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quarta-feira, janeiro 14, 2015

Solano Portela

Mas as CRUZADAS não provam que o cristianismo é tão violento como o islamismo?

Será que as CRUZADAS provam que o cristianismo é tão violento quanto o islamismo?
Definitivamente, NÃO! Quem utiliza esse argumento não se aprofundou no que foram as CRUZADAS, nem entende o que é o verdadeiro cristianismo. Vejamos!

As Cruzadas fazem parte de um período marcante da história universal, que perdurou nos anos 1096 a 1291. Eram campanhas expedicionárias, de cunho militar, neste período da idade média, construídas em cima do intenso misticismo e do pano de fundo religioso da era. Elas entrelaçaram a igreja católica medieval e os regentes civis daquela época. Inicialmente, eram excursões de resgate e apoio a cristãos perseguidos, mas rapidamente se transformaram em sucessivas tentativas de tomar o poder da “Terra Santa” – especialmente da cidade de Jerusalém, das mãos dos maometanos, ou muçulmanos.

Por que esse período foi importantíssimo? Porque além de ter durado dois séculos, essas intensas campanhas e ações, chamadas de “Cruzadas” refletem o rumo equivocado que imperava na igreja conhecida como cristã. A essa altura a igreja, no sentido abrangente, já estava descaracterizada, pelo relacionamento incestuoso com o poder civil, pela assunção de uma hierarquia doentia e concentradora de poder e pela absorção de práticas e de uma cosmovisão pagã que a levaram à descabida idolatria. Todas essas situações levaram os líderes da igreja a desviarem ela da sua missão na terra, que é eminentemente espiritual e não temporal, passando a ações e arregimentações de caráter militar contra poderes temporais que ameaçavam e fustigavam os feudos do clero. Essa guerra “contra a carne e contra o sangue” em vez de contra “as potestades das hostes espirituais”, conquanto com fundo místico e linguajar religioso, reflete o mesmo mal-entendido dos discípulos retratado em Mt 20.20-28, quando confundem o reinado pregado por Cristo com os governos deste mundo.

Assim, a luta dos cavaleiros das Cruzadas era por reinados na terra, mesmo. Quatro séculos depois, com a permanência e aprofundamento dessas distorções religiosas, no seio do cristianismo – representadas, de um lado, por um monasticismo isolacionista e do outro pelo envolvimento com o poder político e militar deste mundo – os reformadores foram levantados e impelidos, pelo Espírito Santo, a soarem o brado de retorno à simplicidade e às verdades do Evangelho.  A Reforma do Século 16 levou a prédica e prática extraída tão somente da Palavra de Deus, abandonando a superstição, misticismo cego, engano e obscurantismo que caracterizaram a idade média, especialmente essa era das Cruzadas.

Historicamente, o início do período das Cruzadas é marcado por um apelo de Alexius I (1081-1118), regente em Constantinopla, que se sentia ameaçado pelo avanço dos maometanos, recebido pelo Papa Urbano II (1042-1099), em 1095. Urbano II lançou uma chamada geral a toda a "cristandade", prometendo plena indulgência (perdão de pecados) aos que participassem da expedição - só esse fato já demonstra como estava distorcida a Igreja medieval - pecados perdoados por decreto! O moto da convocação era – “É a vontade de Deus”! A partir de certo ponto o empreendimento mudou a sua feição original de resgatar Alexius e seu império, para a de uma campanha abrangente que visava resgatar os “lugares santos” ocupados pelos mulçumanos.

As Cruzadas foram largamente apoiadas pela nobreza européia, que via nelas a oportunidade igualmente econômica de adquirir territórios, espólios e riquezas. Alguns poucos nomes desta época, que se destacaram na história, foram idealistas religiosamente mal orientados. A primeira Cruzada reuniu em Constantinopla, os diversos exércitos que a compunham. Reorganizados, a partir de uma grande confusão inicial, partiram para conquistas, cidade após cidade (Nicéa, Dorileo, Icônio, Antioquia, Mosul), chegando, finalmente a Jerusalém em 1099. Godofredo de Bulhão foi nomeado “Protetor do Santo Sepulcro”. A “Terra Santa” torna-se, praticamente, um protetorado europeu e várias divisões políticas são estabelecidas, repartindo o território deste “Reino Latino” entre os conquistadores. Uma segunda Cruzada foi estabelecida recebendo sucessivas ondas de ordens rivais de cavaleiros, brasões e lealdades feudais típicas da idade média (Cavaleiros Templares, Cavaleiros de São João, Cavaleiros Teutônicos, etc.). Esses “cavaleiros” eram grupos organizados com leves características de expedições missionárias, compostos por monges, guerreiros, mercenários e, muitas vezes, apenas romeiros (peregrinos), que tinham como um dos propósitos “cristianizar” o oriente, se necessário pela força.

O relativo sucesso militar das Cruzadas até meados do século 12 deveu-se às constantes batalhas dos muçulmanos entre si mesmos. A fragmentação facilitava as vitórias e a manutenção das conquistas. A partir de 1171, entretanto, o Kurdo Saladim, que havia se declarado Mestre do Egito, começou a amealhar vitória após vitória unindo os maometanos. Esse exército unido ocupou Damasco e em 1183 ele sitiou o “Reino Latino”. Jerusalém foi invadida e derrotada. Este período de Saladim, entre a segunda e terceira Cruzada, é exatamente o que foi coberto pelo filme (2005) de Ridley Scott, chamado "Cruzada" (ironicamente, no original, Kingdom of Heaven, quando retrata guerras por Reinos na Terra).

Só para encerrar essa âncora histórica, quando a notícia da derrota infligida por Saladim chegou à Europa, outras Cruzadas foram organizadas, com líderes famosos como Ricardo Coração de Leão, mas nenhuma Cruzada seguinte conseguiu reconquistar Jerusalém.

Credita-se às Cruzadas, e aos resultados desastrosos delas, o abandono nos séculos subseqüentes dessas aventuras religiosas secularizadas, levando à concentração da religiosidade católica em estudos mais aprofundados de seus dogmas, dos livros apócrifos e das Escrituras. Isso resultou no Escolasticismo, que, em vez de gerar um enraizamento de doutrinas nas Escrituras, sistematizou, ao contrário, práticas pagãs e idólatras e um afastamento maior ainda do cristianismo verdadeiro. Mas foi nesse solo fértil e concreto, eivado de paganismo e carente de verdades que Deus providenciou o desabrochar da Reforma do século 16. Um outro efeito das Cruzadas, foi que a Europa foi despertada à rica cultura do oriente, após ter-se mantido fechada, no seu desenvolvimento intelectual, comercial e humano, durante a idade média. Essa situação levou a um incremento do comércio do leste com o oeste e ao surgimento do iluminismo intelectual.

O contexto das Cruzadas, então, foi o misticismo reinante na época – muito distanciado da religião verdadeira, já esmaecida pela introdução supersticiosa das relíquias e pela prática da idolatria. A ética e a praxis das Cruzadas não é retrato de cristianismo bíblico. Querer apresentá-las como um movimento espontâneo e genuinamente oriundo dos ensinamentos da Bíblia, é pura distorção histórica e fraude intelectual.  No âmbito pessoal, lembremo-nos do chamado à participação nas Cruzadas – “É a vontade de Deus”. Até os dias de hoje, esse slogan tem sido utilizado para justificar as mais diversas ações, pessoais ou coletivas que não refletem preceitos divinos, mas ambição humana. Tenhamos cuidado e prendamo-nos à sua vontade revelada – A Bíblia – suficiente para nos guiar, nesta vida, em tudo que realmente agrada a Deus. E a violência, certamente desagrada a Deus, não faz parte da prática e da fé Cristã, é característica da falsa religiosidade.
-- Solano Portela
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segunda-feira, janeiro 12, 2015

Solano Portela

Então, o islamismo é uma religião Pacífica?

O mundo está chocado com mais essa demonstração de violência de militantes muçulmanos ocorrida na França. Chefes de estado se preparavam para participar da marcha de repúdio aos assassinatos, neste domingo 11 de janeiro de 2015, que reuniu milhões de pessoas, quando o presidente da França François Hollande emitia essa declaração: “Esses terroristas nada têm a ver com a religião muçulmana”. Nesse meio tempo, a imprensa divulgava as palavras de um dos terroristas, Amedy Coulibaly, o homem que tomou de assalto o supermercado judaico em Vincennes, responsável por cinco das 17 mortes contabilizadas nesses atos de violência. Uma emissora de rádio gravou toda a sua argumentação e defesa dos seus tresloucados atos e de seus companheiros. Ele fundamenta a violência e os assassinatos exatamente na fé muçulmana que professa.

Mas a desencontrada afirmação, que contradiz as evidências, não tem sido emitida apenas por Hollande. O longo histórico de violência cometido por muçulmanos tem sido acompanhado pela tentativa renitente da mídia de esquerda em dissociar violência de islamismo. Jornalistas referem-se repetidamente a que atos de violência refletem apenas o “islamismo radical” e ressoam o bordão do Presidente Obama, de que “o islamismo é uma religião pacífica”, procurando dissociar as ações violentas dessa fé professada. Será?

A imprensa e governantes talvez assim se expressem temendo os movimentos que vêm surgindo na Europa contra o avanço islâmico no ocidente. Em janeiro de 2015, na Alemanha, a passeata do movimento PEGIDA (sigla, em alemão, para Europeus Patrióticos Contra a Islamização do Ocidente) despertou vários pronunciamentos da mídia fazendo ilações dessas reações com o que chamam de “Islamofobia”. Outros movimentos surgem na própria França, na Holanda e em outros países onde a presença dos maometanos é não somente muito visível, como crescente. Assim, tanto políticos como jornalistas querem nos convencer, que o islamismo não é uma ameaça real, mas apenas uns poucos extremistas. É lógico que não desejamos apoiar movimentos que apresentem ódio e discriminação civil a muçulmanos. Mas podemos fechar os olhos à associação de violência com o islamismo?

Os atentados na França despertam muita comoção porque foram perpetrados contra um órgão de imprensa, mas nem de longe são representativos do horror da continuada violência de origem muçulmana que tem martelado o mundo. Homens e carros-bombas são ocorrências quase diárias no oriente médio. As execuções em massa e a decapitações do chamado Estado Islâmico (“EI” ou “ISIS”) são atos impar de barbárie, justificados por profunda convicção de que Alá aprova esse envolvimento em uma “guerra santa”. As ações repugnantes do Boko Haram (o nome significa proibição de educação ocidental), na Nigéria, são apresentadas como “conversão” ao islamismo das adolescentes raptadas, e a indiscriminada matança que eles promovem, são praticadas com perturbadora tranquilidade e seus porta-vozes as fundamentam no Corão – quase na mesma semana em que 17 foram mortos na França, eles dizimaram centenas na cidade de Baga (as estimativas de mortos, espalhados pela cidade, variam de 200 a 2.000 pessoas – ninguém sabe ao certo). Não precisamos nem lembrar os ataques às torres gêmeas, em Nova York, com as quase 3.000 mortes. Nos últimos anos, violência e ameaças que cruzam as linhas internas do islamismo têm sido praticadas contra escritos, charges e pronunciamentos de personalidades. Os “militantes” e os vários Imãs que os apoiam nos informam que tudo ocorre sob a tutela e aprovação de Maomé. O próprio incidente na França é uma expressão mais cruel do que já vinha sendo anunciado desde que, nos idos de 2005, o jornal Dinamarquês “Jyllands-Posten” publicou 12 cartuns sobre Maomé, caracterizando-o como terrorista. Aquele periódico foi alvo de violentos protestos e ameaças dos muçulmanos.

Também em 2005, o Papa Bento XVI fez um pronunciamento caracterizando a religião islâmica como violenta (na realidade ele estava tão somente citando registros de pronunciamentos de Manoel II Paleologus, emitidos em 1391).  O que aconteceu? Os islâmicos promoveram violentos protestos para provar que não eram violentos! Em Basra, no Iraque, a efígie do Papa foi queimada e, no Oriente Médio, muçulmanos jogaram bombas incendiárias em sete igrejas católicas, como se pudessem provar, pela violência, que o islamismo não é violento.

E as ocorrências no antigo império soviético? Em 2002, rebeldes muçulmanos chechenos ameaçaram mandar pelos ares centenas de pessoas, no Teatro Dubrovka, em Moscou. Isso gerou uma desastrada intervenção, característica da competência russa com inúmeros mortos (morreram 54 terroristas e quase 100 reféns). Na mesma Rússia, em setembro de 2004, outra brigada de muçulmanos chechenos fez 1200 mulheres e crianças reféns, em uma escola de Beslan, provocando um morticínio em massa – e haja mais intervenção russa desastrada (morreram mais de 330 mulheres e crianças).

Quando a grande mídia, em quase sua totalidade, fica apontando que a agenda de desprezo pela vida humana é característica apenas de algumas das correntes islâmicas, repetindo essas afirmações ad nauseam, fecham-se os olhos do mundo para o fato de que a própria religião realmente abraça e encoraja a violência e a sua propagação pela espada. Estudemos os xiitas e sunitas; arábios e indonésios; correntes supostamente moderadas e outras classificadas como extremistas; afro-americanos convertidos ao islamismo e os tradicionais muçulmanos: encontraremos a violência recorrente em todas essas vertentes, em grande parte dessas vezes, contra si mesmos.

O que o incidente da França tem em comum com todos esses outros ao longo da história contemporânea? O Corão e a religião islâmica. Mesmo que tenha virado moda confundir, em vez de esclarecer, e dizer que o cristianismo também é uma religião de sangue, que propaga a sua fé pelas guerras, etc. Mesmo que ouçamos essa inverdade repetida constantemente, o cristianismo verdadeiro não tem esse argueiro ou trava no olho. Como instituição ou religião não exaltou os suicidas, nem encorajou massacre de inocentes, nem reagiu com violência às infames blasfêmias do Charlie Hebdo. Raros fatos pontuais da história, em que um segmento ou outro de cristãos confundiu a Espada do Espírito com a de metal, não provam a regra. A verdade é que O CRISTIANISMO É PACÍFICO. Cristo ensina que a nossa luta não é contra carne e sangue. Ela é espiritual e não é vencida pela violência.

No entanto, se dermos uma olhadinha no Corão (Sura 9.5). Não há dúvida sobre o que ensina o Islamismo: “Assim, quando os meses sagrados passarem, então matem os idólatras aonde quer que possa encontrá-los e leve-os cativos e encurrale-os e espere por eles, em cada emboscada...” Ou (Sura 4.56) : “… com relação àqueles que não creem em nossas comunicações, faremos com que adentrem o fogo; com tanta frequência que suas peles serão totalmente queimadas. Mudaremos elas por outras peles, para que possam experimentar o castigo; certamente Alá é poderoso e sábio”. Realmente, não é um exagero equacionar islamismo com violência – ela está na raiz dessa religião falsa.

Então não existem muçulmanos pacíficos? Claro que sim. Mas, com toda probabilidade, eles ou são incoerentes com os documentos da fé que professam, ou fazem parte de um segmento oprimido pelo próprio islamismo. Não estamos dizendo que muçulmanos pacíficos sejam hipócritas, mas afirmamos que o germe da violência (que é expressão do anticristo, contrapondo-se à paz, que vem de Deus) está no islamismo. Se forem seguidas as consequências lógicas dessa religião, esse germe cria raiz, se aprofunda e desabrocha em violência. O grande lado cruel, e ao qual devemos demonstrar extrema sensibilidade, é que grande parte dos pacíficos são os muçulmanos oprimidos por muçulmanos opressores: mulheres, crianças, homens que amam suas famílias acima da pressão circunstante (“peer pressure”) dos semelhantes – uma característica do islã. Nesse caldeirão, as crianças vão crescendo olhando para a violência como uma forma de redenção e de rito de passagem de uma lado (o oprimido) para o outro (o opressor). Quantas mulheres, por vezes, não são pressionadas, ou cooptadas, a aderir à violência? Chega-se ao absurdo de se utilizarem, agora, de “meninas bombas”, como o Boko Haram fez no dia 10 de janeiro de 2015, na Nigéria (dizimaram 20 pessoas inocentes). O incidente na França fará com que esses pacíficos aflorem e resistam à violência? Não sei. Prouvera Deus que assim fosse, mas não tenho muita esperança disso.

Condeno o ataque ocorrido na França. Condeno as demonstrações de violência do islamismo, agora e em todas as épocas. Não me sinto obrigado, entretanto, a me identificar com a irreverência (termo que era pejorativo e hoje serve de elogio) e desrespeitos praticados pelos cartunistas e editores, ou a apoiar – sob pretexto de preservação da liberdade – as blasfêmias indiscriminadas presentes naquele Pasquim de segunda categoria (definitivamente, não sou Charlie), para protestar contra os assassinatos praticados em nome de Alá. Desprezo as ilações que têm sido feitas pela imprensa contra o cristianismo, como se andássemos de mãos dadas com os violentos da Terra. Não sou islamofóbico – o que quer que isso signifique – mas procuro ir além das versões superficiais apresentadas.

Por fim, a vigilância e repressão por meio das autoridades constituídas é o meio imediato, por certo, para garantir a vida e o direito de ir e vir. No entanto, concordo com as palavras do Rev. Ageu Magalhães, que escreveu a propósito dos incidentes na França:
As ações militares são necessárias para frear o terror e a injustiça, todavia, são paliativas. Morrem 100 terroristas, nascem 1.000, dispostos a vingar os que morreram. A solução passa pelo Evangelho, transformando terroristas em servos de Jesus Cristo. Esse é o único remédio eficaz. Não sabemos o quanto de muçulmanos ainda se converterão ao Evangelho, mas sabemos que nosso dever é ir, enviar, orar e sustentar.

Essa é a mensagem de paz que caracteriza os verdadeiros cristãos. A paz de Cristo é o que precisamos agora e sempre.

Solano Portela
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