quarta-feira, março 05, 2008

Ainda sobre Darwin...


A entrevista abaixo foi concedida ao jornal Brasil Presbiteriano. Trata da realização em abril do Simpósio "Darwinismo Hoje," assunto de post anterior nesse blog.


BP: O senhor foi o idealizador do simpósio sobre Darwinismo? De quem partiu a idéia inicial de propor essa discussão no Mackenzie?


AUGUSTUS: "A idéia de propor essa discussão no Mackenzie partiu da Chancelaria mesmo. Ela nasceu da constatação de que sendo a Universidade o lugar apropriado para o debate dos contraditórios, precisamos refletir isto na prática. Mas o que acontece na realidade é que antigos paradigmas acabam por dominar o cenário acadêmico e não abrem espaço para este debate. É o caso com o Darwinismo, que como teoria científica e filosófica mais aceita acaba dominando o pensamento nas várias áreas da Academia, com pouco ou nenhum espaço para que se ouça o que cientistas que esposam outras teorias têm a dizer. Daí, a idéia de um Simpósio onde se possa ouvir o outro lado."




BP: O senhor imagina que, pelo Mackenzie ser uma instituição de caráter confessional, haverá, quanto a isso, alguma polêmica (além da que o assunto do simpósio, por si só, irá gerar)? Algo como o Mackenzie estar realizando um evento dessa natureza para promover o ponto de vista cristão a respeito da criação do mundo e das espécies?


AUGUSTUS: "É possível que surja alguma polêmica. Todavia, o Mackenzie está perfeitamente dentro do seu direito, pois como instituição de ensino superior confessional ela atende a uma ideologia específica, um direito que é garantido pelo Artigo 20 da Lei de Diretrizes e Bases: 'As instituições privadas de ensino se enquadrarão nas seguintes categorias: III - confessionais, assim entendidas as que são instituídas por grupos de pessoas físicas ou por uma ou mais pessoas jurídicas que atendem a orientação confessional e ideologia específicas'. Esse artigo dá ao Mackenzie o direito de ser uma universidade cristã. Como tal, dentro desse direito, a universidade pode apresentar alternativas ao modelo evolucionista, que por sinal, já anda bem desgastado."


BP: O pouco que sei sobre a Teoria do Design Inteligente é que defende que a natureza foi planejada, projetada, e que se deve empreender uma investigação prática sobre a origem desse projeto ou desse design: se ele é fruto de uma organização proposital, talvez de uma mente criadora, superior, ou fruto do acaso ou de leis naturais. O senhor poderia explicar melhor essa teoria e o que pensa a respeito dela?


AUGUSTUS: "Na verdade, o Design Inteligente não pretende postular uma teoria das origens. Boa parte dos teóricos do Design Inteligente nem religiosos são. O que eles pretendem é chamar a atenção do mundo científico para o fato de que o Darwinismo com sua teoria da evolução das espécies não consegue explicar de maneira satisfatória determinados mecanismos e processos naturais descobertos pela bioquímica e outras ciências. Tais mecanismos, como o motorzinho das células, são por demais completos e complexos, sendo praticamente impossível considerá-los como fruto de um processo evolutivo movido ao acaso. A evidência, segundo os teóricos do Design Inteligente, aponta para um design, um propósito por detrás do desenvolvimento desses processos e mecanismos. Eles não chegam a postular que o designer desse processo é Deus, pois não querem levar o debate para a área religiosa, mas mantê-lo dentro do escopo científico."


BP: Quanto ao darwinismo ou neodarwinismo, como alguns chamam, muitos cristãos tendem a rejeitar essa teoria sem conhecê-la ao menos um pouco, dizendo até que Darwin afirmou que os humanos descendem dos macacos, o que não é exato. Outros, por outro lado, tentam descobrir pontos em que o darwinismo e o criacionismo poderiam se encontrar e não se contradizer, dizendo que talvez a forma como Darwin descreve a evolução das espécies tenha sido a forma como Deus trabalhou na criação do Universo e do homem. O que o senhor pensa sobre o darwinismo e essas formas de muitos cristãos o encararem?


AUGUSTUS: "É verdade que muitos cristãos tomam conhecimento da teoria da evolução através da versão oficial triunfante e sem nenhum questionamento, o que é deplorável. Eu pessoalmente creio que não há problemas em aceitar o que se chama de micro-evolução, ou seja, que os organismos de uma mesma espécie, com o tempo, se adaptaram e se desenvolveram, sobrevivendo os mais aptos por meio de um processo natural de seleção embutido na própria natureza desde a sua criação por Deus. Creio que existe abundante evidência desse fato, que em nada contradiz o pensamento cristão. Não creio que os cristãos tenham problemas quanto à micro-evolução. A dificuldade maior é quanto à macro-evolução, que postula o surgimento de espécies novas a partir de outras, como o surgimento do homem a partir de espécies inferiores. É verdade que Darwin não defendeu diretamente que o homem descende do macaco. Ele não mencionou a evolução humana no “Origem das Espécies”. Todavia, na sua teoria de descendência comum defendida em seu outro livro The Descent of Man [“A Origem do Homem”] Darwin ensina que o homem traz na sua estrutura corporal traços nítidos de sua descendência de formas inferiores. Ele diz que seu objetivo é mostrar que não existe diferença fundamental entre o homem e os animais superiores nas suas faculdades mentais, e que a diferença na mente entre o homem e os animais superiores é de grau, e não de tipo. Logo, Darwin disse, ainda que indiretamente, que o homem descende do macaco.


Muitos têm procurado uma conciliação entre Moisés e Darwin, os chamados evolucionistas teístas, que geralmente consideram Moisés como poesia e mito e Darwin como a expressão correta da realidade. O fato é que existe uma incompatibilidade radical entre os dois. A teoria da seleção natural de Darwin rejeita uma causa sobrenatural para esse processo. Asa Gray, um botânico americano, cristão, foi um dos primeiros a sugerir um “plano divino” dentro da teoria da evolução. Darwin protestou veementemente, numa carta a Lyell. O processo de evolução darwinista é mecanicista e a seleção natural é um processo cego, aleatório, e sem nenhuma intenção. Isso contraria a posição criacionista onde Deus é a fonte e o sustento de toda a sua criação.



Além disso, considerar os capítulos iniciais de Gênesis como lenda e mito cria um problema enorme para os cristãos, pois coloca como mito não somente as origens do mundo e do homem, mas também outros fatos como a queda do homem, tirando as bases históricas e teológicas para a antropologia e a soteriologia bíblicas. Dessa forma, se abre a porta para considerar como mito todo o restante da chamada "pré-história" de Gênesis, que são os capítulos de 1 a 12. Muitos evolucionistas teístas acham que Adão, Abraão, Moisés, etc. são figuras mitológicas, criadas pela imaginação religiosa dos judeus. Na hora que abrirmos a porteira em Gênesis 1-3, ela estará aberta para considerarmos como mito o resto da Bíblia."


BP: Sobre o criacionismo, os que nele acreditam são muitas vezes chamados de ingênuos ou crédulos, pois não há, até onde eu sei, suficientes evidências científicas que o comprovem. Há até entre os cristãos pessoas que defendem que a descrição da criação do mundo e do ser humano em Gênesis é uma figura ou faz parte de uma mitologia encontrada também em outras religiões antigas. O que o senhor acha dessa forma de pensar e qual é sua opinião sobre a origem do mundo e do homem?


AUGUSTUS: "Existem diferentes linhas criacionistas. Entre elas, existe o chamado criacionismo científico que tenta provar cientificamente que o mundo foi criado por Deus conforme relatado em Gênesis 1-2. Todavia, a linha criacionista predominante é que as origens do universo não podem ser descobertas por meio dos métodos empíricos da ciência moderna, e são mais uma questão filosófica e teológica. Dessa forma, os cientistas deveriam se ocupar em entender como o mundo funciona, deixando a questão das origens para filósofos e teólogos. Quanto à existência de relatos da criação do mundo na literatura religiosa de outras religiões, isso pode ser explicado pela necessidade fundamental que o homem tem de buscar as origens; seu espírito idólatra o leva a conceber a criação no âmbito da imaginação mitológica. Ainda que existam centenas de 'mitos da criação', em quase todas as culturas, nenhum se aproxima do relato bíblico. Não há evidência alguma de que Moisés teria copiado relatos babilônicos ou egípcios da criação do mundo, mesmo que vários deles sejam anteriores ao relato mosaico."

13 comentários:

Marco Duarte disse...

Muito boa essa entrevista! E melhor ainda será esse Simpósio! É necessário mostrar que a teoria da evolução possui diversas falhas, o que a maioria dos leigos não enxergam, pois são influenciados pelos meios de comunicação em geral, que adoram bater nos cristãos, principalmente, quando o assunto é a origem do universo (Vide ontem o comentário de Arnaldo Jabor no Jornal da Globo). Esse é um assunto pertinente, principalmente agora que a mídia só fala na possível aprovação dos estudos de células-troncos aqui no Brasil. Gostaria inclusive que fosse postado um artigo sobre o ponto de vista cristão sobre células-troncos.
Um abraço,

Marco Duarte

Anônimo disse...

Pr. Nicodemus, boa tarde.

Lendo alguns dos seus artigos descobri assim o seu equilíbrio e sensatez com que defende suas convicções, resolvi pedir sua ajuda quanto a algumas dúvidas que tenho, antecipo, porém, meus pedidos de desculpas, pois, tais dúvidas não estão relacionadas com o assunto deste seu post.

Antes, eu creio ser necessário dizer que sou membro de uma igreja de orientação arminiana e não calvinista. Não sou teólogo ou aspirante a teólogo, acrescento que, embora historicamente, o assunto principal que diverge o pensamento e convicção desses dois teólogos e seus adeptos, muitas vezes ser discutido de forma negativa influenciado por paixões e partidarismos cegos e nocivos, estou certo de que eu não fui contaminado por isso. Espero que o fato de eu ser “leigo” possa justificar-me se por ventura eu escrever algo que sugira algum tipo de conduta ofensiva, pois, não é minha intenção.

Minha dúvida gira em torno da necessidade da pregação do Evangelho e seu apelo, dadas as convicções arminiana e calvinista (ou à sua ordem .. rsr) quanto a salvação.

Resumidamente, e claro, na minha percepção, a pregação do evangelho quando feita por um arminiano, desenvolve-se, basicamente na seguinte ordem, ou seus objetivos são: 1 – Fazer com que o homem reconheça que é pecador e carente da Graça de Deus; 2 – Fazê-lo entender a necessidade de sincero arrependimento de seus pecados; 3 – Fazê-lo entender que a única coisa que pode justificá-lo do seu pecado é o Sangue de Jesus; 4 – Fazê-lo compreender que a Salvação é obra exclusiva de Jesus, realizada por Sua morte e ressurreição, sem mérito algum por parte do homem, nem tão pouco, outra opção.

Toda essa argumentação, exige uma resposta, um posicionamento a ser tomado por parte do homem. Existe um apelo na mensagem do Evangelho que sempre convoca o ser caído a reconciliar-se com Deus através do sacrifício do Seu Filho Jesus. Existe o apelo à fé, à crença de que Jesus, somente Ele, pode salvar, em fim.

Se na visão calvinista os homens são predestinados a salvação ou condenação eterna, qual o sentido da participação do homem no evangelho, digo: Para quê pregar, se aqueles que serão salvos, já foi predeterminado? O que anunciar ou que apelo se deve fazer, uma vez que o homem, está completamente sem possibilidade de ao menos desejar a salvação? Seria: “Fechem suas Bíblias e aguardem o pronunciamento da lista dos nomes daqueles que serão salvos.”?

Se eu tivesse que ilustrar a forma como entendo essa situação, seria como se numa sala tivesse várias pessoas acometidas de uma doença mortal, e tais pessoas, fossem informadas de que o único remédio encontra-se no armário em frente, porém, ainda que muitos queiram, este remédio só será dado a alguns, que foram pré-selecionados, por um critério desconhecido.Isto na minha concepção, não coaduna com os atributos do caráter revelado de Deus.

Não lido bem com as palavras. Não sei se consegui expor minhas dúvidas de maneira clara, mas, gostaria que soubesse que aguardo ansioso por seus esclarecimentos. Certamente, serão de grande importância para minha vida.

Saudações,
André Costa
Belo Horizonte

Oliveira disse...

Caro Reverendo Nicodemus

Para aqueles que entendem que os seis dias da criação poderiam ter sido seis períodos de tempos, tipo, seis bilhões de anos, etc... é apresentado o argumento de que se isto fosse verdade, seria insuperável o texto que diz "... Houve tarde e manhã..." texto este que nesta visão crítica mostraria claramente que os dias da criação seriam de 24 horas com tarde e manhã.

Para responder aos meus críticos e o principal deles talvez seja eu mesmo, poderia me explicar pacientemente onde está o "claramente" aqui argumentado, uma vez que se poderia ler que tarde e manhã seria uma forma figurada de se dizer que o período chegou ao seu fim (entardecer) e teve o seu início (amanhecer)?

Não perca a paciência comigo, é uma pergunta sincera de quem é criacionista mas que continua pensando no que responder aos que me perguntam, inclusive o que eu mesmo me pergunto quando faço nos meus pensamentos a defesa da minha fé. Não que eu precise de respostas racionais para a mesma, o novo nascimento já me basta. O fim da escravidão do pecado já me "sufoca" de gratidão, mas no caso aqui é pela busca de respostas racionais ao caso da dúvida em questão.

Segue outra pergunta distante para ser feita no dia do simpósio para o palestrante criacionista, e depois de abril respondida aqui de alguma forma em um post pós evento: - Se a Bíblia diz produza a terra alma vivente, e também diz produzam as águas abundantemente répteis de alma vivente, como que o palestrante vê a questão de sermos criacionistas mas de um Deus que cria indiretamente? Deixamos de ser criacionistas pelo fato de não ter sido diretamente Deus quem criou?

Um grande abraço

Anônimo disse...

Srs., boa tarde.

Pegando uma carona no coment´s do colega Marco, fui dormir ontem indignado com o comentário infeliz daquele Jabor "cara de Darwin" ... cheguei até a orar uns dois salmos de imprecação contra ele ... mas fiquei mais calmo quando me lembrei do alerta de Tiago, de que "a ira do homem não produz a justiça de Deus" ...

Parabéns Augustus!
Seus Blog é um sucesso.
Thiago

Ednaldo disse...

Caro André estou com os "dedos coçando" pra te responder, mas vou deixar com o Rev. Augustus, pra não ser taxado de chato.

Fica na Paz,

Ednaldo.

Augustus Nicodemus Lopes disse...

Prezado André,

Aqui no blog temos várias postagens que tratam da questão da soberania de Deus e da responsabilidade humana, que inclui naturalmente a questão da evangelização. Se você não se incomoda, prefiro não ficar repetindo esse material e sugerir a você que leia o material que temos aqui. Caso não lhe satisfaça, recomendo o excelente livro de J. I. Packer, "Evangelismo e Soberania de Deus." Ali tem todas as suas respostas. Um abraço.

Augustus Nicodemus Lopes disse...

Oliveira,

Entre os que acreditam no relato de Gênesis estão os que acreditam que os dias são períodos grandes de tempo. Eles têm essa postura não porque o texto bíblico sugere que esses dias são períodos, mas porque desejam conciliar o relato bíblico com uma terra muito antiga, de milhões de anos, como sugerido pela maior parte dos cientistas.

Eu não vejo problema algum em dias de 24 horas. Já dei minha opinião sobre esse assunto num post anterior. Veja http://tempora-mores.blogspot.com/2007/06/dilogo-inacabado-entre-um-pastor-e-um.html

Para mim, é possível e até provável que Deus tenha criado a terra já "adulta", da mesma forma que criou Adão já crescido, funcional, adulto e completo.

Sobre sua outra pergunta, é minha opinião que Deus não deixa de ser criador por ter ordenado que a terra e as águas que ele tinha criado produzissem vida.

Abraços!

MANUEL disse...

Querido Rev. Augustus:

Excelente post. Que ganas de haber estado en estas conferencias del Mackenzie.
Aun cuando fui enseñado con el método científico en la Universidad y gran parte de las teorías que se manejan se sustentan en las bases evolutivas, tomé en mi convicción cristiana la resolución de aceptar el creacionismo en días de 24 horas, una vez que entendí todas las implicancias soteriológicas que esto tiene. Así lo creo y lo enseño. Encontré en su propuesta de la creación de una "tierra ya adulta" una interesante posibilidad de fortalecer mis convicciones. Pregunta: ¿es una hipótesis formulada por usted o tiene otros autores?... si existen otras referencias me gustaría poder estudiarlas en más profundidad. Bendiciones,

Pbro. Manuel Salgado

Oliveira disse...

Caro Reverendo Augustus

Eu lei e participei do debate feito anteriormente, e de fato gostei muito do exemplo da criação do vinho já “velho”, e da explicação de Adão já “adulto”, etc...

Mas na ocasião a dúvida ficou no final da resposta que me deste, a saber, nas suas palavras:

“No relato da criação encontramos alguns pontos em que a atividade criadora de Deus realizou-se a partir de material já existente, como são os dois casos que você mencionou. Eu ainda acrescentaria a criação de Adão, feito a partir do pó da terra, e de Eva, feita a partir de Adão. Sei que você não está inferindo isso, mas em nenhum desses casos o que foi criado através de meios deixa de ser obra das mão de Deus. E antes que alguém diga, "a-há! quem sabe não temos aqui uma descrição figurada da evolução, o que não deixa de revelar a autoria divina?", lembro que esbarramos no problema da interpretação do "dia" que tem uma tarde e uma manhã.”

Voltando...
É que na ocasião fiquei com vergonha de insistir na pergunta, enfim para não ficar torrando a paciência, etc... mas a repetição da pergunta agora neste blog, se aplica a idéia do final da sua frase: “... lembro que esbarramos no problema da interpretação do “dia” que tem uma tarde e uma manhã.”

Neste sentido é que lhe pergunto onde está o problema de a expressão tarde e manhã serem barreiras para uma hipotética interpretação de dias além das 24 horas?

No mais me perdoe reverendo.
Eu procuro me conter, mas o blog é ótimo, está aberto a perguntas e eu tenho dúvidas, então não me contenho e vou lhes escrevendo...

Um abraço e me desculpe pela impertinência.

Anônimo disse...

Pr. Augustus, boa tarde. A paz do Senhor Jesus!

Navegando na Net, ancorei neste seu Blog, bastante interessnte e de preciosas reflexões.

Ao comentar em casa sobre o assunto deste Blog (discursão, como sempre, acalourada, diga-se de passagem ... rsrs), furgiu a pergunta do meu filho, Rafael 12 anos: E os dinossauros?

Espero não estar sendo inconviniente, pois, já percebi que todos os assuntos expostos aqui são sérios, mas: E os dinossauros? Com toda aquele argumentação secular que a gente ouve de cometa que caiu e extingüiu toda espécie de vida (ou coisa parecida), como lhe dar com tais afirmações (ou teorias sem lá), e em que elas podem influênciar ou como harmonizá-las dentro das nossas posições criacionistas, e etc ... ?

Meu nome é Carlos de Santos.

Abç´s.

Anônimo disse...

Pastor Augustus Nicodemus:

Na visao evolucionista, a vida na Terra evoluiu da materia inanimada, num longo periodo de tempo, e como resultado de eventos aleatorios. Se isto e' verdade, entao nao ha' razao para acreditar senao que a vida e' um acidente cosmico, sem nenhuma finalidade nem proposito.

Evolucionistas que insistem que esta doutrina e' verdadeira, passam a afirmar que toda religiao e' uma ilusao. Por outro lado,se a evolucao a partir da "sopa primordial" por mudancas aleatorias, nao for estabelecida por meio da ciencia, mas depender de pre-suposicoes filosoficas de seus partidarios, qual a razao para ensinar essa teoria nas escolas, como se fosse cientifica, com exclusao de outras possiveis explicacoes ?

Evolucionistas ferrenhos como Richard Dawkins, e lideres do "Inteligent Design" (ID) como Phillip E. Johnson, concordam no seguinte ponto. O "meio caminho", em que Deus teria usado como metodo de criacao a evolucao -- o chamado evolucionismo teistico -- nao tem grande coisa para ser recomendado.

Daniel Dennett, da Universidade Tufts, autor de Darwin's Dangerous Idea(1995), afirma ser o Darwinismo um acido corrosivo, destruidor de todos os conceitos tradicionais e que deixa o mundo revolucionado. William Provine, um biologista evolucionario da Universidade Cornell, tem uma visao semelhante. Para ele, o Darwinismo e' a maior maquina de ateismo jamais pensada pelo homem.

Phillip Johnson e outros advogados do ID aceitam a "microevolucao" dentro de uma mesma especie. Mas, afirma Johnson, o corpo humano esta' cheio de maravilhas que o evolucionismo gradual nao possui explicacao. Muito menos aceita ele que essas maravilhas naturais tenham surgido por acao de um processo aleatorio, como decreta a biologia evolucionaria.

As consequencia sao imensas. Se Dawkins, Dennett e Provine estao corretos, entao Deus e' uma mera fantasia. Se Johnson e os outros advogados do ID estao corretos, entao a Teoria da Evolucao Darwinista pertence `a lata de lixo intelectual.

Sera' que vale a pena realizar o Simposio "Darwinismo Hoje" ? Dawkins pensa que o Darwinismo nao e' um assunto para debates cientificos. Um dos principais advogados do evolucionismo teistico, Kenneth Miller, da Universidade Brown e autor de Finding Darwin's God, afirma que a "evolucao e' um fato". Como ele chegou a essa conclusao ? Seu argumento e' pouco mais do que soquear a mesa e repetir: um fato e' um fato e' um fato.

Sera' a evolucao um fato ? Se entendermos evolucao como "mudanca ao longo do tempo", entao obviamente e' um fato. Quanto a estabelecer a genealogia do homem, de modo cientifico e completo, a evolucao e' um fracasso, tantos sao os saltos que obrigam a logica a dar.

Por outro lado, Michael Behe, da Universidade Lehigh, um dos maiores criticos do Darwinismo, autor de Darwin's Black Box, uma critica `a Evolucao, do ponto de vista da Bioquimica, afirma que a Teoria ID nao sendo falsificavel, nao e' ciencia. (Uma teoria e' falsificavel se e' possivel programar um experimento que estabeleca sua falsidade.) Evidentemente, a mesma coisa pode ser dita da Teoria da Evolucao Darwinista.

Muitos criticos da Teoria ID erroneamente atribuem esta aos "cristaos evangelicos". Para infelicidade desses criticos, os mais importantes expoentes do Intelligent Design nao esposam em seus argumentos nenhuma doutrina religiosa, muito menos o Livro do Genesis. Isto aumenta a frustracao dos criticos, pois nao podem desqualificar seus oponentes como "fundamentalistas". Os proponentes do ID apelam apenas para a evidencia cientifica e a razao. Mas como muitos deles vao `a igreja, a eterna estrategia dos evolucionistas e' reposicionar o debate como se fosse "Religiao X Ciencia". Na verdade ambos os lados se acusam de usar a ciencia como escudo para seus argumentos filosoficos. De fato, ponto de vista do materialismo, a evolucao emerge como uma necessidade logica. Mas, no momento em que se poe de lado a camisa-de-forza do materialismo, e as evidencias cientificas apontarem para a existencia de um ID, por que nao admitir a existencia de um designer inteligente, isto e' Deus.

Para encerrar este comentario tao longo, quero lembrar que a Selecao Natural, que primeiramente foi considerada uma hipotese em busca de uma confirmacao experimental ou observacional, na verdade e' uma tautologia. Ela simplesmente afirma que os individuos mais aptos de uma populacao (definidos como sendo os que mais descendentes produzem) vao produzir mais descendentes. As conclusoes do evolucionismo Darwiniano nada mais sao que artigos de Fe', e fe' nao necessita de premissas cientificas, mas apenas adesao. Como escreveu Behe em seu capitulo sobre ID: Uma teoria rigorosa do ID sera' uma ferramenta utilissima para o avanco da ciencia em uma area que esta' moribunda por decadas, pela falta de solucoes viaveis para problemas aparentemente sem saida.

Hereticus

Oliveira disse...

Caro Reverendo

Respondendo a minha própria pergunta... Navegando aqui e ali, achei alguma coisa que me satisfez e pacificou o assunto na minha mente:

http://www.monergismo.com/textos/criacao/duracao_criacao_kenneth.htm

Principalmente da parte ele fala que a escritura se interpreta pela própria escritura.

Assim a palavra "dia" usada originalmente, é abundantemente usada em outros lugares da Bíblia como sendo dia de 24 horas.

Um grande abraço

Marcelo Hagah disse...

Prof. Augustus Nicodemus,
A graça e a paz do Senhor Jesus.

"Quanto à existência de relatos da criação do mundo na literatura religiosa de outras religiões..."

Vossa Senhoria me fez lembrar de Junito de Souza Brandão, falecido em 1996, ex-professor de Língua e Literatura Grega e Língua e Literatura Latina da PUC-RJ. Ele diz em seu primeiro volume da Mitologia Grega (um livro imperdível para qualquer um), citando Mircea Eliade,romancista e historiador romeno, morto no mesmo ano, que diz ser o mito "o relato de uma história verdadeira,ocorrida nos tempos dos princípios, illo tempore, quando com a interferência de entes sobrenaturais, uma realidade passou a existir..." Fala também do arquétipo, citando Jung, para o qual "Os conteúdos do inconsciente pessoal são aquisições da existência individual, ao passo que os conteúdos doinconsciente coletivo são arquétipos que existem sempre e a priori". Assim (agora são minhas palavras, e o senhor vai notar pela qualidade inferior dos conceitos), relatos da criação são fruto de uma verdade, um fato inicial, guardada no inconsciente das pessoas, preservada por tradições orais e escritas, preservada na Bíblia, para o conhecimento da verdade.

Marcelo Hagah
João Pessoa-PB