domingo, março 04, 2012

Em defesa da CENSURA! (2)

O meu post anterior gerou uma série de comentários, uns com mal entendidos, outros irados, e outros até positivos e de apoio. Respondi a todos os comentários, lá, mas continuo o assunto com observações adicionais, algumas contidas naquelas respostas.

O nome do meu texto original foi “Em defesa da Censura”! Por alguma razão estranha, muitos leram tanto o título, como o conteúdo, como uma defesa à criação de uma confraria de censores de vestes pretas, articulando suas decisões em porões obscuros em bases subjetivas. Mas o fato é que, para defender a censura, não precisamos dessa categoria de pessoas: os censores. Bastaria a aplicação da Lei da Terra que já existe e que, pela misericórdia divina e sua Graça Comum, reflete, ainda que de longe, a Lei Moral de Deus. Por exemplo – por que o estatuto da criança é olhado apenas para coibir “trabalho infantil”, ou para impedir o exercício da disciplina em colégios e outras instituições? Quem está preocupado em proteger as crianças do incentivo nauseante à sexualidade precoce? Ou seja, basta aplicarmos leis que já existem, que a bandalheira que aí está seria pelo menos diminuída. Precisamos que cidadãos se levantem contra a baderna que impera e que governantes e magistrados ajam como Ministros de Deus na promoção da justiça e das verdades, punindo os maus e recompensando os bons.

Quando os crentes se inibem, deixam de se indignar, ou – quando se indignam – mas acham apenas que “isso é um problema meu e da minha família”, prejudicam a sua missão na terra e, na melhor das hipóteses, estreitam a influência que deveriam ter como sal da terra e luz do mundo. Ninguém está defendendo a substituição da proclamação do evangelho salvador de Cristo pelo exercício consciente da cidadania, mas uma coisa não exclui a outra.

De onde vem essa ingenuidade cristã, demonstrada por alguns, de que a sociedade civil e as suas leis são neutras e se constituem um regramento moralmente estéril para regular a sociedade secular? As sociedades prosperam no exercício da justiça na medida em que preservam o que Deus diz que deve ser preservado e condenam aquilo que deve ser condenado. Impossível, clamam alguns! Será? Não é essa a ótica da Palavra de Deus. O fato é que a grande maioria dos cristãos subestima a abrangência da grande verdade que é a criação das pessoas à imagem e semelhança de Deus. Subestima também o ensino sobre os que não têm o conhecimento direto de Deus, achando que são incapazes de qualquer traço de moralidade, mas a Bíblia registra que eles têm a lei dele impressa em seus corações.

Creio que temos um descaso pela forma como Deus age, derramando sua Graça Comum sobre a Terra (diferente da Graça Especial – que é salvífica). E isso leva os cristãos a dois polos – retratados em alguns comentários: (1) Aceitação acrítica da secularização da sociedade – “o que eles definirem está bom; é o que lhe compete, e nada tem a ver com os pilares e princípios de nossa fé”; ou (2) a sociedade secular é completamente má e pervertida; “temos de proteger a nossa família deles e tão somente pregar o evangelho, pois não há nenhum ponto em comum e nunca defenderão os princípios reais de justiça”. Esses extremos têm um ponto de contato: consideram que a religiosidade e os princípios da religião verdadeira são questões particulares. Defender a censura e um “basta!” para a dissolução moral seria “impingir a visão cristã de mundo aos demais”, e isso não seria correto nem praticável.

Ocorre que a defesa de “um estado laico”, por cristãos, é com frequência equivocada. Em vez de promoverem e defenderem um estado que não abrigue ou promova uma determinada religião – o que é defensável; aceitam um estado que é divorciado de princípios universais de justiça, que Deus, por sua misericórdia, ainda mantém até na consciência dos ímpios. Nessa ânsia de abstrair o estado da religião, retiram dos governantes o papel de ministros de Deus, como a própria Bíblia os considera. Ministros para que? Para servirem na condenação do mal e na promoção do que é bom e verdadeiro. Engolem a falácia coletivista de que os governantes não respondem primariamente a Deus, mas ao povo. Retiram-se da esfera governamental âncoras éticas e comportamentais que são, sim, defendidas pelos cristãos, mas deveriam também, ser a base do governo justo.

Acho pertinentes as palavras de um autor (você pode ler o artigo todo dele, aqui) que escreveu contra o mito de que “não se pode legislar moralidade”. Na realidade, ele afirma corretamente que “toda lei é uma moralidade legislada”, e adiciona que não podemos legislar pessoas morais, mas é possível, sim, legislar moralidade:
Leis contra roubo e assassinato nunca foram feitas para tornar alguém melhor,
nem pretendem fazê-lo. Elas têm o intuito de dissuadir as pessoas imorais de um
comportamento imoral por meio do medo da justiça. Nem parar num sinal de pare
faz você uma pessoa moral; o intuito não é torná-lo moral, mas fazer você
dirigir de uma forma que proteja a vida e propriedade dos outros. Os
magistrados, diz o apóstolo Paulo, devem ser um terror para os malfeitores; seu
propósito é controlar as pessoas que querem fazer o que a lei diz ser errado.
Muitos cristãos pensam que devem manter apenas as suas ações de evangelização, mas conservar os seus padrões apenas para “a comunidade cristã”, jogando a toalha da vida em sociedade, pois qualquer tentativa de reafirmar nossos princípios ao governo, não somente será inútil, como até será errada – pois estaríamos forçando nossa visão de vida aos demais. Crentes que pensam dessa maneira podem até se considerar cidadãos esclarecidos, mas diminuem o papel que devem ter na sociedade e o que deles espera o seu Criador. Essa é uma atitude politicamente correta, adorada pelos ímpios, mas inócua e inadequada ao cristão cidadão.

Ora se vamos ser politicamente corretos, paremos de evangelizar! A evangelização é o fruto de uma profunda certeza de que as verdades e o Deus das Escrituras são reais, e de que a mensagem de Cristo é real – convicção essa operada pelo Espírito Santo. Essa persuasão deve ser tão grande, que carreamos o anúncio a outros, indicando que só existe UM caminho, e apenas UMA forma correta de compreender a realidade, para sair da punição eterna e entrar na comunhão com o Criador. Essa exclusividade da fé Cristã, que não admite compartilhar O Caminho, com outras “fés”, é politicamente incorreta, mas é a própria mensagem, que nos legou Jesus Cristo, o Salvador, para que ressoasse pelo mundo por meio de nossas vidas e palavras.
Solano Portela

19 comentários:

Fernando Jordão disse...

Quando li a segunda postagem a cerca do assunto, fiquei pensando "Como o analfabetismo afeta as pessoas de tal forma que lêem uma postagem clara e explicativa, mas a distorcem a ponto de ter que ter outra postagem sobre o mesmo tema", contudo refletindo melhor, penso que não é somente o analfabetismo funcional, mas tambem o moral, bíblico, político que não faz entender o que de fato que se criticar, corrigir e ensinar. Parabéns pela postagem e pela preocupação de tornar mais claras idéias anteriormente já claras.

Felipe disse...

Caro Solano,

Parabéns pelo esclarecimento. Tornou o texto anterior ainda melhor.

Grande abraço,
Felipe Sabino

Mauro Meister disse...

Solano,

Os mesmos cristãos que são contra a censura pela aplicação das leis que defendem o homem e a sociedade da imoralidade serão os que sucumbirão ao pensamento de que a homossexualidade e todas as suas expressões devem ser liberadas...

O fato é que chegamos até este ponto com a decisão de muitos cristãos de séculos passados que resolveram que existem esferas nas quais o secular é melhor do que o santo, até chegarmos aos jargões absurdos como 'o estado é laico' e já não saberem o que isto significa (que na cabeça da maioria significa: o estado é ateu e amoral). Veja-se o 'Desastre da Mente Evangélica'.

Norma disse...

Muito bom! Concordo também com Mauro. Estamos em uma época de "acomodação", termo usado por Schaeffer em O grande desastre evangélico para designar um amálgama acrítico entre cristianismo e cultura. E, apesar de todas as explicações, se alguém ainda confunde a exposição de Solano sobre a censura com simples teonomismo, cabe lembrar a postagem aqui do Tempora sobre o assunto -

http://tempora-mores.blogspot.com/2008/03/os-teonomistas-mordem-ou.html

- com destaque para esse trecho:

"Na minha avaliação, os teonomistas têm muito a nos ensinar, mas não posso embarcar na visão anacrônica e não bíblica da aplicabilidade da lei judicial ou civil de Israel aos dias de hoje (quiçá da cerimonial), nem na visão de uma sociedade controlada e transformada pela lei, em vez de 'salgada' e 'iluminada' pelo evangelho (e, assim, na providência divina, preservada até o tempo do julgamento de Deus)."

Eis o ponto nodal: entre duas posturas erradas - advogar um controle cristão da sociedade, de um lado, e deixar a cultura entregue a si mesma, de outro - , creio que a opção realmente bíblica é SALGAR a sociedade. E isso é feito não só com evangelização direta, mas também com a apologia, ou seja, com a exposição da vontade de Deus para o ser humano como "boa, perfeita e agradável", não só para cristãos, mas para todos os homens e toda a criação. Precisamos mostrar (e isso faz parte da nossa pregação!) que, mesmo que não queiram converter-se a Jesus, as pessoas ainda podem ser abençoadas limitadamente, pela graça comum, pois os limites que Deus proporciona em sua vontade são bons em si, e vale a pena conservá-los como diretrizes gerais para a sociedade. É pelo bem da sociedade em geral que podemos exercer alguma pressão para que leis abençoadoras, e não destrutivas, sejam seguidas e implementadas. E sabemos que leis abençoadoras só o serão se estiverem de algum modo fundamentadas em padrões e limites bíblicos.

Por isso, eu creio vivamente que os leitores que compreenderam mal o texto de Solano fariam bem em questionarem-se quanto a se não estariam vivendo como se os padrões de Deus só fossem bons para si mesmos, ou seja, se não estariam vivendo a fé dentro de uma redoma, particularizando a verdade e deixando de salgar o mundo nesse sentido.

Helder Nozima disse...

Solano,

No meu caso, não sou contrário a que a Igreja proteste e até mesmo exija o cumprimento de leis que resguardem as crianças do lixo que existe na TV (pornografia, violência, etc). Embora eu tenha divergências quanto ao que deveria ser restrito, a minha bronca maior não é quanto a essa divergência.

A questão é, efetivamente, de método. A palavra "censura" é carregada de significado e espanta-me a forma desenvolta como você a usou, provocativamente, em maiúsculas, chamando a atenção. É espantoso que você agora diga que "censura" não envolve censores... se vc buscar no Google as palavras "censura" e "mídia", verá que o seu uso da palavra foi...único. Literalmente. Não creio que você não tivesse consciência de como a palavra é usada nos meios de comunicação.

Além disso, hoje se alguém buscar no Google as palavras "defesa" e "censura" verá os reformados quase que no topo da busca. Fica a péssima impressão de que nós somos favoráveis à censura em seu sentido clássico...algo que pode fazer a festa de esquerdistas, ativistas LGBT, liberais e outros. Ainda mais que você, efetivamente, fala de censores no primeiro texto e até dos critérios objetivos que deveriam ser usados. Como se fosse possível tratar objetivamente de tal assunto, sem nenhum tipo de subjetivismo. Você pode até ter desejado dizer outra coisa...mas, efetivamente, disse algo que gera mesmo, no mínimo, confusão.

Ao meu ver, a confusão causada tem origem na escolha de um termo profundamente infeliz e que você insiste em repetir. Quanto à aplicação da lei, já mostrei no meu blog que isso tem acontecido. Então, deixo aqui uma sugestão que apresentei lá: os concílios podem acionar o Ministério Público a ajuizar ações contra programas e emissoras que veiculem conteúdo impróprio. É uma forma muito prática de lutar contra o lixo na TV e proteger as crianças, sem cair na "censura".

Graça e paz do Senhor,

Helder Nozima
Barro nas mãos do Oleiro

Filipe Luiz C. Machado disse...

Solano, como falei no comentário na parte 1, faço coro às suas palavras.

Por perceber sua veia (ou corpo inteiro - rsrs) teonomista, sei que há mais bala na agulha para ser atirada - mas quem saberia discernir o que poderia resultar de um texto onde outras verdades fossem explanadas?

Oremos para o que Senhor levante os professos da fé cristã e os lembre que o "ide" é também sinônimo de "faça".

Cristo seja contigo.

Filipe Luiz C. Machado
www.2timoteo316.blogspot.com

Solano Portela disse...

Caro Fernando, Felipe e Mauro:
Muito obrigado pelos comentários e palavras de incentivo.
Abs
Solano

Solano Portela disse...

Cara Norma:

Muito obrigado por mais um pertinente comentário e pela referência ao post anterior. Creio, realmente, que os teonomistas têm vários pontos válidos, sem a necessidade de sermos pressionados a "comprar o pacote inteiro".

Quando à redoma, vamos esperar que ela seja quebrada e que os cristãos interajam com vigor, convicção e graça em todas as esferas.

Abs

Solano

Solano Portela disse...

Caro Hélder:

Grato pelo comentário. Na realidade, não acho que tenhamos que recorrer às tecnicalidades que você menciona, no termo, para discutir o assunto.

Normalmente todas as profissões têm esse cacoete: economistas não gostam quando interessados no assunto se aventuram a comentar; cientistas olham de cima para baixo, àqueles que chamam atenção de pontos pertinentes, mas estão fora da academia; jornalistas não estão imunes a isso e recorrem aos detalhes filológicos ou etimológicos, para descaracterizar a questão em si.

Não creio que nossas discordâncias sejam tão profundas, assim, e, na realidade, o que você advoga é, também, CENSURA. A diferença é que você, como muitos, tem receio desse nome, e eu não.

Um abraço,

Solano

Solano Portela disse...

Caro Filipe:

Dê uma olhada no post cujo link foi relembrado pela Norma, acima. Navego em águas apreciativas da Lei de Deus, mas estou longe de ser um teonomista, ainda que aprecie o estudos aprofundados que desenvolveram.

Um abraço,

Solano

Filipe Luiz C. Machado disse...

Desculpe-me então, Mauro - equivoquei-me no entendimento.

Quanto ao link indicado, lembrei-me de já o ter lido na ocasião (ou pouco depois). Mas, independente dele, o que intriga-me é como pode-se defender a pena de morte (no seu bom e útil livro) e não defender a aplicação do restante das Leis de Deus. No entanto, aguardo resposta para então comentar.

Um abraço.

sandro barcelos disse...

como ja dizia kant "ha um pendulo na natureza humana que pende naturalmente para o mal" portanto completa Aristóteles esse pensamento em ÉTICA A NICÔMACO" O HOMEM NATURALMENTE NÃO APRENDE A VIRTUDE É NECESSÁRIOS LEIS POR QUE OS HOMENS SÓ OBEDECEM POR MEDO DA PUNIÇÃO" Bom se esses pensadores já chegavam a essa conclusão muito antes de nós o que diríamos de nosso tempo?

Paulo Sollo disse...

Gostaria de saber se os pastores Mauro Meister,Augustus Lopes e Solano Portela são pós-milenistas.

Abraços Reformados.

Ismar Sahdo disse...

Gostei, Solano.

JS Graça disse...

Censura já!..abaixo a imoralidade sexual,a apologia à lascividade precoce..sigamos o exemplo chinês..censura e bloqueio de todo conteúdo pornográfico na tv e internet...e é sabido que ninguém morre de tédio na China devido à esse controle..acho isso o que mais constrange a família brasileira todos os dias..não falo como crente em Jesus,mas como pai;cidadão convicto de que essa pouca vergonha tem que acabar!!!!

Casal 20 disse...

Resumo das ideias que me incomodam: creio que não devemos ficar inertes, mas creio que o Estado não nos sustentará por muito mais tempo, daí minha total desconfiança de que nos apoiemos sobre quem quer nos passar uma bela rasteira. Seria, então, um problema de Governo (ou de partido) e não de Estado? Não! O Estado mesmo que aí está foi sendo moldado para tragar os conservadores, abrir mão do legado da história ocidental e, criando o caos, finalmente, abrir caminho para a vinda do anti-cristo. Tudo que vem abaixo, Solano, é redigido sob esse pano de fundo mental. Obrigado pelas contra-argumentações do post anterior. É sobre elas que redijo a seguir.

Casal 20 disse...

1)Querido Solano, compreendo que a lei de Deus é para TODOS os homens. O problema talvez seja retirar aqueles textos do último post de um ambiente de Estado Religioso como era Israel. O Estado moderno não é religioso e, ainda que a Igreja esteja convencida de que a lei de Deus seja a verdade para todos os brasileiros, o Estado não está. Então, o que há hoje nesta democracia de minorias em que o Estado atua para defendê-las democraticamente resulta numa crescente total impossibilidade de se praticar justiça, porque as minorias saem cada qual em luta de sua auto-preservação e não da sociedade como um todo: não somos mais uma democracia de decisão da maioria, transformamo-nos em uma democracia de guerrilha. Enfim, o que vejo como futuro é uma colisão de minorias. Aqui é que eu acho que concordo com o Helder, porque vejo que o Estado – este Estado Laico e Iluminista - foi construído sobre bases que o farão sucumbir por causa da própria democracia que ele defende. Então, entendo que o problema é apelar para a censura de um Estado que não se dobrará mais à força dos argumentos, mas às ideologias que lhe assaltaram e o definiram.

2)Solano, neste ponto do argumento do texto de Romanos, o que eu discordo tange novamente ao Estado que aí está. O fato de Rm mostrar que a lei está implantada no coração do homem, isto é, ele sabe de certa maneira distinguir o certo e o errado, mas a própria história das civilizações mostra que, à parte da verdade do coração, o pecado e a depravação sempre foram muito mais eficientes nos Estados pagãos que a verdade no coração de seus cidadãos comuns. É só lembrarmos do Estado Romano e do Estado Babilônico por exemplo. Ou mesmo do Estado de Israel, pois corrupção, idolatria, sexismo, etc sempre foram as marcas desses Estados e a própria causa de suas bancarrotas. Por isso, havia os profetas. Os profetas não eram o Estado. Hoje, Solano, o que vejo é que há um Estado definido em bases humanistas anticristãs. Mas há a Igreja e cabe a ela se defender... Utilizando-se do Estado? Utilizando-se da censura Estatal? Esta certamente será usada contra a própria Igreja. É o que já está acontecendo.

3)Solano, no “cada um de nós decide”, a impressão que me fica é que você é muito otimista ou eu é que sou muito pessimista. O Estado já faz algo sobre o homossexualismo e a imoralidade: defende-os! O problema não é só a sociedade que está anestesiada, mas o Estado que é anti-cristão. O Estado que aí está, o Estado que se formou no Iluminismo é a favor da igualdade de TODOS, da liberdade de TODOS e da fraternidade de... quem?! O Estado está instaurando a tensão e o choque entre as minorias e a tradição cristã histórica, mas, depois, o segundo passo, será jogar todas as minorias umas contra as outras, porque o excesso de leis “protegendo” as minorias só virão a lançá-las umas contra as outras (cotas raciais nas universidades é um bom exemplo do que virá pela frente). Precisamos lutar contra tudo isso? Precisamos! Só não vejo que o Estado e o sistema jurídico continuará a apoiar por muito mais tempo as leis que deveriam refletir a glória de Deus.
(continua...)

Casal 20 disse...

4)Solano, no ponto do “impingir”, não consigo ver na mesma esfera o argumento censura e poder policial. Até acho perigoso essa ligação, porque poder policial exacerbado é cortado por leis que o limitam e punem maus policiais. Mas e a má censura? Quem punirá a má censura? Quem defenderá quando um pastor for censurado por pregar contra o homossexualismo? O STF que há mais de 20 anos foi tendo seus magistrados substituídos por juizes que coadunam com a cosmovisão estatal que aí está?

5)Solano, evangelizar não é ficar inerte, é estar disposto a morrer nas mãos de um Estado que o censura por ser “homofóbico”, “moralista”, “conservador”, “inimigo do Estado” e “agitador social”.

6)Solano, creio que todos concordamos que devemos lutar para que a imoralidade e demais coisas que afrontam as nossas crianças e jovens sejam condenáveis. Mas dependermos da censura estatal para interferirmos na vida privada das pessoas, é contarmos com a ajuda de um Estado Moderno que é a própria besta do Apocalipse.

7)Em relação ao seu exemplo da favela e do bairro rico, gostaria de dizer que espero que as igrejas evangélicas possam atuar tanto nas favelas como nos bairros ricos, até porque a imoralidade atua independente da classe social. E a polícia deve agir, sim, mas quanto ao exagero do poder policial há, como já disse, leis que punem. Mas, ao Estado coercivo, quem o punirá? Estados coercivos, Estados policiais, Estados censores redundaram no nazismo e no stalinismo. A igreja vive tempos difíceis e creio que só se tornarão piores. E, infelizmente, como a Igreja mudou o Estado também.

Abraços sempre afetuosos.

Fábio

fisio disse...

Boa tarde,
não sei se já é de vosso conhecimento a série de aulas do padre Paulo Ricardo sobre o marxismo e seu projeto global social, especificamente dentro das igrejas, através da teologia da libertação. O padre usa uma didática excelente (até leigos podem entender) para explicar e esmiuçar conceitos e um estado de coisas que todo cristão protestante também deveria saber. Explica o que foi o marxismo clássico, o que é a revolução cultural marxista (Gramsci, Escola de Frankfurt, etc.) Considero essas aulas um ponto de partida (um 'esqueleto') muito bom para começar os estudos nesse tema. Todos os pastores deveriam assistir para entenderem melhor a influência da neo-ortodoxia nas igrejas!
http://www.youtube.com/watch?v=FJi7CugwzVw&feature=related

Abs

marcelo h.