quarta-feira, julho 30, 2008

Abertas as Inscrições para o Congresso de Filosofia e Cristianismo

O Mackenzie já abriu as inscrições para o IV Congresso Internacional de Ética e Cidadania, cujo tema é Filosofia e Cristianismo. É mais um Congresso realizado na Universidade que enfoca questões atuais que interessam os estudantes e professores de uma instituição de ensino superior confessional, como é o caso do Mackenzie.

O Congresso acontecerá nos dias 21 a 23 de outubro desse ano, no auditório Ruy Barbosa, no campus do Mackenzie em São Paulo.

O principal palestrante, Dr. Merold Westphal, é um dos membros da tríade de filósofos cristãos contemporâneos que têm conquistado o respeito dos estudiosos pelo rigor e abrangência de seu pensamento. Juntamente com Alvin Plantinga e Nicholas Wolterstorf, ele tem contribuído para aquilo que tem sido chamada de “nova epistemologia reformada,” ou seja, uma abordagem moderna do pensamento cristão às questões básicas e fundamentais da filosofia.

Dr. Westphal falará sobre os seguintes temas:
  • A Oração e o Eu Pós-Moderno
  • Como é Deus?
  • Usos Religiosos do Ateísmo Moderno
  • Fé e Conhecimento
Além de Dr. Westphal, o Congresso conta com a contribuição valiosa de pensadores e teólogos brasileiros, que participarão ativamente nos debates e discussões.

Esse Congresso, como os demais realizados anteriormente, tem como objetivo reafirmar a identidade confessional do Mackenzie. A visão cristã de mundo, também na filosofia, tem o seu lugar na reflexão epistemológica. Uma perspectiva completa e integral deve levar em conta a contribuição histórica do cristianismo para a compreensão das questões básicas com as quais os filósofos sempre se debateram.

As palestras serão transmitidas ao vivo pela Internet no site do evento.

As inscrições podem ser feitas pela Internet.

quarta-feira, julho 23, 2008

Carta a Um Jovem Evangélico que Faz Sexo com a Namorada


[Os nomes foram trocados para proteger as pessoas. Embora algumas circunstâncias mencionadas na carta sejam totalmente fictícias, o caso é mais real do que se pensa...]


Meu caro Ricardo,


Ontem estive pregando em sua igreja e tive a oportunidade de rever João, nosso amigo comum. Não lhe encontrei. João me disse que você e a Raquel, sua namorada, tinham saído com a turma da mocidade para um acampamento no fim de semana e que só regressariam nessa segunda bem cedo.


Saí com o João para comer pizza após o culto e falamos sobre você. João abriu o coração. Ele está muito preocupado com você, desde que você disse a ele que tem ido com Raquel para motéis da cidade e às vezes até mesmo depois do culto de jovens no sábado à noite. Ele falou que já teve várias conversas com você mas que você tem argumentado defendendo o sexo antes do casamento como se fosse normal e que pretende casar com Raquel quando terminarem a faculdade.


Ele pediu minha ajuda, para que eu falasse com você, e me autorizou a mencionar nossa conversa na pizzaria. Relutei, pois acho que é o pastor de sua igreja que deve tratar desse assunto. Você e a Raquel, afinal, são membros comungantes dessa igreja e estão debaixo da orientação espiritual dela. Mas, João me disse que o pastor faz de conta que não sabe que essas coisas estão acontecendo na mocidade da igreja. Como sou amigo da sua família fazem muitos anos, desde que vocês freqüentaram minha igreja em São Paulo, resolvi, então, escrever para você sobre esse assunto, tendo como base os argumentos que você usou diante de João para justificar sua ida a motéis com a Raquel.


Se entendi direito, você argumenta que não há nada na Bíblia que proiba sexo antes do casamento. É verdade que não há uma passagem bíblica que diga "não farás sexo antes do casamento;" mas existem dezenas de outras que expressam essa verdade com outras palavras e de outras maneiras. Podemos começar com aquelas que pressupõem o casamento como sendo o procedimento padrão, legal e estabelecido por Deus para pessoas que desejam viver juntas (veja Mateus 9:15; 24:38; Lucas 12:36; 14:8; João 2:1-2; 1Coríntios 7:9,28,39), aquelas que abençoam o casamento (Hebreus 13:4) e aquelas que se referem ao divórcio - que é o término oficial do casamento - como algo que Deus aborrece (veja Malaquias 3:16; Mateus 5:31-32).


Podemos incluir ainda aquelas passagens contra os que proíbem o casamento (1Timóteo 4:3) e as outras que condenam o adultério, a fornicação e a prostituição (veja Mateus 5:28,32; 15:19; João 8:3; 1Coríntios 7:2; 6:9; Gálatas 5:19; Efésios 5:3-5; Colossenses 3:5; 1Tessalonicenses 4:3-5; 1Timóteo 1:10; Hebreus 13:4; Apocalipse 21:8; 22:15). Qual é o referencial que nos possibilita caracterizar esses comportamentos como desvios, impureza e pecado? O casamento, naturalmente. Adultério, prostituição e fornicação, embora tendo nuances diferentes, têm em comum o fato de que são relações sexuais praticadas fora do casamento. Se o casamento, que implica num compromisso formal e legal entre um homem e uma mulher, não fosse a situação normal onde o sexo pode ser desfrutado de maneira legítima, como se poderia caracterizar como desvio o adultério, a fornicação ou a prostituição? A Bíblia considera essas coisas como pecado e coloca os que praticam a impureza sexual e a imoralidade debaixo da condenação de Deus - a menos que se arrependam, é claro, e mudem de vida.


Você argumenta também que o casamento é uma conveniência humana e que muda de cultura para cultura. Bom, é certo que o casamento tem um caráter social, cultural e pessoal. Todavia, do ponto de vista bíblico, não se pode esquecer que foi Deus quem criou o homem e a mulher, que os juntou no jardim, e disse que seriam uma só carne, dando-lhes a responsabilidade de constituir família e dominar o mundo. O casamento é uma instituição divina a ser realizada pelas sociedades humanas. Embora as culturas sejam distintas, e os rituais e procedimentos dos casamentos sejam distintos, do ponto de vista bíblico o casamento implica em reconhecimento legal daquela união por quem de direito, trazendo implicações para a criação e tutela dos filhos, sustento da casa e também responsabilidades e conseqüências em caso de separação e repúdio. Quando duas pessoas resolvem ir morar juntas como se fossem casadas, essa decisão não faz delas pessoas casadas diante de Deus - mas (desculpe a franqueza), pessoas que estão vivendo em imoralidade sexual.


É verdade que a legislação de muitos países tem cada vez mais reconhecido as chamadas uniões estáveis. É uma triste constatação que o casamento está cada vez mais sendo desvalorizado na sociedade moderna ocidental. Todavia, esses movimentos no mundo e na cultura não são a bússola pela qual a Igreja determina seu norte - e sim a Palavra de Deus. Em muitas culturas a legislação tem sancionado coisas que estão em contradição com os valores bíblicos, como aborto, eutanásia, uniões homossexuais, uso de drogas, etc. A Igreja deve ter uma postura crítica da cultura, tendo como referencial a Palavra de Deus.


O João me disse ainda que você considera que o mais importante é o amor e a fidelidade, e que argumentou que tem muita gente casada mas infeliz e infiel para com o cônjuge. Ricardo, é um jogo perigoso tentar justificar um erro com outro. Gente casada que é infiel não serve de desculpas para quem quer viver com outra pessoa sem se casar com ela. Além do mais, como pode existir o conceito de fidelidade numa união que não tem caráter oficial nem legal, e que não teve juramentos solenes feitos diante de Deus e das autoridades constituídas? Mesmo que você e sua namorada façam uma "cerimônia" particular onde só vocês dois estão presentes e onde se casem a si mesmos diante de Deus - qual a validade disso? As promessas de fidelidade trocadas por pessoas não casadas têm tanto valor quanto um contrato de gaveta. Lembre inclusive que não é a Igreja que casa, e sim o Estado. Naqueles casamentos religiosos com efeito civil, o pastor ou padre está agindo com procuração do juiz.


Não posso deixar de mencionar aqui que na Bíblia o casamento é constantemente referido como uma aliança (veja Ezequiel 16:59-63). Deus é testemunha dessa aliança feita no casamento, a qual também é chamada de "aliança de nossos pais", uma referência ao caráter público da mesma (não deixe de ler Malaquias 2:10-16).


Não fiquei nem um pouco surpreso com seu outro argumento para fazer sexo com sua namorada, que foi "é importante conhecer bem a pessoa antes do casamento". Já ouvi esse argumento dezenas de vezes. E sempre o considerei uma burrice - mais uma vez, desculpe a franqueza. Em que sentido ter relações sexuais com sua namorada vai lhe dar um conhecimento dela que servirá para determinar se o casamento vai dar certo ou não? Embora o sexo seja uma parte muito importante do casamento, o que faz um casamento funcionar são os relacionamentos pessoais, a tolerância, a compreensão, a renúncia, o amor, a entrega, o compartilhar... você pode descobrir antes do casamento que sua namorada é muito boa de cama, mas não é o desempenho sexual de vocês que vai manter ou salvar seu casamento. Esse argumento parte de um equívoco fundamental com relação à natureza do casamento e no fim nada mais é que uma desculpa tola para comerem a sobremesa antes do almoço.


Agora, o pior argumento que ouvi do João foi que você disse "a graça de Deus tolera esse comportamento." Acho esse o pior argumento porque ele revela uma coisa séria em seu pensamento, que é tomar a graça de Deus como desculpa para um comportamento imoral. Esse sempre foi o argumento dos libertinos ao longo da história da igreja. O escritor bíblico Judas, irmão de Tiago, enfrentou os libertinos de sua época chamando-os de "homens ímpios, que transformam em libertinagem a graça de nosso Deus e negam o nosso único Soberano e Senhor, Jesus Cristo" (Judas 4). Esse é o caminho de Balaão "o qual ensinava a Balaque a armar ciladas diante dos filhos de Israel para comerem coisas sacrificadas aos ídolos e praticarem a prostituição" (Apocalipse 2:14). É a doutrina da prostituta-profetisa Jezabel, que seduzia os cristão "a praticarem a prostituição e a comerem coisas sacrificadas aos ídolos" (Apocalipse 2:20) e a conhecer "as coisas profundas de Satanás" (Apocalipse 2:24).


Como seu amigo e pastor, permita-me exortá-lo a cair fora dessa maneira libertina de pensar, Ricardo, antes que sua consciência seja cauterizada pelo engano do pecado (Hebreus 3:13). Ainda há tempo para arrependimento e mudança de atitude. A abstinência sexual é o caminho de Deus para os solteiros, e esse estilo de vida é perfeitamente possível pelo poder do Espírito, ainda que aos olhos de outros seja a coisa mais careta e retrógrada que exista. Se você realmente pensa em casar com a Raquel e constituírem família, o melhor caminho é pararem agora de ter relações e aguardarem o dia do casamento. Vocês devem confessar a Deus o seu pecado e um ao outro, e seguir o caminho da abstinência, com a graça de Deus.

Estou à sua disposição para conversarmos pessoalmente. Traga a Raquel também. Estou orando por vocês.

Um grande abraço,Pr. Augustus

sexta-feira, julho 04, 2008

Ainda o estudo da Teologia

Em um post anterior (O Estudo da Teologia e as Escrituras) tratei desse assunto, apresentando o estudo da teologia como sendo uma tarefa que deveria envolver e interessar todo o Povo de Deus, não devendo ficar restrito apenas àqueles que são pastores, ou que estão se encaminhando para isso.

Nos últimos dias, dei uma entrevista ao Instituto JETRO, que já está postada e que circulará na newsletter daquela organização, competentemente dirigida pelo Rodolfo Montosa (IPI), que procura ampliar a aplicação da cosmovisão cristã a todas as áreas da vida, especialmente nas áreas de administração e gestão de pessoas e negócios.

O texto abaixo é o que foi submetido às perguntas apresentadas, na entrevista que foi publicada com o título: A Formação Teológica da Liderança Leiga.

JETRO: Sabemos que as igrejas têm investido em centros de treinamento próprios. Este tipo de iniciativa concorre com as faculdades teológicas?
Resposta – O treinamento teológico sempre foi de interesse primário das igrejas e denominações. São elas que devem primar para que as convicções teológicas sobre as quais estão firmadas sejam perpetuadas de geração a geração. As Faculdades Teológicas surgiram sequencialmente aos seminários denominacionais,e hoje em dia existem várias interdenominacionais ou com conexão remota com qualquer igreja específica. Não são as igrejas que surgem agora com “centros de treinamento”, mas é o inverso – as Faculdades Teológicas substituíram os “centros”, ou seminários que eram das igrejas ou denominações. Que há um objetivo comum em ambos, não há dúvida, mas não devemos falar em “concorrência”. Esse “investimento” nada mais é do que um retorno saudável às origens do treinamento teológico, que prioriza a proficiência bíblica e a devoção, em vez do mero fornecimento de um “diploma reconhecido pelo MEC”, que, infelizmente, tem sido o alvo e objetivo principal não somente das “Faculdades”, como também de muitos que a ela acorrem.

JETRO: Existe uma percepção geral de que os cursos de teologia estão se esvaziando. Os centros acima seriam os responsáveis por isso? Estariam eles mais preparados para o público leigo?
Resposta – Os cursos de teologia estão se esvaziando porque a igreja está deixando de ser pro-ativa no que diz respeito à identificação das vocações ministeriais. Nas últimas décadas enfatizamos demasiadamente o subjetivismo nessa área – a pessoa é que define se ela é “chamada” ou não. O “Senhor” fala diretamente a cada um, e não por intermédio da igreja e do conselho dos mais experientes. Na Bíblia vemos alguns chamados excepcionais, mas acredito que o que caracteriza a normalidade para a Igreja de Cristo, é o Corpo, pela atuação dos mais experientes e qualificados – conformes diretrizes de 1 Tm 3 e Tt 1 – observando os membros a forma de dedicação à palavra e os dons específicos que lhes foram concedidos pela soberana ação do Espírito Santo, e separando esses para o sagrado ministério da Palavra. Lógico que ninguém é forçado, pois é o mesmo Espírito que evidenciará tais qualificações aos circunstantes. Meu ponto é que as igrejas têm ficado meramente passivas, esperando que os vocacionados se encaminhem ao estudo teológico e ao treinamento pastoral. Identifiquem; encorajem; providenciem os meios; supervisionem; façam-nos colocar em prática o treinamento recebido – isso preencherá os cursos de teologia. Por outro lado, muitos cursos têm demonstrado uma propensão à autofagia e estão se destruindo de dentro para fora pelo academicismo, por uma espiritualidade vazia e pelo liberalismo teológico – que despreza a integridade da Palavra de Deus. Isso não contribui para sua perenidade.

JETRO: Qual deve ser a formação teológica da liderança leiga da igreja na sua opinião?
Resposta
– A maior possível. O estudo da teologia não é só para uma casta privilegiada. Alguns aspectos mais técnicos, relacionados com as línguas originais, podem ser secundários, para a liderança leiga, mas certamente o estudo bem ministrado da história da igreja, da apologética, da exegese, da teologia própria, e até da homilética, contribuirá para o alinhamento do rumo da igreja com os objetivos da Palavra de Deus. Vejo com muito otimismo o ressurgimento de um interesse de vários líderes leigos em serem treinados. Na minha denominação (IPB) muitos presbitérios ou igrejas locais têm organizado tais treinamentos, em cursos de um ano. Normalmente têm boa procura e freqüência. Temos que abandonar a idéia de pensar que tudo é tarefa e obrigação dos pastores, mas temos que ser bem treinados para liberá-los ao pastoreio do rebanho e apoiá-los em suas responsabilidades.

JETRO: Cremos que nunca houve um tempo de tantas seitas e heresias. De que forma a formação teológica ajudaria a liderança em lidar com isso?
Resposta
– Temos que ter a convicção de que conhecimento teológico se deriva da Palavra de Deus. Temos que voltar à doutrina de suficiência e inerrância das Escrituras. Essa é uma escolha de Deus e não nossa. Ele não decidiu nos legar a Bíblia para que fosse uma peça de museu, anacrônica, sem relevância aos nossos dias; ou para que extraíssemos nossas convicções teológicas do último “guru” evangélico de plantão – daquele que reinterpreta a graça como licenciosidade, ou do que diminui a sobrania de Deus para que caiba em nossas falíveis mentes, ou do que torna Deus servo de nossos desejos. A formação teológica adequada procurará discernir o que Deus fala, em Sua Palavra, e avidamente buscará aplicar essas verdades aos nossos dias, com uma humildade que vem acondicionada na coragem necessária de ser diferente dos tempos, mas fiéis à Bíblia.

JETRO: Muitos líderes das igrejas são profissionais já formados e experientes em suas áreas de origem. Não seria difícil uma pessoa com este perfil voltar para o banco da escola?
Resposta
– Profissionais já formados e experientes, se são competentes, sabem que o que existe para aprender é sempre muito mais do que o que já sabemos. Se há apreço e amor pela Igreja de Cristo, pela qual ele verteu o seu próprio sangue; se há convencimento de que precisamos saber mais sobre os seus ensinamentos; haverá submissão a uma rotina de aprendizado, a um “retorno aos bancos”. Meu conselho é que tais cursos para a liderança leiga seja ministrado em meio expediente de sábados alternados e, talvez, uma noite em semanas alternadas. Pode ser que leve um tempo maior para o treinamento necessário, mas não é realista compatibilizar várias outras atividades, principalmente no caos de trânsito e deslocamento das grandes metrópoles, com um treinamento que apresente demandas de freqüência diária, ou muito amiúde.

JETRO: O que uma faculdade de teologia pode oferecer para um líder leigo que não pode ser substituído por algum outro tipo de capacitação?
Resposta – O ensino teológico em nível superior é normalmente ministrado por pessoas que levaram anos se preparando, estudando em detalhes as diretrizes da Palavra de Deus. Muitos cursos de capacitação, devido ao seu caráter voluntário e pouco sistemático, sofrem com inconstância na docência, ou na seriedade com que os participantes encaram as lições recebidas. Há menos leitura de obras relacionadas com a Igreja; há diluição ou ausência nos testes de aferição do aproveitamento; há menos tempo colocado na ministração das diversas áreas. No entanto, nem sempre é realista achar que um líder leigo conseguirá separar o tempo necessário a um treinamento teológico em nível superior.

JETRO: E a respeito dos pastores? Em sua opinião, qual a maior necessidade de conhecimento da atual liderança pastoral evangélica?
Resposta – É uma necessidade tripla. Os pastores precisam estudar mais teologia sistemática e bíblica – as doutrinas derivadas do ensinamento da Palavra de Deus. Muitos estão se esmerando no estudo da psicologia, ou da manipulação de massas – mas o Povo de Deus anseia por aqueles que tenham um sólido alicerce teológico e não fiquem ao sabor dos “ventos de doutrina”, tão velozes e destruidores nos nossos dias. A segunda necessidade é a de se aprofundarem e provarem a sua vocação na prática pastoral. Numa era onde as mega-igrejas são glorificadas, chamado pastoral tem sido confundido com competência empresarial. Observamos distanciamento, em vez de aproximação do rebanho. A terceira área é encontrada na prática da pregação. Temos observado que o papel da pregação vem sendo a cada dia mais negligenciado. O “louvor” em vez de ser entrelaçado aos vários elementos do culto, vem se transformando em um show de virtuosismo de poucos, ou de uma catarse coletiva de emotividade, sendo sempre sacrificada a pregação da Palavra – quando a Bíblia nos ensina que ela é o veículo de crescimento em entendimento e meio de conversão de pecadores. Nessa área, o grande passo que as Faculdades Teológicas e instituições congêneres de ensino superior teológico deveriam dar, é retornar ao ensino da pregação expositiva – onde textos completos são expostos, explicados e aplicados à situação dos fiéis. É o grande antídoto à multidão de pensamentos aleatórios, personalistas e anti-bíblicos que permeiam os nossos púlpitos.

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Solano Portela