sexta-feira, fevereiro 04, 2011

A Nova Perspectiva sobre Paulo

Quando a gente pensa que já viu de tudo nos círculos acadêmicos de estudos bíblicos é surpreendido com a chegada de uma abordagem potencialmente revolucionária sobre o apóstolo Paulo. Essa abordagem acaba trazendo um profundo impacto em uma das doutrinas mais preciosas para os evangélicos, especialmente aqueles que se identificam com a Reforma protestante do séc. XVI.

Estou falando da “Nova Perspectiva sobre Paulo,” um movimento que tem cerca de 20 anos de existência e que somente mais recentemente chegou ao Brasil, especialmente através dos escritos N. T. Wright, de quem falaremos mais adiante. A NPP (“Nova Perspectiva sobre Paulo”) desde cedo caiu sob fogo cerrado de estudiosos dentro do campo Reformado. Homens do calibre de John Piper, D. A. Carson, Lingon Duncan, Sinclair Ferguson, e muitos outros têm escrito livros e artigos e feito palestras manifestando preocupação com as implicações deste movimento (veja aqui um estudo meu em português).

O que é, então, a NPP? Quais as suas propostas e por que elas têm causado furor entre os estudiosos evangélicos reformados? De maneira sucinta, a NPP defende que desde a Reforma protestante nós temos lido as cartas de Paulo de maneira errada. Pensávamos que o centro da pregação dele era a justificação pela fé sem as obras da lei, quando na verdade Paulo estava polemizando contra aqueles pregadores judeus cristãos que não queriam a presença dos gentios na nascente igreja judaico-cristã. É preciso, então, abandonar a “velha” perspectiva, que teve origem em Lutero e demais Reformadores, e adotar uma nova, que faça justiça aos fatos da época do apóstolo.

Deixe-me tentar explicar melhor como tudo isto começou, se é que é possível fazê-lo num espaço curto e mais ou menos informal como este.

1) Primeiro, é necessário entender que antes de ser uma nova perspectiva sobre Paulo, esta abordagem é uma nova perspectiva sobre o Judaísmo da Palestina nos tempos de Paulo. Estudiosos como E. P. Sanders (Paul and Palestinian Judaism, 1977) conseguiram convencer a muitos que o Judaísmo do primeiro século não era uma religião legalista de busca de méritos para a salvação. Os judeus já se consideravam salvos e faziam as obras da lei para permanecer no povo de Deus. Os fariseus, apesar do seu apego às leis de Moisés, sabiam que a salvação não era pela obediência a estas leis, mas pela fidelidade de Deus à aliança feita com Abraão. Portanto, quando Paulo dizia que a salvação era pela fé sem as obras da lei ele não estava combatendo o legalismo ou a tentativa de salvação pelas obras. Ele estava simplesmente condenando a ênfase que os judeus davam a estas obras a ponto de não permitir que não-judeus convertidos ao Cristianismo fossem considerados parte do povo de Deus.

Apesar de sua importância, há vários problemas com a obra de Sanders. Um deles é que ele usou fontes do século III e IV (Talmude, Mishna, midrashes) para reconstruir o pensamento judaico do século I, algo que chamamos de anacronismo.

2) A nova perspectiva de Sanders sobre o Judaísmo trouxe uma nova perspectiva sobre a Reforma. Para os defensores da NPP, Lutero leu Paulo à luz da sua própria experiência e assim desviou as igrejas reformadas da correta interpretação do que o apóstolo havia escrito sobre salvação, justificação e obras da lei. Já em 1963 o luterano Krister Stendhal havia escrito um artigo influente (“Paulo e a Consciência Introspectiva do Ocidente”) em que ele acusava Lutero de ter imposto a Paulo o seu próprio drama existencial quanto à salvação. Paulo nunca teve problemas de consciência antes de sua salvação, disse Stendhal, nem qualquer outro judeu daquela época. Ninguém estava perguntando “o que posso fazer para ser salvo” – essa foi a pergunta de Lutero, mas não era a pergunta de Paulo e nem dos judaizantes com quem ele discutiu em Gálatas. Além disto, as Confissões de Agostinho também influenciaram em demasia a igreja no Ocidente, levando-a à introspecção e à busca individual da salvação. Isso fez Lutero ver na polêmica de Paulo contra as “obras da lei” em Gálatas e Romanos a sua própria luta em busca de salvação dentro da igreja católica – o que foi um erro. Os defensores da NPP criticam os reformados por terem defendido durante tanto tempo que o centro da pregação de Paulo, bem como do Novo Testamento, era a doutrina da justificação pela fé, quando esta, na verdade, era a agenda de Lutero e não de Paulo.

Todavia, como tem sido observado, não foram somente os luteranos que tiveram este entendimento – o protestantismo em geral, inclusive aquele não influenciado diretamente pelas obras de Lutero e demais reformadores, sempre entendeu, lendo sua Bíblia, que ela trata essencialmente deste assunto: de que maneira o homem pode ser justificado diante de um Deus santo e justo?

3) Na seqüencia, veio uma nova perspectiva sobre as “obras da lei”. A Reforma sempre entendeu que “obras da lei” em Gálatas e Romanos, contra as quais Paulo escreve, eram aqueles atos praticados pelos judeus em obediência aos mais estritos preceitos da lei de Moisés. Eles procuravam guardar tais preceitos visando acumular méritos diante de Deus. Foi contra tais obras que Paulo asseverou aos gálatas e aos romanos que a salvação é pela fé em Jesus Cristo, somente. Mas, James G. Dunn, em especial, argumentou que as “obras da lei” a que Paulo se refere em Gálatas e Romanos eram a circuncisão, a guarda do calendário religioso e as leis dietárias de Moisés – sinais identificadores da identidade judaica no século I. Paulo era contra aquelas coisas porque elas separavam judeus dos gentios e impediam que gentios convertidos se sentassem à mesa com judeus convertidos. Em outras palavras, a polêmica de Paulo não era contra o legalismo dos judaizantes, mas contra a insistência deles em manter os gentios distantes. A questão não era soteriológica, mas eclesiástica. A Reforma havia perdido este ponto de vista por causa de Lutero e Agostinho.

Mas, cabe aqui a observação, se as obras da lei não eram esforços meritórios fica muito difícil entender não somente Gálatas e Romanos, mas inclusive passagens de Atos, como esta: “Alguns indivíduos que desceram da Judéia ensinavam aos irmãos: Se não vos circuncidardes segundo o costume de Moisés, não podeis ser salvos” (At 15:1). No fim tenho de escolher se acredito em Atos ou no que Dunn está dizendo.

4) Tudo isto trouxe o que James Dunn chamou de uma “nova perspectiva” sobre Paulo. Esse movimento se dividiu em duas linhas gerais. (a) Os mais radicais, que acham, como H-J Schoeps, que Paulo, por ser um judeu da Dispersão, não entendeu e portanto torceu inadvertidamente a soteriologia do Judaísmo da Palestina, atacando-o por julgar que era uma religião baseada em méritos, quando, na verdade, não era. Outros, como H. Räisänen, alegaram que Paulo era judeu por fora e gentio por dentro, o que lhe causava uma ambigüidade nunca vencida, que o levava a falar mal da lei em Gálatas e bem dela em Romanos. Nesta vertente, o problema é Paulo, que passou uma visão distorcida dos judeus e fariseus do primeiro século. Esta linha dentro da “nova perspectiva” não tem muitos defensores. A que ganhou mais aceitação foi a segunda, (2) aqueles que afirmam que o problema não é Paulo, mas os reformados que o leram com os óculos de Lutero. É preciso olhar Paulo de uma nova perspectiva, que leve em conta as descobertas de Sanders (Judaísmo não era legalista), Stendhal (Paulo era um fariseu sem problemas com a lei), Dunn (obras da lei são apenas marcadores de identidade judaicos). É preciso reler Gálatas e Romanos deste novo ponto de vista e tentar descobrir qual era realmente a polêmica de Paulo com os judeus, judaizantes e fariseus de sua época. Tem que ser outra coisa, mas não este assunto de salvação pela fé sem as obras da lei.

A pergunta que não quer calar é como a Igreja toda, mesmo contando com exegetas e teólogos do maior calibre, conseguiu se enganar por tanto tempo, do sécuilo XVI até hoje, em um assunto tão básico?

5) E por fim, tudo isto trouxe uma nova perspectiva sobre a justificação proposta pelos defensores da NPP. Os reformados sempre afirmaram, com base em Gálatas, Romanos e demais livros do Novo Testamento, que a mensagem central das cartas de Paulo é que os pecadores podem ser justificados de seus pecados mediante a fé em Jesus Cristo, sem obras pessoais e meritórias. E que esta justificação consiste em Deus nos imputar – isto é, atribuir – a própria justiça de Cristo. Lutero dizia que somos justificados com uma justiça alheia, a de Cristo, e não com uma justiça nossa, que procede de nossa obediência à lei de Deus (obras da lei). Lutero e demais reformadores entenderam que esse era exatamente o ponto de discussão entre Paulo e os judaizantes, que à sua época queriam exigir que os crentes não judeus guardassem a lei de Moisés para poderem ser salvos.

É aqui que entra em cena Nicholas Thomas Wright, bispo anglicano de Durham, Inglaterra, provavelmente hoje o estudioso mais conhecido e destacado que defende a “nova perspectiva” sobre Paulo. Ele ganhou a simpatia de muitos evangélicos por suas posições firmes contra o aborto e a eutanásia e as uniões civis de homossexuais dentro da Igreja Anglicana.

O ponto mais controverso da posição de Wright sobre Paulo é sua tentativa de redefinir a doutrina da justificação pela fé. Wright abraça a “nova perspectiva”, seguindo Stendahl, Sanders e Dunn. A principal obra de Wright, que o marcou como um defensor da “nova perspectiva” é What St. Paul Really Said (1997). Segundo ele, para Paulo a justificação não significa que Deus transfere a sua própria justiça ao pecador, como ensina a doutrina da imputação; Deus, à semelhança do que se faz num tribunal, considera vindicado o pecador, sem, todavia, imputar-lhe a sua própria justiça. Segundo Wright, é esse o caso nos tribunais gregos – nenhum juiz imputa ao acusado a sua própria justiça pessoal, simplesmente o absolve. A conclusão é que Paulo nunca ensinou a doutrina da imputação da justiça. Não é isso o que Paulo entende por justificação, justificar e justificado. Deus absolve o pecador por causa de sua fidelidade ao pacto, à aliança. É isso que significa a sua justiça.

Tem coisa boa na NPP? Tem, sim. O movimento nos desperta para estudarmos o contexto de Paulo mais profundamente. Os estudos de Sanders nos trouxeram muitas informações sobre o pensamento rabínico dos séculos III e IV quanto à salvação. As observações de Stendhal nos ajudam a ter uma visão mais correta sobre a relação pessoal de Paulo para com a lei – ele realmente não era um fariseu em crise existencial antes de se converter. E Dunn chama nossa atenção para o aspecto missiológico e social da polêmica de Paulo contra as obras da lei. Todavia, estes aspectos positivos não anulam as sérias implicações do movimento, especialmente quanto à doutrina da justificação.

Isso pode soar como mais uma daquelas questiúnculas irrelevantes que ocupam os teólogos a maior parte do tempo. Todavia, não é. O que a NPP coloca em jogo são duas das mais importantes doutrinas da fé cristã, que são a morte substitutiva de Cristo e a imputação da sua justiça aos que crêem. Mesmo que Wright fale que os crentes terão seus pecados perdoados, fica a pergunta: com base em que, se a morte de Cristo não é substitutiva e nem seus méritos são transferíveis?

Prefiro a velha perspectiva. Nem sempre o vinho novo é o melhor.

29 comentários:

Mauro Renato disse...

Se a NPP defende que Deus absolve o pecador com base na fidelidade deste ao pacto, não seria um retorno à salvação mediante obras? Não seria uma "nova perspectiva" de uma velha heresia?

Rev.Mauro Silva disse...

Recentimente (past summer) quando estive em Israel pude conversar com alguns scholars que estao trabalhando em um dos documentos encontrados na caverna 4 de Qumran, tal documento chamado de MT tras algumas especificacoes que segundo os eruditos identificam "James the Just" como sendo o lider dos Ebionites (segundo eles eram os Essenes [the sons of light]), os quais escreveram os manuscritos encontrados nas cavernas de Qumran (the so-called Dead Sea Scrolls). Segundo a leitura desses "especialistas", Paulo de Tarsus havia sido rejeitado pelo "Justo Tiago" como sendo um apostolo da Lei. Haja a vista, segundo eles, Paulo havia deturpado a mensagem de Jesus quanto ao uso da Lei. Como sempre, os liberais, seculares e "outros" querem deturpar a mensagem da Cruz fazendo parecer que a teologia paulina estava equivocada!

Filipe Luiz C. Machado disse...

Na tentativa de avançarem rumo ao máximo entendimento sobre um tema, acabam criando uma nova heresia. Urge grande necessidade atentarmos para os princípios da fé, pois se fosse verdade tal "perspectiva", como ficaria o restante do evangelho? Certamente teríamos de remodelar o cânon para nos adequarmos a essa nova forma de pensar acerca de Paulo; algo impensável. Ademais, se fosse assim, melhor seria que queimássemos todos os livros pós-reforma ou os utilizasemos como rascunho.

Grande abraço.
Filipe Luiz C. Machado
www.2timoteo316.blogspot.com

Leonardo Bruno Galdino disse...

Augustus,

Interessante que um dos temas favoritos da agenda de N. T. Wright, por exemplo, é a Esperança. Ora, que Esperança pode haver para os remidos se estes não recebem a imputação da Justiça de Cristo?

Por isso, Rev., vou dizer aqui o que já disse alhures, citando Stephen Westerholm: "Estudantes que desejam entender Paulo mas sentem que não tem nada a aprender de Martinho Lutero, deveriam considerar uma carreira na metalurgia".

Parabéns pelo post!

Grande abraço!

Rev.Neemias Reinaux Gomes disse...

Hieráclito (540-480 a.C.), o mundo está sempre “correndo”. A cada momento que passa, colocamos o pé em um rio (mundo) diferente. Todas as coisas estão em constante mudança. Mal somos atacados por uma forma de pensamento e já vem outra querendo tomar o seu lugar. Mas isso não significa que tudo seja realmente novidade. Cerca de mil anos antes de Cristo, o sábio já questionava: “Há alguma coisa de que se possa dizer: Vê, isto é novo?”. E ele mesmo respondia: “Não! Já foi nos séculos que foram antes de nós” (Ec 1.10). Olhar para o passado, portanto, pode ser uma excelente maneira de entender o futuro. Até porque, o passado nunca é realmente totalmente passado. A água passa, mas o rio ainda é o mesmo.
SDG.
Neemias Reinaux Gomes.

Rev.Mauro Silva disse...

Tenho observado que, alguns teologos biblicos “apenas” consideraram o aspecto sistematico da teologia da justificacao pela fe ensinado no NT para afirmar que, N. T. Wright estava equivocado (o que seria sufuciente!). Mas, se quisermos entender os pressupostos que levaram Wright a se opor a doutrina da Justificacao pela Fe, ao mesmo tempo em que, se quisermos afirmar que as suas leituras das “fontes judaicas” (Palestinian & Bavli Talmud?), estavam equivocadas, temos que abordar as mesmas fontes que Wright abordou! Por isso, no tocante a essas fontes, muitos eruditos biblicos apenas se conformam em ler as “secondary sources”.

Quando observamos o ensino do NT, nos certificamos que a posicao de Wright quanto a NPP esta equivocada (cf. Atos 15:1, ja mencionado no post). Mas, quando se trata do uso que ele fez das fontes judaicas, os scholars do NT “apenas” afirmam que ele estava equivocado por fazer uma abordagem anacronica dais fontes dos seculos III & IV AD [CE?] para interpretar os eventos que precederam o judaismo do Segundo Templo. Fora isso, ninguem se propos a analisar as mesmas fontes para mostrar que Wright fez uma interpretacao equivocada dessas fontes.

Eh evidente que, “the Sage” (the Rabbis) haviam terminado de confeccionar a Mishnah (70-200 CE), e por isso, o judaismo do final do II seculo havia atingindo o seu (“climax”?). Mas, o entendimento das Midrashes [interpretoes] rabinicas da Biblia e das Halachas [leis] so iriam se consolidar na idade media atraves da exegese de grandes talmuditas e comentaristas tais como: Moshe ben-Maimon, Rashi and Yosef Karo (cf. Shulchan Aruch, Mishnei Torah & Tosafot- comentarios).

Eu nao entendo porque muitos irmaos reformados nao se interessam em utilizar os documentos e fontes judaicas, que por sua vez os ajudariam a entender o background do Judaismo do Segundo Templo, assim como o Early Christianity.

Thiago Stênio disse...

Caro Rev. Augustus,

Sinto-me abençoado e feliz ao ler artigo tão esclarecedor sobre a NPP, pois embora não seja tão nova assim no mundo acadêmico, ela realmente é nova no conhecer teológico eclesiástico nacional. Que o Senhor e Cristo poupe sua igreja brasileira de absorver essa re-leitura que seria um retrocesso danoso para o povo de Deus e continua usando irmãos como você para tal!

No vínculo do Calvário do Salvador,

Thiago Stênio

Tania Cassiano disse...

PASTOR,
Com o devido respeito aos ilustres teólogos, eles estão querendo nos "endhoidar"? Não estava tudo tão claro? Paulo falou tão explicadinho? Querem que a gente coloque tudo fora? Sei não....Estão procurando cabelo em casca de ovo? Eles acham pouco o que estão fazendo com a Igreja?
Com esse comentário, será que eu entendi o post?
Quanto ao post anterior, a IPB tem vida longa? Por aquí, de vez em quando, escuto alguém querendo se independente, aproveitando-se apenas da credibilidade da Instituição, mas aí já dá outro post.
Abr.
Abr.

Aprendiz disse...

Prezado Rev. Nicodemus

A doutrina da justificação pela fé é certamente bíblica. Mas devo admitir que há certas coisas defendidas por muitos de seus partidários que certamente são erros. Segundo penso:

1. Em geral, os cristãos acreditam erradamente que os adversários de Paulo contra os quais ele escreve a carta aos Gálatas, eram judeus profundamente religiosos, criados no farisaísmo. Certamente estes tiveram seu papel catalisador na controvérsia na Galácia, mas as palavras de Paulo indicam que seus adversários eram prosélitos mal convertidos ao judaímo, que misturavam este com doutrinas gnósticas e, na sua ignorância, julgavam-se verddeiros defensores da Lei de Moisés.

2. Erradamente, a maioria dos cristãos supõem que Tiago apoiava a doutrina judaizante. As palavras de Tiago claramente indicam que não, eles, judeus, continuavam vivendo como judeus, mas Tiago não queria obrigar gentios a viverem como judeus. As palavras "da parte de Tiago" escritas por Paulo são mal interpretadas. Algumas pessoas vieram de Jerusalém e traziam cartas de recomendação ("da parte..."). Não havia controversia nenhuma ainda. O que aconteceu foi que esses judeus estranharam o fato de discipulos do Messias de Israel não terem sido circuncidados. Resolveram por conta própria fazer isso, no que tiveram o apoio de gnósticos mal convertidos, que não entendiam direito nem o judaismo nem a doutrina de Cristo, embora se considerassem muito "zelosos".

3. Erradamente, muitos cristãos confundem a oposição de judeus não cristãos da dispersão, que prejudiecavam Paulo, com judeus crentes. A narrativa de Atos claramente distingue os tumultos criados por judeus não crentes dos eventos que haviam ocorrido décadas antes.

4. Finalmente, o anti-semitsmo e a rejeição (ainda que mudada posteriormente) à de Tiago, claramente indicam que havia uma falha grave no pensamento de Lutero, com graves conseqüências morais (anti-semitismo). Aproveitemos o que ele tinha de bom, mas tenmhamos senso para perceber as falhas. Deixemos que Lutero seja um homem, mas que o mito "Lutero" (se ainda persiste no pensamento de alguém) seja morto.

Augustus Nicodemus Lopes disse...

Aprendiz,

"A doutrina da justificação pela fé é certamente bíblica. Mas devo admitir que há certas coisas defendidas por muitos de seus partidários que certamente são erros."

Estou confuso. Se ela é bíblica você não se inclui entre os seus partidários?

Vamos aos erros levantados por você.

"Em geral, os cristãos acreditam erradamente que os adversários de Paulo contra os quais ele escreve a carta aos Gálatas, eram judeus profundamente religiosos, criados no farisaísmo...Certamente estes tiveram seu papel catalisador na controvérsia na Galácia, mas as palavras de Paulo indicam que seus adversários eram prosélitos mal convertidos ao judaímo, que misturavam este com doutrinas gnósticas e, na sua ignorância, julgavam-se verddeiros defensores da Lei de Moisés."

É aparente que os adversários de Paulo de fato pertenciam à facção farisaica da igreja de Jerusalém, conhecida como “os da circuncisão” (At 11.2) devido ao seu ensino enfático sobre a necessidade da circuncisão para a salvação dos gentios (At 11.3; 15.1-5; Gl 2.1-5,11-13; 6.12-13). A julgar pelo que Paulo menciona, eles haviam obtido algum sucesso (1.6), pois alguns dos gálatas já estavam guardando os dias santos do calendário judaico (4.9) e outros estavam prestes a se deixar circuncidar (5.2-3). Em resumo, eles estavam abandonando o evangelho pregado por Paulo e adotando um tipo de religião judaico-cristã com fortes tendências legalistas, que requeria as “obras da lei” em acréscimo à fé em Cristo (2.16; 3.10; 4.8-11; 5.2-3).

Além disto, o gnosticismo como religião estabelecida e definida só tem contornos claros a partir do séc. II. Não se pode falar de gnosticismo no século I a não ser de forma bem incipiente. As fontes escritas mais antigas que nos revelam o que é o gnosticismo datam do séc. II em diante, e as mais claras, do séc. III.

Vários textos bíblicos apontam para o fato que o problema na Galácia era causado, sim, por fariseus convertidos e piedosos. O mais claro é Atos 15:5 Insurgiram-se, entretanto, alguns da seita dos fariseus que haviam crido, dizendo: É necessário circuncidá-los e determinar-lhes que observem a lei de Moisés.

2 - Discordo de você que "a maioria dos cristãos supõem que Tiago apoiava a doutrina judaizante" - sua afirmação se baseia em alguma pesquisa estatística?

3 - Sem dúvida, a maior parte das perseguições que Paulo enfrentou foi causada por judeus não crentes. O livro de Atos deixa isto claro. Todavia não eram somente eles. Paulo manciona na carta aos Gálatas que "falsos irmãos que se entremeteram com o fim de espreitar a nossa liberdade que temos em Cristo Jesus e reduzir-nos à escravidão" (Gl 2:4). Ele estava se referindo aos judeus-cristãos que estavam causando todo ete tipo de problema. estes são aquels "indivíduos que desceram da Judéia ensinavam aos irmãos: Se não vos circuncidardes segundo o costume de Moisés, não podeis ser salvos." (Atos 15:1). Mais adiante o Concílio reconhece em sua decisão que "alguns que saíram de entre nós, sem nenhuma autorização, vos têm perturbado com palavras, transtornando a vossa alma (At 15:24).

Paciência, Aprendiz, eram judeus-cristãos piedosos, ex-fariseus, que estavam perturbando a Igreja e querendo circuncidar os gentios. Não estou vendo gnóstico algum por aqui.

4 - Sobre Lutero, nenhum Reformado sério afirma que Lutero e Calvino eram perfeitos e sem pecado. A rejeição da carta de Tiago, todavia, não foi por anti-semitismo, como todos sabem, mas pelo mitte adotado por Lutero quanto ao canon do NT. Dizer que o anti-semitismo de alguns séculos depois se inspirou na rejeição de Tiago é ir longe demais.

Não esqueça que Lutero re-incluiu Tiago nas edições posteriores de sua Bíblia em alemão.

João Eduardo disse...

Tem um site islâmico (http://www.islam.com.br/) que disponibiliza material gratuito para a propagação dessa religião e alguns dos estudos baseiam-se nesta linha de pensamento que ensina que o apóstolo Paulo foi um deturpador da religião ensinada por Jesus a fim de combaterem o cristianismo. Pois é, esse falso entendimento acerca de Paulo tem sido instrumento para o combate ao cristianismo por parte dos muçulmanos e para angariarem adeptos para si. Portanto, estudos sérios que confirmem o ministério do apóstolo Paulo e de seus escritos são necessários para a reafirmação da verdadeira religião - a cristã baseada nas Escrituras (a Bíblia somente).

Leonardo Bruno Galdino disse...

Augustus,

Penso que o comentário do tal Aprendiz só reforça ainda mais a tese de Westerholm, que citei acima. Paciência!

Abraços!

Lincoln Menezes disse...

Puquissimas vezes o vinho novo é o melhor!!!

Pr. Francisco Belvedere disse...

REv. Nicodemus coincidentemente faz dias que não leio seu Blog e hoje te mandei um e-mail sobre a Bíblia Judaica Completa da ED.VIda e algumas teorias de Judeus Messiânicos que caminham nessa linha ai. Parece que está em alta nos dias de hoje essa tendência de retorno ao Judaismo.

Adailton, Djaik e Paulo disse...

Perdoe-me reverendo, mas pelos comentários que li aqui, a questão da NPP levantada no artigo pode não ser mais uma "questiúncula", mas que pareceu, pareceu. E confesso que não consegui ver alguma coisa tão grave no que o senhor afirmou ser a questão mais controversa em "N. T. Wright". Não é verdade que se a justiça de Cristo fosse realmente transferida ao pecador ele não se tornaria perfeitamente santo, ainda nesta vida? E todos sabemos que mesmo tendo a justiça de Cristo "colocada em nossa conta", continuamos pecadores. É bom lembrar que "imputar" não é o mesmo que transferir". Como temos aprendido, a justificação acontece "extra nos" no "tribunal de Deus" que, por causa de Cristo, através da fé nos considera a partir de então com justos. O Senhor não conseguiu me convencer de que os defensores da NPP (mais moderada) realmente negam essa verdade. Um abraço. Rev. Djaik

Augustus Nicodemus Lopes disse...

Caro Rev. Djaik,

Eu não preciso convencê-lo, pois sendo pastor presbiteriano, o irmão já declarou por ocasião da sua ordenação que crê na imputação da justiça de CRisto aos crentes. Deixa eu lembrar aquela parte da Confissão da qual o irmão disse que recebia como uma exposição fiel das Escrituras:


"Os que Deus chama eficazmente, também livremente justifica. Esta justificação não consiste em Deus infundir neles a justiça, mas em perdoar os seus pecados e em considerar e aceitar as suas pessoas como justas. Deus não os justifica em razão de qualquer coisa neles operada ou por eles feita, mas somente em consideração da obra de Cristo; não lhes imputando como justiça a própria fé, o ato de crer ou qualquer outro ato de obediência evangélica, mas imputando-lhes a obediência e a satisfação de Cristo, quando eles o recebem e se firmam nele pela fé, que não têm de si mesmos, mas que é dom de Deus". (CFW, XI, 1).

Veja que logo no início do parágrafo fica claro que imputar não significa "infundir", que seria "colocar a justiça de Cristo dentro" do crente, de forma a se tornar parte dele e de sua natureza. Somente neste caso o crente se tornaria perfeito e sem pecado. Eu não disse isso no meu post e nem reformador algum jamais ensinou isto.

Transferir não é infundir - é imputar forensicamente uma justiça externa a nós.

Pecadores que receberam a justiça de Cristo por imputação continuam pecando, uma vez que a imputação (transferência) da justiça de CRisto de fato ocorre no tribunal de Deus - coisa que o pessoal da NPP nega, veja bem. É por isto que a Confissão de Fé acrescenta:

"Deus continua a perdoar os pecados dos que são justificados. Embora eles nunca poderão decair do estado de justificação, poderão, contudo, incorrer no paternal desagrado de Deus, e ficar privados da luz do seu rosto, até que se humilhem, confessem os seus pecados, peçam perdão e renovem a sua fé e o seu arrependimento." (CFW, XI, 5).

N.T. Wright nega peremptoriamente qualquer conceito de imputação. Você parece aceitar a imputação, e tem dificuldades apenas com o termo "transferir", correto? Veja o que Wright diz sobre a justificação (citações tiradas do livro dele "What Saint Paul Really Said"):

"Se usarmos a linguagem jurídica do tribunal, não faz sentido dizer que o juiz atribui, dá, lega, transmite ou transfere a sua justiça para o réu. A justiça não é um objeto, uma substância ou um gás que pode ser transmitida através do tribunal. . . . Se e quando Deus age para defender seu povo, seu povo, então, metaforicamente falando, terá o status de 'justiça'. . . . Mas esta justiça não será a própria justiça de Deus. Isso não faz nenhum sentido". (98-99).

Veja ainda outras citações deste livro.

• "O evangelho não é um relato de como as pessoas são salvas. É a proclamação do senhorio de Jesus Cristo."(133)

• O evangelho de Paulo aos pagãos não era uma filosofia de vida. Também não era, mesmo, uma doutrina sobre como ser salvo." (90)

• "A minha proposta é que "o evangelho não é, para Paulo, uma mensagem sobre como alguém pode ser salvo" (60)

• "A justificação não é como alguém se torna um cristão. É a declaração de que eles têm se tornado um cristão. "(125)

• "Eu preciso salientar que a doutrina da justificação pela fé não é o que Paulo quer dizer com" o evangelho." (132)

Espero que o irmão perceba como pastor presbiteriano as dificuldades que as afirmações de Wright trazem para quem afirma a Confissão de Fé, como o irmão.

Um abraço.

Aprendiz disse...

Prezado Rev Nicodemus

Grato pela sua resposta. Devo explicar melhor o que eu quis dizer, e o farei em breve.

Adailton, Djaik e Paulo disse...

Beleza rev., só achei que a única citação que o senhor havia feito de N. T. Wright não era suficiente para considerar tão grave assim a posição dele. Um abraço
Djaik

Adailton, Djaik e Paulo disse...

Continuando rev, acho que o Senhor precisa rever o uso que está fazendo da palavra "transferir" já que ao invés de usar o significado da palavra "imputar" (que é atribuir a alguém alguma coisa ou colocar em sua conta), o senhor inverte dizendo que transferir significa imputar. E a nossa confissão não usa o termo transferir para imputação nem mesmo no dicionário comum o senhor vai encontrar isso. Em tempo, em momento algum eu disse que o senhor deveria me convencer da doutrina da imputação (leia de novo o que escrevi), o que eu disse é que o senhor não conseguiu me convencer que os defensores da NPP (mais moderada) negam isso. Além do mais, mesmo estando submissos à Confissão de Fé, todos nós precisamos ser convencidos de muitas coisas e especialmente convertidos com respeito a muitos assuntos.

Augustus Nicodemus Lopes disse...

Djaik, meu irmão,

Sem dúvida, estou aberto para rever o uso do termo "transferir", até porque o ponto central é o conceito de imputação - e este é negado pelo pessoal da NPP. Pode ser que o irmão não veja mal nisto, mas que eles negam a imputação, eles negam, e que a Confissão de Fé afirma a imputação, ela afirma.

Sobre convencer você, foi o irmão quem primeiro disse que eu não o havia convencido. Ou seja, o irmão leu meu post na expectativa de ser convencido e não foi.

Eu sei que precisamos ser convencidos de um monte de coisas, mas eu pensei que deveríamos ter convencimento das básicas antes de fazermos a declaração de que aceitamos a Confissão de Fé, como pastores presbiterianos.

Bom, sobre "transferir" vou fazer o dever de casa e volto mais tarde. MAs antes de ir, deixa eu citar Calvino:

"Quem poderia fazer isso, se o mesmo Filho de Deus não se fizesse filho do homem, e de tal forma tomasse o que é nosso, e nos transferisse o que é seu, e o que era inerentemente seu, pela graça se fizesse nosso?" (II, xii, 2).

"Esta é nossa absolvição: que a culpa que nos mantinha sujeitos à pena foi transferida para a cabeça do Filho de Deus [Is 53.12]. Pois se deve ter em mente, acima de tudo, esta permuta, para que não tremamos e estejamos ansiosos por toda a vida, como se ainda pendesse sobre nós a justa vingança de Deus, a qual o Filho de Deus transferiu para si." (II, xvi, 5).

"Agora está claro o que significa essa afirmação do Profeta: “As iniqüidades de todos nós foram postas sobre ele” [Is 53.6], isto é, Aquele que haveria de expungir a sordidez dessas iniqüidades foi das mesmas coberto mediante imputação transferida. Símbolo deste fato, atesta-o o Apóstolo, foi a cruz, na qual Cristo foi pregado. “Cristo”, diz ele, “nos redimiu da maldição da lei, conquanto se fez maldição por nós. Pois foi escrito: Maldito é todo aquele que pende em um madeiro, para que a bênção de Abraão em Cristo alcançasse os povos”[Gl 3.13, 14; Dt 21.23]" (II, xvi, 6).

Nessa citação abaixo, Calvino diz que Cristo veio adquirir méritos, não para si mesmo, mas para os seus, aos quais Ele transfere:

"Indagar, entretanto, se o próprio Cristo adquiriu mérito para si mesmo, o que fazem Lombardo e os escolásticos, é não menos curiosidade estulta do que temerária delimitação, quando isso mesmo asseveram. Pois, que necessidade houve de que o Filho único de Deus descesse a fim de adquirir para si não sei o que de novo? E expondo seu desígnio, Deus dirime toda dúvida. Ora, o Pai não diz ter granjeado provento para o Filho nos méritos deste; ao contrário, que o entregou à morte, não o poupou [Rm 8.32], porque amava o mundo [Jo 3.16]. E devem-se notar as elocuções proféticas: “Um menino nos nasceu” [Is 9.6]; igualmente: “Exulta, ó filha de Sião; eis a ti vem teu Rei” [Zc 9.9]. Feneceria também, de outra sorte, aquela confirmação de seu amor que Paulo enaltece: que Cristo sofreu a morte em favor dos próprios inimigos [Rm 5.10]. Pois daí concluímos que ele não teve motivo próprio, e isso ele afirma claramente, dizendo: “Por eles me santifico a mim mesmo” [Jo 17.19]. Ora, comprova que nada adquiriu para si ao transferir para outros o fruto de sua santidade. E isto, certamente, é especialmente digno de nota: Cristo, para que devotasse a todos nós à salvação, de si mesmo se esqueceu". (II, xvii, 6).

Tem mais uma dezena de citações de Calvino onde ele se sente à vontade para usar o conceito de transferência no contexto de imputação, quer de nossos pecados a Cristo, quer da justiça dele à nós. Se estou errado, pelo menos estou em boa companhia, hehe.

Um abraço!

Adailton, Djaik e Paulo disse...

Augustus, meu irmão. Se até Jonahtan Edwards parece ter revisto algumas de suas posições, depois de presenciar manifestações em épocas de avivamento quem dirá nós, "meros mortais"; submetermo-nos à nossa Confissão de Fé ou, mesmo a Calvino, que o senhor gosta tanto de citar, não significa que não tenhamos dúvidas também de coisas básicas, até porque se fosse tão básico assim o Senhor não deveria estar preocupado com os adeptos da NPP. Quanto a questão de transferir e imputar (ou mesmo que quanto à questão da imputação como um todo), penso que muito mais do que o Senhor eu também preciso fazer o meu dever de casa (penso que muito mais do que isso, talvez um curso inteiro). Mas obrigado por me ouvir e, especialmente, me desafiar a estudar e aprender mais. Um abraço, Djaik

Aprendiz disse...

Prezado Rev Nicodemus

O último comentario que eu enviei não foi publicado. Caso tenha sido por um erro, gostaria de saber, pois posso envia-lo novamente. Caso houver outro motivo, gostaria de saber também, para que possa ajustar meus comentários à política do blog.

grato.

Augustus Nicodemus Lopes disse...

Caro Aprendiz,

Seu comentário chegou, sim, mas não o publiquei. Não há nada de errado com ele, mas comigo, que tenho paciência curta demais para ficar fazendo ping pong quando percebo que não adianta responder e explicar.

Nesses casos o que sugiro é que os amigos que gostam de prolongar uma discussão simplesmente exponham suas idéias em seus próprios blogs - acredito que você deve ter um, e que discutam a fundo por lá aquilo que gostariam de continuar a discutir por aqui.

Você foi cortês e respeitoso, mas é que realmente não costumo levar uma discussão além da tréplica.

Abs.

Adailton, Djaik e Paulo disse...

Rev. Nicodemus, se me permite (sem querer ir além da tréplica...se for o caso pode considerar um outro assunto, kkk)encontrei alguma coisa em A. A. Hodge sobre a questão da imputação e transferência. Achei interessante a idéia dele de que "a transferência é unicamente da nossa culpa para Ele e do Seu mérito para nos." Penso que esta linguagem talvez seja melhor do que afirmar que na justificação há uma transferência da própria justiça de Cristo ao pecador, pois neste caso podemos gerar um mau entendido quanto ao que realmente significa justificação. Um abraço, Djaik

Augustus Nicodemus Lopes disse...

Djaik,

De fato, já nos estendemos demais. Vou encerrar o assunto comparando a declaração de Hodge com a minha declaração no post. Não há diferença alguma. Ambos falamos da transferência dos méritos de Cristo.

Augustus: "Mesmo que Wright fale que os crentes terão seus pecados perdoados, fica a pergunta: com base em que, se a morte de Cristo não é substitutiva e nem seus méritos são transferíveis?"

Hodge: "A transferência é unicamente da nossa culpa para ele e de seu mérito para nós."

Abs.

Apologeta disse...

Caro Reverendo Nicodemus! Paz e graça do Todo-Poderoso!

Tomei a liberdade de incluir essa postagem no meu blog Guardian Faith, pois trata-se de pura apologética e percebo que essa heresia, bem como as demais que as percebemos por termos a mente de Cristo (I Coríntios 2:16) vai ser muito difundida infelizmente. Os homens surtaram mesmo. Esse surto é devido à natureza pecaminosa e profunda depravação do ser humano, pois parece que mesmo estudando a Palavra de Deus, tais "eruditos" deixam-se enredar por questões que não produzem edificação de Deus, mas confundem as mentes dos mais simples. Talvez essa heresia não seja tão assimilada pelas pessoas,mas no âmbito acadêmico, com a mais plena (e triste) certeza. O que podemos observar é que tais "estudiosos" dão mais ouvidos, ou até mesmo, criam fábulas desviando-se da Verdade (João 14:6; II Timóteo 4:3,4).
Como jã ouvi certa vez "é melhor subirmos quadrados do que (à semelhança da cerveja) descermos redondos".

Obs: Se o reverendo não aceitar a publicação sem aviso prévio, posso retirá-la do meu blog.


Apologeta!

Evangelista Eduardo França é autor do DVD: Milagres: De onde eles procedem? (Categoria: APOLOGÉTICA. À venda nos sites: CACP, MCK e MERCADO LIVRE). Co-Fundador e articulista do blog Guardian Faith: www.guardianfaith.blogspot.com

Adailton, Djaik e Paulo disse...

Tranquilo rev. Valeu mesmo assim!
Djaik

|JEL| disse...

Olá Rv., li seu artigo sobre a exegese de Gálatas em contraposição a interpretação da NPP, e fico muito feliz por homens como o Sr. e outros aqui no Brasil, estarem se posicionando firmemente sobre essa tão maravilhosa doutrina. Li um livro muito bom sobre o tema da editora Vida Nova, como o nome de "Lei e Graça em Paulo" de um erudito alemão, o Sr. tem conhecimento de algum outro livro além desse?

Grande abraço!

Leo disse...

Rev. Augustus, a paz! Nem todos os teólogos que trabalham em cima da NPP, concordam com Sanders e Wright quanto a justificação, há teólogos que crêem na justificação assim como a reforma expressa, e ainda assim contribuem para a NPP quanto a judaicidade de Paulo, e sobre a não existência de uma crise existencial em Paulo quando este se converteu, que não havia diferenças entre o evangelho que Paulo e Tiago pregavam, e sobre o propósito de Deus na salvação das nações em suas diferentes culturas, e que trabalham no contexto de que aqueles dentre o remanescente de judeus que crêem, continuam mais do que nunca, expressando sua adoração a Deus juntamente com sua judaicidade, agora em Cristo, tendo plenitude pois tudo foi cumprido por Ele(e não há nada mais judaico que crer no Messias), e trabalham em cima da vocação destes quanto Israel, no sentido de uma vocação irrevogável, no que diz respeito ao propósito de Deus para Israel quanto nação, e quanto ao propósito de Deus para este remanescente (sem confundir o Israel de Deus, que é composto tanto dos ramos naturais como do enxerto). Por exemplo Daniel Juster, David Stern, tratam em seus artigos e comentários que o combate de Paulo era sim contra o legalismo, e contra a justificação pelas obras da Lei, que muitos fariseus que de fato eram prosélitos nominais, e em erro herético, colocavam a circuncisão como obra necessária para a salvação, e rechaçam toda sorte de justificação por obras. Gostei muito do seu artigo Reverendo.

Leonardo Kreisman