quinta-feira, julho 05, 2012

Sobre Festas Juninas


[Eu sei que este artigo está meio atrasado, mas quem sabe serve para o ano que vem, visto que todo mês de Junho este assunto volta]

A festa celebra o nascimento de João Batista, que virou um dos santos católicos. É realizada no dia 24 de junho com base no fato que João Batista havia nascido seis meses antes de Jesus (Lc 1:26,36). Se o nascimento de Jesus (Natal) é celebrado em 25 de dezembro, então o de João Batista é celebrado seis meses antes, em 24 de junho. É claro que estas datas são convenções, apenas, pois não sabemos ao certo a data do nascimento do Senhor.

A origem das fogueiras nas celebrações deste dia é obscura. Parece que vem do costume pagão de adorar seus deuses com fogueiras. Os druidas britânicos, segundo consta, adoravam Baal com fogos de artifício. Depois a Igreja Católica inventou a história que Isabel acendeu uma fogueira para avisar Maria que João tinha nascido. Outra lenda é que na comemoração deste dia, fogueiras espontâneas surgiram no alto dos montes.

Já a quadrilha tem origem francesa, sendo uma dança da elite daquele país, que só prosperou no Brasil rural. Daí a ligação com as roupas caipiras. Por motivos obscuros acabou fazendo parte das festividades de São João.

Fazem parte ainda das celebrações no Brasil (é bom lembrar que estas festas também são celebradas em alguns países da Europa) as comidas de milho – provavelmente associadas com a quadrilha que vem do interior – as famosas balas de “Cosme e Damião.” São realizadas missas e procissões, muitas rezas e pedidos feitos a São João. As comidas são oferecidas a ele.

Se estas festividades tivessem somente um caráter religioso e fossem celebradas dentro das igrejas como se fossem parte das atividades dos católicos, não haveria qualquer dúvida quanto à pergunta, “pode um evangélico participar?” Acontece que as festas juninas foram absorvidas em grande parte pela cultura brasileira de maneira que em muitos lugares já perdeu o caráter de festa religiosa. Para muitos, é apenas uma festa onde acendem-se fogueiras, come-se milho preparado de diferentes maneiras e soltam-se fogos de artifício, sem menção do santo, e sem orações ou rezas feitas a ele.

Paulo enfrentou um caso semelhante na igreja de Corinto. Havia festivais pagãos oferecidos aos deuses nos templos da cidade. Eram os crentes livres para participar e comer carne que havia sido oferecida aos ídolos? A resposta de Paulo foi tríplice:
  • O crente não deveria ir ao templo pagão para estas festas e ali comer carne, pois isto configuraria culto e portanto, idolatria (1Cor 10:19-23). Na mesma linha, eu creio que os crentes não devem ir às igrejas católicas ou a qualquer outro lugar onde haverá oração, rezas, missas e invocação do São João, pois isto implicaria em culto idólatra e falso.
  • O crente poderia aceitar o convite de um amigo pagão e comer carne na casa dele, mesmo com o risco de que esta carne tivesse sido oferecida aos ídolos. Se, todavia, houvesse alguém presente ali que se escandalizasse, o crente não deveria comer (1Cor 10:27-31). Fazendo uma aplicação para nosso caso, se convidado para ir a casa de um amigo católico neste dia para comer milho, etc., ele poderia ir, desde que não houvesse atos religiosos e desde que ninguém ali ficasse escandalizado.
  • E por fim, Paulo diz que o crente pode comer de tudo que se vende no mercado sem perguntar nada. A exceção é causar escândalo (1Cor 10:25-26). Aplicando para nosso caso, não vejo problema em o crente comer milho, pamonha, mungunzá, etc. neste dia e estar presente em festas juninas onde não há qualquer vínculo religioso, desde que não vá provocar escândalos e controvérsias. Se Paulo permitiu que os crentes comessem carne que possivelmente vieram dos templos pagãos para os açougues, desde que não fosse em ambiente de culto, creio que podemos fazer o mesmo, ressalvado o amor que nos levaria à abstinência em favor dos que se escandalizariam.
Segue abaixo parte de um livro meu onde abordo com mais detalhes o que Paulo ensinou aos coríntios em casos envolvendo a liberdade cristã.

O CULTO ESPIRITUAL, Augustus Nicodemus Lopes. Cultura Cristã, 2012.

“A situação de Corinto era diferente. O problema lá não era o mesmo tratado no concílio de Jerusalém. O problema não era os escrúpulos de judeus cristãos ofendidos pela atitude liberal de crentes gentios quanto à comida oferecida aos ídolos. Portanto, a solução de Jerusalém não servia para Corinto. É provavelmente por esse motivo que o apóstolo não invoca o decreto de Jerusalém.[1] Antes, procura responder às questões que preocupavam os coríntios de acordo com o princípio fundamental de que só há um Deus vivo e verdadeiro, o qual fez todas as coisas; que o ídolo nada é nesse mundo; e que fora do ambiente do culto pagão, somos livres para comer até mesmo coisas que ali foram sacrificadas.

1. A primeira pergunta dos coríntios havia sido: era lícito participar de um festival religioso num templo pagão e ali comer a carne dos animais sacrificados aos deuses? Não, responde Paulo. Isso significaria participar diretamente no culto aos demônios onde o animal foi sacrificado (1 Co 10.16-24). Paulo havia dito que os deuses dos pagãos eram imaginários (1 Co 10.19). Por outro lado, ele afirma que aquilo que é sacrificado nos altares pagãos é oferecido, na verdade, aos demônios e não a Deus (10.20). Paulo não está dizendo que os gentios conscientemente ofereciam seus sacrifícios aos demônios. Obviamente, eles pensavam que estavam servindo aos deuses, e nunca a espíritos malignos e impuros. Entretanto, ao fim das contas, seu culto era culto aos demônios. [2] Paulo está aqui refletindo o ensino bíblico do Antigo Testamento quanto ao culto dos gentios:
 Sacrifícios ofereceram aos demônios, não a Deus... (Dt 32.17)
...pois imolaram seus filhos e suas filhas aos demônios (Sl 106.37).
 O princípio fundamental é que o homem não regenerado, ao quebrar as leis de Deus, mesmo não tendo a intenção de servir a Satanás, acaba obedecendo ao adversário de Deus e fazendo sua vontade. Satanás é o príncipe desse mundo. Portanto, cada pecado é um tributo em sua honra. Ao recusar-se a adorar ao único Deus verdadeiro (cf. Rm 1.18-25), o homem acaba por curvar-se diante de Satanás e de seus anjos.[3] Para Paulo, participar nos festivais pagãos acabava por ser um culto aos demônios. Por esse motivo, responde que um cristão não deveria comer carne no templo do ídolo. Isso eqüivaleria a participar da mesa dos demônios, o que provocaria ciúmes e zelo da parte de Deus (1 Co 10.21-22). Paulo deseja deixar claro para os coríntios “fortes”, que não tinham qualquer intenção de manter comunhão com os demônios, que era a atitude deles em participar nos festivais do templo que contava ao final. Era a força do ato em si que acabaria por estabelecer comunhão com os demônios.[4]

2. Era lícito comer carne comprada no mercado público? Sim, responde Paulo. Compre e coma, sem nada perguntar (1 Co 10.25). A carne já não está no ambiente de culto pagão. Não mantém nenhuma relação especial com os demônios, depois que saiu de lá. Está “limpa” e pode ser consumida.

3. Era lícito comer carne na casa de um amigo idólatra? Sim e não, responde Paulo. Sim, caso não haja, entre os convidados, algum crente “fraco” que alerte sobre a procedência da carne (1 Co 10.27). Não, quando isso ocorrer (1 Co 10.28-30).

O ponto que desejo destacar é que para o apóstolo Paulo a carne que havia sido sacrificada aos demônios no templo pagão perdia a “contaminação espiritual” depois que saia do ambiente de culto. Era carne, como qualquer outra. É verdade que ele condenou a atitude dos “fortes” que estavam comendo, no próprio templo, a carne sacrificada aos demônios. Mas isso foi porque comer a carne ali era parte do culto prestado aos demônios, assim como comer o pão e beber o vinho na Ceia é parte de nosso culto a Deus. Uma vez encerrado o culto, o pão é pão e o vinho é vinho. Aliás, continuaram a ser pão e vinho, antes, durante e depois. A mesma coisa ocorre com as carnes de animais oferecidas aos ídolos. E o que é verdade acerca da carne, é também verdade acerca de fetiches, roupas, amuletos, estátuas e objetos consagrados aos deuses pagãos. Como disse Calvino,
Alguma dúvida pode surgir se as criaturas de Deus se tornam impuras ao serem usadas pelos incrédulos em sacrifícios. Paulo nega tal conceito, porque o senhorio e possessão de toda terra permanecem nas mãos de Deus. Mas, pelo seu poder, o Senhor sustenta as coisas que tem em suas mãos, e, por causa disto, ele as santifica. Por isso, tudo que os filhos de Deus usam é limpo, visto que o tomam das mãos de Deus, e de nenhuma outra fonte.[5]


[1] Note que Paulo não teve qualquer problema em anunciar o decreto em Antioquia, o que produziu muito conforto entre os irmãos (At 15.30-31).
[2] Não somente Paulo, mas os cristãos em geral tinham esse conceito. João escreveu: “Os outros homens, aqueles que não foram mortos por esses flagelos, não se arrependeram das obras das suas mãos, deixando de adorar os demônios e os ídolos de ouro, de prata, de cobre, de pedra e de pau, que nem podem ver, nem ouvir, nem andar” (Ap 9.20).
[3] Cf. Charles Hodge, A Commentary on 1 & 2 Corinthians (Carlisle, PA: Banner of Truth, 1857; reimpressão 1978) 193.
[4] Hodge (1 & 2 Corinthians, 194) chama a nossa atenção para o fato de que o mesmo princípio se aplica hoje aos missionários que, por força da “contextualização”, acabam por participar nos festivais pagãos dos povos. Semelhantemente, os protestantes que participam da Missa católica, mesmo não tendo intenção de adorar a hóstia, acabam cometendo esse pecado, ao se curvar diante dela.
[5] João Calvino, Exposição de 1 Coríntios, em Comentário à Sagrada Escritura, trad. Valter G. Martins (São Paulo: Paracletos, 1996) 320.

42 comentários:

Luiz Ancelmo disse...

Dr Augustus, sou pastor da IPB no interior da Bahia e, gostaria de tirar uma dúvida que surgiu a partir da leitura que fiz de seu texto que, como sempre, procura estar amparado pelas Escrituras. O sr disse que "estar presente em festas juninas onde não há qualquer vínculo religioso, desde que não vá provocar escândalos e controvérsias", não é diretamente proibido para um crente (me corrija se minha compreensão está erra). A minha dúvida se refere a que tipo de "festa" é esta que o sr se refere? Gostaria de justificar minha pergunta pelo fato de estar morando e pastoreando uma região que, em períodos de festas juninas, é comum a realização de festas grandiosas em praça pública, com bancas musicais famosas no meio secular. As "festas" a que o sr se refere, inclui estes tipos de festas também? porque, mesmo que o sr tenha dito que "desde que não vá provocar escândalos e controvérsias", a minha preocupação e indagação é: em que lugar a participação de crentes nesses tipos de festa não causará escândalos e controvérsias"? Me desculpe rev. se estou exagerando em minha interpetação do que entendi acerca do termo "festas" usada pelo sr.

Desde já, agradeço por sua importante atenção e ajuda a mais um pobre pastor que tenta entender os ensinos da Palavra de Deus. Um forte abraço!!!

Luiz Ancelmo disse...

Correção: Onde está escrito "banca" quis dizer "Banda", referindo-me a Conjunto Musical.

Augustus Nicodemus Lopes disse...

Um adendo ao artigo - encontrei apenas uma decisão da IPB sobre o assunto, que segue abaixo:

"SC-66-088 - Pbt. de Sorocaba - Consulta - Doc. XXXII - Quanto ao Doc. 170 - Consulta do PSRC sobre festa junina, o SC resolve: Declarar que os padrões presbiterianos de fé e prática não criam obstáculo nenhum à realização de qualquer programa festivo que não fira ou comprometa. No caso específico da festa junina, tanto o Conselho da Igreja local como o concílio regional a quem compete o cuidado das igrejas locais estão habilitados a examinar os programas festivos das igrejas e a conveniência de sua realização."

Marivaldo Silva disse...

Rev. gostaria que o sr. nos desse uma definição de ESCANDALIZAR, o que significa teologicamente?

Augustus Nicodemus Lopes disse...

Marivaldo,

Vou tratar da palavra "escandalizar" que ocorre em 1Co 8.13, que é a passagem da postagem acima. O verbo empregado por Paulo tem alguns significados, dependendo do contexto.

1) Dar ocasião para que alguém fique ofendido, chocado, com alguma coisa - é neste sentido que é usado por Jesus em Mateus 17.27.

2) Fazer com que alguém tropece, ou seja, fazer com que alguém peque ou transgrida a lei de Deus - Jesus usa o verbo neste sentido em Mateus 5:29.

É interessante que todos estes sentidos aparecem juntos em Rom 14:21, "É bom não comer carne, nem beber vinho, nem fazer qualquer outra coisa com que teu irmão venha a tropeçar ou se ofender ou se enfraquecer".

No nosso versículo em consideração, o contexto sugere que o "escândalo" que Paulo tem em mente não é o ofender ou chocar, mas o levar alguém a tropeçar pelo exemplo. Veja o que ele diz nos versículos anteriores:

"Vede, porém, que esta vossa liberdade não venha, de algum modo, a ser tropeço para os fracos.
Porque, se alguém te vir a ti, que és dotado de saber, à mesa, em templo de ídolo, não será a consciência do que é fraco induzida a participar de comidas sacrificadas a ídolos?
E assim, por causa do teu saber, perece o irmão fraco, pelo qual Cristo morreu. E deste modo, pecando contra os irmãos, golpeando-lhes a consciência fraca, é contra Cristo que pecais" (1Co 8.9-12).

Ou seja, se os coríntios fossem ao templo pagão comer carne sacrificada aos ídolos, e se algum irmão "fraco" visse aquilo e fosse induzido pelo mau exemplo a fazer a mesma coisa e assim tropeçar na idolatria ou imoralidade associada com os festivais pagãos do templo, eles estariam "escandalizando" os irmãos.

Em resumo, toda vez que estas coisas que estão dentro da área da adiáfora provocarem algum tipo de tropeço, ofensa, escândalo, tropeço aos irmãos, devem ser evitadas por causa do amor.

Este é o ponto que defendo no artigo.

Abs.

Augustus Nicodemus Lopes disse...

Luis Ancelmo,

Provavelmente no contexto em que o irmão trabalha o melhor seria não participar. Como eu disse, a norma é o amor e a prudência.

Abraços.

José Eduardo disse...

Rev. Minha dúvida também recai no fator escandalizar uma vez que estamos passíveis de uma observação ou questionamento externo (de não crentes) quanto a estarmos em festas assim ainda que não conote uma festividade religiosa. Minha pergunta é: estas festas culturais, assim como o próprio carnaval, não tendem a estar ligadas, mesmo que indiretamente a um determinado senso de religiosidade pagã?

Barrabás disse...

Reverendo, boa noite!!Gosto muito dos seus textos e vídeos mas é a primeira vez que comento neste blog.

Eu gostaria de saber sua opinião sobre igrejas evangélicas que realizam festas com as mesmas características dessas festas juninas mas com propósitos como angariar fundos pra campanhas internas (que podem ser evangelísticas).

Ou seja, eliminam tudo que faça referência à idolatria e reproduzem os costumes (roupas, comidas, etc.)

Isso é um erro??

Obrigado pela atenção!!

Geraldo Henrique dos Santos Melo disse...

Muito bom o artigo. Quanto a questão dos escândalos e sobre os fracos na fé, estou com João Calvino que mostrou que é necessário distinguir os fracos dos fariseus. Os fariseus muitas vezes se fingem de fracos para roubar a liberdade que Cristo conquistou pra nós

Bruno Leonardo disse...

Batista João Pessoa-PB

Amado Rev. aproveitando o ensejo do assunto de ídolos, posso participar de casamentos e batismos na Igreja Católica visto que são cultos aos pés de Ídolos? Vou mais além, posso ser padrinho?? Graça e Paz.

Bruno Leonardo disse...

A PAz amado Rev. Aproveitando o assunto que envolve a Igreja Católico e Ídolos, eu posso ir a cerimonias de Casamentos e Batismos na Igreja Católica, visto que são cultos feitos aos pés de Ídolos? Posso ser Padrinho de ambas as cerimônias?? Graça e Paz

Marcelo Feitosa disse...

Querido Rev.,

Minha preocupação em relação ao tema está não simplesmente na participação do crente nessas festividades, pois conforme Paulo, trata-se de questão de fé (Romanos 14)ou consciência (1Coríntios 10), em relação ao amor a Deus e aos irmãos.
Ela reside, sim, no fato da "festa gospel", realizada por muitas igrejas e até incentivada por algumas denominações, e aí entra qualquer coisa: carnaval gospel, "arraiá" gospel, rave gospel, e por aí vai.
Segundo me parece (e peço seu apoio e esclarecimento nesse sentido), esta "gospelização" (desculpe o neologismo) de festividades e etc. cheira ao mesmo tipo de sincretismo adotado pela igreja católica romana, quando adotou datas e festividades pagãs ao seu calendário, convertendo-as a festas em culto aos seus santos (e.g., os dois solstícios e as comemorações pagãs a eles associadas, que muitos alegam ser o fundamento das datas do natal e da festa a São João).
E aqui fica uma pergunta específica: Quando a Igreja, evangélica e protestante, pratica essas festas, historicamente associadas a costumes pagãos e/ou romanos, ela não se torna em pedra de tropeço e enfraquece o testemunho de Cristo?

Leonardo Bruno Galdino disse...

Caro Augustus,

muito pertinente (e prudente) o texto. Inclusive, amanhã terá uma festa junina (na realidade, "julina", rsrs!) aqui no trabalho, e quando falei a um irmão que eu só não ia participar porque coincide com o aniversário da minha igreja, ele me veio com essa: "festa junina? Isso já não me pertence". Acho que vou repassar esse seu texto para ele ler.

Forte abraço!

Marcos disse...

Rev., para complementar a definição de "escandalizar", se bem entendi, só é possível escandalizar os crentes, certo? Afinal, o incrédulo não pode tropeçar ou se chocar, pois já está no mundo... certo ou errado?
Obrigado,
Marcos

Augustus Nicodemus Lopes disse...

José Eduardo,

"Minha pergunta é: estas festas culturais, assim como o próprio carnaval, não tendem a estar ligadas, mesmo que indiretamente a um determinado senso de religiosidade pagã?"

Esta é uma questão bastante subjetiva. Nem todo mundo vai sentir isto que você está falando. E outros podem sentir, sim. Há casos e casos, lugares e lugares em questões desta natureza. Foi assim que Paulo tratou o assunto em Corinto: em determinadas ocasiões, não comer carne. Em outras, há liberdade.

Portanto, a regra geral é a do evitar se vai causar escândalo (definido como mencionei acima). Compete aos cristãos avaliarem a situação em oraçao diante de Deus e pensando nos interesses do Reino acima dos seus próprios.

Abs.

Augustus Nicodemus Lopes disse...

Barrabás,

"Eu gostaria de saber sua opinião sobre igrejas evangélicas que realizam festas com as mesmas características dessas festas juninas mas com propósitos como angariar fundos pra campanhas internas (que podem ser evangelísticas)."

O princípio é exatamente o mesmo. Se vai causar choque, escândalo, polêmica, a regra do amor impõe a abstinência. Há outras maneiras de angariar fundos e que não levantam polêmica desnecessária.

Sobre a relação do crente com a cultura, veja este post aqui no blog:

http://tempora-mores.blogspot.com.br/2011/02/quando-cultura-vira-evangelho.html

Abs.

PS: Me sinto muito estranho respondendo a um leitor de nome Barrabás... espero que não seja o próprio...

Augustus Nicodemus Lopes disse...

Bruno Leonardo,

"Amado Rev. aproveitando o ensejo do assunto de ídolos, posso participar de casamentos e batismos na Igreja Católica visto que são cultos aos pés de Ídolos? Vou mais além, posso ser padrinho??"

Acho que ir a um casamento ou qualquer outra cerimônia, se formos convidados por amigos descrentes, não representa idolatria. Mas, volto a dizer, é uma questão de consciência. Aqueles cuja consciência os proíbem, não deveriam ir.

Quanto a ser padrinho, aí já é um envolvimento maior. Provavelmente não valerá a pena. É melhor explicar com tranquilidade ao amigo que o convidou os motivos religiosos que o impedem e aproveite para evangelizá-lo.

Abs.

Augustus Nicodemus Lopes disse...

Marcelo Feitosa,

"E aqui fica uma pergunta específica: Quando a Igreja, evangélica e protestante, pratica essas festas, historicamente associadas a costumes pagãos e/ou romanos, ela não se torna em pedra de tropeço e enfraquece o testemunho de Cristo?"

Este não foi o assunto do meu post, correto? Eu tratei apenas da participação dos crentes, quando convidados, nas festas juninas.

Sobre o que você me pergunta, o princípio é sempre o mesmo: a liberdade cristã deve ser controlada pelo amor a Deus e ao próximo.

Nem sempre o aproveitamento de datas ou ocasiões que tiveram na sua origem elementos romanos são pedra de tropeço. Por exemplo, a celebração do Natal.

As igrejas evangélicas deveriam ter sabedoria no processo de estabelecer pontes com a cultura e alcançar os descrentes. Toda vez que for causa de tropeço, as igrejas deveriam se abster. É o que Paulo ensina em 1Co 8-10.

Abs.

Augustus Nicodemus Lopes disse...

Marcos,

"para complementar a definição de "escandalizar", se bem entendi, só é possível escandalizar os crentes, certo? Afinal, o incrédulo não pode tropeçar ou se chocar, pois já está no mundo... certo ou errado?"

Assim eu entendo também.

Abs.

Barrabás disse...

Muito obrigado pela resposta, vou verificar o artigo do link!!

Sobre o "Barrabás", não se assuste.. rs
É por causa do nome do meu blog "Barrabás Livre", e aqui eu justifiquei: http://barrabas-livre.blogspot.com.br/2008/07/barrabs-livre.html

Digamos que sou um "Barrabás regenerado".. rs

Abraço!!

Ivanildo M Domingos disse...

Rev. pela 1ª vez não concordo com os seus argumentos. Talvez seja porque a realidade da minha região seja outra.

guinho disse...

realmente, falta sabedoria muitas vezes nas questões relacionadas com as festas, mesmo quando estas se incluem na cultura popular, não existe uma saída muito facil, mas tambem acho que devemos agir com prudencia,segundo o que o apóstolo mostra, mas sempre com amor! gostaria de saber, se existe em outro lugar a venda, os seus livros ,tanto batalha espiritual, quanto o culto espiritual, porque na editora cultura crista já faz tempo que esta em falta!
Em Cristo
Adriano www.respirandodeus.blogspot.com

Augustus Nicodemus Lopes disse...

Guinho,

A Editora Cultura Cristã está fazendo a re-edição de ambos nestes dias. Devem estar disponíveis em breve.

Abs.

Renato disse...

Rev. Tenho um filho de quase 2 anos. Vc acha que as festas juninas que acontecem nas escolas, não são festas pagãs maquiadas de uma "Festa Cultural"? Não acha que isso pode trazer alguma carga espiritual sobre meu filho? Obrigado

Marcelo disse...

Professor Augustus Nicodemus,

Tenho uma dúvida: nessas festividades há rodas-gigantes, cavalinho, trenzinho, etc... brinquedos que chegam à cidade por ocasião da festa da Padroeira, do São João, etc... Se o filho de um crente, ou os jovens da igreja, querendo se divertir, quiserem ir para essa festa, brincar, há algo que impeça? Os crentes da Assembleia de Deus proíbem os seus de participarem (talvez não por base bíblica, mas pela dúvida mesmo. Na dúvida, não ultrapasse, alguns pensam).

Muito obrigado.

Marcelo Hagah
João Pessoa-PB
@tiocelo
http://otiocelo.blogspot.com.br

Augustus Nicodemus Lopes disse...

Marcelo,

O princípio permanece o mesmo que Paulo disse, e que reproduzo aqui:

"E, por isso, se a comida serve de escândalo a meu irmão, nunca mais comerei carne, para que não venha a escandalizá-lo" (1Co 8.13).

Paulo era livre para comer carne (mesmo sabendo que tinha vindo do templo pagão e que fora oferecida a idolos) mas ele estava disposto a abrir mão de sua liberdade edm Cristo para não criar escândalo, choque, tropeços ao Evangelho.

Se ir ao parque de diversão causa estas coisas, não se deve ir.

Abs.

Augustus Nicodemus Lopes disse...

Renato,

"Rev. Tenho um filho de quase 2 anos. Vc acha que as festas juninas que acontecem nas escolas, não são festas pagãs maquiadas de uma "Festa Cultural"? Não acha que isso pode trazer alguma carga espiritual sobre meu filho?"

Tem que ver o que acontece nestas festas promovidas pelas escolas. Se há invocação ao santo, orações, rezas, atos de devoção a "São João" e outros santos, é claro que você não deveria deixar seu filho ir.

Fica difícil, por outro lado, saber se os diretores da escola estão, durante a festa, trancados num quarto invocando os demônios num ritual satânico para virem e possuirem as crianças durante a festa. Tenho a impressão que este raramente seria o caso.

E por fim, "contra Jacó não vale encantamento" (Números 23:23). "Carga negativa" não pega em que é de Deus e tem o Espírito Santo morando nele.

Abraços.

Pb/teólogo Leonardo Dâmaso disse...

Shalom Reverendo Nicodemus. Muito bom o post. mas mudando de assunto, queria lhe perguntar algo. Gostaria de saber qual o sentido no grego do termo singular "habita" em JO 14.17? É no sentido de habitar "ao lado" como diz Hendriksen em seu comentário de João, ou se é no sentido de "habitar" dentro da pessoa como morada ou templo do E.S.? Desde já agradeço. Shalom.

Wesley Viana disse...

Caro Reverendo, o que pretendo saber não tem nada a ver com o post, mas foi a maneira que encontrei pra lhe fazer uma pergunta, conto com sua compreensão. Li um texto assinado pelo senhor com o título " A ALMA CATÓLICA DOS EVANGÉLICOS NO BRASIL "
O parte que diz respeito ao misticismo no apego a objetos sagrados, me chamou atenção pelo simples motivo do sr ter incluído "oração no monte" confesso que as demais são bastante pertinentes, entretanto não vejo nenhuma correlação de oração no monte com super-tição, se não for abusar muita da boa vontade do sr, ate por que é um homem bastante atarefado, gostaria de saber se existe alguma implicação pra quem tem o costume de buscar ao Senhor nosso Deus em montes ou colinas ? Afirmo que tenho grande apreço pelas publicações do senhor, tanto no blog quanto em vídeos no youtube, embora eu não seja calvinista ou como vocês falam "reformado" sou cristão Batista.

Obrigado pela compreensão

Sala do Areópago disse...

Olá reverendo,

Minha pergunta é direta. O senhor deixaria um filho seu dançar quadrilha, seja em um festival de quadrilha, ou se estudasse em um colégio católico. Me responda por favor.

Li todo seu post, mas espero sua resposta. Minha pergunta está tardia, mas reponda se possível.

jeferson

Augustus Nicodemus Lopes disse...

Querido,

O ponto do meu post foi que estas questões são matéria de liberdade cristã regidas pela lei do amor, e isto conforme a consciência. O que eu faria ou deixasse de fazer não serve de modelo para você. Tome sua própria decisão.

Um abraço.

Ricardo Prado disse...

Pastor Augustus, paz seja contigo e com os teus.

No mês de junho/2012, numa das aulas da EBD, na classe de adolescentes para a qual dou aulas, um dos alunos me fez a pergunta que é o tema deste post.

Confesso que fui pego de surpresa, pois o tema da aula era outro, sobre Missões e o preparo missionário que deve partir da igreja local haha! Não me dei conta de que estávamos em época de festa junina, e de que os adolescentes vivenciam bastante esse período na escola, muitas vezes, forçadamente, com o risco (de acordo com o testemunho deles) de perderem nota caso não participassem.

Mas eu tinha (e tenho) um entendimento semelhante ao do senhor com relação ao assunto, e minha resposta seguiu pela mesma linha que os argumentos e o texto bíblico usados pelo senhor, porém, claro, com certa dose de receio, que procurei não demonstrar rsrs...

Imprimirei o post e o lerei na próxima aula, para embasar melhor e esclarecer a eles a resposta que dei naquela ocasião ^^

Deus abençoe,
RICARDO (@MarinheiroCesar)

Ricardo Caponi disse...

Reverendo,

fugindo um pouco do tema, o senhor sabe se as palestras da Nancy Pearcy no Congresso de Teologia vão ser disponibilizadas?
Grato!

Caponi

Professor Cleiton disse...

Olá reverendo, nas festas juninas possui muitas danças, falando em termos geral, danças em festas, danças como valsa, forró, entre outros(danças a dois) qual sua visão do cristão com relação a estas danças cristãos que fazem aulas de danças como esporte?

Augustus Nicodemus Lopes disse...

Professor Cleiton,

Respondo citando a Pastoral de Liturgia da IPB, no tópico sobre danças litúrgicas:

"Antes de tratarmos das danças litúrgicvas, é preciso esclarecer que o dançar em si não é necessária e intrinsecamente errado e pecaminoso, a começar do fato que encontramos diversas ocasiões no Antigo Testamento em que membros individuais do povo de Deus dançaram. É nesse sentido que encontramos exemplos no Antigo Testamento de danças como expressão popular de alegria por vitórias militares dadas por Deus (Ex 15.20; Jz 11.34; 1Sm 18.6) ou expressão individual desta mesma alegria (2Sm 6.14). Mesmo que não encontremos no Novo Testamento qualquer referência a danças por parte de cristãos, entendemos que o ato de dançar em si não é intrinsecamente contrário ao cristianismo, a não ser quando dançar envolva e promova a impureza sexual e comprometa o testemunho cristão diante do mundo."

Abs.

anderson disse...

Se não gostam de Festa Junina, não precisam ir até lá, e deixem de comer as nossas comidas tipicas, tais como Arroz Doce, Pamonha, Cural, Milho Cozido e por ai vai.
Não é obrigatório a voces participarem de Festas Católicas, podem ficar ai na sua igreja e nós ficamos na nossa e por favor, parem de nos atacar, para nós vocês nem existem, façam o mesmo e viveremos felizes

Ismar Sahdo disse...

Já comi arroz doce, pamonha, milho cozido,mas CURAL... o que é isso Anderson? rsrsrs

Roderio Silva disse...

Olá Augustos, depois de um bom tempo acompanhando o seu blog resolvi me cadastrar, quero parabenizá-lo pelos exelentes comentéarios que o senhor tem publicado no Tempora.

Gostei muito da carta de principios, a matéria em questäo foi fundamental para o momento, já que estamos em ano eleitoral. Quero destacar também o comentàrio sobre a pàscoa, achei muito interessante.

Pastor, parabéns pelos livros "O Ateismo Cristäo, e O que estäo fazendo com a Igreja" grande contribuiçào para aqueles que estäo se esforçando para fazer um bom combate.
Obs: näo estou conseguido encontrar o livro, Ainda näo é o
fim, näo tem em nenhuma loja ou distribuidora aqui em BH, a informçäo é que está esgotado, más estou na espectativa que vou encontrar, quero muito ler este livro.

Um forte abraço.

anderson disse...

Ismar Sahdo
cural é também conhecido como "Papa de Milho"

Bruno Leonardo disse...

Olá Rev Augustus, sei que minha pergunta não tem nada haver com o assunto acima mas queria pedir sua orientação.
Eu queria comprar um Livro do escritor Howard Carter, queria seu parecer se esse autor é recomendado como leitura reformada! É aconselhavél esse autor Howard Carter??

António Jesus Batalha disse...

Meus amigos irmãos, passei pela net visitando vários blogs, e passei pelo seu lindo e excelente blog, não li muito mas o suficiente para ver que pelas suas palavras aqui expressas, é um ser que ama o mesmo Deus, e que deseja servi-lo e honra-lo, e isso para mim é mais que motivo de alegria. Quero deixar-lhe um convite: Mas faça-o só se desejar, se não estiver interessado pode deletar meu comentário que não fico chateado. Se deseja fazer parte do blog. O Peregrino e servo. Decerto que irei seguir também seu blog, não sou das pessoas que dizem que vão seguir e depois não seguem. Também peço desculpa se por acaso deixar mais do que um comentário. Obrigado pela atenção.
Antonio Batalha.

Craudio disse...

Querido Rev.
Em Coríntios, Paulo faz referência aos fracos e aos fortes. Subtende-se que os fracos seriam os recém-convertidos e nisso o zelo para que não o escandalizássemos.
Infelizmente temos instalado em nossas igrejas uma espécie de "corregedoria" por aqueles legalistas seletivos, antigos de igreja, que pregam a total abstinência ao vinho com tal virulência que se soubessem que Jesus transformara água em vinho sairiam espancando geral, hehehe. Portanto, não se tratam de fracos. Sinto-me ofendido em minha liberdade. Como me portar em relação a esses irmãos que não aceitam que outros irmãos possam beber vinho e utilizam-se da condição de "fracos" para exigir a abstinência dos demais?