segunda-feira, março 16, 2009

Por Que Não Abraço a “Espiritualidade”

Existe em todo mundo um movimento entre católicos e protestantes que visa resgatar a mística medieval, especialmente as práticas e as disciplinas espirituais dos cristãos da Idade Média como modelo para uma nova espiritualidade hoje, em reação à frieza, carnalidade e mundanismo da cristandade moderna. Esse movimento é geralmente conhecido como “espiritualidade” e tem atraído não poucos líderes católicos e protestantes. Apesar do nome, é bom lembrar que existem importantes diferenças entre esse movimento e a busca tradicional de uma vida espiritual mais profunda por parte do Cristianismo histórico.

Que esse movimento tenha adeptos entre os católicos, não é de admirar, pois é entre eles que está a sua origem e se encontram seus ícones. O que espanta é sua presença entre os protestantes, e mesmo aqueles de convicções mais conservadoras.

Eu até entendo o motivo pelo qual o movimento de espiritualidade tem conseguido atrair pastores e líderes das igrejas históricas e conservadoras em nosso país. Primeiro, porque existe uma decepção justificada da parte desses líderes diante da falta das práticas devocionais em boa parte dos que são teologicamente mais conservadores. Infelizmente, os quartéis conservadores abrigam pastores assim, que não oram, não jejuam, não gastam tempo lendo a Palavra e meditando nela, buscando uma comunhão mais profunda com Deus e a plenitude do seu Espírito Santo.

Ainda hoje estava falando com outro colega pastor que se queixava de colegas de ministério que ficam na cama até perto do meio dia, que gastam a maior parte do tempo na internet, que não trabalham, não evangelizam, não gastam tempo com Deus e com o rebanho, e que vão levando o ministério nessa farsa. Não é de espantar que suas igrejas sejam minúsculas, problemáticas e que eles não se demorem muito tempo em um mesmo local. E que, quando saem, deixam atrás de si um rastro de destruição, confusão, insatisfação e problemas não resolvidos. É lógico que esses não representam a totalidade dos pastores conservadores, e muito menos a teologia reformada, que tradicionalmente sempre valorizou a vida de piedade ao lado do cultivo intelectual da mente. Todavia, o fato de que permanecem anos a fio em seus presbitérios e convenções, enterrando igrejas, criando problemas, sem que sejam questionados ou confrontados, dá aos demais conservadores ares de cumplicidade e abre portas para que movimentos como esse da espiritualidade encontre mentes e corações ávidos, cansados da frieza, carnalidade e politicagem que encontram entre os conservadores.

Segundo, existe no próprio meio conservador um desencanto com a piedade pentecostal que já teve melhores dias entre nós. Muitos pastores conservadores que um dia se sentiram atraídos pelas ofertas do pentecostalismo, de batismo com o Espírito Santo, falar em línguas, sonhos e visões, profecias, sinais e prodígios, têm recuado diante da aparente superficialidade e da ênfase desmedida nas experiências, que são características desse movimento. Eles querem uma piedade mais solidamente enraizada nas Escrituras e que ofereça alguma salvaguarda para os exageros, falsificações e eventuais interferências humanas nas experiências. É quando surge o movimento de espiritualidade, que se distancia do pentecostalismo em vários aspectos e promete aquilo que todos desejam, uma proximidade com Deus nunca dantes experimentada mediante as práticas devocionais, sem os abusos da experiência pentecostal.

Outro atrativo no movimento é que ele se reveste de um misticismo que apela profundamente às almas que por natureza são mais piedosas e religiosas, as quais também se encontram dentro dos limites da tradição mais conservadora. Para tais pessoas, a idéia de se gastar tempo em silêncio contemplando o divino, ouvindo a voz de Deus, penetrando os tabernáculos celestes, tocando nas vestes de Cristo, mortificando a carne e suas paixões mediante o jejum e abstinência de alguns confortos terrenos e físicos, é um atrativo poderoso, como sempre foi através da história da Igreja.

Eu confesso, todavia, que nunca me senti realmente atraído por esse tipo de espiritualidade. Não gostaria de pensar que isso é porque eu sou um daqueles pastores frios e sem o Espírito Santo que mencionei em algum parágrafo acima. Há quem concorda totalmente com essa avaliação a meu respeito. Mas, deixarei nas mãos de Deus o veredicto sobre isso. Conscientemente, não me sinto interessado nessa espiritualidade, acima de tudo, pelo fato de que ela é defendido por padres e leigos católicos e que, entre os protestantes, ganhou muitos adeptos e defensores da parte dos liberais. Desconfio de tudo que os liberais apóiam e defendem.

Não estou dizendo que todos os protestantes que adotaram ou aderiram ao movimento de espiritualidade são liberais. Conheço uma meia dúzia que não é. Deve haver muitos outros. O que estou dizendo é que, para mim, é no mínimo intrigante que os liberais, que sempre se disseram progressistas e amantes do novo, defendam com tanto interesse um modelo de espiritualidade que tem como ícones monges e freiras católicos da Idade Média e o tipo de práticas espirituais deles.

Não discordo de tudo que os defensores da espiritualidade pregam. Quebrantamento, despojamento, mortificação, humildade, amor ao próximo são conceitos bíblicos. E encontramos vários desses conceitos defendidos pelos seguidores da espiritualidade. Meu problema não é tanto o que eles dizem – embora eu pudesse apontar um ou outro ponto de discordância conceitual, mas o que eles não dizem ou dizem muito baixinho, a ponto de se perder no cipoal de outros conceitos.

Sinto falta, por exemplo, de uma ênfase na justificação pela fé em Cristo, pela graça, sem as obras ou méritos humanos, como raiz da espiritualidade. Uma espiritualidade que não se baseia na justificação pela fé e que nasce dela está fadada a virar, em algum momento, uma tentativa de justificação pela espiritualidade ou piedade pessoal. Não estou dizendo que os defensores da espiritualidade negam a justificação pela fé somente – talvez os defensores católicos o façam, pois a doutrina católica de fato anatematiza quem defende a salvação pela fé somente. O que estou dizendo é que não encontro essa ênfase à justificação pela fé em Cristo nos escritos que defendem a espiritualidade.

Sinto falta, igualmente, de uma declaração mais aberta e explícita que a espiritualidade começa com a regeneração, o novo nascimento, e que somente pessoas que nasceram de novo e foram regeneradas pelo Espírito Santo de Deus, que são uma nova criatura, um novo homem, é que podem realmente se santificar, crescer espiritualmente e ter comunhão íntima com Deus. A ausência da doutrina da regeneração no movimento pode dar a impressão de que por detrás de tudo está a idéia de que a religiosa natural, inata, do ser humano, por causa da imago dei, é suficiente para uma aproximação espiritual em relação a Deus mediante o emprego das práticas devocionais.

O caráter progressivo na santificação também está faltando na pregação do movimento. Quando não mantemos em mente o fato de que a santificação é imperfeita nesse mundo, que nunca ficaremos aqui totalmente livres da nossa natureza pecaminosa e de seus efeitos, facilmente podemos nos inclinar para o perfeccionismo, que ao fim traz arrogância ou frustração.
Também gostaria de ver mais claramente explicado o que significa imitar a Jesus como uma das características da vida cristã. Pois, até onde sei, Jesus não era cristão. A religião dele era totalmente diferente da nossa. Nós somos pecadores. Jesus não era. Logo, ele não se arrependia, não pedia perdão, não mortificava uma natureza pecaminosa, não lamentava e chorava por seus pecados. Ele não orava em nome de alguém e nem precisava de um mediador entre ele e Deus. Ele não tinha consciência de pecado e nem sentia culpa – a não ser quando levou sobre si nossos pecados na cruz. Ele não precisava ser justificado de seus pecados e nem experimentava o processo crescente e contínuo de santificação. A religião de Jesus era a religião do Éden, a religião de Adão e Eva antes de pecarem. Somente eles viveram essa religião. Nós somos cristãos. Eles nunca foram. Jesus nunca foi. Como, portanto, vou imitá-lo nesse sentido?

É esse tipo de definição e esclarecimento que sinto falta na literatura da espiritualidade, que constantemente se refere à imitação de Cristo sem maiores qualificações. Quando vemos Jesus somente como exemplo a ser seguido, podemos perdê-lo de vista como nosso Senhor e Salvador. Quando o Novo Testamento fala em imitarmos a Cristo, é sempre em sua disposição de renunciar a si mesmo para fazer a vontade de Deus, sofrendo mansamente as contradições (Filipenses 2:5; 1Pedro 2:21). Mas nunca em imitarmos a Jesus como cristão, em suas práticas devocionais e na sua espiritualidade.

Faltam ainda outras definições em pontos cruciais. Por exemplo, o que realmente significa “ouvir a voz de Deus”, algo que aparece constantemente no discurso dos defensores da espiritualidade? Quando fico em silêncio, meditando nas Escrituras, aberto para Deus, o que de fato estou esperando? Ouvir a voz de Deus com esses ouvidos que um dia a terra há de comer? Ouvir uma voz interior, como os Quackers? Sentir uma presença espiritual poderosa, definida, que afeta inclusive meu corpo, com tremores, arrepios? Ver uma luz interior, ou até mesmo ter uma visão do Cristo glorificado e manter diálogos com ele, como Teresa D’Ávila, Inácio de Loyola, a freira Hildegard e mais recentemente Benny Hinn? Ou talvez essa indefinição do que seja “ouvir a voz de Deus” seja intencional, visto que a indefinição abriga todas as coisas mencionadas acima e outras mais, unindo por essas experiências vagas pessoas das mais diferentes persuasões doutrinárias e teológicas, como católicos e evangélicos, conservadores e liberais?

Por fim, entendo que biblicamente os meios exteriores e ordinários pelos quais Cristo comunica à sua Igreja os benefícios de sua mediação, de seu sacrifício e de sua ressurreição, são a Palavra, os sacramentos e a oração. Outros meios, como, silêncio, meditação, contemplação, isolamento, mortificação asceta do corpo, não são reconhecidos como meios de graça, embora possam ter algum valor temporal acessório às ordenanças de Cristo. Como ensinou Paulo, seguir uma lista daquilo que podemos ou não podemos manusear, tocar e provar tem “aparência de sabedoria, como culto de si mesmo, e de falsa humildade, e de rigor ascético; todavia, não tem valor algum contra a sensualidade” (Col 2:20-23).

Por todos esses motivos acima, nunca realmente me senti interessado na espiritualidade proposta por esse movimento. Parece-me uma tentativa de elevação espiritual sem a teologia bíblica, uma tentativa de buscar a Deus por parte de quem já desistiu da doutrina cristã, das verdades formuladas nas Escrituras de maneira proposicional. Prefiro a espiritualidade evangélica tradicional, centrada na justificação pela fé, que enfatiza a graça de Deus recebida mediante a Palavra, os sacramentos e a oração e que vê a santidade como um processo inacabado nesse mundo, embora tendo como alvo a perfeição final.

Franklin Ferreira, conversando comigo sobre esse assunto, escreveu o que se segue, que reproduzo literalmente por retratar de forma sintética e profunda o que considero o principal problema com a espiritualidade defendida pelo movimento que leva esse nome:


Acho que você conhece a distinção que Lutero fez entre a "teologia da glória" e a teologia da cruz". Muito do movimento de espiritualidade moderno cai, justamente, no que Lutero chamou de "teologia da glória", a tentativa de chegar a Deus de forma imediata, ou por meio de legalismo (mortificação, flagelação da carne, etc.), especulação teológica (como no liberalismo de Tillich ou no misticismo (as escadas da ascensão da alma para o céu, com a necessária purgação, mortificação e iluminação). Note que nessas três escadas, o que se fala é da união da alma de forma imediata com Deus, sem a mediação de Cristo crucificado. Para Lutero, o fiel só encontra Deus não nas manifestações de poder que supostamente cercam as três escadas, mas em fraqueza, na cruz, pois por meio dela somos justificados.

Enfim. Deus me guarde de ir contra a busca de uma vida cristã superior, de desenvolver a vida interior. Que Ele igualmente me guarde de qualquer tentativa de alcançar isso que não esteja solidamente embasada em Sua Palavra.

Sobre isso, relembro os seguintes posts aqui no Tempora-Mores:

Sobre Espiritualidade, Místicos e Neoliberais


Para quem Pensa Estar em Pé (I) -- Versão para Pentecostais e Neopentecostais


Para Quem Pensa Estar em Pé (II) – versão para reformados e neopuritanos


Para Quem Pensa Estar em Pé (III) – versão para neo-ortodoxos

72 comentários:

Cristiano Pereira de Magalhães disse...

Rev. Augustus,

É curioso observar como a História é cíclica. Velhas idéias sempre voltam (às vezes, com roupas novas) e atraem multidões!!!

As práticas ascéticas trazem uma áurea de "espiritualidade". Não sou estudioso do assunto, mas me lembrei dos faquires do hinduísmo (corrija-me se estiver errado)que fazem jejuns prolongados, flagelam o corpo etc..

Lembro-me da advertência do Apóstolo Paulo que muitas vezes satanás vem como "anjo de luz", ministro de justiça, mas tudo não passa de mais um ardil da maldita e execrável serpente...

Concordo plenamente com o irmão. Se somos presbiterianos, assumimos publicamente o compromisso de ter a Bíblia Sagrada como regra de fé e prática.

Precisamos estar atentos para não nos desviarmos do "Norte Bíblico" e cairmos nessas armadilhas.

As pequenas coisas são muito perigosas. Não foi um pequeno gesto de desobediência que deu margem à entrada do pecado? (a propósito do tema, escrevi um comentário em meu blog, que precisa de atualização...).

Acho muito importante que o cristão esteja atento e informado a respeito dos movimentos paralelos que surgem para que não caíamos nas armadilhas.

Que DEUS ao irmão e seu Ministério!!!

Cristiano Pereira de Magalhães

MAC disse...

Caro Rev. Augustus.

Muito interessante suas considerações sobre o tema, mas não entendi muito bem quando o senhor falou: “Por exemplo, o que realmente significa “ouvir a voz de Deus”, algo que aparece constantemente no discurso dos defensores da espiritualidade? [...] Ou talvez essa indefinição do que seja “ouvir a voz de Deus” seja intencional, visto que a indefinição abriga todas as coisas mencionadas acima e outras mais, unindo por essas experiências vagas pessoas das mais diferentes persuasões doutrinárias e teológicas, como católicos e evangélicos, conservadores e liberais?
Então, até mesmo por curiosidade, gostaria de saber na “prática” o que o senhor considera o “ouvir a voz de Deus”?
Vou ilustrar meu questionamento para que fique melhor entendido. Vamos supor que o senhor está passando por uma dificuldade em resolver um problema, então o senhor ora a Deus pedindo ajuda. Como a resposta desse pedido feito em oração se dá na "prática"?
O senhor diz que entende ser “a Palavra, os sacramentos e a oração” “os meios exteriores e ordinários pelos quais Cristo comunica à sua Igreja os benefícios de sua mediação”. Então, como estes “meios exteriores de comunicação” se relacionariam com o exemplo que eu dei?

Em Cristo, MAC.

Valtencir disse...

Augustus boa noite,

Na medida do possível, procuro ler seus artigos. São muito profundos e sempre acrescentam algo de novo em minha vida. Nos poucos comentários que já fiz, creio que fica claro minha admiração pelos artigos e livros.
Ontem a noite, devido a um imprevisto perdi o horário do culto, e aproveitei para passear frente a algumas igrejas, pentecostais, neo e históricas. Fiquei com uma cena intrigante na mente, as pentecostais e neo, estavm cheias e as pessoas pareciam estar animadas e felizes, nas históricas, muitas cadeiras vazias, e as pessoas pareciam deprimidas.
Suas palavras neste artigo, como sempre são muito eloquentes, mas porque isso tem acontecido? Será que perdemos alguma coisa no caminho? Intelectualmente não tenho dúvidas do caminho que temos trilhado, mas tal cena é simplesmente estontaente.

Abraços do amigo,

Danilo Neves disse...

Só faltou um "mantra" nessa doutrina, kkk...

Certa feita li sobre a "doutrina da perfeição absoluta" que John Wesley, um dos grandes evangelistas do Avivamento do século 18, defendia, podendo nós alcançar a santificação plena aqui na terra, segundo ele. Lendo o post do senhor, reverendo, liguei isso que tá na moda, a "espiritualidade", a essa doutrina wesleyana.

3 perguntas rápidas: tem ou não tem nada a haver o que liguei? a "espiritualidade", nos moldes contemporâneos, transmite a idéia de que ela está em cima do muro que separa a justificação pela fé da justificação pelas obras? se sim, posso concluir que é uma espécie de "liberal-piedoso" quem a segue?

essa foi a minha percepção do post, mas como li pouco sobre o assunto até então, posso estar pensando errado.

Graça e paz, pr. Nicodemus, em Jesus, o Filho de Deus. Amém!

Harley disse...

Caros Irmãos,

Já congreguei em uma "comunidade cristã", uma igreja que podemos classificar de neopetencostal, e me vi forçado a sair, pois, apesar da grande comunhão com muitos irmãos, a liderança se mostrou autoritária e desprovida de um amor sincero. Realmente os cultos são festivos mas vazios de conteúdo. Não suportava mais ser levado por qualquer vento de doutrina, tais como modismos "teológicos", G12, danças, etc. Hoje, numa igreja Batista Nacional tenho encontrado uma fé muito mais firmada na Palavra do Senhor.
E, certamente a nossa "espiritualidade" não pode ser julgada pelas experiências místicas que são "atribuídas" a Deus, mas pela ação do Espírito Santo, que nos regenera, nos guia e nos santifica.
Contudo, vejo um futuro melhor para a Igreja do Senhor no Brasil, visitando algumas livrarias evangélicos tenho notado que as vendas de livros teológicos voltados para o estudo da Bíblia tem crescido, inclusive com grande influência da literatura reformada.
Portanto, creio que o evangelho vai crescer muito mais qualitativamente do que numericamente no Brasil, em virtude da busca aprofundada pelo entendimento de Deus em sua Palavra, aí sim, veremos o efeito disso em nosso caminhar com Cristo e na nossa sociedade.

Deus abençoe a todos...

Ir. Harley

Hugo disse...

Caro Rev. Augustus,

Considero absolutamente importantes as observações trazidas à lume nesse artigo; foram para mim bastantes instrutivas. Expressaram com maestria um sentimento que de alguma forma eu carregava, mas que jamais conseguiria por em palavras. Agradeço, assim, por esta notável contribuição.

Nada obstante, tenho tido contato há alguns anos com certos irmãos e com certa literatura que de alguma forma busca resgatar algumas virtudes dos assim chamados "pais do deserto" medievais. Certamente o senhor conhece a trilogia sobre espiritualidade do Dr. James Houston (publicada numa infeliz e mal feita edição da Abba Press), bem como "O caminho do coração", do Rev. Ricardo Barbosa. São, sem sombra de dúvida (ao menos em minha avaliação), obras de grande valor devocional.

Como o senhor avalia estas obras e o diálogo que estes irmãos reformados têm feito com este movimento de espiritualidade? O senhor pensa que eles têm conseguido conciliar a ênfase contemplativa com a boa e velha "teologia da cruz"?

Abraços.

Augustus Nicodemus Lopes disse...

MAC,

"Ouvir a voz de Deus" se torna algo bastante vago quando não se estabelecem os critérios pelos quais se reconhece se a voz é de Deus mesmo, ou a voz de espíritos enganadores ou ainda a voz do próprio coração humano corrompido. Por causa da subjetividade inerente ao conceito, sigo a prática Reformada: Deus nos fala pelas Escrituras e nos guia por sua Providência, através das circunstâncias e oportunidades.

Abraços.

Augustus Nicodemus Lopes disse...

Valtencir,

É vero -- há igrejas locais de denominações históricas que têm lugares vazios e o culto realmente não edifica. Mas, felizmente, há aquelas que estão cheinhas e onde o culto é centrado na Palavra. Se a alegria das pessoas que lotam as igrejas neopentecostais é decorrente do efeito do Espírito Santo atuando pela Palavra, só tenho que louvar a Deus e me regozijar porque o Reino dele está crescendo e certamente é maior do que as igrejas históricas.

Há várias razões pelas quais existem igrejas históricas minúsculas. Veja o post http://tempora-mores.blogspot.com/2007/08/dez-motivos-pelos-quais-pastores.html.

Mas, veja o outro lado em:
http://tempora-mores.blogspot.com/2008/04/por-que-as-igrejas-dos-neo-pentecostais.html

José Eduardo disse...

Rev Augustus

Como sempre, um post de qualidade. Quanto ao tema: Não estaríamos jogando o bebê junto com a água suja? Não seria possível um movimento por uma maior espiritualidade em nossas vidas (integralmente) com atenção aos pontos levantados em seu post?

Abraços
José Eduardo

Augustus Nicodemus Lopes disse...

Danilo,

Respostas às suas perguntas:

1) Não consigo ver a relação entre o perfeccionismo de Wesley e o movimento de espiritualidade, mas pode ser que eu não tenha olhado mais à fundo.

2) Há muitos evangélicos no movimento de espiritualidade que certamente sabem que a justificação é pela fé. O que sinto falta é de uma maior ênfase à isso e aos desdobramentos práticos em termos de santificação pessoal. Eu não diria que todos os seguidores da "espiritualidade" são liberais-piedosos, mas apenas que liberais-piedosos parecem se sentir à vontade dentro do movimento de espiritualidade.

Abraços.

Augustus Nicodemus Lopes disse...

Hugo,

O resgate das virtudes dos "pais do deserto medievais" é tarefa complexa e difícil, não importa por quem seja feita. A dificuldade está em separar as práticas devocionais desses monges e freiras das doutrinas católico-romanas que eles abraçavam. Eu não estou dizendo que eles não eram salvos e nem estou dizendo que não tem nada de bom no que fizeram e escreveram. Estou apenas dizendo que em decorrência da união simbiótica entre aquilo que você crêr e aquilo que você pratica, separar as virtudes devocionais dos pais do deserto da doutrina dominante da época é como tentar separar gêmeos siameses: não é que seja impossível, mas vai dar trabalho e o resultado nem sempre é satisfatório.

Abraços!

Daniel dliver disse...

Rev. Augustus,

Na linha do comentário de José Eduardo, não temos nos escritos de Dallas Willard, Eugene Peterson e Francis Schaeffer, dentre outros, exemplos de esforços bem-sucedidos em demonstrar a formação espiritual especificamente cristã, saudável e bíblica?

O que dizer ainda de ensinos como os veiculados em "A mortificação do pecado", de John Owen, ou "Introdução a espiritualidade", de Alister McGrath ?

Augustus Nicodemus Lopes disse...

José Eduardo,

Não, não creio que estejamos jogando o bebê fora junto com a água suja. Eu fiz essa separação no post, nesse parágrafo aqui:

"Não discordo de tudo que os defensores da espiritualidade pregam. Quebrantamento, despojamento, mortificação, humildade, amor ao próximo são conceitos bíblicos. E encontramos vários desses conceitos defendidos pelos seguidores da espiritualidade. Meu problema não é tanto o que eles dizem – embora eu pudesse apontar um ou outro ponto de discordância conceitual, mas o que eles não dizem ou dizem muito baixinho, a ponto de se perder no cipoal de outros conceitos."

Creio que é possível e desejável uma busca pela espiritualidade. Foi o que disse no último parágrafo do post:

"Enfim. Deus me guarde de ir contra a busca de uma vida cristã superior, de desenvolver a vida interior. Que Ele igualmente me guarde de qualquer tentativa de alcançar isso que não esteja solidamente embasada em Sua Palavra."

Um abraço!

Augustus Nicodemus Lopes disse...

Daniel,

Não vou querer aqui fazer uma avaliação de todo mundo que já escreveu alguma coisa na área da espiritualidade. Vamos ficar nos pontos gerais que eu coloquei. Sou a favor da espiritualidade, do avivamento, da plenitude do Espírito, eu mesmo oro e busco essas coisas. Sou contra a busca de uma espiritualidade que não se centralize na cruz, na justificação pela fé mediante a graça, que incentiva práticas devocionais que nem são embasadas na Bíblia e que são divorciadas de conteúdo bíblico sólido.

São esses os critérios que uso para apreciar ou desgostar de obras sobre a espiritualidade, seja quem for o autor.

Grande abraço.

Augustus Nicodemus Lopes disse...

Fabiani,

Li seu comentário e conforme você pediu, não liberei. Gostei da maneira como você respondeu a seu amigo. Achei bastante equilibrada a sua perspectiva. Fique firme e vamos continuar caminhando.

Grande abraço.

180° disse...

Prezado,

"Cristianismo autêntico - o cristianismo de Cristo e de seus apóstolos - é o cristianismo sobrenatural. Não é uma ética domesticada e inofensiva; não consiste em alguns chavões morais, temperados com uma pitada de religião. Antes, ele é a religião da ressurreição, o viver pelo poder de Deus."

John Stott

"Aproximando-se os fariseus e os saduceus, tentando-o, pediram-lhe que lhes mostrasse um sinal vindo do céu. Uma geração má e adúltera pede um sinal; e nenhum sinal lhe será dado, senão o de Jonas. E, deixando-os, retirou-se."

Jesus Cristo


Só a escritura,
Carlos Henrique.

Harley disse...

Deu no site de notícias G1 (http://g1.globo.com):

"Religiosos lutam contra a morte com mais intensidade, diz estudo.
Pesquisa nos EUA mostra que fiéis com doenças terminais pedem três vezes mais por tratamento intensivo do que os sem religião."

Essa é a espiritualidade atual... ninguém quer ir pro céu!?

Engraçado...! mas não somos peregrinos neste mundo...? Se para o Apóstolo Paulo morrer é lucro, porque é estar com Cristo, porque muitos não anseiam por isso?

É claro que a notícia não cita a religião dos pacientes... mas acredito que tem muito crente com medo da morte... parte em virtude de certa "espiritualidade" pregada hoje.

Se estamos em Cristo... devemos anseiar estar com Cristo!

Na Paz...

Waldney Carmignani disse...

Prezado,

Respeito a sua opinião, mas pra mim fica claro que o prezado desconhece a espiritualidade sobre a qual discursa, bem como está satisfeitíssimo com a sua "religião = espiritualidade", e nada precisa ser alcançado. E parece não respeitar aqueles que tem fome e sede de justiça.
Esqueceu-se igualmente dos Pais da Igreja e de seus mártires na história, bem como a espiritualidade de Lutero e Calvino, calcadas firmemente nos Pais da Igreja.
Creio também que abusou das definições de "católicos", usando-a sem critério anteriormente definido.
O que significa para vc o ensino de Jesus em Mat. 5, sobre o jejum, as esmolas e a oração, em especial sobre "fecha a tua porta e em secreto"...Como Ele avaliaria a sua "religião = espiritualidade" hoje?
O que é a espiritualidade pra vc? Está ligada com a crença intelectual em certas doutrinas, uo tem a ver com a maneira como eu expresso e vivo a minha crença no meu quotidiano?

Francisco Mário disse...

Rev., gostei do post. Eu vejo essa "espiritualidade" uma redundância porque todo aquele que nasceu de novo é espiritual e tudo que ele faz tem que ser espiritual. Paulo só colocou apenas dois tipos de pessoas: o homem natural e o espiritual (1Co 2.14,15). Portanto, essa "espiritualidade" medieval, para mim, é vã.

Quanto a ouvir a voz de Deus, vejo que a Escritura dá os meios para discerni-la (Bíblia), mas jamais limita a forma de Deus falar. Deus é soberano.

Daniel M.S. disse...

"Não estou dizendo que todos os protestantes que adotaram ou aderiram ao movimento de espiritualidade são liberais. Conheço uma meia dúzia que não é."

Caro irmão,espero que Ricardo Barbosa faça parte desses 6. Ainda no Seminário Congregacional em Pedra de Guaratiba (RJ), onde também ouvi e vi o irmão Augustus pela primeira vez - confesso que me impressionei com a palestra de Ricardo, homem sensível e conhecedor da Palavra, vou mais longe, mudou alguns conceitos que eu tinha a respeito da "espiritualidade" ou melhor a minha espiritualidade.Li o seu livro "caminhos do Coração" várias vezes.

Entendo que existe uma espiritualidade bíblica que nos leva a práticas com o único fim de conhecer a Cristo. Afinal o alvo é Cristo e tudo o mais que fazemos em nossas igrejas são formas para O conhecermos( conhecimento sublime) melhor, acho que é isso que o Apóstolo Paulo buscava sem cessar."Tudo faço..."

Um abraço reformado com espiritualidade sincera

Sip of Glory disse...

Querido Reverendo Augustus. De quando em vez venho ao seu Blogue dar uma vista de olhos. Em alguns pontos concordo consigo. Mas o erro e os exageros não provam que determinadas práticas estejam em desacordo com a Palavra de Deus. O sr. diz que segue a doutrina bíblica. Muito bem. Então porque será que é chamado REVERENDO? Não encontro essa expressão em nenhum livro bíblico. No Amor de Cristo.

Pr. Caco N. Pereira disse...

Pastor Augustus,

Essa "coisa" de "ouvir a voz de Deus" das mais diversas maneiras, tem feito com que os crentes fiquem surdos para o verdadeiro "som" da voz de Deus. Aquele "som" maravilhoso e transformador da Escritura que é o poder de Deus para salvação.
Quanto mais inventamos ou reiventamos meios para aproximação do Pai distante do Filho, sem a iluminação do Espírito que é Deus, mais nos distanciamos, nos "superficializamos" e mais temos um povo frágil, manipulavel e sem vida.
Que o Deus da Bíblia nos faça atentar para o "grito da ESCRITURA"!

Augustus Nicodemus Lopes disse...

Waldney,

É claro que você não respeita a minha opinião, apesar de dizer o contrário. Mas, vamos em frente.

Com certeza não conheço essa espiritualidade que combato tão bem quanto outros que a ela se dedicam, mas acredito que depois de ler vários livros dos principais autores devo conhecer o suficiente para formar uma opinião. Avante.

Acho que é você que não conhece nada a respeito da minha espiritualidade, pois a retrata como se fosse um mero assentimento espiritual a certas doutrinas que não tem qualquer compromisso prático no quotidiano. E isso apesar de eu ter criticado claramente em meu post lideres conservadores cujos ministérios não têm qualquer reflexo prático. Você sabe se eu jejuo, dou esmolas e gasto tempo em oração? Me imagina como um teólogo de gabinete que trocou a oração pela reflexão intelectual? O que você diria à minha declaração que diariamente gasto tempo em comunhão com Deus, lendo e meditando em sua Palavra e orando e intercedendo por outras pessoas, e que isso é uma prática minha desde a minha conversão a Jesus Cristo em 1977?

Como Jesus avaliaria minha espiritualidade? Eu espero que com a mesma misericórdia com que avaliou a mulher samaritana, Zaqueu, Pedro, e demais pecadores que foram salvos pela graça, e não por seus méritos e santidade pessoal. Com qual critério você mesmo gostaria de ser avaliado por Jesus, Waldney?

Augustus Nicodemus Lopes disse...

Daniel,

Eu tenho resistido (nem sempre tenho conseguido) a fazer análises de pessoas, nomes, indivíduos aqui no blog. Você bem que poderia me ajudar nisso...

Deixe-me apenas repetir o que já disse em outro comentário: não sou contra a busca da espiritualidade, muito ao contrário. Sou contra uma espiritualidade que não seja cristocêntrica, fundada na justificação pela graça, mediante a fé na obra completa e perfeita de Cristo.

Abraços!

Augustus Nicodemus Lopes disse...

Waldney,

Mais duas coisinhas em seu comentário. Lutero e Calvino rejeitaram completamente as práticas monásticas e a espiritualidade dos mosteiros. É desconhecimento total de sua parte querer legitimizar o misticismo medieval a partir da prática do Reformadores. Eles são chamados de Reformadores exatamente por isso, eles desejavam uma reforma, uma mudança nas doutrinas e práticas do catolicismo medieval. Eles citam os Pais da Igreja apenas no que eles defendem a justificação pela fé sem as obras da lei, doutrina que até hoje, desde Trento, a Igreja Católica considera como anátema.

Mas numa coisa você tem razão: eu não defini "católico" direito. Você é um dos poucos católicos que vejo reconhecer que existem tantos tipos de católicos dentro da Igreja Romana que se faz necessária uma definição a que tipo de católico eu me refiro. Obrigado pela honestidade. Eu me refiro aos católicos que acreditam que a mística medieval, com suas práticas devocionais ascetas, isolacionistas, individualizadas, místicas, é o caminho da elevação espiritual e da aproximação de Deus. Pronto.

Augustus Nicodemus Lopes disse...

Sip of Glory,

Obrigado por nos visitar sempre.

Não vejo que eu tenha rejeitado a busca da espiritualidade completamente. Pensei que havia deixado claro que rejeito somente aquilo que não consigo harmonizar com a Palavra de Deus.

Quanto ao título Reverendo, vou lhe confessar um segredo: eu prefiro "pastor". Você vai notar que nunca me apresento como "reverendo" nem peço para ser tratado por esse título, que é o título costumeiro para os pastores presbiterianos, anglicanos, e outros. Não me apego a ele e não faço a menor questão de ser tratado assim.

Anônimo disse...

Um dos escritores mais apreciados e citados na área de espiritualidade é o famoso Inácio de Loyola.

Ele escreveu em seu tratado Exercícios Espirituais:

"85 – A terceira maneira é castigar a carne, a saber, dando-lhe dor sensível, a qual se dá, trazendo cilícios ou cordas ou barras de ferro sobre a carne, flagelando-se ou ferindo-se e outras formas de aspereza.

86 – Nota. O que parece mais prático e mais seguro na penitência é que a dor seja sensível na carne, mas que não penetre nos ossos; de maneira que cause dor e não enfermidade. 2Pelo que, parece que é mais conveniente flagelar-se com cordas delgadas que dão dor por fora, e não doutra maneira que cause enfermidade notável por dentro."

Não há um único traço neste tipo de conselho que lembre a fé bíblica. Não perceber isso é passar atestado de falta de discernimento cristão.

Goel

Pr. Caco N. Pereira disse...

Pastor Augustus... Permita-me fazer uma breve defesa de sua pessoa...(por gentileza autorize o post).

Vejam bem,
Fui aluno do pastor Augustus no SPN.. eu era calouro e ele o "temido" DR. Augustus....no primeiro dia chegou e despedaçou toda aquela pompa em torno do seu nome. Mostrou-se um camarada simpático, brincalhão.. tranquilo.. Com um grande defeito de não otrcer pelo SANTA CRUZ (time de crente pernambucano - olha que sou paraibano).
Lembro-me do dia em que ele errou ao corrigir as provas do calouros.. Todos ficamos com medo de dizer que ele tinha cometido um erro na correção (era apenas pq a prova tinha uma questão sobre assunto que ainda não havida sido dado em sala). Ele disse com naturalidade: eu errei irmãos... Mandou que cada um pegasse a prova do colega e fomos corrigir na hora...
Em nenhum momento vimos no nosso professor alguém que se pusesse com ar de superioridade pelo elevado grau de conhecimento. Nem mesmo quando "trucidou" um irmão que foi convidado a debater com ele na semana teológica sobre ordenação feminina.
Então amigos...Conheço um pouco do pastor Augustus e lhes garanto que tem evidenciado sim ser um servo do Senhor...

Rev. Sandro disse...

Rev. Augustus,

Fico preocupado com certo preciosismo supostamente bíblico no evangelicalismo brasileiro, do tipo "reverendo não está na Bíblia", de fato não está, como também a palavra Trindade, Sacramento, Escola Dominical, Concílio, Seminário, e tantas outras que embora não mencionadas nada tem de contrário às Escrituras, muitas delas inclusive, com sólida base bíblica.

Por outro lado, e só para informaçãao, leio na "Declaração Conjunta sobre a Doutrina da Justificação" de 1999, entre católicos e luteranos, p. 23: "as condenações doutrinais do século XVI, na medida em que dizem respeito à doutrina da justificação, aparecem a uma nova luz: a doutrina das Igrejas Luteranas apresentada nesta Declaração não é atingida pelas condenações do Concílio de Trento" (DC 5.41).

Rev. Sandro

Professor João Martins da Silva disse...

Prezado Pastor/Professor Augustus,

Descobri que, embora você se sinta lisongeado em ser chamado de Doutor, pelo trabalho que lhe deu obter o título, sua preferência é ser chamado de Pastor.

Concordo com Einstein que os sacerdotes deveriam atuar como verdadeiros professores. Então, ao invés de chamá-lo simplesmente de Agustus, como fiz da última vez, permita-me chamá-lo Pastor/Professor.

Estou tentanto compreender a espiritualidade por ter concluído que nada há a buscar no mercado e no "marketing". Veja a síntese que um assessor de educação empreendedora de certo Governador de um dos Estados brasileiros fez na minha presença para um público universitário a quem queria "converter":

"Na África, todas as manhãs, uma gazela acorda sabendo que ela deve conseguir correr mais do que o leão se quiser manter-se viva. Todas as manhãs o leão acorda sabendo que deve correr mais do que a gazela se não quiser morrer de fome. Não faz diferença se você é gazela ou leão, quando o sol nascer você deve começar a correr."

Decidi combater esse horror com todas as armas pacíficas possíveis. Uma delas, suponho, é a espiritualidade bem compreendida.

Tenho em mãos o livro "A Revelação do Grande Mistério Divino", de Jacob Boehme (1575-1624). Você tem alguma opinião "forte" sobre esse autor?.

Percebo que sua abordagem é sadia e poderá ajudar-me a ser um professor movido por espiritualidade, ainda que ela tenha de ser adaptada à linguagem da educação secular, talvez a partir da psicologia humanista de Abraham Maslow e Erich Fromm, por exemplo.

Em Cristo,
João

Anônimo disse...

Pastor Nicodemos, o senhor não está confundindo a espiritualidade a qual não abraça com a espiritualidade Cristã?

Augustus Nicodemus Lopes disse...

Professor João Martins,

Não, prefiro o Augustus mesmo, que segundo alguns, já é título e não nome, rsrsrsr.

Não me sinto lisongeado em ser chamado de doutor, embora tenha ralado 4 anos em uma universidade estrangeira para obter esse título e depois submetê-lo à PUC para convalidação.

Não li a obra de Boheme, embora saiba da história dele, da visão que diz ter recebido em 1600, e que foi o ponto de partida para seus escritos, inclusive esse que você está lendo. Pelo que pesquisei, Boheme, apesar de luterano, nega a salvação pela graça e pela fé somente em sua obra "O Caminho para Cristo". Ele também tem uma interpretação estranha da Trindade e cria na não-pecaminosidade de Maria.

É o que falo -- fica difícil separar a espiritualidade dessas pessoas das coisas em que elas crêem.

Augustus Nicodemus Lopes disse...

Anônimo,

Naaaaahhh... sem chance. As duas coisas são muito distintas uma da outra, só um cego não percebe a diferença.

Cleber F N Leite disse...

Caro Pastor Augustus

Ouvi um testemunho de uma pessoa que diise conhecer um missionario que testemunhou, numa tribo, que muitos indios converteram-se sem nunca ter ouvido o evangelho, ou seja, a fé salvadora e o arrependimento para a vida, foram misticamente revelado a eles sem a loucura da pregação.
Sei não, mas desconfio que qualquer tentativa de conhecer a Deus como salvador alem da Revelação Especial, a Bíblia, que testifica de Cristo, é uma violação do segundo mandamento.

Cleber

José Eduardo disse...

Pastor Nicodemus

Obrigado pela resposta. Entendi o que o sr quis dizer.

Tenho encontrado poucos modelos de uma vida cristã mais profunda, calcada na Palavra. Talvez porque eu mesmo tenha falhado em ser esse exemplo....

Assim, sem querer expor o sr., se me permite, como "desenvolve a sua salvação"? No dia a dia, como vive a vida cristã?

Dentro daquilo que for possível, nos conte como conjuga a velocidade do dia a dia - que não deve ser lenta para um homem com as suas ocupações - com uma prática devocional bíblica e consistente.

Precisamos de exemplos. O sr tem sido um dos poucos - mesmo à distância e na "realidade virtual" dos nossos dias - a me servir como exemplo. Te vejo como alguém que já caminhou mais no Caminho do Senhor Jesus (por favor, não nos confunda com os "caminhos" que tem surgido em nossos dias...) e tem sido um dos "homens que podem ensinar a outros homens".

Entenderei se o comentário não for nem publicado, mas conhecer o Augustus por trás do Dr. Nicodemus seria muito gratificante.

Abraços
José Eduardo - Niterói - RJ

lucas disse...

ola augustus
uma pergunta como fica a espiritualidade pregada pelo teologo ed rene kivtz.
batista e pelo presbiteriano
ricardo barbosa. e pelo assembléiano ricardo gondim. ambos tem difundido muito esta idéia de espiritualdiade, ambos tem seus destaques no cenário evangelical no brasil.

JAMES HOSTON
DO REGENTE COLEGE NO CANADA.

como fica estas colocações de ambos diante da espiritualidade.


um forte abraço

lucas

Augustus Nicodemus Lopes disse...

Caro Jose Eduardo,

Estou muito longe de ter uma vida devocional satisfatoria. O que procuro fazer todo dia eh separar em torno de 40 minutos para ler a Palavra e orar. Leio livros em seguida na Biblia, alternando em AT e NT, e oro durante e depois.

Nem todo dia isso eh possivel. Nesses dias impossiveis, procuro manter uma atitude de orar sem cessar, fazendo oracaoes pequenas diante de cada nova situacao. Como Neemias diante do rei.

Jah teve tempo em que eu costumava gastar ateh duas horas diarias em oracao, meditacao e leitura da Palavra. Mas ai vieram os quatro filhos, o peso do ministerio pastoral e as obrigacoes do trabalho, reduzindo esse tempo para 30 a 40 minutos diarios.

Mas noto que a medida em que fui amadurecendo, precisei de menos tempo para dizer ao Senhor tudo o que queria. Como um casal que depois de muitos anos exige menos palavras para se entender.

Como a Biblia nao estipula um tempo minimo de oracao e enfoca mais a qualidade e natureza da oracao, nao costumo medir a espiritualidade de ninguem pelo tempo que ele ou ela gasta orando, meditando, jejuando ou etc.

Os fariseus eram conhecidos pelas "longas oracoes"...

Nao sou contra gastar tempo orando e meditando. Quando posso fazer isso, eh um grande deleite espiritual, um reavivamento pessoal. Apenas nao creio que eh a quantidade de tempo nesses exercicios que vah fazer a diferenca.

Um abraco
(de um aeroporto em alguma parte do mundo, onde o teclado nao tem acentos).

Augustus Nicodemus Lopes disse...

Lucas,

Se você leu os comentários acima do seu deve ter percebido que tenho resistido bravamente aos pedidos para me pronunciar sobre nomes que defendem essa ou aquela noção de espiritualidade.

Vamos ficar na análise das idéias e não dos nomes.

Bronzeli,

É uma satisfação recebê-lo em nosso blog! Sim, pode usar à vontade o texto sobre Calvino, nem precisa pedir permissão.

Abraços!

Rev. Laudemiro Barros disse...

Caro Rev. Augustus

Louvo a Deus pelo excelente e bem colocado post da vossa autoria...
O post foi bastante propício, pois nestes rincões brasileiros espanta-nos a redescoberta e o anseio de alguns em tentar ressuscitar essa espiritualidade mais monástica e católica do que bíblica...
Livros, como a "Imitação de Cristo" de Tomás de Kempis (esse gostaria que vc comentasse pois já morreu faz tempo!) tem sido utilizado em reuniões de estudos bíblicos para um estímulo a nova espiritualidade... Será válido o uso desse livro? Creio que o que ele tem de bom a literatura puritana já absorveu...
Ouvi falar também de uma espiritualidade baseada na disciplina (Livro: "Celebração da Disciplina")... Acampamentos de "solitude e silêncio absoluto" tem sido promovidos no meio evangélico para se alcançar esse disciplina e consequentemente a espiritualidade superior... O livro citado acima foi e ainda é lido e consumido por muitos evangélicos, pastores e leigos como instrumento orientador de uma espiritualidade superior... (Que dizer desse livro?)
Sou leitor assíduo do Blog "O Tempora, O Mores"...

Abraços!

Anônimo disse...

Os lideres que estam no pupito deixam de lado um pricipio (a palavra), deve ser sempre aprioridade a pratica da exposicao biblica.para povo nao busca experencia com da epoca medeival, isto explica a reacao e frieza entre as igreja.O que me espanta pastor de um posicao tradicional fazendo tas coisa.Voce mesmo comentou sobre a pratica errada ex:ver um luz interior,arrepio e etc... Mais acretido existam pessoa serias estam focada na palavra, isto bom sinal.Parabens pelo seu comentario,gostaria que todos pastores atendencer isto que caba de comentar no seu blog.Talvez aqui na regiao do ceara mude aforma da pratica.teologia da gloria ou teologia da cruz. E assi esta embasada na BIBLIA.

Anônimo disse...

Olá Nicodemus

O que vejo hoje a respeito dessa tendência é uma tentativa de fuga ou refúgio em uma vida pós moderna.
Os pentecostais/neopentecostais tem uma fuga que é o ultra-misticismo ou a teologia da prosperidade.
Os batistas possuem outra: adaptar idéias pragmáticas e de negócios para a igreja.
Mas percebo que as igrejas históricas não tem respondido satisfatoriamente aos problemas vividos pelos seus membros/pastores nos tempos de hoje.

As igrejas históricas tem adentrado ao liberalismo ou ao "teologismo".

Por isso acredito que muitos pastores/membros tem procurado esse tipo de medievalismo: o desencantamento com o evangelho atual.

Uma igreja que defende políticas sociais, conflito de clases, ecumenismo ou estudar Paulo Freire não vai nunca alimentar espiritualmente seu povo. Longe, muito longe disso. Distante. Infelizmente isso acontece!!!

Da mesma maneira, uma igreja que defende, prega todos os dias sobre uma teologia, uma lógica "conservadora" que as vezes se confunde com o "direitismo", resumindo o evangelho a luta contra o aborto, contra o homessexualismo, ou contra qualquer tipo de idéia "esquerdista", contra a educação sob a coordenação do estado previne o povo, mas não o alimenta espiritualmente.

Voce entra na igreja é só teologia, teologia. Não que isso seja ruim, mas seu excesso cria seres bem alimentados mas desidratados.

Hoje não existe mais a idéia de ação de Deus ou voz de Deus, mas homens em defesa de sua fé que precisa ser defendida e não vivida.

Alguns preferem ir para grutas, ficarem quietos, desocuparem a mente das angústias do dia e dia e viver um medievalismo alternativo.
Porque o que se vê nas igrejas é uma exigencia política ou espiritual acima do que o evangelho propõe.

Porque nas igrejas ou se ensina a prosperar, ou se ensina a como conquistar seua bairro em 1 ano ou como entender o conflito de classes de nossa sociedade ou porque devemos ser contra o aborto ou saber de cor e salteado determinada confissão de fé.

Essa é minha argumentação para tanto.

Abs
JP

Rouver Júnior disse...

Olá.

A paz e a graça do Senhor e Salvador Jesus Cristo.

Só passando pra dizer que tem selo pra este blog no Páginas Incadernadas - http://paginca.blogspot.com/2009/03/selo.html

Dentre os indicados estão o blog da Norma Braga, o Apologia e o Teologia e Graça.

Um grande abraço, em Cristo Jesus.

Anônimo disse...

Poxa, uma jóia em meio aos comments, e parece que passou batido:

"Mas noto que a medida em que fui amadurecendo, precisei de menos tempo para dizer ao Senhor tudo o que queria. Como um casal que depois de muitos anos exige menos palavras para se entender."

Augustus, seu testemunho é alguma coisa das mais bonitas que já li por aqui. Especialmente esta parte em destaque.

Goel

Augustus Nicodemus Lopes disse...

Amigos,

Estou em Jakarta, na Indonésia, para reuniões da World Reformed Fellowship e para dar aulas no Reformed Institute de Jakarta. Estarei aqui por 15 dias. Nem sempre o acesso à internet é fácil. Portanto, vão desculpando a demora nas respostas.

Abraços.

prof_fort disse...

Oá,pastor. Realmente hoje em dia muitos tem abraçado a espiritualidade, e na realidade a razão é falta de compromisso com Deus, preferem uma vida fácil onde apenas as doutrinas "leves" são enfatizadas. Necessitamos de um evangelho que pregue que Jesus é Deus, o Senhor; que pregue a necessidade da salvação; que pregue a exortação a crentes e descrentes. Esse é o evangelho que temos que pregar e não o da espiritualidade. "Deus te ama e quer te salvar, você deixa?" Isso não é evangelho, é uma completa aberração das escrituras. Todos os que passam para a espiritualidade querem um outro evangelho. Infelizmente, vão ter, mas não o verdadeiro.

grato a Deus por tudo sempre


pastor victor

Vanessa Dutra disse...

Paz do Senhor!

Muito bom o texto!

Realmente, é preciso ter cuidado para não cair nem no extremo da frieza espiritual, nem no da espiritualidade mística.

Conheça meu blog e veja o estudo sobre Legalismo X Liberalismo em 4 partes.

Deus abençoe!

Daniel dliver disse...

A propósito de continuar a conversa, Dallas Willard afirma:

"Atualmente, 200 anos depois de Hume, o preconceito é mais forte ainda. O protestantismo, ou o simples progresso do Iluminismo, desenvolveu a idéia de que a visão cristã da salvação refuta qualquer exigência de disciplina para a vida espiritual. O mundo ocidental em geral, e não apenas os filósofos e eruditos, agora está firme no conceito contra atividades disciplinares como parte da vida religiosa.

Qual, perguntamos, poderia ser a base para tal disciplina, senão a presunção da conquista do perdão mediante méritos da abnegação e do sofrimento? Afinal, o princípio fundamental do movimento protestante – a salvação é assegurada pela justificação por meio da fé, e não das obras mortas – "cortou pela raiz o monasticismo e a mortificação em geral". É assim que o artigo sobre "ascetismo" na conhecida Enciclopédia M'Clintock e Strong sobre religião expressa essa atitude prevalecente na cultura protestante. De alguma forma, o fato de que "mortificação" (abnegação ou controle dos impulsos naturais) é o ensino central do Novo Testamento é convenientemente ignorado.

(...)
O modelo de vida espiritual do monasticismo, com toda a sua devoção e paixão intensiva, estava em total desacordo com a vida em Cristo Jesus.

(...)
Foi neste ponto que veio a reação protestante contra o ascetismo: era uma reação contra qualquer papel importante das disciplinas espirituais no processo da redenção. De fato, a Reforma Protestante pode ter feito mais do que todas as tentativas de reforma interna para perpetuar o ascetismo monástico, pressionando-o de fora. Nada traz mais disciplina e unidade para um grupo ou instituição do que os ataques exteriores ou rejeição, tais como as exprobrações de Lutero ao ascetismo que aprendera quando jovem.

(...)
Assim, já vimos que esta obsessão com mérito e perdão de pecados como a única questão para o interesse cristão na ascese não permitiu que o sistema monástico de cristianismo desenvolvesse um padrão de disciplinas espirituais que fosse bíblico e ao mesmo tempo psicológica e espiritualmente saudável.

No entanto, é estranho como o protestantismo tratou essa questão. Evitava as "obras" e os sacramentos do catolicismo como essenciais para a salvação, mas continuou a carecer de qualquer prestação de contas sobre o que os seres humanos fazem para se tornar, pela graça de Deus, o tipo de pessoas que Jesus obviamente os chama a ser.

(...)
A substituição da salvação (nova vida em Cristo) por um dos seus efeitos ou componentes (o perdão dos pecados) dominou o sistema monástico cristão e a reação contra ele, que ainda vivemos hoje.

O protestantismo [...] cometeu o erro de rejeitar simplesmente as disciplinas como essenciais à nova vida em Cristo. Como resultado, jamais foi capaz de desenvolver uma visão coerente da participação humana na salvação que fizesse justiça às diretrizes do Novo Testamento ou aos fatos da psicologia humana.
(...)

Fonte: capítulo 8: "A história e o significado das disciplinas", da obra "O Espírito das Disciplinas", Editora Danprewan.

pentecostal disse...

creio que este blog é mais para uma diversão e passa tempo do que para uma analise séria da biblia
vejo que aqui contesta-se muito o pentecostalismo.
só porque aIPB e outras ditas igrejas historicas não crescem o pentecostalismo é culpado?
vamos discusar ler maisa biblia e dar uma interpretação mais simples ao povo em vez de só teologia e interpretação. chega biblia biblia é a resposta é muita teologia ou seja trologia.

abraço
pentecostal

Augustus Nicodemus Lopes disse...

Meu caro Pentecostal,

Você está certo, esse blog é para diversão mesmo. Nós nos divertimos postando nossas opiniões sobre um monte de coisas e interagindo com os nossos leitores. Deve ser por isso que já estamos perto de meio milhão de acessos. Teologia não devia ser uma coisa tão séria que só possamos nos engajar nela sofrendo.

Acho que você está errado num ponto. Aqui nesse blog nós fazemos críticas a todos, inclusive a nós mesmos. Não é só aos pentecostais. Ao mesmo tempo, se você se der ao trabalho de ler outros posts, verá que temos uma apreciação e reconhecimento sincero do movimento pentecostal em vários pontos.

Por fim, você está MUITO errado em fazer uma distinção entre Bíblia e teologia. Você se identifica como "pentecostal" e até usa esse nome como identificação. Mas o que é um pentecostal? É alguém que segue uma posição teológica muito bem definida e clara. O pentecostalismo é uma teologia.

São comentaristas como você que fazem com que blolar aqui fique menos divertido...

Augustus Nicodemus Lopes disse...

Daniel,

Eu não entendi qual o seu propósito em colocar citações do livro de Willard aqui. Seu alvo era mostrar os argumentos dele contra o protestantismo e a falta de atenção para as disciplinas espirituais?

Tem tantos erros nesses argumentos, tantas inferências sem base e tanto preconceito implícito que não dá para refutar tudo aqui. Acho que a principal resposta que eu daria é que ele está fazendo uma caricatura dos evangélicos, uma que não corresponde à realidade.

Só para dar um exmeplo: ele afirma que o ponto central do NT é a mortificação. Está na cara que ele não sabe do que está falando. A doutrina central do NT é a justificação pela fé em Jesus Cristo. A mortificação é a aplicação dessa doutrina à nossa vida diária e pressupõe a justificação pela fé, senão vira salvação pelas obras.

Os Reformadores como Lutero rejeitaram a vida monástica porque é uma vida legalista, mística, supersticiosa, sem fundamentação bíblica, baseada na salvação pelas obras e pelos méritos humanos.

A minha motivação para ler a Bíblia, orar, meditar, jejuar é simplesmente para ter mais profunda e melhor comunhão com o Deus que graciosamente me salvou. E tenho certeza que essa sempre tem sido a motivação dos cristãos evangélicos.

É claro que os cristãos evangélicos desenvolveram modelos sadios de espiritualidade através da história. E um dos sinais dessa saúde é a rejeição de práticas místicas e sem fundamentação bíblica.

Um abraço.

pentecostal disse...

meu caro fundamentalista puritano augustus nicodemus
seu pentecostal é ser diferente optando em ter os dons do espirito santo na vida, e não só na letra.
comentarista como eu deixar seu blog menos diverdido que isto 90% do que entram por ai são historicos, é claro não como você defensor de uma causa una o fundamentalismo puritano.

teologicamente o pentecostalismo está caminhando
ja parou para ver quantas igrejas pentecostal tem no brasil.
ja parou para nalisar que sua igreja não cresce porque será?
a cidades pelo interior de MG e SP. que igrejas da presbiteriana estão quse fechadas o povo ja foi embora.
e para onde para o pentecostalismo.

a agora uma coisa que está chamando a atenção é
o programa da IPB em rede nacional com o rev hernandes dias lopes que programa abençoado a se todo pentecostal fosse como ele pelo menos os da tv.

professor nicodmeus
o silas malafaia lançou uma dita biblia vitoria finanaceira e batalha espiritual. é uam biblia que merece ser discutida os termos teologicos dela.
mais como vai discutir né o cara manda recado pela tv. é ruim né.
mais poem o tema dela ai. discuti sobre os aspecto teologico dela.

e outra seu blog esta com quse 500 mil acesso. só isto achei que ja tivesse na margem de um milhão.
o do gondin ja ultrapassou mais de 500 mil. e o cara é considerado como um heritico em nicodmeus

mais veleu por seu comentario
a quem deixa ai sem graça é tambem os post todos sabem que a questão da espiritualidade a maior parte dos que gostam são os teologos dai da vossa denominação.

um abraço pentecostal
novamente ser pentecostal é ser cheio da graça de cristo e do poder do seu evangelho
sem fundamentalismo

Juan de Paula disse...

Augustus,

obrigado pela orientãção. Também postei algo a respeito em meu blog trabalhando que a espiritualidade genuína é fundamentada na verdade revelada (Bíblia).

1 - Relevante a fala de que a espiritualidade começa com a regeneração (Novo Nascimento).

2 - Os puritanos, que davam forte ênfase na religião experimental (o que pode ser chamado de espiritualidade), como por exemplo John Bunyan , tiveram suas querelas com os quackres e os "iluminados". Assim como na reforma, Lutero e Calvino divergiam da vertente espiritualista dos anabatistas.

Deus abençoe,
Juan

Luiz Correia disse...

O último comentário deste "pentecostal" é simplesmente caótico, como é caótica a espiritualidade pentecostal!

Anônimo disse...

Muito Prezado Rev. Augustus,

Vem-me à memória um lampejo de uma leitura das Institutas que, salvo engano, dizia mais ou menos assim: "o homem só pode perceber Deus como um extensão de si mesmo. Dai atribuir-lhe sentimento e outras qualidades humanas". Cito o espírito do que julgo ter lido. Verificarei quando tiver tempo.

Classificações do homem quanto ao seu temperamento:

1) colérico, sanguínio, etc.;
2) introvertido versus extrovertido, com subdivisões;
3) viscerotônico, somatotônico e cerebrotônico.

Não o imagino batendo palmas, nem chorando ou sorrindo de forma estridente no culto público - o senhor seria um semi-introvertido/ cerebrotônico(?) - Mas percebo que algumas pessoas precisam chorar e gritar, e bater palmas. Outras precisam isolar-se.

Penso que, no culto formal público as pessoas deveriam conter-se como demonstração de respeitoso temor por Deus. Mas deveriam, talvez, ter oportunidade de manifestarem-se de acordo com o seu temperamento/caráter em local apropriado.

Davi não tinha os seus momentos de liberdade?

Então, o temperamento e o caráter não seriam determinantes da espiritualidade, isto é, da maneira como o homem busca a Deus?

Augustus Nicodemus Lopes disse...

Pentecostal - ou é Lucas ou Virgínia?

Seu comentário foi publicado para que os leitores do blog avaliem o nível de preparo, sanidade, coerência.

Apenas para informação dos demais leitores, "pentecostal" é um dos muitos fakes que essa pessoa usa. Por dois anos ou mais esse "pentecostal" escreve comentários e emails usando perfis e endereços fakes para mim, Solano e outros colegas, fazendo exatamente as mesmas perguntas sobre assuntos que são obviamente uma obsessão para ele.

Informo aos leitores pentecostais que não considero essa pessoa uma representante dos pentecostais. Eu tenho vocês em conta muito mais elevada.

Augustus Nicodemus Lopes disse...

Anônimo,

Não me recordo de ter lido algo assim nas Institutas. Não parece com algo que Calvino escreveria. Sem a informação de onde exatamente onde isso está nas Institutas, fica a dúvida.

Essa classificação em temperamentos é antiga e obviamente não é bíblica, por mais que Tim Lahaye tenha tentado dar uma conotação bíblica a ela. O ser humano é muito mais complexo do que essas categorias.

Para sua informação, bato palmas, rio e choro em cultos, dependendo do impacto da Palavra de Deus na minha mente e no meu coração.

Não vejo a relação entre espirualidade e culto. Não é isso que os defensores da espiritualidade estão dizendo e nem é isso que eu estou dizendo. Espiritualidade tem mais a ver com minha relação individual e pessoal com Deus e o uso dos meios ou disciplinas espirituais. Obviamente tudo isso vai desaguar de alguma forma no culto público, mas a relação não é direta.

Portanto, minha resposta à sua pergunta final é não, não vejo temperamento como determinante da espiritualidade. Quando a Bíblia manda que sejamos santos e cheios do Espírito não faz distinções em termos de temperamento -- é regra geral.

Anônimo disse...

Caro pastor Augustus. Sou professor de teologia e sempre recebo mensagens do "pentecostal" "Lucas" "Virgínia" e outras vezes usando outro nome. No começo eu tive paciência para responder, mas depois essa pessoa enche a minha caixa postal com mais perguntas enormes e sem nexo. Depois começa um sem número de ataques a fé reformada e enaltecendo o pentecostalismo usando o argumento do crescimento e coisa e tal. Sugiro que o sr. ignore as mensagens. Essa dita pessoa não tem interesse em aprender. Ela quer aparecer. Um abraço.

Anônimo disse...

Rev. Augustus,

Por hora, agradecendo sua gentileza em responder-me, ressalto a seguinte opinião de Calvino para conduzir-me nesses assuntos:

"38. Tripé da sabedoria espiritual

Resta-nos agora expor o que a razão humana pode ver em sua busca do reino de Deus, e qual a sua capacidade de compreender a sabedoria espiritual, que consiste em três coisas, a saber: conhecer a Deus; conhecer a sua vontade; e saber como nos cabe regrar a nossa conduta segundo a vontade de Deus.

Quanto às duas primeiras, principalmente a segunda, os mais astutos de entendimento são mais cegos que os próprios cegos."

Fonte: página 107 de As Institutas, Vol. 1, Cultura Cristã, 2006.

Rev. Sandro disse...

Se consideramos o crescimento de uma denominação religiosa sinônimo de aprovação divina, verdade ou de acerto teológico, bíblico ou prático, que diremos dos muçulmanos que crescem muito mais que qualquer denominação cristã?

Somos cristãos porque o Cristianismo é verdadeiro e não importa quantos adeptos a verdade tenha, ela ainda será a verdade.

Rev. Sandro

Anônimo disse...

O termo é atraente, mais o conteudo deste movimento é decaido, obrigado por me agregar conhecimento.

Alan

www.leidosentidocomum.blogspot.com

Pr. Francisco Belvedere disse...

Rev.Nicodemus GRaça e Paz! Creio que deve se lembrar de mim, do Café Teológico na Faculade de Teologia da Metodista.

Gostei da sua abordagem. E como metodista quero dar meu "pitaco" se o irmãos reformados me permitem.

As práticas asceticas e de espiritualidade semelhantes as citadas de certa foram em maior ou menor grau, estiveram presentes no Século XVIII entre os avivalistas. A Enfase no Jejum, nas longas oras de orações e a abstinencia de tudo aquilo que pudesse facilitar o pecado era muito forte entre os movimentos de santidade pessoal. Porem ai eu vejo uma diferença. Naquela época, Wesley, Whifield etc, Tinha em visa a "experimentar os meios de Graça" e ter uma maior comunhão com Deus. Este tipo de mistica citado pelo Sr. parece que Destoa disso e pende para um outro lado, diferente da disciplina espiritual daqueles avivalistas. Não sei se minha leitura está equivcada... Já os movimentos posteriores como Holliness, me parece que exageraram.

Deus nos abençoe

Pr. Francisco Belvedere

Marcelo Luciano disse...

Caro reverendo Nicodemus,

Como sempre, excelente sua analise e consideração sobre este movimento.
O senhor poderia escrever algo relacionado a questão das curas, milagres e prodígios.
Eu creio num Deus que nos dá a salvação em Cristo, mas que não dá ou promete um "pacote de benefícios" onde vc. não terá mais problemas financeiros; você será sempre curado, basta ter fé, ainda que nao seja minha vontade curá-lo; etc, etc e tal.....
Eu creio que a Biblia nos nos autoriza a dizer e pregar que Deus é um "Deus" de Promessas, de cura, de milagre de sinais e prodígios maravilhosos em todo o tempo. Que Ele só faz isso, sempre. Ainda mais quando determino, ordeno, "peço - quando for gentil", etc, etc, etc.
E hoje em dia, em nossas IPBs, o que vemos é isso ser disseminado como uma "doutrina", uma "teologia".
Dá para o senhor dissertar sobre isso. Seria de grande valia....
Grato por sua atenção,

Marcelo Luciano
Diácono Igreja Presbiteriana Central de Ipatinga (IPCI).
Visite nosso sítio: www.ipci.org.br

Anônimo disse...

Rev. Augustus Nicodemus
É reconfortante saber que na nossa
Igreja, existam pessoas como o senhor. Onde tem formação sólida, erudita e principalmente fundamentada na Palavra. Que Deus continue abençoado-o.
Tania Cassiano

Fábio Vaz disse...

Rev. Augustus, é uma alegria poder contar com este Blog. Obrigado pela sua coragem e pela sua postura. O senhor nos encoraja a continuar firmes com nossas convicções reformadas, apesar de todas as adversidades (e de todos os adversários). Obrigado mais uma vez!
www.alegrem-se.blogspot.com

Aspirantes disse...

"...Não é de espantar que suas igrejas sejam minúsculas ..."

Sobre a declaração acima :Ficamos perplexos em saber que um homem que professa a fé reformada, ministra e representa a IPB tanto no Brasil quanto no exterior ; está preocupado com quantidade de pessoas dentro de uma igreja , visto que quanto a essa preocupação não encontramos nenhuma recomendação nas Escrituras,pois entendemos que Nelas (as Escrituras) a salvação pertence a Deus. A sua preocupação deveria estar não em quantidade de pessoas mas sim na real conversão dessas. Os que estão em eminência dentro da IPB deveriam se preocupar não em quantidades de membros e sim na quantidade de pastores não vocacionados para o ministério sagrado que são ordenados por uma falta de zelo e temor de Deus por parte daqueles responsáveis pelo exame dos mesmos. Ao invés de ficar preocupado com "pastores" que acordam perto do meio-dia e ficam a maior parte do tempo presos à internet, achamos que deveria estar preocupado mesmo com o fato deles serem verdadeiramente vocacionados para pastorear as ovelhas de Cristo.Pedimos encarecidamente uma seriedade da sua parte e daqueles que estão responsáveis pelo exame dos candidatos ao sagrado ministério se é que eles se encontram aptos para o exercício do exame.
Obrigado , e um forte abraço dos membros da IPB em Turiaçu (RJ,Rio de Janeiro)Cyrleno (cyrleno@pop.com.br) e Alanderson (alandersontpd@pop.com.br) ,ambos candidatos ao sagrado ministério . Se possível responda-nos.

Augustus Nicodemus Lopes disse...

Caros Cyrleno e Alanderson,

Não entendi por que essa necessidade de vocês terem uma resposta minha e nem ainda por que se deram ao trabalho de colocar um comentário em minha postagem. Afinal, pelo que li neste comentário, eu não sou uma pessoa séria, adoto uma posição contrária à teologia presbiteriana e represento imerecidamente a IPB no Brasil e no exterior. Se é isso que vocês pensam de mim, por que essa necessidade de interagir comigo e de ter uma resposta da minha parte? Não seria melhor simplesmente me ignorar?

Vou levar em conta que vocês são realmente aspirantes, aprendizes que ainda têm muita coisa a aprender. Entre elas a humildade. Acho que a igreja de vocês e o presbitério de vocês deveriam tomar conhecimento dessa frase arrogante de vocês, "Pedimos encarecidamente uma seriedade da sua parte e daqueles que estão responsáveis pelo exame dos candidatos ao sagrado ministério se é que eles se encontram aptos para o exercício do exame".

Vocês nem sairam das fraldas e já estão julgando como incapazes ministros do Evangelho mais antigos, vividos e experientes do que vocês? Para mim, vocês já foram reprovados antes mesmo de fazer qualquer exame, pois uma das condições que a Escritura coloca para aquele que deseja o episcopado é que não seja neófito, para não se ensoberbecer e cair na condenação do diabo. Lendo esse comentário de vocês estou vendo diante de meus olhos um caso concreto daquilo que Paulo queria dizer.

Além do analfabetismo funcional, pois leram e não entenderam nada do que eu disse. O fato de que me preocupo com o tamanho de nossas igrejas e com a preguiça dos pastores não quer dizer que não me preocupo com a conversão real dos que estão já na igreja e com a vocação dos pastores.

Espero sinceramente que aconteça com vocês isso que vocês estão desejando: que sejam examinados por homens capazes e que questionem a conversão e a vocação de vocês, para que não tenhamos no ministério mais pastores arrogantes.

Um forte abraço para vocês também.

João Coelho disse...

Paz Reverendo,
sou pastor licenciado da IPB e ao ler este artigo fiquei muito feliz em perceber como podemos combater o movimento "espiritualista" moderno.

Da seguinte forma:

Dando...
"ênfase na justificação pela fé em Cristo, pela graça, sem as obras ou méritos humanos, como raiz da espiritualidade".

Com...
"uma declaração mais aberta e explícita que a espiritualidade começa com a regeneração, o novo nascimento, e que somente pessoas que nasceram de novo e foram regeneradas pelo Espírito Santo de Deus, que são uma nova criatura, um novo homem, é que podem realmente se santificar, crescer espiritualmente e ter comunhão íntima com Deus".

Pregando...
"O caráter progressivo na santificação".

Explicando...
"o que significa imitar a Jesus como uma das características da vida cristã".

Porque...
"Quando o Novo Testamento fala em imitarmos a Cristo, é sempre em sua disposição de renunciar a si mesmo para fazer a vontade de Deus, sofrendo mansamente as contradições (Filipenses 2:5; 1Pedro 2:21)".


Obrigado Rev. Augustus por dar-me um norte sobre o que pregar nos dias de hoje.

Aprendiz disse...

Prezado Pastor Nicodemus

Sou arminiano, mas como você, creio firmemente na salvação exclusivamente pela graça.

Vejo que um grande problema de muitos evangélicos e que compram as idéias pela propaganda. Movimentos tem história, tem raiz, tem "propósitos". O livro "Faith undone" de Roger Oakland, liga os autores "emergentes" àqueles que eles declaram ser suas principais referências, e aos seus objetivos declarados, através de citações extensas e contextualizadas.

Um aspecto que é pouco percebido é que a tal "oração contemplativa" é uma técnica de auto-hipnoze bastante conhecida e usada por diversas religiões. Sendo um instrumento tão genérico, é difícil conhecer os reais objetivos de quem fez questão de traze-la ao meio evangélico. Não se enganem os católicos, isto não necessariamente traz a maioria dos protestantes ao catolicismo, mais provavelmente diminui o cristianismo em favor de outras crenças.

Outra coisa que ficou clara nas citações de Oakland é a aversão de certos "emergentes" à crença na Bíblia. Em particular, alguns tem profunda aversão a pessoas que creem que haverá grande apóstasia perto do fim (que foi o ensino de Jesus e Paulo).

Por favor, se quiser pode cortar partes deste comentário que julgue inadequadas, mas gostaria de ler seu comentário sobre minha opinião e, futuramente, sua opinião sobre o livro.

grato, na paz do Eterno

angelica disse...

Caro professor,

vichi q chuva de protestos o sr. recebeu por causa desse artigo [Por Que Não Abraço a “Espiritualidade”, de maio 09]. Q bom q o sr. sabe se defender! ;) Depois nós é q somos "fundamentalistas" e "arrogantes"! As pessoas confundem tudo! Mal sabem escrever a língua q falam; outros "mal sairam das fraldas" e atiraram no próprio pé! Ou já cuspiram no prato em q vão comer [ a IPB enqto instituição]?! E qto o uso do blog para "se divertir", foi a primeira vez q caí na risada pelo q escreveram... Foram cômicos alguns desses comentários, com todo respeito. [Normalmente choro de tristeza de ver a realidade das verdades apontadas pelo seu discernimento, pelo seu coração pastoral, e da sua preocupação com a verdade cristã, seja aqui nesse blog seja nos seus escritos. Aliás, todos os q lêem os seus livros podem testemunhar que seus ensinamentos e opiniões não se prendem a questões denominacionais. O sr. tem uma visão muito ampla e vai além da conscientização qto ao bom uso da teologia bíblica, e isso para proveito de muitos.

Um grande abraço,
Angélica Mansano.

Augustus Nicodemus Lopes disse...

Angélica,

Que bom ver seu comentário por aqui! Sim, tem uns comentários engraçados, mas no final, podemos inclusive usá-los para esclarecer melhor o ponto que queremos passar.

Grande abraço!

Danilo Neves disse...

Posso confiar no livro "Uma Introdução à Espiritualidade Cristã", rev. Nicodemus, de Alister E. McGrath??

Comecei a ler ele sem indicação nenhuma e gostaria de saber se ele segue, de fato, a nossa linha reformada em todos os pontos.

Bem Pensado disse...

Caro Rev. Augusto,é com muita alegria que mais uma vez nos dirigimos a sua digníssima pessoa e dessa vez para pedir desculpas pelo mau entendido das postagens anteriores que nós ( Alanderson e Cyrleno) enviamos ao senhor.O tempo nos mostrou que de fato estavamos enganados a seu respeito, pois hoje estamos no seminário Simonton aqui no Rio, e percebemos que a realidade é outra e muito mais complexa do que imaginamos, e o senhor de verdade está do nosso lado e não contra como pensamos anteriormente. Somos reformados e viemos de uma igreja Neo pentecostal e só quem de fato passou por essa realidade sabe de valorizar a teologia reformada e defendê-la por entender que esta é a mais próxima das Escrituras Sagradas.O Pb. Solano esteve palestrando recentemente aqui no seminário e lhe entregamos uma carta falando sobre questões do seminário, o senhor pode ler a carta para entender o que estamos falando.Contamos também com sua ajuda no que puder.Sem mais delongas, um abraço.
Alanderson e Cyrleno. Visite nosso Blog: genebracarioca.blogspot.com

alandersontpd@pop.com.br