segunda-feira, junho 14, 2010

Paganismo versus Cristianismo - ou, Acaso versus Planejado.

Será que tudo que nos acontece é por acaso? Os acontecimentos, quer sejam bons ou maus, ocorrem acidentalmente, de maneira aleatória, sem que haja uma finalidade neles? Os que pensam assim, acham que Deus não determinou, decretou, ou planejou absolutamente nada com relação aos seres humanos, seu futuro histórico ou eterno, e muito menos os acontecimentos diários. Nada foi previsto ou determinado por Deus, inclusive os eventos naturais como terremotos, tsunamis, erupções vulcânicas, acidentes, quedas de aviões, enfim – nada foi previsto ou determinado por ele. Portanto, tudo é imprevisível como num jogo de futebol. Não se sabe o futuro, não se pode prever absolutamente nada quanto ao fim da história. Junto com seus seres morais, Deus constrói em parceria o futuro, que neste acaso é aberto, indeterminado e incognoscível. Inclusive para ele mesmo.

Ou, será que as coisas que nos acontecem, mesmo as menores e piores, têm um propósito, ainda que na maior parte das vezes desconhecido para nós? Os que pensam assim entendem que Deus criou o mundo conforme um plano, um propósito, um projeto, elaborado em conformidade com sua sabedoria, justiça, santidade, misericórdia e poder. Nada que acontece, mesmo as mínimas coisas, o fazem ao acaso e de forma aleatória, contingencial e casual, mas segundo este plano sábio. As decisões dos seres humanos são tomadas livremente por eles mesmos, mas, de uma forma que não compreendemos, elas acabam contribuindo para a concretização do propósito divino sem que Deus seja o autor do pecado. Tudo que ocorre, coisas boas ou ruins, estão dentro deste propósito concebido antes da fundação do mundo.

A melhor maneira de avaliarmos qual das duas é a visão correta é perguntarmos qual delas se aproxima mais da visão de Deus, do mundo e do homem que a Bíblia apresenta. Como os autores bíblicos concebiam o mundo, a história e os acontecimentos?

Ninguém que conheça a Bíblia poderá ter dúvidas quanto à resposta. Os judeus, ao contrário dos povos pagãos ao seu redor, não acreditavam em sorte, azar, acaso, acidente ou contingências. Eram os filisteus e não os israelitas que acreditavam que as coisas podiam acontecer ao acaso (veja 1Sm 6.9). Os israelitas, ao contrário dos pagãos, não acreditavam no acaso.

Para eles, Deus tinha traçado planos para os homens e as nações, e os mesmos iriam se cumprir inevitavelmente. Estes planos não poderiam ser frustrados por homem algum (Jó 42.2; Pv 19.21; Is 14.27; Is 43.13; Is 46.10b-11). Tais acontecimentos estavam tão inexoravelmente determinados que Deus dava conhecimento deles de antemão, através dos profetas. O fato de que os profetas de Israel eram capazes de predizer o futuro com exatidão era a prova de que o Deus de Israel era superior aos deuses pagãos (Is 46.9-10).

Os autores do Antigo Testamento sempre descrevem eventos que aconteceram aparentemente ao acaso como sendo o meio pelo qual Deus realizava seu propósito final. Assim, o arqueiro que atirou sua flecha “ao acaso” durante uma batalha acabou atingindo o rei de Israel e dessa forma cumpriu a profecia sobre sua morte (2Cr 18.33). A tempestade que atingiu o navio em que Jonas fugia para Társis não foi mera contingência, mas resultado da ação de Deus em levar o profeta a Nínive (Jn 1.4). O amalequita que vagueava “por acaso” nos montes de Gilboa foi o que encontrou Saul agonizante e o matou, cumprindo assim a determinação do Senhor de castigá-lo por ter consultado a pitonisa (2Sm 1.6-10; 1Cr 10.13). O encontro “casual” do profeta com um leão causou-lhe a morte e assim cumpriu a profecia contra ele (1Re 13.21-24). A visita casual que Acazias foi fazer a Jorão e o encontro fortuito com Jeú era tudo “a vontade de Deus” conforme o autor do livro das Crônicas, para que Acazias fosse morto (2Cr 22.7-9). Dezenas de outras passagens poderiam ser citadas para mostrar que na cosmovisão dos autores do Antigo Testamento nada acontecia por acaso, nem mesmo as pequenas coisas.

Até mesmo ações pecaminosas dos homens são atribuídas a Deus pelos autores do Antigo Testamento. O endurecimento do coração de Faraó para não deixar o povo de Israel sair é atribuído à Deus, que queria mostrar sua glória e seu poder sobre os deuses do Egito (Ex 7.3; 9.12). O endurecimento dos filhos de Eli para não se arrependerem do mal praticado é atribuído à Deus que os queria matar (1Sm 2.25). O endurecimento do rei Seom para não deixar Israel passar por sua terra é atribuído a Deus, que queria entregá-lo nas mãos de Israel (Dt 2.30), bem como o endurecimento de todas as nações cananitas (Js 11.20). Ao mesmo tempo, é preciso acrescentar, os israelitas não consideravam Deus como culpado do pecado humano. Ele era santo, justo, verdadeiro e não podia contemplar o mal (Hab 1.13). Todos estes mencionados acima foram responsabilizados por seus próprios pecados.

A visão de um mundo onde as coisas acontecem ao acaso, acidentalmente, sem propósito, é completamente estranha ao mundo dos israelitas conforme temos registrado na Bíblia.

Quando chegamos na pessoa de Jesus, encontramos exatamente a mesma visão de mundo, de Deus e da história, que é refletida no Antigo Testamento. Para Jesus, até mesmo coisas tão insignificantes como o número de cabelos da nossa cabeça (Mt 10.30) e a morte de pardais (Mt 10.29) estavam sob o controle da vontade de Deus. Ele era capaz de profetizar acontecimentos futuros tão triviais quanto o local onde se encontrava uma jumenta e seu jumentinho (Mt 21.2), que Pedro iria achar moedas na boca de um peixe (Mt 17.27) e que um homem estaria em determinado momento entrando na cidade com um cântaro na cabeça (Lc 22.10-12). Obviamente estas coisas não aconteceram por acaso.

Jesus se referiu à vontade de Deus e ao plano dele inúmeras vezes, como por exemplo, ao ensinar aos seus discípulos que tinha vindo ao mundo para morrer na cruz para salvar pecadores (Mt 17.22-23). As parábolas que Jesus contou sobre o futuro de Israel e sobre o dia do juízo deixavam pouca dúvida de que, para Ele, a história caminhava para um fim já traçado e determinado por Deus. No sermão escatológico Jesus predisse com exatidão a queda de Jerusalém, a fuga dos discípulos, o surgimento dos falsos profetas, as catástrofes, terremotos, secas, pestes e guerras que haveriam de suceder à raça humana e as perseguições que sobreviriam a seus discípulos antes de sua vinda (Mt 24).

Os discípulos de Jesus, os autores do Novo Testamento, tinham exatamente a mesma visão de um mundo onde nada ocorre por acaso. Tudo o que havia acontecido com Jesus, como o local do seu nascimento (Mt 2.5-6), sua ida ao Egito (Mt 2.15), sua vinda a Nazaré (Mt 2.23), seus milagres (Mt 8.16-17), sua traição (Jo 17.12), seu sofrimento e sua morte na cruz (At 3.18) – inclusive detalhes como beber vinagre (Jo 19.28-29), ter sua túnica rasgada (Jo 19.24) e seu corpo furado por uma lança (Jo 19.34-36) – tudo isto havia sido determinado por Deus em detalhes, a ponto de Deus ter revelado estes fatos cerca de seiscentos anos antes dos mesmos terem acontecido por meio dos profetas de Israel. Pensemos na probabilidade de atos, decisões e eventos acidentais, aleatórios, ao acaso, contingenciais, acontecerem de tal forma que estas coisas aconteceram exatamente como os profetas tinham dito!

Não só os fatos ocorridos com Jesus haviam sido planejados, inclusive aqueles que cercaram o nascimento da igreja cristã. A substituição de Judas (At 1.16-26), o dia de Pentecoste (At 2.14-17), a rejeição de Israel (At 13.40), a inclusão dos gentios na Igreja (At 15.15-20) – tudo aquilo havia sido determinado por Deus e previsto nas Escrituras pelos profetas. Veja a quantidade de vezes que no livro de Atos se menciona que a história de Cristo e da igreja haviam sido determinadas por Deus e anunciada pelos profetas: Atos 3.18,21-25; 10.43; 13.27,40; 18.28; 26.22.

Nas cartas que escreveram às igrejas, os autores do Novo Testamento jamais, em qualquer lugar, ensinaram os crentes que as coisas acontecem por acaso. Ao contrário, eles ensinaram os crentes que a conversão deles era resultado da vontade de Deus. Eles foram predestinados (Rm 8.29-30; Ef 1.5,11), escolhidos antes da fundação do mundo (Ef 1.4). Os crentes são ensinados a buscar a vontade de Deus, a se submeter a ela e a entender que a vontade de Deus controla a história (Rm 8.27; 12.2; Ef 6.6; Cl 4.12; 1Ts 4.3; 5.18; Hb 10.36; 1Pd 2.15). Até o sofrimento por causa do Evangelho era visto como sendo pela vontade de Deus (1Pd 3.17; 4.19). Eles foram ensinados a ver uma santa conspiração divina em tudo que acontece em favor do bem deles (Rm 8.28), a ponto de serem exortados a dar graças em tudo (1Ts 5.18). Eles são exortados a dizer sempre “se Deus quiser” farei isto ou aquilo (Tg 4.15). Paulo sempre dizia que “se for a vontade de Deus” ele iria a este ou aquele local (Rm 1.10; 15.32). Ele sempre começa suas cartas dizendo que foi chamado “pela vontade de Deus” para ser apóstolo (1Co 1.1; Ef 1.1; Cl 1.1; 2Tm 1.1).

Os cristãos são encorajados a enfrentar firmes as provações e tentações, pois Deus não permitirá que eles sejam provados além de suas forças (1Co 10.31). Eles devem sofrer com paciência em plena confiança que o Deus que está no controle de todas as coisas lhes dá a vida eterna e que ninguém poderá arrancar seus filhos de suas mãos. Eles são consolados com a certeza de que Deus haverá de cumprir todas as suas promessas, e que há um final feliz para todos os que confiam nele e crêem em Jesus Cristo como seu único e suficiente Salvador. Eles são exortados a permanecer firmes pois o bem haverá de triunfar sobre o mal, a justiça prevalecerá e a verdade haverá de vencer. E isto só é possível porque Deus está no controle, porque Ele conduz a história para o fim que Ele mesmo determinou, de uma maneira sábia e misteriosa, na qual os seres humanos e os anjos são responsáveis por seus atos, decidem fazer o que querem e tomam as escolhas que desejam.

À semelhança dos autores do Antigo Testamento, os escritores do Novo também atribuem a Deus o fato de que os ímpios e pecadores impenitentes se afundam cada vez mais no pecado. Paulo por três vezes em Romanos 1 declara que Deus entregou os incrédulos de sua geração à corrupção de seus próprios corações, para que eles se afundassem ainda mais no pecado e na iniqüidade (Rm 1.24,26,28). Aos tessalonicenses, ele declara que Deus manda a operação do erro para que os que rejeitam a verdade e creiam na mentira (2Ts 2.11). Igualmente, à semelhança do Antigo Testamento. O Novo responsabiliza os seres humanos por seus próprios pecados e condenação.

É evidente que não será na Bíblia que encontraremos esta visão de um mundo onde as coisas acontecem por mero acaso, onde tudo é casual e contingencial. Mas, vamos encontrá-la na mentalidade pagã, nas religiões idólatras, de deuses pequenos, impotentes, egoístas. Vamos encontrar esta visão de um mundo onde as coisas ocorrem de maneira aleatória nas idéias dos maniqueístas e gnósticos, ateus e agnósticos, especialmente os evolucionistas, que defendem que tudo surgiu e acontece como resultado de uma combinação fortuita de tempo e de acaso.

Os verdadeiros cristãos, todavia, cantam “acasos para mim não haverá”.

Se tudo acontece por acaso, que combinação inimaginável de ações livres, aleatórias e catástrofes naturais fortuitas poderão unir-se numa conspiração impessoal e totalmente ao acaso para produzir o final que Deus prometeu na Bíblia? Se Deus não é Deus, então o acaso se torna Deus e não temos qualquer garantia de que o final feliz prometido na Bíblia haverá de acontecer.

Não nos enganemos. A discussão entre acaso versus planejamento não é uma disputa teológica entre cristãos arminianos e calvinistas, pois os arminianos e os calvinistas concordam que Deus tem um plano, que ele controla a história, que não existe acaso e que Ele conhece o futuro. Ambos aceitam a Bíblia como Palavra de Deus e querem se guiar por ela. O confronto, na verdade, é entre duas visões de mundo completamente antagônicas, a visão pagã e a visão bíblica, entre as religiões pagãs e a religião bíblica. Posso não entender tudo sobre este assunto, mas prefiro mil vezes ficar ao lado dos autores da Bíblia do que ao lado de filósofos, teólogos e poetas ateus, agnósticos e racionalistas.

36 comentários:

MAC disse...

Graça e paz Rev. Augustus.

Ótimo post. Me deixou beeeeem pensativo.
Mas só uma pergunta. Aqueles eventos bíblicos "casuais" que o sr. cita, como por exemplo, a flecha que causou a morte do rei de Israel (2Cr 18.33) não apóia a linha chamada de determinista? Como aqueles que defendem a livre agência entendem uma passagem como essa que, conforme o sr. diz no post, não é obra do acaso?
Digo isso porque, se o arqueiro tivesse demorado alguns milésimos de segundo, ou ainda tivesse mirado alguns centésimos de milímetros para a esquerda ou para a direita a flecha não teria atingido o alvo.
Sei que isso pode entrar na categora dos "mistérios" de Deus, mas estou apenas procurando respostas, já que sou leigo a respeito de assuntos relacionados ao calvinismo e/ou arminianismo.

Um abraço.

Em Cristo, Mac.

Anônimo disse...

Só para entender, não é um desafio!

1° Deus determinou o pecado de Adão? Caso tenha determinado então com que propósito ele criou o homem?

2° Deu determinou a queda de Lucifer?

3° Se tudo já estava determinado por Deus, então dentro dessa teologia não haverá o Julgamento Final onde iremos "prestar contas" à Deus?

4° Deus predestinou a Ele mesmo, através da pessoa bendita de Jesus para morrer na Cruz?

Obrigado!

Música, Ciência e Teologia disse...

Sempre vejo os proponentes de uma teologia aberta escreverem artigos sobre a “incapacidade” de Deus diante das tragédias naturais e dos acidentes, reputando a eles fatores contingenciais. Mas nunca nenhum deles escrever que, por fatores contingenciais, uma adolescente sobreviveu depois de um destare aéreo, ou que alguns bebês não morreram aropelados pelo trem do metrô na Austrália, ou que gente perdida na selva foi achada com vida depois do terremoto do Haiti!!!

Quer dizer que Deus não pode conter um terremoto ou maremoto e também não pode preservar algumas vidas desses desastres!!!!

“Louvadas sejam as contingências!!!!” Que ridículo.

Até mais, Marcos.

Anônimo disse...

O que eu vejo em tudo isso, não é um mistério, mas sim, um amontoado de CONTRADIÇÕES! Digo isso com conhecimento de causa, pois durante muitos anos de minha vida li os argumentos dos maiores apologetas da Bíblia, que tentaram harmonizar várias passagens irreconciliáveis. Até um certo momento, tais respostas me convenciam. Mas chegou um momento em que parei e vi que não dava pra tapar mais o sol com a peneira. Quando vi que os maiores e mais conceituados teológos inerrantistas não conseguiam fazer tal apologética com sucesso, tive que admitir que os textos sagrados tinha contradições. E contradições que só não ver quem não quer!!

Uma dessas contradições seria toda essa polêmica entre liberdade humana e soberania divina. Quando encontramos coisas bem menos complicadas que essas em algum outro livro sagrado, logo dizemos que é uma contradição. No entanto, quando vemos algo estranho (digo estranho mesmo) na Bíblia, aí a história é outra, é mistério. Dois pesos e duas medidas. É como falou um pastor amigo meu, que tudo começa na fé e termina nela. Acredita quem quiser, apesar muitas vezes das evidências contra.

Recentemente vi uma resposta do Willian Lane Craig, sobre inerrância e ressurreição. Ele disse que a ressurreição não pressupõe a inerrância. Sábias palavras. Porque se dependesse, estávamos perdidos. Sei que é perigoso ver as escrituras com certos erros. Mas defender a inerrância da mesma em meio a um monte de disparidadaes do texto é se passar pelo ridículo. E esse interminável problema entre soberania divina X liberdade humana é uma das mais claras contradições do texto sagrado.

Sei que muitos dogmáticos ficaram de orelha em pé lendo isto. Mas é o que eu vejo no momento.

Durval

fha disse...

Prezados Solano, Mauro e Augustus,

As vezes vocês nos surpreendem com alguns posts sobre cinema, motos e motoboys. Será que, aproveitando o clima da copa, não rola um post com alguns palpites sobre a seleção ? Seria Dunga um 'predestinado' a ser campeão ?

Só pra amenizar....

Um abraço,

fha.


fha

Ricardo Mamedes disse...

Caro articulista,

Eu leio afirmações como esta feita logo acima pelo quase anônimo (Durval) e me surpreendo com a capacidade que algumas pessoas têm de mistificar a verdade Bíblica. É uma tentativa desesperada para desacreditar a Bíblia, bem própria de liberais e neo-ortodoxos. Estranho porque não possuem a capacidade de refutar a soberania de Deus com responsabilidade humana, via de argumentos bíblicos, sobrando-lhes a alternativa de relativizar a própria Bíblia. Como discutir com eles? Sinceramente, penso que é uma discussão estéril...

Tenho a mesma ideia que o articulista com relação a arminianos: penso que a sua visão não lhes impede de serem verdadeiros cristãos, ao contrário dos liberais.

Não há argumento bíblico que demonstre o contrário do que foi mostrado no artigo, especialmente sobre o cumprimento exato das profecias, inclusive da crucificação de Cristo, como tão bem alinhavado no bojo do artigo.

Amo o salmo 139, e penso que ele expõe de maneira inconteste a soberania de Deus sobre a criação, especialmente o verso 16:

"Os teus olhos me viram a substância ainda informe, e no teu livro foram escritos todos os meus dias, cada um deles escrito e determinado, quando nem um deles havia ainda".

Diante disso, como crer em um Deus que não determina a história do mundo, a despeito das contingências, do "acaso", das circunstâncias "imprevisíveis"?

Concordo que falta-nos entendimento para compreendermos à exaustão muitas das ações de Deus, ainda quando conseguimos explicá-las e aceitá-las, como no caso do determinismo Divino vs responsabilidade humana, exatamente porque os pensamentos de Deus são mais altos.

Não somos nós, os reformados, que queremos exaurir o Criador, mas os da Teologia aberta, os liberais, na vã tentativa de "explicar deus" fazendo-o quase humano, domando-o, prendendo-o nos seus intelectos arrogantes, a fim de aceitá-lo. Eis que eles constroem o seu deus, de uma maneira que nós não conseguimos e tampouco queremos construir o nosso Deus.

Coincidentemente escrevi dois posts no meu blog sobre Evolução, teísmo e ateísmo: síntese do pensamento de Francis S. Collins ("A linguagem de Deus"), versando sobre a questão da evolução e da fé (criacionista). E uma outra fé que se apoia exclusivamente no intelecto (pelo que parece), tentando conciliar ciência e fé.

Enfim, não duvido da Bíblia, por isso creio firmemente que Deus de fato cega o entendimento de muitos, enviando-lhes a operação do erro...


Ricardo.

tania cassiano disse...

Rev.
Quando no post o senhor, fala que tudo, até as mínimas coisas são permitidas por Deus, uma das passagens que me impressionou foi em 2Sam 16.10. Seria esse,também, um exemplo da vontade permissiva de Deus? Quando alguém age dessa maneira com alguém, de alguma forma Deus "mandou"? E não deveríamos reagir?
(Só prá ver se estou entendendo...)
Deus o abençoe.

Danilo Neves disse...

"Vi ainda debaixo do sol que não é dos ligeiros o prêmio, nem dos valentes, a vitória, nem tampouco dos sábios, o pão, nem ainda dos prudentes, a riqueza, nem dos inteligentes, o favor; porém tudo depende do tempo e do acaso." (Ec 9.11, ARA).

Como eu devo entender acaso aqui, reverendo? É apenas uma dúvida pontual que tenho. Sou favorável a tudo o que o senhor escreveu neste post.

Abç.

junior disse...

"As decisões dos seres humanos são tomadas livremente por eles mesmos, mas, de uma forma que não compreendemos, elas acabam contribuindo para a concretização do propósito divino sem que Deus seja o autor do pecado". Ao ler esta frase, compreendo por que dizem que ser cristão é algo que se dá somente a partir da disposição de um gande sacrifício intelectual...

Anônimo disse...

O "acaso" não acontece por acaso!

Oliveira disse...

Bravo professor!
Poderosa reflexão!
Prega a "loucura" do Evangelho com coragem.

Quanto à autoria do pecado eu fico "sobre o muro":

- Por um lado, Deus não é o autor do pecado do ponto de vista da ação do mesmo. Quem peca é o homem. Estão certos então o senhor, a famosa Confissão de Fé, etc...

- Por outro lado, Deus é o autor do pecado do ponto de vista da causação deste e do decreto soberano. Ninguém vai pecar diferente daquilo que Deus já decretou. Deus não se supreende com alguém pecando diferente do que Ele já previu. Logo igualmente estão certos os deterministas bíblicos e o Vincent Cheung.

Estão a olhar por diferentes ângulos.

Abraço!

PS: Caro Mac, você acertou na mosca... não estás longe de ser um determinista bíblico. Não existe livre agência autônoma, fora dos decretos de Deus. Receba o meu abraço joinvillense.

Maykon Johny disse...

"Ao ler esta frase, compreendo por que dizem que ser cristão é algo que se dá somente a partir da disposição de um gande sacrifício intelectual..."

Sacrifício intelectual não, apenas humildade para reconhecer que a realidade, seja ela na dimensão espiritual ou concreta, é muito mais complexa do que a nossa limitadíssima mente pode compreender...

Particularmente acho muita soberba a atitude de reduzir a realidade somente ao que é compreensível ou ao que é percebido sensorialmente por nós, como fazem muitos defensores das racionalidades laicas... ou seja, real é somente aquilo que entendo, vejo e toco...

Só que muito diferente dos que se auto-intitulam "detentores da razão", isto também não deixa de ser uma atitude de fé... A diferença é que a fé deles está num deus que se encontra no reflexo do espelho, e a minha fé está no Deus que se encontra em toda a parte, regendo esta realidade de forma soberana...

Mas segundo esta lógica por eles defendida, a que critica a fé ou o "sacrifício intelectual", a própria existência do pensamento seria algo difícil de se aceitar, uma vez que ninguém nunca conseguiu ver, tocar, sentir ou explicar com um determinado grau de razoabilidade e fundamentação em evidências a origem e o propósito do pensamento... Só que apesar disto, o pensamento é real... alguém duvida? E por que o Deus da Bíblia seria menos real? Pq minha mente não compreende o seu Ser de forma plena? Pq nunca o vi pessoalmente, nem o toquei e nem o senti? É muito mais conveniente rotular de “contradição” aquilo que não tenho capacidade de compreender, só que é muito mais arrogante tbm... típico da decadência humana pós-queda.

Crer no Deus das Escrituras Sagradas pode até ser uma atitude que exija muita fé [aliás, exige tanta fé que a nossa não é suficiente... ela tem de ser um dom divino], mas não uma atitude que exija menos razão... Forte abraço a todos e até mais...

Johnnatahn disse...

Rev.: Augustus

Parabéns pelo Texto.
Realmente em seus textos o senhor sempre procura seguir o exemplo Bíblico, ou seja, sempre mostrar tanto a Soberania de Deus como a Responsabilidade Humana.

Que Deus continue iluminando a sua mente.

Anônimo disse...

Maikon Johny

Como vc sabe que o seu deus “se encontra em toda a parte, regendo esta realidade de forma soberana..”?????? Com base em que?? Na sua experiência? Ela é regra para todos? Você sente no fundo do seu coração que está certo? Ah, é o testemunho do Espírito Santo! É pura subjetividade tudo isso que você falou!

Para se acreditar em muitas partes das Escrituras, é preciso mesmo de muito sacrifício intelectual. Assim como para acreditar em outras cosmovisões. A cosmovisão cristã não responde toda a complexidade da vida de maneira satisfatória. E também, nem as outras! Sempre permaneceram as dúvidas se a cosmovisão bíblica é mesmo verdadeira!

Durval

Marcos disse...

Pr.,
o que o sr. pensa acerca do evolucionismo teísta?
Não se engane, eu acredito piamente que Deus criou tudo o que existiu. Mas também vejo boas evidências de que a evolução também é verdadeira, e não acho que uma coisa seja inconciliável com a outra.
Afinal, qual seria o erro bíblico em pensar que Deus criou um ser vivo do nada, que seguiu a evolução e culminou no que vemos hoje? Assim como o movimento das partículas de poeira no ar, o acaso aqui seria apenas aparente - Deus está orquestrando estas situações!

Pr. Izaque Barbosa disse...

Olá Rev. Augustus,
Parabéns pelo post. Esse faz uma ligação com o anterior, aquele mais teológico, esse mais bíblico. Considero o seu post um valioso presente para mim. Isto porque que tenho me empenhado em compreender o calvinismo. Em minha formação acadêmica pentecostal, não pude aprofundar nos detalhes da controvérsia pós-reforma entre arminianos e calvinistas. Então, a partir daí, tenho estudado muito e procurado um equilíbrio entre esses dois sistemas teológicos, porém vejo ser muitíssimo difícil, talvez impossível. Admiro muito a profundidade dos calvinistas nos assuntos teológicos e lamento a superficialidade dos teólogos pentecostais. Atualmente estou lendo Hodge, Berkhof, Strong, Grudem, Lutero e outros.
Doutor, com vistas a um melhor entendimento, sem entrar em "questões intermináveis", gostaria de perguntar ao senhor o seguinte:
Lutero disse que Deus se torna o diabo quando determina o mal. Como o calvinismo entendeu isso? E qual seu posicionamento?
Antecipo os agradecimentos pela resposta.
Que o Senhor Jesus continue te abençoando.

Eduardo Medeiros disse...

Prezado Augustus

Concordo plenamente com o Sr de que o Deus bíblico, dirige a história. Mas não é assim também em outras culturas religiosas antigas? Não eram os deuses os responsáveis pelos infortúnios e vitórias humanas?

Creio que não dá prá conciliar um Deus que dirige a história sem determiná-la, logo, a tese é sim, determinista, pelo menos no meu entender.

E o Sr mesmo expôs no texto anterior que há "mistérios" aí que não se pode explicar, senão pela fé.

Será mesmo que Deus predestinou que nesse momento eu estaria postando esse comentário aqui e ainda por cima eu estaria questionando sua determinação?

Para mim é um mistério.

Maykon Johny disse...

Durval...

Primeiramente, quis compartilhar esta reflexão pq acredito que fé não é uma especificidade dos religiosos, mas de todo o ser pensante independente do grau de complexidade da cosmovisão professada por ele. Neste sentido, não existe descrente pois todos professam crer em algum tipo de leitura da realidade. Mas o problema é que já faz um bom tempo que a “fé enquanto sacrifício intelectual”, acabou virando senso comum nas academias.

E me dispus a escrever isto baseado num comentário que deixou subentendido que ter fé, e especificamente ter fé no Deus da Bíblia, não passa de mero “sacrifício intelectual”, uma vez que Ele, em sua soberania, não pode ser compreendido em toda sua plenitude pela mente humana... ou seja, crer naquilo que minha mente não pode compreender plenamente deve ser taxado de inverdade, e que ser razoável é considerar real somente aquilo que minha mente é capaz de processar de forma plena... e é justamente nesta postura, que considero arrogante, que reside a minha crítica pois ela subestima a realidade com o seu reducionismo sistemático, por isso dei o exemplo do pensamento.

Agora quanto a sua indignação expressa nestas fileiras de pontos de interrogação qdo expus minha convicção no Deus da Bíblia, seguida de uma série de questionamentos, vou te dizer algo:

Vc pergunta “com base em que” eu afirmo crer num Deus soberano, e eu digo que com base na Bíblia pois ela me é suficiente para isso, afinal, sou cristão.

Vc pergunta se “isso é regra para todos” e eu te pergunto: Qdo eu disse que isso é regra para todos? Se eu disse, mostre-me onde! Crer no Deus da Bíblia nunca foi regra para todos, mas somente para os eleitos de Deus que foram predestinados para isso (Rom. 8:29). É aí que está a base da minha certeza: no conhecimento de Cristo, nas Escrituras, e não em qualquer experiência mística irracional oriunda de algum tipo de transe ou algo do gênero. As Escrituras bastam para o cristão.

Vc afirma que “a cosmovisão cristã não responde toda a complexidade da vida de maneira satisfatória”, e eu te digo que ela não responde mesmo... mas ela não responde pq não é para isso que ela existe. A Bíblia, base da fé cristã, não foi escrita para mostrar tudo aquilo que o ser humano deseja saber, mas para mostrar aquilo que o ser humano precisa saber: a sua condição de pecado diante de Deus e qual providência deve ser tomada diante disto.

Agora, os humanistas acham que tudo isso não passa de mera “subjetividade”, pois eles consideram a fé cristã como sendo mais uma corrente filosófica, dentre tantas outras. Ou no máximo, um amontoado de regras moralistas de comportamento e convenções sociais, repetindo o mesmo erro de teóricos humanistas, crentes nas racionalidades laicas, como Nietzsche que escreveu o que escreveu sobre o Cristianismo justamente por desconsiderar aquilo que é o mais importante em todo esse processo: o Sagrado.

Mas a questão é que a revelação do Sagrado [ou seja, crer que a Bíblia é, antes de mais nada, a Palavra de Deus, e não apenas mais um livro de filosofia] é dada por Deus somente aos eleitos. Os demais, continuarão lendo a Bíblia e conhecendo a história de Cristo, sem conhecer a pessoa de Cristo... Daí não é de se estranhar que nada na Bíblia e no Cristianismo faça sentido para eles...

MAC disse...

Preciso dizer que as passagens abaixo são um "espinho no meu cérebro".

Eze 14:9 E se o profeta for enganado, e falar alguma coisa, eu, o SENHOR, terei enganado esse profeta; e estenderei a minha mão contra ele, e destrui-lo-ei do meio do meu povo Israel.
Eze 14:10 E levarão sobre si o castigo da sua iniqüidade; o castigo do profeta será como o castigo de quem o consultar.


1Ki 22:21 Então saiu um espírito, e se apresentou diante do SENHOR, e disse: Eu o induzirei. E o SENHOR lhe disse: Com quê?
1Ki 22:22 E disse ele: Eu sairei, e serei um espírito de mentira na boca de todos os seus profetas. E ele disse: Tu o induzirás, e ainda prevalecerás; sai e faze assim.
1Ki 22:23 Agora, pois, eis que o SENHOR pós o espírito de mentira na boca de todos estes teus profetas, e o SENHOR falou o mal contra ti.


Ou é 8 ou é 80. Então, entendo que Deus tem controle sobre tudo, absolutamente, e a Sua soberania sempre prevalece até mesmo em ocasiões como as descritas acima.
É bem verdade que na minha cabeça a pergunta "como pode?" sempre fica martelando. Por outro lado, o Deus que eu sirvo é o mesmo daquele do Apocalipse, que tem a história em Suas mãos e nos conforta com a certeza da vitória sobre o pecado, a morte, o inferno e o Diabo (Ap 20).

Glória a Deus!

Em Cristo, Mac.

junior disse...

Quando disse que a frase apontada despertava o sentimento de que só era admissível mediante sacrifício intelectual, não estava criticando a fé cristã ou a Bíblia, mas as explicações que se querem bíblicas mas não passam de racionalizações de quem não conegue perceber sequer as etapas do processo revelatório. A formulação do sr. A. Nicodemus é aparentemente bíblica, mas somente às expensas da negação de um dado muito caro à fé: Jesus Cristo ilumina toda a Escritura, inclusive mostrando a superação da visão que faz de Deus o autor de males ao ser humano. A frase que destaquei é incompreensível de um ponto de vista humano; ela é humanamente ilógica e indefensável. Não pode ser confundida com a riqueza e profundidade de uma teologia bíblica minimamente consequente.

Anônimo disse...

O Reino da Confusão

Eis como percebi algumas mensagens contraditórias, vistas em conjunto,vindas dos púlpitos cristãos:

"Não há nada que você possa fazer pela sua salvação, pois tanto a iniciativa como a finalizaçao são de responsabilidade exclusiva de Deus. Entretanto, se você não tiver a a fé e o amor que Deus deveria ter-lhe dado, mas que, por decisão soberana, lhe negou, você irá para o inferno. Arrependa-se!
"

Como um ser pensante-sensível pode aceitar esse tipo de "aparente" contradição?

Anônimo que está tentando entender o cristianismo que lhe foi infundido na infância.

Maykon Johny disse...

Junior...

Mas não é somente a frase do Rev. Nicodemus que é incompreensível, ilógica e indefensável do ponto de vista humano, mas toda a fé cristã também. Afinal, o próprio Apóstolo Paulo disse em I Coríntios 1:21-23:

21 Visto como na sabedoria de Deus o mundo não conheceu a Deus pela sua sabedoria, aprouve a Deus salvar os crentes pela loucura da pregação.
22 Porque os judeus pedem sinal, e os gregos buscam sabedoria;
23 Mas nós pregamos a Cristo crucificado, que é escândalo para os judeus, e loucura para os gregos.

E agora cabe a mim ter a humildade de reconhecer que do ponto de vista do Apóstolo Paulo, a sua afirmação de que “ser cristão é algo que se dá somente a partir da disposição de um grande sacrifício intelectual“ estava mesmo correta, meu caro. Afinal, o Cristianismo sempre será considerado um “sacrifício intelectual”, uma loucura escandalosa e um absurdo lógico[segundo gregos que buscam sabedoria] desprovido de evidências satisfatórias [segundo judeus que pedem sinais] pela racionalidade humana, que verá doutrinas bíblicas fundamentais como a soberania divina caminhando lado a lado com a liberdade humana como sendo apenas “racionalizações” ou meras interpretações particulares convenientes com os interesses de determinados grupos eclesiásticos.

Mas o mesmo Aposto Paulo afirma em I Coríntios 1:25,27-29:

25 Porque a loucura de Deus é mais sábia do que os homens; e a fraqueza de Deus é mais forte do que os homens.
27 Mas Deus escolheu as coisas loucas deste mundo para confundir as sábias; e Deus escolheu as coisas fracas deste mundo para confundir as fortes;
28 E Deus escolheu as coisas vis deste mundo, e as desprezíveis, e as que não são, para aniquilar as que são;
29 Para que nenhuma carne se glorie perante ele.

O que a racionalidade humana tem de melhor, não passa de loucura diante de Deus, justamente por que ela desconsidera o aspecto mais importante de tudo isso, que já fora citado no post anterior: o Sagrado. Vou repetir mais uma vez que sem a compreensão deste [que é adquirida unicamente por Dom Divino], a fé não faz sentido. Até mesmo Eliade, que é unanimidade em todas as acadêmicas do mundo como grande pesquisador e filósofo das regiliões no Sec.XX, e que não era cristão disse muito bem:

“... um fenômeno religioso somente se revelará como tal com a condição de ser apreendido dentro da sua própria realidade, isto é, de ser estudado à escala religiosa. Querer delimitar este fenômeno pela fisiologia, pela psicologia, pela sociologia e pela ciência econômica, pela lingüística e pela arte, etc... é traí-lo, é deixar escapar precisamente aquilo que nele existe de único e irredutível, ou seja, o seu caráter sagrado.”

Acho que nem o próprio Eliade tinha noção da profundidade desta afirmação feita por ele, que eu resumiria da seguinte forma: “Quer compreender um pouco sobre o Deus das Escrituras? Então creia nEle.”

Abraço a todos...

Jose disse...

« Le hasard, c’est Dieu qui se promène incognito »
« Ce qui est incompréhensible, c’est que le monde soit compréhensible »
« L’idée que l’ordre et la précision de l’univers, dans ses aspects innombrables, serait le résultat d’un hasard aveugle, est aussi peu crédible que si, après l’explosion d’une imprimerie, tous les caractères retombaient par terre dans l’ordre d’un dictionnaire »
Qu outra, que não possuo no original:
"Se existe o acaso, então Deus também é Senhor do acaso"

Todas citações de Pierre Teihard de Chardin.

Rev. Djaik disse...

Prezado Rev. Augustus, apesar de nunca ter escrito algum comentário aqui, sempre aprecio os seus posts quando posso lê-los. No entanto, fiquei pensando que quando o senhor diz que tudo aquilo que Deus "determinou" não o torna "autor do pecado" precisa de algum esclarecimento, pois se eu estabeleço (e possa fazer isso) que alguma coisa vá acontecer, então de alguma forma eu sou o autor daquilo, ainda que não seja o executor ou, no caso de Deus, ainda que não cometa o pecado. Talvez seja melhor dizer que Deus não pode ser acusado de pecar, quando determina o pecado de alguém,visto que para pecar teria que haver um padrão maior do que Ele mesmo que estabecesse de alguma forma o seu pecado.

Rafael Galvão disse...

Deus é mais inteligente do que pensamos, ele basicamente não pode ser surpreendido. Isso me faz lembrar que um ateu disse ter provado que Deus não existe, porque ele não respondeu ao seu ultimato para matá-lo; para nós ele não passa de um tolo. Bela postagem!

Anônimo disse...

Sobre o pecado

Deus não pode pecar, pois, ele está acima do bem e do mal.

Pecar trata-se de uma percepção humana, de acordo com a consciência de cada um. Se um homem é materialista, ele não peca ao agir de forma materialista. O que acontece, nesse caso, é que ele está enganado. Comete um erro por ignorância, pelo qual terá de pagar de acordo com as leis espirituais.

Se o homem se diz cristão, então sua consciência acusa como pecado tudo aquilo que Cristo diz que é pecado. Mas, neste caso, se o pecado não for intencional, o pecador já está, antecipadamente, perdoado, embora deva receber as lições devidas para suprir sua ignorância.

Se, alegando conhecer a verdade, insurge-se contra ela, só neste caso há pecado. E a pena tanto pode ser automática, no caso de leis que vigem na condição terrena, quanto remota, no caso de leis que vigem na eternidade, sobre o espírito.

Bem, foi isso consegui depurar de meus estudos e reflexões até o momento.

Marcos disse...

Ao último anônimo:

Pecar não trata-se de uma percepção humana, e sim a um insulto ao Deus gracioso e amoroso!
E não existe pecado não-intencional: todo pecado é intencional. Se alguém fez algum mal a outro sem perceber, sem a intenção, sem saber que causaria esse mal, daí sim talvez poderia-se dizer em não haver culpa. Lembrando que pecado, em sua essência, não é contra os outros, mas contra Deus.

Solano Portela disse...

Caro Anônimo das 12h54m;

Você quase acerta no primeiro parágrafo, mas devia ter ficado só até lá. Na realidade, mesmo ali, não é correto dizer que Deus está "ACIMA do bem e do mal".

Bondade é um dos atributos de DEUS - O salmo 73.1 expressa isso.

Anônimo disse...

"Bondade é um dos atributos de DEUS - O salmo 73.1 expressa isso."

Sim. Deus é o Supremo Bem. Por isso não peca, nem pode pecar.

Só a criatura pode pecar. Sob essa perspectiva, como Deus criou o homem, e tudo que há, então pode-se dizer, de acordo com a lógica da criatura, que Deus "é o autor do pecado" que a criatura comete. Mas essa é a lógica da criatura.

Em outras palavras: a existência do homem na Terra é como um filme. Real para os participantes do filme. Mas logo logo o filme chegará ao fim para cada ator que dele participa.

Senhores, eu apenas interpretei, de acordo com a minha consciência, assim como fez Lutero. Como Lutero não teve a mesma interpretação de Calvino, nem este a mesma interpretação de Armínio, não briguemos pelas nossas interpretações.

Só tomaremos conhecimento da verdade quando chegarmos lá, junto a Cristo, que nos apresentará ao Pai. Minha lógica é nada diante da glória de Deus. E não importa o quanto eu esperneie.

Eu me rendo à soberania de Deus. Mas, de vez em quando sou tomado por surtos de rebeldia!

Amém

Anônimo disse...

Tudo foi planejado, mas deixou-se ao acaso a realização de alguns planos?

Qualquer coisa que aconteça só acontece porque houve um planejamento prévio, pelo menos em potencial. Isto é, tudo segue leis, mas nem sempre essas leis são conhecidas pelos homens. Essas leis são a vontade de Deus.

Entretanto, por que não admitir que a realização de certos planos ficou condicionada ao encontro dos fatores conjunturais necessários para que se realizem, e isso seguindo o um quase-acaso?

Por exemplo: nem sempre os casais perfeitos se encontram neste mundo. Contudo, nas celebrações religiosas afirma-se, mecanicamente, que o casamento foi a vontade de Deus e que o homem não pode separar o que Deus uniu.

Se uma mulher ou homem, por falta de "planejamento", escolhe um cônjuge psicopata, por exemplo, está condenado a ser assassinado por ele sem reagir? Não é melhor assumir que Deus não fez essa união?

Estou apenas falando hipoteticamente para ilustrar a questão Planejamento x Acaso.

Eber disse...

Professor Nicodemus, como vai?
Fui aluno seu no SPN, na reitoria do Chiquinho (Francisco Tschalwisc!!!).
Tenho interesse especial por hermenêutica e exegese, gostaria de saber se poderia me indicar uma livro que tenha conteúdo das diferentes correntes hemenêuticas ao longo da história, inclusive judaica. Parabéns pelas postagens têm excelência de clareza e conteúdo. Abraços

Ebenezer Itamir Fonseca
Brasília,DF

Augustus Nicodemus Lopes disse...

Caro Ebenezer,

Tente meu livro "A Bíblia e Seus Intérpretes" que trata desse assunto. Pode ser adquirido na Casa Editora Presbiteriana.

Abs.

Anônimo disse...

Prezados senhores do blog O Tempora, O Mores,

Sou católico-romano e tenho 21 anos. Meu nome é Ricardo. Tenho me interessado muito pelas perspectivas calvinistas. Mas em alguns pontos específicos tenho dúvidas sérias. Já li muita coisa na internet e em livros, mas sinto necessidade de conversar diretamente com calvinistas bem informados e que vivam essa doutrina. Só assim, numa conversa franca, para resolver minhas dúvidas. Os assuntos específicos são o evolucionismo e a ideia da "certeza da salvação" (assuntos de natureza bem diversa, como pode-se notar). Como posso encontrar calvinistas dispostos a uma conversa? Poderia ser por MSN ou email.

Até mais, fiquem com Deus.

Diego Ramon disse...

Querido irmão,
Graça e paz!
Certamente você está ciente da situação dos Pernambucanos da zona da mata sul. Dezenas de cidades estão em situação de calamidade. E irmãos Presbiterianos perderam tudo!
O Seminário Presbiteriano do Norte – SPN promoveu uma reunião de pastores e líderes para viabilizar essa ação social. Nesta reunião, formou-se a estrutura do PROJETO REPARTIR, refletindo os fundamentos bíblicos da missão integral da igreja.
A Junta Patrimonial Econômica e financeira da Igreja Presbiteriana do Brasil autorizou a utilização exclusiva de uma conta corrente da IPB.
DOAÇÕES: BRADESCO Ag, 1230 CC 25.641-2 (de preferência, faça um depósito identificado. Isso só será possível fazer na boca do caixa convencional. Evite fazer a sua doação em caixas eletrônicos).
Importante: As doações não podem ser utilizadas como dedutíveis para o imposto de Renda.
Divulgue a conta bancária ao seu Pastor!
VISITE O SITE DO PROJETO REPARTIR: http://www.repartir-j1512.blogspot.com/
URGENTE!!!
Pr. Diego Ramon (Olinda-PE)

Nélio Fernandes disse...

Se o acaso existe, Deus tem muita sorte!
Fato!

Anônimo disse...

Professor,

É verdade que a filosofia de Aristóteles é compatível com a predestinação de tudo o que acontece?

Estudante de teologia