terça-feira, setembro 06, 2011

O liberalismo teológico morreu?


De vez em quando leio em algum lugar gente reclamando que eu fico ressuscitando defunto ao criticar os liberais. “O liberalismo teológico já morreu,” dizem eles, “não há mais liberais hoje”. A acusação implícita é que eu teimo em manter viva a polêmica entre o fundamentalismo e o liberalismo teológico do início do séc. XX nos Estados Unidos que já faz parte de uma história vencida e passada.

Bom, para mim o liberalismo teológico está bem vivo, sim, em nossos dias e no Brasil. Deixe-me explicar.

1. Como movimento acadêmico, teológico e filosófico, o liberalismo de fato já terminou historicamente – fato este nunca desconhecido e muito menos negado por mim. Já em 2007 eu escrevi um post, “O Retorno de Pé na Cova,” comentando o renascimento do velho liberalismo nas academias teológicas brasileiras.

Vejam o que escrevi em outro post, desta feita sobre o barthianismo:

“Após a Reforma, durante os séculos dezessete e dezoito, a Igreja protestante foi largamente influenciada por idéias originadas do Iluminismo. O racionalismo desejava submeter todas as coisas ao crivo da análise racional. Lentamente a razão humana começou a triunfar sobre a fé. O filósofo L. Feuerbach tentou transformar a teologia em antropologia, dizendo que tudo que se diz sobre Deus, na verdade, é dito sobre o homem. Ele influenciou grandemente K. Marx, S. Freud, R. Bultmann e F. Schleiermacher. Esse último desvinculou a fé cristã da história e da teologia, reduzindo a experiência religiosa ao sentimento de dependência de Deus. Somente depois ficaria evidente que era impossível construir uma teologia em cima de um terreno tão subjetivo, mas na época, e por mais de um século, Schleiermacher foi seguido por muitos e sua influência continua até hoje.

Na mesma época, surgiu o método histórico-crítico de interpretação da Bíblia, que negava a inspiração divina de seus livros e tratava-a como meros registros humanos falíveis e contraditórios da fé de Israel e dos primeiros cristãos. A confiança na Bíblia foi tremendamente abalada.

Esses desenvolvimentos dentro da Igreja e o movimento que surgiu associado a eles foi chamado de liberalismo. O liberalismo tinha uma perspectiva elevada do homem e acalentava a esperança de que o Reino de Deus poderia ser implantado nesse mundo mediante os novos conhecimentos científicos e tecnológicos trazidos pelo Iluminismo. Com isso, o Evangelho perdeu a sua exclusividade e força. A Igreja começou a secularizar-se, particularmente na Europa.

Então veio a I Guerra Mundial. As esperanças do liberalismo teológico e do humanismo em geral foram esmagadas. Perplexidade e confusão dominaram os cristãos da Europa. Surge a teologia da crise”.

Portanto, fica claro que faço a distinção entre o liberalismo teológico como movimento histórico – este, sim, já acabado – e o liberalismo teológico como conjunto de idéias, pressupostos e convicções sobre a Bíblia e a teologia. Este último está vivinho, sim...

2. Essas idéias do liberalismo teológico continuam presentes e sendo defendidas em sala de aula por pastores, professores e teólogos. Se não vejamos. Segue abaixo uma relação de algumas destas idéias:
  • O sobrenatural não invade a história. Milagres não acontecem como fatos no tempo e no espaço, mas são explicações ou projeções das pessoas na tentativa de descrever suas experiências ou entender Deus.
  •  A história se desenrola numa relação natural de causas e efeitos.
  • Milagres como o nascimento virginal de Cristo, os milagres que o próprio Cristo realizou, sua ressurreição física dentre os mortos, os milagres do Antigo e Novo Testamentos nunca aconteceram na história. No máximo, na heilsgeschichte (história santa, ou história salvífica), diferente do mundo da história bruta, real, factível.
  • Temas como criação, Adão, queda, milagres, ressurreição, entre outros, pertencem à história salvífica e não à história real e bruta. Adão e Eva não foram pessoas reais.
  •  Não interessa o que realmente aconteceu no túmulo de Jesus no primeiro dia da semana, mas, sim, a declaração dos discípulos de Jesus que diz que Jesus ressuscitou.
  • Os relatos bíblicos dos milagres são invenções piedosas do povo judeu e dos primeiros cristãos, mitos e lendas oriundos de uma época pré-científica, quando ainda não havia explicação racional e lógica para o sobrenatural.
  • A Escritura contém erros e contradições, lado a lado com aquelas palavras que provêm de Deus. Nossa tarefa é tentar separar as duas coisas.
  • Interpretar a Bíblia historicamente significa reconhecer que ela contém contradições. Qualquer abordagem hermenêutica deixa de ser histórica se não aceitar essas contradições.
  • A Igreja Cristã se perdeu na interpretação da Bíblia através dos séculos e somente com o advento do Iluminismo, do racionalismo e das filosofias resultantes é que se começou a analisar criticamente a Bíblia e a teologia cristã, expurgando-as dos alegados mitos, fábulas, lendas, acréscimos, como, por exemplo, os mitos da criação e do dilúvio e de personagens inventados como Adão e Moisés, etc.
  • O sentimento religioso é algo universal, isto é, cada ser humano é capaz de experimentá-lo. É esse sentimento que dá validade às experiências religiosas e que torna o ecumenismo possível. 
Agora, eu gostaria de saber se os que dizem que o liberalismo teológico já morreu serão honestos o suficiente para responder a esta indagação, a saber, se estas idéias estão totalmente ausentes nos cursos de teologia em nosso país e se não existe nenhum professor de teologia ou de Bíblia ensinando estas coisas hoje nos seminários, institutos bíblicos, escolas de teologia ou universidades teológicas.

3. Eles dizem que o liberalismo foi suplantado pela neo-ortodoxia, movimento que veio em seguida. Todavia, estou convencido de que a neo-ortodoxia, preservou, perpetuou e continuou algumas das principais ênfases do liberalismo teológico, especialmente o entendimento liberal quanto às Escrituras. Tratei deste assunto neste post: “A Voz é de Jacómas as Mãos são de Esaú”.

Num outro post, intitulado “Carta a Bultman,”eu escrevi o seguinte, dirigindo-me numa carta hipotética ao falecido liberal:

Eu gostaria de poder lhe dizer que suas idéias morreram e que hoje praticamente não tem mais ninguém que seriamente as defenda. Mas, não, não posso dizer isto. Lembra do Karl Barth, que viveu na sua época, e com quem você trocou correspondências por mais de 30 anos? Vocês dois tinham muita coisa em comum, embora também diferenças. Pois é, acho que ele acabou levando a melhor, pois muitos de teus discípulos acabaram virando bartianos ou neo-ortodoxos – é assim que os chamamos – e embora falem a língua dos ortodoxos (daí o nome neo-ortodoxia) ainda conservam em grande parte aquele seu ceticismo radical para com a veracidade e historicidade do Novo Testamento. Estes neo-ortodoxos detestam ser identificados como liberais, mas ao final, não sendo realmente uma nova ortodoxia, o melhor nome para eles deveria ser neo-liberais mesmo.”

Portanto, não acho que estou ressuscitando defunto quando critico os liberais. Se liberal é quem defende aqueles pontos acima e fundamentalista é quem os contesta, então, a polêmica continua, sim. Não creio que o cerne da controvérsia entre fundamentalistas e liberais já tenha se encerrado historicamente, como querem alguns.

O curioso, entretanto, é que eles se esquecem deste argumento quanto me chamam de fundamentalista... a rigor, também não deveriam mais existir fundamentalistas hoje...

39 comentários:

Diogo Bochio disse...

"A Escritura contém erros e contradições, lado a lado com aquelas palavras que provêm de Deus. Nossa tarefa é tentar separar as duas coisas.
Interpretar a Bíblia historicamente significa reconhecer que ela contém contradições. Qualquer abordagem hermenêutica deixa de ser histórica se não aceitar essas contradições[...] O sentimento religioso é algo universal, isto é, cada ser humano é capaz de experimentá-lo. É esse sentimento que dá validade às experiências religiosas e que torna o ecumenismo possível."

Ainda bem que no Mackenzie não temos nada disso...

Davi Helon disse...

Rev. Nicodemus!
O Liberalismo teológico continua muito vivo e de modo sutil vem invadindo cada vez mais a igreja cristã brasileira, basta ver que tantas instituições para terem aprovação do MEC tem vendido a suficiência e inerrância das Escrituras em troca de filosofias e a Alta Critica. A pouco tempo eu estava assistindo aula de um pastor de uma igreja histórica no Brasil, ele disse para todos os alunos que eles deviriam ler e ler muito Paul Tilich, que isto seria essencial para o ministério deles. Ouvi também de um professor de Teologia de outra denominação histórica no Brasil que o maior teólogo e exegeta que ele considera é o Bultmam. Isto eles dizem para alunos que serão futuros pastores e consequentemente introduzirão estes venenos em suas igreja, e o mesmo tem acontecido com estas denominação como aconteceu na Europa e Estados Unidos, elas tem diminuído.
Continue sim Rev. escrevendo sobre este veneno que tem invadido nossas igreja.
Abraços de seu irmão em Cristo.
Rev. Davi Helon

Ricardo Moura Lopes Coelho disse...

Rev. Nicós,

além do testemunho (e porque não tristemunho) do nosso irmão Davi Helon, posso acrescentar o semestre no JMC, em 1998, ou 99, naqueles rolos todos que ocorreram (e que acompanhei bem de perto, se o irmão lembra), tivemos aula com certa figura, cheia de ideias barthianas e tantas outras bem liberais. A coisa foi tão complicada que nós, alunos, tivemos de estudar teontologia (matéria que tive com esse professor) por fora (talvez por isso seja a minha melhor...rsrs). Dia desses, uma ovelha me enviou um torpedo perguntando e pedindo dicas sobre Karl Barth, pois estava conversando com um amigo crente, que estava recebendo ensinos dele em sua igreja. Portanto, meu amado mestre, o morto tá vivo, desenterrado e ganhando roupas e perfumes novos, para ver se fede menos.

Talvez seja porque a escolaridade só aumenta entre os crentes, e ai eles tentam compatibilizar o que aprendem na escola, com o que leem na Bíblia. Não sei se é por ai. Mas nós temos de estar atentos e reafirmar os velhos fundamentos.

Adalberto A. R. Taques disse...

O Liberalismo ganhou uma forte corrente dentro das redes sociais. Nestas eles se sentem muito fortes uma vez que longe dos olhos daqueles que leem, as mazelas de suas vidas passam desapercebidas.
Creio que eles não morreram, até porque existem teologicamente antes do advento do Iluminismo. Quem melhor se enquadra nas discrições de 2 Pedro e Judas?
Em geral sua teologia brota de sua conduta, e serve para justificar o pecado. Infelizes, mal sabem eles que a morte de Cristo, a qual eles também negam enquanto vicária, justifica o pecador.

Danilo Neves disse...

ACHO que tem muita gente na igreja que não se acha liberal, mas um "cristão científico". O rótulo mudou.

Por outro lado, o senhor entende que esse termo "liberal", no meio popular, tem mais haver com imoralidade ou perversão do que com interpretação teológica? O significado da palavra fora da Academia talvez não seja muito bem definido, claro, no cretequês brasileiro...

Fico com a sensação de que o povo, a massa, é como aquele sapo que fica quietinho dentro da panela de água morna em cima da chama do fogo brando. Fico com a sensação de que, no fim, não se comunica direito pra Igreja o perigo das idéias liberais. Não têm assembleiano, por exemplo, pentecostal e liberal?? Isso evidencia o que tô dizendo.

Continue escrevendo, reverendo.

Augustus Nicodemus Lopes disse...

Danilo,

Excelente observação. Você tem toda razão. "Liberal" para muita gente é quem fuma, bebe, dança e vai para festa.

Abs.

Paulo Fernando de Lucena disse...

Limpo, coerente e ético, Dr. Augustos,Reverendo homem de bom coração cada dia me torno um homem admirador de sua objetividade cristã.

Casal 20 disse...

Rev. Nicodemus, durante o seminário conheci todas essas idéias liberais, que foram ensinadas como naturais. Não havia questionamento crítico e os ensinos eram passados como se o liberalismo fosse simplesmente um estágio seguinte.

Então, fiz meu TCC exatamente em Método-Histórico Crítico para responder perguntas que ninguém me respondia. Foi neste tempo que conheci o seu ótimo aritgo sobre Teologia da Libertação. A partir daí, comecei a separar e criticar as coisas que me eram repassadas.

Assim, é evidente que o liberalismo não morreu. O que acontece (é assim que eu vejo) é que o liberalismo assumiu o seu caráter de GUERRILHA. Então, ele se multiplicou e se dispersou em pequenos "grupos terroristas" que hoje têm seus representantes nos seminários e igrejas. Exatamente pelo liberalismo não ser um "bloco", mas ações guerrilheiras é que as pessoas têm dificuldade de percebê-lo.

Parabéns pelo post.

Abraços sempre afetuosos.

Francisco Genciano Junior disse...

O liberalismo teológico continua vivinho, e permanece assombrando como o fantasma prostrado (ante o rolo compressor dos paradigmas e dogmas iluministas, naturalistas, darwnistas, etc), mas presunçoso que sempre foi

roneyleao disse...

Também observamos que um liberal pensa que pode identificar quem o contesta, sem que ele mesmo também o seja. Um grande amigo meu, irmão, a cada conversa que temos, claramente tem trocado a Bíblia pela psicanálise ( !!! ). Perplexo fico. Ele apenas diz, o tempo inteiro que, talvez, não o entenda. Bingo!!! Evidentemente, a identificação é clara para nós dois.
Roney S Leão

Marcus Vinícius disse...

Concordo com todos. Continue escrevendo Rev.!!!
O liberalismo teológico tem entrado sutilmente na igreja e pegando muito desprevenidos. Eu busco a verdade na Bíblia, mas ainda caio em algumas inverdades liberais. Por isso é sempre bom visitar blogs como este, com compromisso com a verdade, que me ajudam a ver algumas coisas que passaram despercebido.

Fábio Vaz dos Santos disse...

Quem acha que o liberalismo, mesmo como um conjunto de ideias, já não existe mais, deveria visitar alguns "seminários" e "faculdades" de teologia tupiniquins... e ouvir professores que venderam suas almas ao liberalismo e/ou ao MEC gritando histericamente em sala de aula: "Parem de dizer que a Bíblia é Palavra de Deus!!! Parem de dizer essa bobagem!!!". Fui testemunha ocular disso... e de muitas outras aberrações.

Marlon Marques disse...

Rev. Nicodemus, o liberalismo continua sim no nosso meio. Formei-me no ICEC, seminário da igreja Betesda (aquela do R. Gondim) e tive cadeiras com professores liberais. Foi drástico, pois tudo era muito abstrato. Numa cadeira de Pneumatologia e Cristologia falava-se de uma forma subjetiva no entender de teólogos liberais e neo-ortodoxos, e não numa perspectiva bíblica!

Abraços!

Tania Cassiano disse...

ô Rev.! Quem lê sobre teologia, ainda que não entenda muito, sabe discernir teologia liberal do liberalismo na sociedade ou relativismo ou pós-modernidade ou libertinagem. Quanto às massas (acho meio pejorativo o termo,parece coisa de comunista, não sei se é porque faço parte dela), se ensinarem direitinho à elas, com certeza vão saber diferenciar.
Abs.
Tânia

Ivfraga disse...

Rev. Nicodemus,

Uma pergunta: O que o senhor acha sobre a teologia de Wolphart Pannenberg? Por favor, me diga algo sobre Pannenberg. Onde encaixar Pannenberg? Neo-ortodoxo? Ortodoxo? Liberal?
Tenho lido alguns livros do Pannenberg, inclusive sua obra Teologia Sistemática, e confesso que estou gostando muito. Por favor, der sua opinião.
Sobre seu texto,como sempre, ótimo! concordo com senhor quando insiste em dizer que o liberalismo teológico não está morto. Sou testemunha disso, não só eu, mas muitos colegas de faculdade. Nos "drogamos" durante quatro com tudo isso - foi um período difícil.

Augustus Nicodemus Lopes disse...

Ivfraga,

Panneberg não é minha praia. Minha formação é em estudos bíblicos e hermenêutica. Pannenberg é mais teologia sistemática. Sugiro perguntar ao Heber Campos ou Franklin Ferreira. Até onde eu li, como "leigo", me pareceu neo-ortodoxo, mas a conferir...

Felipe(soldado de cristo) disse...

REV.AUGUSTUS


como leigo que sou, queria pedir ao senhor, que me explicasse um pouco das diferenças entre neo-ortodoxia e liberalismo...grato...

Edinei Siqueira disse...

Caro Rev. Nicodemus,

O Dr. John H. Armstrong escreveu um livro intitulado : Can Fallen pastors Be Restored? (Podem os Pastores caídos ser restaurados?)que ainda não foi traduzido para o português. Já sugerí a algumas editoras que traduzissem e publicassem o mesmo, mas até agora não obtive resposta. crendo que este assunto é de grande interesse e quase não encontrando nada a respeito na literatura brasileira gostaria de sugerir que o amado Rev. postasse um artigo sobre este assunto.

Pb. Edinei, Th.B

Edinei Siqueira disse...

Sugestão de leitura sobre o libelalismo teológico:

- Crítica histórica da Bíblia
Eta Linnemann, ed. Cultura cristã;

- O Jesus fabricado
Craig Evans, ed. Cultura cristã e

- Cristianismo e liberalismo
J. Gresham Machen, ed. Os puritanos

Pb. Edinei, Th.B

sandro barcelos disse...

lendo esse exelente artigo me veio a memoria a historia de sansão que matou um leão e depois o mesmo leao morto "matou" sansao, quando ele comeu o mel que foi produzido na carcaça do leao coisa que era proibida para os nazireus, o que pude entender neste texto é que muitos teologos tem procurado a carcaça do liberalismo teologico como aquelas abelhas que procuraram a carcaça do leao morto a ali estao produzindo um tipo de telogia com gosto de mel mais no fundo é veneno mortal e muitos tem perecido neste engodo.

Danilo Neves disse...

Olá, Tânia.

Num país onde a média de leitura é de 1 a 5 livros/habitante ano, não podemos ser otimistas quanto a "quem lê sobre teologia". Isso é um fato, diga-se de passagem, lamentável, que dificulta o interesse dos irmãos pelo o urgente assunto abordado neste post. Sem contar ainda que muitos pastores são desmotivados por isso (até porque também eles não lêem)

Com relação ao termo "massas", eu o uso sem conotações políticas aqui. Mas concordo com você que ele é meio pejorativo. Por isso, faço a correção: massas = irmãos que não possuem preparação teológica.

Um abraço!

Tania Cassiano disse...

Danilo,
você tem razão, acho que fui implicante (hehhehe), mas vejamos: o pessoal que não tem acesso a livros, deveriam pelo menos serem bem direcionados com uma teologia sadia. Já ouvi falar de um pastor,de Igreja tradicional, que anda fazendo oração, bastando para isso levar a foto do indivíduo ou batizando criança (que estava doente), precisando só da roupa para o ritual. Daí, se começarem a falar nas Igrejas sobre o tema, as
pessoas, com certeza irão entender.
Abs. da sua irmã em Cristo,
Tânia

vander disse...

gosto muito do seu estilo de escrever, acho muito objetivo

Elivando Mesquita disse...

Reverendo,

Sou de Fortaleza-CE e iniciei teologia esse ano em uma faculdade secular e aberto, pois aqui infelizmente temos poucas opções. Minha turma é formada por 95% evangélicos, a teologia é muito aberta e liberal, o que me incomoda demais! Somente essa entidade tem o reconhecimento pelo MEC e isso pesou na hora de escolher. Devo nesse caso levar em conta o reconhecimento?

Sds,


Elivando Mesquita

Augustus Nicodemus Lopes disse...

Elivando,

Se seu alvo é ser pastor e servir à igreja, não precisará de diploma reconhecido. Cursos de teologia, especialmente os liberais, não formam pastores. Eu tentaria estudar num seminário teológico, de uma denominação, cujo alvo é preparar obreiros.

Abs.

Joabe disse...

Dr. Augustus Nicodemos este seu artigo veio em momento pertinente,pois o que fica claro em nosso contexto é que o liberalismo(como movimento intelectual racionalista) estar muito vivo nas faculdades evangélicas de nosso país,e com muito pesar em meu coração tenho que confessar que em Brasília esta teologia tem ganhado muito terreno nas faculdades teológicas, professores que indicam obras escritas por liberais do séc XIX e XX e falam como se fossem as últimas descobertas no campo teológico.Mas fico feliz por existir professores que desafiam esse ateísmo cristão(liberalismo)e mostram que eles não passam de céticos que usam a Bíblia para criarem seus delirios teológicos.

Joabe n. oliveira
Brasília.

Teologia Entre Amigos disse...

Prezado Dr. Augustus!!!

Mais do que nunca, agora, nós, protestantes brasileiros, com a busca dos Seminários pelo reconhecimento do MEC e dos próprios candidatos ao curso desejosos de fazerem suas graduações em instituições com tal credenciamento, e, haja vista, que estas para obterem seus reconhecimentos, precisarão manter em seus quadros, mestres e doutores e estes, no Brasil, geralmente são formados em Academias Teológicas de corte liberal sim.

O liberalismo no Brasil em face de nossa pouca tradição teológica não era muito percebido. Somente os pastores com uma formação teológica mais sólida o conheciam, mas, diante do reconhecimento do Curso de Teologia em nível superior e oferecidos nas universidades ou faculdades de Teologia (como sempre foi na Europa e também nos Estados Unidos), a interação do aluno de teologia no Brasil com as temáticas do liberalismo seria questão de tempo. Chegou tarde, mas chegou!!!

Karllo disse...

Gostaria, porém, de que o senhor Nicodemus explicasse em que se baseia sua defesa da ortodoxia, senão numa tentativa de racionalização da fé...

Se o Iluminismo trouxe como problema a tentativa de abarcar toda a complexidade da existência dentro do racionalismo - postura esta amplamente denunciada por ortodoxos ou neo-ortodoxos -, por outro lado também reforçou a tentativa dos teólogos (a meu ver incabível) de limitar sua teologia ou a experiência com o divino a partir de uma única fonte, a qual foi construída em períodos históricos e culturais bem definidos e distantes e cujas atuais interpretações, apesar de se dizer serem "ortodoxas", são revistas e revisadas, reinterpretadas, reelaboradas, mas custa-se a admitir sua falência e mutabilidade.

A ortodoxia atual é, antes de uma crítica à racionalização ou humanização da fé, a própria expressão da lógica racional ante à teologia, o enquadramento interpretativo, lógico, das escrituras, num conjunto fechado de idéias e verdades. Nada mais próprio dos iluministas que estabelecer tal relação entre documento e verdade.

As formas de interpretação neo-ortodoxas, ou mesmo liberais, de fato não desapareceram como expressão do saber teológico e nem desaparecerão, pois representam na verdade o movimento mais legítimo de crítica à racionalização limitante da fé.

A defesa de Nicodemus parece ressuscitar não o debate ortodoxia x liberalismo, mas o dogma fé x razão. Sei que o cristianismo no Brasil segue direções opostas a esta lógica, mas em contrapartida acredito que cresce, lentamente e em oculto, um movimento subversivo o suficiente para criar uma nova fé que não exige acreditar em cobra falante...

Leia Mais em: http://www.genizahvirtual.com/2011/09/o-liberalismo-teologico-morreu.html#ixzz1ZIrRPXYp
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Augustus Nicodemus Lopes disse...

Eu respondo ao senhor Karllo da seguinte maneira:

1) Nós divergimos num nível mais profundo, que é nossa concepção da Bíblia. Para você, ela é "uma única fonte, a qual foi construída em períodos históricos e culturais bem definidos e distantes e cujas atuais interpretações, apesar de se dizer serem "ortodoxas", são revistas e revisadas, reinterpretadas, reelaboradas, mas custa-se a admitir sua falência e mutabilidade."

Para mim, ela é a inerrante e infalível Palavra de Deus, a única fonte confiável de conhecimento sobre Deus e nós mesmos. As interpretações dela vão variar de acordo com o que se pensa dela. Conservadores divergem em detalhes entre si. MAs discordam radicalmente de liberais.

Com uma diferença tão grande de concepção básica, é claro que não concordaremos em mais nada. Eu sou conservador e você é liberal.

A começar daqui: se a Bíblia não serve como fonte para a teologia, qual a fonte que usaremos? A razão? A natureza? A cultura?

2) A ortodoxia pode ter sido contaminada em determinados setores e momentos com o racionalismo e assim se tornou exatamente naquilo que combateu. Mas não é este meu caso. Se você leu meu texto com atenção, verificou que eu digo que a realidade é bem maior do que a razão pode averiguar. Creio em milagres e ressurreições e em cobras falantes, coisas estas que ultrapassam as barreiras do racionalismo.

3) O liberalismo não é e nunca foi uma crítica legítima à racionalização limitante da fé, pois ele mesmo parte da incredulidade, tem uma definição difusa e subjetiva de fé (Schleiermacher) e não coloca nada no lugar.

A maior prova da aridez, incredulidade e racionalismo do liberalismo são os números. As denominações que adotaram o liberalismo teológico estão se esfacelando, diminuindo e perdendo membros no mundo todo, inclusive no Brasil. Liberais não têm o que dizer aos pecadores perdidos, aos culpados, aos que sofrem e aos confusos.

4) Num ponto você tem razão: o liberalismo está crescendo no Brasil, como cresceu na Europa e Estados Unidos. A próxima etapa, à semelhança de um vírus que se instala num hospedeiro, é a morte do hospedeiro. O liberalismo destruiu as igrejas na Europa e nos Estados Unidos. O que prova exatamente meu ponto neste post: o liberalismo não morreu mesmo.

Portanto, vamos parar de dizer que o senhor Nicodemus fica levantando inimigos mortos e irrelevantes.

Por último, o comentário do senhor Karllo reforça minha convicção de que cobra ainda fala.

Karllo disse...

Senhor Nicodemus,

Em primeiro lugar gostaria de me desculpar; acredito que meu último comentário tenha sido agressivo, pessoal demais, pois às vezes escrevo o que penso de forma indelicada.

1) De fato, como você observou, divergimos fundamentalmente quanto ao significado da bíblia de modo que não concordaremos em muitos pontos importantes, mas acredito que não discordaremos em tudo. Leio seu blog porque acredito em grande parte da causa que você defende.

É claro que a bíblia é fonte de teologia, não nego sequer a primazia dos textos sagrados para tal finalidade, porém não acredito que se encerrem neles a possibilidade de reflexão (sim, admito interpretações históricas e culturais, creio que a revelação de Deus não se encerrou num momento do passado, mas continua a ser construída). A razão não é, obviamente fonte para a teologia, mas um instrumento que a serve - nem sempre, é verdade... -, bem como a cultura. E a natureza também, elas testificam a respeito do criador.

2) Concordo, seu texto não se limita à esfera racional.

3) Não defendo o liberalismo histórico como doutrina ou como bandeira da igreja, mas como possibilidade, sempre reavaliável, de questionar o que está colocado como dogma, a fim de que a lei - ou a letra - não esteja acima da vida, mas em favor dela, devendo, pois, considerar a dimensão histórica e cultural da fé e da teologia.

Não acredito que números ou sucesso e insucesso de uma doutrina sejam base de validação de uma teologia, ou apontem sua legitimidade ante a Deus, visto que, se assim fosse, o crescimento da fé muçulmana seria prova da providências divina, ou mesmo a dominação da igreja católica durante séculos seria indício do agir da "mão de Deus". Só porque uma idéia é popular não significa que seja ela verdadeira.

4) Se o vírus liberal viesse a destruir, no Brasil, a igreja instituição - o que não creio possa acontecer; no máximo crescerá como frente de resistência à posição ortodoxa, gerando um saudável conflito ideológico que provavelmente gerará uma síntese teológica inovadora -, penso que tal movimento seria acompanhado de formas alternativas de expressão de fé, talvez benéficas, já que a tradição religiosa brasileira tem especificidades por demais distantes da cultura européia, por exemplo. Não vejo risco de, no caso brasileiro, a influência liberal (não me refiro a pensadores, mas à mentalidade histórico-crítica que mencionei) produzir um desencantamento como no caso francês e, para falar a verdade, não sei se isso seria muito pior do que as possíveis consequências do tipo de "cristianismo" fundamentalista que aqui cresce (refiro-me aos "pentecostalismos").

Quanto à cobra, achei engraçado, mas espero que de algum modo você reconheça que aqueles que defendem de forma sincera o evangelho e a Cristo, ortodoxos ou não, só querem servir ao mesmo propósito: resgatar o homem da condição de separado de Deus. Vejo sim, nas formas alternativas à ortodoxia, algo que dizer aos que sofrem, aos pecadores perdidos, aos culpados , etc.

Espero que minha resposta seja entendida como explicativa, pessoal como o primeiro comentário, não como tentativa de sobrepor sua posição: não há dúvidas de que não concordaremos em muitas coisas, afinal o método de análise da fonte bíblica é visto por nós de maneira bem diferente.

Augustus Nicodemus Lopes disse...

Senhor Karllo,

Suas desculpas estão aceitas.

1) Quando eu estou falando com um liberal, insisto que a Bíblia é a única regra de fé e prática pois o liberalismo pretende construir uma nova teologia baseada no conhecimento da natureza, na razão, na cultura e nos postulados aceitos da ciência, relegando a Bíblia à plano secundário como um livro antigo e irrelevante.

E quando estou falando com pentecostal, insisto no mesmo ponto, pois apesar de considerarem a Bíblia como a Palavra de Deus, muitas práticas pentecostais e especialmente neopentecostais se formam a partir de fontes como revelações, profecias, sonhos e visões, que são usadas para justificar crenças e práticas que não têm nada a ver com as Escrituras.

Como calvinista, eu sei que Deus se revela na natureza. E creio na chamada “graça comum”. Todavia, conforme Romanos 1 nos ensina, a revelação de Deus na natureza é consistentemente deturpada pela mente corrompida do ser humano e leva à idolatria, falsos ensinamentos e concepções erradas de Deus, além de condutas morais reprováveis. Portanto, o que podemos aprender de Deus pela natureza tem que passar pelo crivo da Escritura. Da mesma forma, o que se pode aprender de Deus na cultura.

A razão pode - e deve - funcionar como ferramenta, mas desde que esteja submissa à Cristo, como Paulo diz em 2Cor 10:5 "levando cativo todo pensamento à obediência de Cristo". A razão desassistida do Espírito cai naquilo que Paulo disse, "o homem natural não entende as coisas do Espírito de Deus, pois lhe são loucura". As Escrituras se referem ao homem, em seu estado natural, como cego e morto para as coisas de Deus, incapaz de conhecê-lo e entendê-lo. “Quem não nascer de novo não pode ver o Reino de Deus”, disse Jesus (João 3). Se trouxermos a natureza, a razão e a cultura subordinados à revelação suprema e final das Escrituras, não vejo problemas.

2) Você tenta combater o veneno do fundamentalismo pentecostal com o veneno do liberalismo teológico. Mas, será que vai funcionar? Veneno + veneno = mais veneno ainda. Não haverá qualquer síntese boa disto.

A razão é simples: o liberalismo teológico não é cristianismo, mas outra religião. Recomendo o livro clássico "Cristianismo e Liberalismo" de J. Gresham Machen, professor de Princeton e depois de Westminster, onde ele mostra as diferenças fundamentais entre estas duas religiões.

A solução para enfrentar os malefícios do pentecostalismo fundamentalista não é o liberalismo - mas um retorno à Palavra de Deus, uma teologia construída a partir da autoridade da Escritura - coisa que nenhum dos dois movimentos têm sido capazes de oferecer.

[continua]

Augustus Nicodemus Lopes disse...

[continuação]

3) Se o liberalismo fosse uma religião distinta, clara, como uma denominação, tendo suas próprias igrejas e pastores e seminários, aí sua comparação com a religião muçulmana faria sentido. Mas a comparação não serve, pois o liberalismo é um movimento dentro de uma religião. Aonde ele chega, seca e esteriliza as igrejas afetadas, enquanto que as que não foram continuam crescendo e saudáveis. Portanto, este fato é significativo, sim, pois o esfacelamento das igrejas liberais se dá num ambiente onde as igrejas que não adotaram o liberalismo estão crescendo e se expandindo.

4) A mensagem da Bíblia para os pecadores perdidos e culpados (ou seja, todos nós) é esta: arrependam-se dos seus pecados e creiam em Jesus Cristo, que morreu pelos nossos pecados e ressuscitou para nossa justificação. Recebam a Jesus, o Filho de Deus, pela fé e vocês terão o perdão de pecados, pela graça. Recebam o Espírito Santo e vivam uma vida de santificação, decorrente da sua união com Cristo, e quando o Senhor Jesus voltar viveremos para sempre com Ele, pela ressurreição de entre os mortos, no novo céu e na nova terra onde habitam a justiça.

É claro que quando se fala de ressurreição, é ressurreição literal e física de gente morta. E que quando se fala da vinda de Cristo, é um evento dentro do tempo, espaço, história... não uma ilusão escatológica destinada a nos dar uma [falsa] esperança no presente.

Se você tem esta mensagem para os pecadores perdidos, senhor Karllo, paremos de nos tratar de "senhor" e passemos a nos chamar de "irmão".

Caso não, creio que já dissemos aqui o que tínhamos a dizer. E obrigado pela maneira inteligente e respeitosa como conversou.

Trabalhadores do Reino disse...

Rev Nicodemus!

Oportuníssimo seu post!

Este “defunto” está “vivinho da silva”! Tenho visto os efeitos desta "erva daninha" por todos os lados, inclusive onde estudo.

Eu me deparei com as falácias do liberalismo ainda bem cedo quando comecei o meu primeiro curso básico em Belo Horizonte em 2008. Até então, ninguém havia me dito que eu deveria "tirar os espinhos" daquilo com o que me alimentava, por assim dizer. Pela graça de Deus através do seu Espírito, fui preservada, e logo, logo me pus a separar, sem saber na verdade que corrente era aquela, tudo o que, na minha ignorância acadêmica: enfraquecia, diminuía, invalidava, desmistificava ou desmitologizava a Bíblia cujas palavras me salvaram crendo nelas como elas são!

Entretanto, como boa parte dos professores estava influenciada por alguns dos pressupostos do liberalismo, nenhum deles me advertiu. Chequei a estudar sobre crítica textual (a baixa crítica) pensando que o problema estava nas alterações nas versões de Bíblia, aprendi o que ensinava a Alta Crítica e depois fui me informar sobre Teísmo Aberto, até que, lendo muito e comparando autores, e questionando muito alguns professores, consegui que um deles finalmente falasse as diferenças entre Ortodoxia e Teologia Liberal. Pronto, tudo foi “desmistificado” na minha mente. Graças a Deus e a este professor que Ele usou. Hoje consigo perceber a linha de um autor ao ler poucas frases dele.

Tenho tido a oportunidade de lecionar algumas matérias pela Escola em que estudo (sou bacharelanda em Teologia, numa Escola Denominacional não credenciada ao Mec, escolha que fiz por motivos óbvios), para cursos básicos e médios e inseri em todas as minhas aulas (onde o assunto é pertinente) alertas quanto aos males do liberalismo, crendo em Deus que estou fazendo a minha parte pela causa. Quando leciono, costumo fazer analogia do liberal com aquela pessoa que tem chulé, pois um cristão que adota muitas das premissas liberais nunca se admite como tal, e, se o chamarmos de liberal irá discordar, mas a verdade é que por dar razão ao racionalismo carnal, adota e ensina uma teologia aquém do que a Bíblia merece. Afinal, “matei a charada” sobre por que motivo muitos teimam em ficar absolutamente ignorantes teologicamente e muitos outros dizerem que teologia esfria e mata o crente. O que mata é a Teologia Liberal. Isso posso dizer por mim, porque quanto mais estudo, mais próxima e mais dependente de Deus me encontro.

Trabalhadores do Reino disse...

(CONTINUAÇÃO)

Formo-me no final deste ano, e escolhi como tema do meu artigo científico:

A INFLUÊNCIA DO LIBERALISMO TEOLÓGICO NA IGREJA CONTEMPORÂNEA E SEUS EFEITOS NO CAMPO MISSIONÁRIO

Insisto na questão do campo missionário, pois, lendo a biografia de alguns missionários é possível perceber como este campo sofreu os efeitos do liberalismo, John Sung (1901-1944), é um exemplo do que falo.

Mas assim como o seu post “ressuscita” o “defunto” do liberalismo e levanta a questão de estar ele morto ou não, o assunto do meu artigo talvez tachado como nada inovador, e de certa forma dedutível (vindo de mim) não despertou a atenção de praticamente nenhum dos meus colegas e professores (para os quais sou extremista radical e fundamentalista). Com isso, não tenho tido muito apoio na elaboração dele. Como um artigo seu que li no ICP, publicado na Revista Defesa da Fé em 2007, acabou por delinear os contornos da silueta sinistra deste monstro dissimulado com sapatinhos de algodão ( http://www.icp.com.br/86entrevista.asp) gostaria que me ajudasse com bibliografias (ou material em mídia) que perpassem pelo tema que irei abordar, principalmente no que diz respeito ao fato de o liberalismo ser considerado um movimento acadêmico ultrapassado, mas que ainda está evidente entre nós.

Será para mim muita alegria receber sua ajuda, já que é alguém que considero gabaritado no assunto, para defender a mesma causa pela qual tenho lutado desde que tive discernimento “do bem” e “do mal” em se tratando de teologia...

Nem preciso dizer, mas fique firme neste propósito!

Grande abraço! Fique na Paz.
Elenilda Gramiscelli Sales.

Karllo disse...

Se esta mensagem...

"arrependam-se dos seus pecados e creiam em Jesus Cristo, que morreu pelos nossos pecados e ressuscitou para nossa justificação. Recebam a Jesus, o Filho de Deus, pela fé e vocês terão o perdão de pecados, pela graça. Recebam o Espírito Santo e vivam uma vida de santificação, decorrente da sua união com Cristo, e quando o Senhor Jesus voltar viveremos para sempre com Ele, pela ressurreição de entre os mortos, no novo céu e na nova terra onde habitam a justiça.
É claro que quando se fala de ressurreição, é ressurreição literal e física de gente morta. E que quando se fala da vinda de Cristo, é um evento dentro do tempo, espaço, história... não uma ilusão escatológica destinada a nos dar uma [falsa] esperança no presente."

... resume aquilo que nos faz ser cristãos, posso dizer que concordo plenamente; apesar de enxergar alguns destes pontos de maneira diferenciada posso afirmar que tenho sim esta mensagem para os pecadores... fico feliz de poder chamá-lo irmão Nicodemus!

Agradeço a dica de livro, vou procurá-lo. Grande abraço!

Teologia Entre Amigos disse...

Visitei uma jovem que há meses tentou suicídio, tomando uma cartela inteira de remédios. A razão? Estava estudando teologia em instituição de ensino liberal e em uma crise profunda de depressão, ao desconfiar, conforme era ensinada nas aulas, de que Jesus fora apenas um homem comum; que não morreu pelos nossos pecados; que não ressuscitou; de que não há vida eterna e nem um céu nos aguardando, perdeu a fé na existência de Deus e tentou se matar. Graças a Deus não conseguiu! Redescobriu a fé; trancou o Seminário e está congregando em uma sólida igreja reformada no Rio de Janeiro. Está em paz, casada e feliz com família e servindo com alegria ao Senhor Jesus Cristo a quem tanta ama!

Liberalismo Teológico não tem graça! Brincar com a fé dos alunos é um ato insano e de extrema responsabilidade que mestres terão que prestar contas a Deus. Crendo ou não eles nisso.

Karllo disse...

É muito bom saber que esta mulher encontrou paz na fé em Deus e foi salva desta possível forma de ateísmo disfarçado.

Mas vale dizer que nem todos que defendem formas liberais de teologia descreem da Revelação conforme o Teologia entre Amigos coloca. O poeta inglês William Blake já dizia há dois séculos que generalizar não é a melhor forma de descrever os eventos. Não citarei as palavras do autor.

De qualquer modo, é muito triste saber que há seminários capazes de influenciar tão negativamente uma vida através do estudo de uma mensagem - o Evangelho e as escrituras - que anuncia, na verdade, as boas novas da vida eterna em Cristo.

Ruiter disse...

Aqui quem escreve é um leigo, frequentador da IPB por 43 anos, agora na Igreja Batista, por motivos alheios à divergência doutrinária. Respeito e amo a Igreja em que nasci, e algo me preocupa, me parece que relacionado ao tema. Perdoem-me, se errado: nos idos de 70 e 80 ouvi de um dos pastores à época mais renomados, hoje jubilado, que a SBB nos trazia uma tradução não confiável das Escrituras, inclusive com alteração de textos e omissão de verbetes como Jesus e Cristo. E que surgia a Sociedade Bíblica Trinitariana como solução ao problema, a qual se mantinha o mais fiel possível aos textos Massorético e Receptus. Pergunto: isso era verdade? Se sim, por que a IPB mantém link para a SBB? Se não, o que pensar da SBTB, a qual alega que os liberalistas foram os responsáveis pelas alterações na tradução da Bíblia para agradar ao Clero Católico? Em que Bíblia devo realmente confiar? O que dizer das palavras em colchetes, que não fariam parte do texto original? Pastor, peço que me responda, pois esta questão é fundamental para a minha fé. Muito obrigado.

Vinícius disse...

Dr. Augustus, hoje, mais que nunca, percebo que os liberais não desapareceram. Talvez eles tenham colocado uma roupagem diferente, e aceitado um ou outro ponto da fé cristã, mas discordam de outros. Vejo alguns pontos comuns de alguns blogueiros:
* Creem na evolução e citam cristãos teístas evolucionistas para se justificarem: C.S.Lewis. Craig, McGrath, Francis COllins, etc;
*Não creem na inerrância da Bíblia, pois afirmam que o termo so nasceu na confissão de Chicado( de fato, pode ter sido o o termo, porém o conteúdo da declaração já era aceitos pelos cristãos há séculos).
*Não creem num inferno de fogo eterno como a Bíblia o diz. Ou são universalistas ou Deus punirá por um tempo e depois serão salvos, ou até mesmo, serão aniquilados.
*Se apoiam em teólogos que sequer acreditam na Bíblia, tal como Rubem Alves.
*Há alguns comunistas ou simpatizantes do sistema.
São a favor do aborto. Entre outros.
*O termo Fundamentalista é totalmente pejorativo quando se fala de Ortodoxia ou conservador.
Todo aquele que discorda dos ortodoxos ou corservadores, sao rapidamente felicitados e exultados. Vê-se por alguns que tem se alegrado de livro de Rob Bell ser lançado no Brasil.
E pra fechar, acham que qualquer teologia que negue os pontos da fé cristã devem ser levados em conta com felicidade, Pois, segundo eles, nós os conservadores achamos que tudo o que não é nosso espelho é liberal.
O Liberalismo pode ter sumido como aquele do início do século XX, mas que tem muito "crente" com ele na cabeça, e pior, no coração, isso tem!