quarta-feira, agosto 15, 2012

Se eu tiver fé, poderei fazer mais milagres do que Jesus? DITOS DIFÍCEIS DE JESUS - IV


Em verdade, em verdade vos digo que aquele que crê em mim fará também as obras que eu faço e outras maiores fará, porque eu vou para junto do Pai (João 14.12).

Jesus fez esta promessa aos seus discípulos na noite em que foi traído, antes de ir com eles para o Getsêmani, durante o jantar em que instituiu a Ceia. O Senhor falou que iria para o Pai preparar lugar para os discípulos (Jo 14.1-4), e em seguida explicou como eles chegariam lá (14.5-6). Respondendo ao pedido de Filipe para que lhes mostrasse o Pai, Jesus explica que Ele está de tal forma unido ao Pai, que vê-lo é ver o Pai (14.7-9). E como prova de que Ele está no Pai e o Pai está nEle, Jesus aponta para as obras que realizou (14.10-11). E em seguida, faz esta promessa, “aquele que crê em mim fará também as obras que eu faço e outras maiores fará, porque eu vou para junto do Pai” (14.12).

Este dito de Jesus é difícil porque parece prometer que seus discípulos seriam capazes de realizar os milagres que Ele realizou, e até mesmo maiores, se somente cressem nEle – e pelo que lemos no livro de Atos e na história da Igreja, esta promessa não parece ter-se cumprido. Compreender o real sentido desta passagem tem se tornado ainda mais crucial pois ela tem sido usada, após o surgimento do movimento pentecostal e seus desdobramentos, para defender modernas manifestações miraculosas, iguais e maiores dos que as efetuadas pelo próprio Jesus Cristo.

Há duas principais tentativas de interpretar este dito de Jesus:

1. As “obras” são os milagres físicos realizados por Jesus

A interpretação popular e mais comum, aceita pela maioria dos evangélicos no Brasil (esta maioria, por sua vez, é composta na maior parte por pentecostais e neopentecostais), é que Jesus realmente prometeu que seus discípulos seriam capazes de realizar os mesmos milagres que Ele realizou, e mesmo maiores. É importante notar que muitos membros de igrejas históricas, como presbiterianos, batistas, congregacionais e episcopais, entre outros, também foram influenciados por este ponto de vista. Nesta interpretação, a palavra “obras” é entendida exclusivamente como se referindo aos milagres físicos que Jesus realizou, como curas, exorcismos e ressurreição de mortos. Os adeptos desta interpretação entendem que existem hoje pastores, obreiros e crentes com capacidade para realizar os mesmos milagres de Jesus – e até maiores. Defendem que curas, visões, revelações e de outras atividades miraculosas estão acontecendo no seio de determinadas igrejas nos dias de hoje, exatamente como aconteceram nos dias de Jesus e dos apóstolos. E desta perspectiva, se uma igreja evangélica não realiza estes sinais e prodígios, significa que ela é fria, morta, sem fé viva em Jesus.

Apesar desta interpretação parecer piedosa e cheia de fé (e é por isto que muitos a aceitam), tem algumas dificuldades óbvias. Primeira, apesar dos milagres que realizaram, nem os apóstolos, que foram os cristãos mais próximos desta promessa, parecem ter suplantado aqueles de Jesus, em número e em natureza. Jesus andou sobre as águas, transformou água em vinho, acalmou tempestades e suas curas, segundo os Evangelhos, atingiram multidões. Não nos parece que os apóstolos, conforme temos no livro de Atos, suplantaram o Mestre neste ponto. Segundo, a História da Igreja não registra, após o período apostólico, a existência de homens que tivessem os mesmos dons miraculosos dos apóstolos e que tenham realizado milagres ao menos parecidos com os de Jesus. Na verdade, os grandes homens de Deus na História da Igreja nunca realizaram feitos miraculosos desta monta, como Agostinho, Lutero, Wycliffe, Calvino, Bunyan, Spurgeon, Moody, Lloyd-Jones, e muitos outros. Os pregadores pentecostais que afirmam ser capazes de realizar milagres semelhantes, e ainda maiores, não têm um ministério de cura e milagres consistente e ao menos semelhantes aos de Jesus. O famoso John Wimber, um dos maiores defensores das curas modernas, morreu de câncer na garganta. Antes de morrer, confessou que nunca conseguiu curar uma criança com problemas mentais, e nem conhecia ninguém que o tivesse feito.  Os cultos de cura de determinadas igrejas neopentecostais alegam milagres que são de difícil comprovação. Terceiro, esta interpretação deixa sem explicação o resto da frase de Jesus: “aquele que crê em mim fará também as obras que eu faço e outras maiores fará, porque eu vou para junto do Pai” (14.12). E por último, esta interpretação implica que os cristãos que não fizeram os mesmos milagres que Jesus fez não tiveram fé suficiente, e assim, coloca na categoria de crentes “frios” os grandes vultos da História da Igreja e milhões de cristãos que nunca ressuscitaram um morto ou curaram uma doença.

Esclareço que não estou dizendo que Deus não faz milagres hoje. Creio que Ele faz, sim. Creio que Ele é poderoso para agir de forma sobrenatural neste mundo e que Ele faz isto constantemente. O que estou questionando é a interpretação desta passagem que afirma que se tivermos fé faremos milagres maiores do que aqueles realizados por Jesus.

2. As “obras” se referem ao avanço do Reino de Deus no mundo

A outra interpretação entende que Jesus se referia obra de salvação de pecadores, na qual, obviamente, milagres poderiam ocorrer. Os principais argumentos em favor desta interpretação são estes:

a. A expressão “quem crê em mim” é usada consistentemente no Evangelho de João para se referir ao crente em geral, em contraste com o mundo que não crê. Examine as passagens abaixo:

  • Jo 6:35  Declarou-lhes, pois, Jesus: Eu sou o pão da vida; o que vem a mim jamais terá fome; e o que crê em mim jamais terá sede.
  • Jo 6:47  Em verdade, em verdade vos digo: quem crê em mim tem a vida eterna.
  • Jo 11:25-26  Disse-lhe Jesus: Eu sou a ressurreição e a vida. Quem crê em mim, ainda que morra, viverá; e todo o que vive e crê em mim não morrerá, eternamente. Crês isto?
  • Jo 12:46  Eu vim como luz para o mundo, a fim de que todo aquele que crê em mim não permaneça nas trevas.

Fica claro pelas passagens acima que aqueles que crêem em Jesus são os crentes em geral, e que a fé em questão é a fé salvadora. Por analogia, a expressão “quem crê em mim” em João 14.12 também se refere a todo crente, e não àqueles que teriam uma fé tão forte que seriam capazes de exercer o mesmo poder de Jesus em realizar milagres – e até suplantá-lo!

b. O termo “obras” referindo-se às atividades de Jesus, é usado no Evangelho de João para se referir a tudo aquilo que Ele fez, conforme determinado pelo Pai, para mostrar Sua divindade, para salvar pecadores e para glorificar ao Pai. Veja estas passagens: Jo 4:34; 5:20,36;  6:28,29; 7:3; 9:3,4; 10:25,32,33,37,38; 14:10,11; 14:12; 15:24; 17:4. O termo “obras” não se refere exclusivamente aos milagres de Jesus, muito embora em algumas ocorrências os inclua. No contexto da passagem que estamos examinando, Jesus usa o termo “obras” para se referir às palavras que Ele tem falado: “Não crês que eu estou no Pai e que o Pai está em mim? As palavras que eu vos digo não as digo por mim mesmo; mas o Pai, que permanece em mim, faz as suas obras” (Jo 14.10). É evidente, portanto, que não se pode entender o termo “obras” em Jo 14.12 como se referindo exclusivamente aos milagres físicos realizados por Jesus. O termo é muito mais abrangente e se refere à sua toda atividade terrena realizada com o fim de salvar pecadores: palavras, atitudes e, sem dúvida, milagres.

c. A frase “porque eu vou para junto do Pai” fornece a chave para entender este dito difícil. Enquanto Jesus estava neste mundo, sua ação salvadora era limitada pela sua presença física. Seu retorno à presença do Pai significava a expansão ilimitada do Reino pelo mundo através do trabalho dos discípulos, começando em Jerusalém e até os confins da terra. Como vimos, as “obras” que Ele realizou não se limitavam apenas aos milagres físicos, mas incluíam a influência dos mesmos nas pessoas e a pregação do Reino efetuada por Jesus. Estas obras, porém, estavam limitadas pela Sua presença física em apenas um único lugar ao mesmo tempo. As “obras maiores” a ser realizadas pelos que crêem devem ser entendidas deste ponto de vista: os discípulos, através da pregação da Palavra no mundo todo, suplantaram em muito a área de atuação e influência do Senhor Jesus, quando encarnado.

Adotar a interpretação acima não significa dizer que milagres não acontecem mais hoje. Estou convencido de que eles acontecem e que estão implícitos neste dito do Senhor Jesus. Entretanto, eles ocorrem como parte da obra de expansão do Reino, que é a obra maior realizada pela Igreja.

O dito de Jesus, portanto, não está prometendo que qualquer crente que tenha fé suficiente será capaz de realizar os mesmos milagres que Jesus realizou e ainda maiores – a Escritura, a História e a realidade cotidiana estão aí para contestar esta interpretação – e sim que a Igreja seria capaz de avançar o Reino de Deus de uma forma que em muito suplantaria o que Jesus fez em seu ministério terreno. Os milagres certamente estariam e estão presentes, não como algo que sempre deve acontecer, dependendo da fé de alguns, e não por mãos de pretensos apóstolos e obreiros super-poderosos, mas como resposta do Cristo exaltado e glorificado às orações de seu povo.


41 comentários:

Caio Brant disse...

Que coisa boa ler esse texto!
Ontem mesmo pensava nessa expressão de Jesus, desejando ler algum texto discorrendo sobre esses aspectos.
Que sejamos parte dessa obra que temos por missão realizar.

Rosangela disse...

Obrigada ao Senhor por dedicar a sua vida ao meu Senhor, pra mim uma resposta que eu não soube formular.

André disse...

Essa série "Ditos difíceis de Jesus" está sensacional! Parabéns, Augustus!

Aislan disse...

Gostaria muito de ver sobre Mateus 17.21: [mas esta casta de demônios não se expulsa senão à força de oração e de jejum.]

Recentemente diante do que pesquisei nos evangelhos, lendo bem direitinho todos os capítulos até esse versículo, não me parece que Jesus estava doutrinando uma prática de como expulsar demônios, mesmo porque antes ele fala da razão: incredulidade. Além disso, era estranho esperar jejum, se o "noivo" ainda estava presente entre eles.

Contudo a conjunção adversativa parece colocar uma exceção, colocando algo mais específico.

Há algum material falando sobre erro de copistas em relação a esse versículo?

Esse versículo é muito usado para justificar uma regra de como expulsar demônios.

Ficarei muito grato com a resposta. :)

Graça!

Aislan

Ricardo Guerra disse...

muito bom o texto, gosto muito desta serie...

Soli Deo Gloria

Rodrigo Pinto disse...

Graça e paz do Senhor!!
Essa série realmente nos esclarece muito a respeito de alguns ditos que faz a bíblia parecer errante.Como crente em Jesus nunca duvidei da bíblia e creio que ela é inerrante.
Nesse dito particularmente analiso que talvez essa frase do Senhor Jesus se cumpre na festa de pentecoste,quando o Apóstolo pedro em seu discurso converte 3000 almas e nesse mesmo dia são batizadas.Obrigado pelo esclarecimento.
RODRIGO

Evandro disse...

Eu não entendo: se Jesus disse isso, estaria ele mentindo? Pedro não andou sobre as águas, mas curou os doentes com sua sombra, Jesus fez tal coisa? Talvez, o fato de Pedro ter feito isso poderia ser interpretado com querer ser maior que Jesus, mas não foi o próprio Jesus que afirmou que isso aconteceria?

As igrejas históricas se esfriaram para esses fenômenos. Na verdade há muitos artigos sobre o esfriamento das Igrejas históricas, e eu acredito que a tendência será o liberalismo, pois da mesma forma que os pentecostais estão ficando materialistas, por causa da teologia da prosperidade, as igrejas históricas ficarão totalmente frias e céticas quanto ao Deus Vivo e a tudo que não puder ser explicado cientificamente, por causa do liberalismo, que já está se infiltrando nestas igrejas.

Será que pelo fato das igrejas históricas não haver testemunho de milagres, isso não aconteça mais? Acho que é bom lembrar que os pentecostais buscaram e creram nos dons do Espirito Santo, nas promessas de Jesus que os seus discípulos também fariam as mesmas coisas e até mais do que ele fez.

Eu mesmo vim de uma igreja pobre e sem recursos, mas onde havia cultos de cura e libertação. As pessoas estavam doentes, desenganadas pelos médicos, possessas por demônios entre outros problemas. Havia curas e libertação de demônios, pois Jesus disse que seus discípulos teriam poder de fazer isso.

O nosso Deus não é mentiroso, ele é fiel em sua palavra. Se nas igrejas históricas não há curas, milagres ou expulsão de demônios, não é por culpa dos pentecostais ou porque Deus parou de fazer isso. O motivo é que eles não buscam e não creem que isso hoje seja possível. Eu duvido que se essas igrejas, frias e céticas sobre poder do nosso Deus em nossos dias, fizessem cultos de curas e milagre, que Deus não as usaria como usa tantas outras por aí.

Marcoheriton disse...

Evandro,


Acho que você não leu ou não conseguiu interpretar o referido texto. O pastor Augustus Nicodemus foi enfático em dizer que crê em milagres hoje em dia, apenas não concorda ao afirmarem que se alguém não faz milagres não é verdadeiramente um crente. Por exemplo, eu amo meu Salvador Jesus, creio NELE, sou crente, mas eu nunca ressucitei um morto ou multipliquei pães, você ja fez isso?

Jabesmar disse...

Concordo com a interpretação do irmão Augustus. Os apóstolos fizeram sinais, mas nem mesmo eles suplantaram os que Jesus fêz. Então poderíamos afirmar que alguns cristãos modernos foram "maiores" que os próprios apóstolos? Creio que não!
Usando Paulo como exemplo (sabemos que ele fez inúmeros milagres), veremos que ele não realizou pelo menos dois milagres que Jesus fez. 1º) Ele não andou sobre as águas; 2º) Ele não acalmou a fúria do mar e sofreu naufrágios dos quais pelo menos sabemos como foi (cf. Atos 27 e 2 Co 11:25).
Além disso deixou Trófimo doente em Mileto (cf. 2 Timóteo 4:20) e receitou vinho com água para Timóteo devido a uma enfermidade (cf. 1 Timóteo 5:23).
Resumndo: Deus PODE ainda hoje fazer milagres? SIM! Ele TEM que fazer milagres sempre que pedimos? NÃO!!

Evandro disse...

Olá Marco,

Se o pastor Augustus Nicodemus Lopes realmente acredita, que por meio dos seus servos, o nosso Deus faz milagres hoje em dia, então ele se contradiz ao afirmar que, logo no início do texto, o dito de Jesus era difícil e até mesmo sugerir outras interpretações a um texto, que sozinho, já se interpreta claramente.

Como poderemos saber se ele realmente acredita em milagre, como o nosso Senhor Jesus afirmou que seus servos fariam? É simples, vamos testá-lo diante do versículo que ele mesmo colocou.

João 14:12: “Em verdade, em verdade vos digo que aquele que crê em mim fará também as obras que eu faço e outras maiores fará, porque eu vou para junto do Pai”. Nesta passagem está claro que existe uma condição para que um servo do nosso Deus possa ser usado para curas, milagres, expulsão de demônios: crer em Jesus. Quero lembrá-lo que crer, que é igual a palavra Fé (do Latim fides, fidelidade e do Grego pistia ) é a firme opinião de que algo é verdade, sem qualquer tipo de prova ou critério objetivo de verificação, pela absoluta confiança que depositamos nesta ideia ou fonte de transmissão. Sendo assim, a igreja ao qual o Pastor Augustus Nicodemus Lopes pertence crê em Jesus o suficiente para ter um dia para cura, milagres e expulsão dos demônios? A igreja ao qual você pertence tem fé em Jesus a ponto de ter um dia, pelo menos, para curas, milagres e expulsão dos demônios?

Se crermos nas palavras de Jesus, então não temos porque duvidarmos delas. Eu nunca curei ninguém, afinal quem cura é Deus, mas já houve curas, milagres e expulsão de demônios na minha família, realizado por aqueles que tiveram fé o suficiente nas palavras de Jesus para fazê-lo. Eu creio, que se for da vontade do nosso Deus, tanto eu, quanto você, podemos ser usados para curar e operar milagres, na hora apropriada por Deus, basta que crermos da forma que Jesus falou.

Samuel Gomes disse...

Parabéns Reverendo, texto excelente, Deus abençoe.

Débora Passos disse...

O Evandro vc não leu msm o texto?
O autor post diz: “Adotar a interpretação acima não significa dizer que milagres não acontecem mais hoje. Estou convencido de que eles acontecem e que estão implícitos neste dito do Senhor Jesus. Entretanto, eles ocorrem como parte da obra de expansão do Reino, que é a obra maior realizada pela Igreja”.


“um dia para cura, milagres e expulsão dos demônios???????????????????”
Precisa de dia p isso???

Em algum lugar na Bíblia Jesus ou os apóstolos fizeram ou mandaram fazer dia disso?????

Mateus 28:20 E eis que estou convosco TODOS OS DIAS

Evandro disse...

Jabesmar,

Pedro curava com a sombra, coisa que Jesus não fez. Também não temos o número de pessoas que foram curadas pelos apóstolos, mas elas devem ser maiores do que a de Jesus, isso sem falar nas outras obras, como a pregação do reino para um número maior de pessoas.

A questão é que o próprio Jesus afirmou que isto aconteceria, então se prefere concordar com a interpretação do Augustus, eu fico com a de Jesus Cristo, pois não acredito que ele mentiu sobre isso e nem se enganou.

Se Deus faz milagres sempre que pedimos? Isso realmente depende do nosso Deus, mas o que não se pode fazer é tentar desvirtuar as palavras de Jesus para justificar o esfriamento espiritual em que as igrejas históricas se encontram, e, principalmente, pelo fato de não haver curas e nem milagres dentro delas. Jesus foi bem claro em dizer: “Em verdade, em verdade vos digo que aquele que crê em mim fará também as obras que eu faço e outras maiores fará, porque eu vou para junto do Pai”. Os pentecostais tiveram fé nisso e começaram a fazer reuniões de curas, crendo nas palavras de Jesus, se as igrejas históricas não fazem isso é porque se institucionalizaram de tal modo, que perderam a fé e se esfriaram espiritualmente.

Eu respeito sua opinião em concordar com o pastor Augustus Nicodemus Lopes. Eu até concordo com muita coisa que ele escreve, mas se for escolher entre o que ele falou, ou o que Jesus Cristo falou, vou sempre escolher a Cristo. Posso nunca ter visto alguém andar sobre as águas, ou mortos ressuscitarem, mas já faz algum tempo que entreguei minha vida a Cristo. Minha vida está em Deus e meus dias em suas mãos, porque eu confio em um Deus fiel, então se Cristo afirmou que aqueles que cressem nele poderiam fazer obras maiores, eu acredito, pois confio que meu Deus seja fiel e verdadeiro.

Evandro disse...

Olá Débora,

Não me parece que Deus faz cura única e exclusivamente pensando na expansão do Reino, lembre-se que o nosso Deus também é amoroso e misericordioso. Em Lucas 7: 11-14 há uma passagem que mostra isto: “E aconteceu que, no dia seguinte, ele foi à cidade chamada Naim, e com ele iam muitos dos seus discípulos, e uma grande multidão; E, quando chegou perto da porta da cidade, eis que levavam um defunto, filho único de sua mãe, que era viúva; e com ela ia uma grande multidão da cidade. E, vendo-a, o Senhor moveu-se de íntima compaixão por ela, e disse-lhe: Não chores. E, chegando-se, tocou o esquife (e os que o levavam pararam), e disse: Jovem, a ti te digo: Levanta-te. E o defunto assentou-se, e começou a falar.” Aqui está claro que Jesus ressuscitou por amor e compaixão pela mãe, e não porque isso tivesse alguma importância para sua obra.

Sobre o dia de curas e milagres, acho que tem igreja que pelo menos precisam sim de um dia, afinal elas não tem nenhum. Realmente Jesus ou os apóstolos não mandaram fazer isso, contudo, eles também não mandaram usar slides nas igrejas e pregação em blogs, mas, mesmo assim, fazemos.

Existem muitas pessoas, que antes de terem suas almas curadas, precisam curar seus corpos primeiro. Na minha primeira igreja, que era pentecostal clássica, chegavam muitas pessoas doentes, abandonadas pelos médicos, possessas por demônios, entre outros casos, desesperadas por um milagre. Muitos, em uma situação normal, não entrariam em uma igreja, se não tivessem tão desesperadas. Depois que recebiam suas curas, a maioria ficava, seguiam e se convertiam.

Em um país onde o sistema de saúde é precário como o nosso, quantos não devem passar pela porta das igrejas históricas, que normalmente estão fechadas, visto que elas abrem apenas em alguns dias da semana e em certos horários, desesperadas por um milagre e com filhos e parentes a beira da morte. Elas irão para uma igreja pentecostal, que fica aberta de domingo a domingo e o dia todo. Pode ser que nem todos sejam curados, mas alguns serão, pois os servos do nosso Deus que estão nesta igreja creem nas palavras de Jesus, que disse: “Em verdade, em verdade vos digo que aquele que crê em mim fará também as obras que eu faço e outras maiores fará, porque eu vou para junto do Pai”.

As igrejas históricas perderam esse contato com o sobrenatural. A incerteza lógica e racional de orar em uma pessoa, acreditando, que embora cientificamente seja impossível, um Deus fiel e sobrenatural pode curá-la. Acho que todos esses mestrados e doutorados distanciaram os pastores da parte sobrenatural em que o nosso Deus atua. Os apóstolos não tinham doutorados ou mestrados, mas eram cheios do poder de Deus. É uma experiência que está faltando a estas igrejas, por isso elas esfriaram espiritualmente.

Abraços,

Alessandro disse...

A Paz de Cristo,

O amado Nicodemus, tentando esclarecer algo bastante claro e simples, acaba complicando. É fato que Jesus se referia tanto aos milagres quanto a propagação do reino de Deus.

Por mais que o Nicodemus tente ser imparcial e demonstrar as duas linhas de interpretação, apela na defesa da linha por ele adotada ( inclusive citando um homem que não representa o pentecostalismo clássico ) e mesmo que fosse um legítimo representante das doutrinas pentecostais, sua morte de câncer não seria motivo para se desacreditar na atualidade dos dons espirituais ( inclusive o de cura )e muito menos no dito de Jesus, nem tão pouco estaria em contradição com os ensinos apostólicos: Paulo um homem que realizou milagres não curou a enfermidade de seu pupilo Timóteo, nem por isso ele desacreditava nos dons espirituais.


Com relação as OBRAS MAIORES, penso o oposto do amado Nicodemus; o livro de Atos é prova inequívoca de que os apóstolos realizaram obras maiores, tanto no alcance e divulgação do evangelho quanto nos milagres realizados em consonância com Marcos 16:17-18. O apóstolo Paulo em vida nos deu exemplo de que o que Jesus havia dito apesar de parecer improvável é sim possível.

Apesar de nutrir grande respeito e reverência ao reverendo, acredito que ele apelou ao tentar interpretar um dito aparentemente simples, se é claro que OBRAS MAIORES ao qual Jesus referiu-se trata-se tanto da propagação quanto dos sinais, por qual motivo essa dicotomia entre interpretações? O erro está no apego exagerado em somente um aspecto do dito de Jesus, seja nos sinais ou na evangelização, pelo post do reverendo somente um aspecto é reprovável.

Augustus Nicodemus Lopes disse...

Evandro,

Acho que você não entendeu o ponto da minha análise. Eu não nego que Deus faça milagres hoje. Eu mesmo já presenciei milagres. O que eu estou mostrando é que está errada a interpretação que entende que as obras que Jesus se refere são os sinais e prodígios que ele fez. Essa mesma interpretação diz que se alguém tiver fé fará ainda maiores milagres do que Jesus fez.

Se eu for seguir a lógica desta interpretação, Evandro, você e o Jabesmar são dois incrédulos, pois tenho certeza de que não ressuscitam mortos nem andam sobre as águas e nem transformam água em vinho.

Mas, vocês não são incrédulos. Dá para ver pelos comentários que vocês são crentes em Jesus, que amam o Senhor Jesus. Qual é o problema, então? É esta interpretação errada destas palavras de Jesus. Jesus não estava dizendo que qualquer crente de fé faria sinais maiores do que ele, mas sim que todos os crentes participariam da expansão do Reino de uma maneira que o próprio Jesus não poderia, já que Ele estava indo para o Pai.

Em seus comentários há o pressuposto arrogante de que as igrejas históricas esfriaram e que os pentecostais é que são crentes pois fazem milagres. Lamento por esta atitude, que infelizmente não é somente sua. Aqui no blog a gente procura discutir com mais respeito.

Um abraço.

Vandim disse...

Este post escrito por um pastor pentecostal segue na msm direção do Nicodemus. confira ai:
http://cirozibordi.blogspot.com.br/2009/02/o-que-sao-as-obras-maiores-de-joao-1412.html

Bruno Leonardo disse...

Rev. Augustus, eu estava olhando a Lista de Preletores da Consciência Cristã 2013 e puder ver que seu nome não está lá nela, o senhor não vai participar da Consciência 2013?? Que pena Reverendo. :(

Jabesmar disse...

Caro irmão Evandro, graça e paz da parte do nosso Pai celestial.
Amado irmão, em primeiro lugar quero afirmar que creio em milagres e tenho experimentado alguns no decurso da minha vida cristã sendo que o primeiro e maior deles foi meu novo nascimento em Cristo. O que eu não creio, estou sendo sincero, é nos milagreiros e seus festivais de “milagres”. Uma das características do milagre é sua excepcionalidade, pois se acontecessem a torto e a direita, não seriam milagres e sim o natural.
Já acerca da sua afirmação de que Pedro curava com a sombra, o texto em Atos 5:14,15 apenas descreve o que as pessoas faziam, mas não afirma categoricamente que a “Pedro curava com a sombra”. Pode ser que sim, pode ser que não.
Em relação aos milagres, entendo que os apóstolos e os todos crentes que existiram desde o dia de Pentecoste até hoje, possam ter realizado um número maior de milagres do que os realizados pelo Senhor Jesus, pois eles são em maior número. O que não creio é que nenhum deles tenha feito milagres maiores dos que o Senhor Jesus fez.
Contudo, isto fica no campo da “especulação”, mas nunca é demais lembrar o que o apóstolo João, testemunha ocular dos milagres de Jesus, escreveu. “Há, porém, ainda muitas outras coisas que Jesus fez. Se todas elas fossem relatadas uma por uma, creio eu que nem no mundo inteiro caberiam os livros que seriam escritos” (João 21:25). Há MUITAS outras coisas que Jesus fez (milagres também?), além daquelas narradas nos Evangelhos, sobre as quais nada sabemos. Se como vice diz, “não temos o número de pessoas que foram curadas pelos apóstolos”, também não temos o número de pessoas curadas pelo Senhor Jesus. Por isso é bom sermos moderados em nossas afirmações.

Acerca do seu comentário sobre a temperatura da minha fé não tenho nada a dizer, pois quem a conhece realmente é o meu Senhor e será a Ele que darei contas disto.
Falando da nossa pátria, é bom lembrar que os pioneiros e desbravadores do Evangelho no Brasil não eram pentecostais. Aqueles homens e mulheres foram usados por Deus para conduzir milhares e milhares de almas aos pés do Senhor Jesus. Não só nas cidades, mas também no campo, bem como nas aldeias indígenas no meio das selvas. Muitos deles pagaram com a própria vida para que o evangelho fosse semeado na nossa pátria. Só por não serem pentecostais e não basearem seu ministério em milagres aqueles homens e mulheres podem ser chamados de frios? Deixemos este julgamento para o Senhor meu irmão, para não corrermos o risco de fazermos julgamento temerário.

Jabesmar disse...

Caro irmão Augustus,
Realmente nunca consegui andar sobre as águas (não pense que não tenha tentado. rsrsrsrs), nem ressuscitar mortos e nem transformar água em vinho. Você está certo nisto. Também acerta quando diz que sou um crente que ama a Jesus. Apesar de não amá-Lo o quanto deveria, tenho me esforçado para amá-Lo e obedecê-lo cada dia mais e mais.

JOSÉ MARCOS ANTUNES disse...

Certamente muita coisa errada e fora do contexto biblico se faz apoiado neste versiculo.
mas, minha preocupação é qual é a diferença, no final das contas todos estamos querendo justificar, ou dar um sentido ao texto que nem o próprio jesus fez questão de deixar claro. será que as duas explicações no fundo não ~são a mesma tentativa de quase querer adivinhar o sentido. sei não. acho que as duas explicações no fundo só agradam a ideologia de cada um.não sei o que jesus quis dizer, mas certamente não foi o que dizem os pentecostais, nem o que argumentam os protestantes históricos.
ou será que o texto diz exatamente o que diz. que Jesus nos de discernimento e equilibrio, pois no fundo é o que mais precisamos.
obrigado.

Bruno Saavedra disse...

Aislan,

No livro "O que Jesus disse, o que Jesus não disse", do Bart Erhman (agnóstico) ele afirma que o termo jejum não se aplicaria nesse trecho. Os melhores manuscritos, segundo esse autor, falariam na oração, mas não no jejum.

Rev. Augustus,

Quando tratar do texto mencionado pelo Aislan, poderia tratar essa questão?

Ademais, belo texto e muito esclarecedor. Tenho uma curiosidade: o termo "obras" usado aqui, no grego, tem alguma semelhança ao termo "milagres"? (No que diz respeito à etimologia da palavra, mesmo).

Bruno Saavedra
Blog Uma Questão de Perspectiva
http://www.questaodeperspectiva.com

Evandro disse...

Jabesmar,

Quanto aos milagreiros, eu também concordo com você. Infelizmente, assim como as igrejas históricas caminham para o liberalismo, as pentecostais se afundam no materialismo da doutrina da prosperidade.

Sobre Pedro curar com a sombra, acho que é questão de entendimento, pois se entende assim na passagem.

Não se ofenda quanto a minha afirmação sobre o esfriamento espiritual, pois não estou me referindo às pessoas, mas as instituições históricas. No lado pentecostal, a coisa também não está muito boa.

Entenda que estamos em uma época complicada. A apostasia ronda o nosso mundo e um dos exemplos é a ordenação de um pastor abertamente gay na Igreja Presbiteriana dos EUA. Projetos de leis, incentivados por instituições privadas na obscuridade, estão sendo implantados pelo mundo, usando o enganoso discurso para combater a homofobia, mas com o objetivo de tornar a Bíblia e a religião judaico-cristã uma religião atrasada, intolerante e perigosa para a evolução da sociedade. Já se tem notícias de pastores sendo presos por pregar a palavra de Deus. Acho que nunca foi tão importante nos preocuparmos em quem vamos votar. Sabermos se aquele que receberá nosso voto, representa nosso conceito moral ou representa o novo conceito moral, estabelecido pelo mundo.

Pb/teólogo Leonardo Dâmaso disse...

Shalom Augustus. Muito bom o artigo. Queria neste comentário apenas sugerir acerca de um dito difícil de Jesus que, porventura, o Reverendo pudesse analisar a passagem e escrever sobre ele. O dito difícil está descrito em MT 11.12 com paralelo em LC 16.16. Seria muito bom se o Reverendo se dispusesse a salientar esta passagem meticulosamente. É uma passagem muito interessante e também muito distorcida, principalmente no meio neopentecostal e pentecostal.Um abraço em Cristo!

.:::Luks The Darkness:::. disse...

Eu tenho uma dúvida, já estudei o blog de vcs. E preciso ter claro aqui, É ERRADO mulheres pregarem nas igrejas?

Augustus Nicodemus Lopes disse...

Luks,

Primeiro defina estes termos:

1) igreja
2) Pregação

Um abraço.

Evandro disse...

Dr. Augustus Nicodemus,

Só agora vi o seu comentário endereçado a mim, normalmente há uma aviso por email e eu não devo ter notado quando este chegou.

Se na sua mensagem o Senhor deixa claro que acredita em milagres, então me desculpe por dizer que não. Confesso que achei que estivesse usando a expansão no reino para justificar a descrença que algumas igrejas históricas têm nos milagres do nosso Deus nos dias atuais.

A lógica da interpretação não diz que todos fariam os mesmos milagres, mas que haveriam pessoas que se cressem em Jesus fariam obras maiores, o que também inclui milagres.

Também não podemos dizer que no decorrer da história do cristianismo, que já tem mais de dois mil anos, milagres tão impressionantes quantos os de Jesus não ocorreram, pois há milhares de intervenções de Deus que não conhecemos. O que nós devemos ter é fé e confiança nas palavras de Jesus, e não tentarmos reinterpretar o texto de forma que combine com nossa realidade, contudo, lembremos que existem outras realidades neste mundo, onde para muitas pessoas é normal ver milagres sobrenaturais do nosso Deus.

Realmente admito que exagerei no ataque ao esfriamento das igrejas históricas, porque achei que estivesse, nas entrelinhas, dizendo que não há mais milagre hoje, e para mim e na história da minha família, presenciamos várias intervenções sobrenaturais de Deus. De qualquer forma você tem de admitir que muitas igrejas históricas perderam esse contato com o sobrenatural de Deus. Na Europa mesmo acompanhamos o completo esfriamento espiritual dessas igrejas e nos Estados Unidos um pastor gay foi nomeado na Igreja Presbiteriana.

Quanto aos pentecostais, aquilo que começou na Rua Azuza foi substituído pelo materialismo da doutrina da prosperidade e a tendência no futuro será ainda pior.

Os pentecostais vivenciam muito o poder de Deus, contudo, estudam pouco a palavra, já os históricos estudam exaustivamente, contudo, pouco a vivenciam na prática. Acho que o melhor seria uma Igreja ter um pouco de cada.

De qualquer forma o Senhor é um pastor muito considerável em sua denominação e por muitos crentes. Talvez seja melhor o Senhor falar mais para eles sobre milagres, pois se leis como a da anti-homofobia e do porte de drogas, que inclusive tem propaganda na Globo, for aprovada, tanto os históricos quanto os pentecostais vão precisar de um.

Abraços,

Evandro

.:::Luks The Darkness:::. disse...

Augustos,

Igreja, no caso, a igreja local, onde todos congregam e existe uma autoridade que administra ela, Pastor, Bispo...

Pregação, nesse caso também, me refiro ao ato de expor as escrituras, interpretá-las e aplicar elas a igreja reunida, na hora da mensagem.

É válido pra mulher fazer isso? Ou ela realmente não pode ensinar mesmo não tendo nenhum cargo de autoridade?

Augustus Nicodemus Lopes disse...

O que você descreve se assemelha à mulher que profetiza, mencionado por Paulo em 1Cor 11:5. Ela pode "profetizar" na igreja, desde que debaixo de autoridade - que é o sentido do véu naquela época.

Portanto, minha opinião é que não há como proibir biblicamente que uma mulher cristã, que tenha habilidades de falar em público, boa teologia e cuja mensagem foi antes lida e aprovada pelo pastor, se dirigir à igreja durante um culto.

Os textos geralmente usados para esta proibição estão, na verdade, proibindo que elas falem de maneira autoritativa, usando o ofício de pastor ou presbítero (1Co 14 e 2Tim 2).

Abs.

Equip OT skyline disse...

Cláudio (ipib - Cabedelo Paraiba)

Gostaria muito de ouvir uma explicação sobre que eu axo que é mais um dos "ditos dificies de jesus"

sobre aquela passagem:
quando um espírito maligno deixa um homem, anda por lugares áridos, buscando refúgio e não encontra.e volta para a casa e a encontra varrida e adornada. Em seguida, traz sete espíritos piores do que ele para ali habitarem.


MuitAs igrejas e denominações uzam essa passagem pra evangelizar os desviados mas eu ñ consigo ver como encaixar isso, ñ sei, mas eu entendo que deva ser para aqueles que estão nas igrejas mas, estão frios, mortos na fé será isso msmo que cristo estaria nos falando ou era pra os fariseus isso?

Jabesmar disse...

Prezado irmão Augustus, ainda sobre a pergunta do Luks The Darknes e sua resposta a ele, como lidar com o seguinte versículo: "E não permito que a mulher ensine, nem exerça autoridade de homem; esteja, porém, em silêncio" (1 Timóteo 2:12).

A mim parece que paulo não permitia que a mulher ensinasse na igreja. Como o irmão entende este versículo?

Juntos na causa do Mestre, Jabesmar A. Guimarães.

Augustus Nicodemus Lopes disse...

Cláudio,

Acho que ali Jesus estava explicando que se a casa - a alma humana - não for preenchida por Ele, será ocupada por Satanás. Uma pessoa pode até receber libertação e alívio por um tempo, mas se não crer em Jesus e submeter-se a Ele, será alvo das investidas satânicas.

Pode ser aplicado a pessoas que num primeiro momento se achegaram ao Evangelho mas que depois viraram as costas para ele.

Abs.

Augustus Nicodemus Lopes disse...

Jabesmar,

A interpretação histórica da passagem é que, aqui, o apóstolo Paulo determina que as mulheres crentes de Éfeso aprendam a doutrina cristã em silêncio, submetendo-se à autoridade eclesiástica dos que ensinam — no contexto, homens (v.11). Elas, por sua vez, não tinham permissão para ensinar os homens com esta autoridade, nem exercê-la nas igrejas sobre eles, mas deviam submeter-se em silêncio (v.12).

A causa apresentada pelo apóstolo é dupla: Deus primeiro formou o homem, e depois a mulher (v.13). E ela foi iludida por Satanás e pecou (v. 14).

A inferência óbvia é que as mulheres não podem ser ordenadas ao ministério, pois assim estariam contrariando frontalmente o que Paulo aqui determina, visto que a ordenação ao ministério investiria a mulher com autoridade eclesiástica para governar e ensinar homens.

Nas Cartas Pastorais, ensinar sempre tem o sentido restrito de instrução doutrinária autoritativa, feita com o peso da autoridade oficial dos pastores e presbíteros (1Tm 4.11; 6.2; 5.17).

Notemos, porém, que Paulo não está proibindo todo e qualquer tipo de ensino feito por mulheres nas igrejas. Profetizas na igreja apostólica certamente tinham algo a dizer aos homens durante os cultos.

Para o apóstolo, a questão é o exercício de autoridade sobre homens, e não o ensino. O ministério didático feminino, exercido com o múnus da autoridade que o ofício empresta, seria uma violação dos princípios que Paulo percebe na criação e na queda.

Unknown disse...

O negocio não são as coisas que podemos fazer quando cremos em Jesus. Mas as coisas em nós que mesmo crendo nos impede de fazer.

Aprendiz disse...

Não sou teólogo, mas vou dar uma simples opinião de leigo.

Em primeiro lugar, a interpretação que pareceria mais natural a muitos "todo aquele que crer em Jesus fará obras maiores que as dele" é desautorizado pela própria Bíblia. A narrativa dos evangelhos e do livro de Atos está repleta de pessoas das quais se diz que creram em Jesus, mas que não fizeram obras maiores que as dele. Então, considerando que a Bíblia explica a Bíblia, essa primeira interpretação fica gravemente prejudicada.

Aprendiz disse...

Tentei entender melhor o verso, lendo o texto mais completo.

"Na verdade, na verdade vos digo que aquele que crê em mim também fará as obras que eu faço, e as fará maiores do que estas, porque eu vou para meu Pai. E tudo quanto pedirdes em meu nome eu o farei, para que o Pai seja glorificado no Filho. Se pedirdes alguma coisa em meu nome, eu o farei. Se me amais, guardai os meus mandamentos. E eu rogarei ao Pai, e ele vos dará outro Consolador, para que fique convosco para sempre;" João 14:12-16

Se não estou equivocado, percebo algumas coisas:
1. Crentes fazem obras do mesmo tipo de Jesus "as obras que eu faço" (que estão descritas na Bíblia, quais sejam, pregar, ensinar, curar, ressucitar, expulsar demonios).
2. Logo rm seguida, Jesus parece negar o que disse anteriormente, aumenta "as emsmas obras" para "outras maiores".
3. Mas Jesus explica o motivo porque eles farão obras como as de Jesus, ou até mesmo outras maiores: "porque eu vou para meu Pai". Esse é o motivo, e a maioria dos que citam o texto parecem ignorar esse motivo.
4. Então Jesus continua explicando os seus motivos: "E tudo quanto pedirdes em meu nome eu o farei, para que o Pai seja glorificado no Filho". Quem já comparou esse texto com outros já sabe que "tudo o que pedirdes" refere-se àquilo que é da vontade do Pai.

A explicação parece ser (para o meu entendimento) que, visto que Jesus não estará aqui, e visto que ele ainda tem obras a terminar aqui, obras que glorificam ao seu Pai, ele as fara através de seus discipulos. Casualmente, entre as obras que ele tem a terminar, algumas podem ser (ou parecer) maiores que aquelas que ele havia feito pessoalmente quando estava aqui. Um exemplo de obras que parecerão maiores serão as obras que serão executadas pelas duas testemunhas de Apocalpse. Mas essas obras não serão tão grandiosas para honra daquelas testemunhas, nem porque tais testemunhas serão pessoa sespeciais, superiores a quem não fara obras tão grandiosas, mas apenas porque, para a gloria de Deus e satisfação de seus planos, será aquele o momento de fazer tais obras. Conforme é narrado em Apocalipse, muitos, atendendo a honra e a vontade de Deus, farão a obra de manter-se firmes na fé e morrerem para não se deixarem marcar pela Besta. Embora tal obra possa ser tida como vil pelo mundo, é aos olhos de Deus algo que o honra, assim como as grandes obras das duas testemunhas.

Creio que o verdadeiro foco do texto não é o "tamanho" das obras, mas a glória e os planos insondáveis do Eterno.

Então, voltando ao texto em discussão, entendo-o assim: As pessoas que crerem farão obras do mesmo tipo das obras de Jesus (obras que honram a Deus), e alguns deles farão, de acordo com o propósito de Deus para as situações específicas, obras que parecerão aos olhos do mundo como maiores que aquelas que Jesus fez. Mas quem as fará, na verdade é Jesus, que reina ao lado de seu Pai e conduz a história de acordo com os propósitos santos de Seu Pai.

Ao colocar o foco na gloria de Deus, morre o foco no "tamanho da obra". Aquele que pela sua oração, curou um enfermo, ou resscitou um morto, ou expulsou um demônio, o fez apenas porque Deus assim o quis e foi Jesus, NA VERDADE, que curou, ressucitou, ou expulsou. Da mesma forma, aquele que pregou, o fez conforme o propósito de Deus, e foi Jesus que REALMENTE pregou, e aquele que deu um copo de água fria, agiu de acordo com o propósito de Deus, e foi Jesus que VERDADEIRAMENTE deu o copo de agua fria. Por isso a Igreja é chamada de corpo de Cristo

Jeison Ebert disse...

Evandro

Há um pequeno equivoco de interpretação de texto bíblico na sua tese de que Pedro teria realizado obras maiores do que Cristo porque "curou com sua sombra"...

O texto ao qual você se refere é obviamente Atos 5:15 - "De sorte que transportavam os enfermos para as ruas, e os punham em leitos e em camilhas para que ao menos a sombra de Pedro, quando este passasse, cobrisse alguns deles.

Repare que neste texto em momento algum está escrito que a sombra de Pedro curava.
Está escrito que as pessoas levavam os doentes para se exporem à sombra de Pedro. Se eram curados ou não, o texto não diz...
O texto não está exaltando o poder de cura de Pedro, mas está narrando a incrível comoção que o ministério apostólico causou naquela população...

Não afirme coisas que a palavra de Deus não diz, Evandro... seja honesto consigo mesmo, e analise com cuidado a Palavra... Não nos é permitido neste caso uma inferência de algo que possivelmente não ocorreu...

Outro ponto... você está dizendo que Pedro fez algo que Jesus não fez... utilizando a sua forma de pensar, posso deduzir que você está dizendo que Jesus é menos poderoso do que Pedro? Você tem certeza de que a sombra de Jesus não curava? E se não curou é porque Jesus não podia fazer isso?

Cuidado com a forma como você se relaciona com estas questões...

Evandro disse...

Jeison,

Sei que estou pisando em terreno perigoso, mas os discípulos fizeram obras maiores que Jesus, pois se assim não for, Jesus, que afirmou essas coisas, passa por mentiroso. Mesmo respeitando o pastor Augustus Nicodemus Lopes, se for escolher entre o que ele disse e o que Jesus disse, sempre vou ficar do lado de Jesus.


Eu reparei no texto e fica claro que a sombra de Pedro curava. É lógico pensar que se Jesus quisesse curar com a sombra, ele faria, mas não há registros na Bíblia que isso tenha sido feito, somente o de Pedro.


Pedro fez algo que Jesus não fez, mas isso não quer dizer que Jesus é menos poderoso do que Pedro, afinal isso foi feito em nome de Jesus. Entende?

Abraços,

Evandro

Jeison Ebert disse...

Evandro, insisto no argumento...
Você escreveu: "Eu reparei no texto e fica claro que a sombra de Pedro curava"...
Onde o texto está dizendo que a sombra curava? Mostre-me pelo texto, por pura interpretação de texto, onde está escrito que a sombra curava?
O texto diz apenas que os enfermos eram colocados para que a sombra os cobrisse... mas não diz que a sombra curava... Leia e releia, e releia mais um pouco procurando a "cura pela sombra", e não achará... é uma questão simples de análise de texto. Este é um mito "gospel" igual ao de que Paulo caiu do cavalo (esta informação nunca existiu).

Jesus realmente falou que seus discípulos iriam realizar obras maiores. Mas não estava falando deste tipo de obras...
Honestamente, você leu o texto completo do Nicodemos? A defesa dele foi correta mostrando que as obras maiores estavam ligadas ao crescimento do reino de Deus... Talvez também seja uma questão de você interpretar o texto dele melhor...

Eu entendi perfeitamente o que você quis dizer...

Mas, esquecendo a minha interpretação de Atos 5.15... Porque a cura pela sombra seria uma "obra maior" do que as que Cristo realizou?
Porque a sombra de Pedro é uma obra maior do que a multiplicação dos pães, ou dominar completamente os ventos e mares? No máximo seria uma "obra diferente do mesmo tipo", mas não maior!

Usar Atos 5.15 para defender que Pedro realizou obras maiores é um argumento frágil...

Os discípulos realmente fizeram obras maiores do que as de Cristo, mas não foram as curas e sinais miraculosos, mas a expansão do reino, como o Nicodemus coloca (As “obras” se referem ao avanço do Reino de Deus no mundo)... Com o derramamento do Espírito, a presença de Deus que não mais apenas "tabernacularia", mas entraria nos cristãos...

Abraços, em Cristo

Jeison

Augustus Nicodemus Lopes disse...

Caro Evandro,

Publiquei seus comentários aqui até o momento em que você, neste ultimo que deletei, passou ao ataque pessoal e a julgar as minhas intenções.

Se você não consegue discutir e debater sem passar ao ataque pessoal, enfraquece sua argumentação e dá mostras de que não tem argumentos.

Não liberarei mais seus comentários.

Augustus

Unknown disse...

Rsrsrsrsrs Dediquei um bom tempo a ler seu texto, caro irmão Augustus, e todos os comentários que foram feito a respeito. Fico feliz por ter tido a oportunidade, (mesmo que por acaso), de ter lido sua tese. Tb não fiquei surpreso c/ a reação de alguns que possuem sua fé em Deus, fundamentada em tabus e em má interpretação de algumas "passagens" Bíblicas. Não sou teólogo e nem mesmo estudo a Bíblia,apenas a li (quase) toda e dessa forma procuro ter atitudes Cristãs para com o meu "próximo", mesmo que esteja distante(kkkk). Tenho algumas perguntas, das quais as respostas ninguém as soube me dar. Creio q o sr seja a pessoa, q de repente, saiba me responder. Irei formula-las com calma para ser bem compreendido e as envio futuramente. Fica com a Paz de Deus! eliseupontocom@hotmail.com