Mostrando postagens com marcador morte. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador morte. Mostrar todas as postagens

terça-feira, outubro 14, 2014

Solano Portela

In Memoriam – Márcio Antonio de Andrade Coelho Gueiros

Morreu meu amigo, meu companheiro de juventude, o irmão de sangue que eu não tive: Márcio Gueiros. Guerreiro, lutador, esposo fiel, pai dedicado, avô derretido, sobretudo, crente firme em Nosso Senhor Jesus Cristo.

Crescemos juntos; ele, uns poucos anos mais velho do que eu. Amizade forjada ao longo de vários anos em várias atividades da Igreja Presbiteriana do Recife. Desfrutei também da amizade e companheirismo de todos os seus muitos irmãos e irmãs e, especialmente, do apreço dos seus pais, hoje igualmente morando com o Senhor. Naquele lar, cheio de vida e que exalava o amor, na Rua Carneiro Vilela, 48, no bairro do Espinheiro, passei muitos fins de semana agradáveis e fui regiamente alimentado em uma mesa que somente não era maior do que o coração dos que estavam ao seu redor.

Todos os jovens daquela casa se destacavam em seus estudos e Márcio era primeiro entre os primeiros, em suas classes. Escolheu a medicina e fez um brilhante curso. Em uma era na qual os médicos eram poucos, muito procurados e bem remunerados, poderia ter ficado rico rapidamente. Em vez disso abraçou a carreira muito mais como um sacerdócio e uma missão – uma extensão de sua fé.

Escolheu a pediatria. Cuidou de incontáveis crianças, entre elas todos os meus quatro filhos. Durante vários anos envolveu-se até o âmago no atendimento de crianças carentes no IMIP (originalmente, Instituto Materno-Infantil de Pernambuco). Ali superou dificuldades estruturais, mas, sobretudo, embalou sua competência médica e cirúrgica no amor que permeava suas palavras e atitudes. Sua sensibilidade cristã fazia com que enxergasse muito além das necessidades físicas dos pequeninos.

Lembro-me como me contou, certa vez, sobre criancinhas que ali chegavam chorando muito, mal nutridas e, principalmente, negligenciadas e carentes de amor. Ela chamava uma enfermeira “de grande porte” e, como parte da terapia, fazia com que ela as segurasse e as abraçasse por um bom tempo. E aí, ele abria seu sorriso largo e expansivo e exclamava: “É impressionante como elas se aquietam só com aquele toque, e como isso auxilia na recuperação”.

Profissionalmente avançou vários degraus e deixou exemplo a ser seguido – mas sempre com intensa modéstia – quer como pesquisador de laboratório de renome, docente da Universidade Federal de Pernambuco, ou em suas atividades em órgãos públicos, ou em sua clínica particular.

Depois de um casamento abençoado com a Stela, juntos criaram uma linda família, que hoje honram o pai com suas vidas. Nessa família, emulou com perfeição o ambiente de amor respeito e temor a Deus, que havia observado e desfrutado de seus pais. O amor e a fidelidade presentes no seu lar sempre impressionaram a muitos e dão testemunho das misericórdias e da graça do Deus Soberano que são derramadas sobre os filhos dos filhos.

Mas o que mais me tocou, nos últimos 25 a 30 anos, quando tive que me distanciar geograficamente da minha cidade natal, foi a intensificação de nossa amizade e de seu cuidado para comigo e para com os meus pais e familiares. Sempre mantivemos contato e cultivamos nossa aproximação espiritual. Era uma amizade saboreada vagarosamente e com cuidado, por ser uma iguaria rara. Na minha ausência forçada, a sua presença perene era um bálsamo restaurador na vida dos meus pais. 

Cuidou de mim e aconselhou-me em minhas enfermidades; cuidou de parentes muito chegados meus, até ser chegada a hora apontada por Deus; esteve presente, como um filho, nas horas de maiores necessidades nas internações do meu pai. Aconselhou, receitou, se esmerou e, acima de tudo, amou. E assim, todo nosso amor por ele e por sua família, nunca chegará a uma fração do que ele representou para nós.

Partiu hoje. Deixa saudades: do seu jeito simples de ser, do seu sorriso, de sua intensidade e convicções profundas, do seu desprendimento, do seu exemplo. Conforta-nos saber que está nos braços do seu SENHOR e SALVADOR, onde não há sofrimento, nem dor, nem choro. Que Deus console a querida família, que consideramos nossa também.

Provérbios 17:17 - Em todo tempo ama o amigo, e na angústia se faz o irmão.

Solano Portela
Leia Mais

quinta-feira, outubro 06, 2011

Solano Portela

Steve Jobs, transcendência e imanência

Raramente postamos algo neste Blog que não seja de autoria dos três nomeados ao lado. No entanto, o posto abaixo, de autoria de David Zekveld Portela é pertinente no timing e nas observações que faz sobre a vida desse expoente de nossa história contemporânea. Boa leitura!
Solano Portela


Nas últimas horas fui surpreendido com a emoção que a morte de Steve Jobs causou em mim. Nunca o conheci pessoalmente. Em 2001 estive na conferência Macworld, em Nova Iorque, pouco antes dos ataques de 11 de setembro, e tive a oportunidade de presenciar o seu brilho enquanto Steve fazia o que mais gostava de fazer: apresentar ao mundo uma nova invenção, na qual havia investido inúmeras horas e quantidades inestimáveis de energia. Seu amor pela Apple e pelos produtos que criou, junto com a sua equipe, transparecia claramente. Não havia nada de forçado ou falso em sua apresentação, e era óbvio que ele realmente acreditava que as suas inovações tecnológicas representavam não apenas uma revolução na indústria, mas uma contribuição importante para a nossa civilização, mudando o nosso jeito de trabalhar, divertir e relacionar.

Transcendência

Tudo fez Deus formoso no seu devido tempo; também pôs a eternidade no coração do homem, sem que este possa descobrir as obras que Deus fez desde o princípio até ao fim.

~ Eclesiastes 3.11

Quem já assistiu ao excelente Pirates of Silicon Valley (Piratas do Vale do Silício) conhece um pouco da jornada de Steve. Há algumas cenas no filme que demonstram o desejo que o Steve tinha pela transcendência, a sua busca por algo além da nossa realidade. Esse desejo levou Steve, na sua juventude, a buscar respostas em lugares não convencionais. Viajou bastante com diversas drogas e passeou na Índia, flertando com o misticismo Hindu e aterrissando enfim no Budismo, religião que – aparentemente – seguiu até a sua morte. Talvez esse desejo de atravessar o espelho e descobrir o que havia do outro lado, de trazer idéias para o nosso lado que fossem mágicas e que não se comportassem às nossas noções do que era possível ou permissível, tenha sido o que o levou a descartar os limites que o cercavam no mundo da tecnologia e a pensar de forma diferente.

Foi esse o tema da campanha Think Different que a Apple lançou em 1997, logo após a volta de Steve à Apple:

Here’s to the crazy ones. The misfits. The rebels. The troublemakers. The round pegs in the square holes. The ones who see things differently. They’re not fond of rules. And they have no respect for the status quo. You can quote them, disagree with them, glorify or vilify them. About the only thing you can’t do is ignore them. Because they change things. They push the human race forward. And while some may see them as the crazy ones, we see genius. Because the people who are crazy enough to think they can change the world, are the ones who do.

Essa é uma homenagem aos loucos. Aos desajustados. Aos rebeldes. Aos criadores de caso. Às peças redondas nos buracos quadrados. Aos que vêem as coisas de forma diferente. Eles não gostam de regras. E eles não têm nenhum respeito pelo status quo. Você pode citá-los, discordar deles, glorificá-los ou difamá-los. Mas a única coisa que você não pode fazer é ignorá-los. Porque eles mudam as coisas. Eles impulsionam a raça humana. Enquanto alguns os vêem como loucos, nós reconhecemos o seu brilho. Porque as pessoas que são loucas ao ponto de pensar que podem mudar o mundo, são as que de fato, o mudam.
Não há dúvida que Steve tenha conseguido isso. Sua liderança na Apple, na NeXT e na Pixar alavancaram inovações em múltiplas indústrias. Foi pioneiro no cinema digital, produzindo obras primas como Toy Story e A Bug's Life (Vida de Inseto) quando o resto da indústria pensava ser impossível atingir esse nível de sofisticação, e conseguiu fazê-lo com roteiros interessantes e atores cativantes. Transformou o computador de uma caixa cinza chata e barulhenta em uma obra de arte, desde o primeiro iMac até o atual MacBook Air, façanha que seus concorrentes até hoje tentam copiar. Mudou o nosso modo de interagir com a tecnologia, distilando idéias "apropriadas" da Xerox para criar a interface gráfica de janelas e menus, popularizando o mouse como instrumento de controle, revolucionando novamente a interfáce gráfica com o Mac OS X (que continua a influenciar profundamente o Windows) e por uma terceira vez, com o iOS. Sacudiu a indústria musical com o iPod e o iTunes, transformando a Apple na maior vendedora de música do mundo e possibilitando que carregássemos as nossas audiotecas completas no bolso. Revolucionou o conceito de smart phone com o iPhone, de maneira tal que os smart phones que o antecederam ficaram com aparência de asno. E no fim, conseguiu fazer o que o resto da indústria de informática tentava há mais de uma década: introduzir o tablet na sociedade de uma forma tão profunda que já faz parte integral das vidas de muitos.

Imanência


Se o desiderium aeternitatis (o anseio pela eternidade) estava claramente presente na vida de Steve, sua jornada aparentemente nunca o levou a reconhecer Aquele que é transcendente, ou a conhecer a Sua imanência. Isso dá uma dimensão ainda mais grave à sua morte, pois nem o brilho que demonstrou, nem as riquezas que gerou, nem a beleza dos produtos que criou, o seguirão no próximo passo de sua jornada. E isso faz parte da minha tristeza nesse momento, ao refletir sobre uma vida cheia de promessa e potencial, brilho e bonança, criatividade e convicção, sucesso e…

Esse ser humano, feito na imagem de Deus, verdadeira obra de arte divina, que expressava a criatividade e beleza do Criador naquilo que produzia, e cuja morte deixa a nossa civilização empobrecida em arte e visão, muito provavelmente morreu sem salvação.

Mais do que qualquer dor que possa sentir por ter admirado o homem há quase 25 anos, mais do que o sentimento de ter perdido alguém que mudou muitos aspectos práticos da minha vida e que possibilitou muitas etapas de minha carreira, mais do que a tragédia do potencial perdido por causa de uma doença silenciosa, porém mortal, que também afeta a minha família, é isso o que me entristece: Steve Jobs, quase certamente, morreu sem conhecer a Jesus como seu Redentor e Senhor.

É importante reconhecer o brilho do homem, e de onde veio. É louvável entristecermo-nos com a perda para a nossa civilização e sociedade. Mas é essencial compreendermos que nessa vida, não há nem Undo, nem Restart. As decisões que tomamos aqui são o que determinam o nosso destino eterno, e o único caminho para a vida eterna é através de Jesus Cristo:
E, assim como aos homens está ordenado morrerem uma só vez, vindo, depois disto, o juízo, assim também Cristo, tendo-se oferecido uma vez para sempre para tirar os pecados de muitos, aparecerá segunda vez, sem pecado, aos que o aguardam para a salvação.

~ Hebreus 9.27

Nossas orações estão com a família de Steve, e nosso desejo é que eles possam conhecer Aquele que é Transcendente, Imanente, Amor, Bondade, Justiça e Verdade.

Leia Mais