segunda-feira, maio 12, 2008

Francis Schaeffer Hoje


[Essa foi, na íntegra, a entrevista que concedi à revista Cristianismo Hoje para matéria sobre o legado de Francis Schaeffer, especialmente diante das críticas feitas a ele pelo próprio filho, Franky. A revista não publicou a entrevista na íntegra, mas reproduziu fielmente o teor da mesma.]


CH - Na sua opinião, qual é o legado deixado por Scheaffer para a Igreja Evangélica do século 21?


Schaeffer foi um homem que viveu à frente de seu tempo. Sua análise crítica da cultura e da sociedade da sua época continua relevante e atual. Schaeffer percebeu como poucos os efeitos a longo prazo, no Cristianismo e na sociedade global, da pós-modernidade, a qual começava a se manifestar em seus dias. Os temas aos quais Schaeffer se dedicou e sobre os quais escreveu são os mesmos temas que estamos discutindo hoje, como ecologia, ética na tecnologia, a globalização, o pluralismo e o relativismo. O legado de Schaeffer são suas obras sobre esses temas escritas a partir da cosmovisão cristã reformada. Partindo do referencial bíblico, Schaeffer submeteu a um severo escrutínio os argumentos, conceitos e idéias da pós-modernidade. Todos hoje que buscam uma análise social e cultural crítica consistente, justa e inteligente, do ponto de vista evangélico, encontram nas obras de Schaeffer um apoio inestimável. É claro que muitos o consideram fundamentalista por sua aderência à autoridade e infalibilidade das Escrituras. Mas é exatamente por isso, por partir do referencial bíblico, que sua obra permanece relevante para hoje..

CH - É justo atribuir-se a este legado o comportamento da chamada direita evangélica americana?


Acho que não, embora muitas das idéias de Schaeffer coincidiam com as idéias de vários da chamada direita evangélica. Schaeffer era um pensador independente e capaz de oferecer críticas inclusive à chamada direita evangélica americana. No livro How should we then live (1976) ele critica inclusive o movimento reformado. A tentativa de enfraquecer o legado de Schaeffer associando-o à direita evangélica é feito obviamente pela esquerda evangélica, que por sua vez, está sujeita a críticas severas do ponto de vista do Cristianismo histórico, como por exemplo, a defesa do aborto, do homossexualismo do ecumenismo de todas as religiões. Hoje, com a politização, ideologização e enviezamento das posturas, é praticamente impossível deixar de associar figuras públicas, como Schaeffer, a um partido, um grupo ou movimento. Mas o mesmo pode ser feito com relação aos críticos de Schaeffer, que geralmente podem ser identificados com a esquerda evangélica.


CH - O que ficou, de bom e ruim, da obra de Francis Schaeffer?


De ruim, eu não saberia dizer, pois sempre me beneficiei do seu legado. Sua abordagem pressuposicionalista das posturas teológicas e filosóficas me ajudou bastante, desde a minha época de estudante de seminário até hoje. Como já mencionei acima, Schaeffer continua como referencial de análise social e cultural crítica a partir de pressupostos cristãos reformados. Recentemente, virou moda criticar Schaeffer, inclusive pelo seu próprio filho, o que é lamentável. Para alguns, ele é "muito cartesiano", "fundamentalista"; uma pessoa superada e que empolga apenas os noviços e incautos. Muitos dos críticos brasileiros de Schaeffer são pessoas que se tornaram deslumbradas com o liberalismo e que voltaram as costas à sã teologia, procedente das Escrituras. O fato de Schaeffer utilizar referenciais reformados para interpretar a história e estruturar a sua teologia incomoda a muitos. Assim, escrevem textos chamando Schaeffer de "mente predeterminada" e uma pessoa que dava "importância à Igreja". Tudo isso é anti-evangelicalismo contemporâneo, que prefere um evangelho fluido, indescritível, debaixo de uma graça espúria que não é a graça divina encontrada na Bíblia, mas antes um cobertor gigantesco para deixar a todos felizes e acomodados em seus pecados, enquanto se abraçam uns aos outros.

segunda-feira, maio 05, 2008

Filosofia e Cristianismo no Mackenzie




Nos dias 21 a 23 de outubro o Mackenzie estará promovendo o IV Congresso Internacional de Ética e Cidadania, desta feita versando sobre o tema "Filosofia e Cristianismo". O convidado internacional é Dr. Merold Westhpal, mestre e doutor em Filosofia pela Universidade de Yale (veja www.fordham.edu/philosophy/faculty/westphal.htm). Ele falará sobre os seguintes temas:


  • Os Usos Religiosos do Ateísmo

  • Como é Deus?

  • Fé e Conhecimento

  • Oração e o Eu Pós-Moderno

Haverá uma mesa redonda da qual participarão, além de Dr. Westphal, o Dr. José Carlos Estêvao, mestre e doutor em Filosofia pela USP e Dr. Davi Charles Gomes, doutor em teologia contemporânea pelo Westminster Theological Seminary.


O evento será transmitido ao vivo pela Internet a partir do site do Mackenzie.


As inscrições estarão abertas a partir de Julho. Serão aceitos trabalhos de estudantes e professores para mesas de comunicações.


Uma boa oportunidade para reflexão sobre a interação entre filosofia e fé cristã, à luz de questões atuais e polêmicas, como ateísmo, oração, pós-modernidade e epistemologia.