segunda-feira, dezembro 14, 2009

Saúde!

           O Natal chegou e já me trouxe um problema. Após repassar a lista dos amigos e dos presentes de Natal que pretendo dar a cada um, sobraram quatro conhecidos e uma garrafa de vinho do Porto que eu trouxe de Portugal. Preciso escolher a quem deles vou dar a garrafa e é aqui que o problema começa, pois só poderei dar a garrafa a quem gosta de vinho, celebra o Natal e o faz pelo motivo certo, isto é, a encarnação do Filho de Deus, sua concepção virginal e nascimento – que é o verdadeiro sentido do Natal e a razão da celebração.

          O problema é que um deles é liberal. Celebra o Natal como festa cultural, toma vinho, mas, como seu mestre Rudolf Bultmann, não acredita no milagre da concepção virginal de Jesus Cristo no ventre de Maria. Para Bultmann, o nascimento virginal de Jesus faz parte daquela estrutura mitológica da qual o Evangelho vem revestido, e que foi uma estória inventada pelos cristãos helenistas com base em estórias similares de reis e heróis que eram filhos das divindades com virgens (Die Geschichte der Synoptischen Tradition, 1970, p. 291-292). Este meu conhecido é fã do grande liberal americano, Harry Emerson Fosdick, por sua vez discípulo de Bultmann, que num sermão pregado na Primeira Igreja Presbiteriana de Nova York, 1922, afirmou que existe muita gente cristã honesta que “acha que o nascimento virginal não deve ser aceito como fato histórico, mas como uma das maneiras familiares pelas quais o mundo antigo expressava a superioridade incomum de algumas pessoas”. Ou seja, Jesus Cristo realmente não nasceu de uma virgem e seu nascimento foi igual ao dos demais seres humanos. Não vou dar uma garrafa de vinho, especialmente do Porto, a quem realmente não tem o que celebrar no Natal, a não ser o nascimento de um homem como outro qualquer.

          O outro conhecido, por sua vez, é pentecostal. Ele crê na concepção miraculosa de Jesus Cristo pelo poder do Espírito Santo, celebra o Natal, mas não toma vinho. Para ele, a Bíblia ensina a total abstinência e considera pecado até um crente beber uma taça de vinho em família. Para mim, o que a Bíblia proíbe é a embriaguês e o escândalo, mas respeito a posição dele. Se eu lhe der a garrafa, vai se sentir provocado.

          A coisa se complica ainda mais com o outro conhecido, que é neopuritano. Crê no milagre da concepção de Cristo no ventre de Maria, toma vinho, mas não celebra o Natal. Ele considera o Natal como uma festa apócrifa, de origem pagã e antibíblica; o dia 25 de dezembro era a data da antiga festa pagã da Saturnália e foi transformada pelo Imperador Constantino no Natal. Seria, então, um desperdício dar a ele essa excelente garrafa de vinho do Porto.

          Restou o neo-ortodoxo. No caso, este conhecido é da linha de Karl Barth. Ele diz que acredita na concepção miraculosa de Cristo, como o famoso teólogo suíço, e portanto tem motivos para celebrar o Natal. Todavia, eu confesso que nunca entendi direito o que Barth quis dizer ao afirmar acreditar no nascimento virginal. Para ele, este nascimento virginal indica o caráter sobrenatural de Jesus, é um sinal do julgamento de Deus sobre a raça humana, pois a mesma não pode produzir seu próprio Redentor e também um sinal de que Jesus Cristo é um novo começo (Church Dogmatics, I, 2, 196, 181, 177, 188, 191). Mas, ele desconsidera um conseqüência importante do nascimento virginal, que é a impecabilidade de Cristo. Barth afirmava que Cristo assumiu uma natureza pecaminosa, decaída, corruptível, e que portanto, não era perfeito e sem pecado (Church Dogmatics, I, 2, 154). Por causa disto, e porque li em algum lugar que Barth jamais bebericou vinho em sua vida pois preferia cerveja (veja os comentários a este post), é que também não posso dar o Porto ao conhecido que é bartiano.

          Só me resta tomar o vinho com minha esposa e brindar aos amigos que lêem nosso blog.

          Saúde!

[PS: Eu de fato trouxe de Portugal uma garrafa de vinho do Porto, mas a situação descrita acima é fictícia]

89 comentários:

Anônimo disse...

Poxa, eu já estava pra dizer: o Augustus com certeza perdeu todos esses amigos! rsrsrs....

Pra variar, ótima postagem! Aliás, acabei de ganhar um vinho também, mas o meu caso não é fictício: A maior parte da minha família e amigos não apreciam, muito pelo contrário, muitos abominam e consideram isso um pecado. No meu caso, só me resta tomar o vinho sozinho... rsrsrsrs!

Vinícius

Dilean disse...

Espero o convite para tomar o vinho, celebrar o nascimento virginal de Cristo, comemorando o Natal.

Gaspar de Souza disse...

Ô Reverendo...deixe um "golinho" pra mim. Em fevereiro vou a sampa (ou se o Sr. vier ao Recife até lá). Num sou Lib, Neo (nenhum dos dois) ou Pente. Tô no outro time...kkkkkkkk. Enquanto eu não tomo o do Porto, tomo o meu Quinta ou Botticceli mesmo. Se o Sr. não vier até o Natal, então o tomo o meu no Natal mesmo, "comendo, bebendo e gozando com minha família, porque isso também é dom de Deus"; lembraremos a encarnação no ventre da virgem Maria daquele que se manifestou para destruir as obras do diabo, a saber, Deus FIlho, Jesus Cristo.
Nos alegraremos com o "vinho que alegra ao coração do homem", porém, "regendo com sabedoria o coração", na manifestação da temperança, fruto do Espírito.

Forte abraço, Rev.Augustus. E um feliz natal, com uma boa taça do Porto. tim-tim!

Música, Ciência e Teologia disse...

Dr Augustus, se o irmão quiser, posso passar no Mackenzie amanhã e aceitar o presente.

Até mais, David.

zwinglio rodrigues disse...

Pr. Nicodemus, paz!

Independente de Natal, do mistério que envolve o nascimento virginal de Cristo... etc... faça a caridade nesse tempo natalino de enviar a garrafa de vinho dou Porto para mim...
.
hahaha
.
Felicidades!

180° disse...

Nicodemus,

Tá virando artista, hein?
Um texto de conteúdo denso engarrafado brilhantemente pelo seu produtor!

Parabéns, pastor. Só assim pra eu saborear teologia de vinícolas que jamais alcançaria sozinho.

Pela Cruz,
Carlos Henrique

Ps.: Tim tim.

Rouver Júnior disse...

kkkkk
Muito legal o post.
Além de divertido, expõe alguns posicionamentos sobre 4 correntes teológicas. Enquanto lia, pensava realmente que eram esses mesmos os quatro amigos que sobraram. Senti uma ponta de frustração quando apareceu o post scriptum, não porque os teus amigos iriam ficar sem o vinho, mas porque a situação havia rendido um excelente post.

Parabéns! Feliz natal!

A paz e a graça de nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo.

fha disse...

Dizem que Karl Barth além da cerveja, gostava de charutos.

Rev., se for em Cuba já sabe o que me trazer.

Anônimo disse...

Concordo que a Bíblia condena a embriaguês, não o uso de bebidas alcoólicas em si. Aproveito para tirar a seguinte dúvida - no caso de líderes (presbíteros e diáconos e autoridades em geral), não haveria uma proibição implícita para o álcool em passagens como 1Tm 3.3 e 8 e Tito 1.7 e Pv 31.4? (sem falar do triste exemplo dos dois filhos de Arão que usaram fogo estranho, aparentemente por terem bebido) E por que a diferença entre diáconos, a quem Paulo parece permitir um golezinho (só não "muito" seja lá o quanto isso signifique) e presbíteros, a quem ele parece determinar uma restrição maior? (Aproveito logo para esclarecer que pergunto isso de boa fé, não vai aqui qualquer crítica ao reverendo nem a quem quer que seja).

Hugo disse...

Se quiser, pode dar uma garrafa para mim.

Jorge Oliveira disse...

E que bem que sabe um cálice de vinho do Porto (que por acaso é feito em Vila Nova de Gaia, a minha bela terrinha).

"Salut!"

Feliz Natal!

Anônimo disse...

Um amigo queria enquadrar-me de todo jeito num dos cantos do seu mapa de paradigmas. Eu lhe disse: - não sou um pedaço de homem. Deixe-me em paz. Mas ele insistiu: - meu trabalho é esse. Classifico pessoas.

Eu o repreendi em nome de Jesus. Ele melhorou, continuamos amigos, mas vez por outra ele tem recaídas. Decidi, então, fazer o seu jogo, sendo tudo para todos, em todos os lugares e, ao mesmo tempo, ser eu mesmo, em Cristo, o tempo todo.

Que Deus abençõe a sua diversificada criação: liberais, ortodoxos, e tudo mais ...

Norma disse...

Oi, Augustus!

Muito bom!!! Literário, divertido e instrutivo! Adorei, hehehehe!!!

Abração e F E L I Z N A T A L aos temporinos queridos!!!

Luciane disse...

Concordo com a Norma, texto instrutivo e divertido ao mesmo tempo!
Muito Bom!!!

Marcone Figueira Cabral disse...

Querido Rev. Augustus!!!

Graça e paz!!!

Além de ser muito engraçado, foi extremamente instrutivo ao abordar quatro correntes teológicas, o nível dos leitores é altissimo, mas existem muitas pessoas que ainda estão caminhando na fé e creio que um post como esse engrandece tremendamente (falo por mim mesmo). Caro Rev. sou um grande apreciador dos seus escritos, li algumas obras suas ( O que você precisa saber sobre batalha espiritual, Calvino o Teólogo do Espírito Santo, O que estão fazendo com a igreja, O Culto Espiritual....entre outros).

Pastor, gostaria que se fosse possível, que o senhor me explicasse se as cartas que são direcionadas aos "anjos" no livro de Apocalipse, se trata realmente de seres angelicais ou como é explicado na Genebra que a tradução da palavra é "mensageiro" e pode ser direcionada para os pastores daquelas igrejas. Ouvi um pastor dizer que ele era o anjo da igreja e por causa disso a minha dúvida...

Caso o senhor ache que esse comentário não é pertinente ao seu post e não queira publica-lo, deixo meu e-mail, pois gostaria de receber uma resposta sua a essa dúvida. O e-mail é: marcone_figueira_cabral@hotmail.com

Que o Senhor continue a lhe abençoar....Graça e paz....forte abraço....

Ricardo Mamedes disse...

Caro Reverendo,

Gosto muito dos chilenos. Há alguns bons espanhóis também. Mas confesso que parei, pois comecei a gostar além da conta. Não que eu me embriagasse. Pior do que isso: comecei com um cálice e terminei em uma garrafa inteirinha - e nada de embriaguês. E aí, "cumé" que fica, é pecado?

Gostaria muito de uma resposta abalizada, como a sua.

NEle,

Ricardo

Augustus Nicodemus Lopes disse...

Amigos,

Obrigado pelos comentários. Alguns acabaram girando sobre o beber vinho, que não era a intenção nem o ponto da postagem. Mas, aqui vai.

Primeiro, quero tranquilizar os amigos que manifestaram alguma espécie de preocupação com o beber vinho. Raramente tomo vinho (ou outra bebida qualquer) e quando o faço, nem consigo passar de um copo direito. As vezes passo meses sem colocar bebiba na boca, não me faz falta. Bebida e Harley não combinam, hehehe!

Todavia, não vejo o beber em si como pecado. A Biblia, na minha interpretação, recomenda a moderação, sem proibir a ingerência de álcool, a não ser quando isto venha a ser motivo de tropeço para os irmãos ou vire embriaguês.

Acho que isto é uma questão de consciência, de liberdade cristã. Se o cristão achar que não deve beber de maneira nenhuma, ótimo. Seja abstêmio, mas não julgue os demais que pensam diferente.

Um abraço!

Anônimo disse...

Pôxa! que pena, acho que me enquadro nos neopuritanos, por isso não estou convidado para uma taça com o Rev Nicodemus.Mas, por outro lado, sou leitor assiduo do blog e, neste caso, sou convidado sim.

Finalmente um post toca no assunto "bebida alcoolica", assunto este polemico. Particularmente, acho que na Biblia há muitas indicações e até versículos explicitos acerca da permissão do consumo moderado, aliás, a Biblia diz até que é uma benção de Deus (Sl 104)

PS: Acho que o asunto natal já foi bastante explorado em posts anteriores, mas esclareço que não o obeservo simplesmente por ser uma festa pagã. PS PS: Amo o papai noel.

Cleber Leite, Teresina/PI

Oliveira disse...

Caro Reverendo

Simpático seu texto.

Se Deus permitir, estou indo a São Paulo na próxima semana.

Meu pai (pentecostal) vai junto.
Me manda o seu endereço por e-mail que eu lhe visito, e poderemos beber um (meio) cálice juntos... risos...

É que meu pai foi quem me ensinou a beber vinho (moderadamente) desde muito novo.

Ele gosta do seco.
Vinho suave, ele alega que tem sacarose (não sei como se escreve esta palavra...).
Para ele então deixa de ser puro, e não toma.

Como aos 11 anos um pequeno gole de vinho seco para um garoto como eu era, é a coisa mais horrível do mundo, aprendi a beber pouco e não peguei muita simpatia.

Mas agora gosto dos suaves.

O do Porto (nunca bebi) é suave?

Aqui na minha terra, tem Sangue de Boi, Sinuello, JP... todos não passam de 10 reais a garrafa... risos...

Como o senhor mesmo confessa que pouco bebe, reserve a garrafa para mim... risos...

Do meu pai e de vinho lembro com carinho da sua "santa raiva" quando pegávamos o vinho seco e puríssimo que ele comprava na colônia de Urussanga/SC e nós como detestávamos vinho seco, fazíamos jarras de suco (água, vinho, açucar e muito gelo).... meu pai odiava este desperdício, he, he, he, he... mas o "suco" era bom demais.

Mas de fato os petecostais de uma forma geral são como o irmão descreveu, e me pai sabedor disto, nunca bebeu em público e sempre o fez em casa e antes das refeições (que foi onde aprendemos a beber e a se controlar).

Destesto cerveja (exceto a preta) e o vinho, me evoca um pouco uma espécie de "saudade do céu" pois o Senhor Jesus prometeu beber conosco um cálice naquele dia, e pretendo estar lá para abraçá-lo.

Grande abraço e boas festas.

Oliveira disse...

Ainda sobre o vinho... esqueci de falar de duas "heresias" que são duas dúvidas que pretendo perguntar para o Senhor naquele dia.

1. Li em algum lugar, em algum livro, sobre supostos resultados cienfíficos apontando que homens incircuncisos provocam menos câncer nas suas respectivas mulheres. E que o sinal da aliança que Deus tinha dado aos judeus era uma forma de dar saúde literal ao seu povo, pois na areia do deserto, pelo suor, sujeira e falta de água, a ponta do órgão sexual do homem tinha que ficar exposta e isto era mais higiênico e não provocava câncer no útero das suas senhoras. Ou seja, eles não sabiam, mas o sinal da aliança, além de mandamento visível e seu significado espiritual, SUPOSTAMENTE TERIA também uma intenção médica;

2. Pensando no item acima, é que desenvolvi a tese "herética" de ter também a ceia do Senhor uma intenção subliminar de gerar saúde no povo de Deus. Pois o texto não diz que devemos beber o vinho somente em dias de ceia, mas que devemos fazer isto todas as vezes que nos reunirmos em memória dEle, sinalizando que a ceia (quem sabe) era ou deveria ser servida em todos os cultos, uma vez que todos eles eram para adorar e celebrar o Senhor. Como na circuncisão eles não sabiam, os cristãos no caso do vinho também não sabiam, mas além de mandamento visível e seu significado espiritual, fico me perguntando se não teria também SUPOSTAMENTE uma intenção médica. Ou seja, Jesus estaria receitando saúde e longevidade para o seu povo, se eles de fato seguissem a ceia como ele prescreveu. Notável hoje a recomendação médica de se beber um pequeno cálice diário.

São digamos duas "heresias" que pretendo checar com o Senhor se foram intencionais ou não.

Se foram, notável seria saber que a obediência a mandamentos aparentemente ilógicos, a própria obediência promoveria colateralmente bençãos de saúde e longevidade.

Grande abraço!

Oliveira disse...

Errata...

Me enganei quando digitei e disse que homens incircuncisos provocavam menos câncer nas suas respectivas mulheres.

Na realidade é o contrário, homens circuncidados é que provocavam menos câncer nas suas esposas.

Coisas de digitação distraída. Pensei uma coisa e o dedo digitou outra.

Me desculpe.

Geraldo Henrique dos Santos Melo disse...

Que bênção sermos cristãos reformados: Temos uma grande festa para comemorar com a mais nobre das bebidas! Lembra-te de mim quando degustares o teu vinho!

Henrique
IRB-Maceió.

ivoneterinhas disse...

Bem, sei que vários já pediram o vinho por aqui...
Mas se realmente não tiver pra quem dar eu aceito também e me enquadro nas características descritas: gosto de vinho, celebro o Natal e o faco pelo motivo certo, isto é, a encarnação do Filho de Deus, sua concepção virginal e nascimento.
Mas o senhor poderia também ter tomado o vinho ontem, que foi o dia do pastor presbiteriano. Meus parabéns!

Rafael Loyola disse...

Olá Nicodemus!

Faz tempo que não escrevo por aqui... parabéns pelo texto que é divertido e uma micro-aula ao mesmo tempo!

Sou cristão reformado e bebo vinho! Tenho um blog sobre vinhos, inclusive:

http://devinhoemvinho.blogspot.com

Como vc parece se interessar, peço que o visite e, se quiser, deixe um comentário!

Abraços,
Rafael.

Cristiano Silva disse...

Poxa, que post legal! Mostra o papel de uma boa ficção: serve tanto para nosso deleite quanto para o nosso crescimento. :-)

Feliz Natal a todos os autores e leitores do Blog, que seja regado a boa comida, bom vinho, mas principalmente, com a boa mensagem do nascimento de Nosso Salvador.

Geazy Liscio disse...

Olá!

Muito criativo o post!

Só uma observação, eu tenho uns parentes que são pastores de uma igreja pentecostal e eles não comemoram o Natal pelo mesmo motivo dos neopuritanos, a festa segundo eles é de origem pagã. Eu acho que é por isso que nunca dei uma garrafa de vinho do porto pra eles.

Que Deus o abençoe!!
Espero com grande expectativa o dia em que eu possa ser aluno seu na pós-graduação.

Até mais!

Feliz Natal a todos!

Augustus Nicodemus Lopes disse...

Anônimo das 18:58,

"...no caso de líderes (presbíteros e diáconos e autoridades em geral), não haveria uma proibição implícita para o álcool em passagens como 1Tm 3.3 e 8 e Tito 1.7 e Pv 31.4? (sem falar do triste exemplo dos dois filhos de Arão que usaram fogo estranho, aparentemente por terem bebido)"


Não vejo uma proibição absoluta no texto, mas um advertência a que não abusem do vinho. Nada mais que isto. O problema dos filhos de Arão não foi que bebiam vinho, mas que abusaram dele.

"... E por que a diferença entre diáconos, a quem Paulo parece permitir um golezinho (só não "muito" seja lá o quanto isso signifique) e presbíteros, a quem ele parece determinar uma restrição maior?"

Em ambos os casos, o vinho é permitido, mas com moderação. Não creio que Paulo estava pensando em quantidades diferentes quando disse "não dado ao vinho" aos presbíteros e "não inclinados a muito vinho" aos diáconos.

Abs.

Augustus Nicodemus Lopes disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Tania Cassiano disse...

Rev Augustus,

O senhor optou pela melhor companhia para tomar seu vinho.
Senão, eu teria todo perfil para merecer ganhar o presente. E se Ele for tinto e seco, maravilhoso!
Feliz Natal para o senhor e sua família e que Deus os abençoe.
Tania Cassiano

Anônimo disse...

Aqueles que encontraram Deus embriagam-se dEle diretamente, não precisando suberfúgio. Contudo, mesmo para esses, os organismos mais saudáveis agradecem um pouco de tudo, inclusive de bebidas fortes. Não foi Deus quem criou tudo para o homem?

Agora, que os liberais bebem mais abertamente do que os ortodoxos, isso é verdade. Pelo que sei, os ortodoxos, historicamente, embora rejeitassem bebidas fortes, fumavam fumo de rolo e, inclusive, eram donos de escravos.

Feliz Natal para todos.

Charles disse...

Rev. Augustus Nicodemus,

Realmente a problemática não é o vinho. Todos os casos fictícios têm em comum algum aspecto relacionado à questão "natalina".

Bem, não tenho problemas como a festa de Natal, nem com a doutrina da Encarnação, nem com vinho e também não sou neo-ortodoxo.

Meu único problema foi ler que [somente?] os neopuritanos que não celebrariam esta festa. Já ouvi de outras fontes que os veteropuritanos também não o faziam.

Sem entrar no mérito de comemorar ou não o Natal, não existe no histórico dos puritanos essa NÃO natalização do calendârio? Essa purificação litúrgica?

Aproveitando o ensejo, sei que não é o foco, mas inevitavelmente toca no tema: o que dizer de uma igreja adotar um calendário litúrgico para o ano todo: Tempo Comum, Páscoa, Pentecostes, Natal?

A questão aí que vejo, não seria por fim, a liberdade da "igreja local" (não a da seita de Witness Lee, rs) em celebrar ou não estas datas.

Amplexos Natalinos,

Charles
Rm 8.32

P.S

Mas a maior heresias de todas é rejeitar um bom vinho!

fha disse...

Não são somente pentecostais que não acham correto beber vinho ou outra bebida alcoólica. Conheço alguns presbiterianos (cada vez mais raros ... ) e batistas que não aceitam isso. Principalmente os mais ortodoxos em termos de costumes. Uma época em minha igreja passamos a utilizar vinho na Santa Ceia, e a reclamação foi tanta, que acabamos voltando ao suco de uva.

Sobre a comemoração do natal, li em algum lugar recentemente (infelizmente não lembro onde) que os Cristãos ao não comemorar o natal no dia 25 de dezembro, como os neopuritanos citados neste post, estão cada vez mais deixando que esta data lembrada mundialmente como uma festa cristã fique cada vez mais Pagã. Perde-se, assim, uma oportunidade de falar de Jesus.

Anderson de Abreu disse...

Reverendo.

Gostei do post, pois entra em dois temas que cabem dentro da liberdade cristã: bebida moderada e dias "santos". Em ambos a recomendação de Paulo em Romanos é para não julgarmos condenatoriamente uns aos outros (14:1-5). "Quem distingue entre dia e dia para o Senhor o faz; e quem come para o Senhor come, porque dá graças a Deus; e quem não come para o Senhor não come e dá graças a Deus." (Rm 14:6)

Enquadro-me no grupo daqueles que celebram o natal, bem como daqueles que não são contrários a beber moderadamente (às vezes bebo um vinho). Contudo tenho algumas reservas e observações a fazer.

Reverendo, eu me preocupo com muitos que usam o velho argumento "desde que não cause escândalo". O argumento é correto: a bíblia nos deixa a liberdade de tomarmos vinho e outras desde que isso não atrapalhe e escandalize irmãos e também não resulte em embriagues.

O meu problema é que observo que muitos (muitos mesmo, se não a maioria!) usa esse argumento apenas como desculpa para beber.

A prova disso é que esses bebem em qualquer lugar, como qualquer pessoa e terminam escandalizando igrejas, crentes e incrédulos. Argumentam com base no "desde que não escandalize", mas não são capazes, geralmente nem se esforçam para não escandalizar ninguém de fato.

Até a parte do "moderadamente" não é seguida, pois bebem além do que é devido e perdem o domínio próprio. Tenho um amigo muito próximo, pregador, líder, bom teólogo, que fazia isso EM CASA e FORA DE CASA: diante de pessoas incrédulas (que sempre olhas para essa atitude como errada e rebelde, por causa do discurso evangélico geralmente contrário a bebida); diante se sua sogra crente (que era contra e nunca entendia); bebia com sua esposa (que geralmente passava do limite e ficava bem alterada). Hoje ela está quase alcoólatra.

Esse é um caso bem extremo, mas seve como ilustração do meu ponto que é o fato de o argumento e base bíblica não ser levado realmente a sério na hora de beber algo. Na verdade a impressão que eu tenho é que o argumento só é levado a sério na hora de encontrar a base para beber. Por causa disso chego a achar que esse grupo beberia com ou sem argumento bíblico.

O interessante que observo nesse grupo incoerente é que eles falam do fato de poderem beber algo com muito orgulho e até desdenhando a outros. Basta ser bom observador e ver se não é assim mesmo! Por que essa fala orgulhosa como se fosse um grande ganho e algo tão especial? Como se quem não bebesse estivesse perdendo algo muito valioso ao qual devem se apegar.

Quero deixar claro (vai que alguém me entenda errado) que não estou acusando nenhum dos integrantes do Tempora de viverem dessa forma. Creio que não... risos!

Li esses dias um artigo do John MacArthur sobre “O Uso do Vinho na Escritura”, no site Monergismo. Sei que muitos (eu mesmo) o consideram exagerado em algumas de suas interpretações. Mas esse artigo me chamou bastante atenção pelos argumentos e fatos que ele expõe. Ele mostra os diferentes tipos de vinho usados com base nas diferentes palavras hebraicas e gregas, e antigos autores gregos. Incentivo todos a lerem, para conhecer outra opnião:
http://www.monergismo.com/textos/etica_crista/vinho_escritura_macarthur.pdf
Depois de lê-lo fiquei um pouco mais temeroso quanto ao uso de bebida. Passei a ter um pouco de dúvida quanto a alguns argumentos usados por nós. Infelizmente, como estou sem tempo, não terei como pesquisar profundamente o assunto por agora.
Mas pretendo fazê-lo o mais rápido que puder.
Se o senhor, Rev. Augustos, ou algum irmão tiver alguma informação valiosa sobre aquilo que o MacArthur aborda, ficarei profundamente grato.

Quanto ao mais, Boas Festas!

Anderson

Matias Heidmann disse...

fico admirado quanta reflexão teologica em torno de um vinho do Porto. Até o vinho do Porto divide a cristandade em pentecostais, barthianos, reformados, puritanos, presbiterianos, neo-ortodoxos, luteranos, batistas, metodistas, mennonitas, anglicanos, congregacionais...
Abraço e saúde!
Skol! Prost! Cheers!

Solano Portela disse...

Caro Charles:

Quanto à sua observação, de que os veteropuritanos não celebrariam o natal, depende de quão véteros são os véteros...

Na realidade, acho que o consenso sobre essa questão de não celebração não é tão amplo, assim, na herança da fé reformada, como indicam alguns que estão persuadidos que a comemoração desta data não é bíblica.

Escrevi um texto sobre isso, aqui no blog, em: http://tempora-mores.blogspot.com/2006/12/calvino-contra-o-natal.html

Caro Augustus: Post bem interessante, descontraído e que nos faz pensar - levando a ramificações e discussões teológicas mil. Quem disse que teologia não tem nada a ver com o dia-a-dia?

Bom, sei que os candidatos são muitos, para essa garrafa. Sugiro que compre uma caixa e chame os amigos.

Solano Portela

Pastor Manuel Luzia (Ministro Presbiteriano) disse...

Nossa...
Reverendo Augustus, como é cobiçada a garrafinha do Porto... hehehe

É a tal, a D. Antónia?

Aproveito para lhe desejar um santo e feliz Natal e que o Senhor continue a abençoá-lo. Saudações à dignissima Esposa.

Um abraço,

Manuel Luzia

Marcelo Batista Dias disse...

Rev.

Gostei muito do post. Confesso que senti agua na boca. Gosto de um 'vinhozinho' de vez em quando e nunca tomei um gole sequer do vinho do Porto. Pelo que ouço, senão o melhor, está entre os melhores.

Gostei mais ainda da aula simpática e descontraída com fomos brindados.

Quanto à cerveja, não é coisa só para barthiano não. Tem pra calvinista tb. Tem uma cerveja chamada Calvinus. A pagina dela é esta:
http://www.calvinus.ch/

Uma abraço ao senhor e feliz natal a todos.

Marcelo.

Alan Kleber Rocha disse...

Reverendo,

Deixe o Porto para a Santa Ceia no Dia Senhor :-)

Forte abraço,

Alan Kleber

o pregador disse...

Faça bom proveito do vinho com sua família!!!!

Abraço !!!
Quero também agradecer a Deus, pela sua vida!!! Estou expondo Gálatas na Igreja e vi um video no you tube da conclusão do seu estudo na IPSA e esse fato me alegrou e fortaleceu para que eu conclua o estudo na Nossa Igreja.
Deus te abençoe!!!

Paulo Sullyvan disse...

Bom, sei que meu comentário pode não ser original... me falta a coragem para ler os demais. Creio no nascimento virginal de Cristo, pois gerado de uma virgem sem uma semente Humana para herdar o pecado, pois a culpa e o peso do pecado iniciou-se no homem, e dessa semente se repassa o pecado aos nascidos... Nascido de uma virgem, gerado pelo espírito, o Deus-homem. Assim celebro o Natal não só como o "aniversário" mas como o aniversário de todas as almas eleitas que nesce dia triunfaram sobre a carne e o pecado nascendo denovo, não tenho problemas de abstinência e nem de embriaguês... sendo assim... manda o vinho pra mim pastor... hehehe.

Um grande abraço!

Paulo Sullyvan

olharreformado disse...

Nada disso, Reverendo. Deixe de lado este preconceito contra os pentecostais, e envie logo esta garrafa para mim - o Natal já está aí; mande por Sedex!!!!

Gostei do texto, muito bom mesmo!

Marcelo Lemos
Assembleiano,reformado...

Diego dy Carlos disse...

Post muito criativo e sugestivo.

Lamento a postura de alguns grupos. Cada um com seus equívocos peculiares.

Prefiro ficar com o conselho de M. Lloyd-Jones: devemos aproveitar o clima da época para divulgar o sentido real do Natal - para mim, pouco importa se Jesus nasceu em Dezembro ou em Abril. O importante é que ele nasceu assim como as Escrituras registram - concepção virginal e tudo o mais.

A época produz uma natural sensibilidade nas pessoas. Então, falemos do propósito de Seu nascimento e do amor envolvido em toda a sua obra.

Feliz Natal a todos os editores do blog e aos queridos leitores.

Abraços.

Francisco Fabiano Fontes Feitosa disse...

Pr. Augustus, dessa vez, vc me surpreendeu, foi teológico, informal, ilário e humanamente básico. Paraceu uma aula , estilode Aristoteles,(peripatética) segurando a garrafa de vinho porto,frente à seus alunos. Feliz Natal !
Pr. Fabiano

Elano Sudário disse...

Reverendo,
Seu post é realmente muito descontraído.E inovador.Inovador,pois eu ainda não conhecia esta corrente: neopuritanismo.Conheço,sim, um grupo de pessoas que tem a mesma motivação dos puritanos, que era reformar a igreja dos erros e paganismos que ela estava envolvida.
Acredito que o princípio que deve nortear nossas vidas,é fazer o que a Bíblia ordena.E a Bíblia não ordena em lugar algum comemorar o nascimento de Cristo,e nem há relatos quanto a isso.
Se é legítimo comemorar o Natal,vamos comemorar,mas nas mesmas circunstancias em que ele ocorreu(numa estrebaria) e não bebendo vinho e comendo peru.
Outra coisa, se o aniversariante é Cristo,porque quem deve receber presentes são os nossos amigos?
Abraço.

Estível Jr. disse...

Parabéns pelo post, simplesmente inspirador. Nada como um texto legal em meio a tanto academicismo teológico.

Bugo disse...

Ótimo post Pastor, como sempre. Também concordo com a interpretação de que o pecado não está em beber e sim no exagero e nas conseqüências, que esse exagero (ou embriaguez) traz. Gostei por demais também da apresentação das características das denominações que o Sr. apresentou que me leva a lembrar de outro assunto, estava conversando com meu pai (graças à conversão dele nasci em um lar cristão, e mesmo assim não fiquei livre de sofrer as "conseqüências" do exagero com o álcool, e foram grandes), que realmente não entendo tantas denominações existentes, estou procurando mais informações na Bíblia, mas acredito (pelo oq já li) que o certo era sermos Cristãos e pertencermos a Igreja de Cristo, seria certo dizer que as diversas denominações existentes hoje estão mais relacionadas à vaidade humana? Acredito que esse assunto daria um bom post.

Agradeço novamente pelo espaço e gostaria de saber se um dia Sr. pode visitar a Primeira Igreja Presbiteriana de Rio Verde/GO, seria uma benção.

Bugo
(Seu amigo Palmeirense rs*)

Marcos disse...

Eu também tenho um vinho do Porto aqui em casa para beber no Natal, eu acho que Jesus Cristo gostava muito de vinho, afinal de contas, o primeiro milagre foi exatamente transformar água em vinho em um casamento, e que vinho! Feliz Natal reverendo!

Sangue Azul disse...

Querido reverendo, gostaria de saber se "beber sem embriagar" também serve para a cerveja, caipirinha etc..

Agradeço seus esclarecimentos.

Fique na Paz de Cristo.

André Gomes disse...

Olá Rev. Augustus,
Muito bom o post, deu pra dar uma boa gargalhada...rsrs. Deus continue te abençoando. Ps. Com esse pede-pede, é bom o senhor voltar a Portugal e tentar trazer mais algumas garrafinhas..rs Abraços

Filipe L. C. Machado disse...

Olá, Augustus!

Já faz um bom tempo que venho acompanhando seu blog e suas postagens. (Seu blog já está em minha lista de blogs.)

De fato o admiro tanto, que até gasto meu dinheiro com seus livros. (risos)

O blog tem sido fonte de grande conhecimento e ajuda para mim, como também tenho certeza que tem sido para todos os verdadeiros cristãos comprometidos com a palavra.

Gostaria de pedir uma opinião sua sobre meu texto "Eu não consigo aceitar Jesus!" Publicado em meu blog, no dia de hoje (segunda-feira)

O texto é uma apologia à soberania de Deus e de que devemos nossa salvação totalmente e exclusivamente a Ele. Como sabemos, neste ato de salvação somos apenas agentes passivos.
Infelizmente, temos vistos muitos blogs pregarem a favor de uma expiação ilimitada, o que é lamentável.

Por favor, se puder ler e comentar, ficarei grato em poder contar com sua crítica. Seja crítico, se de fato não concordar, por favor me avise.

No mais, um abraço e Deus abençoe!

http://2timoteo316.blogspot.com

Antonio Reis disse...

Ola Reverendo Augustus

Escrever sobre a qualidade do texto seria uma redundacia ante outras postagens, embora saiba que a centra lidade do texto não seja o vinho, minha leitura da questão é que as implicações são mais sociais em função da dimensão do alcoolismo, que propriamente doutrinaria, e uma interrogação que me inquieta e que gostaria de dividir com você é o grau de responsabilidade que Kant e schleiermacher tiveram nessa miscelania teologica que assombraram o seculo XX, e gostaria de entender se realmente eles foram determinantes para tudo isto? que Deus continue lhe abençoando mais ainda, pois só teremos a ganhar através de sua vida.

Antonio Reis

Anônimo disse...

"uma interrogação que me inquieta e que gostaria de dividir com você é o grau de responsabilidade que Kant e schleiermacher tiveram nessa miscelania teologica que assombraram o seculo XX,"

Não sei quanto Schleiermacher, mas, quanto a Kant, ele anulou, previamente, a pretensão de Marx de afirmar cientificamente a negação de Deus. Kant fez ver a desonestidade envolvida no ato de afirmar ou negar algo que não é objetivo de provas no mundo físico. Mas ele foi além, preservando o lugar da fé.

Os teólogos que se baseiam apenas na razão pura sãos os tais que não entram nem deixam entrar no Reino de Deus. Kant é um bom remédio para eles. A existência da miscelânia teológica apenas confirma que eles não sabem do que falam.

Wagner Santana disse...

Augustus

Grande texto...

Creio no nascimento virginal de Cristo, nosso Suficiente e Unico Salvador. Comemorarei o Natal e beberei vinho sabendo que não é o vinho o pecado, mas perder o controle e o limite ao tomá-lo e se embriagando com ele, isto sim é pecado.

Diante destas afirmações, será que não mereço o Porto...

Abraços

Anônimo disse...

Querido irmão Augustus! De fato, seus escritos tem sido benção no meio do povo de Deus, especialmente por fortalecerem a fidelidade ao Senhor Jesus e às Escrituras Sagradas!

Apesar de, como dito, não ser o foco do post, peço licença para entrar um pouco mais no assunto do vinho! Até porque em minha cidade (brasília) um dos grandes jornais da cidade estampou no final de semana a seguinte manchete:
"A juventude é dominada pelo álcool" (jornal de brasília)!

Tenho observado uma enorme onda de veneração ao Vinho! Mais do nunca as rádios, TVs, supermecados abrem espaço ao vinho e ao "glamour" que o envolve.

E isso me põe em alerta pois há um princípio bíblico, disseminado no novo testamento, que nos manda fugir de todas as paixões desse mundo, da mocidade, da carne etc.

Sei que não há proibição explícita nas Escrituras quanto ao uso do Vinho, mas, tirando, talvez, alguns crentes mais estudiosos, é possível que muitos não tenham se debruçado sobre as várias ponderações bíblicas e também históricas, quanto à inconveniência do uso do Vinho.

Por isso, reitero, a sugestão dada de leitura do texto de John MacArthur Jr. sobre o tema. Apenas por curiosidade, apresento aqui oito indagações que ele faz:

1 - O vinho de hoje é igual ao dos tempos bíblicos?
2 - É necessário?
3 - É a melhor opção?
4 - Cria um hábito?
5 - É potencialmente destrutivo?
6 - É ofensivo a outros cristãos?
7 - Prejudicará o meu testemunho cristão?
8 - É correto? Ou é bom que eu tome vinho?

o texto está no site do monergismo.com, mais especificamente em http://www.monergismo.com/textos/etica_crista/vinho_escritura_macarthur.pdf

Com muito amor eu lhe digo (talvez eu viva fora da realidade) que, depois de ler o post e todos os comentários de gente cujo conhecimento teológico eu admiro profundamente, eu fiquei extasiado (a palavra bíblica mais próxima seria escandalizado) com o aspecto do uso visível e social (coletivo) amplamente defendido.

De toda sorte, percebi claramente que não há nenhum tipo de apologia ao uso inveterado vinho e nem tenho a pretensão de dizer que é pecado sua degustação de meia taça com sua senhora.

Mas não poderia deixar de registrar minha visão quanto à inconveniência do vinho em nossos tempos, especialmente para os líderes!

No amor de Cristo,

Roberto

Eduardo Medeiros disse...

Reverendo, o Sr usou um recurso literário criativo para expor opiniões diversas sobre o nascimento de Jesus(porque quase todo mundo aqui está de olho na sua garrafa e não no cerne da questão?)

Só lamento que opiniões diversas da sua o levariam a não desfrutar da companhia de 4 amigos. Seriam amigos mesmos?

Feliz natal a todos

JOÃO EIRÓ disse...

Caro Augustus,
Eu fiquei com dúvidas sobre os neopuritanos. Eles têm se mostrado tão excêntricos, tão inventivos em esquisitices que objetivam legitimar a superespiritualidade que presumem ter e tão sectários nas suas posições que, talvez, sejam eles os que não bebam vinho. Os pentecostais estão "mundanizados", basta olhar a "câmera" das boas novas.
Eu não sei não, fiquei em dúvida.
Um grande abraço,
João Eiró

Fernando Baldini disse...

Essa foi boa!!!
Saúde.

Bruno Barroso. disse...

quero um gole!
Que texto bacana...
Olá Pastor...
Sou o Seminarista do SPRDNE, da oitava igreja, motociclista e palhaço, conversei com o senhor na atualização teológica que aconteceu aqui.
Que bom termos este equilíbrio, e que bom termos uma garrafa de vinho bem guardada.
Que Cristo nos ilumine a entender os fracos, e amar sem condenação aos que nos impede de bebericar...
Feliz Natal nobre pastor.
At,Bruno Barroso.
www.brunobarroso.com

João de Séllos disse...

Pr. Augustus,
Qualquer dúvida quanto ao vinho, pode me dar que não tenho problema com isso, muito menos com o nascimento virginal de Cristo ou a comemoração do Natal. Gostaria de lembrar que o primeiro milagre de Jesus (quando encarnado) foi transformar a água em vinho!
Ah, preciso comentar sobre o que o Oliveria falou...o que pode gerar câncer de colo uterino é a infecção com o papiloma vírus humano (HPV) que inclusive é a causa do crescente índice de câncer no orgão sexual masculino...
Aproveito para dizer que viajei com minha esposa a Bento Gonçalves (Serra Gaúcha) e visitamos várias vinícolas! Recomendo a visita!
Abraços e bom Natal!

exegese biblica disse...

Sou pentecostal, não tomo vinho mas celebro o natal. Apesar de receber tantas "agulhadas" do senhor(falo em nome dos pentecostais), sou ouvinte assiduo de suas mensagens e leitor voraz de seus artigos. Gostaria muito de algum dia poder brindar com o senhor uma boa taça de vinho...maguary, (ha,ha,ha, topa?). A paz de Nosso Senhor Jesus Cristo ao senhor e sua dignissima familia. O admiro muito. Feliz natal!

Anônimo disse...

Rev. Augustus

O Princípio Regulador do Culto possui implicações claras para quem deseja promover a celebração do Natal. Ele obriga quem deseja comemorar essa data a provar, a partir das Escrituras, que Deus a autorizou. Isso, na verdade, é impossível. Além do mais, a celebração do Natal viola outros princípios bíblicos.

Anônimo disse...

REV. AUGUSTUS

Muitos cristãos passam quase todo o mês de dezembro se preparando para o Natal, decorando suas casas, escritórios e igrejas, comprando presentes, assando tortas e bolos, ensaiando e memorizando cantigas, peças teatrais, recitais de música etc. Muitas pessoas que raramente entram em uma igreja vão ao culto de Natal. As pessoas normalmente nem piscam por violar o dia do descanso, fornicar, adulterar e se embriagar; mas consideram fanáticos alucinados os cristãos que não celebram o Natal.

Enézio E. de Almeida Filho disse...

In vino veritas! Viu só quantas verdades 'guardadas' que apareceram?

Danilo Neves disse...

Solano,

Videozinho bom pra gnt mandar para amigos, em vez daqueles cartões de natal "paz e amor":

http://www.youtube.com/watch?v=tvx5uNV02lY

Maykon Johny disse...

Olá Rev. Augustus...

Segundo o texto "O uso do vinho na Escritura", de John MacArthur Jr., os vinhos consumidos na antiguidade bíblica tinham teores alcoolicos diferentes dos consumidos nos tempos modernos...

Veja o texto na íntegra:

http://www.monergismo.com/textos/etica_crista/vinho_escritura_macarthur.pdf

O que o senhor acha deste e dos outros argumentos do autor sobre consumo do vinho neste texto?

Forte abraço...

Oliveira disse...

Caros colegas comentaristas

Prometo que vou ler o texto recomendado sobre o vinho que o famoso pregador escreveu.

Provavelmente ele vai explicar a tese do "vinho novo" muito usada nos ambientes assembleianos (onde nasci e cresci) para justificar seus argumentos.

Mas por enquanto vou apenas responder os questionamentos de um colega acima, mas não vou usar o vinho mas sim a televisão e vamos ver se tais perguntas são logicamente coerentes para justificar uma doutrina e prática cristãs:

1 - O vinho de hoje é igual ao dos tempos bíblicos?
Não dá nem para comparar pois a TV naqueles tempos ainda não existia.

2 - É necessário?
Não, é perfeitamente possível se viver sem ver televisão.

3 - É a melhor opção?
Certamente que não, um bom livro seria uma opção melhor.

4 - Cria um hábito?
Com certeza, tem gente que fica horas e horas vendo televisão.

5 - É potencialmente destrutivo?
Sem dúvida nenhuma, dependendo da programação escolhida.

6 - É ofensivo a outros cristãos?
Sim, na Assembléia (em alguns Estados e ministérios) e na Assembléia da minha infância era plenamente ofensiva. Tinha uma frase ridícula que meu pastor usava: "Crente que ora tem visão... crente que não ora vê televisão..." Depois disto ele pregava 40 minutos contra o tal aparelho, literalmente chamado de caixão do diabo (com chifre e tudo - a antena em forma de V que ficara interna na casa e sobre o aparelho).

7 - Prejudicará o meu testemunho cristão?
Sim, o irmão que tinha TV, e se descobria tal fato, era excluído da comunhão, se fosse obreiro era afastado e sua "fala autorizada" se perdia e as pessoas já não o consideravam verdadeiramente espiritual e seu testemunho já não era mais considerado e ouvido.

8 - É correto? Ou é bom que eu tome vinho?
Dependendo do que se vê na TV, não é correto, dependendo do contexto cristão que se vive, se puritano demais além da conta então é bom que não se veja na frente dos irmãos.

continua...

Oliveira disse...

continuação...



Pois bem... respondi... isto quer dizer que ter TV é pecado?
Quer dizer que não deve ser uma prática do cotidiano de um cristão verdadeiro?

Sei não....
O mesmo se dá com o vinho.

O mesmo raciocíneo usado pelos meus pastores do passado para condenar a TV, é o mesmo usado acima pelo ilustre pregador para condenar o vinho.

Depois eu volto para criticar a tese do vinho novo, mas vou ler antes os argumentos do pregador.

As questões acima, que já vi superficialmente são os tópicos do seu texto... a meu ver são fracas para a abstinência total de televisão.

Inclusive eu recomendo:
- O History Channel;
- O TCM;
- O canal Novo Tempo 141 (Adventista) Mesmo não sendo eu um adventista);
- e mais alguns outros.

Faltou dizer, que estes meus pastores do passado (alguns deles ainda vivos), hoje, se "matam" em pedir dinheiro pela televisão para manter e custear seus programa "evangelísticos".

Abraços.

Me desculpe o "amargor" das palavras, mas é que os meus "traumas" de excesso de puritanismo me deixam pouco paciente com questões deste tipo.

Em lugar de pregar o equilíbrio, corta-se o "mal" pela raiz.

Se beber vinho pode me levar a embriaguez, então corta-se logo vinho de uma vez e prega-se abstinência como o melhor caminho.

Ora a mesma lógica fraca deveria ser aplicada por eles quanto a comida... se comer demais leva a glutonaria, então que não comam mais...

Dá para se dizer que o verdadeiro cristão é aquele que entre outras coisas: não come, não bebe e não vê TV?

Ou vão tentar me convencer que assim como supostamente o teor alcoólico do vinho do tempo de Jesus era diferente do de hoje, assim também o teor calórico da comida do tempo de Jesus.... sem comentários...

Eclesiastes diz:

7.16 Não sejas demasiadamente justo, nem exageradamente sábio; por que te destruirias a ti mesmo? 7.17 Não sejas demasiadamente perverso, nem sejas louco; por que morrerias fora do teu tempo? 7.18 Bom é que retenhas isto e também daquilo não retires a mão; pois quem teme a Deus de tudo isto sai ileso.

Lucas diz:

7.33 Pois veio João Batista, não comendo pão, nem bebendo vinho, e dizeis: Tem demônio! 7.34 Veio o Filho do Homem, comendo e bebendo, e dizeis: Eis aí um glutão e bebedor de vinho, amigo de publicanos e pecadores!

Pastor Geremias Couto disse...

Caro rev. Augustus:

Cheguei um pouco atrasado, mas se o Porto ainda estiver por aí não se esqueça de mim.

Maykon Johny disse...

Olá Oliveira...

Não achei suas palavras amargas não... apenas bem contrárias ao suposto “excesso de puritanismo” do autor do texto.... só que eu particularmente já achei o texto bem razoável... e, diferentemente de vc, eu acho sim que se o vinho da antiguidade for mesmo diferente do vinho moderno, como afirma o autor, pra mim, faz mesmo diferença... tbm acho que só pq uma lógica faz sentido para uma determinada situação, isso não quer dizer que ela deve ser aplicada em todas as demais... estou dizendo isto baseado nas suas afirmações sobre a relação do vinho com a comida.

Mas vou continuar aguardando a posição do Rev. Augustus... se os demais colegas tiverem paciência para ler o texto e quiserem comentar mais sobre suas impressões, sejam elas contrárias ou favoráveis à posição do autor, tbm ficarei satisfeito...

Graça e paz a todos...

Oliveira disse...

Caro Maykon

Que bom que não se ofendeu.

Ainda não li o texto do famoso pregador, então não posso criticá-lo, assim que tiver lido, voltarei para um último comentário.

Entendo que Romanos 14 se aplica bem ao caso.

E continuamos a viver fraternamente sem problemas.

Você não beberá por causa do Senhor.
Eu beberei por causa da liberdade que o Senhor me dá.

"Cada um esteja inteiramente seguro em sua própria mente." Romanos 14.5b

Dá uma relida em todo o capítulo de Romanos 14 e verás o que eu penso (petulante eu não?) sobre o assunto.

Saiba portanto que na tua frente não beberei vinho... não quero escandalizar o irmão.

Depois de ler o texto recomendado eu retorno.

Grande abraço!

Natan

André Eler disse...

vou deixar as amenidades sobre vinhos de lado. Eu não entendi a lógica pela qual a falta de pecado é consequência do nascimento virginal e gostaria que o Rev. Augustus Nicodemus Lopes me explicasse.

Desenvolvendo:
o pecado passa pelo sexo, ou pela concepção sexuada? Todo fruto de nascimento virginal nasce sem pecado?

Marcelo Hagah disse...

Prof. Augustus Nicodemus,

É mesmo muito bom lê-lo. Cada vez mais irresistível o "O Tempora O Mores". Bebamos o seu vinho juntos, então. Nós, os batistas, que cremos na eleição, portanto na miséria humana sem a graça salvadora de Jesus, bebemos com a alegria o nascimento do nosso Redentor.

Marcelo Hagah
João Pessoa-PB

http://hagah72.blogspot.com

Augustus Nicodemus Lopes disse...

Maykon,

Não li o artigo de MacArthur e na verdade não pretendo lê-lo, pois não tenho interesse neste assunto.

Vou só pegar o que você disse que é o fulcro do texto dele, ou seja:

"... os vinhos consumidos na antiguidade bíblica tinham teores alcoolicos diferentes dos consumidos nos tempos modernos"

Eu não duvido que seja verdade, pois não existe um teor padrão universal para vinhos. Podemos encontrá-los em vários teores alcoólicos diferentes em qualquer lugar e à qualquer época.

As duas questões que realmente importam são estas:

1 - O teor alcoólico dos vinhos produzidos nos tempos bíblicos, mesmo sendo inferior ao dos vinhos produzidos hoje, era alto o suficiente para que as pessoas se embriagassem caso viessem a abusar dos mesmos? E a resposta óbvia da Bíblia é SIM. Veja estas passagens:

Gen 9:21 - Noé se embriagou bebendo vinho e acabou cometendo imoralidade.
Gen 19:32 - As filhas de Ló o embriagaram com vinho e o levaram a cometer imoralidade.
Lev 10:9 - era proibido o sacerdote beber vinho quando estava de serviço no templo, para não fazer bobagem.
1Sam 1:14 - O sacerdote Eli pensou que Ana tinha tomado vinho demais e ficado bêbada.
Isa 28:7 - O profeta se refere a pessoas que andam cambaleando por terem abusado do vinho. Veja também Naum 1:10.
Efésios 5:18 - Paulo proibe que os crentes se embriaguem com vinho.
1Tim 3:3 e 8; Tito 1:7 - líderes da igreja não podem ser dados a muito vinho.
Tito 2:3 - mulheres crentes idosas não podem ser escravizadas ao vinho.

Estes são apenas alguns exemplos de que o vinho nos tempos bíblicos, qualquer que fosse o seu teor alcoólico, era forte o suficiente para deixar pessoas bêbadas, cambaleantes e perderem o juízo - não parece que era muito diferente do que temos hoje. Pode ser que naquela época era fraquinho, uma espécie de suco de uva glorificado, mas ainda causava um baita estrago...

2 - A segunda questão é esta: se o vinho nos tempos bíblicos era forte o suficiente (ainda que com teor alcoólico inferior ao vinho moderno, segundo MacArthur) para fazer estes estragos todos, qual é a atitude que os autortes bílicos inspirados determinaram ao povo de Deus? E a resposta é: MODERAÇÃO. Eles não disseram que era proibido beber vinho. Eles proibiram a embriaguês, o ficar bêbado, alterado a ponto de dizer, falar e fazer bobagens.

Portanto, o argumento do MacArthur é tão fraquinho quando o vinho daquela época que ele imagina...

Considero que esta é a posição correta: moderação. Caso algum irmão deseje ser abstêmio, que o seja. Respeitarei totalmente sua postura, pois creio que beber vinho, ou não, é uma questão de liberdade cristã temperada com amor e preocupação com o próximo. E volto a dizer - raramente provo vinho ou outra bebida qualquer e pela graça de Deus nunca fiquei ao menos alterado com bebida alcoólica todo este tempo em que sou crente.

Augustus Nicodemus Lopes disse...

André,

No pensamento Reformado, que considero bíblico, a culpa do pecado de Adão foi imputada à sua descendência e a corrupção de sua natureza transmitida por geração ordinária a seus filhos.

Transmitimos a natureza pecaminosa (e não necessariamente o pecado, como você chama, que é a expressão desta natureza) aos nossos filhos pela concepção sexuada, é claro. Isto não faz do sexo uma coisa ruim, nem pecaminosa em si. E tanto o homem como a mulher cooperam na transmissão desta natureza corrompida na concepção.

No caso de Jesus, a ação do Espírito Santo sobre Maria foi em duas direções: (1) a fecundação de um óvulo dela sem a participação masculina e (2) impedindo que a corrupção da natureza de Maria fosse transmitida ao novo ser. Desta forma, Jesus nasceu verdadeiro homem mas sem a corrupção da natureza humana da qual partilham todos os demais seres humanos.

Na teologia histórica do Cristianismo, a impecabilidade de Cristo sempre foi associada a sua concepção virginal. Karl Barth tinha um pensamento diferente, conforme mencionei no post.

Fico por aqui.

Oliveira disse...

Caro Maykon e demais leitores

Agora já li o texto.

De fato era a tese do vinho novo.

Na primeira página já desanimei... o autor do texto parece ser dispensacionalista... mas tudo bem, ninguém é perfeito.

Mas o texto é interessante e o autor simpático e não dogmático (coisa que os meus pastores do passado eram, ou seja... era suco de uva e ponto final, e aí daquele que contrariasse a tese, recebia uma "rajada de línguas estranhas" - não é ironia minha, são literalmente as palavras que eu ouvi de um pastor conhecido meu, me explicando como ele calava os rebeldes - e depois da "rajada" o rebelde "já saía pisando mansinho, mansinho."

MacArthur não é dogmático.
Várias vezes ele usa expressões como "É provável...", "Creio que...", "... é muito provável que...", etc.... e então ele combina dados históricos, com sua opinião, suposição e especulação sobre o assunto.

Mas ele tem pressupostos complicados quando acha difícil crer que Jesus teria transformado e servido um vinho com potencialidade de embriagar. Parece um amigo meu que ontém mesmo me disse que cria no livre-arbítrio pois não poderia conceber um Deus criando uma pessoa para ser má. Citei o texto do vaso para honra e o vaso para desonra mas ele nem me ouviu, o seu pressuposto lógico falou mais alto.

Quando ele fala que "é óbvio que se tratava da bebida..." suave e xarope... não sei de onde ele tirou este ÓVBIO. Para mim é óbvio que se tratava de vinho potencialmente embriagante e mais abaixo explico o meu olhar.

Pois bem, vamos as minhas ponderações, na realidade críticas contra esta tese do vinho novo (ainda não fermentado, que era ou suco, ou era de baixo teor alcoólico).

Queria ter o dom do Senhor Jesus em rebater tudo numa só frase, e certamente aqueles caras (saduceus) que não acreditavam na ressurreição nem na vida após a morte, certamente que eles também conseguiriam ser tão fluentes e escrever também 10 páginas para justificar à luz da Torá que a ressurreição não existia, e o Senhor Jesus acabou com eles apenas dizendo que Deus É o Deus de Abraão de Isaque e de Jacó, e não que Deus ERA ou TINHA SIDO o Deus de Abraão de Isaque e de Jacó. Notável o Senhor Jesus!

Mas que você me perdoe por estar escrevendo demais, entendo que bastam três exemplos bíblicos para derrubar esta tese do autor MacArthur.

continua...

Oliveira disse...

continuação...


1. Quando os caras trouxeram para o mordomo provar o vinho que Jesus tinha transformado, o cara disse mais ou menos assim "Estranho... nas festas serve-se o vinho bom primeiro e depois que o pessoal está BÊBADO E PASSADO sem condições de discernir entre vinho bom e ruim, então é que servem o ruim, e você fez o contrário, primeiro serviu o ruim e depois serviu o bom."

1.1. Fica claro (para mim) que ele está comparando o vinho de Jesus com o vinho bom que era costumeiramente servido primeiro, logo era embriagante, e jamais poderia ser suco de uva ou xarope, pois bebendo suco de uva os caras nunca ficariam bêbados e perceberiam sim quando fosse trocado suco (ou vinho novo ainda não fermentado) pelo vinho velho fermentado e alcoólico.

1.2. Não se escandalize, mas se Jesus tivesse ido num casamento entre os Godos, provavelmente teria transformado cerveja aguada na mais pura cerveja "alemã".

1.3. Mas como a minha interpretação pode ser considerada controversa (o texto não diz expressamente que eles bebiam o primeiro vinho até ficarem passados, mas diz "Todo o homem põe primeiro o vinho bom e, quanto já têm bebido bem, então o inferior...", um crítico minucioso do que estou advogando poderia dizer que o mestre-sala estaria dizendo, primeiro tu serves Coca-Cola e depois que ninguém já aguenta mais beber, tu serves Coisa-Cola... então passemos ao ponto 2.

2. Quando Paulo diz que o obreiro não deve ser dado a muito vinho, estaria ele falando de suco de uva? Faz sentido alguém ser dado a pouco suco de uva? Ou pior "Não seja dado a suco de uva".... o cara nem poderia então participar da ceia. E se era para não ser dado a muito vinho, então fica evidente que pouco vinho ele poderia tomar. Como também é uma interpretação controversa, pois o texto diz "nem dado ao vinho" um crítico minucioso poderia replicar que nem fala de muito nem de pouco... então passemos ao ponto 3.

3. Finalmente quando os irmãos de Coríntios tomavam a ceia, eles se passavam tanto no pão quanto na bebida, de tal forma que Paulo teve que corrigir e dizer que a ceia não era para que eles se embriagassem, mostrando claramente que o vinho usado tinha teor alcoólico, e não era pouco como MacArthur sugere pois uma ceia não durava tanto tempo assim, para eles ficarem a tarde toda tomando "suco" ou "xarope de baixo teor" até que depois de muito tomar ficassem levemente bêbados a ponto de serem advertidos por Paulo. Paulo os manda comer e beber em casa, e depois explica como deveria ser a ceia. Seria este ponto também controverso? Para um minucioso também seria... neste caso concluo com "Bem aventurado aquele que não se condena a si mesmo naquilo que aprova." Romanos 14.22b

Diante disto (meu olhar):

- Jesus transformou água em vinho potencialmente embriagante (segundo o depoimento do mestre sala que experimentou o mesmo e o comparou ao vinho que era dado para os convivas se embriagarem a ponto de depois não mais reconhecerem que a festa seria mesmo é regada a vinho ruim);

- O obreiro pode ser dado a pouco vinho, mas não a muito vinho. Ensino do apóstolo inspirado por Deus;

- A ceia na igreja primitiva era com vinho potencialmente embriagante.

Preciso dizer mais alguma coisa?
Para mim o assunto está pacificado.

Mas concordo com o final do texto de MacArthur, se você ainda assim tem dúvidas, então é melhor que não beba pois certamente pecará, pois o texto diz (e eu faço alguns acréscimos entre parênteses): "Mas aquele que tem dúvidas, se come (bebe) está condenado, porque não come (bebe) por fé; e tudo o que não é de fé é pecado." Romanos 14.23.

Reverendo Nicodemus, obrigado pela paciência.
Agora vou dividir o texto em pedaços para poder publicar.

Grande abraço!

Maykon Johny disse...

Natan e Rev. Augustus...

Agradeço pelos comentários e principalmente pelas referências bíblicas usadas para justificar suas posições...

lí rapidamente os argumentos de vcs e tbm achei bem razoáveis, mas continuo achando o texto do "famoso pregador" bem convincente tbm...

colei os comentários de vcs no word e salvei no meu pc para uma leitura mais minuciosa no final de semana...

Natan...

fique a vontade irmão, não vou me escandalizar se vc tomar uma taça de vinho após as refeições... muitas vertentes da ciência laica até dizem que faz bem ao coração... da mesma forma que não vou me escandalizar com a presença de alguém comendo carne só pq sou vegetariano... a única coisa que me aborrece é o tabaco, por causa do odor insuportável que me embrulha o estômago... rsrs...

Graça e paz a todos...

tania cassiano disse...

Rev. Augustus,
Sem querer fazer apologia, o que custa um taça de vinho, de vez em quando? Acredito num exemplo onde o prazer de uma boa refeição e por que não, de um bom vinho,está no filme a "Festa de Babete". Não vamos nos embriagar, como acontece com alguns nos filmes, mas as duas irmãs os degustou e manteve a moderação, a piedade e caridade cristãs.

Douglas Sborowski disse...

Rev. Augustus,
Acabei de conhecer o blog e pelo pouco que li sobre alguns post minha admiração humana por sua pessoa aumentou. Que Deus continu a lhe abençoar e que lhe dê mias e mais vigor para a continuidade de sua jornada dentro dos arraias presbiterianos. Sou membro da Igreja presbiteriana de Araraquara (SP), missiónário da Missão Evangélica SEMEAR (www.missaosemear.blogspot.com)e atualmente estou trabalhando de tempo integral com famílias na igreja local. Que Deus lhe dê paz em todo o tempo.
Um abraço,

Glauber Menezes disse...

Acho que cheguei atrasado.

Eu sou pentecostal, celebro o Natal, acredito no nascimento virginal, e na impecabilidade de Cristo.

Acho que só me restava torna-se seu amigo para arrematar o bom vinho :)

Ulisses disse...

Reverendo por favor, essas são as correntes teológicas (Liberal, Pentecostal, Neopuritano, Neo-ortodoxo) ou existe outras?

Obrigado!

Anônimo disse...

A paz de Cristo a todos, sou pastor em uma comunidade pobre e marginalizada, tenho algumas ovelhas que foram: traficantes, viciados em drogas, prostitutas e muitos alcoólatras. Em tão chegou um dito reformado falando que a bíblia nunca proibiu o beber vinho, essas pessoas da igreja começaram a se reunirem para beberem vinho (pois não é pecado?) começou no meio da igreja um montão de crentes beberem vinho. Muitas esposas destes crentes chegaram até a mim como pastor, e falaram que os seus maridos estavam se reunindo com alguns irmãos da igreja para conversarem e beberem apenas um pouquinho de vinho. Conclusão hoje está uma igreja com 20% dos membros e obreiros viciados em vinho. Será que verdadeiramente o vinho tem sido benção no meio reformado? Atenção: um alcoólatra nunca começa com uma garrafa, mas, sim com um copo!
Obs. Somente uma reflexão para todos os leitores, pois esta história esta baseada em fatos e verdade, não apenas em minha opinião formada sobre o assunto do vinho!

Augustus Nicodemus Lopes disse...

Caro anônimo,

O problema desta comunidade foi a falta de domínio próprio, de vida espiritual profunda, de comunhão com Deus.

Conheço centenas de outros casos de irmãos e irmãs que bebem ocasionalmente um pouco de vinho e que nunca se excederam e se embriagaram.

Não sou contra, numa comunidade como esta, que se adote a abstenção absoluta do álcool, considerando o passado dos membros. Eu sou contra que se faça disto uma regra geral para toda Cristandade, quando a própria Bíblia não exige isto.

Abs.

Afonso Celso disse...

Ola Reverendo, tava quase me candidatando pra receber a tal garrafa quando no fim do seu post vi que tu bebeu ela com a esposa... isto não se faz! Provocar agua na boca pra depois deixar-nos a chupar os dedos!

Aqui em Canela-RS cairia muito bem tal garrafa!!! rsrsrs

Anônimo disse...

Olá Augustus,

Me chamo Ismael e leio regularmente seus posts, pois os aprecio muito. Hoje 04/12/10, recorri a ele porque lembrei de um post teu a respeito do incentivo do uso da caminha pelo poder público, incentivo este que vem usando as escolas como canal para isto.

Tentei tormer-me seguidor mas estranhei a mensagem que afirmava que o "blog me bloqueou como seguidor". Não sei o porque, mas de qualquer maneira pretendo continuar a acompanhar seus posts.

Feliz ano novo.

Ismael Fernandes

Anônimo disse...

também concordo que o beber, sem excessos, não é em sí pecado.

Mas devo lembrar os irmãos que, com excessão dos verdadeiros vinhos verdes, os vinhos mais fracos, hoje em dia, tem três quatro vezes mais alcool que os vinhos da antiguidade.

Danielle Ribeiro Santos disse...

A Paz do Senhor,

Interessante o texto, mas, há exceções, principalmente na vertente pentecostal. Exemplo perfeito é a Congregação Cristã no Brasil que não comemora o natal e que celebra a Santa Ceia do Senhor com “vinho de verdade”, e que seus membros fazem uso moderado de bebidas alcoólicas em suas casas ou festas, os detretores dessa denominação chamam na maliciosamente de Congregação Cristão do Barril, pura ignorância.
Eu sou outro caso de exceção, apesar de assembleiana (pentecostal), não comemoro o natal e faço uso de bebida alcoólica, com moderação e raramente, é lógico.

Igor disse...

De fato não sou totalmente contra o natal, vendo pelo lado da comemoração do nascimento de Cristo, entretanto o que não me agrada e acredito que não agrade a Deus é a questão da "meia verdade" referente a data, exemplo: se eu nasci em uma data "x" mas mudo esta data para "y", o que estou fazendo? Mentido ou omitindo, não importa o que seja os dois casos são inverídicos ou fora da verdade (e onde não existe verdade Deus não esta lá), mas concordo se neste período de forma simbólica comemorássemos o nascimento de Cristo, ai sim explicaríamos de fato o que esta data representa por trás de todas estas comemorações, para não cairmos no "erro" de repassar informações inverídicas referente a data de nascimento de Cristo.
Perdoe-me se estou sendo um pouco radical, mas é porque nos acostumamos com tantas mentiras, cauterizando nossa mente e nos tornando apenas religiosos e não Cristãos de fato.
A paz de Cristo seja contigo.

Augustus Nicodemus Lopes disse...

Igor,

Não acho que você está sendo radical. Concordo com acabamos nos acostumando com as muitas mentiras ao nosso redor, se não tivermos cuidado.

Eu concordo também que é uma mentira tentar passar a ideia que Jesus nasceu em 25 de dezembro.

Todavia, pelo menos no meu caso e na maioria dos pastores que conheço, procuramos deixar claro que 25 de dezembro é apenas uma convenção, uma tradição antiga dentro do Cristianismo, e que o ponto da comemoração é, como você mesmo disse, o nascimento de Jesus Cristo. Se deixarmos claro que a data é apenas uma tradição, e não a data exata - a qual é desconhecida - não vejo problemas.

Abraços.