quarta-feira, fevereiro 29, 2012

Em defesa da CENSURA!

As aberrações televisivas recentes, no programa Global Big Brother – com a devassa da intimidade e a devassidão invadindo a intimidade dos lares, bem como as baixarias costumeiras de outros programas de nível sub rasteiro (como os liderados por Luciana Gimenez, Ratinho, pela “turma do Pânico na TV”, etc.), acordaram várias vozes de protesto. Tivemos condenações advindas do mundo evangélico, bem como de alguns segmentos católicos (vide o pronunciamento do Bispo Dom Henrique Soares, repercutido em vários blogs). Até a imprensa secular, talvez hipocritamente, mas talvez movida pelos últimos resquícios de um sentimento de autopreservação da sociedade, objetou ao estado de amoralidade no qual nos encontramos. Tudo isso levanta, novamente, o debate sobre a pertinência da censura.


Como cristãos, o que podemos dizer da censura? Qual deve ser nossa posição perante esse fantasma, sempre contraposto à “liberdade de expressão”? A visão generalizada é a de que censura significa repressão, perda de liberdade. Nesse pensamento, qualquer coisa, qualquer tema, por mais amoral ou destrutivo que seja à sociedade pode ser impresso e divulgado e ai de quem ouse afirmar que deveriam existir controles e proteção a segmentos dessa mesma sociedade. Sob a bandeira da liberdade política, de ação, ou de expressão, preserva-se a liberdade da disseminação da promiscuidade e de toda queda de princípios morais universalmente reconhecidos – aqueles que procedem e foram estabelecidos pelo próprio Deus, quer de forma objetiva e propositiva nas Escrituras (Sl 119.4, 142 e 128), quer aqueles impressos nas mentes das pessoas – naquilo que chamamos de consciência (Ro 2.14-15) – por terem sido criadas à imagem e semelhança de Deus.



Na realidade, o que acontece quando o tema da censura é debatido é que estamos sendo constantemente bombardeados com pelo menos duas falácias pelos meios de comunicação e terminamos absorvendo conceitos que não se sustentam, nem encontram abrigo na visão cristã de mundo. São eles:

1. “Cada um de nós decide o que é bom, válido e correto para nossa pessoa e
família”. Consequentemente, qualquer forma de censura é errada, pois temos de
nos expor a tudo para então tirarmos nossas próprias conclusões.
2. “Não temos o direito de impingir nossas conclusões ao próximo”. Consequentemente, todas as coisas são permissíveis nos meios de comunicação, para reservar a "liberdade de expressão".


Essas afirmações são enganosas, porque são “meias verdades”. Nas questões não morais, o cristão poderia até aceitar esse raciocínio (exemplo: o que comer, conforme o desenvolvimento e diretrizes de Paulo sobre esses assuntos em Romanos 14 e 15), mas na realidade não é o homem, mas a Bíblia que estabelece os padrões morais de Deus; a distinção entre o certo e o errado.O Salmo 19.7-9 nos mostra a realidade e a excelência da Lei de Deus. É verdade que temos no meio dos cristãos toda uma geração enfraquecida pela falta de entendimento e rejeição dessa Lei, mas a Palavra de Deus constantemente nos alerta para que não sejamos enganados. Ela diz:

Não vos enganeis...
1 Coríntios 6.9,10: “... nem impuros, nem idólatras, nem adúlteros, nem efeminados, nem sodomitas, nem ladrões, nem maldizentes, nem roubadores herdarão o reino de Deus”. Vejam que enquadram-se nessa condenação não somente o conteúdo da maioria dos programas de televisão, que invadem os nossos lares, como também vários de seus autores – principalmente das novelas. Notem a constância com que elas impingem personagens travestidos, grotescamente procurando passar a ideia de que isso é algo não somente presente na sociedade, mas também uma postura natural e desejável.

1 Coríntios 15.33: “as más conversações corrompem os bons costumes”. A palavra traduzida por "conversações" é a palavra grega homilia e significa, também, companhias, associações e comunicações, discursos. Vemos, portanto, o papel crucial da má comunicação na dissolução dos costumes.

Se dizemos que aceitamos a Bíblia como normativa e fonte mestre de comportamento, temos que nos curvar às seguintes conclusões:

1. Tudo que é contrário à Lei Moral de Deus deve ser rejeitado. Compete também aos Cristãos defenderem o ponto de vista de que esta rejeição deve fazer parte da estrutura básica da sociedade em que vivemos. Temos obrigação de proclamar este princípio, de denunciar imoralidades onde estas estão presentes (Sl 119.53 e 136). Democracia não significa subjetivismo na formação de leis, mas uma forma administrativa de nos regermos dentro da Lei.

2. Temos, assim, que ser a favor de algum tipo de censura, na medida em que esta venha a expressar o cumprimento da lei moral de Deus – no seu aspecto horizontal do relacionamentos e limites necessários ao convívio social e aos direitos dos semelhantes. Temos, também, que ser contra a censura, na medida em que a censura se desviar desta linha e procurar apenas promover os pontos de vista não morais, sociais, ou políticos dos homens.

3. Não podemos aceitar o falso argumento de que se não quisermos dar ouvidos ou atenção a qualquer tipo objetável de comunicação basta não sintonizar ou não ler. Numa sociedade sem limites ou controles, somos agredidos diariamente no nosso caminhar ou em nossos lares. São bancas de revistas com a imoralidade explicitamente escancarada; outdoors ofensivos que atingem velhos e crianças sem distinção; inferninhos e casas de prostituição que abrem as portas em qualquer lugar e funcionam sem serem incomodadas sob as vistas cegas ou convenientemente embaçadas no embalo do propinoduto brasileiro; são vizinhanças que vão se deteriorando com a exposição total e agressiva de carne humana, no mercado de corpos vivos.

A censura e o estabelecimento de limites nessas áreas representam tão somente uma extensão lógica da auto-preservação de uma sociedade que cuida de si mesma. Os padrões para esse tipo de censura têm de estar enraizados não no subjetivismo dos censores (pessoas falíveis), mas na Lei Objetiva da Terra, que deve, por sua vez, refletir a Lei de Deus.

Muitos têm usado a diretriz bíblica de examinar tudo (1 Ts 5.21-23) como desculpa para receber e abrigar toda sorte de impurezas pelos meios de comunicação, em uma espécie de vale-tudo amoral. Ocorre que este texto bíblico não nos leva a uma exposição indevida a todo o tipo de lixo. Pelo contrário, ele nos direciona a confrontar as coisas que se atravessam à nossa frente e a rejeitar o que é impróprio, inadequado ou prejudicial. Não precisamos comer uma comida estragada para saber que ela não presta, pelo cheiro podemos conhecer o que é mau ou está estragado. Além disso, a própria continuidade do texto mostra a necessidade de fugir da aparência do mal. Não podemos, pois, estar envolvidos com o mal, sob o pretexto de estarmos examinando a questão.

Sou, portanto, defensor de algum tipo de censura que poupe os nossos filhos e as nossas famílias, hoje prisioneiras de uma sociedade amoral e insolente. Elas precisam ser poupadas do estímulo à sexualidade precoce; do mau gosto das relações sexuais diárias trazidas pelas novelas à mesa de jantar; dos anúncios que se intrometem em programas, selecionados pelo suposto conteúdo de mérito, trazendo o sexo e inversões sexuais agressivas como arma de venda; e de tantas outras situações que apelam aos sentimentos mais rasteiros e egoístas da natureza humana. Esta sociedade se preocupa muito em preservar supostas “liberdades”, mas se autodestrói (Pv 5.22-23) esquecendo as pessoas que a compõem e os valores que realmente precisam ser protegidos.


SOLANO PORTELA

48 comentários:

Cléber disse...

(Começo a escrever esse comentário quando não há nenhum publicado. Mas assim que eu terminar, já imagino que haverá uns 10.)

Eu concordo contigo, irmão. Esses dias, no mercado, tinha uma "Playboy" toda embundecida numa prateleira de mercado, exatamente à altura dos olhos de uma criança pequena, por exemplo.

Creio que a questão relevante é: todos tem liberdade de se expressar, e isso deve ser garantido pelo Estado. Mas e quem quer se proteger, vai fazer o quê? Não é direito do cidadão manter seu próprio pudor? A libertinagem está ganhando proporções tais que o afastamento das mídias acabará gerando hermitões, que não podem ver TV e nem podem sair à rua (pq lá tem um outdoor bem sexual).

Mas então, considerando essa "forma de censura", quem legislará sobre isso?

E outra questão: como os "evangélicos" e até católicos [papistas|carismáticos|russos|gregos|etc] terão alguma relevância nessa questão se eles mesmos estão consumindo essas porcarias avidamente?

A meu ver, os poucos homens dignos que restaram nesse mundo tem mesmo é que botar os joelhos no chão e clamar por um avivamento da igreja brasileira...


Abraço!

http://reformados.com.br

Leandro Teixeira disse...

Graça e paz!

Bom, eu concordo com algumas coisas no texto. Entendo que a Bíblia é a maior fonte de censura que o homem natural pode ter.

Entretanto, vejo que criar instrumentos de censura àquilo que Deus diz ser errado poderá gerar precedentes jurídicos para censuras às coisas que Deus aprova, mas o descrente não. É uma faca de dois gumes, como se diz.

Eu não consigo ver solução nestes moldes para a conter toda a porcaria que vem pela mídia televisiva e impressa. Eu entendo que a mudança teria que se dar na cultura do nosso povo. Se os crentes obedecessem ao mandato cultural, transformando cada área da humanidade pela implementação do conhecimento de Cristo, a quantidade de lixo que vemos por aí seria reduzida consideravelmente.

Leandro Teixeira.

Robinson disse...

Irretorquível e irrepreensível do ponto de vista do fundamento moral e ético emanado da Escritura Sagrada com regra de fé e de prática.
Todavia, levanto dois questionamentos para discussão, se me permite:
1) Como argumentar num mundo ideologicamente pluralista que uma determinada maneira de ver esta questão é vinculante para toda a sociedade e não apenas para aqueles que a ela se submetem voluntariamente?
2) Operacionalmente falando, quem afinal de contas teria o múnus de exercer a censura, visto que "oss padrões para esse tipo de censura têm de estar enraizados não no subjetivismo dos censores (pessoas falíveis), mas na Lei Objetiva da Terra, que deve, por sua vez, refletir a Lei de Deus"?
Abraços,
Robinson Grangeiro

Murillo Leal disse...

Eu gostaria de comentar três trechos que considero principais:

1)"É verdade que temos no meio dos cristãos toda uma geração enfraquecida pela falta de entendimento e rejeição dessa Lei, mas a Palavra de Deus constantemente nos alerta para que não sejamos enganados."

-Infelizmente, e agora destaco a juventude como alvo principal desse midiatismo esclarecido, essa frase é a maior verdade que nos atrapalha a entender que a bíblia não proíbe, mas sim dá-nos a ordem direta de suspeitar sempre de tudo que apareça verdade absoluta. Esse cuidado é que tem sido perdido com a pregação do " tudo posso", ignorando a lei moral de Deus, e pregando a capacidade de se autogerir o que consome. Nem todos são capazes, alguns precisam da lei, outros sabem livremente onde devem pisar.

2) (... )"Não podemos aceitar o falso argumento de que se não quisermos dar ouvidos ou atenção a qualquer tipo objetável de comunicação basta não sintonizar ou não ler. Numa sociedade sem limites ou controles, somos agredidos diariamente no nosso caminhar ou em nossos lares."

-Aqui ele brilhantemente aponta o problema principal de tudo. Eu ter a sugestão de que eu sei o que é bom para mim e o que não é bom. Engano!

3)(...) Elas (as crianças) precisam ser poupadas do estímulo à sexualidade precoce; do mau gosto das relações sexuais diárias trazidas pelas novelas à mesa de jantar; dos anúncios que se intrometem em programas, selecionados pelo suposto conteúdo de mérito, trazendo o sexo e inversões sexuais agressivas como arma de venda; e de tantas outras situações que apelam aos sentimentos mais rasteiros e egoístas da natureza humana

No trecho final, ele aponta uma coisa interessante que é esquecido pelos educadores e pelos pais. Crianças são crianças, e independente de serem mais espertas hoje em dia, são os principais alvos do midiatismo, da sociedade do espetáculo, das verdades indomáveis e outros mecanismo.

Excelente texto, isaque! Obrigado. Abraço.

Filipe Luiz C. Machado disse...

100% de apoio ao texto e também a Lei de Deus - que rogo que um dia seja instituída em nosso país (ainda que nem ao longe consiga visualizar uma possibilidade, mas continuo orando), não somente moralmente, mas civilmente.

Também parabenizo-o pelo belo livro "A Lei de Deus Hoje".

Cristo seja convosco.
Filipe Luiz C. Machado, Pb. da Igreja Cristã Reformada de Blumenau
wwww.2timoteo316.blogspot.com

folton nogueira disse...

Parabéns Solano. Você foi ao ponto novamente. Porém resta a questão pratica: e os censores?
Ab.
Folton

Casal 20 disse...

Solano, faço minhas considerações com carinho e reverência. Para facilitar, começo copiando o início de cada parágrafo a que estou me referindo. Todavia, gostaria já de expressar que também sou a favor de algum tipo de censura, mas numa outra esfera (como espero que fique evidente nos parágrafos abaixo).
1º ) Sl 119.4, 142 (?) e 128 – São textos específicos para o povo de Israel, para que o povo de Deus cumprisse e soubesse das bençãos que Deus derramaria pelo povo obedecer. Então, numa primeira instância, é ao Povo de Deus e não ao mundo que esses textos se dirigem. Daí, não posso sustentar uma censura estatal ao outro em cima desses textos. Posso, sim, educar e exortar o povo de Deus na sua conduta, mas não defender a censura estatal ao ímpio a partir desses textos.
2º) Ro 2. 14-15 – é um texto condenatório no seu contexto. Fala que a lei que está no coração do não-judeu serve para condená-lo, mas também não me dá base para que eu o censure ou cerceie, porque o pecado dele não o fará ver a origem da sua rebeldia contra a sua própria consciência. Assim, a lei da consciência serve para tornar esse não-judeu indesculpável diante de Deus. Mas eu também não consigo ver que o texto me dê base para censurar legalmente o não-judeu. O texto não trata de Estado, Governo, mas da descrição humana de nossa queda universal e da lei que universalmente foi plantada no coração do homem. O que nos dá a esperança de conquistarmos certos valores bíblicos para serem aplicados mesmo em uma sociedade ímpia (que é o que ocorre universalmente).

Continua...

Casal 20 disse...

3) “Cada um de nós decide o que é bom, válido e correto para nossa pessoa e família”... – o problema aqui é a conclusão do parágrafo também (e, veja, você vai confirmar o que vou dizer aqui, quando for tratar do texto de Tessalônica). Eu não preciso me expor às drogas para saber que elas são condenáveis e um mal para mim, por exemplo (digo como ímpio). O fato da liberdade não implica necessariamente que todo mundo vai se entregar a tudo e experimentar tudo. E quando penso no “cada um de nós decide”, penso na responsabilidade do pai de família cristão (cabeça do lar) e na mãe também. Minhas filhas não assistem novela e nem veem televisão, por exemplo. Elas sabem que sou eu e a mãe delas quem decide o que elas podem ou não assistir e explicamos a razão. Assim, não vejo a falácia aí. Até mesmo porque a censura poda a oportunidade da educação. Embora não acredite que a educação vá resolver o problema do coração depravado, sei que a censura também não resolve o problema da sensualidade (Colossensenses 2. 20-23). Só a pregação do Evangelho, portanto, pode dar jeito na coisa, aliada à Igreja que transformada, obedece e dá o exemplo ao mundo.
4) “Não temos o direito de impingir nossas conclusões ao próximo”...– impingir, impor, eu acredito que não. Não podemos nem pela espada e nem pela força, mas só pela evangelização e pelo nosso exemplo. Todavia, também não nego que a maneira de se impedir que certas atrocidades apareçam na mídia é a Igreja se mobilizando e elegendo políticos que defendam democraticamente seu ponto de vista, em outras palavras, defendam no plenário a criação de leis justas e fundamentadas na Palavra (mas a Igreja nem fiscaliza em quem ela votou!). Acredito também no legado de uma sociedade que foi construída sobre a Bíblia. Ainda estamos debaixo de uma cristandade histórica, cujos pilares democráticos foram construídos sobre a Bíblia e, por isso mesmo, devemos apelar à história e à tradição (até juridicamente falando). Até porque se eu defender a censura praticada pelo Estado estarei dando a ele os mesmos argumentos para amanhã ele me censurar (lei da homofobia, por exemplo).
5) “Essas afirmações são enganosas, porque são “meias verdades”... - Solano, concordo com tudo isso o que você disse e com os textos que você usou a partir desse ponto, mas, entendo eu, que eles se aplicam à prática da Igreja, em outras palavras, são exortações à Igreja para que ela tenha a certeza da vitória que lhe aguarda e o que o futuro guarda aos ímpios. É o caso de I Cor 6.9, 10. Este texto me dá a certeza do fim dos ímpios, mas não me dá base para que eu dê ao Estado as ferramentas para que ele censure esses ímpios. Fala da condenação da Bíblia, mas não da censura do Estado. Em outras palavras, famílias cristãs que assistem novelas pornográficas e demoníacas é que precisavam sofrer censura eclesiástica! Pais e mães cristãos que se entregam à fofoca e às conversações frívolas é que deveriam sofrer censura disciplinar nas Igrejas locais.
6) 1. Tudo que é contrário à Lei Moral de Deus deve ser rejeitado... – concordo. Mas creio que o caminho de entregar ao Estado a responsabilidade que é da Igreja em educar seus fiéis e discipliná-los e cobrar dos pais crentes uma educação que gere homens e mulheres de caráter para que sejam luz e sal na sociedade é que se torna o pior caminho à médio e longo prazo.

(continua...)

Casal 20 disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Casal 20 disse...

7) 2. Temos, assim, que ser a favor de algum tipo de censura, na medida em que esta venha a expressar o cumprimento da lei moral de Deus... – creio que algum tipo de censura deve haver, mas creio na censura vinda dos púlpitos, vinda dos conselhos de presbíteros, vinda dos pais de famílias cristãs. Do contrário, entregaremos na mão do Estado o direito de censurar o que não se deve e liberar o que lhe apraz no âmbito da vida privada e familiar (como é o caso da lei da palmada).
8) 3. Não podemos aceitar o falso argumento de que se não quisermos dar ouvidos ou atenção a qualquer tipo objetável de comunicação basta não sintonizar ou não ler... – o problema gravíssimo aqui, Solano, é que a Igreja sintoniza e lê! E parece que agora, por incompetência e cansaço, somos como aqueles pais que contratam a super nanny para dar um jeito no que é responsabilidade da Igreja. Há muitos anos que a maioria das Igrejas locais abriram mão de fazer a diferença quando pararam de abrir escolas e hospitais para cuidarem só de si mesmas. Não estão mais na ponta da lança nas questões de obras sociais, porque entregaram a educação, a saúde e a ação social para o Estado fazer. O que eu estou tentando dizer é que a censura é o caminho mais fácil, a censura é o aborto para a solução da negligência espiritual da própria Igreja. A censura, ela abafa, esconde, desvia os olhares para longe da própria situação de calamidade de uma Igreja que repassou ao Estado o seu direito de primogenitura. Agora, o Estado é livre para censurar a nossa pregação, enquanto ele evangeliza “laicamente” o cidadão.
A censura e o estabelecimento de limites nessas áreas representam tão somente uma extensão lógica da auto-preservação de uma sociedade que cuida de si mesma... – concordo. Mas deveria ser pela luz da Igreja, pelo sabor do nosso sal, que a sociedade à nossa volta perceberia o ganho em se viver conforme nossas famílias vivem. Mas, por responsabilidade nossa, temos muito, mas muito pouco exemplo bom para se mostrar ao mundo.
Muitos têm usado a diretriz bíblica de examinar tudo (1 Ts 5.21-23) como desculpa para receber e abrigar toda sorte de impurezas pelos meios de comunicação, em uma espécie de vale-tudo amoral. Ocorre que este texto bíblico não nos leva a uma exposição indevida a todo o tipo de lixo. Pelo contrário, ele nos direciona a confrontar as coisas que se atravessam à nossa frente e a rejeitar o que é impróprio, inadequado ou prejudicial. Não precisamos comer uma comida estragada para saber que ela não presta, pelo cheiro podemos conhecer o que é mau ou está estragado. Além disso, a própria continuidade do texto mostra a necessidade de fugir da aparência do mal. Não podemos, pois, estar envolvidos com o mal, sob o pretexto de estarmos examinando a questão – veja que foi exatamente o que eu disse alguns parágrafos acima.
Sou, portanto, defensor de algum tipo de censura que poupe os nossos filhos e as nossas famílias, hoje prisioneiras de uma sociedade amoral e insolente... – é triste saber que algo está totalmente errado neste parágrafo: nossos filhos deveriam ser LIVRES, deveriam estar sendo educados apologeticamente para o confronto, mas estão presos? Duvido que a situação dos nossos filhos mude com a censura e, certamente, a situação do mundo sem Cristo também não vai melhorar com uma Igreja que se esconda atrás de um Estado que fará por ela o que é responsabilidade únicamente dela mesma.
Abraços sempre afetuosos.
Fábio.
PS – Também entrei num mercado e dei de cara com uma mulher arreganhada em capa de revista bem na frente da minha filha. Na hora, procurei o gerente e disse que não voltaria mais ao mercado, enquanto eles não colocassem uma tarja na revista. E disse mais: havia um outro mercado que colocava as tarjas. Passei a frequentar o mercado das tarjas. Hoje, o primeiro mercado esconde as revistas atrás de outra, deixando só o nome à vista e, impressionante, o mercado das tarjas nem vende mais revistas pornográficas.

Marcelo A. disse...

Nos tempos bíblicos (AT e NT) a sociedade era exatamente igual a de hoje... Não vi em nenhuma passagem Jesus propor censura... A proposta sempre foi de os discípulos fazerem discípulos... A igreja sempre foi composta de ex-alguma coisa, pessoas que foram acolhidas e entenderam o amor de Deus, não de pessoas que foram "protegidas" da exposição do mal. Acho que quem tem que rever seus conceitos e práticas é a igreja que se perdeu de seu objetivo primordial!
Marcelo A.

Helder Nozima disse...

Solano,

Desta vez eu discordo e até escrevi no meu blog sobre isso. Meus argumentos estão aqui:

http://reformaecarisma.blogspot.com/2012/03/nao-eu-nao-quero-nenhuma-censura.html

Graça e paz do Senhor,

Helder Nozima
Barro nas mãos do Oleiro

Ismar Sahdo disse...

E agora, Solano?

Ismar Sahdo disse...

Gostei muito dos pensamentos inteligentes do Leandro Teixeira e do Casal 20.

E agora, Solano?

Ismar

Renato Vargens disse...

Solano,

Excelente reflexão. Concordo plenamente com vc. Que Deus te use!

Abraços,

Renato Vargens

Norma disse...

Confesso que a maior parte dos comentários dos leitores aqui me entristeceu. Parece que poucos perceberam que Solano não está advogando o retorno de uma ditadura, mas sim a proteção do pudor por meio de leis que contenham um pouco a exposição ao sexo, nem que seja somente pela preocupação de proteger as crianças da sexualização precoce.

Estamos em uma época em que valores como trabalho duro, autossacrifício e compromisso conjugal até a morte têm sido atacados constantemente, com verbas públicas inclusive. Nada disso é "espontâneo"! Os lascivos que estão por trás dessas decisões que colocam imagens e temas impróprios à vista de todo mundo, inclusive crianças, objetivam criar condições sociais para fazer sexo a qualquer hora, com qualquer um (inclusive crianças!), a qualquer momento (à luz do dia se possível). Clamar como cidadãos por leis que contenham esses objetivos é nosso DEVER. O incentivo a uma cultura que deifica a satisfação sexual desconectada de seu sentido profundo é uma das maiores armas de destruição de uma sociedade, pois reduz os seres humanos a corpos sem alma e negativiza a dedicação a relacionamentos de amor.

É preciso que o cristão aprenda definitivamente com a Bíblia que a lascívia pertence ao campo da idolatria; o livro de Oseias, o livro de Jeremias e as cartas de Paulo o mostram muito bem: lascívia e idolatria andam de mãos dadas contra o amor verdadeiro. Deveríamos ser os primeiros a clamar esse fato para o mundo. Os descrentes não conseguem entender por quê está tão difícil permanecer em um relacionamento hoje, ao mesmo tempo em que se entregam a práticas sexuais permissivas e não conseguem fazer uma conexão entre uma coisa e outra. Precisamos mostrar isso, se não, como nossos contemporâneos poderão perceber? NADA ajuda hoje em dia. O moralismo antigo era ruim no sentido espiritual quando advogava a santidade através de regras, mas pelo menos identificava corretamente onde estava o erro. Calar-se diante da imoralidade da mídia e da educação atuais é prerrogativa só dos cristãos hoje em dia, porque só nós sabemos o quanto as coisas estão interligadas. Ou deveríamos saber!

Norma disse...

(cont.)

Mas muitos ficam calados, acham que é só questão de foro íntimo. Têm medo de serem acusados de moralistas e advogados da censura. Perderam a noção do quanto a família saudável (pais que não se separam nem abortam, filhos bem-vindos que recebem atenção, amor e instrução) é o núcleo de uma sociedade saudável, e que isso é bom pra TODO MUNDO. Leis simples como impedir a exposição da nudez ou de cenas de sexo na tv em determinadas horas e locais estão em extinção. Quando estavam em vigor, será que as coisas eram tão ruins? Será que isso deixava todo mundo menos livre? Ora! Menos livre, hoje, é a criança bombardeada com tais coisas que, diante do predador sexual, fica totalmente sem defesa, porque os pais nem estão ensinando mais a criança a se proteger caso alguém queira tocá-la indevidamente.

Sem orientação dos pais, é essa cultura permissiva que cumpre o papel (des)orientador. Os filhos começam a vida sexual aos doze anos com camisinhas fornecidas na escola pelo governo! Gravidez de menores, aborto e abandono de crianças são frutos dess incentivo frenético à autossatisfação sexual a qualquer hora e por qualquer via. Devemos clamar por uma volta ao decoro, sim, não porque, por sermos religiosos, desejamos que a sociedade seja regida por leis que proíbem o pecado, mas sim porque sabemos que a contenção do pecado, em um sentido natural, passa pela legislação, e a ausência de contenção é ruim para todo mundo, não só para os religiosos.

Além disso, como CIDADÃ, quero ter minha liberdade de olhar sem querer para uma banca de revista ou para aquelas cestinhas de supermercado cheias de revistas sem me deparar com um monte de corpos em exposição grotesca, ao lado de meu marido e futuros filhos. Digo isso porque não vejo mais televisão. Quem quer pornografia, que a busque em local apropriado!

Não podemos ser cúmplices de uma sociedade que coloca o sexo acima do amor, da compaixão e da vida de bebês. Salgar o mundo também é mostrar às pessoas que há coisas muito melhores a serem ensinadas nas escolas e veiculadas na mídia, coisas que educam e não destroem. E há destrutividades que, para quem não se submete a Deus, só podem ser contidas por meio de leis.

Cléber disse...

Uma coisa parecida com censura é a tal da "Nossa TV", do R.R.Soares. Quando ele lançou, eu achei o máximo. Mas agora tem até a Fox na dita cuja.

Puxa, nem o R.R. consegue fazer censura direito. A coisa tá feia, mesmo...

http://reformados.com.br

Augustus Nicodemus Lopes disse...

Solano,

Apoiado. É claro que você não está defendendo a supressão do direito de expressão, de liberdade e de consciência, mas que o Estado cumpra seu dever de proteger as crianças, adolescentes e jovens.

Abraços.

celso murylo disse...

Muito bom o comentário da Norma(nome também da minha irmã).Falta-nos a indignação.A sensualidade é usada intensionalmente para ganhar audiencia e não como forma de expressão cultural,ideológica ou sei lá o quê.

- disse...

Solano

Texto bonitinho, mas inócuo, não existe essa possibilidade em lugar nenhum do mundo civilizado.

Como disse o Mestre: "Não quero que os tire do mundo mas que os livre do mal."

O problema está em nós que não nos convertemos ainda ao Evangelho.

Ainda achamos que regulamentos e censuras vai frear o mal.

A lei de Moisés não conseguiu, a não ser trazer a consciência do pecado.

Só Jesus tem poder para nos libertar do pecado que em nós emula toda sorte de desejo pecaminoso.

Não pensemos que nos dias de Paulo o mundo era melhor do que o nosso na questão moral ou ética, não era, todavia Paulo viveu livre seguindo o curso do Espírito Santo, foi benção para sua geração e ainda nos deixou suas cartas que ainda falam hoje a nossa geração.

Rossana disse...

Parabens ao blog por ser uma ferramenta de reflexao nestes tempos dificeis.
Mas quero discordar da solucao proposta pelo blogueiro e concordar completamente com o comentarista Casal 20, ponto por ponto.
Penso que defender a censura estatal eh colocar poder demais, ate mesmo sobre a igreja, nas maos de um Estado que estah em vias de censurar a liberdade religiosa (lei da homofobia).
Convenhamos que a Igreja, enquanto instituicao, tem aberto mao de ser sal e luz, o que reflete na membresia.
Sejamos zelosos da Palavra e oremos mais.
Abracos.

SYRTHES disse...

É bom nos acostumarmos a um regime com censura e um Rei que governará com mão de ferro (Ap 12:5) pois senão podemos ter grande dificuldade em participar desse reino.

Solano Portela disse...

Caro Cléber:

Você viu que foi o primeiro!

Orar e evangelizar é preciso, mas isso não deve inibir os cristãos de clamarem para que as leis sejam cumpridas, na medida em que reflitam os padrões de justiça que emanam de Deus.

Em sua homenagem, vou responder a todos os comentários até hoje (nenhuma garantia de que eu vá conseguir fazer isso daqui para frente)!

Solano

Solano Portela disse...

Caro Leandro:

A Defesa é para que a lei da Terra seja aplicada. Pela graça Comum de Deus muitas das nossas leis ainda contêm pilares de justiça que protegerão nossas famílias e crianças. O perigo que você aponta sempre irá existir. Homens ímpios poderão gerar leis injustas e reforçar ações impróprias, mesmo quando estiverem investidos como “ministros de Deus” em esferas governamentais. Mas isso não leva os crentes a serem contra as leis, ou antinômios.

Semelhantemente, ao defendermos que a imoralidade seja coibida, não quer dizer que estejamos transferindo o critério do que é, e o que não é imoralidade, para outros, mas oramos para que Deus permita que seus critérios universais permaneçam no consenso da sociedade e em suas leis, e que estas sejam feitas cumprir.

O perigo de que “inventem critérios” que coibirão a legítima liberdade existe, mas isso não quer dizer que a única saída é nos rendermos à imoralidade, como se o nosso direito de protestar e de agir para corrigir, estivesse inexoravelmente perdido.

Abs
Solano

Solano Portela disse...

Caro Robinson:

Obrigado pelo pertinente comentário. Vamos aos pontos. Como argumentar:

1) "Num mundo ideologicamente pluralista que uma determinada maneira de ver esta questão é vinculante para toda a sociedade e não apenas para aqueles que a ela se submetem voluntariamente"?

EU: Creio que (a) respaldados em nossa compreensão da Graça Comum e das possibilidades que ela nos apresenta, de esperança e de convencimento, ainda que continuem não convertidos; (b) em oração; (c) utilizando os ícones e âncoras da própria sociedade, à semelhança do que Paulo fez, para falar aos Atenienses e, com Tito, na caracterização dos Cretenses; (d) na convicção agostiniana de que “toda verdade é verdade de Deus”, assim, a verdade deve não somente ser apreciada como uma exclusividade cristã, mas apreciada, quando pela misericórdia de Deus ele permite que ala floresça em qualquer lugar.

2) "Operacionalmente falando, quem afinal de contas teria o múnus de exercer a censura, visto que 'os padrões para esse tipo de censura têm de estar enraizados não no subjetivismo dos censores (pessoas falíveis), mas na Lei Objetiva da Terra, que deve, por sua vez, refletir a Lei de Deus'"?
EU: No meu entender não precisamos de “censores”, mas de que os magistrados da terra, as autoridades façam valer as leis que já existem, ou compatibilizem as contraditórias, que concedem liberdade em excesso aos infratores da moralidade.

Abraços
Solano

Solano Portela disse...

Caro Murillo:
Mesmo não sendo Isaque, grato pelo comentário e pelos destaques. Com certeza as crianças estão no centro focal da batalha e são as mais atingidas. Que Deus lhe abençoe.
Solano

Solano Portela disse...

Caro Filipe:
Obrigado pelo comentário e pela referência ao meu livro, “A Lei de Deus Hoje”. O descaso pelos princípios divinos e sua aplicabilidade ocorre não somente entre os descrentes, mas entre os cristãos, infelizmente.
Abs
Solano

Solano Portela disse...

Caro Fôlton:
Obrigado pelo estímulo. Quanto à questão realmente prática que você levanta, vide meus comentários ao Robinson, acima.
Abs
Solano

Solano Portela disse...

Caro “Fábio, do Casal 20”:

Obrigado pela sempre presente contribuição e leitura deste BLOG e pelo carinho em suas discordâncias. Vamos a elas:

1. Sl 119.4, 142 (?) e 128 – “São textos específicos para o povo de Israel” e, portanto, não servem para sustentar uma censura estatal.
EU: Discordo! Sl 119.4 diz “Tu ordenastes os teus preceitos para que fossem diligentemente observados!”. Essa é uma afirmação genérica. Me espanta cristãos defendendo que os preceitos de Deus são válidos apenas para o Povo de Deus. Não! A Lei Moral de Deus, resumida nos dez mandamentos, representa a vontade preceptiva de Deus para TODOS os homens. Os primeiros quatro – no que diz respeito ao relacionamento PESSOAL com Deus; e os últimos seis, no que tange às obrigações de um para com o próximo – esses seis são esferas legítimas de atuação do governo, na garantia das liberdades. Se as pessoas se enquadram, ou não; se elas obedecem, ou não; ou se as sociedades os refletem, ou não – é outra questão. Elas usufruirão de benefícios temporais na medida em que se encaixarem, e sofrerão consequências, na medida em que se distanciarem. Essa dicotomia, de que os princípios universais de Deus “não se aplicam ao mundo” é uma ideia perigosa, que não deveríamos abrigar. Quanto à defesa da censura estatal, ela está respaldada no todo da argumentação e não, apenas, nestes textos. O verso 142, diz “a tua lei é a verdade” – você discorda disso? O verso 128 diz: “... aborreço toda vereda de falsidade” – por quê padrão vamos dizer que algo é falsidade? O texto também afirma: “por todos os teus preceitos” – são eles que dirigem os nossos passos e formam a nossa visão de mundo. Essa visão não é etérea, amorfa, subjetiva, ou indefensável, perante uma sociedade pagã.

2. Ro 2. 14-15 – “... Mas eu também não consigo ver que o texto me dê base para censurar legalmente o não-judeu”.
EU: Por não-judeu vamos entender, no nosso contexto, o que está fora da revelação de Deus; o homem natural. O texto trata, como você diz, de nossa condição universal. Mas é um texto maravilhoso; ele é elucidativo! Ele demonstra e nos dá entendimento do que é a consciência humana. Ele nos explica como, pessoas e sociedades que rejeitam a Deus, ou que não ouviram falar do evangelho, possuem padrões de certo e errado, sem nunca extraírem esses das Escrituras. O texto mostra, também, como o homem é pecador, pois ele pratica aquilo que ele mesmo sabe que está errado, e como nós somos ainda mais responsáveis, pois temos a luz e sabemos exatamente o que é certo e o que é errado! Mas você não percebe? É exatamente este texto que nos dá esperança de que podemos tocar nesse resquício de compreensão, nos descrentes, e fazer ver a eles que, quebrando princípios básicos e universais, quando estão em esfera de autoridade, prejudicam não somente a eles mesmos e aos seus circunstantes, mas a todo o povo sobre os quais Deus os colocou em autoridade. O interessante é que você, no final, expressa exatamente essa esperança: “O que nos dá a esperança de conquistarmos certos valores bíblicos para serem aplicados mesmo em uma sociedade ímpia (que é o que ocorre universalmente)”. Ou seja, não vejo como você possa estar discordando de mim, se concorda neste ponto!

Continua... (Solano)

Solano Portela disse...

Caro Fábio ("Casal 20")-- Continuação...

3. “Cada um de nós decide...” – Você diz: “Assim não vejo a falácia, aí”.
EU: A falácia não está em aplicar o controle sobre nós mesmos e o controle paternal sobre nossas famílias – uma responsabilidade divina, e todos os cristãos deveriam praticar isso e ser criteriosos no que veem e no que fazem. A falácia está em achar que a responsabilidade termina aí. Aqui em casa também não seguimos novela, mas isso não significa que, porque eu protegi o meu lar, eu deva ficar inerte, ou acomodado, achando que a promoção do homossexualismo e da imoralidade é coisa comum e normal; é coisa sobre a qual o estado nada deva fazer. Por que a vara da infância não age, dentro do regramento que já tem? Porque a nossa sociedade está moralmente anestesiada e precisa ser despertada por um choque de propriedade – se não for por temor ao Deus de justiça, pelo menos por um senso de auto-preservação, que também procede de Deus.

4. “... direito de impingir” – Não estou defendendo o direito de impingir. Estou dizendo que a falta de ação se escuda nessa argumentação. Não estou dizendo que outras coisas, além do evangelho, transformam a vida das pessoas. Sei que a transformação pessoal e real, só ocorre pelo Evangelho, mas, como você próprio afirma no desenvolver o seu ponto, você concorda que há propriedade na ação política e possibilidades de atuação na esfera governamental. Por que o medo de se utilizar a palavra censura? Não é isso que um policial faz, quando ele impede o criminoso de executar alguém em sua sanha de criminalidade? O policial também pode exorbitar seus poderes e extorquir cidadãos de bem! Vamos ser contra o poder de polícia, por isso?

5. Caro irmão – releia sua argumentação neste ponto. Em essência você concorda com a impropriedade de tudo que é descrito, mas retrata os cristãos, novamente, como se tivessem que ficar inertes no meio de uma sociedade que se corrompe cada vez mais. Se não for o estado, que recebeu a delegação de Deus para promover os princípios de justiça, quem o fará? Ou será que imoralidade e devassidão não são crimes?

Continua... (Solano)

Solano Portela disse...

Ao Fábio - "Casal 20" (Continuação...)

6. 7 e 8 – Mais uma vez, você traz a questão apenas para o campo eclesiástico. Eu concordo totalmente com você que a Igreja deve ser trabalhada e que o grande problema é que ela “sintoniza e lê”, como você diz. Os crentes devem retornar aos padrões de pureza da Palavra de Deus. Mas uma coisa não é excludente da outra. Não vou ficar quieto, enquanto a sociedade se desmorona ao meu redor, agredindo minha família e vida, mesmo com todas as cautelas tomadas para protegê-la!

Sinto muito, que após tantas concordâncias, você conclua que “algo está muito errado com este parágrafo” (o meu último), quando ele é um grito por maior proteção, sim, para nossa sociedade e, por consequência, para nossas famílias. Quanto ao coração de nossos filhos, continuaremos ministrando a Palavra, pois só ela converte.

Fábio, a sua argumentação, no final, é mais ou menos assim (obviamente, você não falou isso – estou somente esticando, ad absurdum): “... vou ensinar auto-defesa aos meus filhos e armá-los para sair as ruas, pois eles devem ter total liberdade, e desde que não se aventurem pelas favelas – onde eu já ensinei que não devem ir – estão seguros pelas ruas dos bairros melhores, onde podem trafegar; ou podem se defender por si só – da maneira como os equipei – pois não posso ser a favor de uma polícia que venha a censurar e coibir o mal, ainda que isso me ajude a protegê-los, pois essa polícia pode exorbitar seus poderes e se tornar um estado repressivo”.

Que Deus o abençoe no excelente trabalho que fazem e no testemunho que prestam à causa do Evangelho.

Abs -- Solano

Solano Portela disse...

Caro Marcelo:

Como coloquei em minhas respostas ao Fábio, acima, uma coisa não exclui a outra. Evangelismo não exclui a busca por uma sociedade mais justa e mais protetora dos mais frágeis”.

Solano

Solano Portela disse...

Caro Hélder:

Obrigado pela leitura e pelo comentário. Não será a primeira vez que discordamos. Já fizemos isso, antes, quando você defendeu a facilitação, pelo estado, da união entre pessoas do mesmo sexo e da proteção de “direitos” que não se constituem como tal. Mas ainda tenho muita esperança em seu ministério.

Abs
Solano

Solano Portela disse...

Caro Ismar:

E agora, Ismar?

Solano

Solano Portela disse...

Caro Renato:
Grato pelo comentário e apoio.
Solano

Solano Portela disse...

Cara Norma:

Grato pelo apoio e pelas pertinentes ponderações e, principalmente, por ter abstraído a essência do clamor. Que Deus continue abençoando sua vida e sua “pena”.

Solano

Solano Portela disse...

Caro Cléber:
Creio que “A Nossa TV” continua sendo “A TV Dele” e que Deus o oriente e traga de volta a mensagem sã, sem as adições costumeiras desses novos “apóstolos”.
Solano

Solano Portela disse...

Caro Augustus:
Grato pelo sempre precioso apoio e pelo esclarecimento. Nessa questão de Liberdade de Expressão, as pessoas entendem como tudo, ou nada. Mas, a Liberdade de Expressão não é licença para a prática do mal.
Solano

Solano Portela disse...

Caro Celso:
Obrigado pelo comentário e pelo apoio à Norma! O que você levanta é uma questão curiosa – o apelo é para maior audiência, e ela ocorre porque apresentam algo inusitado, estranho ou bizarro; por vezes, porque apela aos baixos sentimentos. No entanto, o recurso vai se perpetuando e termina fazendo parte da expressão “cultural” da sociedade...
Solano

Solano Portela disse...

Caro "-"

Registro o duvidoso elogio.
Creio que as respostas colocadas aos comentários acima, já trataram desse argumento - de que é utópico se esperar das autoridades atitudes moralmente corretas. Só se descartarmos Romanos 2.14-15 e 13.1-7.

Continue pregando o Evangelho, mas veja o mundo como Deus vê.

Solano

Solano Portela disse...

Cara Rossana:
Obrigado pela leitura e por tratar do tema. A argumentação do "Casal 20" foi comentada, acima. Espero que esclareça alguns pontos.
Abs
Solano

Solano Portela disse...

Caro Syrthes:

É bom lhe encontrar nestas páginas. Um abraço,

Solano

Leandro Teixeira disse...

Oi Solano!

Obrigado pela explicação adicional. Eu concordo com o que disseste. Entendi melhor o que você quis dizer com censura, e, bom, assino embaixo.

Estava olhando apenas, pelo viés jurídico, o instrumento da jurisprudência, que poderia servir como instrumento contra os crentes.

Mas isto não seria novidade, não é mesmo?

Em Cristo,
Leandro Teixeira.

Tania Cassiano disse...

Presb.
Me corrija: Não eram os Profetas
também "censores" dos males de sua época? A gente com um mínimo de boa vontade entende claramente o que o Sr. quis dizer, e nos impulsiona a sermos firmes e divulgarmos (principalmente nas escolas) aquilo em que acreditamos.
Parabéns pelo post, muito bom!
Abs.

Rodrigo Silva Barros disse...

Interessante o seu comentário. Existe provisão bíblica para a censura? Sim é claro, haja vista que o próprio São Paulo disse que a Lei (do Antigo Pacto) era para os ímpios, inclusive aos blasfemadores.

Só que seu comentário desvela à irrelevância, pois, se a censura é legítima, as pessoas que você indica como censoras não o são. É muita ingenuidade crer que numa era de laicismo como política oficial de Estado, onde vários grupos de pressão atuam fanaticamente em prol de seus próprios interesses, o poder de censor não seria utilizado especialmente para fins anti-cristãos. Se sem censura oficial, o Cristianismo verdadeiro já é quase universalmente vilipendiado, quanto mais seria se um instrumento jurídico que a permitisse, fosse exercido por depravados?

Apelar para uma suposta Graça Comum não é nada mais do que uma tentativa patética de fechar os olhos. Na realidade isso demonstra a cegueira típica da teologia protestante moderna que cria uma dicotomia entre o governo eclesiástico e o governo civil. Para que haja uma censura teologicamente adequada, é necessário primeiramente que o governo civil seja teologicamente adequado, ou seja, confessor da Fé Cristã (que deve ser católica), composto exclusivamente por cristãos sábios, e defensor firme de leis cristãs.

Sem isso, o resto é firula de queixosos cegos.

Urso de Jardim disse...

Este site é muito bom, um dos melhores que conheço. Aqui tudo é organizado e bem esclarecido. Também escrevo em um blog, caso queira ver coloquei o link abaixo, mas vocês realmente estão de parabéns!

http://www.loblogue.com/

Abraços.

Salomão disse...

Prezado Pb. Solano Portela,

Da Rússia temos recebido boas notícias. Há um forte movimento na Rússia contra o movimento "triste" dos homossexuais e lésbicas. Lá eles não podem fazer marchas, que são proibidas, e recentemente a Assembléia Legislativa de São Petersburgo criou lei que proíbe e criminaliza a propaganda que promova a homossexualidade e a pedofilia entre menores de idade.
Que bom se aqui no Brasil os parlamentares que se declaram evangélicos, a partir de amplo movimento das diversas igrejas evangélicas históricas, especialmente as reformadas, propusessem um projeto de lei semelhante?!


Matéria do site de Julio Severo:

http://juliosevero.blogspot.com.br/2012/03/segunda-maior-cidade-da-russia-proibe.html