os mesmos custos anteriores de produção) atingia 140 dólares! Inflação mundial? Não, exploração de quem detém um mercado cativo; pura e simples ganância! E para onde foi todo esse excesso de dólares, confiscados de cada proprietário de veículo ao redor do mundo? Para melhoria dos povos dos países produtores? Não! A miséria da Venezuela e o despotismo dos países Árabes estão aí de prova que não foi para “distribuição de renda”. Além de alimentar o egocentrismo e tirania de alguns e de ajudar a armar a Venezuela, esses dólares foram para os Bancos. Lá, eles têm que ser remunerados; têm que ser aplicados. Em que? Em qualquer coisa – dêem-me tomadores de dinheiro emprestado, quer eles precisem quer não, pois o dinheiro não pode ficar parado. Financiem-se construções; criem-se mercados; incentivem-se os devedores – a festa começou! Em 16 de outubro de 2008, no meio da corrente crise, depois do estouro da bolha, o barril chegou a 69,85 dólares – metade do preço de alguns meses atrás!

5. Ações acima do valor patrimonial das empresas – Capital fácil flui também para o mercado de ações. “Descola-se” o papel da realidade da empresa. Como o negócio é comprar e vender – e em um mercado de capital frouxo, mais comprar do que vender, os preços começam sua ascensão. Dinheiro é desviado de empresas, onde deveria estar financiando a capacidade produtiva, para especular com a bolsa e outras aplicações de risco. É mais fácil e mais rápido ganhar dinheiro lá, do que vendendo produtos, cuidando de problemas de qualidade, etc. A empresa passa a ser apenas mais uma levantadora de financiamentos, junto à rede bancária e às linhas oficiais de créditos subsidiados – geralmente destinados à exportação, recursos que foram redirecionados ao mercado especulativo. Quando a bolha estoura, as ações sofrem um choque de realidade, voltam inicialmente ao valor patrimonial – mas como não existem compradores, e todos querem vender, pois precisam de dinheiro, elas continuam baixando, sem limites mínimos. Assim, o dinheiro vira pó; as perdas não podem ser repostas; os financiamentos obtidos para especular permanecem pendentes, devendo ser pagos! O resultado são aqueles homenzinhos vestidos de laranja gritando ferozmente uns para os outros, berrando aos celulares, suando em frente aos computadores; olhando hipnotizados àquelas linhas de informações projetadas em telões, criptografadas aos demais mortais, mas que trazem notícias mortais a empresas e pessoas.

6. O estouro da boiada – Só na Espanha existem os loucos que adoram bois raivosos e sem controle chifrando o povo pelas ruas, mas no mundo da economia globalizada, o estouro da boiada é cruel e faz vitimas fatais. No clima de salve-se quem puder, some a confiança. Os Bancos retêm o capital que restou e não emprestam mais aos outros bancos, nem às empresas viciadas em financiamento fácil. Dobram-se as garantias. As empresas têm que produzir duas vezes mais, para gerar bens, que vão gerar papeis, que serão trocados, em financiamentos, por metade ou um terço do valor desses (o restante fica como garantia, pois ninguém sabe se os compradores vão pagar). O dinheiro some do mercado. Não há financiamento da produção e desaparecem os compradores. Resultado: corte de funcionários; inadimplência generalizada – espalha-se a crise a pessoas comuns que nem foram responsáveis por sua geração. O que os bancos, nesse estouro da boiada, estão fazendo com o dinheiro que sobrou? Comprando dólares – letras do tesouro norte-americano (tudo gira, gira e termina nos Estados Unidos). Esses papéis não rendem praticamente nada, mas têm garantia do governo norte-americano e sólida liquidez. Resultado: sobe o dólar; valoriza-se a moeda norte americana; tudo fica mais caro, no mundo.

A CRISE NO BRASIL
Nossas autoridades maiores, empenhadas na tarefa cansativa de providenciar pão e circo ao povo, tentaram cobrir o sol com uma peneira, indicando que mal sentiríamos o peso da crise, por aqui. Afinal, o tsunami chegaria a nossas praias apenas como uma leve “marolinha”. Pura mentira. A crise está conosco, já fazendo muitos estragos:

1. As diferenças: É verdade que nossos bancos não estavam diretamente atrelados àquelas carteiras podres de créditos imobiliários; além disso, o nível de exposição dos bancos brasileiros é drasticamente menor do que no exterior. Diferentemente de um Lehman Brothers (35 para 1) nossos bancos têm uma média de exposição de 4 para 1. Por último, nosso Banco Central tem compulsório para tudo (lastro em moeda que os bancos são obrigados a deixar com o governo para as operações que realizam) – por isso pagamos os juros mais altos do mundo – e isso faz com que haja uma fonte rápida de liquidez, se esses valores forem revertidos ao mercado, via rede bancária.

2. As similaridades e conseqüências comuns: Nesse mundo interligado, todos os bancos possuem operações internacionais e alguns têm no exterior as próprias matrizes. Todos, de uma forma ou de outra, financiam capital que vai para o mercado especulativo: quer no exterior; quer em aplicações cambiais; quer no mercado de ações. Assim, várias empresas – todas essas financiadas por bancos – constatam perdas irrecuperáveis e espetacularmente enormes, como têm sido o caso da Sadia (R$760 milhões), Aracruz (R$1,24 bilhão) e do Grupo Votorantim (R$2 bilhões). Com o mundo, lá fora, parado, nossas exportações desaparecem. A Balança comercial de setembro – que ainda não reflete praticamente nada da crise, já caiu mais de 30% comparando com o mesmo período no ano passado. Isso significa empresas diminuindo de tamanho ou fechando; desemprego; inadimplência; redução dos negócios em todas as áreas. O mercado de ações despenca, como no exterior, estando ele igualmente inflado com os papéis fora da realidade patrimonial de cada empresa. Muitos perdem 50, 60, 75% do dinheiro que aplicaram a apenas alguns meses atrás. Os grandes Bancos “sentam em cima do capital” – não movimentam, não emprestam. Os esforços do governo – em aumentar a circulação de valores na economia, liberando os depósitos compulsórios dos bancos, têm pouco efeito a curto e a médio prazo. Somem os financiamentos a longo prazo que possibilitavam ao brasileiro a compra de um carro novo e outros bens de consumo. Cai o preço dos imóveis, pois não há compradores, nem financiamento. Cai o valor patrimonial dos bancos – as ações de grandes bancos colocadas no mercado externo, como Itaú e Bradesco, caem mais de 20 bilhões (30%) em poucas semanas. Começa um processo de desconfiança na praça e, como no resto do mundo, ninguém sabe ainda o fim desse filme...

3. A alta do dólar: Esse foi o reflexo mais imediato e mais surrealista. Ficamos intrigados - "Mas a crise não foi gerada pelos Estados Unidos; não são eles que estão com problemas; como é que a moeda deles fica forte a nossa vai para o espaço"? Exatamente porque valores não estão sendo movimentados na economia global e as instituições financeiras procuram o abrigo no dólar e nas garantias do governo americano, ele sobe e se fortalece. Resultado interno, em nosso país: alta intensa, instabilidade, queima de reservas, possível manutenção em um patamar significativamente mais alto do que nos últimos meses. Resultado que sentiremos a curto prazo: aumento de todos os insumos e produtos importados. Prepare-se para gastar mais, quando for à Rua 25 de março!

Daqui a alguns dias postaremos a segunda parte, pesquisando o que a Bíblia tem a nos ensinar sobre a crise de 2008 e os fatores que a precipitaram, bem como sobre qual o papel do governo em tudo isso.

Solano Portela

Postado por Solano Portela.

Sobre os autores:

Dr. Augustus Nicodemus (@augustuslopes) é atualmentepastor da Primeira Igreja Presbiteriana de Goiânia, vice-presidente do Supremo Concílio da Igreja Presbiteriana doBrasil e presidente da Junta de Educação Teológica da IPB.

O Prof. Solano Portela prega e ensina na Igreja Presbiteriana de Santo Amaro, onde tem uma classe dominical, que aborda as doutrinas contidas na Confissão de Fé de Westminster.

O Dr. Mauro Meister (@mfmeister) iniciou a plantação daIgreja Presbiteriana da Barra Funda.

25 comentários

comentários
Danilo Neves
AUTOR
20/10/08 02:45 delete

Gostei muito, Solano, dessa sua abordagem econômica. Que Deus continue te dando esse discernimento!

Além de suas palavras, fico também com o comentário de Carlos Sardenberg da CBN Anhanguera. Ele diz que a palavra que hoje define o desenrolar dessa crise econômica mundial é "imprevisível". Ainda que a História nos ensine (e através dela, Deus também se revela), temos hoje um quadro econômico muito complexo, onde a lógica matemática financeira dos bancos e governos se interage com a forte especulação das grandes corporações e dos investidores.

A crise imobiliária global não pegou o mundo de surpresa e muito menos a sua causa era desconhecida. Logo, o que nos resta pensar é que o crédito podre veio do coração podre do homem. Esse é o ponto de partida! Os números dessa crise traduzem o quão grande é o problema do amor ao dinheiro.

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20/10/08 10:47 delete

Excelente texto. Ajudou-me a compreender melhor a atual crise. Aguardo a segunda parte.

Em todo esse processo destacam-se (1) a Providência divina; (2) a petulância dos investidores que não quiseram dar ouvidos aos alertas que ressoam há mais de uma década (cf. GREIDER, William. O Mundo na Corda Bamba: Como Entender o Crash Global. São Paulo: Geração Editorial); (3) a infantilidade de nossos governantes, que se aproveitam do momento para emitir opiniões ufanistas.

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20/10/08 12:24 delete

Muito bom o texto. Um dos melhores e mais intuitivos para se entender a crise.
Gostaria de parabenizá-lo (e ao Augustus e ao Mauro) pelo blog dos srs.
Gostaria também de aproveitar e pedir autorização de divulgar o link do blog dos srs. em meu blog:
http://ecclesiareformanda.blogspot.com/

Desde já agradeço.
abraços
Soli Deo gloria
Alberto M. de Oliveira

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André Geske
AUTOR
20/10/08 18:37 delete

Presb. Solano

Ótimo texto sobre a crise mundial, muito transparente e que reflete bem a realidade da incomensurável ganancia humana. O que realmente importa é fazer dinheiro e só isso, salve capitalismo. Como disse o sábio a saciedade do rico não deixa dormir. Ec 5:12, creio que muitos estão sem dormir por causa desta crise que nos assola, espero que aprendam a velha lição de não querer abocanhar mais do que agüenta. A gana pelo dinheiro não é a única coisa envolvida em tudo isso e precisamos considerar o poder que muitos desejam devido ao dinheiro proporcionar, cada vez mais estar acima de todos, como citado no texto o caso do despotismo árabe, que maior exemplo o dos EUA quererem ser a maior potência?? E a China, onde está a potência que emergia?? O problema maior é que o pobre acaba pagando o pato. O Rico domina sobre os pobres; e o que toma emprestado é servo de que empresta. Pv 22:7 e mais O que para aumentar o seu lucro oprime o pobre, e dá ao rico, certamente chegará à penúria. Pv 22:16 O fim é certo, alguém vai ficar pobre alguém terá que se quebrar e creio que todos estão vendo isso e como eu estão pensando consigo mesmos 'certamente não serei eu'. Então vão começar a engessar o máximo possível da economia para não se prejudicarem, o pobre, pelo jeito acabará ficando mais pobre, o velho dito 'a corrente arrebenta no elo mais fraco é verossímil.'

Aguardo ansioso a segunda parte do estudo.

Em Cristo,

André Geske

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Naziaseno
AUTOR
20/10/08 19:31 delete

Pb. Solano,
Sou grato pela sua contribuição para entendermos o "sitz im leben" do mundo econômico. Gostaria de receber esclarecimento e saber a sua opinião sobre uma campanha da Associação Billy Grahan que tem sido divulgada nas Igrejas Presbiterianas - "Minha Esperança". Orientei os meus colegas de presbitério sobre o modus operandi e sobre o espírito que norteia a teologia da ação evangelística dessa associação - pragmatismo e arminianismo. Mas disseram-me que a IPB está incentivando - inclusive no seu programa televisivo. O que os irmãos do blog pensam a respeito?

Um abraço

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Rogério
AUTOR
20/10/08 21:07 delete

Pb. Solano,
Muito esclarecedora a sua análise sobre a crise do setor "financeiro". Já que promete uma segunda parte, gostaria que o Senhor abordasse sobre a alta procura européia, especialmente os germânicos, por Marx "O Capital".
Estaria novamente se estabelecendo a bipolaridade entre Capitalismo x Comunismo?
Rogério da Silva Cardoso

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JP
AUTOR
20/10/08 22:21 delete

Prezado Solano

De fato, eu acredito que os a elevada alavancagem e a má avaliação de riscos contribuiram para crise.

Por outro lado, é importante salientar um aspecto. Metemos o pau nas instituições bancárias. Mas se analisarmos os produtos financeiros criados para garantir os empréstimos ao tomadores de alto risco, enquanto os preços estavam subindo, até que eram razoáveis. Ou seja, os bancos nada mais nada menos estavam se arriscando em um negócio que valia a pena. Isso todo mundo sabia que uma ora ia explodir. Mas na subida de preço, o que importa é levar vantagem. E outra, não se tinha noção do tamanho dos podres.

A principal sacada era a diluição dos riscos. Pegando o "lixo" das carteiras e diluindo em carteiras com ativos com menores riscos. O problema é que em determinadas carteiras eram destinadas a empresas criadas para administrá-las, mas quem garantia eram os Bancos. Quando começaram os problemas de calote quem arcavam com os prejuizos eram os bancos.


Indo a sua pergunta: Por que bancos emprestam, ou negociam com quem não pode pagar?

Isso em larga medida se deveu aos produtos criados no mercado para garantir os empréstimos aquelas pessoas de maiores riscos. Não necessariamente essas pessoas não tinham condições de pagar. Deve-se ressaltar tb que o aumento do juros do FED contribui para a inadimplencia.

O mercado é assim, se o negócio dá lucro e a rentabilidade é boa e se sua aversão ao risco é baixa, porque não arriscar. O problema Solano é dar uma caracter moral ao mercado que não existe.

Quanto a análise do dólar e petróleo: Se voce tem poder de conluio porque não realizá-lo. Ora o monopólio garante renda extraordinárias.

E outras assumir riscos faz parte de um sistema de mercado, a questão é o quanto vc se alavanca nesse risco e como ele esta distribuído. Por isso, regras estivessem bem definidas essa situação poderia não ter ocorrido.

Abs
JP

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20/10/08 22:22 delete

Gostaria de mandar o link de um artigo na revista Time, sobre as origens teológicas da crise, advinha quem é?
http://www.time.com/time/business/article/0,8599,1847053,00.html?cnn=yes
Paz

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JP
AUTOR
20/10/08 22:34 delete

Rogério

Isso acaba acontecendo, uma vez que Marx acreditava que o sistema capitalista era inerentemente instável, ou seja, sempre ocorrem crises.
Isso é uma discussão longa, os mais econômicos liberais acreditam que não, os mais intervencionistas sim.
No entanto, mesmo os liberais econômicos acreditam em falhas de mercado e a necessidade de regulação. Agora os intervencionistas, não basta apenas regulação, é necessário intervenção estatal.
Nesse campo as brigas são constantes uma vez que há uma componente ideológica de ambas as partes muito forte.
Quando se tenta travar uma discussão mais técnica..sempre uma das partes fica meio irritada. Uma diz é muito estado, outra diz é uma política neoliberal disfarçada...e assim vai.

Qto a Marx...entanda como um cara que tentou entender o capitalismo. Passou disso....é religião...

Abs
JP

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Anônimo
AUTOR
21/10/08 21:08 delete

Solano,

O que é um Hummer?

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22/10/08 12:08 delete

as críticas à ganância pelo "dinheiro" (que observei nos comentários) devem ser mais bem analisadas. o crédito não simboliza dinheiro, mas moeda fiduciária, essencial e fundamento ao capitalismo moderno. sem crédito não há capitalismo, e "dinheiro" sem capitalismo é falácia marxista de justificativa às cotas de consumo, visto que somente sobrevive se reinvestido por artifícios capitalistas, literalmente de giro de capital (seja especulativo ou real).

ora, a crise de crédito em si, inclusive nessas mesmas proporções, já era esperada. aliás falava-se na pior crise da história do capitalismo moderno (o que não ocorreu, ainda). vejam, o único detalhe subestimado pelos analistas era a valorização constante imobiliária, nunca ocorrida antes nos eua.

warren buffet, o atual homem mais rico do mundo, em 2004 e 2005 'profetizou' que aconteceria inevitável retração dos preços imobiliários, causando rebuliços que lhe deram o apelido de "pessimista"; houve, pelo menos, o aviso de um dos grandes economistas da atualidade.

mas é engraçado observar na mídia a profecia do início da era marxista na economia. parecem-se como o gado que nada aprende senão comer a ração insossa na manhã de cada dia. aliados ao total desconhecimento de capitalismo, esbravejam inutilidades.

não perceberam os marxistas que para se criticar o capitalismo deve-se conhecer economia, como bem marx conhecia, apesar de sua visão ultrapassada do sistema de enriquecimento.

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22/10/08 16:06 delete

Nasiaseno,

Sobre sua pergunta quanto à campanha de Billy Graham que está recebendo divulgação pela IPB. A denominação aprovou uma resolução deixando as igrejas locais livres para participar. É portanto uma questão das igrejas locais. Nenhuma delas está sendo obrigada a participar do evento e da programação.

Um abraço.

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22/10/08 16:43 delete

Parabéns pelo excelente resumo das razões e dos efeitos (atuais e vindouros) da crise mundial. Estou com os outros, esperando a segunda parte!

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22/10/08 23:55 delete

Caros amigos:

Obrigado pelos comentários. Amanhã estarei postando a parte 2. Talvez, no final, ainda haja uma parte 3... Veremos!

Danilo:
Realmente - duas palavras chaves: Imprevisibilidade e Instabilidade. Sobre imprevisibilidade, tratamos um pouco nesse segmento. Sobre estabilidade, falaremos um pouco mais à frente.

Misael:
Um forte abraço. Vou estar ainda mastigando a tese que você me enviou e agradeço as referências. Seus três pontos são bem colocados: providência; petulância; e puerilidade...

Alberto:
Obrigado pelas palavras de estímulo e sinta-se à vontade para divulgar o nosso Blog. Só podemos agradecer por isso.

Caro André:
Obrigado pelos comentários. Certamente muitos, que não são ncessariamente gananciosos, mas são elos fracos na cadeia econômica, poderão sofrer os efeitos dessa crise e necessitam de proteção. A Bíblia dedica especial atenção aos desvalidos e, ainda no Antigo Testamento, estabeleceu um sistema de auxílio e previdência, que dava dignidade aos que precisavam - possibilitando que colhessem das beiradas dos campos, que eram deixadas sem ceifa exatamente para esse propósito. Ou seja, por mais que a ética bíblica salvaguarde vários direitos - inclusive o de propriedade, ela nunca respalda o egoísta ou opressor.

Naziaseno:
Obrigado pelo conato. O Dr. Augustus, creio, respondeu à sua indagação sobre a questão do Billy - que foge consideravelmente ao assunto que estamos abordando. Que Deus o abençoe.

Caro Rogério:
Acho que muitos órfãos de Marx estão prematuramente exultantes, dizendo: "estão vendo? Estávamos certos o tempo todo"! Pura falácia. Marxismo teve amplos e enormes laboratórios, criados à força, para colocar em prática seus experimentos, resultando em falência total (e isso em épocas sem crise, também). Após uma sanha centralizadora e recorrendo a um planejamento central sufocante (de pessoas reais e da economia), conseguiram, no máximo, demonstrar o poder do estado na opressão interna e para consumo externo, bem como gerar uma nomenklatura elitista que emulava o que há de pior no capitalismo. Talvez haja um ressurgimento de interesse, mas acho que é meramente acadêmico. No fim, quem tem olhos para ver enxergará que o problema está no ser humano, caído em pecado, que nao é redimido por sistemas, mas por Cristo. JP identifica bem marxismo enrustido e intenso como uma religião, mas é bom lembrar que a estabilidade dos chamados países marxistas do século passado, era ilusória, como ilusória era a "paz" interna reinante.

Caro JP:
Bem vindo de volta ao Tempora. Acho que é tanto uma questão de definição de regras, como de responsabilização pelos "ousados abusados", que transcedem as regras que nem precisam ser escritas ou explicitadas.

Não acho que a solução é "meter o pau nos Bancos". Mais sobre isso no próximo post.

Agora um ponto a ponderar - muitos créditos podres, no mercado norte-americano, foram "empurrados" em certas instituições (como a Fannie May e a Freddie Mac), exatamente por excesso de regras que tornava quase que impossível a recusa do crédito, mediante ameaças de discriminação. Qual o volume desses? Não sei, mas parece que essa interferência política em operações financeiras não auxiliou muito a atual crise.

Caro Anônimo:
Hummer? Hmmmm... Dê uma pesquisadazinha na Internet, prezado! Até na Wikipaedia tem fotos dele: http://pt.wikipedia.org/wiki/Hummer. São aqueles utilitários de ricos e famosos, construídos em cima de projetos de carros de combate, simbólicos de objetos de desejo dos econômicamente emergentes. Talvez viem peças de museu, nos próximos anos...

Filipe:
Calma! Veja os nossos comentários acima. Concordo que as profecias de uma era marxista é muito mais "wishfull thinking" dos órfãos, do que projeção séria real. Agora que algumas liberdades serão perdidas no processo de ajuste, não tenho dúvidas disso, pois muitos governos (que adoram se expandir) vão tirar muitas "casquinhas". Por exemplo - hoje (22.10.2008) foi assinada medida provisória que permite os bancos oficiais (Caixa e BB) comprarem participação acionária da rede privada bancária. Alguém tem dúvida que esse plano de resgate tupiniquim engloba uma agenda escondida de maior socialização do setor? Vamos acompanhar tudo isso!

Augustus:
Obrigado pela resposta à questão específica.

David:
Obrigado pelo incentivo. Seu Blog (http://mastigue.com/) está muito Bom! Siga em frente!

Abs genéricos, descontraídos e distribuídos sem necessidades de garantias reais a todos,

Solano

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22/10/08 23:55 delete Este comentário foi removido pelo autor.
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Vinícius
AUTOR
23/10/08 02:33 delete

Não precisa ser marxista para entedender que especulação financeira desenfreada e liberalismo total dos mercados gera uma ditadura do capital e uma legitimação do mundo cão, onde os mais fortes sempre vencem. A diferença é que agora estes estão perdendo.

As conseqüências trágicas não estão por vir, mas sim já fazem parte da vida de muita gente há muito tempo.

Quem convive ou sabe um pouco sobre agricultura familiar sabe o que o agronegócio faz há uns 20 anos aqui no interior do PR, por exemplo. Sabe que aqui estão transformando as terras cultiváveis em imensas plantações de fumo ou soja, enquanto em SP é cana. Ou a alta absurda dos preços da comida no mercado da esquina é coincidência?

É claro que tragédias econômicas só viram notícia internacional quando se dão no meio especulativo dos gigantes bancos, mas faz tempo que muitas tragédias ocorrem por aí devido a ganância de seres colonizados intelectualmente, medíocres, engravatados o tempo todo, boa aparência, barba feita, um carro de 100 mil reais, bolsos munidos da última novidade HiTec e um espírito dominado por pragmatismo e utilitarismo desumanos.

E isso não tem absolutamente nada a ver com marxismo, esquerdismo, socialismo do diabo, libertinagem e blá, blá, blá. É só aquilo que tem de mais óbvio na visão de mundo de qualquer cristão que não se limita à ortodoxia, tem coração de gente e vive no Brasil.

Um médico dos Médicos sem Fronteiras ao descrever seu trabalho na Etiópia se perguntou: cadê a mão invisível do mercado? Isso porque a Etiópia exportava toneladas de grãos enquanto ele, o médico, tratava as crianças com desnutrição praticamente hereditária. Vide
http://osdecadentes.blogspot.com/2008/08/
ao-brasil-notcias-da-fome-na-etipia.html
(ou Folha de SP 17/08/08).

e assim caminha a humanidade...

abraços!

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23/10/08 13:49 delete

Solano:

Parabéns pela postagem: texto elegante e muito bem escrito. E olha que você se considera "leigo".

Já o mercado demonstra que "a mão invisível" está com artrite, além de desenvolver um câncer nas juntas.

Um forte abraço.

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23/10/08 23:24 delete

Belo post! Gostaria de contribuir ironicamente com as palavras do DR. RUDL DORNBUSCH, PROFESSOR DO M.I.T. [MASSACHUSETTS INSTITUTE OF TECHNOLOGY]
"A economia dos Estados Unidos, provavelmente, não verá recessão por muitos anos. Não queremos recessão, não precisamos de recessão e como temos as ferramentas para manter a expansão corrente em progressão, não teremos recessão. Esse desenvolvimento continuará para sempre".

Responder
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24/10/08 00:21 delete

Caro Solano:

Elucidativo o seu texto. Fugiu da linguagem complicada do "economês" e deu a nós, simples mortais, que nada temos a ver com Wall Street, mas já estamos sofrendo (assim mesmo, no gerúndio) na pele os efeitos dessa crise globalizada, a visão exata sobre como o fundo do poço continua ainda bem distante dos nossos pés.

Moral da história: a turma da especulação correu para o dólar e o dinheiro sumiu do mercado! Ficamos a ver navios! E ainda tem o Hummer, que, aqui para nós, é bastante apetecedor... Oh, consumismo!

Abraços

Pr. Geremias do Couto

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ivanildo
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24/10/08 12:41 delete

ótima abordagem nesta crise financeira mundial falta depararmo-nos com mais menssagens como estas que confronta a ganancias de muitas pessoas inclusive evangélicos Brasileiros

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paulo cesar
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3/11/08 12:15 delete

Conseguimos perceber , o que o homem, sem Deus e com ambição para o gasto faz, consegue fazer em todo mundo, que essa crise, possa mostrar a humanidade , que devemos rever as nossas prioridades.

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Aksia
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3/11/08 18:11 delete

Presbítero Solano,

Agradeço sua análise e acho no geral muito bem feito. Acho q o senhor faltou compreender um fator muito importante na sua analise. O papel do banco central (Federal Reserve)na crise. A falta de entendimento deste fator causa um equivoco na sua analise do preço do petroleo. O exceso de dollares no mercado existe pq o Fed aumentou a oferta em grande escala durante os anos de Greenspan, desvalorizando o Dollar- a moeda em q se negocia o petrolio. Não duvido q os paised da OPEP são gananciosos, mas não é esta a causa do aumento do preço. Se for o senhor teria q concluir q nas semanas recentes eles deixaram de ser gananciosos. Na verdade o valor do Dollar mas alto e o esfriamento da demanda na economia desacelerada foram as causas do preço baixar. Em 1973 a OPEP não eh a causa dos preços aumentarem (ou pelo menos não a principal) mas sim a decisão de Nixon de desativar qualquer lastro entre o ouro e o dollar- assim permitindo inflação desenfreada pelo Fed. É dificil explicar um assunto tão complexo neste pequeno espaço, mas creio q valeria a pena o senhor entender mais esse assunto. Obrigado.

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PBR
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12/11/08 00:57 delete

Caro Professor Portela,

Não é verdade que ninguém soube avaliar o tamanho da crise. Há vários estudiosos que sabiam que a crise ia ser terrível e ainda estão advertindo que vai ser pior do que se imagina: Peter Schiff, Nouriel Roubini, Marc Faber, Ron Paul, Gary North, Jim Rogers, Larry Burkett, Martin Weiss e grande parte da comunidade de investidores em ouro - mas poucos os conhecem e dão ouvidos a eles.

Quanto à inflação, o aumento dos preços é meramente um efeito. A causa maior do excesso de dólares é o governo manter os juros baixos e imprimir dólares demais.

É comum achar que só há inflação quando os preços aumentam (isso é meramente consequência da inflação).

O correto é dizer que há inflação quando o governo imprime mais dinheiro - independente do aumento dos preços.

Com a inflação - que é sempre causada pelo governo - o aumento dos preços é inevitável, cedo ou tarde acontece.

Antes do estouro, a inflação do governo fez aumentar o preço das casas e o preço das ações - só que esse era um resultado do qual ninguém reclamava porque achava que se beneficiaria dele e que aumentariam de preço para sempre.

Abraço!
Fernando

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15/11/08 00:05 delete

Pessoal -

Tardiamente, faço algumas observações sobre os últimos comentários após minha última intervenção neste post:

1. Vinicius: As tragédias ocorrem, sim, em função do pecado e têm tudo a ver com sistemas políticos e econômicos - de esquerda e de direita - nos quais freios morais e princípios éticos bíblicos são deixados de lado. Obviamente, estão mais vulneráveis aqueles sistemas - geralmente de esquerda - que já abandonam, como premissa básica, estruturas e características colocadas por Deus nas pessoas e nas sociedades.

2. Alfredo: Militamos nessa área, mas não sou "profissional de investimentos de risco", como disse no início deste primeiro post. Um abraço!

3. "Família Cristianismo Autentico": o Dornbush se saíu um ótimo falso profeta (Deut 18).

4. Pastor Geremias: Sempre um prazer receber seus comentários e sua visita neste Blog!

5. Ivanildo: Realmente, o amor ao dinheiro "é a raiz de todos os males..."

6. Paulo César: Concordo. É uma boa hora de rever prioridades.

7. Aksia: Discordo. O descolamento do Dollar, que vem desde Nixon, traz em si o potencial de inflação latente, mas nem todos os países - vários dos quais que nunca tiveram esse lastro - praticam a irresponsabilidade política, fiscal e financeira que é a emissão desenfreada da moeda. A crise atual tem muito mais complexidade do que apenas esse fator. Mas vou procurar "entender mais esse assunto".

Obrigado a todos,

Solano

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15/11/08 00:28 delete

Caro PBR:

Posso concordar que vários da galeria dos famosos e competentes analistas, que você coloca estão falando do problema já há vários anos (não subestime - eles não são tão ignorados assim). Inclusive concordo com muitas das posições deles - quanto aos limites e espaços que a sociedade deveria dar e esperar do governo.

No entanto, temos que dissociar pessimismo econômico crônico de análise profética conjuntural precisa. Eles me parecem mais atrelados ao primeiro viés.

Vejamos alguns exemplos:

1. Peter Schiff, produziu um livro que parece a história escrita de ante-mão ("How to profit from the coming economic colapse"). No entanto, se lermos seus ensaios mais antigos, veremos que a sua tônica vem sendo semelhante há anos. Em março de 2007 ele estava prevendo um "hard landing" e recessão para o ano de 2007. Diz que "a festa da bolha acabou". Na realidade, ela durou mais um ano e meio - isso não pode ser, tecnicamente, caracterizado como previsão precisa.

2. Nouriel Roubini, quando o barril de petróleo estava a 70 dólares, previu que, quando chegasse a US$100 (valor quase impensável para a época), haveria uma "ugly and global recession", em função desse pico. Não somente o fato não ocorreu, como a festa dos produtores continuou por vários meses e o barril ultrapassou a barreira dos 140 dólares, como também a recessão terminou vindo por outras causas, igualmente latentes e errôneas a um sistema equilibrado e responsável.

3. Mark Faber (junto com os demais companheiros) apresentou ouro como sendo a "comodity" à prova de recessão. Ocorre que este ativo, que começou o ano a 920 dólares por onça, atingiu o pico em março (1020 dólares) mas caíu a 700 dólares nas semanas recentes. É verdade que é dos ativos um dos menos voláteis. No entanto, quem ouviu o conselho e fez essa aplicação nesse intervalo, perdeu em torno de 30% do capital investido. Pode ser recuperado? Talvez.

4. Ron Paul, falando sobre a iminente crise (em 2007) disse que as primeiras fatalidades seriam "os mercados emergentes". Não acertou muito nisso, não. As primeiras (e talvez as mais severamente afetadas) são as economias dos países desenvolvidos - ainda que eu ache que a crise não é "marolinha" por aqui.

5. Gary North - Grande cara, com escritos pertinentes e precisos, principalmente quando se propõe a analisar as diretrizes e parâmetros bíblicos no campo da economia. No entanto, como profeta de plantão, tem a credibilidade afetada por suas pixotadas na virada do milênio, quando previu que a catástrofe global levaria a humanidade à derrocada final. Prefiro ele como exegeta do que como profeta.

Bom, afinal, o que eu disse, foi que ninguém aquilatou o tamanho e a extensão da crise. Ainda sou dessa opinião, até porque ainda não sabemos o seu tamanho, nem ainda enxergamos o seu fim, ainda que muitos tenham expressado considerável pessimismo sobre os rumos da economia mundial.

Agradeço muito o seu comentário.

Um abraço,

Solano

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