segunda-feira, fevereiro 04, 2008

Solano Portela

Pecado, pecadinho, pecadão...

Explicando o post:
Alguns anos atrás foi publicado o livro de multi-autoria ao lado: “Disciplina na Igreja: Uma Marca em Extinção”. Pessoas, realmente conhecidas, como George Knight, Augustus Nicodemus e Valdeci Lopes, escreveram seus capítulos e, por alguma razão indecifrável, coube-me contribuir com dois capítulos. Sou, portanto, um interessado no assunto e achei muito bom os dois últimos posts colocados pelo Dr. Augustus (ausência de disciplina de líderes e sobre Mateus 18). Neles, temos algumas aplicações bem contemporâneas, sobre disciplina bíblica; além do tratamento de outros aspectos que estão presentes no livro em questão. As interações dos leitores, nos comentários desses dois posts, têm sido igualmente bem interessantes. No meio de muitas observações pertinentes e perguntas estimulantes, várias delas confundem a existência do amor real com ausência de disciplina, não compreendendo como esses dois aspectos são biblicamente complementares. Outros comentários observaram a suposta igualdade dos pecados. Um deles disse que a gradação de pecados era uma caracerística "humana" e não divina. Outro, disse que se uma determinada disciplina é aplicada a pecados específicos, porque não tratar todos os pecados (inclusive, foi mencionado o de glutonaria) com penalidades idênticas. A questão da igualdade, ou não, dos pecados, não foi abordada neste livro já mencionado e achei que caberia aqui um post, ainda na mesma linha de pensamento dos dois anteriores.

Todo pecado é igual?
De certo modo é correto se afirmar que todos os pecados são iguais. Em certo sentido, todos os pecados são odiosos perante Deus e suficientes para nos alijar da comunhão eterna com ele. Por isso somos recebedores tão somente de sua graça infinita (em Cristo Jesus) e não temos qualquer mérito em qualquer suposta “vida moral” ou com pouca incidência de pecados, ao sermos aceitos por ele.

Assim nos ensina a Pergunta 152 do Catecismo Maior de Westminster, que diz:
“O que cada pecado merece da parte de Deus”?
R: Todo pecado, até o menor, sendo contra a soberania, bondade, santidade de Deus, e contra a sua justa lei, merece a sua ira e maldição, nesta vida e na vindoura, e não pode ser expiado, senão pelo sangue de Cristo.

As referências dadas são: Tg 2.10,11; Ml 1.14; Dt 32.6; Hc 1.13; I Pe 1.15,16; Lv 11.45; I Jo 3.4; Gl 3.10; Ef 5.6; Pv 13.21; Mt 25.41; Rm 6.21,23; Hb 9.22; I Jo 1.7; I Pe 1.18,19, das quais citamos apenas Tiago 2.10: “Pois qualquer que guarda toda a lei, mas tropeça em um só ponto, se torna culpado de todos”.

Há, portanto um grau de veracidade na afirmação – “todo pecado é igual” - o menor dos pecados já nos faz culpados por não guardar os princípios de justiça de Deus. No entanto, essa afirmação deve ser bem entendida e qualificada, pois não representa o todo da verdade. Por exemplo, ouvi uma pessoa comentando e defendendo um pecado cometido por um líder evangélico, comparando-o com uma mentira cometida por ele próprio (o defensor). Ele disse: “... o erro do .... foi tão grave diante de Deus quanto o foi hoje de manhã eu ter pedido que dissessem que eu não estava, só para não atender o telefonema de um ‘amigo’ chato”.
Existe, ou não, diferenciação de pecados?
Acontece que não é bem assim, como colocou a pessoa acima, pois é o próprio Deus que nos ensina existir uma GRADAÇÃO de pecados - alguns realmente, são mais odiosos do que outros. E essa é a interpretação, também, do Catecismo Maior da Confissão de Fé de Westminster, exatamente nas perguntas que precedem a que já examinamos, acima. As perguntas 150 e 151 mostram que a idéia de que não existe “pecadinho” e “pecadão” é uma noção comum, muito propagada em nossas igrejas, mas não é Bíblica. As respostas a essas perguntas 150 e 151, mostram o sentido em que são diferentes, enquanto que a resposta à 152, mostra o sentido no qual os pecados são iguais. Vejamos:

Pergunta 150.
"São todas as transgressões da lei de Deus igualmente odiosas em si mesmas à vista de Deus"?
R: Todas as transgressões da lei de Deus não são igualmente odiosas; mas alguns pecados em si mesmos, e em razão de diversas circunstâncias agravantes, são mais odiosos à vista de Deus do que outros.
Refs.: Hb 2.2,3; Ed 9.14; Sl 78.17,32,56.
Pergunta 151.
"Quais são as circunstâncias agravantes que tornam alguns pecados mais odiosos do que outros"?
R: Alguns pecados se tornam mais agravantes:
1º) Em razão dos ofensores, se forem pessoas de idade mais madura, de maior experiência ou graça; se forem eminentes pela vida cristã, dons, posição, ofícios, se forem guias para outros e pessoas cujo exemplo será, provavelmente, seguido por outros.
Refs.: Jr 2.8; I Rs 11.9; II Sm 12.14; I Co 5.1; Tg 12.47; Jo 3.10; II Sm 12.7-9; Ez 8.11,12; Rm 2.21,22,24; Gl 2.14.
2º) Em razão das pessoas ofendidas, se as ofensas forem diretamente contra Deus, seus atributos e culto, contra Cristo e sua graça; contra o Espírito Santo, seu testemunho e operações; contra superiores, pessoas eminentes e aqueles a quem estamos especialmente relacionados e a quem devemos favores; contra os santos, especialmente contra os irmãos fracos; contra as suas almas ou as de quaisquer outros, e contra o bem geral de todos ou de muitos.
Refs.: I Jo 5.10; Mt 21.38,39; I Sm 2.25; Rm 2.4; Mt 1.14; I Co 10.21,22; Jo 3.18,36; Hb 6.4-6; Hb 10.29; Mt 12.31,32; Ef 4.30; Nm 12.8; Pv 30.17; Zc 2.8; I Co 8.11,12; I Ts 2.15,16; Mt 23.34-38.
3º) Pela sua natureza e qualidade de ofensa, se for contra a letra expressa da lei, se violar muitos mandamentos, se contiver em si muitos pecados; se for concebida não só no coração, mas manifestar-se em palavras e ações, escandalizar a outrem e não admitir reparo algum; se for contra os meios, misericórdias, juízos, luz da natureza, convicção da consciência, admoestação pública ou particular, censuras da igreja, punições civis; se for contra as nossas orações, propósitos, promessas, votos, pactos, obrigações a Deus ou aos homens; se for feita deliberada, voluntária, presunçosa, imprudente, jactanciosa, maliciosa, freqüente, e obstinadamente, com displicência, persistência, reincidência, depois do arrependimento.
Ref.: Ez 20.12,13; Cl 3.5; Mq 2.1,2; Rm 2.23,24; Pv 6.32-35; Mt 11.21-24; Dt 32.6; Jr 5.13; Rm 1.20,21; Pv 29.1; Rm 13.1-5; Sl 78.34,36,37; Jr 42.20-22; Sl 36.4; Nm 15.30; Ez 35.5,6; Nm 14.22,23; Zc 7.11,12; Pv 2.14; Jr 9.3,5; II Pe 2.20,21; Hb 6.4,6.
4º) Pelas circunstâncias de tempo e de lugar, se for no dia do Senhor ou em outros tempos de culto divino, imediatamente antes, depois destes ou de outros auxílios para prevenção ou remédio contra tais quedas; se em público ou em presença de outros que são capazes de ser provocados ou contaminados por essas transgressões.
Ref.: Is 22.12-14; Jr 7.10,11; Ez 23.38; Is 58.3,4; I Co 11.20,21; Pv 7.14,15; Ne 9.13-16; Is 3.9; I Sm 2.22-24.
Se estudarmos com maior profundidade a questão, portanto, aprendemos que realmente existe gradação. Uma outra maneira de verificar isso é pelas diferentes penas aplicadas aos diversos crimes na lei judicial (ou civil) de Israel. Essa Lei foi dada pelo próprio Deus.
É cristão demonstrarmos entendimento e solidariedade, na face do arrependimento sincero. Na ausência desse, a Palavra nos manda até quebrarmos as associações de amizade (nem mesmo "comer" com o impenitente, para que ele, sacudido por esse terremoto social, se arrependa – 1 Co 5.11). Podemos (e com frequencia fazemos) quebrar os princípios de justiça de Deus, desprezando a disciplina; achando que são passos injustos; ou seja, querendo exceder a benevolência e benignidade de Deus - sermos mais caridosos do que ele nos manda ser. Quando isso ocorre no seio da família - expressamos um amor equivocado, não disciplinamos os filhos, criamos seres que desrespeitam a hierarquia e que se dão mal - no futuro. Quando fazemos no seio da igreja, contribuímos para a concretização de uma igreja doentia e conivente com o pecado.
O mesmo erro deve ser sempre penalizado de forma igual?
Um outro argumento utilizado pelos que querem enfatizar tão somente a igualdade dos pecados (não somente entre si, mas também quando cometidos por pessoas diferentes) é dizer que seria incoerência penalizar pessoas de forma diferente, desde que cometam o mesmo erro.

Como já vimos, não é isso o que ensina a Palavra nem o que registram as Confissões reformadas. Existe, sim, diferenciação de gravidade, mesmo tendo sido cometido o mesmo pecado. A questão é que o pecado não é só o incidente isolado (é até impossível se isolar um incidente), mas não pode ser ignorada a forma como ele afeta mais ou menos pessoas. Pecados cometidos por lideranças, são muito mais graves do que o mesmo pecado cometido por alguém que esteja sendo instruído na fé.

Pecados “mais” e “menos ruins”:
Existe um conceito relativo (do zero para baixo) nos pecados - com relação a ruindade intrínseca de cada um. Concordamos que qualquer pecado é suficiente para nossa condenação, mas temos que reconhecer que o que concebe, mas não pratica, pecou um pecado "menos ruim" do que aquele que o levou às suas últimas conseqüências. Quanto mais o pecado se alastra (como no caso de David, que tentava acobertá-lo) mais pessoas são atingidas e mais sofrimento é gerado.A parte prática está exatamente no dano que um líder causa, quando peca. Não é errado esperarmos um comportamento exemplar (no contexto de que somos todos pecadores) da parte do líder (1 Tm 4.12), pois assim a Palavra no direciona. O Salmista pede que nós não sejamos "causa de vergonha" (Sl 69.6). O dano ao evangelho é muito grande, quando o pecado está presente e é observado na vida do líder.

Ainda que todos os pecados sejam odiosos e suficientes para nos alijar da santidade de Deus, a não ser pela graça e misericórdia dele e pelo sacrifício de Cristo, existem pecados "mais ruins do que outros"; ou em circunstâncias "mais ruins do que outras". Se fôssemos diagramar os pecados, seria uma "plotagem" abaixo do eixo das abscissas - todos "abaixo de zero". Mas os pecados da liderança fazem “desencaminhar a muitos” e a muitos tropeçar na sua compreensão da lei de Deus, como nos diz Malaquias 2.7-8 - "Pois os lábios do sacerdote devem guardar o conhecimento, e da sua boca devem os homens procurar a instrução, porque ele é o mensageiro do Senhor dos exércitos. Mas vós vos desviastes do caminho; a muitos fizestes tropeçar na lei..."

Agravantes e atenuantes:
Na Igreja Presbiteriana do Brasil, em seu Código de Disciplina, há uma consideração sobre os "agravantes " e "atenuantes", com relação ao mesmo pecado, nos casos de disciplina. O texto completo, que fala das circunstâncias atenuantes e agravantes, é o seguinte:

(Art. 12) –
São atenuantes:
a) pouca experiência religiosa; b) relativa ignorância das doutrinas evangélicas; c) influência do meio; d) bom comportamento anterior; e) assiduidade nos serviços divinos; f) colaboração nas atividades da Igreja; g) humildade; h) desejo manifesto de corrigir-se; i) ausência de más intenções; j) confissão voluntária.
§2º -
São agravantes:
a) experiência religiosa; b) relativo conhecimento das doutrinas evangélicas; c) boa influência do meio; d) maus precedentes; e) ausência aos cultos; f) arrogância e desobediência; g) não reconhecimento da falta. Art.14 - Os Concílios devem dar ciência aos culpados das penas impostas: a) Por faltas veladas, perante o tribunal ou em particular; b) Por faltas públicas, casos em que, além da ciência pessoal, dar-se-á conhecimento à Igreja.

Conclusão:
Assim, creio que ser bíblico, prudente e necessário, concluirmos pela existência de distinção ou gradação de pecados, sem esquecer que todos eles são odiosos, perante Deus, e que mesmo o menor deles nos afasta de sua santidade e nos faz merecedores da condenação eterna.
Solano Portela

Solano Portela

Postado por Solano Portela.

Sobre os autores:

Dr. Augustus Nicodemus (@augustuslopes) é atualmentepastor da Primeira Igreja Presbiteriana de Goiânia, vice-presidente do Supremo Concílio da Igreja Presbiteriana doBrasil e presidente da Junta de Educação Teológica da IPB.

O Prof. Solano Portela prega e ensina na Igreja Presbiteriana de Santo Amaro, onde tem uma classe dominical, que aborda as doutrinas contidas na Confissão de Fé de Westminster.

O Dr. Mauro Meister (@mfmeister) iniciou a plantação daIgreja Presbiteriana da Barra Funda.

16 comentários

comentários
Roger
AUTOR
4/2/08 06:29 delete

Caro Solano,

Concordo que existe diferença entre pecado, foi o que escrevi no artigo A grande diferença entre pecadinho e pecadão.
Acrescento, porém, à sua conclusão que também não podemos esquecer que Deus, em seu amor infinito, também perdoa todo e qualquer pecado. Seus tesouros são inesgotáveis.
Abrçs
Rogerio

Responder
avatar
Emerson
AUTOR
4/2/08 18:05 delete

Pecado: Tudo que aborrece a Deus.
Pecadinho: alimentar a mente com desejos carnais;
Pecadão: Fazer com que os desejos carnais se manifestem, agindo na prática...

Responder
avatar
5/2/08 11:23 delete

Pecado é pecado, não creio que exista diferença de pecado no sentido de essência, mas sim, em termos de consequências, dependendo do pecado e do pecador que o cometeu, a consequência tanto do pecado como de sua disciplina são diferentes. Sim, a Bíblia relata pecados que são mais odiosos aos olhos de Deus, porém, temos que nos lembrar de que onde abundou o pecado, superabundou a Graça de Deus, sendo que o sangue de Cristo cobre uma multídão de pecados. Por isso, um ponto importante a se destacar é que todo pecado em menor ou maior grau é sempre e em primeiro lugar contra Deus, pois é rebelião contra Sua vontade. Deste modo a "punição" para cada pecado no final das contas vem de Deus. A igreja não pune ninguém por pecado cometido, a Igreja tem como objetivo fazer o que Natã fez com Davi, levar a pessoa a ter consciência de seu pecado, para que se arrependa. Assim como aconteceu com Davi, depois que o pecador se arrepende, confessa e deixa o pecado, a igreja não tem mais função na disciplina a não ser o aconselhamento (discipulado) para o pecador não cometer mais este pecado. No entatato as consequências do pecado ainda recairão da parte de Deus sobre esse pecador, do mesmo modo que Davi, mesmo tendo se arrependido e confessado ainda perdeu o filho de Batseba e sua vida famliar foi uma tragédia. Temos que lembrar que quem vinga os pecados, punindo e dando consequências, muitas vezes trágicas, é Deus e não a Igreja. Mesmo no caso de um pecador impertinente e obstinado, a Igreja apenas tem a função de desligá-lo, e entregá-lo a Satanás para que Satanás o puna segundo a permissão de Deus (I Co. 5), porém a igreja não pune pecados.
Não existem penalidades na doutrinas dos apóstolos como haviam na Lei de Moisés. Na Lei, o adúltero, mesmo arrependido tinha de ser apedrejado, em Cristo o adúltero arrependido tem que ser perdoado, discipulado e levado a uma vida de santidade. Nossa Lei é Cristo e por isso a Igreja não pune, e sim, exorta, aconselha, ensina, discipula, enfim, disciplina. E mesmo quando o pecador é pertinaz no pecado, a Igreja apenas o desliga na terra, e toda punição de seu pecado virá do céu, do Justo Juíz. Graças a Deus e a Jesus Cristo que não precisamos pegar em pedras!!!

Responder
avatar
Roger
AUTOR
5/2/08 19:48 delete

Creuse,

achei seu comentário excelente!

Sem dúvidas que pecado é pecado independente do tamanho - diga-se de passagem, isto é tão óbvio como dizer que banana é banana independente do tamanho. Mas não precisamos argumentar muito sobre isto, basta lembrarmos da afirmativa que Jesus fez a Pilatos: "Aquele que me entregou a ti maior pecado tem", Jo 19.11. Num português claro, Jesus está dizendo que essa pessoa tinha um pecadão.

De acordo com a seriedade do pecado medidas completamente diversas devem ser tomadas pelo próprio indivíduo, igreja e sociedade de forma geral. E sem dúvida a mais difícil, porém a mais indicada, é o arrependimento seguido de perdão... (digo difícil pois envolve honestidade e humildade de ambos os lados, coisas praticamente impossíveis para seres humanos caídos).

Negligenciar o grau, ou tamanho do pecado é tão perigoso como desconsiderar o tamanho do amor.

Abrçs,

Rogério

Responder
avatar
Cristiano
AUTOR
6/2/08 11:14 delete

Poxa, finalmente alguém concordando comigo... espero que da próxima vez que eu falar isso, o pessoal não vire mais a cara para mim...

Responder
avatar
Oliveira
AUTOR
6/2/08 17:39 delete

Caro Creuse e Caro Roger

Sei não...

Já me convenci pelo argumento do Reverendo Augustus que disciplina e castigo são biblicamente de mesma conotação.

Agora... o que é punir?

Você diz que a igreja não tem a função de punir...

Mas punir e castigar não são a mesma coisa?

E disciplinar não é castigar?

Então punir, disciplinar e castigar não são a mesma coisa?

Um grande abraço

Caro Senhor Solano

Se temos gradação de pecados... posso dizer que teremos gradação de condenação no inferno, tipo...

Hitler, fogo alto...
Ladrão de galinha, fogo baixo...

É possível fazer esta distinção?

Um abraço e sempre honrado com as suas respostas e atenção a minha pessoa.

Saudações

Responder
avatar
6/2/08 17:52 delete

Graça e paz amados

Infelizmente, o que eu vejo em algumas situações é que o pecado tem tamanho............o tamanho de quem peca, se for alguém grande na Igreja o pecado quase nem aparece e se for pequeno...ai dele.

Responder
avatar
6/2/08 21:29 delete

Não, não é a Igreja que pune, quem pune é Deus, a igreja exorta, a igreja confronta, a igreja aconselha, a Igreja ensina, a igreja discipula, a igreja faz todo o possível para levar o pecador ao arrependimento e à restauração, porém, os pecadores obstinados que não se arrependem que não se submetem a Deus e Sua Palavra, que não se deixam mudar, esses devem ser expulsos, cortados, deligado na terra, entregues a Satanás, etc... E o resto, fica à encargo de Deus. Sim, é fato que esse que se diz irmão e vive no pecado deve ser gelado, quer dizer, não devemos frequentar sua casa, comer com ele ou ter qualquer tipo de relação com ele, até que se arrependa, ou morra, se você entende isso como punição da Igreja, tudo bem, eu porém vejo isso como ordem de Deus e a igreja que tem juízo obedece... Sendo assim, se é ordem de Deus, como já disse em outro comentário, a Igreja não pune, ela é apenas instrumento da punição de Deus. Assim como, quando um pai disciplina um filho não é a vara que disciplina, mas quem a segura, assim também é com a igreja, ela é só a vara, quem disciplina é Deus. E é exatamente neste erro que muitas igrejas estão incorrendo, querem se colocar no lugar de Deus e inventam as punições mais esdruxulas, como impedir de tomar a ceia, ficar no banco ou coisas do tipo... Descidir qual é a punição, não é o papel da Igreja, a igreja segue o que a Bíblia diz, e a não ser na Lei de Moisés, não vejo nenhum texto do Novo Testamento dizendo como a Igreja deve punir o pecador (apedrejamento, ritual de purificação, etc), pelo contrário vejo textos mostrando como a igreja deve agir para levar o pecador ao arrependimento e a restauração, quando o pecador não se arrepende, termina o papel da igreja, cabe a ela somente desliga-lo, excluí-lo, etc... o resto, é com o pecador e Deus... e como diz a Bíblia, aí dele!!!

Responder
avatar
Lukas
AUTOR
9/2/08 18:20 delete

A paz do Senhor a Todos.

Acredito que haja mesmo um grande tamanho entre "pecadinho" e "pecadão"


A questão de punição creio eu que seja entre Deus e a pessoa e a Igreja em certos casos.

sobre disciplinar creio que não seria castigar castigar vem do verbo maltratar. Disciplinar creio que seria uma forma de corrigir e tentar ajudar a pessoa a não cometer mais o delito.

a paz.

Lukas Migliori

www.herochristian.blogspot.com

Responder
avatar
12/2/08 02:26 delete

Prezado Pb. Solano,

Saudações Fraternais e cumprimentos pelo ótimo post. Precisas, porque Bíblicas as suas colocações.
Tenho uma pergunta, ainda decorrente das colocações do Rev. Augustus agora somadas às suas.
O que leva alguns presbitérios a disciplinarem pecados de Pastores tão somente retirando destes a prática de "atos pastorais?
Pelo argumento colocado pelo irmão, ou seja, que um dos aspectos que agravam o pecado é a condição do ofensor, porque então muitos presbitérios apenas "tornam"
pastores em condições iguais àqueles irmãos fora do ministério?
Será o caso de Presbitério estar a merecer também disciplina por incorrer em ofensa?

No mais um grande abraço. Lamento não ter podido estar com o irmão no domingo na IPN. Felipe me ligou mas infelizmente não tive como deixar de lecionar na EDB para minha turma. Fica para próxima. Um abraço em você e em D. Beth.
Fiquem na paz do redentor.

Dilsilei Monteiro

Responder
avatar
Anônimo
AUTOR
12/2/08 10:06 delete

Caro Solano,

Que post bacana, quanta informação!

Pecado, pecadinho, pecadão! X Disciplina, disciplininha, disciplinão!

Ou quem sabe PERDÃO!

Lc 23.34 (...) “Pai, perdoa-lhes, porque não sabem o que fazem.” (...)
É o que Jesus pede a Deus Pai, aos que o crucificaram.

Jo 2.15: “tendo feito um azorrague de cordas, expulsou todos do templo, (...), derramou pelo chão o dinheiro dos cambistas, virou as mesas”

Na primeira passagem Jesus roga perdão aos ignorantes. Não disciplina aos que não saberiam ou não haviam entendido o seu pecado.

Na segunda, Jesus não pega um chicote, Ele faz um chicote (note que não era sangue quente de Jesus homem - que não pecaria de qualquer forma - mas gastou tempo para fazer um chicote), expulsa do templo, derruba dinheiro, e vira as mesas. Aqui houve disciplina.


Em Cristo,
N´Ele somente N´Ele
Carlos Henrique

Responder
avatar
26/2/08 05:45 delete

Caros Amigos:

Fui absorvido pela pressão de deveres funcionais e não tive oportunidade de agradecer ou inteagir com os comentários neste "post".

Desculpem.

Aqui vão algumas respostas:

Roger: Realmente, Deus perdoa qualquer pecado. É esse mesmo Deus que prescreve disciplina aos pecados. Foi ele que estabeleceu diferentes gradações de punição às quebras da lei - isso não foi arquitetado por mente humanas primitivas ou malevolas. É Deus, tamb´´em, que ordena disciplina na Igreja. Essas coisas não são contraditórias e o primeiro propósito da disciplina é, exatamente, a recuperação do faltoso. O segundo, "para que vejam e temam", ou seja, para que outros não sejam induzidos às mesmas faltas, achando que fica "tudo como dantes no quartel do abrantes".

Emerson: Classificação interessante, mas creio que não expressa tudo. Certamente há uma diferença entre a conjetura e a concretização (embora, nos ensina Jesus no sermão da montanha, a quebra da lei ocorre já na mente e não, necessariamente, na concretização - e essa quebra já nos torna "réu de juízo"). Na Bíblia encontramos gradação (diante de todos os aspectos que mencionei - contexto, quem pratica, quem é afetado, etc.) entre os pecados que são concretizados.

Creuse - Há um sentido em que "pecado é pecado", como você afirma. Mas isso não captura tudo. O que estou indicando é uma diferença "para pior" - existem alguns "mais ruins" do que outros. A afirmação de que "a igreja não pune ninguém por pecado cometido" - tem que ser entendida em um contexto. Ela não pune com açoites, com prisão, com castigos físicos. A igreja não tem poder de estado. Mas a igreja tem não somente a responsabilidade, como o poder delegado pelo próprio Cristo, de manter-se pura e essa pureza é, muitas vezes, obtida através do doloroso tratamento do pecado, dependendo do caso, com a exclusão do faltoso. Uma igreja que não pratica a disciplina, se corromperá e terminará adaptando sua compreensão da Bíblia à sua prática passiva. Dois extremos são perigosos: querer ser mais santo do que Deus (rejeitar o que Deus aceita; ter padrões humanos acima daqueles que são divinos) e querer ser mais benevolente do que Deus (aceitar o que ele rejeita). Como você mesmo diz, cabe a igreja "desligar" - essa é a punição cabível à igreja, mas tenho visto muitas que não exercitam disciplina "porque Deus aceita todos".

Cristiano - Obrigado pelo comentário.

Oliveira - que temos gradação de pecados, isso a Bíblia deixa bem claro. Quanto à condenação dos perdidos, vou até onde a Bíblia vai - vejo que há condenação e que ela é eterna, chamada de "fogo eterno". A questão é que o menor dos pecados já nos afasta da perfeita santidade de Deus; já nos faz merecedores da condenação eterna. Pensar diferente é não compreender e enormidade das nossas ofensas. Somente pela graça e misericórdia de Cristo é que escapamos da condenação, que todos nós - inimigos naturais de Deus, desde o nascimento - merecemos. Somos reconciliados com Ele, pelo poder que emana dle próprio. Hitler teve mais oportunidades e poder para demonstrar a depravação total da natureza humana, que é tão depravada quanto a do "ladrão de galinhas". Agora quanto ao julgamento temporal - aqui nessa terra, o "ladrão de galinhas" certamente cometeu o crime menor do que Hitler.

Lukas - Grato pelo comentário.

Dilsilei - Bem-vindo ao post. Desculpe o atraso na resposta. Está tudo bem em Brasília? Que pena não pudemos nos ver no dia 10.02.2008 quando estive falando na Igreja Presbiteriana Nacional. Existirão outras oportunidades. Quanto à sua pergunta, é difícil comentar essas situações "em tese", sem os detalhes dos casos específicos. Com certeza os líderes que ofendem devem ser disciplinados exemplarmente. O "espírito corporativo" às vezes fala mais alto, e a disciplina, em vez de ser exemplar, é atenuada. No entanto, uma situação legítima de remoção da possibilidade de ministrar os "atos pastorais" seria em uma falta onde houve o arrependimento claro e inequívoco, mas o testemunho e condição de liderança foi prejudicada. O pastor ou líder é restaurado ou considerado, como membro, mas não para continuar na liderança do Povo de Deus. Esse aspecto - de que o pecado e o testemunho manchado prejudica o exercício da liderança, é pouco entendido e aceito, especialmente por líderes que pecam e adoram falar do "amor de Deus" (esquecendo sua justiça e santidade) e querem a todo custo manter a liderança e o ministério que eles mesmo jogaram na lama. Alguns ainda passam o tempo todo ressentidos, enrustidos, amargurados, jogando pedras na igreja, porque não querem mais aceitar sua liderança. Esses, geralmente, modificam suas doutrinas e passam a "desencaminhar a muitos". Temos vários exemplos ao nosso redor.

Caro Carlos Henrique - Como você aponta, exisem várias situações. Em nenhuma delas está descartado o perdão, como não estão descartadas as responsabilidades dadas à igreja para disciplinar.

Um abraço a todos,

Solano

Responder
avatar
Anônimo
AUTOR
26/2/08 17:41 delete

Rapaz o Sr. faz mesmo jus ao sobrenome hein !? Já dá o assunto e já entra "solano", simplificando, biblificando e arrematando.

Posso voltar ?

Responder
avatar
Anônimo
AUTOR
19/3/08 09:31 delete

Senhores,

Permitam-me tecer elogios a todos, até mesmo aos comentários últimos: entrar "solano" foi bem interessante, levando-se em conta que só se faz isso em "portelas"...

Contudo, acho que não terei muito espaço de edição...

Por essas e outras não entro aqui "solano", contudo interrogativo: Os autores do livro(ou algum deles) são maçons?

Outras interrogações: "Mentira" por "verdade" faz parte de pecadinho? Mandar dizer ao amigo chato que não está é pecadinho? E como é que fica Apocalipse, que se refere a """todos""" os mentirosos?

Os autores do blog são maçons?

Agradeceria se me fosse respondido, pelo menos sobre a maçonaria. Entretanto, gostaria de pedir, se algum não for maçon, que ao '''não maçon''' que respondesse os questionamentos, caso isso seja possível.

Respeitosamente

Laudásio

Responder
avatar
21/3/08 01:04 delete

Caro Laudásio:

A loja preferida dos autores do Blog continua sendo as Casas Bahia!

Abs

Solano

Responder
avatar
caroline coufal
AUTOR
16/7/08 19:01 delete

Ola
de vez em quando passo pelo Blog para dar uma olhada e sempre vejo assuntos muito pertinentes ao nosso dia a dia e a nossa realidade. Esse assunto sobre "pecado e castigo" sempre me deixam com uma questao:
Porque a Igreja expoe a pessoa em pecado em publico. Entendo que a pessoa deva ser disciplinada (exortada), acompanhada para que nao peque mais, deve ser orientada a seguir um caminho diferente, mas, pq exposta ?
Acho que isso leva a pessoa a se afastar, se retrair, ser vista como um "pecador" maior que qq outro e leva as pessoas da igreja a olharem "torto" para esse irmao, ja tao fragilizado.
Na igreja que minha mae frequenta, varias vezes ja vi irmaos la na frente, tendo seus pecados expostos, sua vida. Qual o objetivo disso ? Pq o pastor e conselheiros nao tratam isso em "segredo", apoiando e ajudando a pessoa a superar isso ? Nunca gostei deste tipo de disciplina e isso foi um dos varios motivos que me fizeram procurar outro lugar para congregar.
Vc pode ate me dizer que isso e feito para que sirva de exemplo a igreja, de que a Igreja nao esta alheia a vida das pessoas e que nao aceita esse tipo de comportamento. Mas acho que mesmo assim, a humilhacao e grande demais, e isso ao meu ver, nao demostra amor.
Obrigada !

Responder
avatar