terça-feira, março 30, 2010

Sobre o movimento de Educação Cristã no Brasil

Caros leitores

Recentemente respondi a uma entrevista para uma revista evangélica, sobre educação cristã escolar. Aproveito a entrevista para falar um pouco a respeito de como andam as coisas nesta área no Brasil e, especificamente, falar sobre a Associação Internacional de Escolas Cristãs.

Também aproveito para fazer um convite: dias 30 de abril e 1o de maio teremos um evento para educadores cristãos aqui em São Paulo. Você pode saber mais a respeito do mesmo acessando o site da  Associação Internacional de Escolas Cristãs (ACSI).Teremos outros eventos em outros estados, fique de olho.


1.     Quando foi fundada a Associação e quantas escolas ela representa?
A associação foi fundada no Brasil em janeiro de 2003.  Atualmente representa em torno de 80 escolas associadas, cerca de 25.000 alunos e está em franca expansão.  A associação como um todo está presente em mais de 100 países, atende mais de 5.500 escolas e mais de 1.2 milhão e alunos ao redor do mundo.

2.     O gráfico de representação de crescimento da associação, desde sua fundação, é crescente ou decrescente?
Nossa associação demonstra um crescimento de 10% ao ano e cremos que existe um potencial cada vez maior para o movimento no Brasil. Para isto basta considerar que a população evangélica no país é crescente. Se as escolas cristãs forem relevantes, certamente o crescimento virá.

3.     A CNBB informou que, recentemente, cerca de 200 escolas católicas fecharam suas portas em todo o Brasil. Também temos conhecimento de várias escolas evangélicas que tem declarado falência, por falta de alunos. Em geral, qual o panorama da educação cristã no Brasil? 
Quanto a nossas escolas associadas, 4 fecharam as suas portas desde o início da associação em 2003, e nem todas essas fecharam devido a diminuição de matriculas, mas por dificuldades diversas.  Temos várias escolas associadas que estão em plena expansão.  Também recentemente temos visto vários projetos para a abertura de novas escolas.  Além disto, há de se considerar que o fechamento de escolas particulares é marcante no Brasil, não só entre escolas de origem religiosa.
Há dois anos que realizamos um curso para pastores e líderes evangélicos intitulado “Organização e Desenvolvimento de uma Escola Cristã”.  Ele foi desenvolvido para pessoas que tem interesse em abrir uma escola cristã na sua comunidade, igreja ou bairro. Vários participantes tomaram inciativas e começaram escolas cristãs depois destes eventos, encorajados pela viabilidade e necessidade da escola cristã.

4.     Há algum estado em específico em que esteja ocorrendo um declínio na procura por escolas cristãs? Há outro que esteja obtendo acréscimo?  Não tenho essas informações de maneira específica. Quase 50% dos nossos associados estão no estado de SP, entretanto, há visível interesse e expansão em várias regiões. Entre os participantes do curso citado acima, tivemos todas as 5 regiões representadas. Nas duas edições do evento participaram mais de 100 interessados.

5.     Na sua opinião as escolas de ensino cristão ainda fazem a diferença se comparadas as escolas particulares seculares?
A escola realmente cristã deve ter embutido em sua missão e visão ensinar sobre todas as áreas da vida com uma cosmovisão cristã.  Quando os seus professores e gestores são profissionais vocacionados para serem modelos na sala de aula, tanto no seu falar, andar, agir, quanto nas suas competências, demonstrando nisto o seu amor a Deus, toda a diferença será feita sobre a vida de cada aluno e, consequentemente, sobre a cultura, governo e etc. Temos visto isto acontecer constantemente e nossos educadores associados dão constante testemunho do impacto que a educação tem diretamente sobre seus alunos e comunidades.
Há vários segmentos da sociedade que, mesmo não confessando a fé cristã, procuram uma escola que valoriza a cidadania, valores éticos e o caráter, tanto quanto a preparação acadêmica. Muitos pais não cristãos ainda procuram escolas cristãs em função do ambiente, disciplina, tratamento amoroso e cordial, o que não se encontra um muitas instituições de ensino. Além da preparação acadêmica de excelência que a escola cristão deve oferecer, preparando o aluno para o vestibular e ENEM, a preocupação da escola cristã deve ser a de preparar o aluno para uma vida de diferença na sociedade. Temos visto esta diferença e a associação se propõe a investir em preparação e ferramentas para que nosso associados cumpram estas tarefas com eficiência cada vez maior.

Por outro lado, quando a escola se denomina cristã por laços denominacionais, mas perde a essência da sua vocação cristã, tende a tornar-se medíocre, imitando os cânones das escolas seculares, sem ter um real diferencial a ser mostrado. 

terça-feira, março 23, 2010

Pluralismo e Intolerância

A palavra pluralismo representa muitas coisas no contexto pós-moderno. Pode significar apenas diversidade de opiniões ou coexistência lado a lado de posições antagônicas. No entanto, com frequência ela expressa tanto um desprezo pela existência de uma verdade absoluta como a rejeição de posições absolutas. No seu aspecto mais cruel ela indica uma falsa visão de tolerância, que se revela intolerante para com a fé cristã.

A origem do termo pluralismo é geralmente colocada no início do século 20, criado por um filósofo judeu, Horace Kallen (1882-1974), que tinha bastante orgulho de sua linhagem judaica.[1] Preocupado com a preservação de suas convicções e com as pressões sofridas por imigrantes, ele levantou a questão da sobrevivência de uma cultura minoritária, no meio de muitas outras, como sendo um fator positivo ao progresso do mundo.


Ao longo dos anos e, principalmente, ao entrarmos no final do século 20 e início deste século, o pluralismo foi se abrigando no pós modernismo, aventando a possibilidade de verdades contraditórias entre si coexistirem pacificamente. Isso significa que proponentes de alguma convicção não deveriam tentar impor a sua visão sobre as demais persuasões, ou pessoas. Nesse sentido pós-moderno, o pluralismo representa um descaso pela existência de uma verdade, pois princípios ou preceitos absolutos não poderiam existir, ou não deveriam ser asseverados ou defendidos por ninguém.


Na realidade o termo tem várias definições e aplicações, por exemplo: pluralismo político, pluralismo filosófico, pluralismo cultural, pluralismo científico, etc. Em cada um desses aspectos o significado é diferente e, como cristãos, temos que nos posicionar adequadamente, mas igualmente de forma diferente a essas vertentes.

Pós modernismo

O pós-modernismo tem sido definido, por vezes como a filosofia da nossa era, mas na realidade não é uma filosofia, em si (e nem uma teologia). O termo representa uma persuasão que questiona as definições e limites que considera simplista, nas proposições da era moderna.[2] É mais um tipo de atitude, encontrada nas mais diversas correntes de pensamento contemporâneo, que, ressaltando a complexidade das diferentes posições filosóficas ou teológicas, se esquiva de permitir que um conjunto de convicções prevaleça sobre outros.


Nesse sentido, uma mente pós-moderna, é representada por:

  • Aquela pessoa que, como o rei Agripa (Atos 26.28), diz: "por pouco me persuades...", mas, adicionaria a isso: “como verdades conflitantes podem coexistir pacificamente lado-a-lado, fico na minha e você na sua”.
  • Aquela pessoa que tem a consciência cauterizada pela convivência continuada com o erro e pela prolongada falta de ênfase em absolutos e em verdades universais.

  • Aquela pessoa que tem a sensibilidade distorcida pela freqüente exposição à pecaminosidade da era e já não se choca mais com descalabro algum, por maior que seja o pecado apresentado, mas aceita tudo como parte de uma sociedade pluralista e multiforme. Essa sociedade é encarada por tais mentes como não apenas uma realidade inexorável, mas uma forma desejável de existência.

Como cristãos, deveríamos constatar como essa rejeição à persuasão vai contra a obrigação à conversão, à mudança de vida. Como a acomodação ao erro, vai contra a santidade requerida do servo de Deus. E como a repetida acomodação leva à perda dos objetivos de vida e da glorificação a Deus, que é o propósito máximo da nossa existência. É nesse contexto de um mundo carente por convicções, que somos chamados a entender o pluralismo e a sermos persistentes proclamadores das verdades de Deus!

Pluralismo religioso

O pluralismo religioso é a posição que afirma a igualdade e propriedade de todas as religiões. Nenhuma religião poderia se posicionar como sendo a verdadeira e, assim, todas devem ser não somente estudadas, mas aceitas como legítimas expressões de fé. A sinceridade dos participantes é o que contaria e cada um definiria Deus ou a divindade a seu próprio modo.


Esse tipo de pluralismo é mortal para a alma e não deveria encontrar abrigo no pensamento do cristão. Afinal, Jesus declarou (João 14.6) que ele é “o caminho a verdade e a vida; ninguém vem ao pai senão por mim”. A religião cristã é exclusivista, por natureza e isso deve ser apresentado e defendido sem apologias.


No entanto, o mundo subsiste em pluralismo religioso e, surpreendentemente, essa aceitação de um pluralismo religioso não está presente somente naqueles que identificamos como descrentes. Há muitos anos, havia uma expressão na boca do povo: “todo caminho dá na venda”. Normalmente era utilizada quando alguém começava a falar em religião e significava que, independentemente da sua fé, um dia você chegaria a Deus. Era também uma forma de evitar tentativas de pregação da Palavra.


O fato é que muitos cristãos têm sido persuadidos não pela Escritura, mas por essa visão pós moderna. Muitos, em nossas igrejas, acham que Deus terá de honrar a sinceridade de uma tribo remota, por exemplo, e que Ele não será justo em condenar índios às penas eternas, pois haverá “alguma luz” na religião pagã praticada por eles. E existem posições ainda mais pluralistas. Por exemplo, um site, chamado “Centro para o cristianismo progressivo”, apresenta as seguintes idéias:[3]

  • Presumir que a Bíblia é a última palavra em matéria de religião não fará nenhum sentido aos seguidores de outras religiões. Afinal, todas possuem os seus textos sagrados e proclamam possuir a verdade.

  • Insistir na exclusividade da fé cristã é “chauvinismo religioso”.

  • Os trechos bíblicos do evangelho de João, nos quais Jesus se coloca como “Eu sou” o único caminho, são meras expressões poéticas. Jesus era um místico e ele está apenas expressando uma experiência mística, na qual ele se liberta do seu ego e de sua personalidade, experimentando a Deus, como única realidade.

Não é isso que a Bíblia ensina. Mais uma vez, João 11.25-26 traz as palavras de Jesus: “Eu sou a ressurreição e a vida. Quem crê em mim, ainda que morra, viverá; e todo aquele que vive e crê em mim, não morrerá, eternamente. Crês isso”? Cristo demanda uma tomada de posição da parte das pessoas. È por isso que é correta a pregação do evangelho; a persuasão (Paulo “arrazoava” e “persuadia” a seus ouvintes: Atos 17.2 e 4); a conclamação ao arrependimento (Atos 17.30); é tarefa de todo cristão. É por isso que enviamos missionários, preparamos pregadores, evangelizamos em nossas igrejas; e consideramos necessitados da salvação aqueles que colocam suas esperanças e fé em imagens, em pessoas, em amuletos, em animais, em astros e em tantas outras coisas e situações, como nos avisa Romanos 1.18-32. Quando o crente defende a verdade da Bíblia, a verdade de Deus, ele não está sendo intolerante, mas simplesmente honesto e fiel à verdade, e deve fazer isso com a melhor das intenções, desejando esclarecer e não enganar as pessoas.

Pluralismo cultural

O pluralismo cultural é a coexistência, em uma sociedade, ou nas diversas sociedades da humanidade, de variações diferentes da cultura – algumas apresentando diferenças marcantes, por vezes presente em minorias. Numa sociedade pluralista essa coexistência ocorre com um mínimo de conflitos, e com razoável tolerância, uns pelos outros. Foi nesse sentido que Horace Kallen cunhou o termo pluralismo.[4]


O pluralismo cultural, em um certo sentido, não é antagônico ao ensino cristão A Bíblia ensina verdade absoluta e proclama exclusividade de orientação religiosa. Mas isso não quer dizer que não existe verdade, ou algo a ser apreciado fora da Bíblia. Afinal, o mundo é de Deus (Salmo 24.1 e 2). A teologia da reforma tem sempre ensinado que toda verdade, é verdade de Deus. Existem, na variedade das culturas, muitas coisas de mérito a serem apreciadas e preservadas. Por exemplo, o dito de Confúcio: “não façais aos outros, o que não quereis que eles vos façam”, é certamente verdade e análogo ao ensinamento bíblico de Lucas 6.31 (apesar de podermos verificar com facilidade a superioridade do ensinamento bíblico – que enfatiza o aspecto positivo de “ir e fazer”, em vez do aspecto negativo, do “não fazer”).


No entanto, a apreciação cultural do cristão nunca poderá ser acrítica (sem confrontá-la com o que a Bíblia diz, com os ensinamentos de Deus). Paulo, escrevendo a Tito (1.10-16), diz que ele tem que se colocar contra a cultura de Creta, ou seja, ele não podia pacificamente aceitar o pluralismo cultural, nos pontos onde ele entraria em contradição com princípios e ensinamentos da Escritura. Semelhantemente, nós brasileiros, não podemos aceitar o “jeitinho” como uma expressão cultural legítima, pois via de regra, esse “jeitinho” não quer dizer apenas flexibilidade ou adaptabilidade, mas ele representa quebra de valores, princípios ou regras, para se atingir um fim.


Mas a Bíblia nos ensina a amar os nossos inimigos, e até os que nos perseguem (Mateus 5.43-47). O cristianismo pode, portanto, certamente coexistir com outras culturas, mas sempre identificará os aspectos culturais que devem ser reprovados ou corrigidos, de acordo com os absolutos de Deus (como Paulo fez, ao alertar a Tito, sobre os aspectos culturais que deveriam ser combatidos e corrigidos, em Creta).


Pluralismo filosófico

O pluralismo filosófico é irmão gêmeo do pluralismo religioso e, portanto, eivado de perigos. Rudolf Carnap (1891-1970) filósofo alemão, naturalizado norte-americano, em um ensaio, chamado Princípios de Tolerância, no qual firmava os alicerces do pluralismo lógico, escreveu: “Na lógica, não existe moral. Cada um tem a liberdade de construir a sua própria lógica”.[5] Note a apresentação de que não existe uma posição lógica, mas muitas. Não existem absolutos; consequentemente, não existe verdade universal – o que é verdade para mim, não é verdade para você. Aliás, uma expressão bem contemporânea, é “a minha verdade, não é a sua verdade”. Verifique, também, que tudo isso é abraçado em nome da tolerância.


Veja, também, o entrelaçamento do pluralismo filosófico com o pluralismo religioso. Em 11 de março de 2003, o famoso entrevistador de “talk show”, Larry King (da rede CNN), recebeu alguns teólogos, filósofos e personalidades, exatamente para explorar a convivência plural com pessoas de persuasões diferentes. Um dos entrevistados foi o pastor John MacArthur. Larry King defendia a cosmovisão dos muçulmanos, como sendo igualmente lógica, coerente e legítima. A bandeira da tolerância é, mais uma vez, brandida, para que não haja essa situação incômoda e politicamente incorreta da conversão. Note, nesse trecho da entrevista, como John MacArthur responde a ele, com sabedoria, sem comprometer um milímetro das verdades cristãs:[6]

  • KING (falando de uma personalidade muçulmana): Ele ora cinco vezes por dia. Ele acha que isso está certo. Ele deve estar orando a algo (ou alguém)...
  • MACARTHUR: Bom, infelizmente ele ora ao Deus errado. Existe apenas um único Deus vivo e verdadeiro, e esse é o Deus da Escritura. O Deus Pai do Nosso Senhor Jesus Cristo. E se você não ora a esse Deus, você ora a ninguém.

  • KING: Mas ele não crê nisso. Como você lida com isso? A crença dele é tão forte quanto a sua.
    MACARTHUR: Você pode crer que pode voar e pular de um prédio de cinco andares. Mas isso não torna a sua crença em realidade. Infelizmente, a religiosidade falsa, é a mentira fatal…

  • KING: O mundo dos muçulmanos é todo falso?
    MACARTHUR: Bem, a teologia do islamismo é falsa. O deus é o deus errado. A visão que têm de Cristo é falsa.

Devemos pedir a Deus sabedoria semelhante para responder a esse tipo comum de questionamento (Tiago 1.4-8).


Grande parte dos articulistas da mídia é filosoficamente pluralista. Sempre proclamam tolerância e indicam que as posições individuais não devem ser questionadas. No entanto, observa-se um fenômeno muito interessante com relação ao cristianismo, mas que não deveria nos surpreender. Eles se ofendem muito com a proclamação da fé cristã. Paulo já nos alertava disso em 1 Coríntios 2.14-16. Assim, as “coisas espirituais”, as “coisas do Espírito de Deus” são consideradas “loucura”. Eles não têm, nem podem ter “a mente de Cristo”, sem a conversão. Por isso, enquanto proclamam tolerância, são tão intolerantes.


Não é raro vermos, nas revistas, ataques aos evangélicos ou textos que colocam os crentes em uma posição ridícula. Por exemplo, um ensaio do jornalista Roberto Pompeu de Toledo, há alguns anos, fez troça dos que oram e lêem as Escrituras todos os dias e têm “Jesus sempre no coração” e ridicularizou a fé, os candidatos evangélicos e as expressões de fé pessoal, na campanha política.[7] Os tolerantes, se apresentam nessas questões totalmente intolerantes. O pluralismo só é válido para conservar a fé cristã fora do dia a dia das pessoas.


Em outra controvérsia, o jornalista André Petry, conhecido por seus textos beligerantes contra os evangélicos, ridicularizou o ensino do criacionismo, como visão alternativa ao evolucionismo, coerente com a fé cristã, por escolas cristãs.[8] Muitas vezes, todos os evangélicos são colocados em uma vala comum com seitas neo-pentecostais, as quais, com suas práticas místicas, supersticiosas e materialistas, proclamam, na realidade um outro evangelho, estranho à Palavra de Deus.[9]

Conclusão

O pluralismo traz várias ameaças à fé cristã, especialmente em duas situações: primeiro, quando cristãos absorvem o pluralismo religioso e perdem a identidade de sua fé, o cerne de sua mensagem, a razão de sua existência. Falando a pluralistas religiosos como os de hoje, que queriam introduzir doutrinas estranhas e negar a ressurreição de Cristo, em 1 Coríntios 15, Paulo raciocina em cima das premissas deles, demonstra que são fundamentos falsos e diz, que se o que ensinam é verdade, “somos os mais infelizes de todos os homens”(14, 17, 19), é vazia nossa pregação, é vazia nossa fé. Segundo, quando os pluralistas e supostos “tolerantes”, se mostram violentos, injustos e totalmente intolerantes para com a verdade que incomoda e fere (mas que redime). Devemos orar a Deus para que nos livre de ambas as situações.


No entanto, o próprio pluralismo pode oferecer oportunidades para a apresentação do evangelho. Aperte os pluralistas dentro de suas próprias premissas. Uma dos conceitos que mais prezam é quanto a existência do “contraditório” – dentro da noção de que as múltiplas vertentes é que construirão o conhecimento. Aproveite essas ocasiões e coloque o seu lado, o lado do evangelho, as verdades de Deus. Insista para que você possa apresentar “o contraditório” – a simples aceitação disso já revelará que há contraste, que há diferença, que há verdade e mentira, luz e trevas, salvação e perdição. Paulo fazia isso, façamos nós, também.


Solano


[2]John Feinberg, Contemporary Theology II – Lecture 21, Institute of Theological Studies, (Grand Rapids: Outreach Inc., 1998). Aulas em fita cassette, de ensino a distância.


[7] Revista Veja, “E Depois Terceiro Mundo Somos Nós?”, por Roberto Pompeu de Toledo (No. 1637 – 23 de fevereiro de 2000) 158

[9] Diogo Mainardi – VEJA 1713 – 15.08.2001 - http://veja.abril.com.br/150801/mainardi.html , acessado em 06.06.2009.

domingo, março 14, 2010

Palavrão – "só pra garantir esse refrão"?

Eu não tenho nada pra dizer

Eu não tenho mais o que fazer

Só pra garantir esse refrão

Eu vou enfiar um palavrão! ...


Com essa quadrinha, composta nos idos de 1997, a banda Ultraje a Rigor consolidava seu sucesso, junto com várias outras canções, que, renitentemente teimavam em se apegar à nossa memória (“vamos invadir sua praia”; “eu me amo, não posso mais viver sem mim”; “a gente somos inúteis”, etc.).


Nas apresentações ao vivo da música “Nada a Declarar” na qual a quadrinha está inserida, como refrão, logo após “eu vou enfiar um palavrão”, Roger, líder do grupo, “enfiava”, mesmo. O palavrão, na realidade uma palavrinha curta, chula, monossilábica, era proferido em uníssono e repetido em êxtase pela galera!


Bem, a Banda estava fazendo jus ao nome, ultrajando. A idéia era chocar, movimentar, agitar – sem nenhuma consideração quanto à propriedade ou impropriedade do termo; ou quanto à necessidade de recato; ou ainda, quanto ao caráter didático que esse linguajar “sublime” significaria para as jovens mentes e até criancinhas que cantarolavam e decoravam o refrão. O negócio, afinal, era tão somente faturar, o resto que vá às favas.


Mas o que choca, mesmo, não é o Ultraje a Rigor. É a facilidade com que palavrões, expressões grosseiras e chulas – quando não blasfemas – encontram guarida na boca de fiéis que, supostamente, procuram seguir os preceitos das Escrituras.


Não me refiro àqueles que, por treinamento intenso prévio (“exercitados”: 2 Pe 2.14) – na maioria das vezes antes de suas conversões, têm problemas e lutas nessa área, e se esforçam para abandonar velhos hábitos. Em minha vida tenho testemunhado a luta de vários cristãos para controlar a língua e as palavras. Muitos foram exercitados por anos de impiedade, ou ficaram submersos em empresas, escolas ou repartições onde o palavrão é a norma. Esses procuram de todas as maneiras mudar a linguagem – isso é visível a outros, para não entristecerem o Espírito Santo com a mesma boca que abençoam (Tiago 3.9-10).


O inusitado ocorre quando vemos alguns líderes cristãos, nos últimos tempos, seguindo mais o Ultraje a Rigor (“...eu não tenho nada pra dizer; também não tenho mais o que fazer...”) do que a Bíblia. Passaram a defender a instituição do Palavrão, junto com seus seguidores.


Um texto de um desses “pastores” foi-me enviado recentemente (apesar dele estar postado e circulando desde 25.09.2009). Ele foi escrito por conhecido líder, que hoje se ocupa bastante em disseminar vitupérios contra os que o “abandonaram”, em função de seu pecado, e a destilar amarguras, atribuindo hipocrisia genérica ao mundo cristão (não se preocupem, não vou dar o link, pois a sua peça, defendendo o linguajar chulo e grosseiro não merece divulgação adicional).


O texto responde a um consulente e seguidor fiel, que chama atenção para um vídeo de outro “líder cristão” que faz palestra em uma igreja. O palestrante é médico e o pretexto é a saúde e higiene dos ouvintes. Com esse objetivo, ele utiliza palavras grosseiras e, repetidamente, o famoso monossílabo, constrangendo e chocando alguns da platéia, enquanto a outra parte se delicia e gargalha (também não vou dar o link). O consulente, então, infere que não haveria motivo para aquele vídeo escandalizar nenhum crente. Compara, então, os que se escandalizam com os que engolem um camelo, mas se engasgam com um mosquito.


Provavelmente, o camelo, aqui, refere-se à violência ou mal tratos, enquanto que o mosquito seria o palavrão. A bandeira falaciosa de muitos, principalmente no campo secular, têm sido defender impropriedades, palavrões e até pornografia, dizendo que a pornografia verdadeira é a violência para com crianças, ou de pessoa contra pessoa. Ora, um não justifica nem anula o outro. Por que ambos não podem ser errados?


Pois bem, o pastor responde com uma ode ao palavrão. Indicando que quase morreu de rir, com o vídeo, não somente grafa o monossílabo várias vezes em seu texto, como acusa os que não o utilizam de hipócritas.


O ensino básico desse pensamento é que as barreiras de recato e moralidade são arcaicas, superadas. Que o exercício de uma suposta graça amorfa promove a verdadeira autenticidade e sinceridade; e o tráfego livre entre o impróprio e proibido, e o correto e socialmente defensável. Afinal, vivemos em uma matriz de convenções humanas. Para estes, a aproximação com Deus não cria a obrigação para com regras, mas a liberação dessas. Pelo que inferimos desses ensinos, não existem absolutos. Nos aproximamos de Deus e, no fluir dessa graça subjetiva, de uma maneira mística e indescritível, nada contradiz nossa forma e postura de vida. A única máxima, possivelmente, seria o “amor”, mas esse, fugindo ao sentido bíblico de procurar o interesse da pessoa amada, de “cumprimento dos mandamentos” (João14.15,21), passa a ser um termo vazio de significado, que abriga tudo sobre seu guarda-chuva, num reavivamento da Teologia Situacionista moribunda de Joseph Fletcher, tão popular na década de 60, do século passado.


Nesse universo imaginário, até o pecado é redefinido e a tolerância irrestrita é propagada. Ser contra palavrões, ou contra o palavrão-palavrinha, repetido ad nauseam no texto, é coisa de careta; de cristão retrógrado; de pessoas que ainda não atingiram esse patamar de pseudo-santidade estéril (pois não produz pureza), característica dessa nova ordem de iluminados.


Mas será que esse é o ensino da Palavra de Deus? Será que o derribar desses marcos regulatórios é a verdadeira missão e postura do cristão? Essa luz negra que projetam sobre minha vida procede mesmo da “lâmpada para os meus pés... e luz para os meus caminhos” (Sl 119.105)? Por certo que não. A Bíblia nos instrui que o recato ou pudor é virtude a ser cultivada. Especificamente ela alerta contra a falta de pudor (“impudiscícia”), que teima em se imiscuir na igreja, em Efésios 5.3: “Mas a impudicícia e toda sorte de impurezas ou cobiça nem sequer se nomeiem entre vós, como convém a santos”.


É verdade que vivemos em uma era onde se fala cada vez menos nisso. As crianças se acostumam em um mundo onde a propriedade e modéstia no vestir e no proceder estão conspicuamente ausentes. Não é de espantar que a sexualidade precoce desponte como uma das grandes distorções e desvios do nosso século. Nossos ouvidos também vão se acostumando e a consciência se cauterizando com tantas impropriedades proferidas nos filmes, na televisão, nas rádios, nas músicas e no dia-a-dia da sociedade. No entanto, ver “líderes cristãos” rotulando o constrangimento perante a imoralidade de hipocrisia, leva-nos à vanguarda do absurdo. Para os tais o alvo é ser “liberado” das amarras incômodas, e comecemos essa jornada rumo à dissolução social e à devassidão moral, bem moderninhos e conectados, pelo linguajar. Por que exercer seletividade moral na palavra falada ou escrita?


Se não houvesse nenhuma outra razão, teríamos o exemplo dos escritores da própria Bíblia. Palavrões e linguagem chula sempre existiram na história da humanidade. Estão enraizados na natureza humana pecaminosa. Sempre houve uma forma apropriada e uma forma vulgar de se referir a tudo, especialmente a partes do corpo. Ora, por que então a Bíblia, que trata dos mais variados assuntos, utiliza palavras e expressões recatadas e apropriadas e não chulas, para se referir a elas? Certamente a comunicação adequada, preocupação do Autor da Bíblia, que a fez ser grafada na linguagem comumente falada, através das eras, não necessitava do emprego de linguagem imprópria. Falar com recato não impede a comunicação. Ou será que a utilização de palavrões, no seio do cristianismo, é nova forma de comunicação eficaz e grande descoberta; veículo de graça contemporânea, encontrado por essa nova casta de iluminados?


Mas a Bíblia vai além e fala especificamente da linguagem que deve caracterizar o servo de Deus:

  1. Em Tito 2.8, somos admoestados a ter “linguagem sadia e irrepreensível para que o adversário seja envergonhado não tendo indignidade nenhuma que dizer a nosso respeito
  2. Efésios 4.29 diz categoricamente: “Não saia de vossa boca nenhuma palavra torpe e sim, unicamente, a que for boa para edificação...”
  3. Colossenses 3.8 mostra que o linguajar chulo é característica dos descrentes: “Agora, porém, despojai-vos, igualmente, de tudo isso: ira, indignação, maldade, maledicência, linguagem obscena do vosso falar”
  4. Tiago 1.26 parece falar aos que querem misturar religiosidade com linguajar impróprio: “Se alguém supõe ser religioso deixando de refrear a sua língua, antes enganando o próprio coração, a sua religião é vã”.
  5. Efésios 5.4 também, claramente, mostra como deve ser a comunicação do cristão. Gracejos e gozações grosseiras (chocarrices), palavras torpes e vãs não devem ter lugar em nosso falar: “...nem conversação torpe, nem palavras vãs, ou chocarrices, coisas essas inconvenientes...”.

Parece que o Roger, do Ultraje ao Rigor estava certo: na falta do que dizer; na falta do que fazer; defenda-se o palavrão. Mas o cristão tem o que falar e o que fazer. Não venham me enganar e dizer que tudo isso que a Bíblia condena deve estar presente na boca do cristão.

Solano Portela

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Sobre este assunto, sem representar endosso completo à totalidade do site, leia também: “Crente Boca Suja” em: http://www.sandrobaggio.com/2009/09/23/crente-boca-suja/

e

“O Falar Cristão”, em:

http://nasprofundezasdasimplicidade.blogspot.com/2009/06/o-falar-cristao.html

e, o excelente,

"Reflexão Óbvia Sobre os Palavrões", da Norma Braga. Sobre este post, de 2007, a autora diz o seguinte: "Hoje em dia o óbvio é novidade para muita gente, mesmo na igreja, que está entrando na onda do 'falar palavrão é legal' e, com isso, participam da atmosfera destrutiva que tem sustentado reviravoltas morais na sociedade".

sexta-feira, março 12, 2010

DEREK W.H. THOMAS - CONVITE

Enquanto as coisas estão calmas por aqui, aproveito para um rápido convite.
O Dr. Derek Thomas, professor do Reformed Theological Seminary estará no Brasil para um curso no programa de Doutorado em Ministério do CPAJ e deverá pregar no próximo domingo, dia 14 de março, na Igreja Presbiteriana da Lapa, onde sou um dos pastores. Apresento o pregador:

Natural do País de gales, o Dr. Derek Thomas é professor de Teologia Sistemática do Reformed Theological Seminary, Jackson, MS. Após pastorear a Igreja Presbiteriana em Belfast, Irlanda do Norte, por 17 anos, o Dr. Thomas retornou aos Estados Unidos onde tem atuado ativamente como professor de seminário, pastor assistente na Primeira Igreja Presbiteriana de Jackson (PCA) e conferencista internacional. Dr. Thomas tem sido preletor principal nas seguintes conferências: Ligonier Conference (R. C. Sproul) e Shepherd’s Conference (Dr. John MacArthur), dentre outras. Além do mais, Dr. Thomas esteve no Brasil para a Conferência da Fiel em 1999.

Além de suas atividades ministeriais nos Estados Unidos Dr. Thomas atua como editor do Evangelical Presbyterian, uma revista mensal com circulação internacional. Dentre os vários livros por ele escrito podemos mencionar: The Storm Breaks:  Job Simply Explained, Wisdom:  the Key to Living God’s Way, and God Strengthens:  Ezekiel Simply ExplainedMaking the Most of Your Devotional Life based on the Ascent Psalms, Praying the Savior’s Way (uma exposição da Oração do Senhor). Recentemente Dr. Thomas publicou Let’s Study Revelation (Banner of Truth), Let’s Study Galatians (Banner of Truth) e Calvin’s Teaching on Job: Proclaiming the Incomprehensible God (Christian Focus). Finalmente ele atuou como co-editor da obra Give Praise To God: A Vision for Reforming Worship (P & R).

Derek é casado com Rosemary por quase 30 anos e eles têm dois filhos adultos: Ellen e Owen.
Dia: 14/03/2010
Horário: 18:00h

Esperamos sua visita.
Igreja Presbiteriana da Lapa (Rua Roma 465, Lapa, SP - Fone: 11-3864-6974)

quinta-feira, março 04, 2010

Impressões do Congresso de Teologia do Mackenzie

Acabou ontem a noite o Congresso Internacional de Teologia, realizado no Mackenzie e tendo como principal preletor Dr. Michael Horton, com mais de uma dezena de livros publicados em português. A freqüência às palestras de Dr. Horton e dos demais preletores superou a expectativa dos organizadores do evento. Diversas oficinas foram oferecidas durante as tardes, e as salas reservadas ficaram pequenas para a grande afluência de interessados. Na noite da abertura havia perto de 800 pessoas no auditório Ruy Barbosa. As palestras foram também transmitidas ao vivo pela internet. Juntamente com o fato de que a maioria do público participante era composta de pastores, professores e alunos de teologia, a transmissão ao vivo aumentou bastante o potencial multiplicador do Congresso.

Um stand de livros teológicos selecionados ofereceu obras até com 50% de desconto, de diversas publicadoras, com vendas recorde em eventos anteriores realizados no Mackenzie. Na última noite, tivemos o lançamento do último título do Dr. Horton no Brasil, Cristianismo sem Cristo.

Acho que a causa da grande procura pelo evento foi seu objetivo principal, de identificar, analisar e mostrar os prejuízos do antigo liberalismo teológico e das teologias modernas que ainda seguem em sua esteira no Brasil. As palestras principais do evento mostravam claramente esta tendência. Além daquelas de Dr. Horton mostrando as falácias do liberalismo e da neo-ortodoxia, tivemos outras como "O fim do método histórico-crítico", que tive o prazer de apresentar, e "Teologia e Academia: Os opostos se atraem?" por Dr. Hermisten Costa.

As oficinas também foram nesta direção, explorando as origens, falácias e perigos do liberalismo teológico, antigo e novo.

Uma oficina que chamou a atenção foi a de Franklin Ferreira, onde ele mostrou que o "Cristianismo positivo" professado por Hitler e seu partido nazista era resultado do liberalismo teológico dos séculos 19 e 20. O anti-semitismo, a rejeição do Antigo Testamento, a negação de Jesus como judeu e de Paulo como rabi, e tudo mais, encontra ressonância nas obras de liberais como Schleiermacher, Wellhausen, Harnack. Dr. Franklin usou entre outras fontes a obra recente lançada no Brasil, O santo reich, de Richard Steigmann-Gall, publicada pela Imago, onde essa associação entre o protestantismo liberal e o nazismo é claramente documentada. O prestigiado jornal americano Sunday Times endossou a tese do livro dizendo "… connects Nazism to liberal Protestantism in a convincing way" (... [o livro] conecta o Nazismo ao Protestantismo liberal de maneira convincente").

No geral, vejo o Congresso como parte do movimento crescente no Brasil em busca de uma teologia bíblica, que respeite as Escrituras como a infalível Palavra de Deus, que leve a sério seus ensinamentos como um todo, ao mesmo tempo em que rejeita cada vez mais o liberalismo teológico que, apesar da negação de muitos, continua sendo ensinado e disseminados nos seminários e escolas de teologia do Brasil.

segunda-feira, março 01, 2010

Michael Horton ao Vivo

Para assistir as palestras do Dr. Horton ao vivo, vá até a página principal do Mackenzie e procure por este link (está logo no topo da página):

 
Todas as palestras na programação do evento serão transmitidas e posteriormente disponibilizadas para download. Bom congresso a todos os internautas!