sábado, outubro 06, 2007

Globalização: Os Guinness e as grandes perguntas deste século


Como já apontado em outros textos do blog, o Dr. Os Guinness esteve no III Congresso Internacional de Ética e Religião, no Mackenzie. No dia 11 de setembro, dia bem marcado no calendário mundial por conta dos ataques terroristas ao World Trade Center a ao Pentágono, nos Estados Unidos, o Dr. Os Guinness falou sobre o tema da globalização. Gostei muito da abordagem feita e tomei algumas notas, que depois foram comparadas com outras anotações (especialmente da sra. Betty Portela) e que estão colocadas abaixo. Logo, o que você encontrará aqui é um esboço do que foi falado naquele dia, com alguns ‘enxertos’ explicativos aqui e acolá, em vermelho.

A título de introdução, Os Guinness apontou que “todo século traz suas grandes perguntas”, sendo que as grandes perguntas do século XXI são:

1. O islã vai se modernizar pacificamente?”
O islamismo é crescente e ainda que muitos afirmem que a religião islâmica seja de paz, o radicalismo islâmico tem demonstrado o contrário. Além disto, a cosmovisão islâmica, em geral, insiste em “permanecer no passado” e se recusa a passar pelo processo de modernização.

2. O que substituirá a ideologia marxista na China?
Ainda que o regime chinês seja de ideologia marxista, há muito que o estado e a população da China encontram-se em meio à prática do capitalismo e em busca do mercado de capitais. Não há mais lugar para esta ideologia e resta a grande dúvida sobre o que virá a substituir o marxismo. Há tendências religiosas no pais, inclusive um movimento crescente do cristianismo, assim como de muitas outras religiões.

3. A cultura ocidental recuperará as suas raízes judaico- cristãs?
O ocidente, como o conhecemos, formou-se no berço da cosmovisão judaico-cristã. Vemos, no entanto, que tanto a Europa quanto a América caminham na direção de uma visão de mundo ‘pós-cristã’. O pós-modernismo não deixa lugar para as ‘velhas certezas’ e ensinamentos do cristianismo bíblico e tende cada vez mais a afastar-se dele. Haverá um retorno?

Não há como saber o que vai acontecer. Estas perguntas, no entanto, são geradas dentro do contexto globalizado, que levanta grandes desafios para o cristianismo. O alvo da palestra é apontar quais são os principais desafios levantados pela globalização.

1. Impacto em nosso estilo de vida
As instituições estão se desfazendo, passando por um processo de fluidificação – até pouco tempo, mesmo que com problemas, certas instituições eram sólidas e serviam como base para o desenvolvimento da sociedade e cultura. Com a globalização e o pós-modernismo estas instituições têm perdido o seu lugar sem receber substitutos. Isto representa um grande impacto para o cristianismo.

Exemplo: a fluidificação da instituição do casamento. Em alguns países o número de casamentos desfeitos entre pessoas que se dizem cristãs é igual ou maior do que entre a população não cristã.

2. A globalização traz perigo para elites e não apenas para os pobres

Imagina-se que as populações pobres e sem acesso e educação acabam sendo as únicas afetadas pelo processo de globalização, no entanto, existem grandes perigos para a população elitizada.

Quais são estes perigos?

  • Quanto à capacidade de reflexão
    Vivemos em um ritmo muito rápido, onde há muita informação e pouca sabedoria. Recebemos muito mais informação pelos meios de comunicação do que somos capazes de processar. Uma simples busca no Google gera mais hits do que poderemos ler em toda a nossa vida. Isso gera a facilidade de engano, informação falsa e incapacidade de avaliação de toda esta informação.
  • Poucos líderes no mundo moderno são capazes de pensar por si mesmos. Os líderes mundiais são guiados por uma rede de assessores, nem mesmo seus discursos públicos são escritos e pensados por eles mesmos! Livros são escritos por ‘ghost writers’.
  • A moralidade é vivida de acordo com a visibilidade. O mundo globalizado facilita o anonimato. As comunicações e a facilidade de locomoção facilitam vidas duplas.
  • “ O que fazemos quando ninguém está nos vendo?” / “O que não fazemos porque alguém está nos vendo?”

3. Os pontos cegos da globalização

  • A globalização significa/implica grandes deslocamentos
  • A Revolução Industrial modificou a face do mundo com os grandes deslocamentos humanos – a urbanização do mundo ocidental nos mostrou isto claramente – a globalização acelera estes movimentos, o homem encontra-se constantemente diante de novas realidades geradas por estes grandes deslocamentos, verdadeiras massas humanas.
  • Novo termo—“quarto mundo”—os pobres, os excluídos, os deixados para trás, produzidos pelos grandes deslocamentos.

4. As contradições da própria globalização

  • No mundo globalizado, o capitalismo foi apresentado como a grande solução, acompanhado da democracia. Várias nações enveredaram por este caminho no pós-guerra. A história tem mostrado que muitos permaneceram no capitalismo, porém, abandonaram a democracia.
  • A globalização cria o “desperdício humano” – não só criando lixo e a necessidade desesperada de planos de ação para limpar a terra, mas verdadeiro desperdício de gente.
  • Refugo humano – gente que ninguém quer – o mundo desloca os indesejáveis em suas culturas.
  • Historicamente a Europa jogou fora o seu refugo nas colonizações (ex. Austrália—prisioneiros)
  • Hoje temos 25 milhões de pessoas em campos de refugiados. Pessoas sem estado, identidade ou trabalho. Vulnerável aos terroristas, traficantes e todo tipo de corrupção.

5. A tempestade perfeita do mal criada pela globalização

Vivemos a maior crise de direitos humanos de todos os tempos. Ela se dá pelo encontro de três fatores:

  • A expansão globalizada da liberdade de locomoção cria toda a oportunidade para coisas horríveis como o turismo sexual, trafego de seres humanos, trabalho escravo, pornografia, pedofilia, etc.
  • Lucro Expansão globalizada do lucro – a facilidade de venda e transferência de valores com possibilidade de anonimato. As diversas formas de crime tornam-se ainda mais fáceis.
  • Crime globalizado – máfia, drogas
  • Disfunção – famílias, indivíduos, culturas. Expansão da disfunção globalizada A busca de pertencer (false sense of belonging!)

Tudo isto coopera para que as mais diversas formas de crime cresçam por meio do ‘cidadão comum’.

Conclusão

Como a globalização faz as pessoas pensarem sobre sua fé e vida? Podemos distinguir três campos abrangentes que propõem suas reflexões:

  • A posição dos ateus e secularistas: continuamos a despeito de...
  • A posição das religiões orientais: deu tudo errado e a resposta não esta aqui, a solução encontra-se em outro lugar
  • A posição do pensamento judaico-cristã: onde erramos e como podemos dar um passo para trás para entrar no caminho certo?

As distorções da compreensão judaico-cristã sobre pontos fundamentais como o conceito de mordomia da criação que nos dá o direito de domínio e não de dominação. A grande pergunta é “Em que(m) estamos confiando para conferir significado e esperança no mundo em que vivemos?” De acordo com a fé judaico-cristã Deus é maior do que os problemas e desafios da própria globalização!

18 comentários:

Solano Portela disse...

Caro Mauro:
Ótimas e precisas anotações capturando o cerne da palestra do Os Guinness. Achei, entretanto, que ele embarcou um pouco rápido demais na condenação da globalização e não se detalhou em várias das bênçãos trazidas pela própria. Vejo que, ao logno da história, Deus colocou a globalização como uma das características que impelem a humanidade a ações ousadas e abrangentes. Esse "drive" pode ser levado para o mal (vide Babel), ou para avançar até a causa do Evangelho - que também é global. Em paralelo, em muitos sentidos, a globalização é que tem permitido o acesso de bens diversos e abrangentes a segmentos cada vez maior das pessoas. Devemos, entretanto, identificar como ela funciona sendo igualmente veículo de impiedade. Como eu já disse em outro local, você pode não concordar com o "Os", mas que ele nos faz pensar, lá isso o faz com muita eficiência.
Abs
Solano

Marcos Vieira disse...

Prezado Rev Mauro,

Cada post sobre as palestras do Dr Os Guinness nos mostra o quão enriquecedora foi a sua visita ao Brasil. Agradeço o empenho dos irmãos responsáveis pelo blog em sintetizar o que foi apresentado no Mackenzie, permitindo aqueles que não puderam ali estar tbem serem alcançados com essas profundas reflexões. Profundas a tal ponto que necessitam ser digeridas com vagar. O presente post apresenta tantas questões importantes, que isoladamente já dariam origem a diversos outros textos. Essa questão, por exemplo, de visão "pós-cristã" é por demais preocupante. Esar inserido numa sociedade para a qual os valores e conceitos cristãos não são estranhos, mas desprezíveis é, sem dúvida, um dos grandes desafios para nós cristãos bíblicos. Criar um cristianismo adaptável aos novos tempos tem sido a grande tentação e, infelizmente, muitos tem caído nela. Creio que não temos outro caminho a não ser orar, estudar, refletir e agir, mas na total dependência de Deus. Ele continua sendo o Senhor da História.

Creuse P. S. Santos disse...

Forma é essência? Acredito que não, e aí é que está a diferença, o cerne da questão. Será que não podemos ter uma forma que atraia o homem pós-moderno e globalizado, no entanto mantendo uma mensagem reformada, segundo à sã doutrina?
Creio que sim. A questão não é ser pragmático, pois o pragmatísmo muitas vezes nega a Bíblia pela prática, não é isso, mas, num mundo globalizado a Igreja não só deve, quanto precisa ter uma forma mais relevante.
O próprio fato de estarmos discutindo isso num blog e não através de cartas já é de certa forma globalização e adaptação. Temos que lembrar, que nem sempre adaptar a forma é necessáriamente comprometer a essência.
Estamos no mundo, não precisamos ser como o mundo, mas precisamos estar nele. Não adianta criarmos um mundo paralelo inatingível dentro do mundo. Jesus festejava como os judeus festejavam, obedecia a religião como os judeus obedeciam, ele era um homem no mundo, porém não era igual ao mundo. Assim temos que ser, senão nossa mensagem será incompreesível ao mundo...

Marcos Vieira disse...

Prezado Creuse,

Concordo plenamente com a idéia de transmitirmos a verdade de forma relevante ao nosso tempo. Aliás, penso que essa é a nossa tarefa: contextualizar sem perder o conteúdo. Mas vejo que a grande questão é qual o limite dessa adaptação. Será que a essência com a qual estamos lidando admite qualquer forma? O que tenho percebido é que a linha divisória entre o aceitável e o inaceitável é muito tênue. A sedução da aceitação e da popularidade é por demais forte, mesmo porque por detrás dela existe a sensação de poder, a falsa idéia de sucesso e o mais perigoso: a captação de dinheiro. Conheci alguns grupos que começaram muito bem nessa legítima intenção de criar formas relevantes, modernas e significativas de comunicar a verdade, mas infelizmente, a maioria deles inclinou-se ao antropocentrismo, e os que não chegaram a tanto, abortaram o projeto antes do naufrágio, mas com inevitáveis e irreversíveis rachas. Sei lá meu irmão, nesse mundo de mudanças tão rápidas, de frágeis convicções, de relativismo permissivo, talvez (eu disse: talvez), o relevante seja continuar sendo sempre o mesmo.

Mauro Meister disse...

Olá Solano,

Concordo com você quanto à questão do 'uso' que podemos fazer da globalização, para o bem ou pra o mal. Acredito que devemos usar os fatores positivos no processo de proclamação do Evangelho. No entanto, tenho a tendência de ver mais como o Os, a globalização potencializa a depravação total e pinta-nos um quadro assustador. Com certeza, nos faz pensar. Tenho a impressão que Babel, ainda que tentasse ajuntar e não espalhar, foi uma tentativa de 'globalizar', no sentido de potencializar a idolatria e pecado. A 'globalização divina', encher a terra, tinha, com certeza, um caráter diferente.

Prezado Marcos,

Num futuro não muito distante, existe a possibilidade de termos um livreto com o conteúdo das 4 palestras, trazendo mais conteúdo e as idéias mais mastigadas.

Com certeza, é preocupante ver que caminhamos para um contexto pós-cristão, depois de alguns séculos nos quais a cosmovisão cristã foi predominante, ainda que a religião cristã nem sempre tenha reinado. Um dos problemas que vejo em tudo isto é que, diante da aceleração da globalização e a lentidão do cristianismo em algumas frentes (e.g. ação política), conceitos pós-cristãos virão de arrastão sobre nós.

Vários blogs e sites têm levantado a questão das leis homofílicas em preparação e votação no Brasil. Ontem mesmo, saiu no site da Câmara a triste notícia: "A Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania (CCJ) aprovou hoje, em caráter conclusivo, o Projeto de Lei 81/07, da deputada Fátima Bezerra (PT-RN), que institui 17 de maio como o Dia Nacional de Combate à Homofobia.”

Esta é mais uma lei empurrando, com estatísticas mentirosas, uma causa anti família, anti cristianismo e forçando uma ‘celebração’ pública contra a liberdade religiosa e de consciência... Devemos lembrar que o Senhor da história usa agentes da providência para fazer valer seus intentos. Ainda ontem lia com a família as palavras de Moredecai a Ester, depois da descoberta do terrível plano de Hamã para destruir a linhagem do povo de Deus:

“Então, lhes disse Mordecai que respondessem a Ester: Não imagines que, por estares na casa do rei, só tu escaparás entre todos os judeus. Porque, se de todo te calares agora, de outra parte se levantará para os judeus socorro e livramento, mas tu e a casa de teu pai perecereis; e quem sabe se para conjuntura como esta é que foste elevada a rainha?” Ester 4:13-14

Abs
Mauro

Mauro Meister disse...

Creuse,

Forma não é essência! Por outro lado, formas não são neutras. Ou crês que sim?

abs
Mauro

Luís Fanti disse...

Mauro, deve ter sido um excelente momento com Os Guinness; Estou realmente pensativo depois de ter lido o post.

Deus tenha misericórdia de nós.
abs, Luis

Creuse P. S. Santos disse...

Esse negócio de globalização piorar ou potencializar a depravação total é pura palha. Ou será que alguém aqui conhece alguma cidade por mais globalizada que seja que tem desde de o habitante mais novo, até o mais velho homossexual??? Eu conheço, está na Bíblia, Sodoma e Gomorra, e nem internet existia.
Outra questão importante a ser levantada é: Será que as formas tradicionais são Bíblicas??? Será que os modelos de Igrejas fundamentalistas são realmente coerentes com o modelo neo-testamentário??? Será que a padrão de nossa comunicação do evangelho é coerente com o de Cristo??? Um dos erros do catolicismo foi achar que seu padrão, baseado em tradições humanas, era o correto, esse foi o mesmo erro do Farisaísmo, não estaríamos nós comentendo o mesmo erro e com o passar do anos não chegaremos à mesma condição???

Creuse P. S. Santos disse...

Não, formas não são neutras, porém as mesmas essências, por mais puras que sejam, nem sempre geram as mesmas formas, concorda??? Sempre questiono as formas tradicionais, até porque, muitas delas são contradizentes com a essência Bíblica... Existem formas modernas muito mais Bíblicas que algumas tradicionais...
Não podemos ser "neofóbicos", temos que ver e analisar todas as coisas e reter aquilo que for bom, ou seja, que estiver de acordo com as Escrituras.

Oliveira disse...

Caro Senhor

Obrigado pelas anotações.
Me senti na palestra sem estar lá.

Interessante.

Apenas um "pitaco" sobre a questão de Babel... me lembrei do texto:

"Então desceu o Senhor para ver a cidade e a torre que os filhos dos homens edificavam; E o Senhor disse: Eis que o povo é UM, e todos têm uma MESMA LÍNGUA; e isto é o que começam a fazer; e agora, NÃO HAVERÁ RESTRIÇÃO para tudo o que eles INTENTAREM FAZER".

O maiúsculo é apenas para ressaltar (não estou gritando).

O que tento dizer é que penso que o mundo globalizado (um povo, mesma língua, sem restrição, sem limites ao homem, valores culturais homogêneos), coloca a humanidade numa encruzilhada onde Deus intervem... provocando a confusão, para evitar que o homem fique sem restrição.

Que confusão é esta que Deus vai promover é que eu não sei.

Seria um cumprimento tipo apocalipse?

Seriam novas guerras mundiais?

Seriam destruiçoes em massa, dando novo ciclo e um recomeçar ao homem?

Deus não vai intervir desta vez?

Seria o fim?

Penso que está mais para o cenário de fim, pois também lembro do texto de Daniel "...E tu, Daniel, encerra estas palavras e sela este livro, até ao fim do tempo; MUITOS CORRERÃO DE UMA PARTE para outra, e a CIÊNCIA SE MULTIPLICARÁ..."

Não sei...
Mas acho o debate bem interessante.

Desculpe-me se "divaguei"...

Um abraço

Ricardo disse...

Ola!

Achei este um dos melhores topicos ja postados aqui no blog! Me impressionou a quantidade - e qualidade = das informacoes da palestra do Os! Ou melhor dizendo, das "perolas de sabedoria" que ele colocou. Ja salvei pro meu computador, inclusive! Pretendo ter como referencia para futuras reflexoes.

Parabens pela iniciativa, e sobre o possivel livro sintetizando tudo, eu adoraria compra-lo.

- Ricardo, de Fortaleza

Marcos Vieira disse...

Prezado Reverendo Mauro,

Conforme afirmei no meu primeiro post, creio que o seu texto, baseado nas palestras do Dr Guinness produz inúmeros questionamentos quanto à atuação dos cristãos no mundo globalizado e pós-moderno. Permita-me explicar o que quis dizer com minha preocupação sobre visão “pós-cristã”, que gerou algumas considerações sobre forma e essência e também sobre contextualização. Deve a Igreja procurar novas formas de anunciar a verdade e, com a graça de Deus, tornar relevante o discurso evangélico no mundo globalizado? Em minha opinião, a resposta seria sim e não. Se por contextualização estamos nos referindo apenas à reforma litúrgica, intra-muros, a minha resposta seria não. Não advogo com isso a sacralização dos modelos de cultos tradicionais, simplesmente constato o fato de que mudar a forma de culto não é, por si só, contextualizar (tornar relevante) o Evangelho. Aliás, justamente por estarmos em um mundo globalizado, as diferenças são fundamentais. È máxima da cultura pós-moderna: o novo é o velho. Assim não seria a mudança da liturgia que atrairia os ouvidos desconfiados do mundo para novamente ouvirem a Igreja. (Aliás, um adendo, creio que nenhuma Igreja contemporânea possui a “forma” da Igreja neo-testamentária, pois ela serviu para o primeiro século. O que podemos ter são os princípios norteadores e basilares da Igreja em todas as épocas, pois esses são atemporais). Agora se por contextualizar entendemos a ação da Igreja (diga-se dos crentes) no mundo, sendo sal e luz, preservando os valores do Reino a fim de sinalizá-lo, aí ótimo, a resposta acima seria um estrondoso “sim”. Precisamos de agentes do Reino nas fábricas, nos hospitais, nos quartéis, nas universidades e escolas, nas favelas e guetos, e daí por diante. Treinados na igreja (templo) para serem Igreja (no cotidiano). Dentro dessa perspectiva é que entendo a importância de temas como esses ministrados no Mackenzie e neste blog. Compreender o mundo para poder atuar nele. Não é tarefa tão fácil quanto parece, pois nós mesmos somos influenciados diariamente pela globalização pós-moderna. Quais os limites dessa influência? Como usa-la a nosso favor? Como rejeitar sua sedução contrária aos princípios de Deus? Eis a nossa tarefa.

Mauro Meister disse...

Prezado Luiz,
Foi muito boa a passagem do Os Guinness entre nós. Nos colocou a todos para pensar e ver as coisas de ângulos mais amplos. Continuemos na luta contra os males do nosso tempo, aproveitando as oportunidades que a globalização nos abre e combatendo os males que carrega.
Abs
Mauro

Mauro Meister disse...

Prezado Creuse,
Vejo que vc tem muitas indagações e que um pouco de hermenêutica bíblica globalizada pode lhe ajudar em algumas delas.

Primeiro, não sei qual é a sua crença quanto à doutrina bíblica da depravação total e aos chamados ‘usos da lei’, mas minha resposta, que vc considerou palha, parte destes dois pressupostos. Entendo que o ser humano, por causa da depravação total, tem o potencial para todo o tipo de pecado. Quando ele se ajunta (ou no caso, se globaliza) para praticar o pecado, perde todos os seus freios. Logo, Sodoma e Gomorra, que eram ajuntamentos humanos onde a lei de Deus foi completamente banida, os limites deixaram de existir. Logo, os habitantes de Sodoma e Gomorra não precisavam de internet para ser o que eram, assim como o partido nazista não precisou do contexto globalizado para fazer o que fez na Europa. Portanto, quando digo que a globalização potencializa o pecado, estou apenas dizendo que, dentro deste contexto, é mais fácil ainda negar a lei, pela anonimidade e potencializar o pecado e o mal.

Segundo, quanto às formas tradicionais, é importante ressaltar que não sou tradicionalista e não defendo a forma pela forma. Antes, creio que cada geração precisa de fato, questionar as formas recebidas e avaliá-las diante da história. Receber a forma sem pensar, é tradicionalismo. Questionar as formas pq são antigas ou considerá-las ultrapassadas pq são históricas, é burrice! Devemos avaliar cada uma e aproveitar as ricas heranças que recebemos. Se forem heranças pobres, que sejam rechaçadas. Concordo com vc, não podemos ser neofóbicos, e acrescento, nem avessos à herança de nossa história. E é obvio, se algo for anti-bíblico, que isto nem ocupe nosso pensamento.

Um dos problemas que enfrentamos, entretanto, é que muitos, no afã de encontrar novos caminhos de comunicar o Evangelho o tem deturpado a ponto de tornar-se ‘outro evangelho’.

Mauro

Mauro Meister disse...

Prezado Oliveira,
Excelente lembrança do texto de Babel e da falta de restrição. Eu não sei como e se será por meio da confusão que Deus há de agir no mundo globalizado. O que podemos fazer é buscar a instrução bíblica, lutar contra toda a sorte de mal do nosso tempo, pelos meios que Deus nos der, e, fazendo estas coisas, exclamar: Maranatha! No meio destas dúvidas, volte os olhos para Mateus 24.

Não há dúvidas, no entanto, que nosso mundo, principalmente em meio à globalização, está cada vez mais confuso. Como apontado por Os Guinness, torna-se cada vez mais difícil pensar e processar o volume de informações que recebemos, a informação sobre a maldade humana torna-se cada vez mais disponível e as pessoas são conduzidas em massa para determinadas direções. É impressionante ver como os meios de comunicação fazem a cabeça de todo mundo e fica difícil saber em que informação confiar. Não sou adepto da teoria da conspiração mundial, mas que Satanás é conspirador, isto é.

Abs
Mauro

Mauro Meister disse...

Prezado Ricardo,

Com certeza, o tópico tratado por Os Guiness é um destes que nos fazem ver as coisas de um ponto de vista mais amplo. Creio que quase tudo que tratamos aqui no blog cabe debaixo do guarda-chuva da globalização. Fiquei feliz pela escolha do tema da palestra de Os Guinness e fui edificado.

O livreto com as palestras está sendo trabalhado.

abs
Mauro

Mauro Meister disse...

Prezado Marcos,

Obrigado por suas valiosas observações. Falei um pouco sobre isto em uma resposta acima.

De fato, a tarefa é difícil, afinal, nossa própria cosmovisão é formada por muitos valores do nosso próprio tempo. Nossa tarefa, e tentativa deste blog, é ficarmos alertas e averiguar os limites da influência do mundo em nosso pensamento. Por outro lado, temos que deixar nossas mentes cativas à obediência de Cristo e buscar amar a Deus 'de toda a nossa mente'.

Abs
Mauro

Creuse P. S. Santos disse...

Mauro

Minhas perguntas são apenas retóricas, apenas para a reflexão, não que não tenha respostas para elas. Pois, de certo modo, as respostas já estão implícitas nas próprias perguntas.
Sim, para mim, o homem é total e completamente depravado, seu coração é corrupto e enganoso tudo o que ele precisa para potencializar a depravação dele, é dele mesmo. Se o um homem fosse trancado sozinho numa caverna escura, depravaria até a escuridão e a caverna. Fato comprovado por alguns como Jerônimo, Sto. agostinho, etc...
A globalização apenas expõe essas mazelas para o mundo todo.
Não, o pecado não está aumentando, o homem de hoje não é mais depravado do que o homem do passado de um mundo não globalizado. Também, não, o mundo globalizado não melhorou o homem, o homem de hoje não é mais ético ou racional do que os Ninivitas, por exemplo. O homem é o homem, não melhorou, nem piorou, continua igual, sem Deus, é funesto, fétido, putrefato, total e completamente morto em seus pecados. Só Cristo pode mudar essa condição.
A grande questão para mim é como usar a globalização para continuar a pregar a mensagem de salvação a esse homem??? É a isso que devemos nos ater.