sexta-feira, março 25, 2016

Mauro Meister

Fatos sobre a Páscoa no Antigo e Novo Testamentos

A páscoa foi instituída por Deus durante o período da escravidão no Egito e serviu como o sinal de libertação do povo da aliança, primeiro, da própria ira de Deus que trouxe a morte dos primogênitos do Egito, mas livrou da morte, pelo sangue do cordeiro pascal, os primogênitos dos israelitas.

Depois da libertação a ocasião foi marcada entre as grandes festas religiosas de Israel e faz parte da Lei Cerimonial do Antigo Testamento, com a obrigação de que todo o povo a celebrasse e cumprisse a cada ano.

Três elementos simbólicos deveriam lembrar os participantes daquele evento fundamental de libertação do povo: as ervas amargas (a amargura da escravidão e o clamor por libertação seriam lembrados – fomos escravos e agora somos livres), os pães asmos (sem fermento, lembrando a pressa da saída e a corrupção do “fermento” que ficou para trás no Egito) e, principalmente, o cordeiro imolado (que foi consumido em cada família e o sangue colocado nos umbrais da porta para que o Senhor não trouxesse a praga destruidora sobre aquela casa; entende-se que o termo pesach seja, então, “passar por cima”)

Esta festa tem uma data fixa: dia 14 de Nisã. A festa tinha uma duração de alguns dias. No dia 10 do mês era escolhido o cordeiro “sem defeito, macho, de um ano”. Ele era guardado até o dia 14 para ser imolado e consumido pelas famílias. No final do dia 14 (iniciando o dia 15), até o dia 21 do mês, por sete dias, era celebrada a festa dos pães asmos. Nestes dias era proibido ter fermento em casa, do primeiro até ao sétimo dia.   

Muitas vezes passa desapercebido ao leitor da Bíblia que nas grandes festas bíblicas havia uma santa convocação e estas são chamadas no texto bíblico de shabbat, (“descanso solene – Lv 23:24) traduzidos para a maioria das línguas como “sábado”, que, para nós, significa o sétimo dia de uma semana corrida. Porém, durante as festas, o shabbat da festa não era correspondente ao sétimo dia semana comum, mas sim, ao dia da convocação deste descanso. Assim, um shabbat de uma festa, por exemplo, poderia cair no sexto dia da semana comum, provocando dois shabbats consecutivos (o que nós chamaríamos de feriadão!).

Para efeito da verdade, e não para controvérsias, em lugar nenhum do Novo Testamento é dito que a crucificação do Senhor foi na sexta-feira, mas no dia anterior ao sábado da festa dos pães asmos (o que poderia ser qualquer dia da semana - Marcos 15:42). Este tema não é novo e é motivo de grandes discussões entre estudiosos, ainda que, no final das contas, a marcação do dia da crucificação seja indiferente para os cristãos (e deveria ser, exatamente para arrancar de nós este misticismo louco que cerca este dia!).

Por que isto? Porque há de se fazer uma clara distinção entre o cerimonial da páscoa judaica, lei cerimonial do Antigo Testamento e que foi celebrada pelo Senhor Jesus (que era judeu e cumpriu toda a lei), festa durante a qual Ele mesmo foi crucificado, sendo Ele mesmo o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo, e a sua clara ordenança a respeito da páscoa:
"Enquanto comiam, tomou Jesus um pão, e, abençoando-o, o partiu, e o deu aos discípulos, dizendo: Tomai, comei; isto é o meu corpo. A seguir, tomou um cálice e, tendo dado graças, o deu aos discípulos, dizendo: Bebei dele todos; porque isto é o meu sangue, o sangue da nova aliança, derramado em favor de muitos, para remissão de pecados." (Mateus 26:26-28)

Logo, no cristianismo bíblico, celebramos a páscoa todas as vezes que obedecemos ao mandamento do Senhor e celebramos a Santa Ceia ou Ceia do Senhor. Esta é a nossa páscoa.

Quanto ao ovo e ao coelho, bem, não me parecem estar mencionados no Antigo ou Novo Testamentos.*

Mauro Meister

*Ovo de Páscoa
  • 2000 A.C. já era considerado símbolo de fertilidade
  • Na Ucrânia e, posteriormente, na Inglaterra, começou-se a pintar ovos à mão e presentear alguma pessoas, desejando-lhes fertilidade, vida, etc.
  • No Séc XVIII, os franceses resolveram fazer o ovo de chocolate
 *Coelhinho da Páscoa
  • Também sempre foi um símbolo de fertilidade
  • Diz a lenda que um pássaro pediu a deusa Eostre que o transformasse em um coelho, tendo recebido o que pedira, voltava todos os anos para presentear Eostre com um ovo.


Mauro Meister

Postado por Mauro Meister.

Sobre os autores:

Dr. Augustus Nicodemus (@augustuslopes) é atualmentepastor da Primeira Igreja Presbiteriana de Goiânia, vice-presidente do Supremo Concílio da Igreja Presbiteriana doBrasil e presidente da Junta de Educação Teológica da IPB.

O Prof. Solano Portela prega e ensina na Igreja Presbiteriana de Santo Amaro, onde tem uma classe dominical, que aborda as doutrinas contidas na Confissão de Fé de Westminster.

O Dr. Mauro Meister (@mfmeister) iniciou a plantação daIgreja Presbiteriana da Barra Funda.

8 comentários

comentários
Rego Antunes
AUTOR
25/3/16 22:01 delete

Bom texto reverendo. Sucinto e esclarecedor. Todos os bons esclarecimentos sobre a Páscoa nesta época, são bem vindos.

Responder
avatar
Grão de pó
AUTOR
26/3/16 09:28 delete

Amados do Senhor... O texto completo do Reverendo Mauro Meister é um dos mais simples e melhores textos que já li sobre essa importante data, tanto para os cristãos como para os judeus, principalmente no parágrafo onde ele afirma "Logo, no cristianismo bíblico, celebramos a páscoa todas as vezes que obedecemos ao mandamento do Senhor e celebramos a Santa Ceia ou Ceia do Senhor. Esta é a nossa páscoa."
Agradeço a DEUS por homens como o Rev. Mauro.
DEUS abençoe a todos.

Responder
avatar
ismael
AUTOR
26/3/16 11:54 delete

Será que é entendido que Cristo morreu numa sexta feira, baseado no fato histórico de que ele ressuscitou no primeiro dia da semana?

Responder
avatar
26/3/16 14:21 delete

Prezados:

Excelente artigo. Contudo, acredito que não "celebramos a páscoa" todas as vezes que celebramos a ceia do Senhor", visto que esta substituiu aquela. Não seria a páscoa também um sacramento do VT? Não teria sido esse sacramento legalmente extinto (para a igreja de Cristo) quando ele próprio instituiu "um novo sacramento"? Cristãos não deveriam comemorar a "pascoa", em sim, somente a ceia do Senhor, muito embora haja uma aproximação de significados e conceitos. Mas, o que vemos hj é que Cristãos comemoram a Páscoa e a Ceia do Senhor, sem que isso tenha sido requerido pelo próprio Senhor.

Responder
avatar
27/3/16 12:15 delete

Prezados, graça e paz!
Mas encontramos no NT relatos de que a ressurreição se deu sim no domingo:

"Passado o sábado, Maria Madalena, Maria, mãe de Tiago, e Salomé, compraram aromas para irem embalsamá-lo.
E, muito cedo, no primeiro dia da semana, ao despontar do sol, foram ao túmulo.
Diziam umas às outras: Quem nos removerá a pedra da entrada do túmulo?
E, olhando, viram que a pedra já estava removida; pois era muito grande."
Mc 16:1-4.

Mas digamos que a palavra "sábado" do início do verso 1 seja uma tradução de "Shabbat"; João nos esclarece:

"No primeiro dia da semana, Maria Madalena foi ao sepulcro de madrugada, sendo ainda escuro, e viu que a pedra estava revolvida."
Jo 20:1

Creio que não há necessidade de citar os versos que dizem sobre a reunião dos discípulos para a celebração da Ceia. Digo isto pois, caso incorramos nesta visão destacada pelo senhor reverendo, não estaremos destruindo a idéia da ressurrição no primeiro dia da semana como a bíblia nos diz? E não estaríamos contradizendo também nossos símbolos de fé?

Um grande abraço!

Responder
avatar
Unknown
AUTOR
2/4/16 10:59 delete

A graça e a paz do SENHOR, a todos. Jorge, veja a explanação na segunda parte do quinto parágrafo.

Responder
avatar
26/5/16 16:24 delete

Pastor, porque meu comentário não foi publicado?

Fique na Paz

Responder
avatar