segunda-feira, fevereiro 20, 2012

Por Que Seminaristas Costumam Perder a Fé durante os estudos Teológicos?

Não quero dizer que acontece com todos. Mas, acontece com muitos. Conheço vários casos, inclusive próximos a mim, de jovens cristãos fervorosos, dedicados, crentes, compromissados com Deus, que gostavam de orar e ler a Biblia, que evangelizavam em tempo e fora de tempo, e que depois de entrar no seminário ou faculdade de teologia, esfriaram na fé, se tornaram confusos, críticos, incertos e até cínicos. Como Tomé, não conseguem crer (espero que ao final venham a crer, como graciosamente aconteceu com Tomé).

E isso pode acontecer até mesmo em seminários cujos professores são conservadores, que acreditam na Bíblia de capa a capa. Esse quase foi o meu caso. Após minha conversão em 1977, depois de uma vida desregrada e dissoluta, dediquei-me à pregação do Evangelho e a plantar igrejas. Larguei meu curso de Desenho Industrial na Universidade Federal de Pernambuco e fui trabalhar como obreiro no litoral de Olinda, pregando a uma comunidade de pescadores, depois no interior de Pernambuco entre plantadores de cana e finalmente entre viciados em droga em Recife. Todos me aconselhavam a fazer o curso de seminário e a me tornar pastor. Eu resistia, pois tinha receio de que quatro anos em um seminário iriam esfriar o meu ânimo, meu zelo, minha paixão pelas almas perdidas. Eu conhecia vários seminaristas e não tinha a menor intenção de me tornar como eles. Finalmente cedi. Entrei no seminário aos 24 anos de idade, provavelmente como um dos mais relutantes candidatos ao ministério que passara por aquelas portas. Tive professores muito abençoados que me ensinaram teologia, Bíblia, história, aconselhamento. Eram todos, sem exceção, homens de Deus, comprometidos com a infalibilidade das Escrituras e com a teologia reformada.

Tenho tenho que confessar, porém, que nesse período, esfriei bastante. Perdi em parte aquele zelo evangelístico, a prática de dedicar várias horas diárias para ler a Bíblia e orar. O contato com a história da Igreja, a história das doutrinas, as controvérsias, afora a carga tremenda de leituras e trabalhos a serem feitos, tudo isso teve impacto na minha vida devocional. Pela graça de Deus, durante esse período me mantive ligado ao trabalho evangelístico, à pregação. Mantive-me em comunhão com outros colegas que também amavam o Senhor e juntos orávamos, discutíamos, compartilhávamos nossas angústias, alegrias, dificuldades e planos futuros. Saí do seminário arranhado.

Infelizmente esse não é o caso de muitos. Se o Mauro Meister quisesse, ele poderia dar testemunho aqui de como quase perdeu a fé em Deus e na Palavra quando entrou no seminário da denominação à qual ele pertencia antes de ser presbiteriano. Ele teve que tomar uma decisão: ficar e perder a fé, ou sair. Preferiu sair -- pelo que todos nós somos gratos! -- e fazer outro seminário. Além desses dois casos que eu mencionei, conheço vários outros de seminaristas, estudantes de teologia, que perderam a fé, o zelo, o fervor, a confiança, e que saíram do seminário totalmente diferentes daqueles jovens entusiasmados, evangelistas, que um dia entraram na sala de aula ansiosos por aprender mais de Deus e da sua Palavra.

Existem algumas razões pelas quais essa história tem se tornado cada vez mais comum. Coloco aqui as que considero mais relevantes, sempre lembrando que muitos seminários e escolas de teologia levam muito a sério a questão da ortodoxia bíblica e do cultivo da vida espiritual de seus alunos. Não é a eles a que me refiro aqui.

1) Acho que tudo começa quando as denominações mandam para os seminários e faculdades de teologia jovens que não têm absolutamente a menor condição de serem pastores, professores, obreiros e pregadores. Muitos são enviados sem qualquer preparo intelectual, espiritual e emocional. Alguns mal fizeram 17 anos e foram enviados simplesmente porque eram líderes destacados dos adolescentes de sua igreja, eram líderes do grupo de louvor ou filhos de pessoas influentes da igreja. Não é sem razão que Paulo orienta que o líder não pode ser neófito, isto é, novo na fé (1Tim 3.6). Eles não têm a menor estrutura intelectual, bíblica e emocional para interagir criticamente com os livros dos liberais e com os professores liberais que vão encontrar aos montes em algumas das instituições para onde serão mandados. Não estarão inoculados preventivamente contra o veneno que professores liberais costumam destilar em sala de aula. E nem têm ainda maturidade para estudar teologia como se fosse uma disciplina qualquer, até mesmo quando ensinada por professores conservadores que mal oram em sala de aula.

2) Acho também que a culpa é das denominações que mantêm professores liberais ou conservadores frios espiritualmente nas cátedras de suas escolas de teologia. O que um professor que não acredita em Deus, nem que a Bíblia é a Palavra de Deus, não ora, tem para ensinar a jovens que estão na sala de aula para aprender mais de Deus e de sua Palavra? Há seminários e escolas de teologia que mantêm no corpo docente professores que nem vão mais à uma igreja local, que usam o título de pastor apenas para ocupar uma vaga na cátedra dos seminários. Nunca levaram ninguém a Cristo e nem estão interessados nisso. Não têm vida de oração, de piedade. Que exemplo eles poderão dar aos jovens que sentam nas salas de aula com a mente aberta, ansiosos e desejosos de ter modelos, exemplos de líderes para começar seus próprios ministérios?

3) Alguns desses professores têm como alvo pessoal destruir a fé de todos os seus estudantes antes mesmo que terminem o primeiro ano de estudos. Começam desconstruindo o conceito de que a Bíblia é a infalível e inspirada Palavra de Deus. Com grandes demonstrações de sapiência e erudição, eles mostram os erros da Bíblia e o engano da Igreja Cristã, influenciada pela filosofia grega, em elaborar doutrinas como a Trindade, a Divindade de Cristo, a Expiação. Mesmo sem usar linguagem direta -- alguns usam, todavia -- lançam dúvidas sobre a ressurreição literal de Cristo de entre os mortos. A pá de cal na sepultura da fé desses meninos é a vida desses professores. Além de não terem vida devocional alguma, alguns deles ensinam os seus pobres alunos a beber, fumar e freqüentar baladas e outros locais. Eles até lideram o grupo Noé (que se encheu de vinho) e o grupo Isaías ("e a casa se encheu de fumo") nos seminários!!

4) Bom, acredito que uma fé que pode ser destruída deve ser destruída mesmo, pois não era autêntica e nem sólida. Quanto mais cedo ela for destruída e substituída por uma fé robusta, enraizada na Palavra de Deus, melhor. Acontece que os professores liberais e os professores conservadores mortos só sabem destruir; eles não têm a menor idéia de como ajudar jovens candidatos ao ministério pastoral a cultivar uma mente educada, uma fé robusta e uma vida de devoção e consagração a Deus: os primeiros, porque lhes falta fé; os segundos, devoção. Ao fim de quatro anos de estudo com professores assim, vários desses jovens saem para serem pastores, mas intimamente -- alguns, abertamente -- estão cheios de dúvidas quanto à Bíblia, quanto a Deus e quanto às principais doutrinas da fé cristã. Estão confusos teologicamente, incertos doutrinariamente e cínicos devocionalmente. Quando entraram nos estudos teológicos, eram jovens que tinham como a missão principal de sua vida pregar o Evangelho, glorificar a Deus e ganhar o mundo para Cristo. Agora, após quatro anos debaixo de professores liberais ou conservadores mortos, seu único alvo é conseguir campo para ganhar o pão de cada dia e sustentar-se e à família. Esse tipo de motivação destrói igrejas em curto espaço de tempo.

5) Não podemos deixar de lembrar que ao final, se trata de uma guerra espiritual feroz, em que Satanás tenta de todos os modos corromper a singeleza e sinceridade da fé em Cristo, atacando a mente e o coração dos futuros pastores (2Cor 11:3). Usando professores sem fé e professores sem vida espiritual, ele procura minar as convicções, a certeza, o fervor e a dedicação dos jovens que se preparam para o ministério. Aqui é pertinente o lema de Calvino, orare et labutare. Pela oração, os seminaristas poderão escapar da tendência dos estudos teológicos de transformar nossa fé em um esquema doutrinário seco. E pela labuta nos estudos poderão se livrar das mentiras dos professores liberais, neo-ortodoxos, libertinos e marxistas.

Eu daria as seguintes sugestões a quem pensa em fazer teologia e depois seguir a carreira pastoral.
  • Verifique suas motivações. O que lhe leva a desejar o pastorado? Muitos querem ser pastores porque não conseguem ser mais nada na vida. Não conseguem passar no vestibular para outras carreiras e nem conseguem emprego. Vêem o pastorado como um caminho fácil para ter um emprego.
  • Procure saber qual a opinião de seus pais, de seus pastores, e de seus amigos mais chegados, que terão coragem de lhe dizer a verdade.
  • Seja honesto consigo mesmo e responda: você já levou alguém a Cristo? Você tem liderança? Você tem facilidade de comunicação em público e em particular?
  • Você tem uma vida devocional firme, constante, sólida, em que lê a Bíblia e ora, buscando a face de Deus, com zelo e fervor? Cultiva uma vida santa e reta diante de Deus, odeia o pecado e almeja ser mais e mais santo em seu caminhar?
Um colega de seminário me lembrou recentemente que uma das coisas que o impediram de perder a fé e o fervor durante o tempo de estudos foi que ele tenazmente se aproximou dos professores conservadores que eram espirituais, dedicados, fervorosos, que valorizavam a vida com Deus e a santidade. A comunhão com esses homens de Deus foi um refrigério para ele, e funcionou como uma âncora nos momentos de tentação e crise.

Lamento pelos jovens que perdem sua fé ou seu amor a Deus durante os anos de estudos teológicos. Lamento mais ainda pelas igrejas onde eles vão trabalhar e onde plantarão as mesmas sementes de incredulidade e frieza que foram semeadas em sua mentes abertas e despreparadas por professores que não tinham fé ou não tinham zelo.

29 comentários:

Unknown disse...

Augustus,

Como sempre muito bom os comentários do blog, incluindo os teus.

Espero encontrar seminários assim quando for estudar teologia de fato. Mas até lá consultarei pessoas que considero ter respostas que me ajudarão nesse sentido, aos quais incluo você.

Em relação ao artigo, seria possível tecer algum comentário sobre os cristãos que perdem a fé ao ingressarem em faculdades seculares com cursos que desafiam as verdades bíblicas, como os tecnológicos e humanos?

Paz de Cristo!

Sandro Santos disse...

IRRETOCÁVEL!

Deus continue abençoando sua vida, família e ministério!

Ricardo Moura Lopes Coelho disse...

Meu irmão, e sempre meu mestra em Cristo,

quero concordar com suas palavras. Vi alguns desses problemas no JMC, ainda que não tínhamos problemas com professores liberais, porém, com alguns não muito entusiasmados com o evangelho (à maneira deles sei que amam a Cristo, porém, não demonstravam as coisas como se esperava).

Mas outro fator que, graças a Deus, tem mudado, é o enfoque totalmente acadêmico e teológico sem nenhuma dedicação à evangelização e missões de modo prático. Penso que o seminário tem de assumir um papel discipulador sobre seus alunos, de modo que, não só o conteúdo seja transmitido, mas a vida prática e na prática seja demonstrada.

Penso ainda, que à medida que o estudo se aprofunda e a realidade do ministério pastoral se torna mais evidente ao candidato, há a decepção de que ser pastor não é bem aquilo que se esperava. Infelizmente, a igreja coloca sobre o pastor muito de sua administração, desviando a atenção da questões centrais do pastorado.

Penso que o fato de nos aprofundarmos na teologia e lidarmos tanto com a Bíblia parece torna-la mais comum. Parece absurda a ideia de que se nos aprofundamos nas Escrituras ela se tornam menos especiais para nós, porém, temo que o fato de que no seminário lemos mais a Bíblia para entregar trabalhos do que para termos nosso tempo com Deus, dirija as coisas nesse sentido.

Agora, algo que realmente vi como forte fator de esfriamento, é o fato de que todos ali são iguais. Quando vemos que não somos líderes no seminário, como éramos nas igrejas que nos enviaram para lá; quando percebemos que todos são aqueles rapazes e obreiros dedicados de suas igrejas e que não somos mais especiais, perdemos a noção de responsabilidade que nossas igrejas costumavam cobrar. Isso nos faz baixar a guarda.

Desculpe se muito escrevi, mas é que o assunto sempre me chamou a atenção. Pessoalmente, hoje sou muito menos evangelístico do que antes, quando semanalmente ia à rodoviária de Brasília para evangelizar. Não sinto, no entanto, que minha fé tenha esfriado, pois creio, amo e me vejo muito mais confiante em Deus com o que aprendi no seminário. Mas, certamente, o que lá aprendi alterou minha fé e acho que não gostei de todas as mudanças, ainda que tenha gostado da esmagadora maioria das mudanças.

Abraço ao irmão que ajudou a fazer alterações em minha fé.

Daniel disse...

Irmão Augustus,

Seminários organizados como universidades de ímpios, com professores que não são verdadeiros ministros... Não me admiro que a situação dos seminários seja essa.

Na verdade os seminários estão levando jovens a apostasia porque estão nas mãos de homens que são manchas no meio da igreja; são nuvens sem água, levadas pelos ventos de uma para outra parte; são como árvores murchas, infrutíferas, duas vezes mortas, desarraigadas. Em suma ÍMPIOS!

Sua aparência de piedade não engana, você mesmo irmão Augustus, neste artigo está tratando dos frutos dessas árvores mortas, e quem conhece os seminários como você?

Acredito sinceramente que o ensino deve estar sob o governo da igreja, dos verdadeiros ministros de Deus, e que esses ímpios devem ser excomungados.

Com relação ao ensino: seria demais pedir que se pregue a Palavra? Ou a Palavra é insuficiente para líderes?

Quanto aos jovens (como eu) que talvez leiam esse comentário: não temam esse professores e suas provas!

Ao Senhor dos Exércitos é que vocês devem considerar santo, a ele é que vocês devem temer, dele é que vocês devem ter pavor. (Isaías 8:13)

Tarcísio Lobo disse...

Pastor, acho que já lhe contei um pouco de minha vida e faço uma pergunta: É possível alguém viver tantos anos como evangelista como eu (mais de 10 anos) e por não ter certeza, não ser mesmo um vocacionado?

o pregador disse...

Rev.
Deus o abençoe pelo "serviço eclesiastico". De fato, muitos irmão vão ao seminário não terem nenhum talento. Nenhum.

estão no seminário só por que pode pagar ou por que a instituição não tem mais o compromisso que seu ilustricimo sogro, Rev. Francisco Leonardo, tinha de pedir a Deus que o ajudasse a ajudar os que de fato tinha vocação e afaztar os que não tinham, do seminário. "em outras palavras obviamente.

Terminei um um Bacharel agora e o que vi de alunos além de perderem seus postulados de fé perderam suas caracteristicas Denominacionais.

A grande dor é que de verdade os jovens estão perdendo o fervor da ação missionária e o zelo pelo serviço pastoral, em todas as sua faces.

Abs

CrerParaVer disse...

É lamentável isso tudo, mas também é lamentável que tenhamos seminários assim. Se temos escola e seminários que deformam, nós é que somos os responsáveis enquanto permanecermos passivos. Poderíamos partir do pressuposto de que somos ortodoxos e reformados e ponto final. A partir disso, construiríamos toda a teologia sem termos que nos aventurarmos a explicar SEMPRE o liberalismo teológico em detalhes e profundidade. Gostei do post. Grande Abraço. Daniel Deusdete do www.jamaisdesista.com.br (aluno do SPB).

Rev Maycon Rodrigues disse...

Caro irmão,

Creio que ou ler seu texto revivi muitas das minhas lembranças do meu período de seminário.
Acredito que os seminários estão repletos de pessoas que são joio e trigo. E jamais haverá em presbitérios, conselhos e nos próprios seminarios 100% de pessoas que estejam lá com as motivações corretas. Alguns professores são tementes a Deus outros estão lá por indicação de seus amigos "fortes" da politica eclesiástica. Creio que devemos ter um cuidado maior no envio de pessoas para os seminários. Esse cuidado deve passar pela visão e acompanhamento de pastores que amem as suas ovelhas e o reino de Deus. Conheço histórias de amigos que ao serem enviados para o seminário seus próprios pastores passaram a tratá-los como concorrentes. Absurdo! Mas, acontece e muito!
São problemas que muitas vezes acontecem já dentros das igrejas e se estendem as outras instituiões a ela ligadas. Oremos, pois precisamos primeiro de pastores convertidos para depois termos professores que sejam condizentes com a função que estão autorizados a exercer.

Clodoaldo Brunet disse...

Comecei num Instituto Bíblico, lá observei que boa parte de meus colegas eram relativamente novos convertidos, outros porém , muito jovens. Foi passada a leitura de um determinado livro de crítica textual. Ora, isso era coisa de seminário. Mas, foi o suficiente para deixar gente confusa. Eu , mesmo não tinha conhecimento suficiente para fazer a crítica do livro, sugiram muitas perguntas, mas, a certeza que vinha dos ensinos desde minha infância permaneciam firmes. A força desses ensinamentso foi bem maoir. Graças a Deus que meus colegas também superaram e estão na seara. A lição para mim é: " Não enviem pessoas neófitas para o ministério". Depois fiz seminário e conheci pessoas comprometidas com a fé reformada. Aquelas perguntas forma respondidas, digo a maioria delas. Agora permanece a fé que me faz descansar e ter a certeza de de que o Senhor me esclarecerá.

Juan de Paula disse...

Texto urgente e necessário para tempos como os nossos.

Conhecia a perda de fé em seminários de persuasão liberal mas com ortodoxos frios não conhecia.

É muito importante orar antes do início da aula, não por motivação farisaica, mas para a consagração ao Senhor.

Uma observação que leva a um debate é o acompanhamento da vida do estudante de teologia. Seja pelo próprio pastor local , ou caso haja omissão deste, algum professor.

Estava a conversar com um amigo ontem sobre o fato de que temos ótimos pregadores, pastores, professores mas perdeu-se a arte de mentorear.

Precisamos de estudantes mentoreador por professores e/ou pastores que mantenham a luz na mente e fogo em seus corações.

João Emiliano Martins Neto disse...

Paz do Senhor Reverendíssimo Pr. Augustus Nicodemus Lopes.

Discordo apenas do grupo Isaías ter sido enumerado pelo sr. como um motivo absoluto para apostasia. Ora, sou tabagista e acho-me um cristão verdadeiro na medida em que ideologias não me ceguem e, sobretudo, graças à fé que julgo que Deus a mim concede, por isso, não vejo como qualquer tipo de fumaça, muito menos a do tabaco, possa tornar um tal grupo como algo de má fama.

Aliás, reverendíssimo, creio que se professores e alunos de escolas cristãs fossem tabagistas e bebessem drinks fermentados e/ou destilados moderadamente, dificilmente seriam burros o bastante para serem liberais, libertinos, conservadores mortos ou marxistas.

Deus o abençoe reverendíssimo e ABRAÇOS!


Ecclesia reformata et semper reformanda est!*

Soli Deo gloria!*

Gustavo Abadie disse...

Prezado Rev.Augustus,

Eu vou um pouco mais longe no compasso da sanfona, mas na mesma linha de Juan de Paula, a experiência do Log College de Gilbert Tennent, etc, não seria um bom modelo de formação para o ministério?
Com um viés mais restauracionista, assim como de tempos em tempos é válido perguntar se as catedrais eram de fato o projeto de Cristo quando falamos em igreja, será que o seminário é um bom modelo de formação pastoral, levando em conta a máxima de que pastor é que gera pastor, no ínterim da vivência da igreja.
Um programa de formação ministerial, baseado no manual feito pela JET, conjugado ao mestrado ou doutorado na área de ministério, claro com a prerrogativa do aluno já ser graduado em algo, não seria mais eficaz?
Enfim, são alguns questionamentos.

Um abraço fraterno,
Gustavo Abadie
Porto Alegre - RS

Pr. Marcio Gil disse...

Amado Nicodemos,
Gostei do seu texto. Com certeza muito apropriado e concordo com as suas observação. Eu poderia acrescentar, e com licença, que uma dos motivos que os seminarista esfriam á falta de estrutura ou apoio devido para encaminhamento dos mesmos ao ministério. Eu mesmo sofri com esta questão. Não perdi os meus posicionamentos bíblicos e luto por eles. Deus te abençoe!

João Emiliano Martins Neto disse...

Caro professor Juan de Paula, PAZ!

Mas, se permite-me a ousadia de discordar do senhor, mas fogo não é no coração, não, mas na língua dos pregadores, professores, alunos, pastores, cristãos como um todo para purificarem, incendiarem, iluminarem, serem ousados, alegres, fortes, confrontarem e aquecerem este mundo para saneá-lo, iluminá-lo, curá-lo, prosperá-lo e, por fim, salvá-lo. Por isso tudo que, em oração certa vez percebi que metaforicamente o Espírito manifestou-se naquele maravilhoso Pentecostes na capital de Israel, em forma de línguas e não de coração incendiado. Mas, a imagem de um coração incendiado é significativamente tocante, também.

Com certeza que nem as escolas cristãs e nem muito menos as igrejas precisam de cristãos seja conservadores mortos com suas línguas mortas, talvez estremecidas e gaguejantes pelo medo ou quiçá podadas por este mundo. A igreja também deve dispensar aqueles malditos liberalóides com suas malditas línguas duplas (cf. Sirácida 28.15 [um livro apócrifo]) de serpentes venenosas.

Bruno Sama disse...

Eu estava esfriando... esta postagem me acordou pra o que estava acontecendo comigo, logo quando eu confessei a cristo eu fiquei muito fervoroso, e depois que entrei pra o seminário teológico, pra aprender mais de cristo, eu fiquei cético quanto a doutrina da minha igreja.. eu fiquei crítico e minava a fé de quem estava proximo a mim, graças a Deus, ele ainda usa homens como o senhor para ajudar esses pequenos como eu, nesse texto o Senhor falou a mim, me direcionou ao caminho certo novamente. Deus seja louvado

Fernando Mendes disse...

Ricardo Moura disse em seu comentário que nos seminários "perdemos a noção de responsabilidade que nossas igrejas costumavam cobrar". É verdade, e suponho que isto acontece principalmente devido a ausência das atividades na igreja. Por outro lado, além desse esvaziamento de responsabilidades o seminarista se sente publicamente rebaixado por professores que se dirigem à classe como se eles próprios fossem de uma casta superior, dando a entender, explicitamente, que o seminarista é só um ignorante que chegou ali com o conteúdo da EBD e um punhado de livros, a maior parte devocionais. Éramos líderes, de repente nos tornamos ignorantes obtusos. Situação horrível!

João Emiliano Neto disse...

Caro irmão Bruno, Reverendíssimo Pr. Augustus Nicodemus Lopes e demais irmãos, o que vocês acham desta minha sugestão para que a teologia protestante se descole do tão decantado e intenso pietismo protestante? Ora, se o filósofo Olavo de Carvalho acerta em dizer que as teologias cristãs ocidentais (romanista e protestante) seguem rigorosamente o método científico, então, por que os seminaristas e professores deveriam ser também devotos para se tornarem bons ministros de Cristo, além de estudantes e professores de Teologia?

Reformado Agronomo e Casado disse...

Prezado Pastor Augustus, seria possivel afastar os ditos professores, tanto os liberais como os conservadores da função de professor de seminario em prol de uma igreja mais fiel? Ou que pelo menos fossem evidenciados como pedras de tropeço para que os alunos previnidos pudessem apenas reter o que fosse bom! De qualquer maneira acredito que isso tudo esteja acontecendo porque estamos proximos da entrada da plenitude dos escolhidos! Sinceramente Frederico Ruegger

Thiago e Teresa disse...

Conheço muitos amigos queridos, que eram atuantes na causa de Deus e que hoje estão perdidos e sofrendo.

Alguns adulteraram e largaram suas famílias e como o senhor relatou aqui hoje bebem e fumam..Fico muito triste em ouvir de suas bocas que não querem mais viver numa hipocrisia..

Deus te abençoe!!

Prega a Palavra disse...

Caro Rev. Augustus conversei neste fim de semana com um rapaz que se formara em um seminário deste naipe que você comentou. O retrato pelo irmão pintado sobre estes corresponde perfeitamente ao que de perto vi e ouvi. Como estudei em um seminário que preservou minha fé, fiquei angustiado ao ver o mal terrível e talvez irreversível desta maldita teologia liberal na vida deste rapaz. Cedo aprendi que uma queda moral é reparável mediante o arrependimento verdadeiro, mas um queda doutrinária parece ser irreversível. Neste rapaz as duas quedas estão presentes e o seminário contribuiu sensivelmente para esta desgraça.

Rev. Hélio O. Silva disse...

Olá Rev. Nicodemus.
Ser exemplo de vida piedosa para os alunos é uma luta!
Temos percebido a vinda de alunos com más intenções também para os nossos seminários e que veem na carreira pastoral apenas um trampolim para a concretização de projetos pessoais. Falam de mestrado, doutorado, mas raramente falam do pastorado como o alvo de suas realizações ministeriais. Para muitos, não somente alguns, aspirações intelectuais sobrepujam suas spirações pastorais.
Mesmo assim, obrigado pelo post. Compartilho da história de lutas e perdas que o seminário trás aos desavisados e que a recuperação das perdasé um novo caminho de treinamento da graça que nunca nos falta da parte do Pai. Grato. abs.

Ricardo Bruno Pereira disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Ricardo Bruno Pereira disse...

Pr. estou seguindo aqui o seu blog... Gostei muito do corpo do texto e do conteúdo também, sou de Campina Grande-PB, onde o senhor esteve há poucos dias atrás...
Se possível siga também meu blog : http://ricardobrunopf.blogspot.com/

Ah Gosto muito de escrever...

Frequento a igreja presbiteriana central daqui da minha cidade. =)

Forte abraço

Ricardo Bruno Pereira

Mizael Andrade Reis disse...

Pr Nicodemos e demais irmãos,

Estudei por quase 2 anos num seminário liberal, até que por fim, Deus me fez perceber que estando lá, conservava uma hipocrisia e uma boa pitada de pragmatismo. Hipocrisia porque estava dentro de uma sala na qual o professor dizia que as Escrituras não eram a palavra de Deus, que Cristo é mais um dos muitos meios pelos quais o homem pode se aproximar de Deus a fim de ser salvo, que Cristo não voltará, etc. Pragmatismo porque num seminário onde a fé engloba muitas "fés", a confessionalidade inexiste e com ela se desvanece o propósito espiritual da preparação da palavra, sobrando apenas, um desejo de ser teólogo para ser reconhecido como tal, não importando o quanto custe, ou seja, o quanto minha fé seja ridicularizada, "eu quero é ser teólogo".

Um de meus professores disse que não lia mais as Escrituras pois não queria perder seu tempo. Outro disse que Jesus só era O Messias devido ao oportunismo dos apóstolos que o fizeram ser reconhecido como tal por meio de seus escritos oportunistas, adequando a "história" de Cristo com as profecias que prediziam aquele que haveria de vir. Lembro-me de uma situação embaraçosa na qual meu colega foi vitima de afronta. Um desses meus professores, o qual é conhecido em todo Brasil, com livros nas principais editoras, argumentava sobre sua "fé" do ponto de vista de seu liberalismo. Foi quando um colega meu estendeu sua mão, e disse discordar do ponto de vista do professor. Ele foi veementemente retrucado pelo professor que sarcasticamente o perguntou: "Que livros você já leu, pra dizer isso", além de outras perguntas dessa estirpe. Graças à Deus aquele jovem saiu do curso. Lembro-me também de quando Ricardo Gondim foi lá, e, por três dias refletiu sobre aquilo que ele chama de fé cristã. No final dos três dias, um amigo meu, candidato à Pastor da Igreja batista, me disse: "Rapaz, minha fé foi ao chão agora, tenho que reconstruí-la do nada, pois não sobrou nada". Ele se tornou liberal.

Muitas foram as experiências que tive nesse seminário(?), do qual sai, não porque temia ser demovido da fé que professava [já estudava o liberalismo à tempo, a titulo de conhecê-lo melhor], e não que essa não seja uma forte razão de sair de tais seminários. É a mais recorrente. Mas, o verdadeiro motivo pelo qual quis sair diz respeito a uma postura, ou seja, é lícito estar num seminário onde a fé a qual sustento, a fé bíblica é ridicularizada, e a despeito disso devendo tolerar tal afronta em razão de estar numa faculdade teológica ambiente no qual tal afronta e questionamento é, não só tolerável como recomendável a fim de enrobustecer as mentes ávidas pelo saber?

Além da postura, também refleti sobre o verdadeiro propósito de um seminário. Os puritanos diziam que os pastores deveriam estar atentos àqueles que apresentassem a vocação ministerial, e se a detectassem neles, deveriam encaminhá-los à preparação pastoral para a qual os seminários tinham sido instituídos. Tal como eles criam, creio que o seminário visa a preparação pastoral a priori, não consistindo num ambiente onde se deva aprender a discutir teologia aprendendo quantas teologias forem possíveis aprender. Num seminário liberal, quanto maior for a diversidade aprendida, mais o teólogo estará preparado como líder. As escrituras dizem o contrário. Devemos reter a sã doutrina que nos foi confiada, pregá-la ardente e exaustivamente, preferindo a alcunha de fanáticos do que a de liberais ou mentes abertas preparadas para um mundo de ideologias abertas, no qual o cristianismo é meramente mais um ismo ao lado dos ismos criados pela criatura.

Que o Senhor nos fortaleça.

Mizael

Unknown disse...

Concordo plenamente com o que dizes. Mas a situação que tenho presenciado em minha cidade são seminaristas descrentes nos seguimentos de uma conduta cristã da qual não é escândalo beber, fumar e/ou frequentar alguns ambientes, visto pela igreja como ambientes profanos.
Indago-me bastante com estas posturas, pois muitos frequentam seminários sérios, possuem professores comprometidos com a palavra de Deus, mas, no entanto, o liberalismo invade a vida destes seminaristas de tal forma que eles próprios proferem não ter problema sentar-se em uma mesa de bar e beber uma "cervejinha".
Lógico que isto é bastante problemático em nossa sociedade, o incentivo e o apoio à bebida alcoólica não deve partir de nós cristãos e, nem tão pouco, de lideranças e seminaristas de nossas igrejas que estão sendo formado para o cumprimento e proclamação da palavra de Deus. Nossas atitudes, inquestionavelmente, devem ser contrárias ao mundo, devemos combater ferozmente estas práticas. Práticas estas que têm destruído muitas famílias e seres humanos, conduzindo-os para o inferno.
Nosso testemunho deve ser, em tudo, fazer Deus reconhecido em nossas vidas. Sabemos que somos falhos e não conseguiremos expressar Deus em todas as nossas atitudes, mas não devemos deixar de desejar e buscar refletir Cristo. Jesus nosso Senhor, portanto, somos servos, e os servos seguem ao seu Senhor.

Ricardo Moura Lopes Coelho disse...

Fernando Mendes,

lendo as coisas da forma como vc colocou, me sinto - tardiamente - ainda mais humilhado, lembrando dos tempos de seminário...rsrs.

Abraço

antonio disse...

Identifiquei-me em parte ao ler essa postagem, pois no ano de 1997 eu tinha um ano de conversão na 3ª Igreja Presbiteriana de Nilópolis ano em que assumiu o ministério dessa Igreja, um pastor jovem do (PENIL) com formação no Seminário de Campinas SP. Esse pastor infelizmente tinha o perfil dessas pessoas citadas como professores, que cá para nós são verdadeiros filhos do cão, que estão no meio de nós. Amado Irmão passei por momentos muitos difíceis na minha vida por causa dos ensinamentos heréticos dessa pessoa que foi ordenada como pastor da IPB. Pessoa muito inteligente para o lado do mal, ao qual me identificou rapidamente como sendo um adversário para ele. Senti-me muito só e confuso diante da situação, pois era novo na fé e meus amigos (irmão da igreja) estavam todos juntos com ele nessa situação, entrei em um dilema muito grande, pensei em sair da igreja Presbiteriana, mas ao mesmo tempo sabia que era lá que Deus queria que eu estivesse, pois mostrou de diversas formas os diversos pontos positivos, e fiéis a sua Palavra, e que também me faria crescer nessa Igreja, contudo não aguentei a pressão sentindo-me fraco e manipulado por falsos ensinamentos e tentei sair para uma comunidade evangélica. Eu era um leitor assíduo das Escrituras Sagradas, e na desobediência de ter saído da presbiteriana, passei a ler as escrituras muito mais, causando-me um efeito autodestrutivo, quanto mais eu lia, mais eu ficava confuso. Não entendia isso porque “como pode isso estar acontecendo se a palavra fala para não se apartar do livro desta lei como está escrito em Josué 1:8: Não se aparte da tua boca o livro desta lei; antes medita nele dia e noite, para que tenhas cuidado de fazer conforme a tudo quanto nele está escrito; porque então farás prosperar o teu caminho, e serás bem sucedido”; E além de outras passagens bíblicas. Analizando agora percebo que eu entrei, me parece que sim, em uma profunda anciedade, onde minha cabeça virou, entrando em parafuso, onde não conseguia mais discernir o certo do errado, sentindo-me do lado do avesso, como se estivesse de olhos vendados sem saber por onde estava pisando, com armadilhas para todos os lados, centímetro a centímetro, porém Deus mostrava estar sempre comigo, também não compreendia esse cuidado de Deus ”Como pode Deus estar comigo nesta situação se eu não leio mais a Sua Palavra?” Continuava não entendendo o que estava acontecendo comigo, pois pensava, mas não conseguia sentir; em um sentido figurado, era como se a vida tivesse perdido o colorido. Por mais ou menos vinte e quatro anos fiquei juntando como se fosse um quebra cabeça toda essa situação. Não quis buscar ajuda psicológica porque não confiava em ninguém, mas Deus foi quem cuidou de mim, que me curou, e que me ensinou muitas lições diante dessa experiência, que me causou muito desespero, porque sabia que essa reconstrução de mim mesmo iria continuar por muito e muito tempo. Aprendi a controlar a ansiedade por mais que visse a vida passar diante de mim e com cobranças e pressões de todos os lados, sem poder dar continuidade aos meus projetos. Não dava um passo se quer sem a permissão de Deus e assim continuo até hoje.
Sei que tudo tem a permissão de Deus, sei também que sou culpado por não ter obedecido a uma ordem de Deus para ficar na Presbiteriana, se bem que, saí só por uma semana, o tempo bastante para causar tamanho estrago, mas sei também que a Igreja de Deus está cheia de pessoas má intencionadas, que estão ali sem amor ao próximo e ao Criador de todas as coisas, para destruir e não para construir; Esses falsos mestres que só pensam em se alto promover, cheios de imoralidades, de intrigas, de ganâncias, de incredulidades, e de heresias, tem que ser retirado do meio do povo de Deus, porque, o que eles estão fazendo ali? Se não a confundir o povo e o colocando sobre alienação, e ou carnalidade.

antonio disse...

Uma pequena correção no erro de dígito: O ano em que começou essa história não foi em 1997, mas sim em 1987.

Thiago Rocha disse...

Prezado reverendo augustus, tenho testemunhado a mudança negativa na vida de alguns amigos que outrora perseverantes na obra e depois de terem adentrados no mundo teológico especialmente na teologia calvinista perderam o vigor espiritual de antes; não estou acusando a teologia e muito menos o calvinismo, mas as consequências desastrosas que podem decorrer desse desvio da conduta cristã,um deles inclusive não vai mais a igreja e não quer ouvir conselhos e afirma que uma vez salvo, salvo para sempre, por isso peço-lhe um conselho sobre como ajudá-los.
Grande abraço