sexta-feira, julho 23, 2010

Pela Fé Somente

 Um assunto que geralmente passa batido em meio às nossas discussões teológicas é a questão da salvação individual. Parece que assumimos tacitamente que todos os que se declaram cristãos concordam sobre o que é a salvação eterna e como ela é obtida - ou dada. Ao meu ver, este ponto é da mais alta importância para todos. Foi ele o ponto central da Reforma protestante do séc. XVI. A Reforma obviamente teve aspectos políticos, econômicos e culturais, mas, ao final, foi um movimento essencialmente religioso deflagrado por esta questão no coração de Lutero, "o que faço para ser salvo?"

A resposta de Lutero, seguida por Calvino, Zuínglio e todos os reformados até o dia de hoje, foi que o pecador é salvo pela graça de Deus mediante a fé em Jesus Cristo somente, e não por seus méritos pessoais ou pela mediação da Igreja. A reação da Igreja Católica veio no Concílio de Trento, que consolidou a contra-Reforma católica, realizado sob a liderança do papa Paulo III em 13 de janeiro de 1547. Nos cânones aprovados neste Concílio, que salvo melhor juízo nunca foram revogados pela Igreja Católica de hoje, temos um que trata do assunto:
Cânone 9 - Se alguém disser que o pecador é justificado pela fé somente, significando que nada mais é requerido para cooperar com o objetivo de se obter a graça da justificação, e que não é necessário de forma alguma que ele seja preparado e disposto pela ação de sua própria vontade, que seja anátema. (meu destaque)
LUTERO
Este cânone foi intencionalmente elaborado contra a doutrina protestante. Se ele continua mantido hoje, significa que a Igreja Católica defende que aqueles que acreditam na salvação pela graça mediante a fé somente são "anátema," que na terminologia católica significa exclusão definitiva da Igreja e, portanto, condenação eterna. Isto inclui todos os protestantes evangélicos que pensam, como Lutero, que a salvação é pela fé somente.

Eu sou um deles. O que segue abaixo é  o que entendo ser o pensamento padrão reformado sobre o assunto. Lembro ainda que não estou querendo ser exaustivo (e nem poderia!) e que só destaquei aqueles pontos que acredito são mais relevantes para nosso cenário.

1. Todas as pessoas são carentes de salvação, pois todas elas, sem qualquer exceção, são pecadoras. Isto significa que elas, em maior ou menor grau, quebraram a lei de Deus e se tornaram culpadas diante dele. Esta lei está gravada na consciência de todos, disposta nas coisas criadas e reveladas claramente nas Escrituras - a Bíblia. Ninguém consegue viver consistentemente nem com seu próprio conceito de moralidade, quanto mais diante dos padrões de Deus. Como Criador, Deus tem o direito de legislar e determinar o que é certo e errado e de julgar a cada um de acordo com isto.

 2. Ninguém é bom o suficiente diante de Deus para obter sua própria salvação ou de fazer boas obras que o qualifiquem para tal. O pecado de tal maneira afetou a natureza do ser humano que sua vontade é inclinada ao mal, seu entendimento é obscurecido quanto às coisas de Deus e sua fé não consegue se firmar em Deus somente. Sem ajuda externa - a qual só pode vir do próprio Deus - pessoa alguma pode obter ou receber a salvação da condenação e do castigo que seus próprios pecados merecem.

3. Deus enviou Seu Filho Jesus Cristo ao mundo para morrer por pecadores, de forma que eles pudessem obter esta salvação a qual, de outra forma, seria inalcançável. Jesus Cristo, por determinação e desígnio de Deus, morreu na cruz como sacrifício completo, perfeito, único, suficiente e eficaz pelos pecados. Ele ressuscitou física e literalmente de entre os mortos ao terceiro dia, vencendo a morte e o inferno, e subiu aos céus. Assim, somente em Jesus Cristo as pessoas podem encontrar a salvação da culpa e condenação de seus pecados. E fora dele, não há qualquer possibilidade de salvação, diante dos pontos 1 e 2 expostos acima.

4. As pessoas tomam conhecimento da pessoa e da obra de Cristo mediante o Evangelho, o qual é pregado ao mundo todo. Sem o conhecimento do Evangelho, é impossível para as pessoas se salvarem. Cristo é a luz do mundo, o caminho, a verdade e a vida, e ninguém pode ir ao Pai senão por ele.  Este Evangelho está claramente exposto na Bíblia, e é por ouvir a Palavra que vem a fé em Jesus Cristo. Com respeito àqueles que nunca ouviram falar de Cristo, o Deus justo haverá de tratá-los sem cometer injustiça e em conformidade com a luz que receberam, quer da sua própria consciência, quer da natureza. Todavia, não poderão alegar desconhecer a lei de Deus.

5. Mediante a fé em Jesus Cristo, como seu único e suficiente Salvador, as pessoas, quem quer que sejam, de qualquer país ou cultura, sem distinção alguma de raça, sexo, posição social ou educação, são perdoadas completamente de seus pecados, aceitas por Deus como filhos e recebem o Espírito de Deus como selo e penhor desta salvação, iniciando assim uma nova vida neste mundo. Nesta nova vida, elas demonstram arrependimento pelas obras más cometidas, humildade e constante penitência diante de Deus, aliadas a uma grande alegria e gratidão a Ele por tão grande e completa salvação. A certeza que eles têm aqui nesta vida de terem sido salvos da condenação eterna não decorre de seus méritos ou obras - os quais eles não possuem - mas da graça e do favor de Deus. Por isto falam desta salvação não em termos arrogantes, mas humildemente, como pessoas que foram misericordiosamente salvas do justo castigo que mereciam.

6. A fé salvadora não é uma força emocional mística. Antes, é a confiança que parte de um coração regenerado por Deus em todas as suas promessas, principalmente aquela de vida eterna na pessoa de Jesus Cristo, Seu Filho. Esta confiança envolve uma compreensão básica do que o Evangelho nos diz sobre Cristo e sua morte e ressurreição e um assentimento intelectual a estes fatos. Como nem esta compreensão e nem mesmo a fé têm origem na capacidade humana, afetada como está pelo pecado, segue-se que a salvação, tendo custado um alto preço que foi a morte de Cristo, é dada gratuitamente por Deus. Ela não depende de obras, mérito, esforço ou qualquer outra coisa que tenha origem no ser humano. É puramente pela graça, mediante a fé.

É claro que estou falando somente da salvação da culpa e da condenação merecidas por nossos pecados. A obra de Cristo inclui muito mais, desde a santificação até a ressurreição dos mortos e a glorificação - que poderão ser assuntos de outros posts. Na verdade, o que Cristo fez e o que Ele é impactam todas as áreas da vida. Mas isto é assunto para mais adiante.
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PS1: Para os calvinistas que vão reclamar, a doutrina da eleição incondicional está nas entrelinhas. E para os que com isto vão dizer que eu estou escondendo o jogo, remeto para postagens anteriores onde abordei esta doutrina explicitamente.

PS2: O título desta postagem bem que poderia ser, "Enquanto Solano e Mauro não voltam..." Solano está dando um curso em Moçambique e Mauro está oficialmente de férias.

37 comentários:

Ivan M. Fraga disse...

Rev. Augustus,

"Sem o conhecimento do Evangelho, é impossível para as pessoas se salvarem".

E quanto aqueles que nunca ouviram falar do evangelho? E quanto aqueles povos de outras culturas, que não pediram para nascer nas culturas não cristianizadas, o que serão delas?
Rev,por favor, não tome essas perguntas como provocação, são questões honestas. Li alguma coisa do R.C Sproul sobre esse assunto na obra "Razão para crer" (cap.3, p.34 a 41). Srroul dar várias explicações, no final, inclusive, ele deixa a entender que as pessoas serão julgadas os conhecimentos que possuem. Contudo, se assim for, vem aquela outra questão: não seria melhor deixar as pessoas na ignorância, em conhecer o evangelho?
Sei que o assunto que estou trazendo não está necessariamente dentro da proposta do seu artigo, mas vi que dava para entrar nesse assunto, afinal,estamos falando de salvação "somente pela fé".

Grato,
Ivan Fraga

Tania Cassiano disse...

Rev.
Muito bom o post! Não custa nada "relembrar". Simples, prático e objetivo. Peço permissão para
"copiar", prá sempre ter, com ajuda de Deus, um espírito de gratidão, por sua bondade e misericórdia, por cada um de nós, pecadores.
Deus o abençoe.
PS. A "produção" está ótima, todos os dias, um tema. rsrs
Tania Cassiano

Pala disse...

Irmão Augustus
Procurei outro meio de contato, mas não encontrei...então decidi escrever por comentário mesmo.

Tenho um questionamento sobre um assunto que gostaria que o senhor abordasse e que sugerisse obras a respeito.

Foi Paulo quem escreveu a epístola a Timóteo e, se sim, o que ele diz a respeito da inspiração de toda escritura pode ser estendido ao Novo Testamento? Se não, como o próprio Novo Testamento reivindica a si mesmo o posto de "Escritura Inspirada por Deus"?

exegese biblica disse...

Olá Rev. Algustus, paz e graça! Gostaria de que o senhor explicasse melhor o que foi dito no item de nº 4, "...Com respeito àqueles que nunca ouviram falar de Cristo, o Deus justo haverá de tratá-los sem cometer injustiça e em conformidade com a luz que receberam, quer da sua própria consciência, quer da natureza". Sei que o senhor (assim como eu) entende que nossa consciência e a natureza apenas mostram a existência de Deus. E, portanto, é suficiente apenas para uma justa condenação dos pecadores.“são suficientes para convencer os homens e torna-los indesculpáveis”, mas é por meio da Palavra que Deus opera “para sua glória a salvação dos que lhe pertencem”. A pergunta 19 do Catecismo de Heidelberg questiona como sabemos alguns dos aspectos relacionados à salvação descritos nos pontos anteriores, e a resposta é direta: “Pelo santo evangelho(…)”, ou seja, nossa salvação não pode acontecer simplesmente pela contemplação da natureza porque esta é uma revelação incompleta no sentido de ser apenas suficiente para nos deixar indesculpáveis, mas não conhecedores de aspectos essenciais, como o pecado, a vinda de Cristo, a necessidade de fé e arrependimento, e de uma vida conforme a Lei do Senhor. Como falar em salvação de pessoas na idade da razão sem estes pontos? Eu sou assembleiano, e enfrento bastante oposição aqui quando leciono este tema. Em nossos "arraiais" é quase unânime a crença de que Deus dará um "jeitinho" para salvar aos verdadeiramente "não alcançados". Se não for pedir de mais, gostaria que o senhor fizesse uma postagem específica sobre esse tema. Um forte abraço, e parabéns por mais esse belo artigo!!!

MAC disse...

Graça e paz Rev. Augustus.

Para o Ivan e demais que colocaram em discussão a questão do que acontecerá com aqueles que nunca ouviram, gostaria de indicar dois livros sobre o assunto. São eles:

1 - Que será dos que nunca ouviram? Donald E. Price - Ed Vida Nova;
2 - E aqueles que nunca ouviram? John Sanders, Gabriel Fackre, Ronald Nash - Ed. Aleluia.

Bom, quanto a minha opinião, penso que a quantidade de revelação daqueles que nunca ouviram não fará com que eles tenham alguma chance de salvação, mas sim que haverá alguma influência na severidade/rigor do julgamento que cada indivíduo terá.

Mt 10.15 "Em verdade vos digo que, no dia do juízo, haverá menos rigor para o país de Sodoma e Gomorra do que para aquela cidade."

Em Cristo, Mac.

Augustus Nicodemus Lopes disse...

Caro Ivan, (I)

"E quanto aqueles que nunca ouviram falar do evangelho? E quanto aqueles povos de outras culturas, que não pediram para nascer nas culturas não cristianizadas, o que serão delas?"

Vamos lá:

1 - Todos são pecadores diante de Deus. São filhos de Adão e Eva e portanto debaixo da justa condenação de Deus.

2 - O desconhecimento do Evangelho não desculpa estas pessoas, pois elas serão condenadas por seus próprios pecados e não por terem ouvido e rejeitado o Evangelho. É neste sentido que eu disse que Deus é justo. Ele não condenará o bérbere do Saara por ter rejeitado a Cristo, mas por ter quebrado a lei de Deus gravada em sua consciência e perceptível na revelação natural.

3 - A revelação na consciência e a revelação na natureza são sucifientes para deixar as pessoas indesculpáveis diante de Deus, mas não são suficientes para que elas cheguem ao conhecimento da salvação em Cristo. Isto vem somente pelo Evangelho.

4 - É por esta razão que Jesus mandou que se pregasse o Evangelho a todos, pois sem o Evangelho estarão perdidos. Se os ignorantes serão justificados, a melhor coisa seria, realmente, não lhes anunciar a Cristo, pois então correriam o risco de rejeitá-lo e serem condenados.

Veja em seguida os textos geralmente usados para embasar a posição acima.

- continua -

Augustus Nicodemus Lopes disse...

Caro Ivan, (II),

Eis os textos geralmente usados para embasar os pontos que eu mencionei no comentário anterior.

"Romanos 5:12-14 Portanto, assim como por um só homem entrou o pecado no mundo, e pelo pecado, a morte, assim também a morte passou a todos os homens, porque todos pecaram. 13 Porque até ao regime da lei havia pecado no mundo, mas o pecado não é levado em conta quando não há lei. 14 Entretanto, reinou a morte desde Adão até Moisés, mesmo sobre aqueles que não pecaram à semelhança da transgressão de Adão, o qual prefigurava aquele que havia de vir."

"Romanos 1:18-21 A ira de Deus se revela do céu contra toda impiedade e perversão dos homens que detêm a verdade pela injustiça; 19 porquanto o que de Deus se pode conhecer é manifesto entre eles, porque Deus lhes manifestou. 20 Porque os atributos invisíveis de Deus, assim o seu eterno poder, como também a sua própria divindade, claramente se reconhecem, desde o princípio do mundo, sendo percebidos por meio das coisas que foram criadas. Tais homens são, por isso, indesculpáveis; 21 porquanto, tendo conhecimento de Deus, não o glorificaram como Deus, nem lhe deram graças; antes, se tornaram nulos em seus próprios raciocínios, obscurecendo-se-lhes o coração insensato."

"Romanos 2:14-16 Quando, pois, os gentios, que não têm lei, procedem, por natureza, de conformidade com a lei, não tendo lei, servem eles de lei para si mesmos. 15 Estes mostram a norma da lei gravada no seu coração, testemunhando-lhes também a consciência e os seus pensamentos, mutuamente acusando-se ou defendendo-se, 16 no dia em que Deus, por meio de Cristo Jesus, julgar os segredos dos homens, de conformidade com o meu evangelho."

"João 14:6 Respondeu-lhe Jesus: Eu sou o caminho, e a verdade, e a vida; ninguém vem ao Pai senão por mim."

"Mateus 11:27-28 Tudo me foi entregue por meu Pai. Ninguém conhece o Filho, senão o Pai; e ninguém conhece o Pai, senão o Filho e aquele a quem o Filho o quiser revelar. 28 Vinde a mim, todos os que estais cansados e sobrecarregados, e eu vos aliviarei.

"Atos 4:12 E não há salvação em nenhum outro; porque abaixo do céu não existe nenhum outro nome, dado entre os homens, pelo qual importa que sejamos salvos."

"Marcos 16:15-16 E disse-lhes: Ide por todo o mundo e pregai o evangelho a toda criatura. 16 Quem crer e for batizado será salvo; quem, porém, não crer será condenado."

"Romanos 10:13-15 Porque: Todo aquele que invocar o nome do Senhor será salvo. 14 Como, porém, invocarão aquele em quem não creram? E como crerão naquele de quem nada ouviram? E como ouvirão, se não há quem pregue? 15 E como pregarão, se não forem enviados? Como está escrito: Quão formosos são os pés dos que anunciam coisas boas!"
Portanto, é nosso dever anunciar a Cristo a todos, em todo lugar e em todo o tempo. Sem Ele, não há salvação.

Agora, se me permite - você é formado num seminário batista, certo? Eu me lembro de uma grande campanha nacional de evangelização feita pelos batistas quando eu era ainda um jovem pastor em Recife, cujo título era "Só Jesus Cristo Salva". E me recordo de que os batistas eram muito felizes por conseguir anualmente arrecadar milhões para missões. Tudo isto indica que os batistas pensam como eu indiquei acima. Ou pensavam... houve mudanças?

Augustus Nicodemus Lopes disse...

Tânia,

Fique à vontade para copiar e passar adiante. Nem precisa pedir.

Sobre a produção, é que neste perído de recesso e férias sobra mais um tempinho. Além disto, com Solano e Mauro fora, tomei conta da casa, hehehe.

Augustus Nicodemus Lopes disse...

Pala,

"Foi Paulo quem escreveu a epístola a Timóteo e, se sim, o que ele diz a respeito da inspiração de toda escritura pode ser estendido ao Novo Testamento? Se não, como o próprio Novo Testamento reivindica a si mesmo o posto de "Escritura Inspirada por Deus"?

Sim, creio firmemente que foi Paulo quem escreveu ambas as epístolas a Timóteo, bem como Tito. Os argumentos contrários dependem de uma reconstrução de como a igreja apostólica se desenvolveu que é muito hipotética (F. Baur, etc.).

Não dá para saber se Paulo, quando escreveu "toda Escritura é inspirada por Deus" tinha em mente somente o Antigo Testamento ou, àquela altura, também seus próprios escritos e dos demais apóstolos.

Todavia, percebe-se no NT uma consciência de que os escritos dos apóstolos eram também produzidos sob a inspiração do Espírito e eram considerados "Escritura".

Veja dois exemplos:

"2 Pedro 3:15-16 - tende por salvação a longanimidade de nosso Senhor, como igualmente o nosso amado irmão Paulo vos escreveu, segundo a sabedoria que lhe foi dada, 16 ao falar acerca destes assuntos, como, de fato, costuma fazer em todas as suas epístolas, nas quais há certas coisas difíceis de entender, que os ignorantes e instáveis deturpam, como também deturpam as demais Escrituras, para a própria destruição deles."

Nesta passagem, Pedro considera as cartas de Paulo como sendo "Escritura". Veja esta:

"1 Timóteo 5:17-18 Devem ser considerados merecedores de dobrados honorários os presbíteros que presidem bem, com especialidade os que se afadigam na palavra e no ensino. 18 Pois a Escritura declara: Não amordaces o boi, quando pisa o trigo. E ainda: O trabalhador é digno do seu salário."

Para provar seu ponto no versículo 17 Paulo cita duas passagens da "Escritura" no verso 18. A primeira é Deuteronômio 25:4 e a segunda é Mateus 10.10 (Lucas 10.7). Ele colocou Mateus ao lado de Deuteronômio, como Escritura.

Abs.

Augustus Nicodemus Lopes disse...

Exegese Bíblica,

A resposta que eu dei ao Ivan atende a seu pedido, certo?

Abs.

Danilo Neves disse...

Reverendo, qual foi a doutrina principal (a mais importante para o desenvolvimento histórico) da Reforma sec. XVI? Pergunto isso, porque já me disseram que a justificação pela fé não foi a principal e sim a doutrina das duas naturezas da igreja, que deu legitimidade as reivindicaçães dos protestantes em relação a ICAR.

Um abraço!

Em Cristo.

Ivan M. Fraga disse...

"Tudo isto indica que os batistas pensam como eu indiquei acima. Ou pensavam... houve mudanças?"

Rev.
Obrigado por suas explicações. Não quero ser anti-ético ao se pronunciar sobre a minha denominação.Mas até onde sei, pelo menos em teoria, inclusive está destacado na lista de princípios da nossa convenção brasileira, nós batistas entendemos 'evangelísmo'nessa lógica. Contudo, em meio a tantos movimentos que vem surgindo no cenário evangélico brasileiro, acho que em algumas de nossas igrejas, essa convicção é só em teoria. O Senhor escreve muito sobre o liberalismo teológico, aliás, até onde eu sei, é um dos poucos, para não dizer o único, que se preocupa com essa questão. Em minha modesta opinião, sendo que fui seminarista, e como crente, acho que estamos vivendo uma crise. Se por um lado é o liberalismo que tem atrapalhado(pois muitos professores liberais não vêem mais necessidade de evangelismo), por outro lado é um evangelho rasteiro. Igrejas neo-pentecostalizadas. Particulamente, nem sei mais o que somos.

Ivan M. Fraga disse...

Não quero ser inconveniente, e sei que o senhor não tem, digamos assim, nada com isso. Ultimamente vem acontecendo tantas coisas esquisitas no nosso meio, que confesso, já pensei várias vezes em voltar para 'ROMA'. Não me refiro as 'canalhices' de alguns desses teleevangelistas (de muitos desses não espero muita coisa boa), me refiro a nossa JUERP e agora ao nosso seminário do Sul (Seminário do Rio). Se Deus não tiver misericórdia, vai fechar as portas. Cinismo, falta de respeito para com todo o povo batista.
Desculpa pela inconveniência, mas preciso desabafar.

Luciane disse...

Rev. Augustus
Excelente post!
A resposta ao Ivan (partes I e II) são bem mais que um "relembrar"...
Somos gratos à Deus por suas palavras.
Que Deus continue te abençoando!

Augustus Nicodemus Lopes disse...

Danilo,

Acredito que a doutrina da justificação pela fé somente foi a porta de entrada para a doutrina da igreja e todas as demais. Pois uma vez que se descobre que a pessoa é aceita por Deus pela fé somente, sem a mediação da Igreja (como era ensinado - e ainda é - no catolicismo), fica claro que não há coisas como transubstanciação, purgatório, mediação de santos e de Maria, etc. E então, resta uma igreja simples, o corpo de Cristo, a comunhão dos salvos. Nada mais.

Abs.

Marcio Alexandre Prata Ferreira disse...

Olá reverendo, gostaria de saber sua opinião sobre a morte de Cristo. Esta foi por toda a humanidade ou pelos eleitos somente? P.e: Jo 3.16 et.al

Augustus Nicodemus Lopes disse...

Caro Márcio Alexandre,

"Olá reverendo, gostaria de saber sua opinião sobre a morte de Cristo. Esta foi por toda a humanidade ou pelos eleitos somente? P.e: Jo 3.16 et.al."

Como pastor presbiteriano sigo o que diz a Confissão de Fé da minha igreja, ou seja, que ele morreu eficazmente pelos eleitos:

"Deus, desde toda a eternidade, decretou justificar todos os eleitos, e Cristo, no cumprimento do tempo, morreu pelos pecados deles e ressuscitou para a justificação deles; contudo eles não são justificados enquanto o Espírito Santo, no tempo próprio, não lhes aplica de fato os méritos de Cristo. "

"O Senhor Jesus, pela sua perfeita obediência e pelo sacrifício de si mesmo, sacrifício que pelo Eterno Espírito, ele ofereceu a Deus uma só vez, satisfez plenamente à justiça do Pai. e para todos aqueles que o Pai lhe deu adquiriu não só a reconciliação, como também uma herança perdurável no Reino dos Céus. "

"Cristo, com toda a certeza e eficazmente aplica e comunica a salvação a todos aqueles para os quais ele a adquiriu."

Sugiro ainda os seguintes artigos:

http://monergismo.com/?p=1607

http://monergismo.com/?p=1579

http://monergismo.com/?p=1221

Abraços.

exegese biblica disse...

Graça e paz Rev. Algustus! Muito obrigado pela consideração.

nilllobato disse...

Caro Rev. Augustus...
Tenho me tornado um leitor assíduo de seu blog que para nós cristãos reformados tem sido uma voz de resistência em meio a uma pluralidade de movimentos que se dizem cristãos e que tem trazido tanta confusão ao nosso meio.
Vamos la,além de ler o tópico,li todos os comentários e vejo que muitas vezes confundimos justificação pela fé com justificação pelo amor ou obras.
Creio em 100% no que diz a Palavra de Deus e se tá escrito que a justificação é pela fé,pra que abrirmos uma margem de erro nessas palavras?Pra que criarmos uma interpretação mediante aquilo que entendemos ser o certo?Não é assim que nasceram movimentos tipo as Testemunhas de Jeová que crêem erroneamente que ao final ninguém vai pro Inferno porque Deus é Amor?E tantos outros movimentos e doutrinas tem entrado em nosso meio devido a uma interpretaçãozinha e dai quando se percebe é tarde demais.
Que Deus continue a inspira-lo em seu abençoado ministério.

exegese biblica disse...

Reverendo, só mais uma coisinha: O senhor acredita na possibilidade de, em nossos dias, o Senhor Deus "arrebatar" algum cristão de um local civilizado e leva-lo para pregar o evangelho em locais longínquos, semelhanta ao que ocorreu em At 8.39-40? Isso seria biblicamente sustentável na opinião do senhor? Outra possibilidade seria a pregação do evangelho ser realizada por anjos, conforme Ap 14.6-7. Eu tenho dificuldade com esse ultimo texto devido minha posição dispensacionalista. (Acredito que este texto se cumprirá quando a igreja não estiver mais aqui...) Bom, eu espero que o senhor não ache estes meus raciocínios ridiculos, rs rs rs. A paz do bom Mestre!

Bruno Carmanin disse...

rsrsr Gostei Rev. PS2: O título desta postagem bem que poderia ser, "Enquanto Solano e Mauro não voltam..." Solano está dando um curso em Moçambique e Mauro está oficialmente de férias. Quanto ao assunto sobre o concílio de Trento, ele soa bem a voz de alguns arminianos desinformados de hoje!!!

R. disse...

Reverendo, qual a função do Credo Apostólico hoje na IPB?
Acho que ele está tão saturado pelas repetições católicas romanas que acabou perdendo papel.
Partes como "Creio na Santa Igreja Católica" e "Creio na comunhão dos santos", em especial, pois parece haver confusão entre "comunhão" e "intercessão", não?

Parabéns e obrigado pelo excelente blog.

Augustus Nicodemus Lopes disse...

Exegese Bíblica,

"Reverendo, só mais uma coisinha: O senhor acredita na possibilidade de, em nossos dias, o Senhor Deus "arrebatar" algum cristão de um local civilizado e leva-lo para pregar o evangelho em locais longínquos, semelhanta ao que ocorreu em At 8.39-40? Isso seria biblicamente sustentável na opinião do senhor?"

Teoricamente é possível, claro, pois Deus é o mesmo de sempre. Contudo, pense também que o fato de Ele ser o mesmo não significa que Ele sempre age da mesma maneira em todas as épocas.

Por exemplo, teoricamente Deus seria capaz de criar o mundo de novo, chamar outra pessoa como Abraão e fazer-lhe promessas de que teria um filho que seria o salvador do mundo, derrubar muralhas de uma cidade, fazer pão cair do céu durante 40 anos sobre seu povo, abrir um caminho num Mar para seu povo passar a seco, etc. - a lista pode ficar muito comprida.

Mas o que verificamos é que Deus fez estas coisas somente uma vez e não parece estar disposto a repeti-las. Não sei o critério de Deus, isto faz parte dos mistérios dele. Mas o fato é que estes milagres e outros do NT nunca se repetiram na história, pelo menos na história registrada. Como este de Felipe ser arrebatado para pregar noutro lugar. Portanto, prefiro ficar com a posição de que devo pregar o Evangelho ao mundo usando os meios que Deus providenciou, como ônibus, avião, navio, etc.

Sobre sua outra pergunta, se anjos podem pregar o Evangelho, penso que a idéia é exatamente ao contrário. Paulo diz que uma diferença entre a Lei e a graça é que os anjos estiveram presentes na concessão da Lei a Israel enquanto que pelo Filho veio a graça - por isto a graça é superior (veja Gál 3.19; At 7.53; Heb 2.2-3). Deus escolheu salvar os homens e não os anjos (Heb 2.16). E os anjos embora seja ministros a favor dos que serão salvos (Heb 1.12-14) não conhecem a profundidade dos mistérios do Evangelho, conforme Pedro ensina, mesmo que anseiem por isto (1Pe 1.12).

Quando os anjos apareceram aos perdidos, eles não pregaram mas simplesmente indicaram onde eles poderiam achar as palavras de salvação: Atos 10.22.

Abs.

Augustus Nicodemus Lopes disse...

R.,

"Reverendo, qual a função do Credo Apostólico hoje na IPB?"

Teoricamente, nenhuma, pois não é um dos nossos símbolos de fé. Mas a razão é simples. A Confissão de Fé de Westminster repete e detalha o Credo. Praticamente todos os pontos do Credo estão contidos na Confissão. Quem conhece e usa a Confissão, implicitamente está fazendo o mesmo com o Credo Apostólico.

A diferença é que o Credo foi elaborado como declaração de fé individual - "eu creio...", enquanto que a Confissão é a confissão de toda a Igreja. Mas o conteúdo é similar.

Abs.

Naziaseno disse...

" Na verdade, o que Cristo fez e o que Ele é impactam todas as áreas da vida. Mas isto é assunto para mais adiante." Estou com uma doença: vendo neocalvinismo em tudo. Qual a cura?

Paulo Celeste disse...

Rev. Augustus, o senhor poderia afirmar que o deus cultuado e ensinado pela Igreja Católica é o mesmo Deus cultuado pelas igrejas históricas e reformadas, como Batistas, Presbiterianas, etc.? Pode-se crer que os católicos praticantes são verdadeiramente convertidos, filhos de Deus? Favor não responder a estas perguntas concebendo-as como juízos pejorativos de religião alheia, mas como conclusões coerentes à todas explanações suas já expostas.
At,
Paulo Celeste, Sorocaba/SP

Augustus Nicodemus Lopes disse...

Paulo Celeste,

"Rev. Augustus, o senhor poderia afirmar que o deus cultuado e ensinado pela Igreja Católica é o mesmo Deus cultuado pelas igrejas históricas e reformadas, como Batistas, Presbiterianas, etc.?"

Não é uma questão de afirmação, mas de entender a teologia católica sobre Deus. Até onde eu sei, salvo melhor juízo, o problema com a ICAR não é com a doutrina de Deus. Eles crêem que só existe um Deus, que este Deus é Triúno, que Jesus Cristo é Deus e que o Espírito é Deus. O problema maior é como eles entendem a salvação e a maneira pela qual podemos obter o perdão de pecados. Isso afeta toda a eclesiologia, soteriologia e liturgia deles, tornando-as bem diferente das igrejas históricas.

"Pode-se crer que os católicos praticantes são verdadeiramente convertidos, filhos de Deus?"

Não se pode generalizar, da mesma forma que não posso dizer que todos os membros praticantes das igrejas presbiterianas e batistas são convertidos. Quem crer no Senhor Jesus Cristo como único Senhor e Salvador, e depender somente dele para a sua salvação, este será salvo, onde quer que esteja.

Lutero converteu-se ainda monge, dentro da Igreja Católica Medieval. Com o passar do tempo, foi percebendo as incompatibilidades com a sua fé em Cristo e o sistema de salvação vigente na época. Ele mesmo não queria sair da Igreja Católica, foi o papa quem o excomungou.

Abs.

Roberto, Karen e Sophia Bocutti disse...

O senhor deixou muito claro que a salvação é somente nos méritos de Cristo e que nossas obras são inúteis nesse sentido. Concordo plenamente com isso, mas o senhor sugere também que após a conversão são esperados alguns "comportamentos" do novo crente: "Nesta nova vida, elas demonstram arrependimento pelas obras más cometidas, humildade e constante penitência diante de Deus, aliadas a uma grande alegria e gratidão a Ele por tão grande e completa salvação." Tenho lido algumas coisas sobre o "Senhorio de Cristo" e confesso que tem me feito repensar a exposição do Evangelho em igrejas consideras históricas. O senhor tem algo a acrescentar sobre isso?

Augustus Nicodemus Lopes disse...

Roberto,

O quê exatamente você considera que precisa ser revisto na pregação das igrejas históricas acerca da santificação? Lembre que elas podem divergir neste assunto. Me ajude a entender qual é o seu ponto para que eu possa responder adequadamente.

Abs.

Roberto, Karen e Sophia Bocutti disse...

Não é a respeito da santificação, problema nenhum com ela,acho que o problema é a falta dela, rs. Temos visto pessoas e ministérios oferecendo a salvação em nome de Jesus, mas não dizem que é preciso aceitar o senhorio de Cristo(Gl 2.21-21.)Vejo no ministério de evangelização de Jesus as pessoas não somente sendo salvas da condenação eterna, mas também tendo uma transformação palpável de suas vidas. Cito como exemplo Zaqueu, Lc.19:8, a Samaritana Jo 4:28-29,o cego de nascença Jo 9
:38. Nesses exemplos, fica claro que aqueles que foram salvos, também mudaram suas vidas completamente e instantâneamente. Hoje, somos muito compassivos, me parece que, muitos que disseram receber a salvação de Jesus, não apresentam o mesmo nível de mudança de vida e comprometimento com Ele. Me entende? abs.

Augustus Nicodemus Lopes disse...

Roberto,

Entendo perfeitamente e concordo com você. Lamentavelmente muitas igrejas históricas deixaram de pregar o Senhorio de Cristo e adotaram um graça que não é graça, pois acaba sendo uma licença para que se viva no pecado. A mensagem da Reforma inclui a necessidade de santificação..

Abs..

Adonias Soares disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Louis-Fernand disse...

Olá, Sr. Augustus.

O sr. escreveu sobre a possibilidade de apreensão de itens da lei natural, visto que potencialmente somos capazes de fazê-lo pela razão, como está demonstrado nas cartas de Paulo. O que me intriga é o seguinte: se é possível a salvação de quem nunca ouviu falar em Cristo, como sustentar a Sola Fide?

Abs!

Augustus Nicodemus Lopes disse...

Louis-Fernand,

Acho que está claro pelas cartas de Paulo, especialmente Romanos 1, que se pode apreender pela natureza a existência de Deus e suas divinas qualidades.

Todavia, esta apreensão não é suficiente para dar ao homem o conhecimento salvador. este vem somente mediante as Escrituras.

Daí, "sola Scriptura"!

Grande abraço.

Louis-Fernand disse...

Olá, Sr. Augustus.

Sim, a temporalidade do mundo, a imortalidade da alma, a existência de Deus e alguns de seus atributos, são possíveis de apreender pela razão natural, ainda que a Revelação afirme isto tudo.

Mas, sendo este conhecimento insuficiente para a salvação, significa, segundo o calvinismo, que todos os homens que não tiveram conhecimento das Escrituras estão irremediavelmente condenados? Se sim, para onde eles irão após a morte?

Abs!

Augustus Nicodemus Lopes disse...

Louis-Fernand,

Acho que já respondi parcialmente esta questão no ponto 4 da minha postagem:

"4. As pessoas tomam conhecimento da pessoa e da obra de Cristo mediante o Evangelho, o qual é pregado ao mundo todo. Sem o conhecimento do Evangelho, é impossível para as pessoas se salvarem. Cristo é a luz do mundo, o caminho, a verdade e a vida, e ninguém pode ir ao Pai senão por ele. Este Evangelho está claramente exposto na Bíblia, e é por ouvir a Palavra que vem a fé em Jesus Cristo. Com respeito àqueles que nunca ouviram falar de Cristo, o Deus justo haverá de tratá-los sem cometer injustiça e em conformidade com a luz que receberam, quer da sua própria consciência, quer da natureza. Todavia, não poderão alegar desconhecer a lei de Deus."

Acrescento, em resposta à sua pergunta, que segundo os ensinamentos da Bíblia, nos quais o Calvinismo e mesmo o Arminianismo se baseiam, os que não tiveram conhecimento de Cristo serão condenados ao inferno por seus próprios pecados e não pelo desconhecimento. Pela Bíblia, não existe um único juto diante de Deus, desde os índios mais ignorantes até os civilizados mais cultos. "Não há um justo, nem um sequer. Todos pecaram e carecem da graça de Deus" (Romanos 3).

É com base nisto, entre outras coisas, que as igrejas cristãs se empenham na obra missionária de enviar pregadores à mais longíquas regiões do mundo. Pois foi por isto que Jesus disse, "Ide por todo mundo, pregai o evangelho a todo criatura" (Marcos 16).
Abraços.

Louis-Fernand disse...

Entendi, sr. Augustus.

Obrigado pela paciência e disponibilidade.

Abs!