quinta-feira, dezembro 08, 2011

O Feminismo Cristão: Como Tudo Começou

Estudar a história do surgimento do movimento feminista é de grande ajuda para nós. Geralmente uma perspectiva global e ampla do assunto em pauta nos ajuda a entender melhor determinados aspectos do mesmo. No caso do movimento feminista, a sua história nos revelará que a ordenação de mulheres ao ministério, em alguns setores do movimento, é apenas um item de uma agenda muito mais ampla defendido por um setor bastante ativista do feminismo nas igrejas cristãs.

Origens do Movimento Feminista Fora da Igreja

Examinemos primeiramente o movimento feminista fora da igreja, focalizando suas principais protagonistas.

Século 18: A Vindicação dos Direitos da Mulher

A “Primeira Onda” do feminismo teve início na primeira metade dos anos de 1700 quando uma inglesa, Mary Wollstonecraft (foto), escreveu A Vindication of the Rights of Woman (A Vindicação dos Direitos da Mulher). Um ano depois desta publicação, Olimpe de Gouges publicou um panfleto em Paris intitulado Le Droits de La Femme (Os Direitos da Mulher) e uma americana, Judith Sargent Murray, publicou On the Equality of the Sexes (Sobre a Igualdade dos Sexos). Outras pensadoras feministas surgiram em pouco tempo tais como Frances Wright, Sarah Grimke, Sojourner Truth, Elizabeth Cady Stanton, Susan B. Anthony, Harriet Taylor e também John Stuart Mill. Seus pensamentos e obras foram defendidos com fervor e pouco a pouco foram deitando profunda influência na sociedade moderna contemporânea do mundo ocidental.

Século 19: A Declaração dos Sentimentos

Em 1848 cerca de 100 mulheres se reuniram em uma convenção em Seneca Falls, Nova York, para ratificar a Declaração dos Sentimentos escrita para defender os direitos naturais básicos da mulher. As autoras da Declaração dos Sentimentos reclamavam que as mulheres estavam impedidas de galgar posições na sociedade quanto a empregos melhores, além de não receber pagamento eqüitativo pelo trabalho que realizavam. Notaram que as mulheres estavam excluídas de profissões tais como teologia, medicina e advocacia e que todas as universidades estavam fechadas para elas. Denunciavam também um duplo padrão de moralidade que condenava as mulheres a penas públicas, enquanto excluía os homens dos mesmos castigos em relação a crimes de natureza sexual.

A Declaração dos Sentimentos foi um marco profundamente significativo no movimento feminista. Suas reivindicações eram, em sua grande maioria, justas e consistentes. Por isto, o movimento foi ganhando muitas e muitos adeptos, apesar, e por causa das grandes barreiras que foram impostas às mulheres que se expunham na defesa de suas idéias e ideais. As leis do divórcio foram liberalizadas e drásticas mudanças ocorreram com o status legal da mulher dentro do contexto do casamento. Por volta dos anos 30, como resultado de sua educação qualificada e profissional, as mulheres começaram a entrar no mercado de trabalho como força competitiva. Muitas das barreiras legais, políticas, econômicas e educacionais que restringiam a mulher foram removidas e esta começa a pisar o mundo do homem com paixão e zelo.

Século 20: Simone deBeauvoir e Betty Friedan

A primeira fase da construção do feminismo moderno começou com a obra da filósofa francesa Simone deBeauvoir (foto), Le Deuxième Sexe (O Segundo Sexo), em 1949. As mulheres, segundo deBeauvoir, foram definidas e diferenciadas tomando como referencial o homem e não com referência a elas mesmas. Ela acreditava que o sexo masculino compreendia a medida primeira pela qual o mundo inteiro era medido, incluindo as mulheres, sendo elas definidas e julgadas por este padrão. O mundo pertencia aos homens. As mulheres eram o “outro” não essencial. Simone deBeauvoir observa esta iniqüidade do status sexual em todas as áreas da sociedade incluindo a econômica, industrial, política, educacional e até mesmo em relação à linguagem. As mulheres foram forçadas pelos homens a se conformar e se moldar àquilo que os homens criaram para seu próprio benefício e prazer. Às mulheres de seus dias não foi permitido ou não foram encorajadas a fazer ou se tornar qualquer outra coisa além do que o feminino eterno ditava; elas foram cerceadas num papel de “Küche, Kirche, und Kinder” (cozinha, igreja e filhos, em alemão). De acordo com deBeauvoir a mulher estava destinada a existir somente para a conveniência e prazer dos homens.

No início dos anos 60 uma jornalista americana, Betty Friedan, transformou os conceitos filosóficos de Simone deBeauvoir em alguma coisa mais assimilável para a mulher moderna, ao publicar A Mística Feminina, um livro onde examinava o papel da mulher norte americana. De acordo com Friedan, as mulheres dos seus dias foram ensinadas a buscar satisfação apenas como esposas e mães. Ela afirmou que esta mística do ideal feminino tornou as mulheres infantis e frívolas, quase como crianças, levianas e femininas; passivas; garbosas no mundo da cama e da cozinha, do sexo, dos bebês e da casa. Assim como deBeauvoir, ela afirma que a única maneira para a mulher encontrar-se a si mesma e conhecer-se a si mesma como uma pessoa seria através da obra criativa executada por si mesma. Friedan batizou o dilema das mulheres de “um problema sem nome”. Friedan concordou com deBeauvoir que a libertação das mulheres haveria de requerer mudanças estruturais profundas na sociedade. Para isto, as mulheres precisariam ter controle de suas próprias vidas, definirem-se a si mesmas e ditar o seu próprio destino.

O Problema sem Nome: Patriarcado

No final dos anos 60 a autora feminista Kate Millett (foto) usou o termo “patriarcado” para descrever o “problema sem nome” que afligia as mulheres. O termo tem sua origem em duas palavras gregas: pater, significando “pai” e arche, significando “governo”. A palavra patriarcado era entendida como o “governo do pai”, e era usada para descrever o domínio social do macho e a inferioridade e a subserviência da fêmea. As feministas viram o patriarcado como a causa última do descontentamento das mulheres. A palavra patriarcado define o problema que deBeauvoir e Friedan não puderam nomear mas conseguiram identificar. De acordo com as feministas, o patriarcado foi o poder dos homens que oprimiu as mulheres e que era responsável pela infelicidade delas. As feministas concluíram que a destruição do patriarcado traria de volta a plenitude das mulheres. A libertação das mulheres do patriarcado haveria de permitir que elas se tornassem íntegras.

Surgimento do Movimento Feminista Dentro da Igreja


Podemos considerar o livro de Katherine Bliss, The Service and Status of Women in the Church (O Trabalho e o Status da Mulher na Igreja, 1952) como o marco inicial do moderno movimento feminista dentro da cristandade. O livro era baseado numa pesquisa sobre as atividades e ministérios nos quais as mulheres cristãs estavam comumente envolvidas. Bliss observou que, embora as mulheres estivessem extremamente envolvidas na vida da Igreja, a participação delas estava limitada a papéis auxiliares tais como Escola Dominical e Missões. As mulheres não participavam em lideranças tradicionalmente aceitas, tais como as atividades de ensino, pregação, administração e evangelismo, ainda que muitas delas pareciam estar preparadas e terem dons para este exercício. Bliss chamou a atenção da Igreja para a reavaliação dos papéis homem/mulher na Igreja, particularmente da ordenação de mulheres.

Ativistas Cristãos compram a Briga

A obra de Bliss serviu de munição para ativistas cristãos na luta pelos direitos civis e políticos em 1961. Eles, juntamente com as feministas na sociedade secular, começaram a vocalizar o seu descontentamento com o tratamento diferenciado que as mulheres recebiam por causa do seu sexo, inclusive dentro das igrejas cristãs. Neste mesmo ano, vários periódicos evangélicos publicaram artigos sobre a “síndrome das mulheres limitadas aos papéis da casa e esposa”, onde se argumentava que as mulheres estavam restritas a papéis inferiores na Igreja. Os homens podiam se tornar ministros ordenados, mas às mulheres se lhes impunham barreiras nas atividades ministeriais como ensino, aconselhamento e pastoreamento. As mulheres, afirmavam os ativistas, desejam participar da vida religiosa num nível mais significativo do que costura ou a direção de bazares ou arrumar a mesa da Santa Ceia ou serviços gerais tais como o levantamento de recursos para os necessitados, os quais freqüentemente são designados a elas. Tanto quanto com trabalho físico, elas desejam contribuir com idéias para a Igreja.

O Concílio Mundial de Igrejas

A atenção sobre os papéis do homem e da mulher dentro da Igreja se tornou mais intenso na medida em que o movimento secular das mulheres foi ganhando força. Ainda em 1961 o Concílio Mundial de Igrejas distribuiu um panfleto intitulado Quanto à Ordenação de Mulheres, chamando as igrejas afiliadas para um “re-exame de suas tradições e leis canônicas”. Várias denominações começaram a aceitar que o cristianismo havia incorporado em seus valores uma atitude patriarcal dominante da cultura de suas origens. Muitos católicos, metodistas, batistas, episcopais, presbiterianos, congregacionais e luteranos concordaram: a mulher na Igreja precisa libertação. Com esta conclusão em mente, de que a mulher precisava de libertação dentro da Igreja, estabeleceu-se um curso de ação que tinha como alvo abrir as avenidas para o ministério ordenado das mulheres tanto quanto para os homens.

Nos anos 60 as feministas cristãs se colocaram num curso paralelo àquele estabelecido pelas feministas na sociedade secular. Elas, junto com suas contra partes, buscaram anular a diferenciação de papéis de homem/mulher. O tema dominante foi a necessidade da mulher definir-se a si mesma. As feministas criam que às mulheres se deveria permitir fazer tudo o que o homem pode fazer, da mesma maneira e com o mesmo status reconhecido que é oferecido ao homem. Isto, segundo elas criam, constituía a verdadeira igualdade.

Os Primeiros Argumentos em Prol da Ordenação de Mulheres

As feministas cristãs buscaram a inclusão das mulheres na liderança da Igreja sem uma clara análise da estrutura e funcionamento da mesma segundo os padrões bíblicos. Meramente julgaram-na como sexista e começaram a incrementar o curso de ação em resposta a este julgamento. As feministas cristãs, de mãos dadas com suas contra partes seculares, começaram a demandar “direitos iguais”. Na reivindicação destes direitos, àquela altura do movimento feminista cristão, ainda partiam do pressuposto que a Bíblia era a Palavra de Deus. Vejamos seus argumentos.

Os Pais da Igreja Foram Influenciados pelo Patriarcado

Segundo as feministas cristãs, Clemente de Alexandria, Origines, Ambrósio, e Crisóstomo, Tomás de Aquino, Lutero, Tertuliano, Calvino e outros importantes teólogos e líderes da Igreja Cristã, influenciados pelo patriarcado, reafirmaram a inferioridade da mulher através da história da Igreja e, assim, proibiram a ordenação de mulheres e cometeram erros quanto aos papéis conjugais. As mulheres foram excluídas das posições de autoridade porque os pais da Igreja as viam, em sua própria natureza, como inferiores e menos capazes intelectualmente do que os homens.

A Bíblia ensina a Igualdade dos Sexos

Em segundo lugar, as feministas cristãs passaram a afirmar que a Bíblia dava suporte à plena igualdade das mulheres e que os homens haviam negligenciado estes conceitos bíblicos. As primeiras feministas cristãs afirmam que o registro da criação da mulher no Gênesis tem sido quase que universalmente interpretado de uma maneira equivocada para se ensinar que “Deus impôs a inferioridade e a sujeição” da mulher. Os teólogos (homens) foram acusados pelas primeiras feministas de ignorarem as passagens bíblicas que dão suporte à igualdade feminina, torcendo-as para o seu próprio interesse. A doutrina da liderança da Igreja que excluía as mulheres do ministério foi, portanto, apresentada como um subproduto de um estudo amputado das Escrituras.

Não há Diferença entre Homem e Mulher

A tese maior proposta pelas feministas cristãs no início dos anos 60 era idêntica às teses do feminismo secular: não há diferença entre homem e mulher. As feministas argumentaram que concernente às emoções, psique e intelecto, não há demonstração válida de diferenças entre mulheres e homens. Qualquer aparente diferença resulta única e exclusivamente de condicionamentos culturais e jamais de fatores biológicos. Portanto, tendo em vista a igualdade dos sexos, as feministas cristãs reclamam que a mulher deve ser posta em posições de plena liderança dentro de casa e na Igreja em igualdade com os homens.

O primeiro passo do movimento feminista dentro da Igreja foi a ordenação das mulheres para os ofícios eclesiásticos e este foi somente o primeiro passo. A ordenação das mulheres requer o desenvolvimento de uma nova teologia, de uma nova visão sobre Deus, sobre a Bíblia, o culto e o mundo. A teologia deve se redefinir, alinhando-se com o ponto de vista feminino. Foi o próximo passo dado.

Desenvolvimentos Posteriores da Teologia Feminista

Uma teologia inteiramente nova deveria ser buscada, portanto, baseada na experiência e na interpretação da mulher. Um novo desenvolvimento teológico era necessário para dar suporte à ordenação feminina. Esta nova teologia se moveu em várias direções. Veremos que ordenação feminina é apenas um item de uma agenda muito maior e mais radical.

Reinterpretação da Sexualidade Feminina

Rejeitando a definição de feminilidade e dos papéis femininos que lhes foram impostos pelos homens e pela mentalidade patriarcal dominante, uma parte significativa das ativistas radicais demandaram uma nova definição destes itens que partisse de outro referencial. A conclusão a que chegaram foi que a própria mulher é o melhor referencial para sua autodefinição. E na caminhada desta nova descoberta, ela deve se descobrir em relação com outras mulheres e não com o homem. É preciso registrar que não foram todas as feministas que concordaram com este novo passo.

Na década de 70, movimentos radicais em prol do lesbianismo passaram a identificar sua missão e propósito com o movimento feminista em geral. Foi aqui que o lesbianismo entrou no movimento feminista cristão mais radical como elemento chave na reinterpretação da mulher, sua feminilidade, espiritualidade e papéis. A maior contribuição para a entrada do lesbianismo no movimento feminista foi dada pela líder feminista Kate Millet, que publicamente admitiu ser lésbica, após escrever o livro Sexual Politics, best-seller publicado em 1970. O fato ganhou divulgação mundial mediante reportagem da revista Time naquele mesmo ano. Surgiram dentro das igrejas grupos de lésbicas “cristãs” pressionando para a ordenação de mulheres, de lésbicas, a celebração do casamento gay e aceitação de homossexuais e lésbicas ativos como membros comungantes.

Reinterpretação Feminista da Bíblia

A teologia feminista veio a ser profundamente afetada pela hermenêutica pós-moderna, a qual ensina que a escrita e a leitura de qualquer texto são irremediavelmente determinadas pelas perspectivas sociais e experiências de vida dos seus autores e leitores. A esta altura, já se havia abandonado o conceito da inspiração e infalibilidade da Bíblia.

Empregando-se este princípio na leitura da Bíblia, as feministas cristãs concluíram que a mesma é um livro machista e reflete o patriarcado dominante na cultura israelita e grega daquela época. A Bíblia é o livro de experiências religiosas das mulheres e dos homens, judeus e cristãos, mas seu texto foi formado pelos homens, adultos e instruídos. Poucos textos foram escritos por mulheres. Como resultado, os autores freqüentemente enfatizaram somente o papel dos homens. Eles contaram a história de todo o povo a partir de sua expectativa masculina. Desenvolveram a visão patriarcal da religião a ponto de transformar Deus — um puro espírito sem gênero — em um ser masculino! E que este Deus sempre escolheu homens como profetas, sacerdotes e reis porque os homens são melhores ou mais fortes moralmente do que as mulheres!

As feministas radicais propuseram, assim, uma reinterpretação radical da Bíblia partindo da ótica delas. Propuseram também que as mulheres aprendessem a examinar as leituras feitas na ótica patriarcal e a impugnar qualquer interpretação distorcida pelo machismo. De acordo com elas, a interpretação tradicional da Bíblia sempre foi masculina pois o masculino era tido como universal. Hoje, essa leitura ideológica incomodava muitas mulheres e homens nas igrejas.

Elas passaram ainda a defender a publicação de versões bíblicas onde o elemento masculino fosse tirado da linguagem. Estas versões, chamadas de “linguagem inclusiva” não deveriam mais se referir  a Deus como Pai e deveriam chamar Jesus de “a criança de Deus” em vez de Filho de Deus. Já existem dezenas de versões bíblicas assim no mercado mundial. Algumas feministas ainda mais radicais declararam que a Bíblia não é confiável e que as histórias das mulheres de hoje precisam ser adicionadas ao cânon da Bíblia.

Reinterpretação do Cristianismo

Como resultado desta nova leitura da Bíblia, orientada contra todo elemento masculino e contra o patriarcalismo, as feministas propuseram uma reforma radical no Cristianismo tradicional. A ordenação de mulheres é apenas um pequeno aspecto deste projeto. Na concepção delas, a verdadeira religião deve conter elementos que reflitam o poder e a cooperação das mulheres, cuja principal característica é gerar a vida. Assim, mui naturalmente, as feministas adotaram e “cristianizaram” os antigos cultos pagãos da fertilidade, que celebram os ciclos da natureza, as estações do ano, a fertilidade da terra, as colheitas e a geração da vida. Os cultos seguem temas litúrgicos relacionados com as estações do ano. Este novo Cristianismo feminino entende que a mulher é mais apta que o homem para estabelecer e conduzir a religião, pois enquanto o homem, guerreiro, mata e tira a vida, a mulher gera a vida. Aquela que conduz a vida dentro de si é mais adequada para definir a religião e conduzir seus cultos.

Reinterpretação de Deus

O passo mais ousado dado pelo movimento feminista cristão radical foi a "reinvenção de Deus". Mais de 800 feministas, gays e lésbicas do mundo inteiro reuniram-se nos Estados Unidos em 1998 num Congresso chamado Reimaginando Deus. Os participantes chegaram a conclusões tremendas: o verdadeiro deus de Israel era uma deusa chamada Sofia, que os autores masculinos transformaram no deus masculino Javé, homem de guerra. Jesus Cristo não era Deus, mas era a encarnação desta deusa Sofia, que é a personificação da sabedoria feminina. Esta deusa pode ser encontrada dentro de qualquer mulher e é identificada com o ego feminino (na foto, capa de livro publicado sobre o assunto). No Congresso celebraram uma “Ceia” onde o pão e o vinho foram substituídos por leite e mel, e conclamaram as igrejas tradicionais a pedir perdão por terem se referido a Deus sempre no masculino. Amaldiçoaram os que são contra o aborto e abençoaram os que defendem os gays e as lésbicas.

Conclusão

A leitura das origens e desenvolvimentos do movimento feminista, tanto o secular quanto o cristão, deixa claro que a ordenação de mulheres ao ministério é apenas um item da agenda muito mais ampla dos feministas radicais dentro da igreja cristã.

É claro que nem todos os que defendem a ordenação de mulheres concordam com tudo que se contém na agenda do movimento feminista cristão. É preciso deixar isto muito claro. Conheço pessoalmente diversos irmãos preciosos que são a favor da ordenação de mulheres ao pastorado mas que repudiam as demais teses do movimento feminista radical. O que estou descrevendo aqui principalmente é a postura dos radicais dentro do feminismo evangélico.

Entretanto, não se pode deixar de notar a semelhança notável entre muitos dos argumentos usados para defender a ordenação feminina e aqueles empregados na defesa do homossexualismo nas igrejas, das versões feministas da Bíblia e mesmo da reinvenção de Deus e do Cristianismo.

[Este artigo é reprodução da primeira parte de um Caderno sobre Ordenação Feminina que publiquei algum tempo atrás, que por sua vez utilizou a pesquisa histórica da tese de mestrado do Rev. Ludgero Morais sobre o tema.]

18 comentários:

Jairo Rivaldo disse...

Pra muitos esse é um tema polêmico(a ordenação feminina), mas pra quem acredita na inspiração da Escritura esse é um assunto resolvido, ainda que as mulheres tenham desempenhado e ainda despenhem um papel importantíssimo na historia da Igreja, nada é dito a respeito de um papel primordial e de liderança da mulher no lar ou na igreja, muito pelo contrário. Como bem observou o Rev. pra que isso aconteça é necessário uma "reinterpretação" das Escrituras, de Deus e da História do Cristianismo, o que não pode acontecer sem uma distorção e deformação do Cristianismo bíblico.

Ba disse...

A busca da igualdade de tratamento entre homens e mulheres é válida e bíblica. No entanto, o principal erro do movimento feminista é o de afirmar que homens e mulheres são iguais. São equivalentes, complementares, mas não iguais. Ora, se o único fator condicionante da diferença entre homens e mulheres fosse o tratamento social, então as relações afetivas heterossexuais não precisariam ser o padrão bíblico. Deus criou homem e mulher para se complementarem no relacionamento conjugal, exatamente por serem constituídos de forma diferente. Para um entendimento melhor das diferenças entre os gêneros, vale a pena ler "O Resgate do Feminino", livro excelente de Isabelle Ludovico.

Agora, vale lembrar que o termo "auxiliadora" usado por Deus na criação da mulher é o mesmo termo em hebraico usado em outras ocasiões para se referir a Deus ajudando o homem, de tal forma que não traz conotação alguma de inferioridade. Da mesma forma, em Gálatas lemos que em Cristo não há livre ou escravo, homem ou mulher.

Portanto, o principal ponto de conflito (o único válido, na minha opinião), consiste nos ensinamentos de Paulo acerca das mulheres na Igreja. Como li em um comentário bíblico recentemente, não somos sinceros se dizemos que seguimos completamente as orientações de Paulo nessa matéria. Que diremos do uso de véu ou do silêncio feminino na igreja? Com base em que critérios foi definido que esses pontos são culturais nas cartas de Paulo? Lembremos que as razões apontadas por ele para o uso de véu, por exemplo, nada têm de culturais.

Essa questão tem me intrigado profundamente desde que ouvi o depoimento uma mulher que se afastou do cristianismo por conta de uma interpretação errônea da posição feminina.

Oro para que Deus me dê entendimento desse assunto, e não a interpretação que mais me convém como mulher.

roneyleao disse...

Rev. Augustus Nicodemus, esse é um daqueles temas bíblicos que não dá pra ficar em cima do muro e achar que jogar pra galera fica tudo bem. Ao colocar nos devidos termos uma análise como essa, não tenho dúvida que a gordura separa da carne e a gritaria já se faz ouvir pelos descontentes com certas passagens da Escritura. É claro que é capaz de discernir tudo, pois é sua natureza. Obrigado pastor Augustus pelas palavras augustas.
Roney s Leão

Breno Silveira disse...

Irmãos, vejo toda essa discussão e percebo que na verdade não há uma busca clara pela verdade e sim a gana de alcançar status e posição; a busca é pelo "governo" na igreja.

Pelo que recebi até aqui do Senhor, não creio que as irmãs devam ser ordenadas a "pastoras", mas ressalto que isso não é o que as mulheres deveriam estar reivindicando! Creio que melhor seria: mais foco na continuidade do ministério de ajuda ao perdido do que travar profundas batalhas teológicas sem fim.

O movimento feminista se perdeu em seus valores e com isto se tronou um tapa olho para as irmãs que legitimamente buscavam respeito e apoio em suas causas.

Essa polêmica não se encerra aqui, ainda haverão muitas discussões a respeito desse tema; mas uma coisa peço: Nunca deixemos de observar as Escrituras e o amor para com o outro ao defender seu ponto de vista.

Em Cristo.

Aprendiz disse...

Reverendo Nicodemus

Veja este importantíssimo testemunho de alguém que viu de perto a "benção de Toronto":

http://www.teologiapentecostal.com/2011/12/o-cair-no-espirito-e-o-arrependimento.html

Sidival Martins disse...

A paz do Senhor Jesus rev. Nicodemus.
Meditando sobre esse assunto tão claro à visão de Paulo, apóstolo do Senhor Jesus, e um dos maiores teólogo e expositor da Palavra de Deus, me sinto bem a vontade em dizer:
Concordo em gênero, numero, e grau na ordenação de mulher para o ministério.
Desde que se faça uma pequena observação: Quando acabarem todos os homens da terra.
E quero dizer que amo a minha mulher, e a tenho em alta estima, não a vejo inferior a mim de maneira alguma, pois é minha ajudadora, mais ministério Deus deu ao homem, e disso daremos conta.
Como disse Paulo na primeira epístola aos corintios capítulo 14 vers.37,38 Se alguém julga ser profeta ou espiritual, reconheça que as coisas que eu vos escrevo são mandamentos do Senhor. Mas, se alguém ignora isso, que ignore.
Paulo disse (Mandamento do Senhor).
Sejam obedientes aos nossos pais, Deus aprovou, e abençoou o modelo, não queiram remover os marcos antigos.

Alessandro disse...

Caro Reverendo,


Sou Cristão pentecostal de tradição assembleiana, fui ensinado aos pés de homens de poucas instruções acadêmicas mas que a compensavam com seu zelo e piedade pela palavra de Deus. Estou chegando aos trinta anos de vida e tenho visto que muitas das posições que antes era defendida aguerridamente, hoje tem sido abandonados muito facilmente, e o primeiro e principal motivo para o abandono e negligência de temas e princípios bíblicos como esse, é o relativismo bíblico que o senhor vem denunciando. Fico feliz de ver alguém como o senhor que apesar do vasto currículo não deixou seduzir-se por essa praga perniciosa, que acomete a muitos sábios segundo o mundo.

Fico triste de ver hoje em dia que mesmo em nossas (minha) fileiras pentecostais tradicionais, já existe um movimento nessa direção (ordenação feminina), que a despeito de todas as evidências Bíblicas mostrarem o contrário, insistem em pôr as mulheres em posições dentro da igreja que cabe e compete única e exclusivamente aos homens, e isso não é porque queremos e sim porque está escrito assim.


E o símbolo dessa rebelião é a figura de Maria de Magdala segundo a visão gnóstica, que afirma ser ela a principal ''apóstola''e isso não é nenhuma coincidência.


E é nítido as semelhanças entre as reivindicações feministas e as reivindicações homossexuais.

Parabéns por ser uma das poucas vozes a se manifestar sobre o tema.

Zaqueu disse...

Muito bem-vindo e pertinente post!

Compreender a história é fundamental para entender as incursões feministas dentro da Igreja de hoje. E essas incursões são às vezes sutis e aparentemente inofensivas e bem-intencionadas, mas na verdade escondem toda uma estratégia de satanás para misturar Igreja e mundo, distorcendo a Palavra de Deus.

Para nossa alegria temos a segurança garantia dada pelo Senhor Jesus de as portas do inferno não prevalecerão contra a Igreja. A Noiva do Cordeiro é indestrutível! Soli Deo Gloria!

Casal 20 disse...

Rev. Augustus, ainda que nem todos comprem a agenda completa, a ordenação feminina não deixa de ser um item dessa agenda. Maravilhoso e vasto o seu post. Oro para que muitos irmãos alcancem esse texto e reflitam sobre o mundo que nos submerge.

Abraços smpre afetuosos.

Fábio.

carlos disse...

Gostaria de contribuir em seu post Reverendo,se o senhor permite.
Aqui cito alguns livros que possuo,a respeito do assunto:

Homens,Mulheres e Autoridade(ed.PES)

Homem e Mulher(seu papel bíblico no lar,na igreja e na sociedade.ed.FIEL)

O feminismo evangélico(um novo caminho para o liberalismo.Cultura Cristã)

Mulheres no Ministério(Quatro opiniões sobre o papel da mulher na Igreja.Mundo Cristão)

As Mulheres lideram Melhor.(A Liderança da Mulher na Igreja. ed.VIDA)

Mulheres Liberdade e Calvino(Didaquê)

Vestidas para o ministério (ed VIDA)

Mulheres na Igreja(Teologia Bíblica para mulheres no ministério. Candeia)

Ministério da Mulher na Igreja(Edições Loyola)

Por que não elas?(Editora Betânia)

aí está alguns livros que tenho em português,que achei nas livrarias.Talvez possa ajudar os irmãos em suas bibliografias.

Edinei Siqueira disse...

Gostaria de acrescentar a lista de livros sobre ordenação feminina com estes dois títulos:

O papel da mulher
Neil R. Lightfoot
Ed. Vida Cristã

Ministério feminino na igreja local
J. Ligon Duncan e Susan Hunt
Ed. Cultura cristã

Ordenação de mulheres - o que dia o Novo Testamento?
Augustus Nicodemus Lopes
Ed. Cultura cristã

Pb. Edinei, Th.B

Cristiano Pereira de Magalhães disse...

Rev. Augustus,

Ignorava que o problema é tão grande!
Há anos atrás, congregava em outra denominação, que aceita a ordenação feminina. Por absoluta ignorância, achava estranho as oficiais mulheres, mas não era contra, nem a favor. Achava que se tratava de uma catilinária, uma discussão menor e sem sentido.
Posteriormente, quando mudei para a IPB, li um artigo seu a respeito do tema (um que ficava disponível na página da IPB) e mudei meu posicionamento. Hoje, inclusive, percebo que as Igrejas que defendem a ordenação feminina, na sua maioria, estão definhando...
Não tinha noção da relação de proximidade entre as feministas e o pessoal "gls", concordo que faz todo sentido. Uniram-se contra o inimigo comum! Na realidade, é mais uma consequência do liberalismo teológico...
O feminismo é um movimento que trouxe coisas boas, pois ninguém há de concordar com a opressão que se fazia no passado às mulheres. Contudo, pare por aí!
DEUS fez o homem e a mulher. Cada um tem seu papel. Há certas atividades que naturalmente as mulheres desenvolvem melhor e outras, o homem. Exemplo: o homem babá pode até existir, assim como a mulher pedreira. Concordem comigo, não é natural! Há atividades que os dois desenvolvem com uma desenvoltura parecida ou semelhante (por exemplo - profissões liberais - médico, advogado e engenheiro).
Não tenho dúvidas que apesar dos avanços quem mais perdeu com o feminismo foram as mulheres: passaram a ter dupla jornada, morrem mais cedo (stress) e, agora, correm o risco de pagar pensão aos ex-maridos!
Por fim, depois de meditar sobre o tema "ordenação feminina", concluo com o seguinte: é óbvio que as mulheres têm capacidade para pregar, ensinar e exercer autoridade. Mas, não lhes compete! É uma simples questão de obediência à Palavra de DEUS. Se consta lá, quem sou eu para questionar??
A bênção vem pela obediência...
Um abraço!

Cristiano Pereira de Magalhães

Daladier Lima disse...

Prezado Pr. Augustus,

Já divergimos outra vez sobre o assunto. A tônica é a seguinte: se vamos proibir biblicamente, façamos como lá está, negando qualquer tipo de voz às mesmas, no púlpito ou fora dele. O problema é que as mulheres ensinam, pregam e cantam nas igrejas evangélicas do Brasil todo, muito antes do Movimento Feminista. Para essa permissão não há link histórico, só há para a ordenação? Ah! Bom. Se passa um boi, passa a boiada. Ou haja óleo de peroba!

Augustus Nicodemus Lopes disse...

Daladier,

Creio que o amigo está errado em não perceber que entre proibir totalmente e permitir totalmente existe o permitir em parte e proibir em parte.

Não creio que a Bíblia proiba totalmente que as mulheres falem e ensinem. A proibição é apenas em parte, ou seja, que elas o façam no exercício na autoridade eclesiástica, própria do homem cristão qualificado. Elas podem falar, sim, ensinar, orar, dar estudos. O que não podem, segundo entendo, é ser empossadas dos ofícios que acarretam autoridade sobre o homem, que são presbíteros e pastores (ou diáconos, dependendo de como se entende o diaconato).

O argumento de que as mulheres ensinam, pregam e cantam nas igrejas evangélicas do Brasil antes do movimento feminista é fraco; pois elas faziam isto no mundo todo e não somente no Brasil. A questão verdadeira é esta: havia pastoras e presbíteras exercendo autoridade nas igrejas históricas desde a época dos apóstolos?

"Se passa um boi, passa uma boiada" é sabedoria humana. A pergunta é se podemos sustentar este tipo de sabedoria popular à luz do ensino bíblico.

Fico com o equilíbrio da Bíblia.

Feliz 2012.

Jocksan Soares disse...

quem tem ouvidos... ouça!!!bom demais!!!

Ivan Figueiredo disse...

Bom dia, Reverendo.


Excelente poste! Eu li recentemente os artigos publicados pelo Sr., cujo tema é o mesmo, no qual ele é bem destrinchado. Todavia percebi uma coisa, posso estar enganado, o Sr. dá bastante enfase aos ofícios de Pastor e, Presbítero. Qual o seu posicionamento Rev. sobre o Diácono, este ofício pode ser considerado oficial? O Rev. João Paulo Thomaz de Aquino, no seu artigo "A GÊNESE DO OFÍCIO DIACONAL?" defende um ofício ordenado, como aqueles mencionados acima, devido a solenidade da reunião de atos 6.1-7. Devemos assumir uma postura conservadora no tocante as "Diaconisas", ou podemos aceita-lá, devido ao uso genérico da palavra grega diácono.


Grande abraço!

Lindalva Cordeiro disse...

Concordo com Daladier, vamos parar com essa hipocrisia, se é para seguir as palavras de Paulo, então, precisa ser à risca, mulheres não poderiam nem cantar, nem abrir a boca para um simples recado, inclusive, deveriam se comunicar por gestos. Como isso seria ridículo, percebemos quanto essas palavras do apóstolo remontam para um período que mulher não tinha voz, nem vez, sendo considerada inclusive inferior a animais domésticos. Parem com essas meias medidas ou tudo ou nada. O que não dá é m pleno século XXI, uma pessoa desprestigiar um ser humano, simplesmente por ele ser mulher, isso chega a ser cruel.

Thyago disse...

Seguir as palavras de Paulo é isso mesmo, Lindalva Cordeiro???

Só me pergunto a que "palavras" você se refere e a que "Paulo"? Até me pergunto se você faz alusão a Bíblia ou a "ensino" de terceiros sobre ela! Pois mais do que qualquer um o apóstolo Paulo, na verdade, resgata a dignidade da mulher.