terça-feira, fevereiro 10, 2009

Cartas que a VEJA não publica...

-------------------------------------------------
A revista VEJA desta semana (No. 2099, 11.02.09) trouxe matéria de capa em várias reportagens internas sobre darwinismo e a teoria da evolução (veja o hábil comentário do Michelson Borges, aqui). O magazine deu seguimento, assim, ao assunto trazido pelo Sr. André Petry no número anterior (vide item 12, no "Breve Histórico" do nosso post prévio - de 04.02.09). Na matéria do No. 2098 ("Lembra-te de Darwin"), o Sr. Petry me citou, em um contexto eivado de distorções e ironias, procurando apresentar criacionistas à luz do ridículo. Enviei correspondência à revista, procurando restaurar a verdade. Esperava-se publicação da carta nesse número, mas, mais uma vez, uma carta minha, reclamando contra a postura do jornalista, não foi publicada (vide ocasião anterior, aqui). Normalmente as principais matérias que suscitam "cartas ao leitor", tabuladas pela própria revista, são em número de 30 a 40 correspondências por matéria. Tragédias e fofocas ensejam mais cartas (Santa Catarina - 105 cartas; a entrevista de Suzana Vieira - 259). A coluna do Petry produziu 129 cartas (a matéria de capa - Robinho - teve apenas 38 cartas), das quais VEJA, neste número 2099, publicou 3: uma defendendo evolução, outra a favor do criacionismo - com uma fraca argumentação, e a última "em cima do muro" - dizendo, mais ou menos, "não sou parte deles, mas deixa o pessoal falar".

O critério de seletividade das correspondências, é uma caixa preta. Esperar-se-ia que, primariamente, o que foi citado, até em respeito ao direito de resposta, fosse ouvido; além disso, várias cartas pertinentes, das quais recebi algumas cópias, foram enviadas e recebidas em tempo hábil à publicação. É claro que a revista não quer questionamentos maiores aos seus colunistas e à sua linha editorial, preserva o monopólio do ataque, sem chance de defesa ou de esclarecimento.

Vou postar, abaixo, algumas dessas cartas não publicadas, começando com a minha, dando os nomes dos autores, mas omitindo os demais dados dos mesmos (documentos e endereços), por segurança:
-------------------------------

São Paulo, 02 de fevereiro de 2009

Senhores:

Fui citado na coluna do Sr. André Petry (“Lembra-te de Darwin” – No. 2098) por ter a educação de atendê-lo em um telefonema na sexta, 30.01.2009. O Sr. Petry é conhecido por sua aversão aos evangélicos (vide VEJA No. 2083, de 22.10.2008) e não perde a oportunidade de atacar mais uma vez a liberdade de expressão, distorcendo fatos nesse artigo. Mesmo sabendo da possibilidade que nada de objetivo e veraz iria vir de seus escritos, esclareci que o os Colégios Mackenzie ensinavam, sim, criacionismo, em paralelo ao evolucionismo e não acreditam em sonegar quaisquer ângulos do conhecimento aos seus alunos. Como instituições confessionais, estão abrigadas na Lei de Diretrizes e Bases e reforçam a pluralidade educacional brasileira, objetivada pela lei. Nada disso é novidade, o Mackenzie faz isso desde 1870, com um ensino pautado pelos princípios e valores das Escrituras Sagradas, contabilizando uma imensa contribuição à sociedade desde os tempos do império. Essa avidez pela excelência de ensino está sendo ampliada, nos últimos anos, com a produção de materiais didáticos próprios.

O Sr. Petry, que na ligação se dizia tão interessado na apuração dos fatos, preferiu me citar seletivamente, omitindo a cobertura global da questão das origens realizada pela Instituição. Além disso, revela sua deficiente pesquisa, não apontando que no próximo mês de abril o Mackenzie apresenta o 2º Simpósio Internacional sobre Darwinismo, ao qual estarão presentes, além de expoentes internacionais da séria escola do Design Inteligente, renomados evolucionistas. Com isso demonstra o acato à pluralidade de idéias e o estímulo ao debate construtivo e saudável, e não a caricatura mal feita que o articulista esboçou em sua coluna. O artigo está muito longe de ser jornalismo saudável e esclarecedor.

Prefere, o Sr. Petry, ridicularizar, classificando em irônica ilação como “macacos tolos” aos que procuram enxergar um pouco mais além e dar continuidade ao ímpeto investigativo. Nunca chamaríamos Darwin de tal, pois foi um ser humano com inteligência, criado à imagem e semelhança de Deus. Petry prefere que a comunidade acadêmica e científica permaneça acorrentada a postulados anacrônicos de 150 anos atrás. Quer o conforto da ignorância de uma era na qual ainda não existiam quaisquer pesquisas possíveis na área de microbiologia, as quais têm exposto um número nada desprezível de fragilidades na teoria da evolução. Demonstra sua ignorância dos diferentes pontos de vista que existem no campo criacionista, com sua definição simplista e monolítica, gerada por ele próprio, e que não foi obtida através desta fonte. Ridicularizar pessoas e instituições é o seu estilo. Pena que uma revista tão séria, como VEJA, que tantas informações valiosas nos fornece a cada semana, o acolha impunemente em suas páginas. Ele diz que o criacionismo assusta. Ter fé em Darwin é o seu direito. Ter carta branca para difamar, isso sim, é assustador.

Francisco Solano Portela Neto

--------------------------------------------

Prezados Editores de VEJA,

O texto da coluna de André Petry (Lembra-te de Darwin - Edição 2098 de 4 de fevereiro de 2009) é absurdo e incoerente. Fala em ciência, mas mostra pavor pela observação de um pensamento contraditório.

Fala em algo estabelecido, mas que há séculos (dois agora) nunca conquistou o posto de lei, pois ainda é mera teoria.

Fala em evolução, mas ainda fica preso aos métodos antigos de debater: com ironia, deboche, ataque pessoal e irrefletido, além de linguajar inaceitável para um jornalista que assina seu nome numa revista tão séria e respeitável com VEJA.

Samuel Gueiros Vitalino
Pastor da Igreja Presbiteriana de Teresina e Advogado

------------------------------------------------

Senhores:

“Se há dois lados nesta questão o lado certo só pode ser o meu!” eis o pensamento de alguém embrutecido e emburrecido, que se decidiu, por fé, aceitar os pressupostos darwinistas e rejeitar quem pense diferente. Sim, “Fé”, visto não serem possíveis prová-los em laboratório. É um homem de fé destilando seu preconceito religioso contra a fé dos outros. Pensa ele que é melhor do que a Bíblia, que, segundo ele, é “um livro de fábulas”. É sua forma de demonstrar todo seu desprezo, pelos diferentes dele, pelos milhões de cristãos deste país e mundo fora. É como se todos nós os cristãos fôssemos acéfalos, somente porque não professamos a mesma “fé darwnista” que ele.

Ele não tem estatura para enxergar do ponto de vista que muitos grandes e renomados cientistas cristãos conseguem ver, ainda que este ponto de vista seja percebido até por muitos de escolaridade primária. Também outros igualmente renomados cientistas, não cristãos, já fizeram e refizaram as contas e já perceberam que elas não fecham, e nunca irão fechar, ou seja, perceberam que os pressupostos são “anti-ciência” (Ciência: “vida gera vida semelhante com número limitado de variações” x Darwinismo: “Não vida gerou vida” e “transmutou-se em milhões de espécies” a despeito da ciência afirmar e provar o contrário conforme as “Leis de Mendell” como exemplo).

Estes propõem uma terceira via chamada “design inteligente”, ou seja, não crêem necessariamente no Deus da Bíblia, mas reconhecem os traços claros de uma criação inteligente e muito bem projetada, talvez por uma civilização superior que precedeu ao nosso universo, na especulação de alguns (para compatibilizarem-se com o óbvio).

Mas esse André Petry, emburrecido pelo seus preconceitos, destila impune suas maldades usando as páginas de VEJA, vendidas na sua maior parte para cristãos; destila suas maldades e tripudia sobre uma massa de pessoas pacíficas que pagam seu salário, para serem, em seguida, tão brutalmente desrespeitadas por ele.
Espero que esta conceituada revista tome as providências cabíveis para que se mantenha o padrão de honestidade e respeito perseguidos pelos seus editores e principais articulistas.

ASHBEL SIMONTON VASCONCELOS SOARES

----------------------------------------------------

Srs. Editores:

As afirmações feitas pelo articulista André Petry, em seu artigo acerca do ensino do Criacionismo nas escolas confessionais, são evidência de seu despreparo ou de desonestidade intelectual. Isto porque jamais se apresentou, nas escolas confessionais, o Criacionismo como ciência, tampouco que os seres vivos foram criados há 6000 anos, como ele categórica mas falsamente afirma acontecer. Contrapor crença e superstição a razão e ciência, como faz Petry, é, isso sim, procurar confundir. Crença e superstição, deveria saber Petry, não andam lado a lado e não se confundem.

Finalmente, Petry socorre-se de decisões do diretor de educação (quem?!) da Royal Society e da Suprema Corte americana. Não o faz, contudo, quando o tema é a redução da maioridade penal no Brasil, a respeito do qual ele tem opinião contrária (VEJA, ed 1.966), a despeito das posições das Supremas Cortes ameriacana e inglesa, onde a maioridade penal não está definida mas decorre da capacidade de compreensão do delito cometido pelo infrator. Assim, Petry permite-nos concluir que as decisões daquela Corte somente têm valor quando estão de acordo com seu pensamento.

Jefferson Albuquerque (Assinante)
----------------------------------------------

Senhores:

Gostaria de fazer algumas perguntas:
1) Dado que o cálculo de seis mil anos para a idade da Terra foi fundamentado nos estudos criacionistas do judaísmo, por que vocês não criticam as escolas confessionais judaicas, que semelhantemente às evangélicas ensinam a visão bíblica da criação, aliás, ensinam a mesma quantidade de anos?

2) Será porque o financiamento dos principais veículos de comunicação mundiais são judeus, e habilmente vocês não querem "fechar a porta"?

3) O que precede à criação de uma célula: a informação ou o material?A própria revista registra que as escolas adventistas estão entre as melhores nos rankings do MEC. E os cursos do Mackenzie estão entre os mais bem avaliados do País. Pelo visto se embrutecer tem suas vantagens.

Daladier Lima dos Santos
--------------------------------------
Fica a pergunta: quantas, das 129 cartas, não carregariam palavras de protesto e teriam conteúdo semelhante?

Solano Portela

28 comentários:

Jorge Fernandes disse...

Gente como o Petry é inimigo da verdade (“detêm a verdade em injustiça” Rm 1.18), e almejam, simplesmente, enganar, distorcer e fraudar fatos e conceitos. Não sei por que perdemos tempo com ele e sua revista. Para mim, os cristãos deveriam tão somente ignorar tal publicação (enviesada, e monumentalmente tendenciosa) e seu articulista. Quem tem assinatura, cancele, quem compra exemplares avulsos, esqueça-os nas bancas.
Fico a imaginar a “coragem” do Petry em um Irã, por exemplo, ridicularizando aiatolás, o Alcorão, e o criacionismo... logo perceberia a gravidade do seu erro, ao abandonar a carne e encontrar-se com o supremo Juiz.

Renilda Silva disse...

Como professora de história, há muito recomendo aos meus alunos que, ao lerem reportagens e matérias publicadas pela revista, tenham o bom senso de procurar outras fontes e pesquisar sobre o assunto, pois na maioria das vezes, o conteúdo é tendencioso, vem carregado de preconceitos e inverdades.
Quanto ao jornalista (????) em questão, simplesmente não leio mais seus textos, pois seu preconceito religioso é palpável, e na condição de evangélica e cidadã, por diversas vezes me senti verdadeiramente agredida pelos seus escritos.
No que dependesse de mim, o caro escrivinhador engrossaria a fila dos desempregados do país.

AFH disse...

Jorge Fernandes,
Se agirmos assim com VEJA, temos que agir assim também com todas as emissoras de TV, Rádio, com os Jornais. E se o critério for tudo que é contrário ao que cremos, não somente o Darwinismo, nem jornal, rádio e tv evangélica escapa. ISOLAMENTO TOTAL !!!

A revista Veja, apesar de freqüentes polêmicas em várias áreas, ainda é uma boa fonte de informações. Quando não concordamos com algo que ela publica temos que seguir o exemplo do Solano e enviar cartas e protestar mesmo.

Se mudar para um mosteiro não resolve.

Obs.: Lembrei do filme A VILA. Como este blog também é cultura e cinema ...

Daniel M.S. disse...

Concordo inteiramente com o irmão.

No entanto, acho que esse tema é um tema fora de época, apesar de vez enquanto aparecer alguém falando dele. Para nós Igreja de Cristo isso é uma reação deseperada do Inimigo para desacreditar e destabilizar a "família de Deus". Não sei se precisamos sempre responder ou discutir em debates essas questões que eu considero menores. Esse é um assunto que não vale a pena perder tempo. Essa é a minha opinião, que pode estar errada, admito.

Um abraço forte e reformado

Helder Nozima disse...

Solano,

Concordo com os seus argumentos, sou criacionista, até postei um artigo no meu blog a favor do ensino criacionista nas escolas: http://reformaecarisma.blogspot.com/2009/02/por-que-nos-devemos-apoiar-o-ensino-do.html

Agora, sou jornalista também, e preciso fazer um "esclarecimento". Existe o jornalismo informativo e o opinativo. Colunas, como as do Reinaldo Azevedo, Diogo Mainardi e André Petry, são OPINATIVAS, não INFORMATIVAS. Ou seja, eles escrevem para dar opiniões, para assumirem posicionamentos claros e não para "mostrar os dois lados", que é a marca do jornalismo informativo.

Quem lê uma coluna deve esperar tudo, menos isenção. O bom colunista deve se posicionar, caso contrário, que vá para a reportagem fazer jornalismo informativo. Afinal é isso que colunas oferecem.

Dessa forma, entendo que o Petry tem o direito de se posicionar da forma como bem entender, inclusive ridicularizando as opiniões contrárias. É a mesma coisa que o Reinaldo Azevedo fez, na última edição, com os que defendem o Hamas, ou que o Diogo Mainardi fez com o Hugo Chávez (e faz, com ainda mais ironia com o Lula), sem gerar os mesmos protestos.

No atual desenho do jornalismo, as revistas são muito mais opinativas do que informativas. Rádio e TV estão mais para o lado informativo do que a imprensa escrita. Até porque, hoje, quem quer se informar vai à Internet ou liga o rádio e a TV. O jornal e a revista, para serem comprados, precisam vender algo mais: bastidores e opinião.

Acho absurda a idéia de que a carta de uma fonte citada no artigo, diretor de uma instituição atacada no artigo não tenha sido publicada. Mas, por outro lado, entendo que é legítimo que o articulista assuma posições fortes. E entendo que, em determinados assuntos, uma publicação assuma posições no debate. Como bem questiona o Reinaldo Azevedo, o jornalismo de dois lados deveria dar o mesmo espaço a terroristas e a pessoas pró-democracia? Uma publicação deve tratar do terrorismo, ou de grupos violentos (como o MST) com "neutralidade"?

Discordo da posição da Veja, mas a entendo. Uma revista tem sim o direito de assumir posições, como a Veja fez, apoiando Israel, condenando a existência do MST e, agora, colocando-se como pró-evolucionista.

É claro que os leitores também tem o direito de tentar mudar essas orientações: condenando, por meio de cartas e outras manifestações, os posicionamentos assumidos ou deixando de comprar a revista.

No mais, todo jornalista é um seletor de fatos e declarações. Qualquer pessoa que for entrevistada deve ter a consciência (e a esperteza) de que o repórter não vai reproduzir todos os argumentos da fonte. O jornalista vai selecionar o que ele (repórter) considera relevante para a matéria. E, nesse trabalho, é NORMAL que o repórter pegue um aspecto que, para a fonte, é secundário, mas é importante para a matéria. Tanto que uma recomendação dada a fontes é: se você quer destacar um ponto, fale apenas um ponto. Se você falar dois, o jornalista pode escolher o ponto que você não tem interesse. É o chamado "gate-keeping", o jornalista é, por definição, um seletor de fatos e declarações, em qualquer mídia.

Claro que, se houver distorções, os tribunais estão aí para eventuais punições. E, ultimamente, as indenizações foram generosas.

Anônimo disse...

Caro Solano

Também já escrevi, pelo menos 3, cartas à Revista Veja que não foram publicadas. Uma fazia referencia a uma reportagem sobre Darwin, quando de sua visita ao Brasil. a reportagem dizia que Darwin ficou alarmado com a escravidão e prometeu nunca mais voltar a este pais.Na carta observei que se para ele (Darwin), o homem não é ser especial,e sim um acidente, por que então a questão moral? por que não a escravidão se o homem é apenas um acidente, que vença o mais forte.
A propósito já percebi que estas revistas quando querem notoriedade sempre apelam para assuntos polemicos, principalmente os de cunho religioso, tais como: Enagelho de Judas, novas descobertas sobre Jesus e etc. Quando vejo tais reportagens sinto como o apostolo Paulo em Atenas " o espirito de Paulo se revoltava com a idolatria", no entanto, quando leio que Deus manda a operação do erro para darem crédito a mentira, sinto junto com a revolta um sentimento de compaixão por tantas almas, que ao invéis de adorarem o criador, prestam culto á criatura, naufrangando rumo ao inferno, dentre eles o Petry

Abs

Pb. Cleber/Teresina/PI

AFH disse...

Pb. Cleber,
Será que você não misturou duas coisas distintas ? Será que o Darwin por ser crer na evolução não poderia ser contra escravidão ? Uma coisa exclui a outra ?

Eu não gosto de animais domésticos (cachorro, gato e etc), mas nem por isso concordo que maltratem esses seres. Ou será que deveria ?

Sinceramente, eu também não publicaria sua carta com estes argumentos.

Danilo Neves disse...

Enquanto o falecido Tomas Huxley foi conhecido por "Bulldog de Darwin", Petry não passa de um chiuaua barulhento. O caderno MAIS da Folha de domingo passado identificou a cruzada ateística de Dawkins como um dos motivos da migração das pessoas para o criacionismo e o D.I. Ele seguirá as mesmas passadas desse famoso evolucionista se continuar com esse discurso agressivo mascarado de jornalismo opinativo! Continue assim, Petry.

Jorge Fernandes disse...

AFH,
Lerei a Veja se eles lerem o Tempora, por exemplo. Como provavelmente não lêem (e o Tempora é gratuito), também não a lerei, e ainda economizarei uma boa grana para gastar em livros.
Quanto a sua sugestão de não ver tv, rádio, etc, já o faço a algum tempo, e não me considero alienado ou obstuso, simplesmente, não financio a sordidez e o que se mostra claramente antibíblico.

Helder,
Como você bem colocou, recusarmo-nos a adquirir aquilo que nos desagrada e labora contra os nossos princípios é uma forma de protesto (como qualquer produto na prateleira, compro se quiser); e, acrescento, de inteligência. Será que alguém espera uma retratação da Veja? Portanto, deixo-os de lado, o meu dinheiro não sustentará o Petry e outros a falar mal de mim.
É "bárbaro", mas funciona.

Anônimo disse...

AFH

Se Deus não existe tudo é permitido


Pb Cleber

Jarson Brenner disse...

Realmente absurdo o posicionamento da revista Veja. Uma revista com circulação tão ampla deveria ser menos dogmática em questões não comprovadas nem mesmo pela ciência "séria". Pessoas como Petry nem mesmo merecem ter suas opiniões consideradas e/ou veiculadas. Quem o fez, no caso a Veja, já demonstra sua baixíssima qualidade.

Oliveira disse...

Oi

Sobre Darwin ter ficado alarmado com a escravidão e ter prometido nunca mais voltar ao Brasil...

Sem querer "chatear" o colega AFH, mas de fato as duas coisas (escravidão e evolução) tem um elo de ligação sim...

Darwin não deveria ter se alarmado, pois se não existe um Deus pessoal criador, então não existe certo nem errado, e se eu quiser ter relações sexuais com gato, cachorro, etc... quem me condenará?

E se eu desejar maltratar estes coitados (gato, cachorro, etc...) e daí? Na lei da evolução não vale a teoria do mais forte?

E se eu sou mais forte que o gato, cachorro, etc... então não sou nem bom nem mau, e não há motivos para escândalo nem alarmes.

Sou apenas forte.

Logo um evolucionista deveria claramente ter entendido que não existe nada para se escandalizar com a escravidão... é apenas o mais forte socialmente se impondo sobre o mais fraco...

Cruz credo!

Esta é uma questão que os evolucionistas geralmente não se apegam nem debatem... pois se não existe um Deus criador, logo é possível tudo o mais (que eles logo se escadalizariam como Darwin quanto a escravidão), tipo:

- Seria perfeitamente normal o incesto, o assassinato, a violência, enfim... nada seria errado, pois o moral seria uma construção social, e sendo construção estaria sempre em reconstrução... agora acho que até para um evolucionista seria demais achar normal que um devasso estuprasse uma filhinha sua de poucos anos de idade... neste caso ele logo teria crises de moralidade.

Excluir Deus da fórmula é entrar num beco sem saída do ponto de vista lógico.

Mais coerente foi um professor ateu que eu tive, que dizia em off... "ninguém tem culpa de nada, pois a moral é uma convenção socialmente construída".

Discordo totalmente dele, mas pelo menos reconheço sua coerência lógica.

Agora o colega AFH vai dizer que eu misturei tudo... e que não publicaria minha carta... vamos ver se o pessoal do Tempora publica...

Um abraço

Danilo Neves disse...

O interessante, Oliveira, é que desde esse seu professor até grandes nomes, como por exemplo o Dr. Aldo (representante da ala evolucionista no I Simpósio Darwinismo Hoje), a explicação "científica" deles para a questão da moral, é a mesma. Fico me perguntando como, através da evolução, átomos conseguiram guardar informções sobre o certo e o errado. Como pulamos de elétrons e outras partículas para o senso do certo e do errado? Onde está a lógica nisso? Vão ter que postular na teoria deles que isso existe e pronto! E se aconteceu, os primeiros elos de transição, os organismos intermediários da teoria (entre macacos e homens) tinham uma forma primitiva de certo e errado? Que evidências um darwinista tem pra dizer que hoje somos mais evoluídos no que diz respeito a moral? A História, que só vem a confirmar que a corrupção do homem é sempre a mesma?

"ninguém tem culpa de nada, pois a moral é uma convenção socialmente construída". Acho que o célebre Phillip Johnson diria: "Que tautologia!". O nosso amado irmão Adauto Lourenço diria mais ou menos assim: "Eu fico impressionado com a fé que os evolucionistas têm!". Agora o mais importante é sabermos e guardarmos o que Deus diz: "Estes mostram a norma da lei gravada no seu coração, testemunhando-lhes também a consciência e os seus pensamentos, mutuamente acusando-se ou defendendo-se" (Rm 2.15).

Rafael Galvão disse...

Sabe, eu acho que concordo com o AFH, eu considero que há um ponto fraco no argumento "se Deus não existe, tudo é permitido", porque, no fundo, vcs não acham que os evolucionistas no fundo sabem disso? Pensem bem: porque não existem tantos evolucionistas que defendem a libertinagem geral? Muitos deles ensinam seus filhos que não se deve roubar, deve-se respeitar as pessoas, etc., como nós, só que diferentes (a velha estória do homem bom sem Deus).

Eu estava pensando nisso e acho que deveríamos considerar a questão da consciência. Sabemos que todos nós, independente de sermos cristãos ou não, temos uma consciência, que eu acredito que é dada pelo próprio Criador, que nos permite ter uma intuição do certo e errado (não sei se essa é a definição teológica exata da consciência), embora não possa salvar as pessoas, e com sua violação, pode ser cessada, mas nunca é apagada.

Bom, esse é apenas um pensamento que tive sobre este ponto do argumento, acho que deve ter mais implicações. Ou seja, por incrível que pareça, Petry também é gente.

Sobre a relação entre evolucionismo e escravidão, acho que as coisas também não são tão simples assim. Eu estudei um livro sobre o comércio de seres humanos entre Portugal, Brasil e África e isso que eu vi: como os reis africanos vendiam seu próprio povo aos portugueses, de vez em quando apareciam uns reis que se recusavam a fazer isso, e estes normalmente eram reis convertidos ao catolicismo, tinham até bispos. Então um governador português pagou um bispo português para que ele amaldiçoasse os africanos e provesse uma justificativa para a escravidão. O que o bispo fez? Ele simplesmente disse para que os portugueses não vissem os africanos como cristãos e sim como escravos porque eram negros. Foi aí que surgiu todo o problema. A teoria da evolução apenas proveu mais um argumento para a escravidão.

O problema é que normalmente ambos os lados fazem uma avaliação incompleta (outro exemplo: em resposta a um criacionista que afirmou que o nazismo era evolucionista, um ateu escreveu um artigo listando todas a referências a Deus e a Jesus em Mein Kampf). As pessoas que criaram o racismo, o nazismo, etc., estavam procurando argumentos que justificassem suas opiniões, quer seja na "ciência" ou na "religião" (notem as aspas). Elas não estavam nem aí para o que cada um queria dizer na verdade, só estavam interessadas nelas mesmas, como é de praxe em pessoas cuja consciência está completamente inoperante. Quem já leu As Crônicas de Nárnia pode se lembrar, do último livro, da conversa entre o gato Ruivo e o oficial calormano. Nenhum deles acreditavam em Aslam ou Tash, apenas os usavam para atingir seus propósitos.

Eu acho que isso é mais uma parte da guerra cultural, e as pessoas vêm procurando transformar ela num vale-tudo. Acho que tem alguma coisa errada aí, que pode prejudicar a nós e nosso testemunho.

P.S.: Acho que não foi salvo, por via das dúvidas estou enviando novamente.

Ailsom disse...

* Tentei postar antes mais deu erro ... Tentando repetir:

Oliveira disse:
Agora o colega AFH vai dizer que eu misturei tudo... e que não publicaria minha carta... vamos ver se o pessoal do Tempora publica...

Agora eu:
Oliveira, Eu digo: Misturou tudo e não vou publicar sua carta !!! Deixa que o Tempora publica !

Eu sei que se Deus não existisse, ou se ninguém acreditasse que ele existisse a coisa seria bem pior. Mas isso não quer dizer que todo Ateu ou seguidor de outra religião é assassino, comete incesto, ou come gato e cachorro.

Por outro lado, quantos Cristãos cometem atrocidades mesmo acreditando em Deus e negando a evolução.

Conheço ateus e macumbeiros que em termos de ética e respeito ao próximo dão exemplo muito melhor que vários crentes.

Por isso tudo não acho absurdo o Darwin ter tido a preocupação com a escravidão. O pior eram os crentes que no passado defendiam a Escravidão. Isso sim um absurdo.

AFH - ou Aílsom

Carlos T. disse...

Oliveira, AFH e Cleber

Com relação à escravidão, me parece que a bíblia (logo, Deus) não a desaprova (ver o décimo mandamento por exemplo).

Carlos

Anônimo disse...

Irmãos

Quando citei a quaestão da aversão de Darwin a escravidão(e ele estava correto em fazê-lo), referia-me á questão do famoso argumento moral de Tomas de Aquino, segundo ele deve haver necessariamente um Deus que seria o nosso referencial moral. a frase " se Deus não existe tudo é permitido" é do escritor russo Dostoievski. O pensamento dele coaduna com o argumento moral, pois se não há um referencial moral, por que razão nos somos seres morais? assim, imagino eu, que os evolucionistas, por negar a existencia do referencial moral, não deveriam ter problemas com a escravidão (é só um exemplo, mas, por outo lado, bem sei que Darwin e os darwinistas foram criados à imgaem e semelhança de Deus e por isso ainda refletem, ainda que deturpadamente, esta imagem.

Abs

Cleber

Fake disse...

O Pb Cleber está correto. Se o homem é um simples resultado de uma árvore genalógica evolutiva, por que ficar tão impressionado com a escravidão? Entre o gostar e o se impressionar como uma ironia de uma quebra moral existe uma diferença muito grande. Eu não gosto de ver um leão matar uma ovelhinha, mas eu não me impressionaria com isso. O leão está fazendo o que é de sua natureza.

Bu disse...

@Rafael Galvão, você está muito próximo de desvendar a falácia de que a moralidade dos seres humanos é originada e depende da religião para existir. Continue seu raciocínio lógico, siga seus questionamentos.

Tenho poucas esperanças que o pensamento crítico seja preponderante sobre o comodismo religioso, mas cada mente libertada é uma grande vitória.

Daniel M.S. disse...

A minha tese remonta os meus dias de liceu em PORTUGAL, quando eu polemizava com as meus professores e colegas essa questão. Quem acha que veio do macaco pode continuar pensando assim, certamente, encontra algumas semelhanças, no entanto isso não quer dizer nada, há muitos animais parecidos uns com os outros e são espécies diferentes segundo o nosso pensamento.A questão é estúpida, poque jamais o Homem poderia advir de um ser inferior, mas sim da Alguém Superior. Racionalmente não tem sentido..., tudo isso(teoria da evolução) é uma prova da cegueira e falta Daquela Graça Reveladora que só foi concedida aos santos.

Rafael Galvão disse...

Mas Bu, vale lembrar uma coisa: a mensagem do Evangelho é Salvação, não "Moralidade", e é contra a Salvação que o inferno se opõe, não à "Moralidade". Há um filme muito interessante sobre isso chamado "A Jornada", que trata exatamente do assunto que estou falando. Se as pessoas querem viver uma "moralidade" sem Deus, elas estão livres para isso, sem causar mal a ninguém, afinal que pai em sã consciência, sendo cristão ou não, pelo menos na civilização ocidental, ensinaria seus filhos a matar, roubar e destruir? Mas, como mencionei, com o tempo vai se verificando que a consciência pode garantir uma existência não-atribulada por um tempo, mas até quando vai o prazo de validade e o homem começa a achar que Ninguém está olhando?

tssantana disse...

Nessa quarta-feira assisti no GloboNews um episódio da série de reportagens especiais sobre o infeliz do Darwin. Embora eles tenham buscado a opinião de cristãos reformados, ficou claro nas falas de seus jornalistas que eles nos desprezam e não trataram o pensamento evolucioniista, não como uma teoria, mas como a verdade. Já era de se esperar que isso fosse acontecer, ainda mais se tratando de Globo. O que dá pra perceber é que o evolucionisno deixou de ser ciência e virou religião, um bando de loucos que negam a Deus se apegam a essa corrente e espalham suas tolics por todo canto. Aqui no Norte de Minas não temos tanto acesso à discussão científica sobre o tema, mas percebemos a influência do pensamento evolucionista até em questões que estão mais distantes da biologia, por exemplo no curso de economia da Universidade Estadual de Montes Claros há uma disciplina que se chama evolução do pensamento econômico, e o professor dessa disciplina prega que a evolução das espécies influencia até no pensamento dos cientistas afetando sua produção, que gradativamente vai avançando. Aqui infelizmente temos poucos expoentes do criacionismo, muito menos ainda os reformados, mas fiquei feliz por ver que nossos amados irmãos deste blog tem enfrentado sem medo os adversários infelizes que a mídia faz questão de exaltar.

Michelle disse...

O que me intriga nisso tudo é porque a grande maioria dos evangélicos (notadamente os mais abastados) assina Veja e concorda com quase tudo oq ue ela diz em termos de economia e política.
Agora que um articulista efendeu a "fé" evangélica, Veja merece repreensões. Mas quando é unilateral e preconceituosa em suas análises da conjuntura nacional, merece os aplausos e concordÂncia dos evangélicos, que se arrepiam com qualquer mínimo sinal de apoio ao atual goverso. LAmento que só nessa hora se mostrem críticos com esse panfleto reacionário, digo, com essa revista.

Solano Portela disse...

Companheira (ou camarada) Michele:
Não é irritante, essa independência nossa? Você não sabe o que é o prazer de criticar quando se nota o erro e aplaudir quando se verifica o acerto! Somente mentes livres de idelogias escravizantes conseguem saborear isso...
Solano

Anônimo disse...

Caros devoradores da Revista Veja, nao sou nem um degustador no momento da revista, mas falo que sempre que a li gostei, agora, nao cabe somente o fato de a veja criticar o criaconismo e exaltando o evolucionismo devemos ficar parados, gostei muito dos que estao fulos com isto, eu ficaria tb, mas isto nao vai parar nunca neste mundo em que vivemos, a nossa maior preocupação é em que o Evolucioniste se torne um criacionista e isso sim é uma grande derrota para o colunista da veja, quem ele tb nao se converte, vamos orar turma, e isso faz um grande efeito, maior até do que a reportagem...rsrsrsrsrsr

Pr. Francisco Belvedere disse...

Eu lamento muito essa reportagem. Já pensei em ser assinante da Veja, mas depois disso mudei de idéia. N

Francisco Belvedere Neto - Pastor Metodista.

Guilherme Arruda disse...

Michelle

Interessante teu ponto de vista e devemos sim, como cristãos, ser observadores do sistema político-social que nos rodeia mas o assunto principal do blog é a análise do que concerne a temas de "religião, cultura e valores morais".

Mas, por outro lado, uma revista que não coloca um "colunista" - pra falta de adjetivo melhor - como o Diogo Mainardi na seção de humor ou outras tolices, não pode ser levada a sério, afinal.

E concordo sobre ser um panfleto.

Glemerson Alves disse...

É, ele simplesmente não sabe o que significa em toda expressão. "Sola Escriptura" aos ignorantes da pesquisa, apenas o meu lamento, e ao sr. Petry a minha negatividade.