terça-feira, janeiro 22, 2019

Augustus Nicodemus Lopes

Igreja acolhedora ou desigrejados reformados

IGREJA ACOLHEDORA OU DESIGREJADOS REFORMADOS

Tive o privilégio nesses muitos anos de pastorado de servir em igrejas de grande porte e com número crescente de novos membros. Existem muitas vantagens e oportunidades em igrejas numericamente fortes. Por outro lado, há também algumas áreas que representam um desafio. Um deles é o de ser uma igreja acolhedora e que promova a integração dos novos membros.
Temos de agradecer a Deus pelo crescimento do número de pessoas em todo Brasil interessadas em conhecer mais a Palavra de Deus e se relacionar de maneira significativa com ele. Muitas dessas pessoas procuram igrejas históricas e tradicionais que são conhecidas pela firmeza doutrinária e pela solidez de seu ensino. Contudo, não poucas dessas pessoas frequentam apenas por um breve tempo essas igrejas e saem delas, por não se sentirem acolhidas e nem por conseguirem fazer parte da comunidade. O que ocorre é que em muitas dessas igrejas históricas os membros mais antigos se conhecem, se casam entre si, são parentes e amigos, cresceram juntos e formam uma espécie de núcleo original e fundacional da igreja que é fechado e de difícil acesso para outros.
Por um lado, esse fato inegável traz solidez, continuidade, identidade e segurança à igreja como instituição. Por outro, se não houver a graça necessária, esse fato se torna um empecilho para a chegada de novos membros, da formação de uma nova liderança e do acolhimento da próxima geração que não será necessariamente formada pelos filhos e netos do núcleo central. Penso que que os seguintes pontos devem ser levados em consideração por todos os membros de igrejas históricas numerosas e crescentes.
Primeiro, Deus está agindo no mundo e chamando seus eleitos, a verdadeira igreja de Cristo. Para nós é um grande privilégio receber essas pessoas e acolhê-las junto conosco, pois somos parte do mesmo corpo. Segundo, essas pessoas virão de tradições diferentes, de igrejas diferentes, de costumes e práticas diferentes. Muitas serão tatuadas, outras pintarão o cabelo de verde, outras vão estranhar o nosso “culto frio”, outras não estão acostumadas com a estrutura de uma igreja presbiteriana e suas sociedades internas. Mas estão vindo porque querem ouvir a Palavra de Deus. Terceiro, a igreja não nos pertence, mas ao Senhor. Ela não existe como um local confortável e seguro onde nos abrigamos aos domingos, mas como um local de desafio ao nosso conforto e nossa segurança. Quatro, devemos estar sempre abertos para mudar e adaptar em nossa estrutura e em nosso culto aquilo que não é requerido pela Palavra de Deus e nossos símbolos de fé, com o fim de atendermos e acolhermos melhor a nova geração que chega.
Esse processo é dirigido pelo Espírito de Deus através dos pastores e presbíteros que foram eleitos como líderes espirituais da comunidade, mas sem a participação e o engajamento de cada membro, essas igrejas irão experimentar um fenômeno já conhecido: verão a chegada da primeira onda dos interessados na fé reformada e os verão sem seguida se retirando para se tornarem desigrejados ou crentes de internet.
Fale com os visitantes. Receba-os com um abraço. Converse com eles. Convide-os para participar das reuniões, grupos e eventos da igreja. Se interesse pela vida deles. Marque uma visita. Faça-os se sentirem que a igreja oferece, além de boa doutrina, aquela fraternidade recomendada pelo Senhor.

Augustus Nicodemus Lopes

Postado por Augustus Nicodemus Lopes.

Sobre os autores:

Dr. Augustus Nicodemus (@augustuslopes) é atualmentepastor da Primeira Igreja Presbiteriana de Goiânia, vice-presidente do Supremo Concílio da Igreja Presbiteriana doBrasil e presidente da Junta de Educação Teológica da IPB.

O Prof. Solano Portela prega e ensina na Igreja Presbiteriana de Santo Amaro, onde tem uma classe dominical, que aborda as doutrinas contidas na Confissão de Fé de Westminster.

O Dr. Mauro Meister (@mfmeister) iniciou a plantação daIgreja Presbiteriana da Barra Funda.

4 comentários

comentários
24/1/19 13:23 delete

Concordo,sem ressalvas, com o articulista.

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adriano
AUTOR
25/1/19 00:11 delete

Graça e Paz Reverendo. ótima texto , creio que muitas igrejas estão em falta nesse ponto. porém queria que o senhor me explicasse o 4º ponto. o senhor diz que devemos mudar e adptar ao culto aquilo que não é requerido pela palavra de Deus... eu não entendi direito essa parte. contudo continuarei por sua vida e sua casa, pois o senhor é espelho pra mim e milhares como eu. Deus o abençoe!

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25/1/19 10:10 delete

Caro Adriano, a palavra de Deus estabelece os elementos de culto (oração, pregação, louvor, etc), mas não estabelece as circunstâncias em que esses elementos serão empregados. Deve ter oração no culto, mas a Bíblia não determina que seja silenciosa, que seja feita em pé, ou sentados. Só para dar um exemplo. Outra coisa, a Bíblia não estabelece uma liturgia, uma sequencia dos atos de culto, ficando à sabedoria e prudência da igreja preparar a ordem de culto. Portanto, o que não é estabelecido na Bíblia pode ser mudado e adaptado se as circunstâncias exigirem. Abraços

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27/1/19 13:16 delete

Uma reflexão muito interessante, mas vejo que o "tradicionalismo" de membros antigos das Igreja históricas é uma barreira para o crescimento dessas comunidades. Famílias que contribuíram na construção de alguma igreja, ou possuem alguma influência dentro dela, acham-se donas da Igreja e querem que tudo aconteça conforme à vontade do "clã". Outra coisa, pastores que são dependentes financeiramente de igrejas sofrem nas mãos dessas pessoas. Penso que os pastores deveriam rever a ideia de "ministério integral", pois em algumas regiões do Brasil essa ideia, na prática, não se sustenta. As pessoas tem dificuldade de entender que à medida que o tempo passa, é necessário fazer algumas mudanças. Mudanças não na doutrina mas na forma da organização do culto.

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