terça-feira, março 20, 2007

Mauro Meister

Em meio ao caos aéreo a IGREJA EMERGENTE faz seu pouso oficial no Brasil

Acabo de receber em mãos uma amostra, contendo o primeiro capítulo, de A Mensagem Secreta de Jesus: desvendando a verdade que poderia mudar tudo, de Brian McLaren, o guru do movimento que se intitula Igreja Emergente (uma das primeiras publicações da Thomas Nelson Brasil). Para saber mais sobre o movimento, lhe remeto ao meu post Neo-ortodoxia emergente. Naquela ocasião, junho de 2006, pouco ou nada havia escrito em português, e, agora, já temos o primeiro livro do guru.

Para termos uma dimensão mais precisa do tema do livro, veja a apresentação:


Seria possível que a Igreja tenha entendido tudo errado e perdido a essência da mensagem de Jesus? McLaren nos convida para uma reflexão profunda que poderá mudar radicalmente nossas idéias e práticas espirituais.
O capítulo inicial de McLaren faz muitas perguntas honestas, do tipo 'pergunta que não quer calar'. Tudo parece que vai nos levar na direção de uma profunda reflexão bíblica e confrontadora. No entanto, não é o que vai acontecer no livro, não por causa dos temas propostos, mas por causa dos pressupostos adotados...

Por ser claramente um defensor da pós-modernidade e de uma leitura do cristianismo à luz da mesma, McLaren, apesar de propor 'clareza', é contraditório. Já citei anteriormente a forma como o autor pinta seu auto-retrato:

Por que eu sou um cristão missional, evangélico, pós protestante, liberal/conservador, místico/poético, bíblico, carismático/contemplativo, fundamentalista/calvinista, anabatista/anglicano, metodista, católico, verde, incarnacional, depressivo-mas-esperançoso, emergente e não-acabado. (Subtítulo do livro Generous Orthodoxy)

Logo, a reposta à apresentação do livro é: Sim, a igreja entendeu errado e perdeu a mensagem de Jesus. Concordo que, tanto ao longo da história quanto no presente momento, a igreja e as instituições que se chamam cristãs perderam muito da essência do ensino de Cristo, ao ponto de ser necessário avaliar tudo o que se chama 'cristão' com lupa antes de poder aceitar. No entanto, a proposta de McLaren é que o cristianismo verdadeiro só se manifesta quando 'emerge', no conceito pluralista, e, interessantemente, emerge no século XXI. Até então, a igreja não havia corretamente compreendido esta mensagem ou havia falsificado a mesma. Para explicar este fenômeno, McLaren afirma que na história antiga da igreja, logo no segundo século, "...a fé cristã teve uma virada fatal".
Segundo ele, no segundo século, a igreja deixou de ser uma seita judaica de continuidade e passou a ser uma religião gentílica anti-semita. Isto fez com que o cristianismo perdesse seu caminho (p. 211 da versão em inglês - como eu disse, só recebi o primeiro capítulo em português). O segundo erro da igreja teria sido o seu romance (um caso) com a filosofia grega, o que fez com que a mensagem de Jesus se perdesse em meio a uma série de abstrações. Em terceiro lugar, depois do divórcio com o judaismo e do romance com a filosofia, a igreja, então, casou-se, com o império de Constantino. A igreja perdeu a sua condição de ler os ensinos de Jesus como crítica do império (p. 212), afinal, estava casada com ele. Com este casamento, afirma McLaren, a igreja passou a assinar em baixo de todo o tipo de violência contra vários povos... E assim vai, são oito razões, ao todo, explicando a razão da igreja, ao longo de 18 séculos, não ter encontrado a mensagem secreta de Jesus.

A linha de pensamento de McLaren não deixa de ter sua lógica e despertar interesse no leitor. Apesar da aparente humildade, com a frases do tipo 'estamos sobre os ombros de gigantes', McLaren, carimba toda a história da igreja como uma sucessão de erros. Até agora, a Igreja só errou e o Senhor da Igreja, o Deus soberano, nada fez.Fica a clara impressão de que os filósofos emergentes estão bebendo diretamente da mesma fonte que os 'relacionais' ou do teísmo aberto, o pós-modernismo. Uns descobrem uma nova teologia, uma nova mensagem de Jesus ou outro deus...

Não posso negar que várias acusações históricas tem alguns ou vários pontos de verdade. Também não posso negar que as acusações presentes quanto a igreja em suas várias 'manifestações' sejam fundamentadas na realidade. O que não posso concordar é que 'tudo está errado' e que não há nada de bom na igreja histórica. Me parece um cântico que vem sendo entoado nos cultos nos últimos anos, por cristãos, a meu ver, não regenerados:

"Porque tudo o que há dentro de mim
Necessita ser mudado Senhor"

Mauro Meister

Postado por Mauro Meister.

Sobre os autores:

Dr. Augustus Nicodemus (@augustuslopes) é atualmentepastor da Primeira Igreja Presbiteriana de Goiânia, vice-presidente do Supremo Concílio da Igreja Presbiteriana doBrasil e presidente da Junta de Educação Teológica da IPB.

O Prof. Solano Portela prega e ensina na Igreja Presbiteriana de Santo Amaro, onde tem uma classe dominical, que aborda as doutrinas contidas na Confissão de Fé de Westminster.

O Dr. Mauro Meister (@mfmeister) iniciou a plantação daIgreja Presbiteriana da Barra Funda.

36 comentários

comentários
21/3/07 10:23 delete

Mauro;

Não vou nem entrar na questao do mérito, mas você notou como essa coisas orbitam as "datas cristãs"? Estamos às vésperas da páscoa!

Recentemente escrevi um post sobre isso (Comércio de nós) e parece que podemos até nos antecipar disendo que haverá novidades às vésperas do Natal.

Haja marketing

ab
Fôlton

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21/3/07 10:49 delete

Olá Folton,

Não há como dizer se foi proposital da parte dos editores, mas que dá um bom marketing, isto dá. Com certeza, algumas dezenas de matérias serão publicadas a respeito da mensagem da páscoa, da descoberta do corpo de Cristo e etc. Em se tratando de não menos que a Thomas Nelson, o livro pode até vir a ser citado em alguma grande revista... ai, vira best-seller...

abs

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tripoco
AUTOR
21/3/07 11:22 delete

Primeiramente gostaria de parabenizar o irmao Mauro pelo post bem bastante informativo mas me perdoem a ignorancia e falta de conhecimento mas tenho algumas duvidas com respeito a soberania é bem simples como Deus acabou permitindo todos esses erros me perdoem se fugi do tema mas isso tem me atrapalhado bastante se alguém puder me ajudar mesmo que seja por email fico agradecido

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21/3/07 11:33 delete

Fico só imaginando que, infelizmente, as vozes de "certos reformadores" da igreja "pós-moderna" que conseguem grande destaque na mídia, e até entre os cristãos, não tenham verdadeiro amor por esta. Não que devemos amar o erro, mas, o amor que leva verdadeiramente à reforma nescessária... Se bem que, na verdade, estes tb alcançam a poucos. Entendo tb que muitas das acusações sejam sérias e verdadeiras. Mas, pelo que parece, as respostas continuam sendo irresponsáveis, insuficientes, e acima de tudo, voltadas para homens...Oh Pai, ajuda-nos, a mim tb!

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tripoco
AUTOR
21/3/07 12:24 delete

Pois é acredito eu que o problema reside mesmo numa mal interpretação da soberania versus responsabilidade

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21/3/07 12:56 delete

Pastor Mauro,

ouvi falar do Brian MacLaren em sala de aula. Na ocasião, se falava sobre o lançamento do livro dele em português. Não foi mencionado o título. O professor estava defendendo que na pós-modernidade, seria arrogância dizer que Cristo é o único salvador. excluindo outras religiões. Sobre MacLaren, o professor abordou seu diálogo com a pós-modernidade.

Abraços.
Juan

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tripoco
AUTOR
21/3/07 14:51 delete

Voçê quer dizer que na faculdade de TEOLOGIA estao ensinando isso,
realmente logo começamos a entender o novo momento que passa a igreja brasileira

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Norma
AUTOR
21/3/07 18:05 delete

Querido Mauro,

Obrigada por nos ter trazido, devidamente analisado e dissecado (embora brevemente), mais um "monstrinho" teológico nascido na GENEROSA incubadora da pós-modernidade.

Tenho para mim que há um tipo de pensador do qual devemos sempre desconfiar: aquele que, quando chega, resolve revogar uma linha inteira de pensamento atrás dele, generalizando tudo e se instalando no local da "verdadeira" razão, da "verdadeira" percepção da realidade. Ele declara que tudo ou quase tudo que foi dito sobre seu assunto está ERRADO e vem, mui humildemente, trazer a grande revelação CORRETA.

Nem Deus procedeu assim. Tudo no cristianismo é continuidade. E, mesmo quando Jesus veio mostrar plenamente o Pai, afirmou que não revogava a Lei, mas a cumpria. Ou seja, o próprio Jesus poderia ter agido de modo anti-histórico, revogando tudo o que veio antes Dele e dizendo que todos estavam errados até que Ele viesse. Mas Ele não fez isso - Ele rejeitou a forma dos fariseus, mas justamente naquilo que contrariavam os profetas e tudo que Deus construiu através da história judaica. E a Bíblia confirma essa continuidade ao dizer que Ele veio "na plenitude dos tempos". Se essa portanto não é a forma de Deus agir - negando a história - , por que algum homem deveria agir assim? É uma contradição intolerável que contamina tudo o que sai da boca desse autor.

Assim, se tomássemos como certos os pressupostos do dr. Brian McLaren, diríamos que o legado de Jesus se perdeu durante quase dois mil anos até que o ilustre doutor surgisse para trazer a luz verdadeira... colocando-se em um papel em que nem o próprio Jesus se colocou! Não dá. Isso cheira a seita: é centrado demais em uma pessoa só, que NÃO É Jesus.

Agora, vou dar uma de profetisa: se esse doutor não se arrepender, a tendência dele será adotar idéias cada vez mais estranhas ao senso comum. E não duvido que ele enlouqueça. É o destino de todos que se colocam acima do próprio Deus.

P.S. Eu cantava essa música, "Renova-me", quando era recém-convertida. Depois de um certo tempo de maturidade cristã, não só essa letra passou a me incomodar (porque eu já reconhecia que Deus havia feito coisas maravilhosas dentro de mim), mas sobretudo o seu correlato a cada culto, o discurso onipresente do "começar de novo". Dizer isso a convertidos com dez anos de igreja? Só se eles estiveram desviados e precisam voltar. Para quem está na fé, é preciso um discurso de crescimento, não de mudança radical. E isso me levou à conclusão de que a maioria das igrejas evangélicas atuais não sabe dar maturidade ao povo de Deus, só converter e "animar". Isso é muito triste, e foi o que me fez buscar uma igreja reformada com uma Palavra firme.

Em tempo: a melhor pregação é aquela que, centrada na Palavra, atinge a não convertidos, novos convertidos e cristãos maduros. Quando se prega a Palavra, geralmente é isso que acontece. Quando se "inventa" demais - geralmente, o psicologismo de que muito pastor está acometido -, só gente imatura na fé recebe alguma coisa, e mesmo assim, muito pouco, e nada substancial.

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Bruno
AUTOR
21/3/07 19:58 delete

Mauro,

Falando em anti-semitismo algum integrante da equipe do blog poderia dissertar sobre o assunto assim como sobre a ``teologia da substituição´´ se ela existe mesmo ou é apenas um mito.


Shalom

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silvia
AUTOR
21/3/07 22:24 delete

Rev. Mauro, muito oportuno seu texto!

No livro "Teísmo Aberto - uma teologia para além dos limites bíblicos" - a crítica dos teístas abertos aos teístas clássicos é justamente o "namoro" deles com a filosofia grega.

Aliás, o teísmo aberto nada mais é que um movimento herético (condenado por católicos e protestantes) do século XVI, o socinianismo defendido pelo teólogo italiano Lélio Socino, que gostava de importunar Calvino através de várias correspondências defendendo suas idéias.

Fico pensando se o grande reformador de Genebra respondeu a estas cartas...

E agora a situação é esta: um outro deus, outra espiritualidade, outra teologia, outra abordagem das Escrituras...

[]s

Silvia

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luiz antonio
AUTOR
22/3/07 10:07 delete

recebi o livreto como cortesia da editora ultimato.ao ler a primeira pg já dava pra ver qual era a temática do mesmo.o que dizer de um autor que só fala "e se".pura "viagem"de alguém que deseja reconhecimento.

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Emerson
AUTOR
22/3/07 19:41 delete

Também recebi esse livreto como cortesia da Ultimato.
Isso quer dizer que os editores da Ultimato abraçam as idéias de Brian McLaren?
Emerson.

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24/3/07 07:11 delete

Prezado Rev. Mauro Meister

pesquisando sobre Mclaren encontrei referências a Mark Driscoll, um dissidente que se autoproclama "four-and-a-half Calvinist" e "Charismatic Calvinist"...
é isso possível? é possível ser Calvinista e Pentecostal? Calvinista e Não-Cessacionista?

Abraços

Osvaldo Pimentel Filho
IP Vila Mariana - SP

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24/3/07 19:01 delete

Prezados leitores,

Estive em uma reunião de 'dia inteiro' esta semana e só agora, no aeroporto, tive condições de dar atenção aos seus posts... Vou tentar lhes responder, ainda que vagarosamente.

tripoco, a soberania de Deus não elimina a responsabilidade humana ou os erros. Sabemos que se eles acontecem, Deus tem um plano neles. O texto de Gn 50, o final da história de José, que é muito interessante e que nossa tradução 'esconde' diz: "o que vós intentastes para o mal Deus o tornou em bem". Bem, no original o texto diz: "o que vos intentastes para o mal, Deus intentou para o bem". Faz diferença, não? Espero que a compreensão desta maravilhosa e soberana vontade lhe ajude neste 'atrapalho'.
abs

Cleber, estamos cheios deste tipo de reformador pós-moderno. Apesar de ser bastante anti-popular para vários grupos evangélicos, existe um certo 'status' em se dizer reformado diante de outros grupos. Este pessoal tem e gosta de uma teologia de 'ponto sem nó'... logo se desfaz.
abs

Juan, o pessoal afirma isto mesmo. Aliás, no pensamento de McLaren vamos nos supreender encontrando gente de várias outra religiões que são salvas na sua 'prática' do cristianismo, mesmo sem confissão.
abs

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24/3/07 19:14 delete

Norma,

É exatamente esta a idéia dele: dois mil anos perdidos. McLaren despreza profundamente a Teologia Sistemática, ainda que diga isto "com classe" em outros de seus escritos. E já que vc profetizou, posso já dizer: as idéias dele já são extranhíssimas em muitas áreas. É só uma questão de tempo para que todos os seus seguidores as vejam com clareza... Na verdade, vários já viram, mas gostaram pq vieram satisfazer a coceira de seus ouvidos.
abs


Oi Sílvia,

Estamos para lançar dois títulos sobre o teísmo aberto e, agora que McLaren pousou no Brasil, acho que vou recomendar um livro de Carson sobre este assunto, onde ele faz uma avaliação do movimento... vamos ver.
abs

Luiz Antônio e Emerson,

A últimato distribui com suas revistas várias coisas... tem a questão comercial ai. Isto não significa que endossem, mas posso dizer que já publicaram vários artigos que apontam claramente para o teísmo aberto, incluindo um que me lembro, de alguém ligado à JOCUM.

abs

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24/3/07 19:26 delete

Osvaldo,

dar-se um título é possível, mas no caso de Driscoll, é bem possível... Salvo engano, não tenho tempo de conferir agora, parece-me que Driscoll é um 'quase dissidente' do movimento emergente, entrando em conflito com McLaren. Mas não leve completamente a sério a minha afirmação, preciso verificar.

Se é possível ser calvinista e não cessacionista, creio que sim. No entanto, o 'não cessacionismo' precisa ser AMPLAMENTE qualificado.
abs
Mauro

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Pb. Marcus - IPBetânia CBA
AUTOR
25/3/07 07:51 delete

Caro Mauro, cada vez mais sou fã desse blog, parabéns aos "três mosqueteiros reformados".
Gostaria de sugerir um tema, que creio não ter sido postado ainda, fiz uma busca no campo acima do blog com a palavra dízimo e não constou nada. Se por acaso tenham postado me desculpe. Recentemente li alguns artigos no monergismo (http://www.monergismo.com/?secao=dizimos_ofertas) do John MacArthur e do Túlio Cesar Costa Leite. Segundo a tradução do Felipe, MacArthur cita que "Os crentes do Novo Testamento nunca são ordenados a dizimar" concluindo que "Deus ama ao que dá com alegria" 2Co 9:6-7. Outro artigo que segue a mesma linha (http://www.cpr.org.br/) "Dizimar não é uma doutrina cristã" de Russel Kelly.
Você pode ver com os outros "mosqueteiros" se é possível postar sobre esse assunto. Achei relevante.
Grande abraço,
Em Cristo.
Marcus

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9/4/07 15:11 delete

Sem querer ser chato (mas sabendo que vou ser), eu li o "Generous Orthodoxy" e sinceramente não li "estava tudo errado antes, agora aqui está a solução/verdade/teologia correta." O que vi lá foi uma breve avaliação de várias tradições dentro dos grupos que se auto-denominam parte da Igreja de Cristo. Certas coisas foram chamadas de erros, sim, mas outras foram elogiadas e mantidas. McLaren vai passo-a-passo explicando o porquê do seu subtítulo enorme (sobre o qual o Mauro comentou). É certo que muitas vezes ele se descontrola com a abordagem pós-moderna dele, mas o interessante é que o que ele está fazendo não é tão diferente do que os reformadores estavam fazendo, não. Os reformadores avaliaram o estado da Igreja nos seus dias, viram vários pontos que precisavam ser consertados, e foram à luta para que a Igreja pudesse deixar estes erros para trás. Podemos discordar do que McLaren chama de erro, mas pelo menos no Generous Orthodoxy, sou testemunha de que ele não chamou tudo de erro não, e reteve muita coisa. Aliás, uma das críticas que ele fez foi justamente aos movimentos que pensavam que tudo o que veio anteriormente estava errado e só eles tinha a verdade.

A proposta da Igreja emergente, pelo menos naquele livro, é de uma Igreja que examina a si mesma, retém o que é bom, e joga fora o que não é, mesmo se isso significa reconhecer que errou. Em teoria, isto não é muito diferente de uma Igreja que está sempre se reformando e analisando o seu comportamento e a sua doutrina com relação à Palavra de Deus. A diferença é que o movimento emergente não tem os mesmos pressupostos sobre a autoridade Bíblica e/ou Divina que os reformadores tinham (aí entra a "conversa" pós-moderna, não existem pressupostos pois tudo pode ser questionado e duvidado). É por causa desta diferença (ou ausência) de pressupostos, que o movimento pende para a neo-ortodoxia, pelo menos ao meu ver.

No entanto, apesar dos pesares, não posso mentir: muitas das idéias do movimento emergente me deixam animado. Teologicamente, sou reformado, mas estou preocupado com a nossa abordagem de olharmos para o nosso próprio umbigo denominacional, achando que só nós somos o alvo do Semper Reformanda (quando lembramos disso!). As idéias emergentes promovem o discurso honesto e humilde entre braços diferentes do que é denominado "Cristianismo"...e isso me anima, pois creio que podemos encontrar fortes aliados (e não só companheiros de conversa) para as lutas que enfrentaremos, como Igreja de Cristo, no século presente (exemplo: as questões sobre homosexualismo nos artigos mais recented). Não significa que concordaremos em tudo (possivelmente, não concordaremos em muita coisa), mas pelo menos deixaremos de ser como meninos no campo de futebol que brigaram, cada um num canto do campo, sem falar um com o outro. É hora de jogar bola.

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Atílio
AUTOR
10/4/07 04:07 delete

Caro Mauro Meister,

Está bastante claro que a falta de profundidade do post e a superficialidade dos comentários, com excessão do postado pelo David Portela, são típicos de quem leu no máximo as orelhas e os fragmentos da última capa do livro de McLaren ou simplismente arriscou acreditar em você. Acho que passou da hora de nós reformados sairmos da trincheira para fazermos analises mais consistentes e menos sectaristas, mesmo que isso implique na revisão do nosso teismo fechado, diga-se de passagem, fechado por nós.

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12/4/07 08:05 delete

Consertando o meu post, porque odeio ler erros assim: "só eles tinham a verdade" (ao invés de "só eles tinha a verdade - argh).e1

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12/4/07 08:07 delete

Outra: "recentes" em vez de "recented". Se der pra corrigir no próprio comentário, melhor ainda! Abs.

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16/4/07 22:31 delete

Olá Davi,

Vamos aos comentários... minha crítica à igreja emergente é que no seu blá blá blá pós-moderno de falta de pressupostos o diálogo não se desenvolve. O que vai acontecer nesse diálogo é ruptura e não aproximação. Não espere da igreja emergente uma resposta consistente para o debate sobre o homossexualismo, por exemplo. Eu já ouvi partes de uma entrevista com McLaren em que ele simplesmente sai pela tangente, exatemente pela falta de pressupostos firmados nas Escrituras.

Quanto ao livro que comentei, A mensagem secreta de Jesus, o que coloquei no post é um reflexo correto do que ali está exposto. McLaren afirma que a partir do século II a igreja se desviou e só agora reencontra a mensagem de Jesus. Seria uma mudança de discurso? Bem provável.

Quanto a seus anseios e críticas à igreja contemporânea, creio que se aqui fizéssemos uma lista, iríamos concordar quase que 100%. Se não fosse por anseio de mudança este blog nao existiria... Semper reformanda, meu prezado amigo, faz parte dos meus anseios reformados diante do Deus das Escrituras. Os erros detectados, avaliados e corrigidos, é o que queremos.

um gde abraço

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16/4/07 22:45 delete

Prezado Atílio,

Pois é, as pessoas costumam acreditar nas outras. Se vc observar, inclusive o tom do post, é exatamente de mostrar que algo novo está no 'mercado' brasileiro. Faz parte da dinâmica de um blog... Não esperava que meus leitores tivessem lido o livro, que encomendei no ano passado, em inglês. Aliás, acho que nem as orelhas eles leram, pq não o tem. Mas ainda assim, arriscaram falar alguma coisa, algumas delas bem interessantes e coerentes.

Se vc observar, no entanto, nem o Davi Portela leu o livro comentado e fez seu comentário comparando o discurso de McLaren em outro livro, o 'generous orthodoxy'...

Quanto a fazer análises mais consistentes, eu lhe digo que não vou desistir de fazê-las... me perdoe se não fui apto para chegar na sua capacidade e profundidade, afinal, o seu comentário foi muito profundo!

Quanto ao seu teismo, que parece querer se abrir, seja cauteloso meu prezado. Teismo aberto, assim como igreja emergente, passam. A Igreja da Cristo permanece.

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17/4/07 02:32 delete

Olá Mauro -

Ainda não tenho acesso ao livro que você comentou (se demorou para chegar no Brasil, imagine em Bangladesh), o que achei estranho foi a diferença entre o que McLaren escreveu neste livro (baseado na sua descrição) e o que eu entendi do "Generous Orthodoxy". No momento estou lendo o "A New Kind of Christian" e planejo fazer uma resenha.

Não quis dizer que você (ou que outros dentro do braço reformado da Igreja) não estejam se empenhando no "semper reformanda", minha crítica foi mais geral. O que quis dizer é que muitas vezes, como denominação/braço/parte da Igreja, temos definições meio confusas para o que deve ser sempre reformado:

1) Somos nós? Temos que estar sempre olhando para os reformadores e para as verdades afirmadas no século 16 e assim "reformando" a Igreja? Infelizmente, já encontrei gente que acha que o significado pleno de "semper reformanda" é isso aí...

2) São as outras denominações? Devemos sair com o nosso "big stick" dos Canos de Dordt/Confissão de Westminster e bater na cabeça daqueles que dizem crer em Cristo mas não aceitam as nossas doutrinas? Já encontrei esses também.

3) É o mundo? Temos que assegurar que o evangelho seja sempre pregado da "forma reformada", assinando embaixo do TULIP no mesmo papel onde se assina "Neste dia, eu, Genósio Borival Felix, aceito a Jesus como meu salvador"? Já estive em igrejas assim. :-(

4) Ou será um sentido mais amplo (que é o que eu acho que ambos subscrevemos), onde o "semper reformanda" não aponta para as doutrinas da reforma em si como sendo o instrumento de reforma, mas para a Palavra de Deus como sendo a base para a reforma contínua das nossas estruturas (falíveis) teológicas? Este sentido, pelo menos descrito desta forma, fica um pouco mais parecido com a proposta emergente (pelo menos à proposta proposta em Generous Orthodoxy).

Acho que um grande problema na nossa ala é que acreditamos no sentido 4, mas muitas vezes (por uma razão ou outra) agimos como se o sentido fosse 1-3. Acho que isto deixa o resto do Cristianismo muito confuso sobre o significado do que é ser "reformado" e o que é estar "sempre reformando". Creio que se pudéssemos reformar (hehe) o nosso comportamento e demonstrar o real sentido do "semper reformanda", poderíamos abrir espaço para mais diálogos com pessoas de outras alas doutrinárias, sem fazer isso num ambiente relativista (o que pode acontecer num diálogo pó-mó ou emergente). What do you think?

Abs,

- David

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Anônimo
AUTOR
25/4/07 15:22 delete

Olá amigos, li o livro do Mclaren, "A Mensagem Secreta de Jesus" - devo dizer que sempre aderi ao teísmo aberto, sem nem saber que o mesmo pudesse existir, é mole? Achei o livro excelente, me animou em olhar para nossas instituições religiosas como semeadoras deste "novo" modo de ver a humanidade de Deus e seu relacionamento conosco, ao invés de refutar o Calvinismo, me fez valoriza-lo ainda mais, e descobri que a força motriz nesta relação é a palavra de Deus, que além de diversificar o entedimento, não foge da essência do Cristianismo revelado. Isso foi e é muito bom pra mim. Resta-nos ter sabedoria para convivermos com o teísmo aberto e aproveitar o que de bom ele tem, assim como o teísmo fechado. Não vale a pena criarmos "partidos", mas sim uma enorme alegria em ver a pluralidade de idéias, mas o Cristo continuar presente não apenas na contemplação, mas em nosso dia-a-dia, é isso que precisamos, a proximidade com Cristo humano afim de absorvermos seu caráter divino, assim como diz a palavra, "...Nele, sermos um."
saudações
Abmael Vitor -
abmaelvitor@hotmail.com

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Oswaldo Viana
AUTOR
9/5/07 04:00 delete

Prezado Mauro,

com relação à letra da música "Porque tudo que há dentro de mim...": você realmente crê que, excetuando-se o Espírito Santo e sua contínua obra em nossas vidas, há alguma coisa que não necessita ser mudada dentro de nós? ("Porque eu sei que em mim, isto é, na minha carne, não habita bem algum").

Quero saber se não estaria havendo um mal-entendido entre o que o autor dessa música quis dizer, e o que você entendeu.

Cordialmente,
Oswaldo

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9/5/07 08:35 delete

Prezado Oswaldo,

Tudo é passível de interpretação, por isto, mesmo na poesia, creio que precisamos buscar mais precisão.

A minha questão com a letra da música, nesta parte (gosto do restante da letra e música e não faço idéia de quem seja o autor), é que ela afirma contra o todo da Escritura e nossa teologia.

Primeiro, a interpretação de Rm 7 é controversa sobre vários aspectos, ainda que eu concorde com a interpretação tradicional do texto, de que 'eu', ali, refere-se mesmo a Paulo. Mas vários outros textos da Escritura nos ensinam que nós já passamos pelo processo da regeneração, que já recebemos um novo coração e que já somos detentores destas coisas (mesmo que em determinados momentos e gente pense que não, não é mesmo?). Logo, minha questão é teológica.Em Rm 6 Paulo afirma que já sabemos estas coisas...

Logo, mesmo contra meus 'sentimentos', ocasionais ou frequentes a respeito da minha natureza, creio no que a Escritura afirma. Há coisas em mim que já foram mudadas, logo "Nem TUDO que há em mim precisa ser mudado". Há muitas outras a serem mudadas e sei que grande parte delas só será mudadada no encontro final com o Senhor, seja pela morte seja pela volta de Cristo antes disto. Quanto a depender do Espírito Santo, vou depender dele eternamente, mesmo quando TUDO for mudado.

abs
Mauro

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9/5/07 08:40 delete

Prezado Abmael,

Que se tenha apreço por alguns pontos ou ênfases de determinados movimentos que não se encaixam no que entendemos por ortodoxia, não tenho problemas. Afinal de contas, se tudo estivesse em perfeito estado, não haveria tanta coisa negativa no meio desta igreja visível. Agora, no seu discurso, vejo contradição em nome de uma unidade, supostamente piedosa, mas que não tem como acontecer... seu discurso, como vc mesmo reconhece, encaixa-se bem no espírito da pós-modernidade. Mas é isto que o Senhor ensina na sua Palavra?

abs
Mauro

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9/5/07 08:40 delete Este comentário foi removido pelo autor.
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9/5/07 09:06 delete

Olá Davi,

Desculpe a demora, mas é que nunca mais voltei a este post e sua questão ficou no ar...

Eu concordo que queremos ser o que vc afirma no ponto 4 e que muitas vezes a tendência tem sido agir "como se" os pontos 1-3. Já vi muito disto acontecer. Creio que estes fazem parte dos principais 'pecados que ameaçam os calvinistas'... acho que vc já ouviu falar disto em algum lugar.

Agora, duvido que o diálogo pó-mó venha se realizar com a ortodoxia. McLaren move-se rapidamente na direção contraria, partindo para outros diálogos onde os pressupostos não se mantém. Diálogo com base em pressuposições comuns, progride... em pressuposições contrarias, ou há mudança de pressupostos ou deteriora-se...

abs
Mauro

Responder
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Oswaldo Viana
AUTOR
23/5/07 20:19 delete

Olá Mauro,

Desculpe-me voltar a este assunto depois de já passado certo tempo, mas ele me parece de importância crucial, até por causa da enorme popularidade da canção "Renova-me", com sua frase "porque tudo que há dentro de mim..." (o autor é o Marcos Witt, http://es.wikipedia.org/wiki/Marcos_Witt).

Entendo perfeitamente sua colocação, mas minha pergunta é: se o próprio Paulo pode escrever o v. 18 de Romanos 7, por que não podemos nós cantar essa música, como foi composta?

Ela não nega a regeneração (como o próprio Apóstolo o sabia), mas nos lembra que, num certo sentido (ou em todos os sentidos), temos todos que "nascer de novo", a cada instante.

Abs,
Oswaldo

Responder
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24/5/07 01:31 delete

Prezado Oswaldo,

Ai está o problema... o novo nascimento acontece somente uma vez, assim como a regeneração. Logo, se vc associa "que tudo precisa ser mudado" ao novo nascimento, temos um sério problema teológico. Uma vez nascidos de novo, não continuamos a renascer...abs

Responder
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oswaldo viana
AUTOR
25/5/07 16:57 delete

De fato, é mesmo um problema teológico: do ponto de vista temporal, só nascemos de novo uma vez, em algum lugar do passado. Mas, do ponto de vista da eternidade...

Creio que somente um regenerado, de fato, pode verdadeiramente cantar essa música. Os incrédulos, esses não estão "nem aí".

Uma igreja batista que conheço adotou uma solução políticamente correta (que horrível!):

"Porque MUITO que há dentro de mim / necessita ser mudado, Senhor..."

Obrigado pensar comigo esta questão.

Abç!

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2/6/07 16:19 delete

A solução que a referida igreja batista encontrou foi muito boa! Digna de ser imitada. É o mesmo que venho propondo fazer com outra música que em certo ponto diz: "uma família sem qualquer falsidade". Proponho "uma família que vence a falsidade". A letra original caminha na direção oposta ao "Renova-me". Enquanto este assume que tudo precisa ser mudado, a outra canção parece dizer que nada precisa ser mudado. Afinal, não existe sequer falsidade na família cristã...

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Anônimo
AUTOR
2/8/07 14:06 delete

interessante...

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7/3/10 17:09 delete

Querido Mauro, tenho pesquisado sobre a "Igreja Emergente" pela profunda preocupação com aqueles que têm sido tentados a abandonar a relação eclesiástica e pressupostos essencialmente bíblicos pelos discursos destes "homens livres" que a cada dia ocupam o tempo de leitores da internet, livros e gurus itinerantes entre parte da cristandade. Este movimento tem tido fortes projeções desde 1990 nos EUA ao lado de obras oriundas do âmbito editorial secular que questionam verdades absolutas sobre a divindade de Jesus e a credibilidade da instituição cristã como válida e necessária na perspectiva da sociologia. Não posso dizer que este anseio por novas "verdades" tem relações intimamente propositais, mas estou certo de que estas insurgências externas (filósofos pós-modernos) e internas (teístas A B E R T O S) na Igreja apontam para um triste momento histórico onde muitos, por abandonarem as tradições sadias da Igreja em busca de uma suposta liberdade estão à beira do abismo teológico, uma vez que as teses da "Igreja Emergente" não apresentam respostas biblicamente claras para as necessidades mais essenciais do povo. Suas defesas insistem apresentar justificativas universais como "precisamos de Jesus e não da Igreja", "não preciso ir à igreja para ser crente", "religião não serve para nada", e não especificam como isto pode ser compreendido no dia-a-dia de um crente comum que necessita de cuidados pastorais.
Tenho percebido que este anseio por "liberdade" é nada mais que esquivo da sujeição a qualquer autoridade instituída por Deus.

Parabéns pelo texto.
Fica aqui registrada minha pequena contribuição ao assunto.

Ericson Martins (SPBC)
http://reflexoesecotidiano.blogspot.com
contato@brmail.info


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