segunda-feira, novembro 19, 2012

Augustus Nicodemus Lopes

Carta a Evangélico que Faz Sexo com a Namorada



[Os nomes foram trocados para proteger as pessoas. Embora algumas circunstâncias mencionadas na carta sejam totalmente fictícias, o caso é mais real do que se pensa...]

Meu caro Ricardo,

Ontem estive pregando em sua igreja e tive a oportunidade de rever João, nosso amigo comum. Não lhe encontrei. João me disse que você e a Raquel, sua namorada, tinham saído com a turma da mocidade para um acampamento no fim de semana e que só regressariam nessa segunda bem cedo.

Saí com o João para comer pizza após o culto e falamos sobre você. João abriu o coração. Ele está muito preocupado com você, desde que você disse a ele que tem ido com Raquel para motéis da cidade e às vezes até mesmo depois do culto de jovens no sábado à noite. Ele falou que já teve várias conversas com você mas que você tem argumentado defendendo o sexo antes do casamento como se fosse normal e que pretende casar com Raquel quando terminarem a faculdade.

Ele pediu minha ajuda, para que eu falasse com você, e me autorizou a mencionar nossa conversa na pizzaria. Relutei, pois acho que é o pastor de sua igreja que deve tratar desse assunto. Você e a Raquel, afinal, são membros comungantes dessa igreja e estão debaixo da orientação espiritual dela. Mas, João me disse que o pastor faz de conta que não sabe que essas coisas estão acontecendo na mocidade da igreja. Como sou amigo da sua família fazem muitos anos, desde que vocês freqüentaram minha igreja em São Paulo, resolvi, então, escrever para você sobre esse assunto, tendo como base os argumentos que você usou diante de João para justificar sua ida a motéis com a Raquel.

Se entendi direito, você argumenta que não há nada na Bíblia que proiba sexo antes do casamento. É verdade que não há uma passagem bíblica que diga "não farás sexo antes do casamento;" mas existem dezenas de outras que expressam essa verdade com outras palavras e de outras maneiras. Podemos começar com aquelas que pressupõem o casamento como sendo o procedimento padrão, legal e estabelecido por Deus para pessoas que desejam viver juntas (veja Mateus 9:15; 24:38; Lucas 12:36; 14:8; João 2:1-2; 1Coríntios 7:9,28,39), aquelas que abençoam o casamento (Hebreus 13:4) e aquelas que se referem ao divórcio - que é o término oficial do casamento - como algo que Deus aborrece (veja Malaquias 3:16; Mateus 5:31-32).

Podemos incluir ainda aquelas passagens contra os que proíbem o casamento (1Timóteo 4:3) e as outras que condenam o adultério, a fornicação e a prostituição (veja Mateus 5:28,32; 15:19; João 8:3; 1Coríntios 7:2; 6:9; Gálatas 5:19; Efésios 5:3-5; Colossenses 3:5; 1Tessalonicenses 4:3-5; 1Timóteo 1:10; Hebreus 13:4; Apocalipse 21:8; 22:15). Qual é o referencial que nos possibilita caracterizar esses comportamentos como desvios, impureza e pecado? O casamento, naturalmente. Adultério, prostituição e fornicação, embora tendo nuances diferentes, têm em comum o fato de que são relações sexuais praticadas fora do casamento. Se o casamento, que implica num compromisso formal e legal entre um homem e uma mulher, não fosse a situação normal onde o sexo pode ser desfrutado de maneira legítima, como se poderia caracterizar como desvio o adultério, a fornicação ou a prostituição? A Bíblia considera essas coisas como pecado e coloca os que praticam a impureza sexual e a imoralidade debaixo da condenação de Deus - a menos que se arrependam, é claro, e mudem de vida.

Você argumenta também que o casamento é uma conveniência humana e que muda de cultura para cultura. Bom, é certo que o casamento tem um caráter social, cultural e pessoal. Todavia, do ponto de vista bíblico, não se pode esquecer que foi Deus quem criou o homem e a mulher, que os juntou no jardim, e disse que seriam uma só carne, dando-lhes a responsabilidade de constituir família e dominar o mundo. O casamento é uma instituição divina a ser realizada pelas sociedades humanas. Embora as culturas sejam distintas, e os rituais e procedimentos dos casamentos sejam distintos, do ponto de vista bíblico o casamento implica em reconhecimento legal daquela união por quem de direito, trazendo implicações para a criação e tutela dos filhos, sustento da casa e também responsabilidades e conseqüências em caso de separação e repúdio. Quando duas pessoas resolvem ir morar juntas como se fossem casadas, essa decisão não faz delas pessoas casadas diante de Deus - mas (desculpe a franqueza), pessoas que estão vivendo em imoralidade sexual.

É verdade que a legislação de muitos países tem cada vez mais reconhecido as chamadas uniões estáveis. É uma triste constatação que o casamento está cada vez mais sendo desvalorizado na sociedade moderna ocidental. Todavia, esses movimentos no mundo e na cultura não são a bússola pela qual a Igreja determina seu norte - e sim a Palavra de Deus. Em muitas culturas a legislação tem sancionado coisas que estão em contradição com os valores bíblicos, como aborto, eutanásia, uniões homossexuais, uso de drogas, etc. A Igreja deve ter uma postura crítica da cultura, tendo como referencial a Palavra de Deus.

O João me disse ainda que você considera que o mais importante é o amor e a fidelidade, e que argumentou que tem muita gente casada mas infeliz e infiel para com o cônjuge. Ricardo, é um jogo perigoso tentar justificar um erro com outro. Gente casada que é infiel não serve de desculpas para quem quer viver com outra pessoa sem se casar com ela. Além do mais, como pode existir o conceito de fidelidade numa união que não tem caráter oficial nem legal, e que não teve juramentos solenes feitos diante de Deus e das autoridades constituídas? Mesmo que você e sua namorada façam uma "cerimônia" particular onde só vocês dois estão presentes e onde se casem a si mesmos diante de Deus - qual a validade disso? As promessas de fidelidade trocadas por pessoas não casadas têm tanto valor quanto um contrato de gaveta. Lembre inclusive que não é a Igreja que casa, e sim o Estado. Naqueles casamentos religiosos com efeito civil, o pastor ou padre está agindo com procuração do juiz.

Não posso deixar de mencionar aqui que na Bíblia o casamento é constantemente referido como uma aliança (veja Ezequiel 16:59-63). Deus é testemunha dessa aliança feita no casamento, a qual também é chamada de "aliança de nossos pais", uma referência ao caráter público da mesma (não deixe de ler Malaquias 2:10-16).

Não fiquei nem um pouco surpreso com seu outro argumento para fazer sexo com sua namorada, que foi "é importante conhecer bem a pessoa antes do casamento". Já ouvi esse argumento dezenas de vezes. E sempre o considerei uma burrice - mais uma vez, desculpe a franqueza. Em que sentido ter relações sexuais com sua namorada vai lhe dar um conhecimento dela que servirá para determinar se o casamento vai dar certo ou não? Embora o sexo seja uma parte muito importante do casamento, o que faz um casamento funcionar são os relacionamentos pessoais, a tolerância, a compreensão, a renúncia, o amor, a entrega, o compartilhar... você pode descobrir antes do casamento que sua namorada é muito boa de cama, mas não é o desempenho sexual de vocês que vai manter ou salvar seu casamento. Esse argumento parte de um equívoco fundamental com relação à natureza do casamento e no fim nada mais é que uma desculpa tola para comerem a sobremesa antes do almoço.

Agora, o pior argumento que ouvi do João foi que você disse "a graça de Deus tolera esse comportamento." Acho esse o pior argumento porque ele revela uma coisa séria em seu pensamento, que é tomar a graça de Deus como desculpa para um comportamento imoral. Esse sempre foi o argumento dos libertinos ao longo da história da igreja. O escritor bíblico Judas, irmão de Tiago, enfrentou os libertinos de sua época chamando-os de "homens ímpios, que transformam em libertinagem a graça de nosso Deus e negam o nosso único Soberano e Senhor, Jesus Cristo" (Judas 4). Esse é o caminho de Balaão "o qual ensinava a Balaque a armar ciladas diante dos filhos de Israel para comerem coisas sacrificadas aos ídolos e praticarem a prostituição" (Apocalipse 2:14). É a doutrina da prostituta-profetisa Jezabel, que seduzia os cristão "a praticarem a prostituição e a comerem coisas sacrificadas aos ídolos" (Apocalipse 2:20) e a conhecer "as coisas profundas de Satanás" (Apocalipse 2:24).

Como seu amigo e pastor, permita-me exortá-lo a cair fora dessa maneira libertina de pensar, Ricardo, antes que sua consciência seja cauterizada pelo engano do pecado (Hebreus 3:13). Ainda há tempo para arrependimento e mudança de atitude. A abstinência sexual é o caminho de Deus para os solteiros, e esse estilo de vida é perfeitamente possível pelo poder do Espírito, ainda que aos olhos de outros seja a coisa mais careta e retrógrada que exista. Se você realmente pensa em casar com a Raquel e constituírem família, o melhor caminho é pararem agora de ter relações e aguardarem o dia do casamento. Vocês devem confessar a Deus o seu pecado e um ao outro, e seguir o caminho da abstinência, com a graça de Deus.

Estou à sua disposição para conversarmos pessoalmente. Traga a Raquel também. Estou orando por vocês.

Um grande abraço,Pr. Augustus

Augustus Nicodemus Lopes

Postado por Augustus Nicodemus Lopes.

Sobre os autores:

Dr. Augustus Nicodemus (@augustuslopes) é atualmentepastor da Primeira Igreja Presbiteriana de Goiânia, vice-presidente do Supremo Concílio da Igreja Presbiteriana doBrasil e presidente da Junta de Educação Teológica da IPB.

O Prof. Solano Portela prega e ensina na Igreja Presbiteriana de Santo Amaro, onde tem uma classe dominical, que aborda as doutrinas contidas na Confissão de Fé de Westminster.

O Dr. Mauro Meister (@mfmeister) iniciou a plantação daIgreja Presbiteriana da Barra Funda.

14 comentários

comentários
Danilo Neves
AUTOR
20/11/12 06:00 delete

Reverendo, uma dúvida teológica sobre 1Ts 4.3-5. Eu poderia afirmar que há uma conexão direta entre espiritualidade e sexualidade, com base no verso 5? Poderia, então, aplicar esse texto, dizendo que se alguém não tem buscado a santificação nessa área da vida, talvez não haja o Deus santo nela. Nossa espiritualidade define nossa sexualidade.

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Marcelo
AUTOR
20/11/12 07:44 delete

Excelente! vou repassar aos jovens de minha igreja.

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20/11/12 10:17 delete

Gostei muito do texto! De fato, utilizar a Graça como desculpa é um dos erros mais graves que possa acontecer. A uns anos atrás houve um escândalo com um pastor presbiteriano de Belo Horizonte (que foi expulso da IPB) que cometia adultério com a mesma desculpa da Graça de Deus. Que Deus tenha misericórdia das pessoas que comentem tais atos e suas vidas possam ser transformadas verdadeiramente com a ação do Espirito Santo de Deus.

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Ester
AUTOR
20/11/12 10:20 delete

Excelente matéria. Infelizmente essa é a realidade de muitas pessoas. Mas, pela graça de Deus, quando há arrependimento, vem a restauração. Alguns problemas que se enfrenta no casamento, como o excesso de ciúmes, insegurança, surgem como fruto desse pecado. Pessoas que conseguem se guardar para o casamento, pelo menos as que eu conheço, simplesmente obtem uma confiança quase inabalável do seu marido ou esposa. Porém os que não conseguem esperar, muitas vezes amargam, pelo menos, uma certa desconfiança do seu marido ou esposa.

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20/11/12 14:59 delete

Graça e paz Pr. Augustus Nicodemus! Excelente sua mensagem e de grande importância para os tempos que temos vivido. Tenho duas filhas jovens e a preocupação com elas é muito grande. Apesar de estarem na igreja e de serem aconselhadas, em casa, dentro dos princípios da palavra de Deus, passaram e passam por dificuldades que a maioria dos jovens costuma passar. Nos entristece ter conhecimento de jovens da igreja que estão se enveredando para o homossexualismo, outros que estão na mesma condição deste casal jovem citado na mensagem, outros que acreditam que se não há penetração, tudo mais se pode ser feito porque não consideram carícias mais ousadas como um ato sexual, sem contar o uso de bebidas alcoólicas das quais fazem uso em suas saídas e que já não veem "nada demais" nisso . Resumindo, nossos jovens estão desorientados. Minha filha mais nova, hoje com 20 anos, há bastante tempo vem reclamando que muitas destas coisas acontecem porque não há um trabalho sério na igreja para aconselhar os adolescentes e jovens sobre a questão da sexualidade, e segundo ela precisaria ser algo constante para que eles estejam sempre atentos aos perigos e enganos a que são expostos todos os dias(palavras de uma pessoa jovem). Vejo que ela tem muita razão neste sentido, e isso não ocorre somente nas Igrejas Presbiterianas, esta falha está na maioria das igrejas e está passando da hora de mudar este quadro. As lideranças precisam dar mais atenção aos jovens e aos problemas que eles enfrentam , que por sinal, sabemos, porque já fomos jovens, não é nada fácil. Que Deus ilumine com discernimento e sabedoria a cada um de nós para que possamos nos dispor a auxiliar e amar os nossos jovens levando-os ao pleno conhecimento da vontade de Deus para suas vidas e que nossas igrejas se proponham a cercá-los de amor e cuidados e não de cobranças e palavras duras que irão somente irá-los e afastá-los cada dia mais da presença de Deus. "A resposta branda desvia o furor, mas a palavra dura suscita a ira."
Provérbios 15:1

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Crítico
AUTOR
20/11/12 18:12 delete

Prezado Dr. Nicodemus,

Acredite, assim como aconteceu ao resto da sociedade, é só uma questão de (pouco) tempo até o tabu da virgindade desmoronar também entre os evangélicos. Basta observar que aqueles que o pregam raramente o praticaram.
É curioso perceber que as pessoas que pregam esse tipo de postura repressora normalmente são as últimas a dar exemplo prática equivalente em suas vidas.
Pode notar: os que mais pregam o ideal de castidade são os que menos o praticaram.
Depois, quando já se sentem saturados do tanto que curtiram, retornam da "rumspringha" (tema esse para outro artigo) exigindo rigidez de conduta dos demais.
Faz parte da pequenez do espírito humano não desejar para si aquilo que exige dos outros.
Ademais, a diferença entre os evangélicos e o restante da população é que aqueles demoram mais tempo a absorver as transformações culturais da sociedade, como se vivessem décadas no passado.


Abraços!

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João Paulo
AUTOR
21/11/12 12:56 delete

Caro pastor, a paz do Senhor!

Esse post é muito contundente. Porém, jamais devemos nos escusar de nossas responsabilidades diante de Deus. Que Deus o ajude e o conserve em sua presença!

Em Cristo,

JP

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Thiago
AUTOR
21/11/12 16:45 delete

Prezado Rev. Augustus, eu sei que você não costuma responder dúvidas em seu Blog, talvez por falta de tempo. Mas vou tentar falar-lhe.

Primeiramente gostaria de afirmar que concordo com o que foi dito no seu texto. No entanto, tenho alguns questionamentos sobre a questão do adultério.

Quando Jesus disse que o divórcio poderia ser dado apenas quando houvesse adultério, Ele estava falando do fim do casamento legal, ou do casamento espiritual?

Eu entendo que não haja possibilidade de haver "separação" do casamento espiritual, visto que Deus disse que os dois seriam uma só carne, logo sendo a separação só possível pela morte.

Eu entendo que o verdadeiro casamento, o espiritual, ocorre no momento do ato sexual, ou da "união das carnes". Pois o próprio apóstolo Paulo disse que o homem que adultera se torna um só corpo com a prostituta (cf. 1 Co 6.16). Ou seja, embora que não estejam legalmente casados, estão casados espiritualmente (i.e aos olhos de Deus).

Minha dúvida é: Se Jesus estava falando do casamento espiritual no sermão do monte, existem vários crentes em adultério sem saber. Pois a separação aos olhos de Deus só se dá com a morte de um dos indivíduos (ou em caso de adultério, como o próprio Senhor disse).

Vou lhe dar um exemplo: Imagine que eu, sendo crente, comecei a namorar com uma moça também crente. Depois de algum tempo caímos na tentação de praticar sexo (logo, casamos aos olhos de Deus, mas ainda estando em pecado por não oficializar diante da lei dos homens). Depois do pecado cometido, ambos nos arrependemos e confessamos o pecado nos mantendo após isso sem praticar sexo. Algum tempo depois, por algum motivo x, o relacionamento não deu certo e terminamos. A questão está agora: Podemos ou não casar com outra pessoa?

Antes de responder peço que medite neste texto: "Ora, aos casados, ordeno, não eu, mas o Senhor, que a mulher não se separe do marido (se, porém, ela vier a separar-se, que não se case ou que se reconcilie com seu marido); e que o marido não se aparte de sua mulher." (1 Co 7.11,12)

Grato!

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Glauco
AUTOR
22/11/12 10:16 delete

Eu tenho algumas dúvidas com relação ao casamento que vou tentar expô-las aqui.
Nos tempos de Cristo, como era celebrado o casamento? Não sei se é verdade mas me parece que não existiam padres ou pastores oficializando a união. Faziam uma reunião familiar (festa) e os noivos eram abençoados pelos pais e familiares, correto?
Se era assim o casamento nos tempos de Cristo, porque é preciso se submeter às formalidades existentes hoje e não celebrar um casamento daquela forma, com a benção dos familiares?
E no caso de tribos isoladas que se unem e tem filhos sem essas celebrações atuais?
Eu espero que alguém me ensine isso, mas com argumentos históricos e bíblicos, porque eu não sou muito fácil de ser convencido rsrs (brincadeira).

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22/11/12 10:58 delete

Thiago,

Não creio que esta distinção entre casamento espiritual e legal esteja correta.

A carta de divórcio era um documento legal e portanto é evidente que Jesus se referia ao casamento como um ato formal e legal. Um contrato legal só pode ser anulado por outro documento legal. Não tem nada "espiritual" aqui.

As relações sexuais em si não configuram casamento. A Bíblia se refere às relações sexuais fora do casamento como prostituição, fornicação, imoralidade sexual, mas jamais como o casamento em si.

Quando Paulo diz que os dois serão uma só carne não está dizendo que estão casados a partir daquele momento, o que seria um absurdo. Paulo está apenas mostrando que um crente, ao ter relações com uma prostituta, se torna como ela, como se os dois fossem uma pessoa apenas - o que imnplicaria trazer Cristo para aquela relação.

Sobre sua pergunta, "Vou lhe dar um exemplo: Imagine que eu, sendo crente, comecei a namorar com uma moça também crente. Depois de algum tempo caímos na tentação de praticar sexo (logo, casamos aos olhos de Deus, mas ainda estando em pecado por não oficializar diante da lei dos homens). Depois do pecado cometido, ambos nos arrependemos e confessamos o pecado nos mantendo após isso sem praticar sexo. Algum tempo depois, por algum motivo x, o relacionamento não deu certo e terminamos. A questão está agora: Podemos ou não casar com outra pessoa?"

Não houve casamento nenhum. Houve fornicação, que é pecado. Portanto, não há impedimento formal de se casarem normalmente.

Conheço 1Cor 7.11 e 12. Na verdade, escrevi um livro sobre isto. Favor ler "A Bíblia e Sua Família" onde faço a análise dessa passagem.

Abs.

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Thiago
AUTOR
22/11/12 12:56 delete

A distinção feita entre o casamento legal e o espiritual foi feita pelo pastor Paul Washer em uma conferência sobre namoro.

Alguém que teve relações sexuais com, digamos, 5 pessoas antes de se converter, ainda que se converta se sentirá ligado à essas pessoas. Washer argumentava que após a conversão essa pessoa seria perdoada por Deus e buscaria se guardar até o casamento, mas mesmo assim ele sentiria a presença das outras 5 que ele tivera antes da sua esposa atual. O amor dele estaria dividido e as outras ainda estariam permeando o seu pensamento. Ele não estava casado apenas com uma mulher, mas com seis. Paul Washer chama isso de marca, cicatriz, ou consequência do pecado cometido (ainda que no tempo de ignorância).

E isso é um fato na vida de pessoas que viveram uma vida de prostituição antes de se converterem. Não sei se você entende isso, porque até onde eu li, você é cristão de berço e sua esposa deve ter sido sua única mulher. Mas no caso de Washer, que se converteu aos 21 anos, e em vários casos isso é um fato. Pois sentimos que algum tipo de ligação ainda permanece.

No A.T essas ligações eram tão reais, que quando algum homem possuía uma prostituta, ele a tomava por concubina.

Eu ainda acho que o casamento não é a cerimônia (que seria só o testemunho público de compromisso), nem uma mera assinatura legal, mas sim a união de carnes proposta em 1 Co 6.16. Por fim, entendo que para ser algo justo aos olhos de Deus as três coisas são necessárias.

Mas independente de se você concorda comigo quanto a existência do casamento espiritual ou não, minha dúvida foi sanada. De fato, Jesus estava falando da carta de divórcio, que é um documento. Dando a entender, portanto, que o assunto tratado era o casamento aos olhos da sociedade, o casamento legal. Isso me dá um grande alívio.

Agradeço pela atenção, e certamente irei considerar a leitura do seu livro.

Grato!

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22/11/12 16:05 delete

Thiago,

Não sei onde você leu a meu respeito, mas leu a informação errada. Eu me converti aos 22 anos e antes disso tive muitos mais relacionamentos sexuais imorais do que os cinco mencionados por Paul Washer.

Mas, não é a minha experiência, a experiência do Paul Washer e de mais ninguém que vai determinar isto. A questão é: o que a Bíblia diz? E vocÊ não vai encontrar em lugar nenhum que fornicação e prostituição é a mesma coisa que casamento.

Casamento inclui formalidade, sim. É um contrato, um acordo público, diante de autoridades (que vão variar de acordo com a cultura) e que se constitui a base para a família, herança, propriedade, transmissão de nome, criação de filhos e estabilidade de uma nação e de um país.

Um abraço.

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22/11/12 16:54 delete

Poxa rev. Augustus, eu sei que o nome é fictício, mas tinha que ser Ricardo? ...risos... Brincadeiras a parte, achei um excelente texto. Li nos comentários que o senhor recomendou um livro seu "A Bíblia e Sua Família". Por qual editora posso compra-lo?

Abraços.
http://www.sigocaminho.com/

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Estéfanos
AUTOR
23/11/12 11:29 delete

Oi, crítico, eu sou pastor presbiteriano e fui criado dentro da realidade do evangelho. Me guardei para a minha esposa, tendo me casado aos 26 anos. O que você chama de "prática repressiva", eu chamo de libertação da escravidão dos desejos. Você não entende o que é isto mas, você pode experimentar. A Igreja de Cristo faz exatamente o contrário do que você diz, nela, fugimos da opressão de uma sociedade dominada pelo pecado. O pecado é um problema entre o homem e Deus. Sem resolver este problema, não há como ter relacionamento com Deus. Isto, só Jesus pode fazer. E, depois de experimentar, o maior desejo que o coração tem é não pecar mais.
Não é repressão, é libertação da opressão.
Deus o abençoe.
Jorge Henrique Cezar

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