terça-feira, setembro 29, 2009

D. A. Carson em São Paulo

O Dr. Donald Carson virá ao Brasil na próxima semana para pregar no XXV Encontro FIEL para pastores e líderes, em Águas de Lindóia. Em sua passagem por São Paulo pregará na igreja que tenho o privilégio de servir como um dos pastores, Igreja Presbiteriana da Lapa (Domingo, dia 4, 18:00h - Rua Roma, 465, Lapa) e no Seminário JMC (José Manoel da Conceição), no Campo Belo (Segunda, dia 5, 9:00h).

Será uma grande oportunidade ouvir o pregador e autor de várias obras consagradas, algumas delas já traduzidas para o português, como "Do Shabbath para o Dia do Senhor", "Um chamado à reforma espiritual", "A Exegese e suas falácias" e muitos outros.

terça-feira, setembro 15, 2009

Vale tudo para encher as igrejas

Esta semana saiu a notícia abaixo. Não deixem de abrir o link e ler, para entender meus comentários:
Noites de luta e reggae 'enchem igrejas evangélicas no Brasil', diz 'NYT' - Estadao.com.br

Quando li a notícia fiquei pensando nos dias em que eu era seminarista, evangelizando na cidade de Olinda, Pernambuco, em bairros famosos pelo alto índice de jovens e drogas. Eu costumava promover encontros com música "gospel" para reunir os jovens, realizar acampamentos e eventos onde sempre havia a pregação da Palavra e evangelização.

Mas, sempre nos deparávamos com um problema: onde arrebanhar os jovens que se "convertiam" nestes eventos? Eles estranhavam demais as igrejas tradicionais, para onde os enviávamos. E os membros destas igrejas também os estranhavam, pela maneira de se vestirem, tatuagens, brinquinhos, cabeludos... ficávamos diante de duas alternativas. A primeira, que nunca quisemos, de abrir uma igreja diferente para abrigar estes jovens. A segunda, que acabou não funcionando, que era convencer os pastores das igrejas tradicionais a se adaptarem ou criarem espaços em suas igrejas para receber estes jovens, uma espécie de ante-câmara preparativa para o ingresso nas igrejas.

Várias das igrejas históricas tradicionais, diante das rápidas e profundas mudanças culturais que estavam acontecendo na década de 80 e 90, preferiram ficar na zona de conforto cultural e se fecharam para um mínimo de abertura. Adaptações culturais poderiam ter sido feitas, para receber estas gerações, sem comprometer as doutrinas da graça, o culto a Deus, e o bom andamento destas igrejas.

Quando vejo hoje notícias como esta, que encabeça este post, percebo que criar novas igrejas fundadas em cima dos pressupostos, customes e práticas de uma geração -- como por exemplo, o movimento das igrejas emergentes nos Estados Unidos e suas similares aqui no Brasil -- acaba levando a isto que estamos vendo, como a Renascer, tendo que promover sempre novidades, como luta livre, para atrair jovens e mantê-los na comunidade. Por outro lado, lamento que as igrejas tradicionais têm tido dificuldade em fazer adaptações mínimas que possam tornar mais fácil o ingresso desta geração em suas fileiras, como música contemporânea de boa qualidade e teologicamente sadia, liturgias centradas em Deus que ao mesmo tempo engagem o povo em adoração e reflexão, programações sociais e encontros atrantes e relevantes, com conteúdo e diversão, pontes para evangelização que nos coloquem em contato com esta geração e nos permitam levar-lhes de maneira relevante e significativa a mensagem sempre atual do Evangelho de Cristo.

Luta-livre em igrejas evangélicas como método de crescimento de igreja, embora nos choque, é a conclusão lógica da teologia pragmática que sustenta o movimento de crescimento de igrejas, que se pensava que estivesse defunto, mas eis que ressurge pelas pesadas portas abertas das igrejas emergentes. Nesta visão, vale tudo para encher igrejas. E aquelas que não estão dispostas a encher seus salões a qualquer preço, são vistas como retrógradas, sem o Espírito Santo, fechadas, etc.

Comentando o assunto com Solano, ele me escreveu o seguinte: "os jovens precisam também entender que conversão e teologia correta envolvem várias mudanças comportamentais, considerações pelos outros, abnegação – para não forçar os direitos ou estilos de vida sobre os outros. Ou seja, nem toda tradição é careta – muitas coisas têm razão de ser. Uma igreja que se estruture só para jovens ou para abrigar um determinado tipo de cultura, se tiver a teologia correta, cedo verificará a necessidade de estar ministrando a famílias, a ter departamentos infantis, presbíteros, diáconos, etc."

Existem igrejas que têm feito tentativas de acolher a presente geração sem contudo prejudicar o serviço aos mais velhos e sem comprometer a boa teologia, como a de Mark Driscoll, em Seattle, que preza uma teologia correta e prega arrependimento, inerrância da Palavra, céu e inferno, mediação de Cristo e a soberania de Deus; mas que desenvolve uma abordagem contemporânea e assim pode cumprir funções evangelísticas cruciais no Corpo de Cristo, em seu sentido mais amplo.

Todavia, à medida que igrejas como esta do Driscoll envelhecem, e os jovens de hoje começarem a constituir famílias, ter filhos e envelhecer, elas terão de se adaptar outra vez para não perder o rebanho. E lá virão as reuniões de casais, cursos sobre famílias, encontros da terceira idade, reuniões de senhoras, etc. É inevitável. Esta síndrome de Peter Pan destas igrejas cedo esbarrará na realidade inexorável do envelhecimento.

Lamento pelas duas coisas. Primeiro, pela baixaria a que determinados segmentos considerados "evangélicos" pela mídia chegou para encher templos. Segundo, pela aparente incapacidade de uma parte das igrejas históricas de se comunicarem de maneira mais relevante com a atual geração jovem e recebê-la em suas comunidades, sem jamais comprometer ou diluir a boa doutrina e prática do Evangelho.

sexta-feira, setembro 11, 2009

Vergonha de ser virgem

Alguns anos passados fiquei estarrecido com uma estatística publicada por uma revista evangélica após entrevistas feitas com jovens evangélicos de 22 denominações. Estes jovens, a grande maioria composta de solteiros, haviam nascido em lar evangélico e eram freqüentadores regulares de igrejas. De acordo com a pesquisa, 52% deles já haviam tido sexo. Destes, cerca da metade mantinha uma vida sexual ativa com um ou mais parceiros. A idade média em que perderam a virgindade era de 14 anos para os rapazes e de 16 anos para as moças.

Essa reportagem foi publicada em setembro de 2002. Desconfio que os números são ainda mais estarrecedores se forem atualizados para 2009.

Não vou aqui gastar muito tempo defendendo o que, acredito, a maioria dos nossos leitores já sabe que é nossa posição: sexo é uma bênção a ser desfrutada somente no casamento. Namorados que praticam relações sexuais estão pecando contra a Palavra de Deus. Mesmo que não tenhamos um versículo que diga "é proibido o sexo pré-marital" (desnecessário à época em que a Bíblia foi escrita, visto que na cultura do antigo Oriente não existia namoro, noivado, ficar, etc.), é evidente que a visão bíblica do casamento é de uma instituição divina da qual o sexo é uma parte integrante e essencial.

Alguns textos que mostram que contrair matrimônio e casar era uma instituição oficial entre o povo de Deus, e o ambiente próprio para desfrutar o sexo:

"...nem contrairás matrimônio com os filhos dessas nações" (Dt 7.3).

"...Majorai de muito o dote de casamento e as dádivas, e darei o que me pedirdes; dai-me, porém, a jovem por esposa" (Gn 34.12).
"... e lhe dará uma jovem em casamento..." (Dn 11.17).

"... Respondeu-lhes Jesus: Podem, acaso, estar tristes os convidados para o casamento, enquanto o noivo está com eles?" (Mt 9.15).

"... nos dias anteriores ao dilúvio comiam e bebiam, casavam e davam-se em casamento" (Mt 24.38).

"... Três dias depois, houve um casamento em Caná da Galiléia, achando-se ali a mãe de Jesus. Jesus também foi convidado, com os seus discípulos, para o casamento" (Jo 2.1-2).

"... Estás livre de mulher? Não procures casamento" (1Cor 7.27).

"... Ora, o Espírito afirma expressamente que, nos últimos tempos, alguns apostatarão da fé, por obedecerem a espíritos enganadores e a ensinos de demônios, pela hipocrisia dos que falam mentiras e que têm cauterizada a própria consciência, que proíbem o casamento..." (1Tim 4.1-3).

"... Se um homem casar com uma mulher, e, depois de coabitar com ela, a aborrecer, e lhe atribuir atos vergonhosos, e contra ela divulgar má fama, dizendo: Casei com esta mulher e me cheguei a ela, porém não a achei virgem..." (Dt 22.13-14)

"... qualquer que repudiar sua mulher, exceto em caso de relações sexuais ilícitas, a expõe a tornar-se adúltera; e aquele que casar com a repudiada comete adultério" (Mt 5.32).

"... Se essa é a condição do homem relativamente à sua mulher, não convém casar" (Mt 19.10).

"... Caso, porém, não se dominem, que se casem; porque é melhor casar do que viver abrasado" (1Cor 7.9).

"... Mas, se te casares, com isto não pecas; e também, se a virgem se casar, por isso não peca" (1Cor 7.28).

"... A mulher está ligada enquanto vive o marido; contudo, se falecer o marido, fica livre para casar com quem quiser, mas somente no Senhor" (1Cor 7.39).

"... ao que lhe respondeu a mulher: Não tenho marido. Replicou-lhe Jesus: Bem disseste, não tenho marido; porque cinco maridos já tiveste, e esse que agora tens não é teu marido; isto disseste com verdade" (Jo 4.17-18).

"... alguém (o presbítero e/ou pastor) que seja irrepreensível, marido de uma só mulher..." (Tito 1.6).

"... quanto ao que me escrevestes, é bom que o homem não toque em mulher; mas, por causa da impureza, cada um tenha a sua própria esposa, e cada uma, o seu próprio marido." (1Cor 7:1-2)

"... Digno de honra entre todos seja o matrimônio, bem como o leito sem mácula; porque Deus julgará os impuros e adúlteros" (Heb 13.4).

"... que cada um de vós saiba possuir o próprio corpo em santificação e honra, não com o desejo de lascívia, como os gentios que não conhecem a Deus; e que, nesta matéria, ninguém ofenda nem defraude a seu irmão; porque o Senhor, contra todas estas coisas, como antes vos avisamos e testificamos claramente, é o vingador, porquanto Deus não nos chamou para a impureza, e sim para a santificação" (1Tes 4.4-7).

As passagens acima (e haveriam muitas outras) mostram que casar, ter esposa, contrair matrimônio é o caminho prescrito por Deus para quem não quer ficar solteiro ou permanecer viúvo. O casamento era, sim, uma instituição oficial em meio ao povo de Deus. As relações sexuais fora do casamento nunca foram aceitas, quer em Israel, quer na Igreja Primitiva, a julgar pela quantidade de leis contra a fornicação e a impureza sexual e pelas leis e exemplos que fortalecem o casamento como instituição para o povo de Deus em todas as épocas.

O ônus de provar que namorados podem ter relações sexuais como uma coisa normal é dos libertinos. Posso me justificar biblicamente diante de Deus por viver com minha namorada como se ela fosse minha esposa, não sendo casados? Como eu lido com essa evidência massiva de que o casamento é a alternativa bíblica para quem não quer ficar solteiro ou viúvo?

O que existe na verdade é aquilo que Judas menciona em sua carta, sobre pessoas ímpias que transformam a graça de Deus em libertinagem (Judas 4). Os argumentos do tipo, "quem casou Adão e Eva" demonstram o grau de má vontade e a disposição do coração de continuar na prática da fornicação, mesmo diante da resposta: "O caso de Adão e Eva não é nosso paradigma, a não ser que você tenha sido feito diretamente do barro por Deus e sua namorada tenha sido tirada de sua costela. Se não foi, então você deve se sujeitar ao paradigma que Deus estabeleceu para toda a raça humana, para os descendentes de Adão e Eva, que é contrair matrimônio, casar-se, um compromisso público diante das autoridades civis".

Os demais argumentos - "é melhor que os namorados cristãos tenham sexo responsável entre si do que procurar prostitutas, etc." nem merecem resposta. O que falta realmente é domínio próprio, castidade, submissão à vontade de Deus, amor à santificação.

Chegamos ao ponto em que os rapazes e as moças cristãos têm vergonha de dizer, até mesmo em reuniões de mocidade e de adolescentes, que são virgens.

Tenho compaixão dos jovens e adolescentes de nossas igrejas. Mas sinto uma santa ira contra os libertinos, que pervertem a graça de Deus, pessoas ímpias, que desviam nossa juventude para este caminho. "A vingança pertence ao Senhor" (Rom 12.19).

segunda-feira, setembro 07, 2009

Estou com vergonha de ser evangélico

Leiam o que escreveu Reinaldo Azevedo por conta da presença do "apóstolo" Hernandes, a "bispa" Sônia, junto com outros "bispos" evangélicos, em cerimônia com Lula e Dilma, quando da institucionalização do dia da Marcha para Jesus. Mais importante, leiam os mais de cem comentários. Vocês vão acabar como eu, com vergonha de ser evangélico.

Os apóstolos evangélicos modernos -- bem como o católico -- são um desvio do Evangelho, uma desvalorização da autoridade dos verdadeiros apóstolos cujo ensino se encontra nas Escrituras. Eu sei que nem todos que se arrogam de apóstolo hoje foram apanhados contrabandeando dólares, mas é difícil não pensar que todos eles têm sede de mais poder e mais autoridade na hierarquia que eles mesmos criaram.

"Apóstolos" e "bispos" não representam os evangélicos, são representantes dos neopentecostais, igrejas pós-evangélicas ou neo-evangélicas, das quais os evangélicos históricos, pentecostais, tradicionais, sérios e bíblicos, se distanciam arrepiados, horrorizados e com vergonha. Apesar disto, somos confundidos com eles e sempre sobra para nós. Lula e Dilma têm o direito de receber quem quiserem. Mas, ainda assim, é triste, lamentável, vergonhoso, que "apóstolos" e "bispos", inclusive presos e processados, vão "representando" os evangélicos.

O que está se formando no Brasil é outra coisa diferente de uma igreja evangélica, bíblica, saudável, séria. Conheci na África do Sul a igreja zionista (nada a ver com o movimento pró-Israel), um sincretismo de igreja cristã com religião animista de invocação dos ancestrais. Não se podia dizer que eram realmente cristãos, tal a quantidade de elementos estranhos, pagãos, misturados na sua teologia e prática. É a mesma coisa que está acontecendo aqui no Brasil com estas igrejas neopentecostais. Não tenho a menor idéia onde isto vai parar, mas uma coisa eu sei: a não ser que haja uma profunda interferência da parte de Deus, um movimento de purificação e reforma, dias difíceis estão por vir aos que ainda aderem ao Evangelho puro e simples da graça.


[Sobre a Marcha para Jesus veja aqui post sobre o assunto]
[E sobre apóstolos hoje, veja aqui a Carta ao Apóstolo Juvenal]

domingo, setembro 06, 2009

Gays e Lésbicas praticantes agora podem ser Ministros do Evangelho na Igreja Luterana Americana

Leiam aqui a notícia sobre a decisão recente da maior Igreja Luterana dos Estados Unidos de confirmar gays e lésbicas praticantes como pastores e bispos luteranos. Antes, eles eram aceitos somente se permanecessem no celibato. A reunião foi presidida pelo bispo Mark Hanson (foto).

Não pretendo neste post entrar na questão da homossexualidade como uma quebra do padrão bíblico para a família, indivíduo e sexualidade. Quem quiser ler sobre isto, faça uma busca aqui no blog da palavra "homossexual" e encontrará diversos posts sobre o assunto. O que eu quero destacar é que a Igreja Luterana dos Estados Unidos, ao decidir pela maioria de seus representantes que gays e lésbicas podem ser ministros do Evangelho, estava simplesmente levando o liberalismo teológico às suas últimas conseqüências lógicas.

Sim, a ELCA (Igreja Evangélica Luterana da América) é outra daquelas igrejas históricas oriundas da Reforma que abandonaram a visão dos Reformadores quanto às Escrituras e sua autoridade e adotou o método crítico de interpretação. Para os que lêem inglês, vejam o que a ELCA pensa sobre a Bíblia. Em resumo, para os que não lêem inglês, a ELCA acredita que:

1) A Bíblia é o mais importante meio de Deus revelar seu ser e sua presença. Não é sua revelação exclusiva, uma vez que a ELCA é ecumênica e acredita que existe salvação em outras religiões.

2) A Bíblia contém a história da interação de Deus com os homens. Nada mais que isto. Ela não é a Palavra de Deus, mas o registro humano daquilo que os judeus e os cristãos acreditavam sobre Deus.

3) Como tal, este registro é falível e contém erros. Nele encontramos o reflexo dos preconceitos da época em que a Bíblia foi escrita. Este registro é por vezes contraditório internamente, pois os escritores da Bíblia registraram idéias diferentes e contraditórias sobre Deus, sua palavra, caminhos e vontade.

4) Quem pode dizer o que é certo ou errado dentro da Bíblia é a Igreja, a comunidade do Cristo. Este é o critério os luteranos americanos para aceitar ou rejeitar partes da Bíblia. Se alguma coisa edifica e leva a Cristo, então é de Deus. Se não, é coisa humana. E se perguntarmos qual o critério para decidirmos, por exemplo, que a homoafetividade edifica e leva à Cristo, a resposta será “aquilo que a Igreja decidir”.

5) Nos gêneros literários da Bíblia temos lendas de heroísmo e "estórias", outro nome para mitos. Entre estes a ELCA certamente coloca o nascimento virginal de Jesus -- assunto que ela declara estar aberto para discussão -- e a ressurreição de Jesus, que para eles não é um fato da história.

Quando uma igreja adota esta visão liberal da Bíblia é só uma questão de tempo até começar a rejeitar o ensino bíblico sobre o homossexualismo. Todas as igrejas ditas cristãs e que hoje aceitam que homossexuais praticantes sejam pastores e bispos são também igrejas que adotaram o método crítico e o liberalismo teológico em primeiro lugar: A Metodista Unida dos Estados Unidos, a Presbiteriana dos Estados Unidos, a Episcopal americana e agora a Luterana, também nos Estados Unidos. Na Europa, o padrão é o mesmo.

É preciso ressalvar que nem todos os pastores e membros destas igrejas concordam com isto. Houve rachas, dissensões, protestos, por parte das minorias discordantes. Todavia, estas minorias não têm força para lutar dentro de denominações que já rejeitaram a idéia de um cânon definido, inspirado, autoritativo e infalível, única regra de fé e prática.

É fácil ver que a ordenação de gays e lésbicas como ministros do Evangelho é fruto do liberalismo teológico. Uma vez que boa parte da sociedade já aceita o homossexualismo como algo natural, normal e até desejável, resolve-se que aquelas partes da Bíblia que caracterizam a homossexualidade como desvio moral e abominação sejam consideradas como mais um reflexo do preconceito cultural da época, a opinião pessoal dos escritores, mas jamais como uma norma, um conceito ou uma verdade de Deus, válida para todas as épocas e culturas. E assim a Igreja passa a julgar a Bíblia e decidir o que vale e o que não vale para hoje, a partir do seu entendimento da sociedade, da cultura e da época.

É claro que há coisas na Bíblia que são reflexo da cultura do Antigo Oriente, onde ela foi escrita, como saudar com beijos, usar véu, a escravidão e a poligamia. Contudo, saudação com ósculo santo e uso do véu não estão na mesma categoria de relações sexuais. A poligamia já é claramente abolida no Novo Testamento, onde também estão plantadas as sementes para a abolição da escravidão. O tema da homossexualidade, contudo, é tratado uniformemente, no Antigo Testamento e no Novo Testamento como uma questão moral e espiritual que tem raízes na natureza corrompida e decaída do ser humano.

O liberalismo teológico está firmemente plantado no coração de várias denominações históricas no Brasil. As sementes estão lá. Cedo ou tarde elas amadurecerão e seu fruto não será diferente do que tem acontecido com as igrejas nos Estados Unidos e Europa, que durante décadas ensinaram o método histórico-crítico em seus seminários. Já ficou claro historicamente quais as conseqüências morais uma vez que se rejeita a autoridade e infalibilidade da Escritura: não existem valores morais que sejam absolutos e intocáveis.

[Vejam aqui o meu comentário quando a PCUSA (Igreja Presbiteriana dos Estados Unidos) passou a aceitar gays e lésbicas como membros comungantes de suas igrejas locais.]