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sábado, abril 12, 2008

Augustus Nicodemus Lopes

Por Que as Igrejas dos Neo-pentecostais Não Cresceram como Eles Gostariam

Por     58 comentários:

Não estou falando dos pentecostais clássicos e dos neo-pentecostais que têm suas próprias denominações e igrejas, as quais, geralmente, são numerosas e grandes. Os neo-pentecostais a que me refiro nesse post são os pastores de igrejas e denominações tradicionais e conservadoras que adotaram idéias e práticas típicas do movimento neo-pentecostal, na expectativa de verem crescer numericamente as igrejas que pastoreiam. Na minha observação, isso não tem acontecido. As igrejas deles permaneceram do mesmo tamanho de antes, ou mostraram um crescimento pequeno, em pouco ou em nada se sobressaindo às igrejas dos pastores conservadores dentro da denominação

Eu não sei quantos deles existem nas denominações históricas, como a presbiteriana, luterana, metodista, episcopal e batista, por exemplo. Acredito que são muitos. Eles permanecem filiados a essas denominações, estão ligados aos seus concílios, mas abraçam idéias e práticas dos neo-pentecostais, as quais são geralmente distintas daquelas que suas denominações, pelo menos oficialmente, aceitam. Como eu sou presbiteriano, vou me concentrar especificamente na minha própria denominação.

Acredito que alguns deles, quando entraram em igrejas presbiterianas, já tinham convicções neo-pentecostais. Por falta de maior cuidado no processo de formação pastoral e na ordenação ou consagração ao ministério da Palavra, eles se tornaram normalmente pastores e obreiros e tão logo assumiram uma igreja passaram à missão de "neo-pentecostalizá-la". Mais uma vez, nada contra os neo-pentecostais. Desde que eles permaneçam em suas próprias denominações e igrejas.

Outros viraram neo-pentecostais já dentro das igrejas históricas movidos pela pressão de fazer sua igreja crescer. A lógica é simples: os neo-pentecostais estão crescendo muito no Brasil. O que eles têm que eu não tenho? Qual a causa desse crescimento? Em que eles acreditam e o que praticam? E a resposta parece simples: batismo com fogo, batalha espiritual, expulsão de demônios, sinais e prodígios, unção com óleo, teologia da prosperidade, danças litúrgicas, coreografias, cultos de descarrego, quebra de maldições, línguas, profecias e visões, e por ai vai.

Assim, muitos pastores, líderes e obreiros presbiterianos e de outras denominações históricas resolveram adotar esse cardápio, ou parte dele, na expectativa de que fazer a sua igreja crescer, exatamente como crescem as igrejas dos neo-pentecostais.

Contudo, salvo melhor juízo da minha parte, as igrejas de pastores neo-pentecostais dentro de denominações históricas e conservadoras, particularmente a presbiteriana, não são muito diferentes em tamanho, força, pujança e alcance do que as outras da mesma denominação. São igrejas que têm, em média, 150 a 300 membros -- como as conservadoras. Conheço pastores presbiterianos que jejuam, profetizam, falam em línguas, dançam, pregam batismo com fogo e teologia da prosperidade, expulsam demônios, quebram maldições e decretam a bênção, mas cujas igrejas são pequenas, exatamente como aquelas dos conservadores de quem falei em outro post. Não chegam nem perto do tamanho das igrejas dos verdadeiros neo-pentecostais que eles querem imitar.


Não quero generalizar. Para ser justo, existem pastores presbiterianos neo-pentecostais que fazem tudo isso e têm, realmente, igrejas grandes. São muito poucos, todavia, e duvido que o tamanho da igreja deles seja resultado da implantação de práticas neo-pentecostais. Parece-me mais fruto do carisma pessoal desses pastores. As igrejas deles cresceriam de qualquer jeito, mesmo se eles fossem conservadores. E mesmo grandes, essas igrejas não são maiores do que a de outros pastores da mesma denominação que são conservadores, com delegação de atividades e que se preocupam com a doutrina e o crescimento espiritual do rebanho.


Creio que existem vários motivos para esse fracasso dos pastores neo-pentecostais dentro das igrejas históricas. Não estou duvidando ou questionando a integridade, santidade e honestidade deles -- somente esse ponto específico do crescimento de suas igrejas.

1) Por causa do treinamento e da teologia conservadora que tiveram nos seminários, não conseguem se liberar totalmente da carga e da herança tradicional e acabam sendo apenas pastores neo-pentecostais meia-boca. Neo-pentecostal mesmo, como o Pr. José Roberto, conhecido como o Zé Galinha do Mato Grosso, tem visão de galinhas falando em línguas e de galo interpretando, usa sal grosso e ramo de arruda, planta bananeira no culto se sentir vontade. Mas, os neo-pentecosterianos não conseguem ir até as últimas conseqüências. E ai vem o problema -- sempre haverá pastores mais neo-pentecostais do que eles, atrás de quem o seu povo vai. Conheço o caso de um pastor desses que introduziu um meio-pentecostalismo em sua igreja, abriu o apetite do povo, e em breve, uma grande parte da igreja saiu para outra igreja, dessa feita neo-pentecostal de verdade, onde o "fogo" e a "unção" eram maiores. No fim, esses pastores não são nem presbiterianos e nem neo-pentecostais, e acabam sem agradar nem a um lado e nem a outro. Suas igrejas permanecem bem menores do que as igrejas neo-pentecostais de verdade e do mesmo tamanho de igrejas conservadoras.


2) Outra razão é que pastores neo-pentecostais dentro das denominações históricas e conservadoras estão sujeitos à supervisão dos concílios. Nas igrejas neo-pentecostais os pastores são líderes incontestes. São apóstolos, bispos, fundadores e donos. Eles podem fazer o que quiserem e não prestam contas a ninguém. Já, por exemplo, os presbiterianos que são neo-pentecostais não têm metade dessa liberdade. Eles têm que dar contas aos demais pastores nos presbitérios e podem ser mandados embora de suas igrejas se exagerarem na dose de neo-pentecostalismo. Apóstolos podem exportar dólares dentro da Bíblia e ainda continuar sendo donos de suas igrejas. Eles podem alegar que passaram a noite batendo papo com Jesus, cara a cara, e ainda permanecerão em sua posição. Eles podem profetizar à vontade sem que nada do que disseram aconteça e fica por isso mesmo. Mas, os neo-pentecosterianos não têm essa imunidade eclesiástica. É por esse motivo que eles, de vez em quando, saem da denominação e fundam comunidades independentes, na tentativa de poderem fazer o que quiserem em termos de neo-pentecostalismo. Pelo que tenho observado, algumas dessas comunidades crescem, outras não. E as que crescem, ainda assim, raramente chegam ao menos perto das igrejas neo-pentecostais.


3) A verdade é que pastores neo-pentecostais dentro de denominações históricas e tradicionais serão sempre uma imitação pobre dos verdadeiros neo-pentecostais e não podem concorrer com eles. Os neo-pentecostais são muito mais experientes e profissionais em encher seus templos e movimentar as massas. Os nossos neo-pentecostais são meros aprendizes. Ao mesmo tempo em que digo isso, preciso ser justo. Com certeza existem pastores neo-pentecostais dentro das denominações históricas que são o que são por convicções pessoais, e não por mero desejo de ver sua igreja crescer. O que eu espero é que a realidade dos fatos (o não crescimento de suas próprias igrejas) produza alguma reflexão quanto a essas convicções.


4) O histórico de divisões, confusão e brigas nas igrejas neo-pentecostais dentro das denominações tradicionais nos aponta para outro fator que impede o crescimento das mesmas. Como os pastores neo-pentecostais estão tentando transformar igrejas que eram tradicionais em igrejas neo-pentecostais, irão encontrar resistência da parte de alguns, líderes e membros, que ainda acreditam que ser conservador é a melhor postura. Aí vêm as brigas internas, as divisões e as confusões, que cobram sempre um pedágio elevado no rol de membros. Muita gente sai dessas igrejas neo-pentecostalizadas por discordarem das novidades que seus pastores estão sempre trazendo, algumas chegando às raias do absurdo.


5) Apesar dos pastores neo-pentecostais jejuarem, orarem noite afora em cima do monte, decretarem o avivamento e a cura dos doentes, serem batizados com fogo, amarrarem e expelirem todos os demônios e Satanás inclusive, na prática, isso faz pouca diferença em suas igrejas. O número continua o mesmo, e a cada domingo é a mesma rotina de sempre. Nada realmente extraordinário acontece. Expelir demônios, dançar, cair no chão todo domingo, acaba virando rotina exatamente como a rotina das igrejas conservadoras. No fundo, muitos neo-pentecostais dentro das igrejas conservadoras lutam contra a cruel realidade dos fatos: não está dando certo, não está funcionando, a igreja não está crescendo. E o que acontece com os outros pastores que não são neo-pentecostais acontece com eles também: adultério, roubo, abuso de poder, e igrejas pequenas. E aí vêm as racionalizações e as justificativas: a culpa é dos conservadores incrédulos dentro da igreja, que impedem o fluir da ação do Espírito. A culpa é da máquina burocrática, da instituição pesada da denominação. Ou então, a culpa é do diabo.


Resta, agora, a inquietante pergunta: por que esses pastores neo-pentecostais ainda permanecem dentro das denominações tradicionais e não se desligam dela? Posso pensar em algumas razões. Quem sabe, gostam do prestígio da estrutura; gostam da auréola da rebeldia; gostam da sensação de superioridade espiritual que os envolve, principalmente quando comparados a alguns conservadores lamentáveis cujas igrejas são realmente minúsculas; se alimentam da organização denominacional – de seus seminários, institutos bíblicos, comissões, etc.; são apegados à propriedade (prédios e terrenos); alguns poucos, talvez permaneçam sinceramente, tentando “converter” a denominação de sua frieza e ênfase em doutrina e teologia. Há certamente ainda outras razões.


Quaisquer que sejam essas razões, a verdade permanece: não funcionou como eles pensavam que funcionaria. No fundo, a causa maior é simples. Neo-pentecostalismo não é sinônimo de verdadeiro avivamento espiritual. Crescimento de igrejas por conversão de pecadores não é como receita de bolo, que basta a gente achar os ingredientes e misturá-los na proporção correta. Há igrejas conservadoras que crescem mais que as neo-pentecostais dentro das denominações históricas. Um pastor presbiteriano pode fazer tudo que os neo-pentecostais fazem e ainda assim poderá não ver sua igreja aumentar de tamanho. Ao contrário, pode inclusive fazê-la diminuir, como tem sido alguns casos, pela divisão. É a Palavra de Deus, anunciada fielmente no poder do Espírito, por pastores e líderes com motivações corretas, que fará a Igreja crescer. Sem isso, poderemos gemer, clamar, decretar e profetizar até o fim do milênio, e a igreja vai continuar minúscula. Inclusive, a dos presbiterianos neo-pentecostais.
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quarta-feira, janeiro 23, 2008

Augustus Nicodemus Lopes

Só Presto Contas a Deus

Por     37 comentários:

Esse é o pensamento do evangélico típico de nossos dias.


Quando fui perguntado recentemente por alguém sobre a maior necessidade da igreja evangélica no Brasil não tive dúvidas em responder que é o exercício da disciplina bíblica. Sei que existem igrejas que disciplinam seus membros e líderes e até cometem abusos nisso. Mas creio que já se tornaram a minoria. Na minha avaliação, a grande maioria das igrejas de todas as denominações não exerce a disciplina eclesiástica sobre seus membros e líderes, ou quando o fazem, o fazem de forma equivocada, arbitrária e sem levar em consideração os ensinamentos das Escrituras sobre o assunto.

Para mim esse assunto é relevante, pois a disciplina da Igreja tem como alvo manter a sua pureza e restaurar os faltosos, e se constitui numa das marcas da verdadeira Igreja de Cristo. Onde os pecados passam impunes, os faltosos não são repreendidos, corrigidos e restaurados, onde os líderes cometem pecados públicos claros e não dão conta a ninguém de seus atos, poderá estar ali a verdadeira Igreja do Senhor, pela qual ele derramou seu sangue precioso, em busca de um povo puro e santo?

Para mim, tudo começa pela absoluta falta de dar conta de seus atos que caracteriza líderes e membros das igrejas. Ninguém se sente devedor a ninguém, senão a Deus – esquecendo que foi o próprio Deus quem instituiu a disciplina eclesiástica como instrumento do seu desejo de manter a Igreja pura e restaurar os caídos. Isso é claro especialmente no caso de líderes que construíram seu império eclesiástico e que não se encontram debaixo de qualquer pessoa ou grupo que poderia corrigi-los e discipliná-los em caso de falta. Pecam impunemente em nome do perdão e da tolerância divina.

As próprias igrejas não exercem a vigilância, o zelo e o cuidado que deveriam para com seus membros faltosos. Preferem ocultar os pecados cometidos ou exercer algum tipo de restrição que mal pode ser reconhecida como disciplina. E os membros – não se sentem obrigados a prestar contas de seus atos às igrejas que freqüentam e portanto, em caso de serem argüidos de seus pecados e erros, não se sujeitam e não acatam qualquer medida corretiva e simplesmente mudam-se para outra igreja.

Na minha opinião, é um estado caótico de coisas, que compromete a imagem dos evangélicos diante do povo, que toma conhecimento do comportamento irregular de líderes e crentes pela mídia. Juntamente com a crise de identidade e doutrinária, a falta de disciplina contribui para o agravamento da situação de UTI em que a igreja evangélica brasileira se encontra.
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segunda-feira, agosto 06, 2007

Augustus Nicodemus Lopes

Dez Motivos pelos quais Pastores Conservadores Costumam ter Igrejas Minúsculas

Por     70 comentários:

Sei que há exceções, mas elas não são muitas. A regra é que, aqui no Brasil, pastores e pregadores mais conservadores e reformados pastoreiam igrejas pequenas, entre 80 a 150 membros. Esse fato é notório e não poucas vezes tem sido usado como crítica contra a doutrina reformada. Se ela é bíblica, boa e correta, porque os seus defensores não conseguem convencer as pessoas disso? Por que suas igrejas são pouco freqüentadas, não têm envolvimento missionário, não evangelizam, não crescem e têm poucos jovens?

Como eu disse, há exceções. Conheço igrejas reformadas que são dinâmicas, crescentes, grandes, evangelizadoras e missionárias. Conheço também outras menores, que crescem não pelo aumento do número de membros na sede, mas pela plantação de outras igrejas. Quando eu digo "igrejas minúsculas" refiro-me não somente ao tamanho, mas à visão, ao envolvimento na evangelização e missões e à diferença que fazem. Tenho em mente as igrejas que se arrastam na rotina de seus trabalhos, ensaios e cultos há dezenas de anos, sempre do mesmo tamanho diminuto, sem que gente nova chegue para fazer a diferença.
Consciente de que há igrejas reformadas grandes e crescentes, mas também consciente das muitas pequenas que não crescem faz muito tempo, em nenhum sentido, eu faria os seguintes comentários nesse post, que bem poderia ser intitulado de "Navalha na Carne":
  1. Infelizmente, ao rejeitar a idéia de que em termos de crescimento de igrejas os números não dizem tudo, muitos de nós, reformados, nos esquecemos de que eles, todavia, dizem alguma coisa. Podemos aceitar que está tudo bem e tudo certo com uma igreja local que cresceu apenas 1% nos últimos anos, crescimento em muito inferior ao crescimento da população brasileira e do crescimento de outras igrejas evangélicas? Especialmente em se tratando de uma igreja em um país onde os evangélicos não são perseguidos pelo Estado e as oportunidades estão escancaradas diante de nós?

  2. Igualmente infeliz é a postura de justificar o tamanho minúsculo com o argumento da soberania de Deus. É evidente que, como reformado, creio que é Deus quem dá o crescimento. Creio, também, que antes de colocar a culpa em Deus, nós, pastores reformados, deveríamos fazer algumas perguntas básicas: nossa igreja está bem localizada? O culto é acolhedor e convidativo? A igreja tem desenvolvido esforços consistentes e freqüentes para ganhar novos membros? A pregação tem como objetivo direto converter pecadores? A pregação é inteligível para algum descrente que por acaso esteja ali? Os membros da igreja estão possuídos de espírito evangelístico? Existe oração na igreja em favor da conversão de pecadores e crescimento do número de membros? Creio que muitos pastores reformados colocam cedo demais a responsabilidade do tamanho de suas igrejas em Deus, antes de fazer o dever de casa.

  3. É triste perceber que, em muitos casos, a soberania de Deus é usada como desculpa para não se fazer absolutamente nada em termos de esforço consciente para ganhar pessoas para Cristo. Que motivos Deus teria para querer que as igrejas reformadas fossem pequenas e que os anos se passem sem que novos membros sejam adicionados pelo batismo? Que motivos secretos levariam o Deus que nos mandou pregar o Evangelho a todo o mundo impedir que as igrejas locais reformadas cresçam em um país livre, onde a pregação é feita em todo lugar e onde outras igrejas evangélicas estão crescendo vertiginosamente? Penso que o problema da naniquice não está em Deus, mas em nós. Ai de nós, porque além de não crescermos, ainda culpamos a Deus por isso!

  4. É verdade que muitas igrejas evangélicas crescem usando estratégias e metodologias questionáveis. Especialmente aquelas da teologia da prosperidade, que atraem as pessoas com promessas de bênçãos materiais e curas que não podem cumprir. Todavia, criticar o tamanho dessas igrejas e apontar seus erros teológicos e metodológicos não nos justifica por termos igrejas minúsculas. O que nos impede de termos igrejas grandes usando os métodos certos?

  5. O problema com muitos de nós, pastores conservadores e reformados, é que não estamos abertos para mudanças e adaptações, nos cultos, nas atitudes e posturas, por menores que sejam, que poderiam dar uma cara mais simpática à igreja. Ser simpático, acolhedor, convidativo, atraente, interessante não é pecado e nem vai contra as confissões reformadas e a tradição puritana. Igrejas sisudas com cultos enfadonhos nunca foram o ideal reformado de igreja. Pastores reformados deveriam estar pensando em como fazer sua igreja crescer, em vez de se resignarem e racionalizarem em suas mentes que ter uma igreja pequena é OK.

  6. Os crentes fiéis que estão nas igrejas já por muitos e muitos anos também precisam de alimento e pastoreio. Que Deus me livre de desprezá-los. Sei que Deus pode chamar alguém para o ministério de consolar e confortar crentes antigos durante anos a fio, igreja pequena após igreja pequena. Mas vejo essa vocação como apenas uma pequena parte do ministério pastoral, quase uma exceção. O que me assusta é ver que essa exceção tem se tornado praticamente a regra no arraial conservador e reformado. Será que Deus predestinou as igrejas conservadoras e reformadas para serem doutrinariamente corretas mas minúsculas, e as outras para crescerem apesar da teologia e metodologia erradas? Será que ele não tem vocacionado os conservadores para serem ganhadores de almas, evangelistas, plantadores de igrejas e expansores do Reino? Será que a vocação padrão do pastor conservador é de ministrar a igrejas minúsculas ano após ano, sem nunca conhecer períodos de refrigério e grande crescimento no número de membros? Será que quando um pastor, que era um evangelista ardente, se torna reformado, sempre vai virar teólogo e professor?

  7. O que mais me assusta é que tem pastores reformados que se orgulham de ter igrejas nanicas! "Muitos são chamados e poucos escolhidos", recitam com satisfação. Orgulham-se de serem do movimento do "esvaziamento bíblico", em vez do "avivamento bíblico"! Dizem: "os verdadeiros crentes são poucos. Prefiro uma igreja pequena de qualidade do que uma enorme cheia de gente interesseira e superficial". Bom, se eu tivesse que escolher entre as duas coisas talvez preferisse a pequena mesmo. Mas, por que tem que ser uma escolha? Não podemos ter igrejas reformadas cheias de gente que está ali pelos motivos certos? Eu sei que a qualidade sempre diminui a quantidade, mas será que tanto assim?

  8. Nós, pastores reformados em geral, temos a tendência de considerar a sã doutrina o foco mais importante da vida da Igreja. Portanto, muitos de nós passam seu ministério inteiro doutrinando e redoutrinando seu povo nos pontos fundamentais da doutrina cristã reformada. Pouca atenção dão para outros pontos igualmente importantes: espiritualidade bíblica, vida de oração, evangelismo consciente e determinado e planejado. Acho que uma coisa não exclui a outra. Aliás, creio que a doutrinação bíblica sempre será evangelística, e que o evangelismo bíblico é sempre doutrinário. "Pregação", disse Spurgeon, "é teologia saindo de lábios quentes".

  9. Alguns pastores reformados ficam tão presos pela doutrina da depravação total que não sabem mais como convidar pecadores a crerem em Jesus Cristo. Temos medo de parecer arminianos se ao final da mensagem convidarmos os pecadores a receberem a Cristo pela fé, ou mesmo se, durante a pregação, pressionarmos as pessoas a tomarem uma decisão. O fantasma de Finney, o presbiteriano criador do sistema de apelos, assombra e atormenta os pregadores reformados, que chegam ao final da mensagem e não sabem como aplicá-la aos pecadores presentes sem parecer que estão fazendo apelação. Ficam com receio de parecerem pentecostais se durante a pregação falarem de forma mais coloquial, falar de forma direta às pessoas, se emocionarem ou ficarem fervorosos, ou mesmo se gesticularem demais e andarem no púlpito. Acho que se os pregadores reformados parecessem mais humanos e naturais, mais à vontade nos púlpitos, despertariam maior interesse das pessoas.
  10. Creio, por fim, que ao reagirem contra os excessos do pentecostalismo quanto ao Espírito Santo, muitos reformados ficaram com receio de orar demais, se emocionar demais, jejuar, fazer noites de vigília, pregar nas praças e ruas e de pedirem a Deus que conceda um grande avivamento espiritual em suas igrejas. Só tem uma coisa da qual os reformados têm mais medo do que parecer arminianos, que é parecer pentecostais. Aí, jogamos fora não somente a água suja da banheira, mas menino e tudo! Acho que se houvesse mais oração e clamor a Deus por um legítimo despertamento espiritual, veríamos a diferença.
Pedi a alguns amigos meus, reformados, que criticassem esse post, antes de publicá-lo. Um deles me escreveu:
"Gostei mesmo. Me irrita o espírito de 'seita sitiada' tão comum em nosso meio [reformado]; a idéia de que a vocação da igreja é defender uma fortaleza. Somos rápidos para criticar, mas tão tardos em propor alternativas".
Acho que ele resumiu muito bem o ponto.
Não tenho respostas prontas nem soluções elaboradas para o nanismo eclesiástico. Todavia, creio que passa por um genuíno quebrantamento espiritual entre os pastores, que nos humilhe diante de Deus, nos leve a sondar nossa vida e ministério, a renovar nossos compromissos pastorais, a buscar a plenitude do Espírito Santo e a buscar a Sua glória acima de tudo.
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