terça-feira, julho 20, 2010

Rumos da Igreja Presbiteriana do Brasil - II

Na semana passada em Curitiba, numa votação tranquila, a quase absoluta maioria dos mil e duzentos representantes dos presbitérios da IPB decidiu permanecer com os seminários da denominação oferecendo cursos livres de teologia.

O Supremo Concílio de 2006 havia determinado que se fizessem estudos visando a possibilidade de transformar o Centro Presbiteriano de Pós-Graduação Andrew Jumper, que oferece cursos livres de teologia em nível de pós-graduação, em um curso de mestrado e doutorado em teologia com reconhecimento da CAPES. Determinou também que se estudasse a possibilidade e conveniência de transformar alguns de seus seminários em escolas de teologia que oferecessem bacharelado com reconhecimento do MEC.

As duas comissões que trataram do assunto – uma comissão especialmente nomeada para isto e a Junta de Educação Teológica – chegaram à mesma conclusão, de que é do melhor interesse da IPB manter o controle teológico de suas escolas de teologia, visando a formação de seus pastores e líderes dentro de uma visão reformada.

O plenário do Supremo Concílio, semana passada, acolheu e ratificou esta conclusão sob o comando da nova Mesa (foto). Os pastores presbiterianos que desejarem cursos com reconhecimento do MEC ou da CAPES poderão cursá-los nas dezenas de estabelecimentos que os oferecem Brasil afora, ou, preferencialmente, no Mackenzie. À semelhança de outras universidades, a Universidade Presbiteriana Mackenzie, que é da IPB, oferece um bacharel em teologia reconhecido pelo MEC, mas que não visa a formação de pastores e sim de teólogos e professores de religião (assim mesmo, este curso de teologia é confessional, seguindo aquilo que a Lei de Diretrizes e Bases define como escola confessional, aquelas “atendem a orientação confessional e ideologia específicas,” Art. 20 inciso III).

48 comentários:

Ligian disse...

Pastor,
Eu oro para que a IPB continue tomando esse tipo de decisão, preservando nossa identidade doutrinária e histórica.

Anônimo disse...

Não acompanhei o debate da questão, portanto não pude tomar conhecimento dos argumentos. Mas lamento que a IPB não tenha aprovado, quanto aos seminários, o curso reconhecido. Isso mostra a postura por demais conservadora, e porque não dizer medrosa, de muitos de seus líderes. Isso fará com que muitos pastores busquem a validação em escolas de outras denominações, que já tem curso reconhecido, sem qualquer prejuízo de sua confessionalidade, do controle de seus conteúdos. A liderança da IPB vai, outra vez, na contra-mão de uma vanguarda mui produtiva. Uma pena.

Augustus Nicodemus Lopes disse...

Anônimo das 22:34,

Pois é, a IPB não tem jeito mesmo, quer continuar a ser conservadora pela maioria absoluta de seu concílio maior. Seminários crescendo, membresia crescendo.. para que mudar e adotar receitas que outras denominações adotaram e se deram mal teologicamente e não estão crescendo? Se isto é medo, não é medo dos líderes, mas do plenário que representou a IPB toda.

Sua afirmação de que há cursos reconhecidos sem prejuízo de sua confessionalidade carecia antes uma definição do que se entende por confessionalidade. Pois se a confessionalidade pretendida se afinar com a ideologia teológica humanista do MEC, como se viu claramente no parecer 118/2009 e 51/2010, não haverá conflito algum, realmente.

Será que não é você que está na contramão...?

Anônimo disse...

Rev. Nicodemus,

minha questão vai para outra direção: para que precisamos de um bacharelado em teologia, reconhecido pelo MEC? pastor que é pastor, não teria que se preocupar com validação, e sim com uma teologia sã e correta para ministrar em sua igreja! Se quiser uma formação complementar, vá estudar filosofia, letras, história, geografia, economia, direito, ... o que irá enriquecer sua cultura geral e torná-lo ainda mais preparado para os desafios de hoje. A teologia Reformada, confessional, dogmática, dos nossos seminários é suficiente para o pastorado da igreja!!

Sei que o bacharelado em teologia do Mack é deficitário, e é cursado por pessoas que não serão aproveitadas no ofício pastoral. Para que manter esse curso? Não seria melhor extingui-lo?
Outra coisa: quase todo pastor que conheço quer fazer mestrado na EST, no Jumper, ... para que? o bacharelado não está dando conta? querem título? querem dar aula? quer dizer que o pastorado virou segunda atividade...? é por que não tem que pagar, então "aproveitam" para dourar o diploma? será que isso para todos?corre até piada - "vc não é um bom pastor então vira mestre". O mestrado não deveria ser uma opção mais seletiva, somente àqueles que demonstrarem vocação para pesquisa? ... dos "mestres" que conheço só vi o título.. nem mesmo no ofício pastoral senti diferenças...

Acho que há uma disfunção nessa questão. Sou favorável a que os pastores estudem exaustivamente, se esmerem na pregação e no ensino... mas, para isso precisa de "mestrado"? o que está acontecendo?

Abçs

Ricardo

Anônimo disse...

Ô Anônimo das 22:34, não fique passando vontade não, vem logo pra IPB! Aqui nóis é crente, cabra!

Anônimo disse...

"pastores presbiterianos buscando validação em escolas de outras denominações"???

Me poupe, vai! Parece piada sem graça. Esse Anônimo parece que miolou!

Sangue de Jesus tem poder!!!

CArlos Jr disse...

Uma decisão que agrada ao Espírito de Cristo, manteremos a confessionalidade e desta forma o pensamento Bíblico vai prevalecer em nossas instituições de ensino.

REV. LUIZ GUSTAVO CASTILHO. disse...

Graça e Paz Rev. Augustus

Louvo a Deus pela pela decisão da IPB de preservar o controle de nossa educação teológica em um âmbito intra corpus. Só lamento, embora compreenda o limite de atuação do Concílio na vida de seus ministros, uma grande demanda de pastores e professores de teologia de nossos seminários, buscando pós-graduações em instituições católicas e importando sua teologia para as salas de aula e para os púlpitos. Precisamos revitalizar em nossa liderança uma cosciência confessional e uma reaproximação consciente da genuína teologia reformada.

abraços a todos!!!!!

Anônimo disse...

Caro Pastor, essa história de "ver o que se entende por..." já turva o debate propriamente. Falo por experiência. Fiz a validação em uma escola de linha luterana (não luterana propriamente, muito mais conservadora em termos teológicos e muito ligada a missiologia)que, em seu conteúdo, não tinha uma leitura sequer de autores que não aqueles reconhecidos pela linha doutrinária da instituição. Antes que se diga, não são autores 'liberais'. A Faculdade tem sua linha e é reconhecida. Ensina o que quer ensinar. Os professores são ligados à filosofia da Faculdade. Vejo que a IPB cria certos moinhos de vento contra os quais lutar, mas não reflete, com coragem, nos benefícios de uma mudança que significaria um salto de qualidade, que significaria um quadro de profesores melhor, um ensino mais qualificado... jamais um ensino em ruptura com as linhas reformadas.

Pedro disse...

Reverendo Augustus,

Desculpe estar postando fora de lugar, sobre algo que o post não tem a ver.
Mas gostaria de saber da sua opinião a respeito desse "Templo de Salomão" que Edir Macedo deseja (re)construir em São Paulo, ao custo de meros 200 milhões.
Sei que a IPB considera a IURD como seita, mas fico indignado quando vejo tamanho exibicionismo e ludibriação.
Obrigado.

Augustus Nicodemus Lopes disse...

Ricardo,

Acho que temos que separar as coisas. Uma, a preparação dos pastores da denominação para servirem nas igrejas e em seus seminários. Para isto a IPB mantém 8 seminários teológicos espalhados pelo Brasil e um centro de pós graduação em São Paulo (o Andrew Jumper).

Outra coisa é o desejo de alguns pastores para dar aulas em instituições de ensino reconhecidas pelo MEC, em escolas públicas, ou mesmo o desejo de obter um grau de mestre ou doutor em outras áreas. Para isto, a IPB mantém na Universidade Presbiteriana Mackenzie um curso de teologia reconhecido pelo MEC, um curso de mestrado em Ciências da Religião e um programa de validação de cursos de teologia obtidos nos seminários maiores das denominações.

Eu não tenho nada contra pastores que desejam estudar em instituições reconhecidas, desde que não acabem transformando o pastorado num mero trampolim para outras coisas ou um "bico" para ganharem a vida.

O que eu acho que a IPB acertou foi em não misturar as duas coisas. Ela continua preparando seu próprio pessoal (pastores e professores) e dá oportunidade para os que quiserem seguir estudos reconhecidos pelo MEC.

Abs.

Augustus Nicodemus Lopes disse...

Anônimo das 08:52,

Não turva em nada o debate, ao contrário, esclarece o que está em jogo.

Você fala por sua experiência. Eu poderia citar outras experiências de pastores presbiterianos que foram estudar em cursos reconhecidos de denominações históricas e que passaram mal bocados. Tem experiência de um lado e experiência do outro.

Sobre "liberais," é mais uma vez uma questão de definição, não é mesmo?

A IPB não cria moinhos de vento. Ela está atenta à história e percebe com clareza o que está em jogo. Não lhe falta coragem, como as decisões tomadas nesta última reunião demonstra. É este salto de qualidade é duvidoso, a julgar pelo que tenho lido de professores que estudaram em instituições reconhecidas.

Givaldo Lins disse...

Rev. Augustus

O senhor se ateve apenas neste post em falar dos cursos de teologia da IPB, entendo perfeitamente seu interesse sendo o irmão chanceler da Mackenzie. Mas o que eu gostaria de saber é, o senhor pretende expor e esplanar em outro tópico sobre as demais resoluções do SC?

Augustus Nicodemus Lopes disse...

Givaldo,

Aqui no blog não falo como chanceler do Mackenzie. Falo como crente, membro da IPB e pastor presbiteriano.

Sobre as demais decisões do SC-IPB, mencionei as mais importantes no penúltimo post.

E comentei apenas aquelas que alguns leitores pediram.

Grande abraço.

Anônimo disse...

Rev. Nicodemus,

Entendo a escolha da IPB. Se a IPB pode acolher seus seminaristas,ela não precisa do reconhecimento do MEC.
No entanto, sei que muitos seminaristas de outras denominações, é o meu caso, se não fosse o curso reconhecido pelo MEC ( a faculdade que estudei oferece o curso de teologia reconhecido), eu estaria agora com aquele sentimento de que "foi em vão todo sacrifico".
Conheço muitos seminaristas que não acham igrejas para trabalhar (meu caso), e nem sempre é por rebeldia, ou coisas do tipo. O que sei é que hoje no Brasil, existem um numero significativo de seminaristas sem igrejas, pois não acham campo. O curso reconhecido, pelo menos pode dar uma esperança de prosseguir os estudos.

Abraços,
Ivan Fraga

Anônimo disse...

Rev. Nicodemus,

Aproveitando para fazer outra colocação.Quando terminei meu curso, isso a um ano e meio aprox, venho constatando que todos os anos se formam "inúmeros seminaristas". Contudo, muitos desses seminaristas ficam a "ver navios". Não é fácil achar um campo - pelo menos em minha denominação tenho percebido isto. O sentimento de frustração é muito grande.
E para piorar as coisas, vez por outra ouço em campanhas de missões o famoso desafio: "a ceara é grande e poucos são os ceifeiros".
As vz me pergunto, será que isso se aplica ao Brasil? Para onde vai tantos seminaristas? E quanto aqueles que não acham um campo para trabalhar?
Conheço muitos seminaristas que não trabalham porque não acham campo.E olha que nem sempre está em jogo a exigência salarial. Muitos dariam qualquer coisa por um 'salário mínimo', e mesmo assim não tem achado campo.
Embora alguns teólogos mais "otimistas" insistam em dizer que há outros campos para os seminaristas atuarem, acho que ainda, ao menos no Brasil, a igreja continua sendo o principal campo. Mas, como já disse, não é fácil achar campo. A sensação que tenho, ao menos na minha denominação, é que, infelizmente, parece que funciona o método QI (quem indica). O curso reconhecido, apesar de tudo, pelo menos ameniza a frustração.

Ivan Fraga

Jonatas disse...

Para mim tá bom demai como está e que continue melhorando, no sentindo da preservação e restauração de toda doutrina reformada e conservadora da IPB!

Jonatas disse...

Que a IPB continue assim!

Augustus Nicodemus Lopes disse...

Ivan,

Eu entendo as suas ponderações. Também na IPB existe o caso de seminaristas que terminam seu curso mas que não conseguem campo - embora pelo jeito que você falou, em comparação com sua denominação este número é bem menor na IPB.

A solução para este problema não é transformar os cursos dos seminários em escolas de teologia reconhecidas pelo MEC. Passa por um estudo mais profundo da denominação quanto à questão da vocação, do pastorado e da mão de obra que ela pode absorver.

Em outras palavras, de quem é a responsabilidade pela denominação mandar para os seminários jovens que desejam ser pastores mas que ao terminar não terão campo?

Outra coisa - se não há campo, não se pode abrir novos? Quando eu me formei em 1983 no Seminário do Recife fui plantar uma igreja em Olinda (hoje há duas delas como resultado do trabalho). Não fui para uma igreja já pronta. Muitos seminaristas terminam o curso e já querem ser ordenados, se tornar "reverendos" e assumir uma igreja grande na capital.

Talvez os seminários poderiam dar maior ênfase no preparo dos jovens para serem plantadores de igrejas, pioneiros em campos novos, etc. - em vez de formarem somente teólogos (o que seria o caso se o curso fosse para o MEC) ou pastores.

Abs.

Anônimo disse...

Rev. Augustus,

"Outra coisa - se não há campo, não se pode abrir novos?"
Sim, concordo com o Senhor. Podemos abrir novos campos sim. Mas a questão é: como posso fazer isso sozinho? Sem recursos algum, nem mesmo a junta demonstra interesse? A impressão que dar é que estamos mesmo vivendo uma crise mesmo, acho que nossos lideres nem mais veem necessidade de implantação de igrejas (acho que leram David Bosch e ficaram paralisados)
Concordo quando o Senhor diz que "tem muitos seminaristas esperando igreja pronta". É verdade.
Mas existem outros que querem começar um trabalho, mas não encontram apoio da denominação. Vc termina o curso e fica a ver "navios". Recorrer a quem?
Meu caso mesmo, até o curso foi custeado por mim. Sai do interior para estudar em Salvador,tive que trabalhar para custear tudo - Deus e eu, sabemos o sacrifício que foi.Sai de lá com a cara e a coragem,apenas com 20 anos, e tudo porque um presbiteriano amigo me acolheu em seu apt por um ano.Do contrário, se fosse esperar pela boa vontade de muitos da minha denominação, eu nunca teria saido do interior.
Na época escrevi cerca de 30 cartas para igrejas da minha convenção- nenhuma se quer respondeu, mesmo assim não desistir do curso - trabalhei e paguei tudo com muito sacrifício.
Agora, terminado essa etapa, eu confesso que não encontro mais motivações para começar tudo do zero novamente.
Hoje, pelo menos agora, preciso arrumar outra coisa para fazer, pois, não dar para continuar nessa luta.

Ivan Fraga

Anônimo disse...

E como o Senhor vem alertando já algum tempo - infelizmente o liberalismo vem tomando conta de muitas igrejas mesmo. As vezes sinto que talvez seja isso. Muitos pastores não vêem mais necessidade de implantar igrejas, por isso as igrejas acabam não contribuindo para a convenção. Uma vez não tendo recursos a convenção fica limitada sem poder ajudar os seminaristas.
É serio- hoje na bahia, principalmente no interior, o conselho que muitos pastores tem dado é: Vc quer ser Pastor meu filho, procure primeiro outra profissão.Faça o trabalho paralelo.
Essa é a realidade atual. Igrejas pequenas sem recursos. Conheço pastores do interior do Brasil que vivem pela misericordia de Deus.
Ainda pretendo retornar ao interior, mas cada dia que passa, vejo que preciso fazer outro curso.
Desculpa pelo desabafo, mas é porque eu precisava desabafar mesmo.
Bom seria se tivéssemos mais pastores no Brasil como o Senhor. Veja o Senhor, Chanceler do Mackenzie, teólogo brasileiro renomado, e mesmo assim encontra tempo para conversar com o povo evangélico brasileiro.Aqui que as nossas lideranças tivesse essa mesma sensibilidade - descer no mundo dos humanos e conversar com as pessoas.
Que Deus o Abençoe!

Abraços,
Ivan Fraga

Eraldo disse...

Caro pastor Augustus,

Queria parabenizar a toda Igreja Presbiteriana do Brasil, pelo posicionamento equilibrado e bíblico, em continuar numa linha confessional reformada histórica cristã.
Tenho absoluta certeza, de que em dias difíceis como os que vivemos, nos quais, a apostasia da verdadeira fé cristã só aumenta nas chamadas igrejas evangélicas, exigiu-se dos líderes presbiterianos, muita coragem cristã, muito zelo teológico e bíblico, bem como, muita devoção a Deus, para se posicionarem dessa forma: “no mundo, mas não mundanos!”
Meus parabéns a todos!
Que o Senhor da Igreja vos abençoe muito; e os mantenha firmes, “lutando pela fé uma vez entregue aos santos”.
Em Cristo,
Eraldo C. Alves

Marcone Figueira Cabral disse...

Querido Augustus!!!

Mais uma vez o SC da IPB toma decisões corretas para o futuro da igreja, ao decidir manter o controle teológico de seus seminários visando unicamente a formação de seus pastores e líderes, acertam o alvo de não querer formar profissionais da área teológica mas sim servos dispostos a trabalhar em prol do engrandecimento do reino de Deus.

Agora minha dúvida: Qual a decisão do SC de se estender o ensino teológico presbiteriano para as demais capitais do país, pois moro em Fortaleza e o Seminário Presbiteriano mais perto seria o de Recife, existe alguma possibilidade de se fazer uma extensão ou a criação de um seminário nas demais capitais?

Deus muito o abençoe, fraternal abraço

Marcone Cabral

Augustus Nicodemus Lopes disse...

Marcone,

"Qual a decisão do SC de se estender o ensino teológico presbiteriano para as demais capitais do país, pois moro em Fortaleza e o Seminário Presbiteriano mais perto seria o de Recife, existe alguma possibilidade de se fazer uma extensão ou a criação de um seminário nas demais capitais?"

Não houve decisões neste sentido. Houve uma proposta de se reduzir o número de seminários, mas o Supremo Concílio rejeitou. Todavia, não pretende abrir mais extensões ou seminários em outras localidades, pelo que entendi.

Abs.

Anônimo disse...

Olá prof. Augustus. Na postagem passada comentei sobre a situação das igrejas presbiterianas aqui em Fortaleza. Esqueci até de mencionar que um amigo de minha igreja procurou uma igreja presbiteriana para congregar, e me disse que visitou quase todas as IPBs de Fortaleza e se decepcionou com a pregação e a disciplina de todas elas. Por isso, tenho mais uma pergunta. Por que as IPBs são tão unidas e organizadas, fato esse comprovado pela reunião citada na postagem, mas existe tanta divergência da prática exlesiástica? Por que a IPB tem homens como Augustus Nicodemus, Solano Portela, Mauro Meister, um seminário tão sério como Mack, um concílio tão sério e bíblico e não enxerga o que há por aqui?
Desde já obrigado pela possível resposta.

Ass: Tony Neto

Mizael Andrade Reis disse...

Estendo o meu pesar pelo que foi dito acima. Eu moro em vitória, e aqui carecemos de seminários, mormente reformados, não há um sequer. Aqui em vitória, os consevadores-reformados são forçados a estudar em seminários de linhas bem liberais (ex: Faculdade unida). Aqui temos o Rev Hernandes Dias Lopes, e não sei como uma pessoa de tão grande envergadura no meio presbiteriano como ele, não tenha até então influênciado como uma das forças motrizes a favor desse empreendimento.

Graça e Paz
Mizael Reis

Rodrigo e Darlane disse...

Pr. Nicodemus, quais são as exigências para uma pessoa ser professor de um seminário presbiteriano?

Rodrigo.

Ricardo disse...

Olá Rev. Nicodemus
Eu sou protestante desde o nascimento. Cresci na Congregação Cristã, e lá estou até hoje. Sempre conversei compresbiterianos dado a inclinação de minha denominação a um possível Calvinismo. Os presbiterianos que eu converso são conservadores em maioria, mas, achei que penas conversando com eles não seria o suficiente para conhecer a IPB, por isso fui até uma. Escolhi uma igreja em São Paulo que até então era uma das mais tradicionais (vou preserva-la não a identificando), todavia o que vi por lá não fez referência ao que meus amigos presbiterianos diziam, e muito menos as decisões tomadas neste Supremo Concílio. Vi coral "pop"; pregações "evangelicais"; musicas e linguagem gospel. Confesso que choquei. Esperava esta IPB mais tradicional que a minha CCB, dado ao que eu entendia como IPB (liturgias elaboradas, coral sacro ao som de órgão, silêncio, etc).
Enfim, pergunto ao Senhor: O fato do Supremo Concílio ter reafirmado a fé reformada e as igrejas não corresponderem não faz manchar a sua reputação? Não faz perder forças?
Fraternos abraços!

Augustus Nicodemus Lopes disse...

Pedro,

"Desculpe estar postando fora de lugar, sobre algo que o post não tem a ver. Mas gostaria de saber da sua opinião a respeito desse "Templo de Salomão" que Edir Macedo deseja (re)construir em São Paulo, ao custo de meros 200 milhões.
Sei que a IPB considera a IURD como seita, mas fico indignado quando vejo tamanho exibicionismo e ludibriação.
"

O templo de Salomão era um tipo, uma figura, uma prefiguração da igreja cristã (não os templos cristãos, mas a Igreja como Corpo de Cristo). Nele se faziam os sacrifícios que também prefiguravam o sacrifício de Cristo. Uma vez que o Senhor Jesus realizou de uma vez por todas o sacrifício final e eficaz por nossos pecados, não há mais lugar para o templo de Salomão na Igreja de Cristo.

A estratégia da IURD, como se sabe, é pegar "coisas" que aparecem no Antigo Testamento, como a vara de Moisés, o óleo da unção, o shofar, as muralhas de Jericó, etc., e transformá-las em o que eles chamam de "ponto para apoio da fé," que acabam virando talismãs, objetos com poder milagroso, etc., se valendo do misticismo católico que impregna a alma evangélica brasileira.

Este "templo" vai virar o local sagrado onde Deus responde as orações mais do que aquelas feitas em outros lugares. Vai promover a idolatria e caracterizar a IURD cada vez mais como seita.

Veja no link abaixo o Relatório da Comissão de doutrina da IPB publicado em 1998 sobre a IURD. Naquela ocasião a IPB ainda não considerava a IURD uma seita. Mas como a IURD continuou se desviando da Palavra, hoje a IPB a considera como uma seita:

http://www.cacp.org.br/iurd/artigo.aspx?lng=PT-BR&article=812&menu=18&submenu=1

Um abraço.

Augustus Nicodemus Lopes disse...

Tony Neto,

"Olá prof. Augustus. Na postagem passada comentei sobre a situação das igrejas presbiterianas aqui em Fortaleza. Esqueci até de mencionar que um amigo de minha igreja procurou uma igreja presbiteriana para congregar, e me disse que visitou quase todas as IPBs de Fortaleza e se decepcionou com a pregação e a disciplina de todas elas. Por isso, tenho mais uma pergunta. Por que as IPBs são tão unidas e organizadas, fato esse comprovado pela reunião citada na postagem, mas existe tanta divergência da prática exlesiástica? Por que a IPB tem homens como Augustus Nicodemus, Solano Portela, Mauro Meister, um seminário tão sério como Mack, um concílio tão sério e bíblico e não enxerga o que há por aqui? Desde já obrigado pela possível resposta."

No sistema presbiteriano, as decisões do Supremo Concílio têm que ser acatadas e obedecidas por todas as igrejas e seus membros e pastores. Os que discordam das decisões podem apelar dela, apresentando as razões e fundamentos e pedir reconsideração da matéria. Mas este recurso não tem efeito suspensivo. Isto é, as decisões continuam a valer até que o próprio Supremo Concílio as revogue.

Se há igrejas locais e seus pastores com práticas contrárias às decisões do SC, elas estão em desobediência e podem ser questionadas pelos presbitérios, a quem cumpre zelar pela boa ordem das igrejas da sua região. Caso os presbitérios se omitam, então cabe ao sínodo da região tratar do assunto. Se estes concílios não cumprem sua função, qualquer membro da IPB pode fazer uma denúncia, embasá-la biblicamente e apresentar provas, e mandar para o Supremo Concílio mediante os canais competentes.

Infelizmente o que existe é a omissão de muitos presbitérios e sínodos no cumprimento do dever.

Abs.

Augustus Nicodemus Lopes disse...

Mizael,

"Aqui em vitória, os consevadores-reformados são forçados a estudar em seminários de linhas bem liberais (ex: Faculdade unida).

Não necessariamente. Os presbitérios podem enviar seus candidatos para qualquer seminário da IPB em outra região.

Abs.

Augustus Nicodemus Lopes disse...

Rodrigo,

"Pr. Nicodemus, quais são as exigências para uma pessoa ser professor de um seminário presbiteriano?"

Primeiro tem que ter vaga, rsrsrsr!

A escolha é feita pela Junta Regional de Educação Teológica daquele seminário, em harmonia com a congregação dos Professores e o Diretor do Seminário. Não tenho certeza, mas se buscam professores com boa formação teológica, com experiência de vários anos no pastorado, vida moral ilibada, bons serviços prestados à IPB, etc. etc. e que subscreva de verdade os símbolos de fé da IPB.

Não se exige curso reconhecido pelo MEC.

Abs.

Augustus Nicodemus Lopes disse...

Ricardo,

Veja a resposta que dei acima ao Tony Neto.

Eu só queria comentar uma coisa da sua postagem:

"Confesso que choquei. Esperava esta IPB mais tradicional que a minha CCB, dado ao que eu entendia como IPB (liturgias elaboradas, coral sacro ao som de órgão, silêncio, etc)."

Não existe nenhuma decisão da IPB, nem há nada nos símbolos de fé da IPB que determinem que os cultos das suas igrejas sejam desta forma. Você pode encontrar igrejas da IPB com culto assim, como você imaginava. E pode encontrar igrejas da IPB com culto contemporâneo, com grupo de louvor, palmas, etc.

Algumas igrejas históricas são litúrgicas, isto é, elas têm uma liturgia fixa que vale para todas as igrejas. Elas seguem uma seqüência definida no culto e por vezes até o mesmo texto bíblico deve ser pregado em todas elas num determinado domingo. Mas a IPB não adota uma liturgia geral para suas igrejas. Ela tem princípios de culto, como a centralidade da pregação, a definição dos elementos que compõem o culto, a busca de um culto em espírito e verdade, a teocentricidade do culto, etc.

Daí a diversidade - que ao meu ver, não é ruim, desde que os princípios sejam respeitados.

Um abraço.

Paulo André disse...

Paz rev. Augustus

Fiquei feliz ao ler que a IPB continua dando mais vasão aos reais e importantes "costumes" que nunca deviam ter saido do palco litúrgico e dogmático da Igreja Evangélica, evitando assim cair em deturpações acerca da verdade biblica, fico muito feliz mesmo.

Reverendo Augustus, aproveitando o tópico gostaria de lhe fazer uma pergunta (que é mais um pedido) se possível poderia indicar algumas obras em português para entendermos mais a respeito da Critica Textual?

Muito obrigado reverendo augustus e mais uma vez Parabens a toda IPB e seus líderes.

Paulo André.

Gilberto Sampaio disse...

Graça e Paz;

Essa questão me faz lembrar de um proverbio que diz, ó tempos, ó costumes!!!

Quando Cicero olhava a perversidade dos atos dos homens ele clamava, Que tempos, que costumes!!!!

voltando ao assunto,... com relação a curso livre versus curso reconhecido pelo MEC, creio que para o fim eclsiastico nao exista diferença, pois o que valida um pastor ou teólogo, segundo o que creio, não pode ser outra coisa se não a Graça e Poder de Deus na vida do individuo;
Agora para quem quer seguir uma carreira academica, ai sim, creio que se faz necessario o reconhecimento do sistema educacional do nosso país, que é regido pelo Ministerio da Educãção e Cultura (MEC), essa confusão ocorre, creio eu, porque o nosso velho habito de não dar a Cesar o que é de Cesar e a Deus o que é de Deus, faz as pessoas perderem o rumo das coisas.
Creio que a preocupação da IPB esta naquilo que é de Deus e não nas de Cesar, por isso fico feliz em saber que estamos firmes no proposito de manter os cursos livres formando pastores e tamém teólogos, no significado estrito da expressão, sendo que estes tem o reconhecimento Daqueles que os chamou para esse serviço, não somente do sistema educacional, falho, fraco, mutavél e efemero.

Quanto ao antigo proverbio de Cicero, creio que vocês ja devem ter visto ele em algum lugar! Hehehe...
Abraço aos mentores deste blog e seus leitores.

No amor de Cristo que nos fortalece.
Gilberto Sampaio

Daniel Grubba disse...

Olá Nicodemus,

Por que nesta lista de seitas que aparece a IURD e IMPD, não apareceu tambem o nome da Igreja Internacional da Graça de Deus, Igreja Renascer em Cristo e outras tantas neopentecostais? Elas também não ultrapassam os três pontos que você citou ("a pureza com que celebra os sacramentos, aplica a disciplina e prega a Palavra")? Vocês também fizeram um estudo sobre a IMPD como fizeram com a IURD?

Também gostaria de saber qual é a posição da IPB em relação a igreja católica? É seita também?

Abraços fraternos,
Daniel Grubba

Anônimo disse...

Rev. Augustus, boa noite.

Uma pergunta: Sobre a correção por parte do Presbitério ou Sínodo sobre uma igreja local (doutrinas, práticas, etc.), se não houver denúncia de algum membro eles não podem atuar? O senhor acredita que a igreja fica muito "dependente" (de denúncia) de uma membresia às vezes não tão madura e preparada como convém?

Grande abraço.

Augustus Nicodemus Lopes disse...

Pastor auxiliar anônimo das 12:21,

"A pergunta é: e quando os presbitérios, além de ser omissos, são apoiadores desse estilo fácil de ser igreja?"

Apele ao sínodo e depois ao supremo. Se tem receio de perder o pastorado, então agüente onde está.

Abs.

Augustus Nicodemus Lopes disse...

Paulo André,

"Reverendo Augustus, aproveitando o tópico gostaria de lhe fazer uma pergunta (que é mais um pedido) se possível poderia indicar algumas obras em português para entendermos mais a respeito da Critica Textual?"

Aqui vai.

Boice, James Montgomery O Alicerce Da Autoridade Bíblica, São Paulo: Edições Vida Nova, 1982 - conservador.

Brown, Raymond E. Introdução ao Novo Testamento São Paulo: Pia Sociedade Filhas de São Paulo, 2005.

Carson D. A., Douglas J. Moo & Leon Morris Introdução ao Novo Testamento, Edições Vida Nova, 1997

Comfort, Philip Wesley: A Origem da Bíblia, (Rio de Janeiro: Casa Publicadora das Assembléias de Deus, 1998).

Paroschi, Wilson Crítica Textual Do Novo Testamento, São Paulo: Edições Vida Nova, 1993.

Bruce, F.F., Merece Confiança o Novo Testamento?; São Paulo: Edições Vida Nova, 1990.

Veja também o excelente estudo de Paulo Anglada:

http://www.mackenzie.br/fileadmin/Mantenedora/CPAJ/revista/VOLUME_I__1996__2/a_teoria....pdf

Abs.

Augustus Nicodemus Lopes disse...

Daniel,

A IPB se pronunciou sobre estas "igrejas" porque houve consultas sobre elas da parte dos presbitérios. Nenhum presbitério perguntou sobre as demais que você citou.

sobre a Igreja Católica, veja o que diz a nossa Confissão de Fé:

"As igrejas mais puras debaixo do céu estão sujeitas à mistura e ao erro; algumas têm degenerado ao ponto de não serem mais igrejas de Cristo, mas sinagogas de Satanás; não obstante, haverá sempre sobre a terra uma igreja para adorar a Deus segundo a vontade dele mesmo. Ref. I Cor. 1:2, e 13:12; Mat. 13:24-30, 47; Rom. 11.20-22; Apoc. 2:9; Mat. 16:18.

"Não há outro Cabeça da Igreja senão o Senhor Jesus Cristo; em sentido algum pode ser o Papa de Roma o cabeça dela, mas ele é aquele anticristo, aquele homem do pecado e filho da perdição que se exalta na Igreja contra Cristo e contra tudo o que se chama Deus".


A IPB rebatiza católicos.

Abs.

Augustus Nicodemus Lopes disse...

Anônimo das 19:56,

Temos que seguir nossa própria Constituição. E segundo ela, não pode haver processo disciplinar sem que haja uma denúncia formal, com provas e evidências.

Abs.

Anônimo disse...

Prezado Rev. Augustus,

Nem vou falar muita coisa, apenas mais uma vez apoiar e expressar minha satisfação com as decisões do Supremo Concílio da igreja. Sem dúvida nenhuma não há lugar para o MEC nos seminários. O Seminário é uma santa escola de preparação de ministros do Evangelho e não uma escola de bacharéis.

Também quero adicionar aqui a importância da denúncia contra a apostasia em igrejas locais. Eu conheço um caso de denúncia com sucesso! Por isso, denuncie sempre que você encontrar uma igreja presbiteriana desobediente. Não denunciar é permitir que seus membros comunguem fora da Igreja de Cristo e isso é omissão contra o irmão.

Saudações em Nosso Senhor Jesus Cristo,

Eudes

Mizael Andrade Reis disse...

Pr Augustus,

Dentre os seminários de ordem reformada organizados pela IPB, há algum que disponibiliza seu curso à distancia?

Graça e Paz
Mizael Reis

Isaias Lobao disse...

Concordo com a posição da IPB. Participei do reconhecimento de um curso de teologia. A instituição é ligada a uma importante denominação pentecostal. Lecionava na faculdade livre quando surgiu a possibilidade do reconhecimento. Resultado: Ele foi tomada pela teologia liberal. Descobriu-se que somente o curso de teologia reconhecido não poderia se sustentar, então foram abertos outros cursos. A teologia foi sendo escanteada. E quando a faculdade foi adquirida por um grupo de investidores, aí que a coisa piorou. O MEC tem soltado resoluções que aumentam o numero de disciplinas humanísticas. O mercado de nível superior não suporta cursos com mais de 3 anos de duração, por isso, nosso curso teve que ser limado. Os alunos estudam pouco a Bíblia e tem um semestre para as línguas originais (grego e hebraico). Em minha opinião, quem quer um curso reconhecido, faça o vestibular e vá a luta. Para ser pastor tem que ter vocação.

Robson disse...

Rev. Nicodemus, gostaria sinceramente que o senhor explicasse porque as IPBs renovadas são toleradas. Não expecificamente com relação à continuidade dos dons (pois eu sei que esse ponto não tem consenso dentro da IPB) mas sim quanto a modismos nos cultos, dança, e práticas neo-pentecostais.

Exemplo: Oitava Igreja de BH.

Augustus Nicodemus Lopes disse...

Robson,

Não sei dizer. Talvez porque os crentes e pastores incomodados não fazem denúncias aos presbitérios fundamentando e dando provas das faltas em que estas igrejas estão incorrendo.

Um abraço.

Mauricio disse...
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Fábio Vaz disse...

Rev. Augustus, não sou presbiteriano (sou batista reformado), mas tenho muitos amigos presbiterianos e amo e admiro a IPB. Uso desta oportunidade para parabenizar os irmãos presbiterianos, pois as decisões tomadas foram sábias e bíblicas, especialmente a questão dos seminários. O liberalismo teológico é uma praga e deve, sim, ser combatido. Que Deus continue a abençoar a IPB e enchê-los cada vez mais de graça e sabedoria, como certamente Ele tem feito. Continuem firmes lutando pela verdadeira fé evangélica, e não se deixem abater pelas críticas liberais (os ateus deveriam deixar a teologia para os crentes). Grande abraço.