sexta-feira, fevereiro 13, 2009

Augustus Nicodemus Lopes

Lançada a Carta de Princípios 2009 do Mackenzie: "Calvino e a Universidade"

JOÃO CALVINO E A UNIVERSIDADE
500 anos do Nascimento de João Calvino (1509-2009)

Introdução

Em 2009 comemoram-se os 500 anos do nascimento de João Calvino (1509-2009), um dos principais líderes da Reforma Protestante do século XVI e, certamente, o seu maior expoente em termos de teologia e educação. A Universidade Presbiteriana Mackenzie, sendo uma instituição de ensino confessional presbiteriana, cujas origens se encontram no trabalho de missionários calvinistas no Brasil, saúda a todos e aproveita para destacar, em sua Carta de Princípios 2009, a contribuição deste Reformador para a educação.


Breve Histórico de Calvino


O francês João Calvino nasceu em 1509 em Noyon, na França. As ligações de seu pai com o clero local deram ao menino valiosas oportunidades na área educacional. Frequentou a escola primária e secundária com os sobrinhos do bispo de Noyon e outras crianças de famílias destacadas. No início da adolescência, aos catorze anos, foi estudar em Paris; cursou filosofia e humanidades no Collège de Montaigu, ligado à Universidade daquela cidade.

Sentiu-se atraído pelo humanismo, ou seja, a apreciação pela antiga cultura greco-romana. Dedicou-se ao estudo do latim, do grego, da teologia e dos autores clássicos, além de fazer cursos na área do direito. Através de parentes, amigos e professores, recebeu influências do novo movimento protestante, convertendo-se à fé evangélica por volta de 1533. Dedicou-se, então, ao estudo sistemático e aprofundado da Bíblia, publicando em 1536 a primeira edição de sua obra mais famosa, a Instituição da Religião Cristã, mais conhecida como Institutas. No mesmo ano, passou a residir em Genebra, na Suíça, cidade que recentemente havia abraçado o protestantismo. Após breve permanência ali, viveu por três anos em Estrasburgo (1538-1541), no sul da Alemanha, junto ao reformador Martin Bucer (1491-1551). Nesse período, pastoreou uma igreja constituída basicamente de franceses exilados e, também, lecionou na academia de Johannes Sturm (1507-1589).

Em 1541 regressou a Genebra e ali passou o restante de sua vida. Desenvolveu prodigiosa atividade como líder eclesiástico, pastor, pregador e teólogo. Publicou uma imensa quantidade de escritos na forma de novas edições das Institutas (em latim e francês). A tradução dessa obra para o francês, em 1541, juntamente com outros dos seus muitos e belos escritos, contribuiu para modelar a língua francesa. Calvino também escreveu comentários bíblicos, tratados doutrinários e obras voltadas para a vida interna da Igreja.

Entre seus escritos, temos volumosa correspondência que manteve com um grande número de pessoas ao redor da Europa, desde governantes até pessoas simples. Seu relacionamento com as autoridades de Genebra, de início bastante tenso, passou a ser mais positivo nos anos finais de sua vida.

Em 1559, tornou-se cidadão de Genebra, publicou a edição definitiva das Institutas e fundou a Academia de Genebra, embrião da futura universidade. Faleceu em 1564, aos 55 anos. Alister McGrath demonstrou, em sua biografia sobre Calvino, como o mito de "o grande ditador de Genebra" é enraizado em conceitos populares difundidos especialmente por afirmações sem fatos históricos que as apoiassem, mas que, não obstante, acabaram por moldar a visão de Calvino que hoje prevalece em muitos meios acadêmicos.

No aspecto religioso, Calvino é considerado o pai da tradição protestante reformada, que engloba presbiterianos, congregacionais, uma parte dos batistas e parte do anglicanismo. Seus seguidores ficaram conhecidos, em geral, como reformados.

Um quadro mais próximo aos registros históricos mostra que Calvino era um pastor atencioso, que visitou pacientes terminais de doenças contagiosas no hospital que ele mesmo havia estabelecido, embora fosse advertido dos perigos de contato. Além disso, tomou diversas atitudes que mudaram a vida social da cidade. Foi ele quem instou o conselho municipal de Genebra a afiançar empréstimos a baixos juros para os pobres. Genebra foi o primeiro lugar na Europa a ter leis especiais que proibiam: jogar detritos e lixo nas ruas; fazer fogo ou usar fogão num cômodo sem chaminé; ter uma casa com sacadas ou escadas sem que as mesmas tivessem grades de proteção; alugar uma casa sem o conhecimento da polícia; sendo comerciante, cobrar além do preço permitido ou roubar no peso e, também, estocar mercadorias para fazê-la faltar no mercado e assim encarecê-la (e isso se estendia aos produtores). Assim como Lutero e outros reformadores, ele defendeu a educação universal para todos os habitantes da cidade. É particularmente essa última contribuição de Calvino que queremos enfocar na presente Carta de Princípios.

Calvino e a Educação

Em 1536 Calvino apresentou um plano ao conselho municipal de Genebra que incluía uma escola para todas as crianças, na qual as crianças pobres teriam ensino gratuito. Era a primeira escola primária obrigatória da Europa. Em uma delas as meninas eram incluídas junto com os meninos.

Calvino tinha um alvo muito claro quanto à educação. Ele desejava que os alunos das escolas de Genebra fossem futuros cidadãos da cidade, bem preparados “na linguagem e nas humanidades”, além da formação cristã e bíblica. O currículo que ele ajudou a elaborar tinha ênfase nas artes e nas ciências, além, obviamente, da ênfase nas Escrituras. Conforme nos diz Moore, “O principal propósito da universidade [de Genebra] era eminentemente prático: preparar os jovens para o ministério ou para o serviço no governo.”

Essa preocupação de Calvino com a educação decorria de sua visão cristã de mundo. Entre os pontos de sua teologia que o impulsionavam à missão como educador, havia a concepção do ser humano criado à imagem e semelhança de Deus, conforme análise de Héber Carlos:

Em sua teologia sobre a imagem de Deus no homem, Calvino viu o ser humano como um ser que aprende inerentemente. Deus depositou no ser humano “a semente da religião” e também o deixou exposto à estrutura total do universo criado e à influência das Escrituras. Por causa dessas coisas, qualquer homem podia aprender, desde o mais simples camponês ao indivíduo mais instruído nas artes liberais.

Outro ponto de suas convicções religiosas era o entendimento de que todo conhecimento vem de Deus, quer seja o conhecimento “sagrado” ou o “profano”. Calvino dispunha de uma visão ampla da cultura, entendendo que Deus é Senhor de todas as coisas e, por isso, toda verdade é verdade de Deus. Essa perspectiva amparava-se no conceito da “Graça Comum” ou “Graça Geral” de Deus sobre todos os homens. Ele diz:

... visto que toda verdade procede de Deus, se algum ímpio disser algo verdadeiro, não devemos rejeitá-lo, porquanto o mesmo procede de Deus. Além disso, visto que todas as coisas procedem de Deus, que mal haveria em empregar, para sua glória, tudo quanto pode ser corretamente usado dessa forma?

Calvino defendia que Deus havia agraciado todas as pessoas com inteligência, perspicácia, capacidade de entender e transmitir, indistintamente da sua fé e crença. Assim, desprezar a mente secular era desprezar os dons que Deus havia distribuído no mundo, até mesmo aos incrédulos, mediante a graça comum.

A Academia de Genebra

Não é de estranhar, à luz das convicções teológicas de Calvino, que ele tivesse seu coração voltado para a educação da população de Genebra e da Europa em geral. Desde 1541 encontramos registros da sua preocupação diária em como dar a Genebra uma universidade. Ele desejava criar uma grande universidade, contudo os recursos da República eram pequenos para isso. Assim, ele se limitou à criação da Academia de Genebra (1559)14, que o historiador Charles Bourgeaud (1861-1941), antigo professor da Universidade de Genebra, considerou como “a primeira fortaleza da liberdade nos tempos modernos”.

No currículo, incluía-se o ensino da leitura e da escrita e cursos mais avançados de retórica, música e lógica. Conforme Campos nos diz em sua pesquisa,16 os alunos passavam do alfabeto à leitura do francês fluente, gramática latina e composição em latim, literatura grega, leitura de porções do Novo Testamento grego, juntamente com noções de retórica e dialética, com base nos textos clássicos. Não é sem razão que, diante da sua capacitação no latim, se dizia que meninos de Genebra falavam como os doutores da Sorbonne.

O currículo da Academia enfocava não somente as artes e a teologia, como igualmente as ciências. Na mente do Reformador, não havia conflito entre fé e ciência na universidade. Ao contrário da visão educacional escolástica medieval, Calvino considerava que o estudo da ciência física tinha como propósito descobrir a natureza e seu funcionamento, pois Deus se revelava à humanidade por meio das coisas criadas, da natureza. Estudando o mundo, o ser humano acabaria por conhecer mais a Deus. A Academia veio a se tornar modelo para outras escolas da Europa.

A Reforma e a Educação

Os cristãos reformados, a exemplo de Calvino, dedicaram-se igualmente a promover a educação, as artes e as ciências. Nunca viram a fé cristã como inimiga do avanço do conhecimento científico e do saber humano.

Alister McGrath cita pesquisa feita por Alphonse de Candolle sobre a participação de membros estrangeiros na Academie des Sciences Parisiense, durante o período de 1666 a 1883, os primeiros séculos posteriores à Reforma protestante. Segundo McGrath, Candolle verificou que,

... os protestantes excediam em muito a quantidade de católicos. Tomando como base a população [de Paris], Candolle estimou que 60 por cento dos membros [da Academie] deveriam ter sido católicos, e 40 por cento, protestantes; as quantias reais acabaram por ser de 18,2 por cento e 81,8 por cento, respectivamente. Embora os calvinistas fossem consideravelmente uma minoria, na parte sul dos Países Baixos, durante o século 16, a vasta maioria dos cientistas naturais dessa região foi proveniente desse grupo.

A mesma pesquisa mostrou que, na composição primitiva da Royal Society de Londres, a maioria dos seus membros era composta por reformados. Tanto as ciências físicas quanto as biológicas eram fortemente influenciadas pelos calvinistas durante os séculos XVI e XVII. Todos esses pesquisadores e cientistas, por sua vez, haviam sido influenciados pela Reforma Protestante, especialmente pela obra de João Calvino.

Na área de educação, especificamente, destaca-se a obra de João Amós Comênio, um moraviano que recebeu alguma influência reformada em sua formação. Em 1611 ingressou na Universidade de Herborn, em Nassau, um dos centros de difusão da fé calvinista,19 sendo aluno do teólogo calvinista Johann H. Alsted (1588-1638). Em 1613 foi admitido na Universidade de Heidelberg (Alemanha), onde estudou teologia. Aqui também havia forte influência calvinista. Comênio ficou conhecido por sua obra Didática Magna, publicada há 300 anos. Produziu, além disso, uma obra vastíssima ligada especialmente à educação (mais de 140 tratados). Sua obra Didática Magna é considerada o primeiro tratado sistemático de pedagogia, de didática e de sociologia escolar. Nessa obra, Comenius defende que a educação, para ser completa, deve contemplar três áreas: instrução, virtude e piedade. Sua visão educacional, influenciada pela Reforma, atinge a dimensão intelectual, moral e espiritual do ser humano.

No período que antecedeu a Guerra Civil nos Estados Unidos, os Reformados que para lá tinham ido, partindo da Europa, haviam construído dezenas de colégios e universidades. E isso numa época de poucos recursos financeiros e econômicos.

Não podemos deixar de citar que muitas das maiores e melhores universidades do mundo foram fundadas por Reformados. A Universidade Livre de Amsterdam, por exemplo, uma das melhores do mundo, foi fundada em 1881 pelo reformado holandês Abraão Kuyper, que mais tarde se tornou Primeiro Ministro da Holanda. A princípio, a universidade era aberta somente para os cristãos reformados e era financiada por doações voluntárias. Mais tarde, em 1960, abriu-se ao público em geral e passou a ser financiada como as demais universidades holandesas, embora ainda retenha as suas tradições e valores reformados.

A Universidade de Princeton, também considerada uma das melhores do mundo, foi fundada em 1746 como Colégio de Nova Jersey. Seu fundador foi o Governador Jonathan Belcher, que era congregacional, atendendo ao pedido de homens presbiterianos que queriam promover a educação juntamente com a religião reformada. Atualmente, é reconhecida como uma das mais prestigiadas universidades do mundo, oferecendo diversos graus em graduação e pós-graduação, mais notavelmente o grau de Ph.D.. Está classificada como a melhor em muitas áreas, incluindo matemática, física e astronomia, economia, história e filosofia.

A conhecida Universidade de Harvard foi fundada em 1643 pelos reformados, apenas seis anos após a chegada deles na baía de Massachussets, nos Estados Unidos. Sua declaração da missão e do propósito da educação, sobre a qual Harvard foi erigida, foi redigida da seguinte maneira:

Cada estudante deve ser simplesmente instruído e intensamente impelido a considerar corretamente que o propósito principal de sua vida e de seus estudos é conhecer a Deus e a Jesus Cristo, que é a vida eterna, (João 17.3); consequentemente, colocar a Cristo na base é o único alicerce do conhecimento sadio e do aprendizado.

A Universidade de Yale, uma das mais antigas universidades dos Estados Unidos, foi fundada na década de 1640 por pastores reformados da recém formada colônia, que queriam preservar a tradição da educação cristã da Europa. Essa é a universidade americana que mais formou presidentes dos Estados Unidos. Em seu alvará de funcionamento concedido em 1701 se diz:

...que [nessa escola] os jovens sejam instruídos nas artes e nas ciências, e que através das bênçãos do Todo-Poderoso sejam capacitados para o serviço público, tanto na Igreja quanto no Estado.

Ainda hoje, nos Estados Unidos, existem centenas de escolas de ensino superior confessionais, associadas a instituições credenciadoras. No Brasil, os Reformados trouxeram importantes contribuições para a educação, com a fundação de escolas e universidades e a influência nos meios educacionais.

Em São Paulo, o Mackenzie é fruto da visão educacional dos reformadores. Fundado por missionários calvinistas, declara-se uma instituição de ensino orientada pelos valores e princípios da fé cristã reformada conforme encontrados na Bíblia. A identidade confessional do Mackenzie atravessou diversas fases em sua história, mas nunca foi deixada de lado ou negada. Hoje, o Estatuto e o Regimento que ordenam a existência e o funcionamento da Universidade deixam clara essa identidade. Como escola de origem reformada, o Mackenzie busca a excelência na educação e a formação integral de seus alunos, a partir de uma visão cristã de mundo. O excelente desempenho da Universidade e das Escolas Mackenzie nas avaliações oficiais, por si só, demonstra que é possível conciliar uma cosmovisão cristã com ensino de qualidade.

Conclusão

As iniciativas pioneiras de Calvino em Genebra na área da educação lhe valeram, conforme destaca o historiador Philip Schaff, o título de “fundador do sistema escolar comum”. O prédio “João Calvino”, situado na Rua da Consolação, onde funciona a alta administração do Mackenzie em seu campus Itambé, é um tributo à visão educacional do Reformador. Em sua principal entrada há uma placa bem visível a todos os que entram no Mackenzie, contendo palavras de Jesus que bem resumem essa visão: “Conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará” (Evangelho de João 8.32).

Augustus Nicodemus Lopes
Chanceler da Universidade Presbiteriana Mackenzie

Colaboram com o conteúdo dessa Carta:
Dr. Alderi Souza de Matos
Dr. Hermisten Costa Pereira
Ms. Franklin Ferreira

Augustus Nicodemus Lopes

Postado por Augustus Nicodemus Lopes.

Sobre os autores:

Dr. Augustus Nicodemus (@augustuslopes) é atualmentepastor da Primeira Igreja Presbiteriana de Goiânia, vice-presidente do Supremo Concílio da Igreja Presbiteriana doBrasil e presidente da Junta de Educação Teológica da IPB.

O Prof. Solano Portela prega e ensina na Igreja Presbiteriana de Santo Amaro, onde tem uma classe dominical, que aborda as doutrinas contidas na Confissão de Fé de Westminster.

O Dr. Mauro Meister (@mfmeister) iniciou a plantação daIgreja Presbiteriana da Barra Funda.

22 comentários

comentários
13/2/09 14:47 delete

Prezado Pastor Doutor Augustus Nicodemus,

Seu artigo termina com o ponto de partida:

“Conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará” (Evangelho de João 8.32).

Segundo SPROUL, R. C.. Filosofia para Iniciantes. Vida Nova, 2002, a saída para a confusão atual está entre Aquino e Kant.

Pergunto:

Que autores fundamentais o senhor indica para uma sólida formação em epistemologia, como era o pressuposto de Calvino?

Atenciosamente,
João

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Daniel M.S.
AUTOR
13/2/09 18:25 delete

É uma pena que Calvino não seja entendido e respeitado no meio evangélico brasileiro. Para muitos citar calvino é uma ofensa - um desconforto.Saúdo a Universidade Mackenzie pela iniciativa.


Um abraço forte e reformado

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13/2/09 22:29 delete

Graça e paz pastor Augustus, esta informação sua sobre a participação ativa na fundação de Pricenton por um congregacional, o governador Jonathan Belcher, é preciosa, já que muitos não conhece. Também friso que a fundação de Harvad e de Yale foi obra dos Congregacionais( http://historiacongregacional.blogspot.com/2008/09/os-congregacionais-tradio-de-pioneiros.html). Um abraços e parabens sempre pelo excelente blog.

Joelson Gomes

http://historiacongregacional.blogspot.com

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André C. B.
AUTOR
13/2/09 22:49 delete

Famigerado Augustus Nicodemus.

Parabéns pelo artigo.

Abraços.

André C. B.

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14/2/09 08:12 delete

Queridos irmãos

Estarei concluindo, depois de velho (rsrsr), meu curso de Ciências Sociais (EAD) pela Metodista e meu TCC será sob o tema "Sociolgia Reformada - Cosmovisão Calvinista para o século XXI" e gostaria de obter indicações de livros e artigos. Aproveito para solicitar aos irmãos a inclusão de trechos deste artigo. Se for possível remetam para o meu email a autorização e as indicações caso não seja demasiado incômodo em virtude das muitas ocupações vossas.
pastor. mvida2@bol.com.br

Soli Deo Glória!!

Lourival Nascimento

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Cleber F N Leite
AUTOR
14/2/09 10:54 delete

Prof. Augustus


Já tinha ouvido falar, mas pelo texto depreende-se que, de fato, a educação reformada foi a base para as modernas democracias ocidentais, as liberdades individuais, a economia de mercado e a ciencia moderna.

PS: O Mackenzie ou a CEP têm algum projeto especial para o quincentenario de Calvino?

Cleber/Teresina/PI

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Johnnathan
AUTOR
14/2/09 21:46 delete

Infelizmente, hoje em dia, Calvino é uma personificação do demônio para muitos Evangélicos.
Muitas pessoas se sentem incomodadas quando o nome de calvino é citado.
Mas Eu acho muito muito muito interessante comemorar o seu nascimento, pois foi um grande homem de Deus.

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16/2/09 17:21 delete

Parabéns pela aula de história e parabéns ao chanceler do Mackenzie, Rev. Dr. Nicodemus, que dá continualidade com sabedoria e piedade essa visão de Calvino.

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Daniel M.S.
AUTOR
17/2/09 12:21 delete

Eu gostaria de desafiar os intelectuais evangélicos brasileiros a pensar sobre uma igreja nova - tudo bem, uma denominação nova. Os presbiterianos falharam, os congregacionaais falharam, os batistas falharam, os metodistas falharam (Ler "As Origens Sociais das denominações Cristãs, de H. Richard Niebuhr"). Talvez,Reverendo, o irmão ache razões para que as coisas continuem do mesmo jeito, isto é, cada um na sua.

Parece que nós (reformados) não estamos indo bem, se bem que podemos nos justificar biblicamente.O meu receio é que toda a nossa empolgação e convicções não estejam sendo do agrado de Deus, o que Deus realmente quer de cada um de nós , de sua Igreja. O que Deus está querendo? O irmão pode me responder?

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17/2/09 15:11 delete

Professor João,

Em resposta a seu pedido, eu indicaria as obras de Abraham Kuyper, Cornelius Van Til, Gordon Clark, Francis Schaeffer, que mesmo discordando aqui e ali entre si, caminham na mesma direção. Há algumas das obras deles em português que uma pesquisa na Internet revelará.

Pastor Lourival,

Está autorizado a citar esse blog - o que muito nos honra. Sobre indicações de obra que falam da cosmovisão cristã, veja a resposta acima ao Professor João.

Cleber,

Sim, o Mackenzie está oferecendo um evento especial em comemoração aos 500 anos de Calvino. Trata-se da Semana Calvino, 26-29 de maio, com especialistas internacionais em Calvino. Aguardem mais informações.

Abraços.

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17/2/09 15:20 delete

Daniel,

É um desafio enorme. Antes de aceitar pensar em uma nova igreja ou denominação, eu precisaria responder ou esclarecer alguns pontos.

1 -- Apesar das falhas das denominações clássicas, será que foi tudo em vão? Não fizemos absolutamente nada certo? Não escapou nada?

2 -- Qual a garantia que uma nova denominação, composta de gente das denominações antigas, vai acertar mais do que as denominações anteriores?

3 -- Não sei se você estava se referindo ao crescimento pequeno dos reformados no Brasil em comparação com as igrejas pentecostais. Nesse ponto, não tenha dúvida, estamos atrás. Mas, em outros, podemos ter algo a contribuir, mais do que os irmãos pentecostais. E assim vamos em frente, cada um fazendo bem uma parte e no todo, a glória final é do Senhor.

4 -- O que o Senhor quer da Sua igreja está dito na Bíblia: que evangelizemos o mundo, proclamemos a Sua glória, sejamos testemunhas de Cristo, vivamos vidas santas e nos amemos fraternalmente. E como sempre, estamos longe de cumprir plenamente esse desiderato. Ainda bem que a salvação é pela graça.

Abraços.

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17/2/09 17:46 delete

Reverendo,

em face dos 500 anos de Calvino seu texto é bem pertinente.
É uma pena que nosso povo, tanto cristãos como não-cristãos, conheçam tão pouco sobre o Grande Reformador.
É lamentável a caricatura que geralmente fazem dele em muitos meios sem nenhuma base de fatos para algumas informações errôneas que encontramos em livros didáticos de História nas escolas de nosso país.
Até mesmo em nossas igrejas reformadas Calvino não passa de alguém de quem ouvimos falar, mas de quem conhecemos quase nada.
Não que ele tenha sido perfeito em tudo que fez ou escreveu, mas, a despeito das imperfeições de todo ser humano, ele, de fato, foi um GIGANTE DA FÉ e que merece ser lembrado e honrado pelo que realizou pela igreja e pelo mundo.

"... a quem honra, honra" (Rm 13:7)

Abraços, Reverendo.

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18/2/09 07:14 delete

Prezado Pastor/Doutor/Professor Augustus Nicodemus,

Muito obrigado por sua atenção.

Quando eu descobrir a sua preferência, usarei apenas Pastor, ou Doutor, ou Professor para me dirigir ao senhor.

Eu gostaria de descobrir autores que, em primeiro lugar, possam ser citados no meio acadêmico secular. Sob esse aspecto, Aquino e Kant, embora sejam associados, o primeiro ao catolicismo, e o segundo ao protestantismo, conseguiram um lugar de destaque entre os grandes pensadores (até fazem parte da coleção Os Pensadores).

O que o senhor acha de Karl Popper e Einstein? Eles não estão próximos de uma abordagem mais universal?

Um ex-aluno de engenharia, muito crente, encontrou fundamentos para justificar o seu direito científico de ter fé em Karl Popper (ele poderia satisfazer-se com Kant, mas não o conhecia). Isso aconteceu enquanto estudava epistemologia num mestrado de administração de empresas na UFMG.

Um seminarista presbiteriano, formado em seminário tradicional, estava pregando de tal maneira que parecia ser divulgador da dúvida, pois suas referências mais impressinantes eram contra o Cristianismo. Isso a partir de literatura autorizada. Ele, pelo que sei, reforçou a sua fé ao ler Ortodoxia, de Chesterton (católico) e ao iniciar um curso de Filosofia na UFMG.

Com Popper, conforme acredito, a ciência perde o status de fonte de certezas. Com Einstein, a fé - em sentido não religioso -, é colocada como fundamento de todo avanço significativo da ciência.

Assim, conforme acredito, as pessoas religiosas com visão acadêmica precisam conhecer esses e outros autores fundamentais que falam em nome da ciência neutra - se é que isso existe.

Concluindo, gostaria de saber sua opinião sobre Karl Popper e Einstein como referências em epistemologia. Gostaria de indicações suas sobre outros autores desse nível.

Quanto às suas sugestões, farei pesquisas para tentar compreender as contribuições dos autores citados, sob a perspectiva do Cristianismo Reformado.

Atenciosamente,
João Martins

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Daniel M.S.
AUTOR
18/2/09 12:00 delete

Caro irmão Augustus,

Vistas as coisas por esse prisma,aceito.

Abraço forte e reformado

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Anônimo
AUTOR
18/2/09 21:05 delete

Prezado Reverendo Nicodemus, A Paz do Senhor!

Se o senhor me permite, eu gostaria de citar algumas obras na área de epistemologia para auxiliar o Prof. João Martins da Silva. Prezado Prof. João Martins, por favor dê uma olha nos livros:

*Compêndio de Filosofia, de Nicholas Bunnin e E. P. Tsui-James, editora Loyola;

*Compêndio de Epistemologia, de John Greco e Ernest Sosa, editora Loyola;

*A Teoria do Conhecimento - Uma Introdução Temática, de Paul K. Moser, editora Martins Fontes;

*Guia Ilustrado Zahar de Filosofia, de Stephen Law, editora Zahar;

*Dicionário de Filosofia de Cambridge, org. por Robert Audi, editora Paulus;

Sobre Filosofia da Ciência, o senhor poderia dar uma olhada nas obras:

*O Que é Ciência Afinal?, do Alan F. Chalmers, editora Brasiliense;

*Filosofia da Ciência, de Alberto Oliva, editora Zahar;

*Introdução História à Filosofia da Ciência, do John Losee, editora Itatiaia;

*A Estrutura das Revoluções Científicas, do Thomas Kuhn, editora Perspectiva;

E um estudo sobre epistemologia por evangélicos pode ser visto em:

*Questões Últimas da Vida, do Ronald Nash, editora Cultura Cristã;

*O Deus que se Revela, do Francis Schaeffer, editora Cultura Cristã;

*Reflexões sobre as Questões Últimas da Vida, do Vincent Cheung, editora Arte Editorial.

Espero que essas informações possam ser úteis. Que Deus os abençoe!

Osmar Neves, Padre Bernardo-GO em 18/02/2009.

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Anônimo
AUTOR
18/2/09 21:31 delete

Prezados Rev. Nicodemus e Prof. João Martins,

Esqueci de citar o excelente livro "Filosofia e Cosmovisão Cristã" de J. P. Moreland e William Lane Craig, editora Vida Nova. Fiquem na Paz!

Osmar Neves, Padre Bernardo-GO em 18/02/2009.

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18/2/09 22:31 delete

Professor João,

Como você se apresenta como professor, eu não tenho esse problema que você tem comigo. Trato você de professor. Eu não me apresento aqui no blog nem como pastor, nem como professor e nem como doutor. Só Augustus mesmo. Sobre títulos, dê uma olhadinha no post que escrevi aqui:

http://tempora-mores.blogspot.com/2005/12/o-pas-dos-doutores_15.html

hehehehehe

Agora, sua pergunta sobre autores que possam ser citados no meio acadêmico secular, eu repito a lista anterior: todos eles eram doutores pelas mais afamadas universidades. Apenas são desconhecidos do meio acadêmico brasileiro.

Não li as obras de Popper e nem de Einstein. Minha área é teologia exegética e há muitas coisas na área de filosofia e ciência que eu gostaria de ler, mas pensando bem, prefiro sair de Harley Davidson para passear, quando tenho tempo livre. Já tô velho demais para me especializar em outra coisa, embora ainda jovem o suficiente para andar de moto.

Mas, aproveite a indicação que foi dada pelo Osmar Neves.

Um grande abraço!

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Anônimo
AUTOR
19/2/09 00:51 delete

Prezado Irmao Augustus Nicodemus,

Obrigado por mais um post tao rico em conteudo.

Fico feliz pela lembranca dos 500 anos de Calvino. Espero ver mais esse ano.

Precisamos conhecer melhor nossos pais na fe. A maioria dos criticos de Calvino sequer leram seus escritos - todos muito praticos, de evidente piedade e pastorais.

Sei que a Editora Fiel esta relancando todas as obras de Calvino, que a extinta Parakletos, de Dr. Valter Martins, publicava (de forma heroica, diga-se de passagem). Fico feliz que essa editora independente faca isso (pois, era natural esperar que a CEP o fizesse...mas nao o fez). Enfim. Excelnte post. Parabens, mais uma vez.

Um forte abraco,

R. Barbosa

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Alceu de Andrade
AUTOR
24/2/09 18:29 delete

Caro rev. lendo este post que podería, se senhor permitir, chamar de um breve relato histórico, podemos ver quão rica é a nossa história, quão marcante foi a participação dos reformadores na educação assim como nas missões. Como resultado podemos conciliar a história da Igreja Presbiteriana do Brasil, e a do Mackenzie. Vejo o quanto é importante estarmos alicerçados na palavra de Deus e em nossas nossas raízes,principalmente no mundo atual onde temos assistido tantas aberrações teológicas tanta deturpação da palavra de Deus em nosso país e no mundo afora, por esta razão fico profundamente feliz em ver hoje o Mackenzie focado em sua confessionalidade sendo um instrumento ativo, que através do seu trabalho e de tantos outros reformadores tem se preocupado em manter firme nossas raízes. Muito obrigado pelo post e que Deus continue abençoando seu trabalho
Um abraço

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Anônimo
AUTOR
25/2/09 12:32 delete

Estimado Reverendo Augustus Nicodemus, fui seu aluno no SPN e aprecio a sua visão do Reino de Deus, visão que vai além de nossa amada Igreja Presbiteriana do Brasil. Coloco aqui um questionamento: se em temos em nossas igrejas em certas cidades do Brasil os recursos humanos necessários e, ao mesmo tempo, a tradição da Igreja Presbiteriana na cidade, o que falta para que aquele lema dos presbiterianos do Brasil de antigamente seja posto em prática hoje. O lema era: "Junto de cada igreja uma escola." Reverendo Edson Teixeira de Sousa - Presidente do Presbitério Filadélfia Sudeste de Sergipe.

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25/2/09 14:48 delete

Caro Rev. Edson,

Boa pergunta, cuja resposta eu não tenho. Teríamos de perguntar ao Supremo Concílio, aos sínodos da sua região e aos presbitérios daí.

Foi uma alegria ter notícias suas. Sim, lembro bem do irmão da época do SPN!

Abraços

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paulo bronzeli
AUTOR
20/3/09 16:16 delete

Boa tarde, Augustus.

Agradeço o banquete que é servido para a minha alma e mente. Reflete em minha propria vida e em meu relacionamento com o próximo.

Peço licença e autorização para reproduzir parte e, na maioria das vezes o texto, da carta sobre os 500 anos de Calvino no boletim da igreja.
Será preciso solicitar ao Dr. Alderi, Dr Hermisten e Ms FRanklin?
CAso afirmativo, farei isso.
Grato
Bronzeli

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